The Cog Workers

1 Um par de chaves de grifo


Notas iniciais
Olá, pessoas! É... Esse autorzinho aqui, trazendo mais uma vez um trem novo pra vocês. Mas essa é um seguinte: Eu só vou criar mais se comentarem, derem ideias e pá. Aceito sugestões também, hehe :) Recomendem, tragam amiguinhos, joguem BioShock Infinite, leiam sobre Steampunk... Enfim, curtam essa budega! E vamos ao estrago da vez.

[Thomas]-Ei, não é justo!

[Olaf]-O que foi dessa vez?

[Thomas]-A Sarah está pegando todos os grampos para construir a boneca dela.

[Sarah]-Não é uma boneca, seu idiota. É uma estatueta!

O barbudo saiu de dentro da locomotiva dourada e limpou as mãos sujas de carvão no avental:

[Olaf]-Ei meus amores, não é hora de brigar. O papai tem que entregar o Carro Imperial ainda hoje. E eu nem terminei a locomotiva. Sarah, coopere. E Thomas, deixe de ser um chorão.

[Thomas]-E-eu não sou nenhum chorão! É culpa da Sarah.

[Sarah]-Vê? Está sendo um chorão agora.

[Olaf]-Certo, vejam... -o homem estendeu a eles um bolso de couro preto gasto — Por que não vão comprar maçãs para fazermos torta assim que eu acabar com esse monstro aqui?

[Sarah]-Hmm, as tortas do papai são as melhores! -a garotinha de aparentes 14 anos saltou da mesa em que estava sentada e ajustou os suspensórios ao nível correto

[Thomas]-Será que aquele forno que construímos vai funcionar bem dessa vez? -o jovem um pouco mais novo tinha um olhar cauteloso e cabelos desgrenhados por conta do excesso de preocupação

[Olaf]-Fiquem tranquilos, meus amores. Agora vão até a praça e me tragam maçãs e farinha. Papai vai trabalhar a todo vapor para fazer logo as tortas de vocês.

Os dois passaram pela portinhola de ferro que dava caminho à rua. Mesmo usando trajes "neutros", a jovem Sarah despontava sua beleza tal qual qualquer dama de vestido que passava pomposa pelas calçadas da capital Silverblock. Seus traços chamativos, olhos verdes e cabelos vermelhos-escuro denotavam beleza mesmo "corrompidos" pelos traços de graxa que a pobre jovem tinha espalhados pelo rosto e corpo. Já seu irmão, mais novo e um pouco mais alto, tinha cabelos castanhos como os que o pai um dia teve. Seus olhos eram tão verdes quanto os de Sarah. O garoto tinha um porte franzino, franja sobre os olhos e uma bela marca de óleo quente no pulso esquerdo que recebera da irmã num deslize durante uma brincadeira na oficina do pai. Assim que chegaram à praça, foram parados por um guarda desavisado:

[Policial]-Ei, qual é o significado disso?

[Sarah]-Disso o que, seu guarda?

[Policial]-Vocês roubaram esse bolso?

[Thomas]-Isso é do nosso pai. Vamos fazer tortas!

[Sarah]-Sim, se quiser pergunte ao dono da mercearia. Eles nos conhece.

[Policial]-Isso não me parece muito confiável. Vocês são pivetes e querem me passar a perna para deixá-los livres!

[Sarah]-Não somos pivetes, seu estúpido!

[Thomas]-Ei Sarah, não fale essas coisas assim!

[Sarah]-Que foi, franguinho? Vai dar razão a esse idiota por nos chamar de pivetes e insistir na ideia?

O homem, enfurecido, sacou o porrete do cinto e ergueu o braço:

[Policial]-Vou lhe ensinar boas maneiras, pirralha!

[Thomas]-Sarah, não!

Impulsivamente, o garoto atirou o saco de moedas no olho do agente, que urrou de dor:

[Policial]-Gaaaaargh! Moleque, você será o próximo. Assim que eu estrangular essa jovenzinha... Hmm, e que bela jovem, hein.

[Neil]-Eu sugiro que pare com isso e que jamais ouse olhar para a pequena Sarah com tamanha malícia. -um homem de cartola e segurando uma bengala apareceu, encarando o guarda com raiva

[Sarah e Thomas]-Vovô!

[Neil]-Olá, crianças. Vieram comprar mais maçãs?

[Sarah]-Sim! O papai vai nos fazer tortas hoje.

[Policial]-Argh... Muito bem, vocês se safaram dessa vez. Mas vou logo avisando para não cruzarem meu caminho outra vez. -ele saiu batendo os pés

Assim que o curvado homem de beca azul sumiu no horizonte, os garotos soltaram o velho:

[Neil]-Vocês estão bem?

[Sarah]-Que hora perfeita pra se aparecer, vovô.

[Neil]-Aquele não é um bom homem. Ele tinha desejos sombrios nos olhos. Venham, vamos para a loja.

Os garotos seguiram o velho até a enorme mercearia, toda trabalhada na melhor madeira para decoração. Também possuía um dos melhores sistemas de aquecimento e energia que Olaf, o pai deles, produziu:

[Neil]-Vocês querem beber alguma coisa?

[Thomas]-Não queremos abusar, vovô. Só viemos pelas maçãs e pela farinha...

[Neil]-Certo, certo. Aqui está. -um saco de maçãs frescas foi dado para Sarah e um pacote de farinha de trigo para Thomas — E eu sei que vocês gostam, então quero que levem alguns caramelos para saborearem.

[Sarah]-Obrigada vovô, o senhor é o melhor!

[Neil]-E digam para o pai de vocês que o velho Neil precisa de um ajustezinho na loja.

[Thomas]-Claro vovô, pode deixar!

Os dois saíram sorridentes e mastigando os caramelos que ganharam. Sarah decidiu tomar um caminho diferente para voltar à oficina, e Thomas a advertiu para tomarem a rota normal. Sem dar-lhe ouvidos, a menina seguiu pela rua íngreme. Ao chegar na base da ladeira, foram surpreendidos por um homem de tapa-olho à paisana:

[Policial]-Eu avisei, não avisei?

[Sarah]-Ah cacete, você só pode estar de brincadeira...

[Thomas]-Correr agora, xingar depois!

Os dois saíram em disparada na rua perpendicular. O homem pôs-se atrás deles, e com uma incrível velocidade. Alguns metros a frente, Thomas tropeçou em uma caixa de ferramentas que estava na porta de uma loja:

[Vendedor]-Ei moleque, o que está fazendo?

Mais a frente, corria a desesperada Sarah. Suas pernas já doíam e pediam para que a jovem parasse. Num movimento bruto, o homem a derrubou e a prendeu com as mãos:

[Policial]-Ihihihi... Mas que pitelzinho temos aqui. O que essa blusa folgada esconde?

Com um canivete, ele rasgou a blusa da menina e exibiu seus seios brancos:

[Thomas]-Chefe, quanto quer pelas chaves de grifo?

[Vendedor]-Elas custam 100 libras cada. Mas já que vocês as sujou, eu quero apenas 100 pelas duas.

[Thomas]-Eu já volto.

Thomas apanhou as duas chaves de grifo que havia espalhado pelo chão e pôs-se a correr, ignorando a luxação na perna esquerda. Quando ganhou velocidade, saltou:

[Thomas]-Ding dong, que horas são? É hora do chá, seu filho da puta!

Num movimento cruzado, o garoto cravou as chaves nas laterais do rosto do homem, causando um belo estrago. Assim que o policial caiu desacordado, Sarah rastejou para trás e cobriu os seios com os braços:

[Thomas]-Toma. -ele estendeu seu casaco

[Sarah]-Obrigada, Tom. O que deu em você?

[Thomas]-Ninguém toca em você. Só eu, principalmente se for pra jogar óleo no seu cabelo.

[Sarah]-Posso perguntar por que seu nariz está sangrando e você evita olhar pra mim?

[Thomas]-Peitos femininos.

[Sarah]-Mas eu sou sua irmã, seu tarado!

[Thomas]-É por isso que eu não vou olhar pra essa sua cara de monumento indígena.

A garota liberou um tapa que fez Thomas rodopiar e cair na calçada:

[Thomas]-Ai! Qual é?!

[Sarah]-Que insulto, seu pivete. Vamos pra casa logo, não vou aguentar esse casaco fedido por muito tempo.

Thomas voltou e recolheu os itens comprados que caíram pelo caminho:

[Sarah]-Vou ficar com isso. -ela girou a chave de grifo na mão — Gostei. Primeira vez em toda a vida que você acerta alguma coisa, hein.

[Thomas]-Por favor, Sarah... Não vamos brigar agora que temos armas. Você é capaz de me matar.

[Sarah]-Eu não faria isso. O papai ia ficar uma fera sem o carregador dele.

[Thomas]-Então eu sou uma ferramenta? Ótimo. Me peça pra massagear seus ombros outra vez e eu terei certeza de ter um alicate nas mãos para o trabalho.

Despontaram finalmente na rua da oficina. A medida que foram se aproximando, ouviram gritos e xingamentos:

[Euf]-A IMPERATRIZ ESTÁ IMPACIENTE, SEU BIGODUDO SARNENTO! -o som de coisas de metal caindo no chão era incessante

[Olaf]-Só falta mais um pouquinho. Por favor, eu não consigo trabalhar tão rápido com uma coisa tão grande como a Locomotiva Imperial.

[Euf]-Certo, cachorro da plebe. Eu vou enrolar a Imperatriz hoje. Tenho certeza que um belo baile vai fazê-la esquecer que tem um trem. Mas eu aviso: Ou amanhã, ou sua cabeça vai ser pendurada na porta dessa espelunca.

[Olaf]-Certo, como quiser. Agora, posso retomar a labuta?

[Euf]-Hmpf. Meninos, vamos?

A tropa de 5 "homens" saiu pela porta principal, enquanto os irmãos adentraram pela porta dos funcionários. Chegaram à oficina de fininho:

[Olaf]-Sarah.

A garota congelou no lugar:

[Sarah]-S-sim, papai?

[Olaf]-O que houve com sua blusa?

[Sarah]-N-nada, papai. Do que está falando?

O homem se virou, apesar do sorriso, parecendo preocupado:

[Olaf]-Quem atacou você?

[Thomas]-Eu dei um jeito nele. -o garoto bateu a chave nas mãos

[Olaf]-Quer dizer que você finalmente está despertando o Rayzen que há em você?

[Thomas]-Não é porque é a piolhenta da Sarah que eu deixaria aquele miserável fazer o que bem entendesse.

[Olaf]-Que ótimo, filho! E quem era esse homem?

[Sarah]-Um policial de bigodinho.

A expressão satisfeita do bigodudo tornou-se espanto extremo:

[Olaf]-P-p-p-p-poli-cial? Meu deus, o que foi que vocês fizeram?

[Sarah]-Estávamos indo para o vovô, e ele simplesmente nos parou e nos chamou de pivetes.

[Olaf]-E você foi mal educada com ele, não é?

[Sarah]-Não... -ela entortou os lábios em forma de bico para a direita

[Thomas]-Foi sim.

[Sarah]-Oi, tarados não devem dar opiniões aqui!

[Olaf]-Arh... Certo. Sarah, não se meta com gente do governo. Eles já estão causando problemas demais com essa locomotiva. E Thomas... Controle-se. É a sua irmã. E lembre-se que eu sou o pai dela.

[Thomas]-Mas eu não faria nada. E é a Sarah, pai. Quem quer a Sarah?

[Sarah]-Muitos meninos, caso seja do seu interesse.

[Olaf]-De qualquer maneira, vá pegar uma de minhas velhas camisas. E vê se usa aquela coisa que você me pediu para comprar.

[Sarah]-Tá bem, papai.

[Olaf]-Ao que interessa: Quem está afim de uma torta de maçã?

[Sarah e Thomas]-Obaaaaa!!!

[Olaf]-Mas antes, banho.

[Sarah e Thomas]-Aaaaaaawh...

De madrugada, após comer a terceira torta sozinho, Thomas acordou. Desceu da beliche e resolveu caminhar pela casa. Como estava curioso sobre o evento ocorrido mais cedo com os homens e seu pai, resolveu ir até a oficina, mais precisamente onde estavam os "destroços" deixados por eles. Haviam diversos papeis pelo chão, restos de vidro e todo tipo de parafuso que Thomas conhecia. Subitamente, um papel amarelo chamou sua atenção:

[Thomas]-Quê? "Dívida"? Pai...

O garoto tomou o papel nas mãos e o leu, incrédulo. E não era apenas um, mas vários com os mesmos dizeres. Todos eles aparentemente se referiam a um mesmo pagamento que já era protelado há quase um ano. E Olaf nunca mencionou nada sobre isso. Nem nunca deixou parecer que eles estavam passando por dificuldades. Thomas voltou ao quarto e puxou o cobertor de sua irmã:

[Sarah]-É bom que o motivo me convença, antes que eu corte seus braços com a serra do papai. -a jovem de olhos fechados estava nervosa

[Thomas]-É importante, sua burra. Por que acha que eu te acordaria assim?

[Sarah]-Talvez porque você seja um idiota, eu sei lá...

[Thomas]-Acha mesmo que eu perderia meu precioso sono pra acordar você?

[Sarah]-Não me importa. O que é?

[Thomas]-Vem comigo. Eu tenho que mostrar uma coisa.

A jovem ergueu-se e puxou o cobertor para por sobre os ombros. Caminhou ao lado do irmão até a oficina bagunçada:

[Thomas]-Você está descalça?

[Sarah]-Estou.

[Thomas]-Então fique aí.

Logo o garoto entregou a pilha de papeis amarelos. A mesma expressão brotara no rosto de Sarah:

[Sarah]-O papai está devendo?

[Thomas]-Não. Estão devendo o papai.

[Sarah]-É por isso que ele está tão atarefado com essa banana dourada da Imperatriz?

Thomas cuspiu pela janela:

[Thomas]-Quem ela pensa que é pra pedir prazo de 24 horas por uma maldita locomotiva?

[Sarah]-Eu não sei. Mas temos que cobrar isso dela.

[Thomas]-Perdeu o juízo, irmã? É A Imperatriz. Quem somos nós pra pisar no Palácio de Ouro?

[Sarah]-Eu não sei você, mas não é difícil me parecer com uma nobre. É só pegar um vestido na cidade e pronto.

[Thomas]-Sarah, deixe de ser demente. Você precisa PAGAR pelo vestido.

[Sarah]-Ah, eu devolvo logo depois.

[Thomas]-Do jeito que você é cuidadosa? Ha.

A garota corou:

[Sarah]-Não é bem assim também...

[Thomas]-Você usa as minhas roupas porque destruiria seus vestidos totalmente.

[Sarah]-Eu vou ficar de vestido numa oficina. Certo, Thomas. Certo. -ela expressou-se irônica

[Thomas]-De qualquer jeito, você é uma desastrada!

[Sarah]-Não grite comigo, pirralho!

[Thomas]-A pirralha aqui é você!

De repente, da porta surgiu uma figura enorme segurando um lampião:

[Olaf]-Crianças, do que estão brincando? -o pai enxergou a pilha amarela nas mãos de Sarah — Opa...

[Thomas]-Senhor Olaf Sherman Rayzen... O que tem a dizer sobre isso?

[Olaf]-E-eu posso explicar... Eu juro.

Notas finais
Por favor, sejam sinceros quanto ao comentário. Eu farei questão de consertar quaisquer erros que vocês apontarem (desde que existam, de fato)