The Cog Workers

5 Thomas - A Capital original


Notas iniciais
E aí maaaaaaanos! Tudo bem com vocês? Ó, já que eu recusei a viagem de final de ano (porque eu quis), vou aproveitar a paz de casa pra colocar até mais 2 capítulos dessa historinha. Ainda mais agora que comecei a jogar Fallout, e as ideias tão brotando como sintéticos na minha mente :v Très bien, vamos lá! (sim, tô com mania de falar isso. Deve ser culpa do Polnareff, melhor secundário da 3ª parte de Jooj. Aliás, assistam Jooj. Recomendação minha ;) )

O lugar fedia a óleo de peixe e mofo. Thomas piscou algumas vezes e percebeu que tudo realmente estava escuro. Puxou um isqueiro do bolso e, antes de acendê-lo, questionou a si mesmo a probabilidade de haver algum cano que conduzisse gás inflamável ali embaixo:

[Thomas]-Merda... Merda... Eu já tô todo fodido mesmo. Que se foda!

Acendeu e esperou a explosão. Nada. Tentou se levantar, mas não sentia o braço esquerdo. Mexer a mão: Nada. No mínimo, tinha quebrado o braço inteiro. Aliás, era difícil saber o que no corpo estava inteiro com a queda. Ao menos, conseguiu se colocar de pé. O cansaço e as dores pesavam o corpo quase o triplo. Prendeu a chave no cinto e caminhou calmamente por uma corredor à frente. O chão rangia, o que incomodava seus ouvidos:

[Thomas]-Argh... Eu tenho que sair daqui. E me botar nos eixos logo.

O chão começou a ranger mais alto e, irritado, o garoto pisou forte. Uma atitude deveras retardada. O chão começou a rachar e mais uma vez ele bateu em alguma coisa, atravessou uma superfície e parou de cara em azulejos brancos. A dor agora potencializou ao infinito, e ele não conseguia ouvir mais nada, só sentir algo líquido atingindo seu braço direito.

Quando recobrou a consciência, estava deitado um uma cama branca. O lugar era totalmente desconhecido. Apenas algumas velas estavam acesas, e um cheiro doce vinha delas. Seu braço esquerdo estava preso e engessado, seu corpo estava cheio de faixas e coisas médicas. A calça foi transformada em uma bermuda de trapos:

[Thomas]-Mas... Srgh...

[Haruka]-Você não deveria se mexer.

[Thomas]-Hã, quem tá aí?

[Haruka]-Você está no meu quarto. Eu também estou no meu quarto.

[Thomas]-Eu não consigo te ver. Onde você está?

A luz da vela refletiu na lâmina brilhante da katana. Thomas deitou a cabeça para a esquerda:

[Thomas]-Vai ficar aí?

[Haruka]-Que jeito mais engraçado de chamar alguém, moço.

A asiática do festival. Era ela ali, com um sorriso que fez o coração do garoto mudar o ritmo:

[Thomas]-Já nos vimos antes?

[Haruka]-Você tem uma velocidade incrível. Só é fraco ainda. -ela riu

[Thomas]-Consigo ser mais rápido que você. É só eu buscar minha chave e...

A katana foi parar em seu pescoço. Antes sorridente, agora séria, a asiática balançou a cabeça negativamente quanto à pretensão de Thomas sair da cama. Ele tentou protestar, mas não conseguia convencer a garota. De repente, um sino tocou quatro vezes:

[Haruka]-Ah que bom, é hora do jantar! Fique aqui, vou trazer seu prato.

[Thomas]-Eu posso ir lá pegar e... Tá, por favor.

Logo a jovem voltou com duas cumbucas fumegantes. Uma delas foi entregue ao acamado:

[Thomas]-Obrigado, o que é isso?

[Haruka]-Vladimir nunca diz o que vai ser. Todo dia é "Especial".

[Thomas]-E eu preciso me preocupar com algum ingrediente?

[Haruka]-Ele não é nojento, garoto. Até porque a Dama teria mandado ele correr.

Era um belo mingau. O sabor? Sabe-se lá. Mas era bom. E tinha canela, coisa que Thomas jamais provara antes. Mas a comida não era o que mais lhe interessava... Era a jovem de cabelos castanhos claros, como a cor de suas botas. Do que tinha ouvido, asiáticos eram todos amarelos, de cabelos pretos e baixinhos. Ela era tão branca quanto a cama, tinha cabelos mais claros que os dele e era alta. E tinha um sorriso amável. E uma voz agradável. Talvez estivesse apaixonado. Só... Talvez:

[Thomas]-Por que você me deixou deitar na sua cama?

[Haruka]-Eu estou cuidando de você. Até porque, você quebrou o banheiro. No meio do banho das meninas. Ainda bem que só estávamos eu e a Dama.

Ele sentiu um certo desapontamento consigo mesmo. Mas devolveu um sorriso pelo "Eu estou cuidando de você". Antes que ele perguntasse:

[Haruka]- Haruka. Nanami Haruka.

[Thomas]-Como sabia que eu ia perguntar se nem estava olhando pra mim?

[Haruka]-Talvez você saiba disso um dia. -disse, sorrindo

[Thomas]-Você tem um sorriso bonito.

[Haruka]-Ah... É... Obrigada, eu acho...

Numa competição de vergonha, os dois estariam empatados. Ele, por falar sem pensar. Ela, por ouvir um elogio:

[Thomas]-Vou chamar você de Nana. Combina.

Ela não respondeu. Era incapaz de exprimir algum som. Apenas estava congelada com o rosto vermelho. De repente, o homem do braço mecânico surgiu com a jovem princesinha:

[Lauren]-Estou entrando.

[Haruka]-Boa noite, Dama.

[Thomas]-Você de novo? Eu preferia ter ficado naquele lugar escuro.

[Lauren]-Que audácia. Me viu nua, e tem a coragem de ser grosseiro?

[Thomas]-E você tem alguma coisa pra mostrar, por acaso? Você é uma tábua. TÁBUA.

[Matthew]-Ora, seu...

No momento em que o braço mecânico recolheu o punho para dar um soco, a bainha negra da espada o barrou. Estranhamente, os olhos da garota pareciam vermelhos. Poderia ser, sim, por causa da iluminação. Matthew voltou à posição anterior, aparentemente receoso por alguma coisa:

[Lauren]-Por que está perto dele, irmãzona?

[Haruka]-Ele é agradável comigo.

[Lauren]-Mas ele é um homem sujo. Deve estar pensando sujeira de você.

[Thomas]-Tá me acusando de que, sua tampinha? Eu sou puro.

[Lauren]-Como água barrenta.

[Haruka]-Eu não ligo. Ele não faria isso, pois a Aosora poderia torná-lo um manequim em segundos.

[Thomas]-Tá vendo, pirralha? Eu não vo... PERA, VOCÊ IA ME PICOTAR?!

[Lauren]-Enfim, sai da cama. Você precisa andar um pouco.

[Haruka]-Ele não pode.

[Lauren]-Já se passaram duas semanas desde aquilo. Você não precisa preocupar com ele.

[Haruka]-Dama, você não pode interferir na minha vontade. -ela se levantou e pegou a cumbuca vazia de cima da cama — Moço, você pode se levantar. Desculpe prendê-lo aí. Consegue sentir o corpo todo?

Em segundos, o garoto se levantou, se espreguiçou e fez 5 polichinelos:

[Thomas]-Novinho em folha. Obrigado Nana, te devo uma! -e saiu para o salão principal

[Haruka]-De nada. -e sorriu de novo

[Lauren]-Como assim ele sabe o seu primeiro nome e te chama de Nana?!

[Haruka]-Ele quis saber. Eu só respondi.

[Lauren]-Mas você é tão indiferente... O que aconteceu? Tá apaixonada por ele?

[Haruka]-Paixão? Quem sabe...

No hall do lugar, o seminu Thomas andava olhando para o teto, que tinha uma bela pintura. Aparentemente, aquele lugar já fora um dia um belo hotel para as pessoas nobres. O estado de conservação era incrível:

[Warren]-Ei, garoto. Vem aqui.

Uma figura que mais parecia um paredão humano, de terno e cartola, apareceu com uma trouxa em mãos:

[Thomas]-Eu?

[Warren]-Um Rayzen, no meu Refúgio? Esse é um tempo de glória pra minha vida.

[Thomas]-Ãrh... Tá...?

[Warren]-Warren McConnor. Dono da Cog Workers. E um inventor inspirado por seu pai. Aliás, sinto muito pelo que aconteceu.

[Thomas]-Ele...

[Warren]-Sim. Sua oficina foi pelos ares. Desculpe te jogar essa bomba agora.

[Thomas]-Não... Tá tudo bem.

[Warren]-Bom, vista isso. E eu gostaria de tê-lo sob minha tutela, para recompensar o bem que seu pai me fez há alguns anos. Você aceita?

[Thomas]-Trabalhar?

[Warren]-Não é trabalho, se você sentir prazer pelo que faz. Eu crio coisas, não trabalho criando.

[Thomas]-Mas é a mesma coisa.

[Warren]-Soa menos tedioso. Então, o que acha?

[Thomas]-Certo, mas eu quero fazer um pedido antes.

[Warren]-Estou ouvindo.

[Thomas]-Quando eu alcançar a maioridade, quero desenvolver meus próprios projetos. E você vai me ajudar.

[Warren]-Eu geralmente seria sarcástico, mas se tratando de um Rayzen é melhor eu aceitar. Seu potencial é absurdo! Vejo nos seus olhos a mesma chama que o bigodudo tinha! Por favor, vá tomar um banho e siga até a porta dos fundos. Estarei esperando você lá.

Dito e feito. O garoto meteu-se para o banheiro. Um lugar enorme, todo branco e cheio de chuveiros. Lembrou-se dos azulejos brancos da queda, e teve a certeza de ter caído no banheiro. Levou 1 hora para tomar um banho completo.

A roupa nova lhe caiu bem: Suspensórios, calças pretas, uma blusa com gravata dourada e botas marrons. Ajeitou o cabelo com as mãos e limpou o rosto, conferindo as novas marcas. Saiu e seguiu o caminho indicado. O muralha já estava lá, limpando o rosto com um lenço:

[Warren]-Oh, sr. Rayzen!

[Thomas]-Thomas.

[Warren]-Por favor, me acompanhe.

Pararam em frente à porta. Warren ergueu uma parte da parede e fez surgir uma alavanca, que logo foi abaixada. A parede da porta subiu, e um corredor de vidro surgiu. Uma cidade brilhante surgira de um lado, e do outro uma enorme caldeira, com vários canos cuspindo vapor quente a todo momento:

[Warren]-Essa é a Forja Steelhog, minha humilde empresinha. É ela quem faz Silverblock ser o que é. E essa ali... É a bela Cervantes. Linda, né?

[Thomas]-Uau... Uma cidade subterrânea. E bem melhor que Silverblock.

[Warren]-Obrigado!

[Thomas]-Quê?

[Warren]-Eu também sou o prefeito. Quem faz Cervantes ser assim é o meu dinheiro. Ninguém deve nada ao governo, só a si mesmo. E claro, paga se quiser ajuda.

[Thomas]-Pera, então você vende a sua administração?

[Warren]-Vamos chamar de "autonomia individual". A única coisa que eu vendo são metros quadrados de terreno. Fora isso, é só pedir. O resto, cada um faz sua regra. E eu as modero.

[Thomas]-Uau! Que lugar foda!

[Warren]-Fico lisonjeado com o filho do meu Mestre elogiando minha cidade. Agora, ao laboratório, sim?

Uma porta de aço ergueu-se e os dois entraram em uma caixinha com hélices. Ela os conduziu por dentro do complexo até o nível inferior. Enormes geradores térmicos acoplados ao teto giravam seus braços mecânicos como trens e faziam a energia correr para a indústria e a cidade. Thomas estava maravilhado com o tamanho da instalação:

[Thomas]-Eu queria que a babaca da Sarah estivesse aqui pra ver isso.

[Warren]-Sarah?

[Thomas]-Eu tenho uma irmã. É, eu sei, fiquei com tudo de bom que o papai e a mamãe puderam passar pra frente.

[Warren]-Hmm, intrigante. Eu nunca soube que ele tinha filhos. Quanto mais um casal.

[Thomas]-A Sarah é como a mamãe.

[Warren]-Ah, a doce Ashley. Uma mulher e tanto! Seu pai teve sorte.

[Thomas]-E você é casado?

[Warren]-Claro que sim. E ela é a mente mais brilhante que eu já conheci. Além, claro, de ser um anjo sem asas. Ela é a grande mulher por trás deste senhor de 60 anos.

A caixinha chegou a um passadiço de ferro amarelo, e logo outra porta se ergueu. Dela, uma mulher de cabelo preso e franja sobre o olho direito apareceu:

[Warren]-Thomas, esta é a lendária Jolyne McConnor. Minha doce e amada esposa, e cientista-chefe do complexo.

[Jolyne]-Amor, você devia ter dito que traria visitas. Eu poderia ter arrumado o laboratório. Muito prazer, eu sou a sra. McConnor. E você?

[Thomas]-Thomas Rayzen, é um prazer.

[Jolyne]-A Lauren me falou sobre você. Mas não acho que vocês façam um bom casal.

[Thomas]-Você tá desmerecendo sua filha ou eu?

[Jolyne]-Os dois. -ela sorriu, sarcástica

[Warren]-Jolyne, modos. Ele é um Rayzen.

[Jolyne]-Então finalmente vou ver um Rayzen em ação? Espero que você esteja certo sobre esse nome, querido.

[Thomas]-Se quer saber, eu vou superar você. -ele cruzou os braços e a encarou

[Jolyne]-Me superar? Morrerá tentando.

[Thomas]-Fique tranquila, você estará bem viva quando eu alcançar o sucesso. Terei prazer em jogar isso na sua cara.

[Warren]-Ei, que ideia é essa de desafiar a minha esposa?

[Jolyne]-Eu aceito, Rayzen. Você tem todo o tempo que quiser pra treinar, afinal... Eu estou um um nível milhares de vezes acima do seu.

[Warren]-Querida, o que está fazendo?

[Jolyne]-Olhe pelo lado bom, ele está motivado. É todo seu. Agora, com licença, eu preciso continuar o meu projeto.

Ela se virou e desceu por um tubo. O garoto tamborilou os dedos na bochecha:

[Thomas]-Hmm... Eu tenho trabalho pra caramba pra superar ela. Sr. McConnor, quanto tempo eu levaria?

[Warren]-Não sei... Os conhecimentos da Jolyne superam os meus. Suponho que 20 anos, com uma rotina de trabalho normal.

[Thomas]-Certo! Vou trabalhar o tempo todo pra cumprir isso até os meus 18 anos! Quero esfregar na cara dela que sou melhor o quanto antes.

[Warren]-Geralmente, eu teria te chutado para o precipício atrás de você. Mas é a primeira vez que eu vejo a Jolyne tão empenhada. Bom, ela é empenhada normalmente... Mas você a deixou mais confiante, de algum jeito. Tudo bem moleque, nós vamos trabalhar até nossos dedos caírem!

[Thomas]-Vou vingar a morte do meu pai e confrontar aquele casaca dourada maldito. Espero que ele esteja vivo pra ser posto em público e as verdades serem ditas a todo mundo. Quero esse governo desmascarado pelo que fizeram com o papai ao longo dos anos!

Notas finais
E aí?