The Cog Workers
5 Thomas - A Capital original
Notas iniciais
O lugar fedia a óleo de peixe e mofo. Thomas piscou algumas vezes e percebeu que tudo realmente estava escuro. Puxou um isqueiro do bolso e, antes de acendê-lo, questionou a si mesmo a probabilidade de haver algum cano que conduzisse gás inflamável ali embaixo:
[Thomas]-Merda... Merda... Eu já tô todo fodido mesmo. Que se foda!
Acendeu e esperou a explosão. Nada. Tentou se levantar, mas não sentia o braço esquerdo. Mexer a mão: Nada. No mínimo, tinha quebrado o braço inteiro. Aliás, era difícil saber o que no corpo estava inteiro com a queda. Ao menos, conseguiu se colocar de pé. O cansaço e as dores pesavam o corpo quase o triplo. Prendeu a chave no cinto e caminhou calmamente por uma corredor à frente. O chão rangia, o que incomodava seus ouvidos:
[Thomas]-Argh... Eu tenho que sair daqui. E me botar nos eixos logo.
O chão começou a ranger mais alto e, irritado, o garoto pisou forte. Uma atitude deveras retardada. O chão começou a rachar e mais uma vez ele bateu em alguma coisa, atravessou uma superfície e parou de cara em azulejos brancos. A dor agora potencializou ao infinito, e ele não conseguia ouvir mais nada, só sentir algo líquido atingindo seu braço direito.
Quando recobrou a consciência, estava deitado um uma cama branca. O lugar era totalmente desconhecido. Apenas algumas velas estavam acesas, e um cheiro doce vinha delas. Seu braço esquerdo estava preso e engessado, seu corpo estava cheio de faixas e coisas médicas. A calça foi transformada em uma bermuda de trapos:
[Thomas]-Mas... Srgh...
[Haruka]-Você não deveria se mexer.
[Thomas]-Hã, quem tá aí?
[Haruka]-Você está no meu quarto. Eu também estou no meu quarto.
[Thomas]-Eu não consigo te ver. Onde você está?
A luz da vela refletiu na lâmina brilhante da katana. Thomas deitou a cabeça para a esquerda:
[Thomas]-Vai ficar aí?
[Haruka]-Que jeito mais engraçado de chamar alguém, moço.
A asiática do festival. Era ela ali, com um sorriso que fez o coração do garoto mudar o ritmo:
[Thomas]-Já nos vimos antes?
[Haruka]-Você tem uma velocidade incrível. Só é fraco ainda. -ela riu
[Thomas]-Consigo ser mais rápido que você. É só eu buscar minha chave e...
A katana foi parar em seu pescoço. Antes sorridente, agora séria, a asiática balançou a cabeça negativamente quanto à pretensão de Thomas sair da cama. Ele tentou protestar, mas não conseguia convencer a garota. De repente, um sino tocou quatro vezes:
[Haruka]-Ah que bom, é hora do jantar! Fique aqui, vou trazer seu prato.
[Thomas]-Eu posso ir lá pegar e... Tá, por favor.
Logo a jovem voltou com duas cumbucas fumegantes. Uma delas foi entregue ao acamado:
[Thomas]-Obrigado, o que é isso?
[Haruka]-Vladimir nunca diz o que vai ser. Todo dia é "Especial".
[Thomas]-E eu preciso me preocupar com algum ingrediente?
[Haruka]-Ele não é nojento, garoto. Até porque a Dama teria mandado ele correr.
Era um belo mingau. O sabor? Sabe-se lá. Mas era bom. E tinha canela, coisa que Thomas jamais provara antes. Mas a comida não era o que mais lhe interessava... Era a jovem de cabelos castanhos claros, como a cor de suas botas. Do que tinha ouvido, asiáticos eram todos amarelos, de cabelos pretos e baixinhos. Ela era tão branca quanto a cama, tinha cabelos mais claros que os dele e era alta. E tinha um sorriso amável. E uma voz agradável. Talvez estivesse apaixonado. Só... Talvez:
[Thomas]-Por que você me deixou deitar na sua cama?
[Haruka]-Eu estou cuidando de você. Até porque, você quebrou o banheiro. No meio do banho das meninas. Ainda bem que só estávamos eu e a Dama.
Ele sentiu um certo desapontamento consigo mesmo. Mas devolveu um sorriso pelo "Eu estou cuidando de você". Antes que ele perguntasse:
[Haruka]- Haruka. Nanami Haruka.
[Thomas]-Como sabia que eu ia perguntar se nem estava olhando pra mim?
[Haruka]-Talvez você saiba disso um dia. -disse, sorrindo
[Thomas]-Você tem um sorriso bonito.
[Haruka]-Ah... É... Obrigada, eu acho...
Numa competição de vergonha, os dois estariam empatados. Ele, por falar sem pensar. Ela, por ouvir um elogio:
[Thomas]-Vou chamar você de Nana. Combina.
Ela não respondeu. Era incapaz de exprimir algum som. Apenas estava congelada com o rosto vermelho. De repente, o homem do braço mecânico surgiu com a jovem princesinha:
[Lauren]-Estou entrando.
[Haruka]-Boa noite, Dama.
[Thomas]-Você de novo? Eu preferia ter ficado naquele lugar escuro.
[Lauren]-Que audácia. Me viu nua, e tem a coragem de ser grosseiro?
[Thomas]-E você tem alguma coisa pra mostrar, por acaso? Você é uma tábua. TÁBUA.
[Matthew]-Ora, seu...
No momento em que o braço mecânico recolheu o punho para dar um soco, a bainha negra da espada o barrou. Estranhamente, os olhos da garota pareciam vermelhos. Poderia ser, sim, por causa da iluminação. Matthew voltou à posição anterior, aparentemente receoso por alguma coisa:
[Lauren]-Por que está perto dele, irmãzona?
[Haruka]-Ele é agradável comigo.
[Lauren]-Mas ele é um homem sujo. Deve estar pensando sujeira de você.
[Thomas]-Tá me acusando de que, sua tampinha? Eu sou puro.
[Lauren]-Como água barrenta.
[Haruka]-Eu não ligo. Ele não faria isso, pois a Aosora poderia torná-lo um manequim em segundos.
[Thomas]-Tá vendo, pirralha? Eu não vo... PERA, VOCÊ IA ME PICOTAR?!
[Lauren]-Enfim, sai da cama. Você precisa andar um pouco.
[Haruka]-Ele não pode.
[Lauren]-Já se passaram duas semanas desde aquilo. Você não precisa preocupar com ele.
[Haruka]-Dama, você não pode interferir na minha vontade. -ela se levantou e pegou a cumbuca vazia de cima da cama — Moço, você pode se levantar. Desculpe prendê-lo aí. Consegue sentir o corpo todo?
Em segundos, o garoto se levantou, se espreguiçou e fez 5 polichinelos:
[Thomas]-Novinho em folha. Obrigado Nana, te devo uma! -e saiu para o salão principal
[Haruka]-De nada. -e sorriu de novo
[Lauren]-Como assim ele sabe o seu primeiro nome e te chama de Nana?!
[Haruka]-Ele quis saber. Eu só respondi.
[Lauren]-Mas você é tão indiferente... O que aconteceu? Tá apaixonada por ele?
[Haruka]-Paixão? Quem sabe...
No hall do lugar, o seminu Thomas andava olhando para o teto, que tinha uma bela pintura. Aparentemente, aquele lugar já fora um dia um belo hotel para as pessoas nobres. O estado de conservação era incrível:
[Warren]-Ei, garoto. Vem aqui.
Uma figura que mais parecia um paredão humano, de terno e cartola, apareceu com uma trouxa em mãos:
[Thomas]-Eu?
[Warren]-Um Rayzen, no meu Refúgio? Esse é um tempo de glória pra minha vida.
[Thomas]-Ãrh... Tá...?
[Warren]-Warren McConnor. Dono da Cog Workers. E um inventor inspirado por seu pai. Aliás, sinto muito pelo que aconteceu.
[Thomas]-Ele...
[Warren]-Sim. Sua oficina foi pelos ares. Desculpe te jogar essa bomba agora.
[Thomas]-Não... Tá tudo bem.
[Warren]-Bom, vista isso. E eu gostaria de tê-lo sob minha tutela, para recompensar o bem que seu pai me fez há alguns anos. Você aceita?
[Thomas]-Trabalhar?
[Warren]-Não é trabalho, se você sentir prazer pelo que faz. Eu crio coisas, não trabalho criando.
[Thomas]-Mas é a mesma coisa.
[Warren]-Soa menos tedioso. Então, o que acha?
[Thomas]-Certo, mas eu quero fazer um pedido antes.
[Warren]-Estou ouvindo.
[Thomas]-Quando eu alcançar a maioridade, quero desenvolver meus próprios projetos. E você vai me ajudar.
[Warren]-Eu geralmente seria sarcástico, mas se tratando de um Rayzen é melhor eu aceitar. Seu potencial é absurdo! Vejo nos seus olhos a mesma chama que o bigodudo tinha! Por favor, vá tomar um banho e siga até a porta dos fundos. Estarei esperando você lá.
Dito e feito. O garoto meteu-se para o banheiro. Um lugar enorme, todo branco e cheio de chuveiros. Lembrou-se dos azulejos brancos da queda, e teve a certeza de ter caído no banheiro. Levou 1 hora para tomar um banho completo.
A roupa nova lhe caiu bem: Suspensórios, calças pretas, uma blusa com gravata dourada e botas marrons. Ajeitou o cabelo com as mãos e limpou o rosto, conferindo as novas marcas. Saiu e seguiu o caminho indicado. O muralha já estava lá, limpando o rosto com um lenço:
[Warren]-Oh, sr. Rayzen!
[Thomas]-Thomas.
[Warren]-Por favor, me acompanhe.
Pararam em frente à porta. Warren ergueu uma parte da parede e fez surgir uma alavanca, que logo foi abaixada. A parede da porta subiu, e um corredor de vidro surgiu. Uma cidade brilhante surgira de um lado, e do outro uma enorme caldeira, com vários canos cuspindo vapor quente a todo momento:
[Warren]-Essa é a Forja Steelhog, minha humilde empresinha. É ela quem faz Silverblock ser o que é. E essa ali... É a bela Cervantes. Linda, né?
[Thomas]-Uau... Uma cidade subterrânea. E bem melhor que Silverblock.
[Warren]-Obrigado!
[Thomas]-Quê?
[Warren]-Eu também sou o prefeito. Quem faz Cervantes ser assim é o meu dinheiro. Ninguém deve nada ao governo, só a si mesmo. E claro, paga se quiser ajuda.
[Thomas]-Pera, então você vende a sua administração?
[Warren]-Vamos chamar de "autonomia individual". A única coisa que eu vendo são metros quadrados de terreno. Fora isso, é só pedir. O resto, cada um faz sua regra. E eu as modero.
[Thomas]-Uau! Que lugar foda!
[Warren]-Fico lisonjeado com o filho do meu Mestre elogiando minha cidade. Agora, ao laboratório, sim?
Uma porta de aço ergueu-se e os dois entraram em uma caixinha com hélices. Ela os conduziu por dentro do complexo até o nível inferior. Enormes geradores térmicos acoplados ao teto giravam seus braços mecânicos como trens e faziam a energia correr para a indústria e a cidade. Thomas estava maravilhado com o tamanho da instalação:
[Thomas]-Eu queria que a babaca da Sarah estivesse aqui pra ver isso.
[Warren]-Sarah?
[Thomas]-Eu tenho uma irmã. É, eu sei, fiquei com tudo de bom que o papai e a mamãe puderam passar pra frente.
[Warren]-Hmm, intrigante. Eu nunca soube que ele tinha filhos. Quanto mais um casal.
[Thomas]-A Sarah é como a mamãe.
[Warren]-Ah, a doce Ashley. Uma mulher e tanto! Seu pai teve sorte.
[Thomas]-E você é casado?
[Warren]-Claro que sim. E ela é a mente mais brilhante que eu já conheci. Além, claro, de ser um anjo sem asas. Ela é a grande mulher por trás deste senhor de 60 anos.
A caixinha chegou a um passadiço de ferro amarelo, e logo outra porta se ergueu. Dela, uma mulher de cabelo preso e franja sobre o olho direito apareceu:
[Warren]-Thomas, esta é a lendária Jolyne McConnor. Minha doce e amada esposa, e cientista-chefe do complexo.
[Jolyne]-Amor, você devia ter dito que traria visitas. Eu poderia ter arrumado o laboratório. Muito prazer, eu sou a sra. McConnor. E você?
[Thomas]-Thomas Rayzen, é um prazer.
[Jolyne]-A Lauren me falou sobre você. Mas não acho que vocês façam um bom casal.
[Thomas]-Você tá desmerecendo sua filha ou eu?
[Jolyne]-Os dois. -ela sorriu, sarcástica
[Warren]-Jolyne, modos. Ele é um Rayzen.
[Jolyne]-Então finalmente vou ver um Rayzen em ação? Espero que você esteja certo sobre esse nome, querido.
[Thomas]-Se quer saber, eu vou superar você. -ele cruzou os braços e a encarou
[Jolyne]-Me superar? Morrerá tentando.
[Thomas]-Fique tranquila, você estará bem viva quando eu alcançar o sucesso. Terei prazer em jogar isso na sua cara.
[Warren]-Ei, que ideia é essa de desafiar a minha esposa?
[Jolyne]-Eu aceito, Rayzen. Você tem todo o tempo que quiser pra treinar, afinal... Eu estou um um nível milhares de vezes acima do seu.
[Warren]-Querida, o que está fazendo?
[Jolyne]-Olhe pelo lado bom, ele está motivado. É todo seu. Agora, com licença, eu preciso continuar o meu projeto.
Ela se virou e desceu por um tubo. O garoto tamborilou os dedos na bochecha:
[Thomas]-Hmm... Eu tenho trabalho pra caramba pra superar ela. Sr. McConnor, quanto tempo eu levaria?
[Warren]-Não sei... Os conhecimentos da Jolyne superam os meus. Suponho que 20 anos, com uma rotina de trabalho normal.
[Thomas]-Certo! Vou trabalhar o tempo todo pra cumprir isso até os meus 18 anos! Quero esfregar na cara dela que sou melhor o quanto antes.
[Warren]-Geralmente, eu teria te chutado para o precipício atrás de você. Mas é a primeira vez que eu vejo a Jolyne tão empenhada. Bom, ela é empenhada normalmente... Mas você a deixou mais confiante, de algum jeito. Tudo bem moleque, nós vamos trabalhar até nossos dedos caírem!
[Thomas]-Vou vingar a morte do meu pai e confrontar aquele casaca dourada maldito. Espero que ele esteja vivo pra ser posto em público e as verdades serem ditas a todo mundo. Quero esse governo desmascarado pelo que fizeram com o papai ao longo dos anos!
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