The Cog Workers

3 Desfile Imperial


Notas iniciais
Olá, caros leitores! Como vão vocês? Comigo, desde alguns dias atrás (mais de 30, pra ser preciso), nunca teve tão bão! :) Bom, sem mais enrolês, só vamo pro 3 negos :D

Na madrugada, um estampido alto e um rugir de motor acordou os dois jovens:

[Thomas]-Mas que porra?!

[Sarah]-Não sei. Mas veio da oficina. -a garota estava de pé, envolta em seu cobertor e segurando sua chave — Vai na frente.

[Thomas]-Eu?

[Sarah]-Você é homem, aguentaria um tiro muito melhor do que eu.

[Thomas]-Sarah, você é mais bruta que um homem e tem a cara de pau de dizer isso?

[Sarah]-Anda logo, infeliz!

Thomas apanhou o lampião e o acendeu com um palito de fósforo. Abriu a porta e, calmamente com a chave em posição de ataque, o lampião à frente e Sarah na retaguarda, ele caminhou pelo corredor:

[Thomas]-Pai?

[Olaf]-Hahahahahahaha!!!! Ela está viva! E como uma criança na flor da infância! -o bigodudo vangloriava-se em frente à locomotiva dourada que movia suas rodas num trecho de trilho fixo criado pelo próprio Olaf — Isso tá uma maravilha!

[Sarah]-Pensamos ser um ladrão. -ela fechou a cara

[Olaf]-Desculpe amor, mas o prazo de entrega era hoje. Tive que acelerar a todo custo. E está aí, novinha em folha.

[Thomas]-Belo trabalho, pai. Mas... Como vamos levá-la daqui?

[Olaf]-O meu trabalho era consertar essa porcaria, não transportá-la. Aquele viadinho que se vire. -ele sorriu, limpando a careca molhada de suor — Bom, eu vou tomar um banho e dormir por uns 4 dias.

[Sarah]-Você merece, papai. Trabalhou duro com isso. Mas... O que tem hoje?

[Olaf]-Bom, o Palácio vai aparecer e estão organizando um desfile para receber a Imperatriz

O olhar de Sarah mudou para incrédulo:

[Sarah]-Aquela construção não é o palácio?

[Olaf]-É o Capitólio, onde a nobreza fica. A Imperatriz e a Família Imperial ficam num enorme zeppelin-ilha, o Império das Nuvens, Fragatto!

Depois de dizer isso e deixar o clima de descrença entre seus filhos, Olaf retirou-se para o corredor. Após alguns minutos de silêncio, um tom de deboche surgiu:

[Thomas]-E então, Sarah... Você ia invadir o Palácio pra falar com a Imperatriz?

[Sarah]-Cala essa boca.

[Thomas]-Me desculpe, ó andorinha.

[Sarah]-Vou te bater, Thomas. É sério, fique mudo.

[Thomas]-Vamos voltar a dormir? Preciso do meu corpo inteiro para mais tarde, já que teremos um Festival. -ele sorriu

[Sarah]-Você não vai tarar nenhuma das garotas da cidade, se é que isso passou pela sua cabeça oca. -ela o encarou

Os dois seguiram de volta ao quarto e foram dormir. A noite foi um pouco dura para a garota, que perdeu o sono pouco tempo depois de voltar pra cama. Virou para um lado e tentou dormir. Nada. Virou para o outro. Nada outra vez:

[Sarah]-Ai Deus, é sério que eu vou ficar com olheiras? Bom, já que é assim vou ler.

Já munida de seu cobertor, a garota fez seu caminho na ponta dos pés para a biblioteca secreta. Foi até o corredor e puxou o gancho onde ficava o chapéu do pai. Logo, surgiu uma cordinha do teto. Ela fez força e baixou a escada do sótão, um lugar esquecido até mesmo pelo próprio Olaf. Assim que subiu, puxou a cordinha e selou a tampa. Deixou o cobertor sobre a poltrona que ela havia conseguido içar lá pra cima e acendeu o lampião. Antes de começar, resolveu descer até a cozinha para buscar uma caneca com água. Pôs a chapa de ferro sobre o lampião, a caneca por cima e procurou por ervas no armarinho. Minutos depois, conseguiu fazer seu chá. Sentou-se sob a janela e tateou o livro que andava lendo em meio à multidão sobre a mesa:

[Sarah]-Ah, doce vida! Sem aquele maldito do Thomas pra me irritar, sem o papai fazendo barulho... Só eu e você, querida história.

As horas foram passando. Sarah acabou dormindo no sofá, encolhida em seu cobertor e deixando o livro no chão revestido com carpete.

Logo amanheceu, e Thomas acordou:

[Thomas]-Ei, bocó, é hora de lev... Sarah? -ele pendeu metade do corpo para baixo — Ué?

O garoto desceu pela lateral da cama e checou se a janela havia sido arrombada ou havia algum rastro de sua irmã pela casa:

[Thomas]-Chamando todas as Sarah! Alô, irmã? Sarah! Eu tô falando com você! Pap-- -e lembrou-se que a regra era deixá-lo dormir — Ah, não posso. Merda... Hmmm, que que eu faço?

Resolveu não se importar com o desaparecimento da irmã e foi arrumar o que comer. Depois do desjejum, calçou as botas, pegou sua chave e saiu. A cidade estava cheia de bandeirinhas, balões e placas. Pessoas bem vestidas e alegres caminhavam, compravam balões e doces para as crianças e admiravam as decorações. Era o primeiro festival do garoto, e à sua maneira ele estava deslumbrado com aquela cidade. Nem parecia a mesma cidade que vivera por 13 anos de sua vida. De repente, deparou-se com uma garota sentada com um saco de pipoca sob uma das árvores da cidade. Verificou se estava malcheiroso, ajeitou o cabelo e a camisa:

[Thomas]-Oi.

[Lauren]-Hmm?

[Thomas]-Eu disse "oi.". Você não me entende? -ele tentou gesticular

A jovem sorriu e olhou para Thomas:

[Lauren]-Sim, falamos o mesmo idioma. Eu só fiquei um pouco surpresa por alguém me ver aqui... Com tantas pessoas na cidade.

[Thomas]-Bom... Você é linda. Por que acha que seria difícil alguém te notar?

Ela ficou calada e se levantou, batendo as mãos na saia longa e ajeitando as botas nos pés:

[Thomas]-Uau, você é pequena. Parece uma boneca.

[Lauren]-Obrigada pela gentileza, querido. Mas eu sou uma pessoa. E me chamo Lauren McConnor, é um prazer!

[Thomas]-Thomas Rayzen. É um prazer. -assim como lhe foi ensinado, ele pescou a mão da garota e beijou seu dorso

Percebeu então que ela abriu um leque e o pôs na frente do rosto. Decidiu convidá-la para um passeio para que pudessem conversar. Seu jeito descontraído acabou conquistando a jovem, que era claramente tímida. Até que foram parados por um homem semi-mecânico, cujo braço de cobre tinha um barômetro e liberava vapor periodicamente:

[Lauren]-Ah, é o Matt! Mattie!!!

[Matthew]-Hmm?

Numa velocidade incrível, o gigante apareceu na frente de Thomas com o braço mecânico retraído e preparado para dar um soco:

[Matthew]-Seu...

[Lauren]-Não! Ele é legal.

[Matthew]-Você foi obrigada a dizer isso?

[Lauren]-É claro que não! Eu mesma teria lidado com ele se fosse necessário. -ela puxou uma pequena lâmina da manga direita e logo fez ela se ocultar outra vez

Thomas, já assustado com o enorme golem em sua frente, ficou mais assustado ainda: Quem diria que a bonequinha de cabelos castanhos poderia ser mortal:

[Matthew]-Me desculpe, amigo. Eu sou Matthew, guardião e mordomo da jovem princesa.

[Thomas]-P-p-p-p-p...

[Lauren]-Não, não sou dessa nobreza suja daqui de cima. -ela cruzou os braços — Tenho nojo da situação infeliz que vocês vivem aqui em cima.

[Thomas]-Ãrh... Eu estou um pouco confuso.

[Lauren]-Posso contar? -ela se virou para o gigante

[Matthew]-Se achar prudente, Vossa Alteza.

[Lauren]-Você vai ter que prometer que nunca vai dizer isso, nem mesmo pra sua família.

[Thomas]-Tá.

Lauren abriu a manga esquerda de sua blusa branca e exibiu uma inscrição como uma numeração de máquina:

[Lauren]-Somos renegados. Nós fazemos essa cidade fluir. Fomos escravizados por quem construiu Silverblock. Nossa cidade original fica embaixo. E eu, assim como o Matt e mais algumas pessoas, somos parte de uma liga de inventores que quer expor o governo de vocês. Mas mesmo assim, não confiamos em todos os inventores. Alguns deles são espiões do governo, que mandam informações aqui pra cima periodicamente...

[Matthew]-E então nós criamos a Cog Workers.

[Thomas]-Vocês são rebeldes, então?

[Lauren]-Rebeldes entre os rebeldes que não são rebeldes. É louco, não? -ela sorriu, empolgada

[Thomas]-É, mas... O que eu tenho a ver com isso?

[Lauren]-Ah, é que você me viu. E agora faz parte. -ela juntou as mãos

[Thomas]-Eu faço? Mas eu moro aqui em cima. E tenho família.

[Lauren]-Oh... M-mas você vai procurar a gente, né?

[Thomas]-Não. Por mais que eu deteste a babaca da minha irmã, eu tenho o meu pai. Preciso cuidar dele, e da oficina.

O sorriso de Lauren esvaiu-se com o vento. Decidiu abraçar o homem semi-mecânico:

[Matthew]-Suma daqui, garoto. Antes que eu te faça virar uma folha de papel.

Meio inconformado com o que havia ouvido, ele se virou e tomou o caminho de volta.

Enquanto isso, da Olaf's Machinery House, saía uma garota de vestido toda atrapalhada. Por sorte, encontrou o velho Neil ancorado em um banco de praça:

[Sarah]-Vovô, socorro! Meu...

O velho riu e ajudou a garota a se atar. Ajeitou sua franja e pôs o chapéu na posição correta:

[Neil]-Você saiu toda desarrumada. O que houve, meu bem?

[Sarah]-Papai está apagado. Os idiotas do governo já levaram a banana da Imperatriz, e eu me lembrei do Festival em cima da hora. Aí eu me arrumei da forma que pude.

[Neil]-Ainda bem que eu parei aqui, e pude te ajudar. -ele sorriu

[Sarah]-Obrigada vovô, o senhor é um anjo!

[Neil]-Tome aqui. -ele estendeu uma bolsa de moedas — Divirta-se e tome cuidado! O vovô vai estar na loja, qualquer coisa.

[Sarah]-Obrigada de novo!

Ela acelerou o passo para o meio da multidão, e logo encontrou seu irmão abatido como um pombo alvejado por uma pistola:

[Sarah]-Ei.

[Thomas]-Ei...

[Sarah]-Fracassou?

[Thomas]-Infelizmente...

[Sarah]-Vem, vovô me deu dinheiro. Vamos comprar pipoca.

Foram até um carrinho e pediram dois saquinhos de pipoca. Logo, juntaram-se à multidão que aglomerou-se entre os trilhos que iam surgindo do meio das pedras da rua. De repente, uma sombra enorme tapou o Sol: Fragatto. O Império das Nuvens surgiu, glorioso, com suas hélices colossais. Pairou sobre o povo e o som de cornetas foi ouvido. Logo, algo saiu do zeppelin e começou a se mover, liberando um rastro de fumaça:

[Sarah]-Não pode ser...

[Thomas]-Papai fe...

Sarah tapou a boca de Thomas com uma mão e pôs o indicador da outra nos lábios, simbolizando para que ele não dissesse nada. A locomotiva pairava sobre uma plataforma erguida por pequenas turbinas de vapor. Assim que ela chegou aos trilhos, a plataforma se abriu e ganhou altitude de volta ao Fragatto. Um homem de jaqueta dourada cheia de medalhas e pompas pôs-se para fora com um alto falante:

[Greed]-Cidadãos de Silverblock, muito bom dia. Eu sou o Chefe da Guarda Imperial, Major Jonathan Greed. É um prazer conhecer todos vocês. E, como sabem, hoje é o dia do Desfile Imperial! Vossa Majestade deseja conhecer mais de perto essa bela capital. Ela está no vagão posterior, e ao final do percurso, ela se pronunciará. Agora, por favor, afastai-vos dos trilhos pois estamos de partida!

A locomotiva rugiu e começou a se mover em velocidade baixa. Da janela fosca do vagão com iluminação amarelada por dentro, a figura de uma mulher surgiu. Apesar das decorações na cabeça, era possível ver o cabelo de tom escuro caído sobre os robes azul celeste. Ela tinha um leque e unhas bem cuidadas. Ao avistar os dois, seu olhar focou e Thomas percebeu:

[Thomas]-Ah meu Deus...

[Sarah]-Que foi, garoto?

[Thomas]-Sarah, somos filhos da Imperatriz! -ele segurou a irmã pelos ombros

[Sarah]-É o que?!

Notas finais
E aí? :)