The Climb: O Passado de Meg Malfoy
45 Somewhere I Belong
Notas iniciais
Quando isto começou
Eu não tinha nada a dizer
E me perdi no nada dentro de mim
Eu estava confuso
E deixo tudo isso sair pra descobrir
Que não sou a única pessoa com essas coisas em mente
~Pov Draco
Depois que eu usei o feitiço em Meg ela simplesmente dormiu sem nem se pronunciar. Eu não sabia se o feitiço havia dado certo, na verdade eu não sabia de mais nada, a única coisa que eu sabia era que eu precisava que ela abrisse os olhos e conversasse comigo normalmente. Queria que ela se lembrasse de mim, de todos, que o feitiço tivesse dado certo.
Ela estava dormindo há mais de duas horas enquanto eu estava apenas olhando-a esperando-a se mexer. Mas o que Liam tinha na cabeça quando mandou um garoto do 5º ano usar um feitiço tão complicado?
“Apague a memória dela. Não para que ela não se lembre de mim, ela precisa saber quem eu sou para que se alguém pergunta-la sobre mim ela não acabe se confundindo. Apague só o necessário para que ela não se lembre de tudo o que passamos.”
Era o que estava escrito na ultima carta de Liam. Foi quando Meg finalmente resolveu se mexer. Ela se levantou, sentando-se no sofá e abriu os lindos olhos azuis encontrando os meus.
–Como você está? –Perguntei apreensivo.
–Estou bem, por quê? Espera, o que eu queria pegar aqui mesmo? –Eu suspirei aliviado abraçando-a e ela riu. –O que foi?
–Nada não Meg. Você veio pra que a gente pudesse conversar, não se lembra?
–Aah claro, claro que sim. Me desculpa se peguei no sono.
–Sem problemas, as coisas devem estar corridas.
–Finalmente saí daquela clínica, e eu me sinto bem! Me sinto bem mesmo! Acho que algo em mim entendeu que eu não devo me maltratar assim.
–E o que te fez pensar assim?
–E-eu não sei, só consegui enxergar isso. –Eu sorri.
–Se lembra de um amigo meu, o Liam? Soube do que houve com ele?
–É, eu até me lembro dele. Nós dançamos em uma festa, está tudo bem?
Ela realmente não se lembrava do que havia acontecido com os dois e estava bem. Ela não se lembrava, mas sabia que não deveria se machucar e muito menos deixar de comer. Meg me parecia feliz. Felicidade essa que eu só via em seus olhos quando ele estava perto ou até mesmo quando alguém citava seu nome, mas agora que eu disse não vi o brilho lá.
Eu não queria ter feito isso com ela, mas também não queria que ela o esperasse e deixasse de ser feliz com qualquer outra pessoa que pudesse fazê-la sorrir apenas por respeito ou por jurar encontrá-lo um dia.
Meg agora sabia o quanto era forte. Ela aguentava coisas que eu sabia que muitas pessoas jamais sonhariam. Uma delas é o julgamento dos outros. Antes ela não lidava bem com isso, mas conforme os dias foram se passando ela usou o ferimento como sua forma de resistência ganhando assim força.
Uma vez me disseram que o mais forte é aquele que consegue conviver com a dor. Eu sabia do vazio que estava em seu coração e em suas lembranças agora e ela estava ali, sorrindo comigo e me dizendo o que aprendeu naquela clínica, coisas como “hoje eu sei que eu sou assim e que não devo mudar” eu estava orgulhoso dela.
Ela manteria o sonho de encontrar com ele mais uma vez consigo e se agarraria nele, eu sabia porque a conhecia melhor do que ninguém exceto Liam.
~Pov Meg
Ali com Draco conversando todo aquele tempo eu percebi que tudo o que eu queria naquele momento era que a minha dor fosse curada. E ela estava sendo. Eu me sentia mal por algum motivo, mas ainda não sabia qual.
Talvez fosse a solidão que eu estive por tantos meses naquela clínica. Ali eu estava me livrando de toda a dor que um dia eu senti, eu finalmente estava encontrando um lugar que eu pertença, um lugar que eu queira estar e por mais que eu estivesse me sentindo um pouco sozinha e ainda soubesse que a culpa de toda aquela loucura era minha eu resolvi que eu queria me curar e então me levantei.
Não sei por que motivo eu resolvi lutar, mas graças a ele eu estava ali conversando com Draco. Eu me sentia em casa ali, em Hogwarts mesmo sem nunca ter estudado ali de fato. Talvez algum dia eu conseguisse convencer minha mãe a me mudar de escola.
Eu reconhecia o quanto eu havia melhorado porque quando entrei nesse mundo tudo o que eu tinha era o silêncio e ele me enlouquecia. Eu não dividia nada com ninguém e por esse motivo as coisas pesavam pra mim, mas agora eu tinha Draco ali. Eu sempre confiei nele, mas dessa vez desde que tentei me matar ele havia entendido que me xingar não adiantaria, não melhoraria nada, apenas seria pior.
Porque a primeira coisa que as pessoas fazem ao encontrar alguém como eu, com problemas e dificuldades é julgar. Elas sempre julgam. Eu só queria que elas entendessem que julgar não vai ajudar, da mesma forma como gritos podem piorar a situação. Pessoas como eu só precisam saber que há alguém para confiar e que essa pessoa estaria ao lado dela sempre.
Eu tinha o Draco.
Eu nunca havia desabafado com alguém da maneira como fiz hoje com o loiro. Ele não disse nada, apenas me escutou e no fim de tudo, quando eu tive que ir embora ele me abraçou e me disse que sempre estaria comigo.
Acho que eu finalmente encontrei um lugar que eu pertença.
Eu quero me curar, eu quero sentir
O que eu achei que nunca fosse real
Eu quero deixar ir essa dor que eu segurei por tanto tempo
Apagar a dor até que ela se acabe
...
Eu quero achar algo que eu sempre quis
Algum lugar que eu pertença
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