The Clare

8 Hora de treinar - Part 2


Notas iniciais
-Sem notas iniciais-

Ouvi o despertador. Não me mexi para desligar. Tinha ido dormir muito tarde naquela noite, estava muito cansada e não estava nem um pouco a fim de levantar as 9 horas da manhã em um sábado.

O despertador parou de tocar. Voltei a dormir. Logo depois ouvi batidas fortes na porta, como se alguém estivesse esperando que eu acordasse de propósito para abri-la. A ignorei como fiz com o despertador e já estava quase voltando para o meu sono quando a porta abre de repente e Lucian aparece.

–Bom dia flor do dia – disse chegando perto da cama. Eu me virei de lado, de costas para ele.

–Vá catar cogumelos. Me deixe dormir. — resmunguei algumas palavras.

–Quanta gentileza para essa hora da manhã. – disse ironicamente enquanto puxava minhas cobertas para fora da cama. Eu as segurei com força.

–Lucian, Pare. – falei sem abrir os olhos puxando as cobertas com dificuldade.

Lucian havia puxado mais forte do que eu conseguia puxar e acabou tirando todo o cobertor. Abri a ponta do olho e olhei de relance para seu rosto e depois para o meu corpo. Havia esquecido que coloquei o pijama na noite passada, mas ele estava todo embolado em mim e eu estava em uma guerra séria com meu travesseiro.

–Parabéns- disse com desdém. – Fale, o que quer?

–Vim te acordar para o treinamento que eu falei ontem. Não vai me dizer que esqueceu? — Falou isso sentando-se na cama ao meu lado.

–E como eu vou esquecer? Você me lembra isso a hora toda. Mas precisa ser tão cedo assim? São 9h da manhã Lucian, em um SÁBADO. — Me levantei tirando o cabelo da cara e me espreguiçando com dificuldade.

Caminhei meio sonolenta para a janela e abri as cortinas, o sol automaticamente invadiu meu quarto e quase me ceguei com aquela claridade.

–Bom, se prepare que vamos começar já já- disse se levantando e indo embora.

Depois que ele fechou a porta, fui em direção ao esconderijo do livro para ver se ele não tinha visto nada. Aparentemente estava tudo ok.

Peguei uma toalha e fui em direção para o banheiro, talvez um bom banho me acordasse. Voltei ao meu quarto uns 15 minutos depois, se eu demorasse muito era capaz de Lucian voltar para me encher o saco.

Peguei o livro e voltei a fazer o mesmo feitiço que havia feito na noite passada. Imaginei uma camiseta simples com um jeans e um tênis normal.

Desci as escadas e fui em direção a mesa do café da manhã. Não tinha mais ninguém comendo, então me sentei e suspirei.

– Está uma loucura isso aqui e olha que nem começou o dia. -peguei alguns pãezinhos e tomei uns goles de suco. Depois peguei minhas coisas e coloquei em um canto. Sentei no sofá para esperar Lucian, já que o bocó não me disse onde vamos fazer o treinamento. Parecia que depois que ele foi ao meu quarto, todos daquela casa haviam sumido.

Procurei o controle remoto no sofá e liguei a televisão. Acho que não tinha notícias do mundo lá fora a mais de uma semana. Estava passando um noticiário e aproveitei para ver o que acontecia.

Falava sobre alguns alagamentos, algumas mortes, nada muito importante ou menos óbvio. Mas algo gelou uma alma. Aumentei o volume e fiquei em silencio ouvindo o jornalista falar sobre uma manchete de desaparecimento.

“Aparentemente a Sra. Clare e sua filha estão desaparecidas faz mais de uma semana. Tentamos entrar em contato com algum familiar, mas não encontramos vestígios na casa que estava destruída. Caso as conheça ou tenha as visto, por favor avisar as autoridades o mais rápido o possível.”

Era só o que me faltava. Desaparecimento? Sério? Que tipo de idiota inventou isso? Bom, não temos família então as pessoas irão esquecer essa notícia rapidinho, como fazem com todas as outras. Mas algo estava estranho naquele jornalista. Os olhos deles estavam de uma cor diferente. Como se estivesse sem alma.

Desliguei a TV e me levantei. Fui caminhando em direção para o jardim, pois estava cansada de ficar presa dentro de casa. O Sol batia forte, mas não a ponto de me fazer transpirar muito. Estava um clima gostoso.

Deitei na grama verdinha e fresca e olhei para o céu. As nuvens faziam desenhos de ovelhas, navios, coelhos, e bichos não reconhecidos pelos seres humanos.

Fechei os olhos e senti a brisa bater. Comecei a pensarem tudo o que havia ocorrido naquela semana. A morte da minha mãe, a descoberta do livro e sobre minha vida. Até pouco tempo atrás eu era só uma menina normal de 16 anos que odiava matemática e saia as sextas a noite para jogar boliche com o melhor amigo que aparentemente gosta de mim e acha que eu não sei.

Sem ao menos perceber, caí no sono de novo e me perdi nos pensamentos.

Vi uma sombra gigantesca no céu, maior do que um avião e menor do que uma grande nuvem. O vento rugia como um leão prestes a morder sua presa. Escamas brancas e um olho vermelho-sangue pairavam sobre mim. Não podia ser verdade. Não podia.

Acordei aos sustos quando ouvi Peter me chamar.

–Luce, o que faz deitada aqui? Estávamos esperando você a meia hora atrás. Por acaso esqueceu do seu treino?

–E vocês me deixam esquecer por acaso? Eu lá ia saber onde vocês me esperavam? Eu comi e me sentei, vocês não apareceram e eu vim para cá. – Me apoiei na minha mão e me sentei. – Da próxima, me avisem onde eu devo ir está bem.

–Está bem. Agora vamos que temos um longo dia. – Ele me estendeu a mão e eu me levantei. Caminhamos até uma parte enorme do jardim, que ficava atrás da mansão. Havia muitas arvores ali e uma grande pedra. Lucian deve ser rico, porque aquilo era surreal.

Por falar na peste, ele estava sentado em cima da pedra olhando para mim, como se estivesse se divertindo com aquilo.

–Achei que havia desistido. – Disse sorrindo. – Vamos logo.

Ele me mandou recitar o primeiro feitiço. Aquele que faz o meu cabelo mudar de cor. Não era muito difícil então falei com facilidade. Meu cabelo ficou verde.

Lucian e Peter bateram palmas e me mandaram fazer o próximo.

Passamos o dia todo fazendo isso, um por um, os feitiços foram acabando, até sobrar alguns mais difíceis que eu não conseguia me lembrar direito.

– Muito bem Luce, estou vendo que você não está brincando. Agora eu quero aquele que você mais usa.

–Que eu mais uso? Do que está falando? — perguntei sem saber de nada.

–Esse que você usa para trocar de roupa. Acha que eu não percebi? A menos que você esteja roubando tecido de alguma loja aqui por perto e fazendo suas próprias roupas, você está conjurando elas. – falou cruzando os braços.

–Arg., está bem. – Fiz como sempre fazia quando ia trocar de roupa. Dessa vez coloquei uma roupa um pouco diferente. Um vestido um pouco curto demais e um salto alto preto. Eu não tinha muitas curvas no corpo, mas conseguia me garantir com o pouco que tinha.

Lucian e Peter viraram um pouco o rosto e percebi que haviam ficados vermelhos. Sorri de leve e de uma girada para mostrar o trabalho.

–Está bom assim? — perguntei como se não soubesse de nada. Soltei uma risadinha.

– Hã? Ah, sim. Pode trocar já. – Lucian gaguejou um pouco ainda com o rosto virado. Sorri e voltei as roupas de antes.

Era quase 4h da tarde quando terminamos os feitiços. Eu estava acabada e precisava de mais um banho. Mas não havia terminado ainda.

–Agora este vai ser o último teste. Ele vai fazer com que você invoque um familiar. Ou um animal a quem será seu servo. — Peter disse fazendo gestos com as mãos e olhando para mim. Assenti mas não sabia aquele feitiço. Lembrei que havia pulado ele quando estava lendo.

–Tem certeza? Não me lembro muito desse feitiço, pode não dar certo. — disse trocando o peso de uma perna para a outra.

–Confio em você- ele soltou um sorriso, eu havia ficado vermelha. – Eu vou falar o feitiço e você repete depois de mim ok? Assim será mais fácil.

– Está bem.

Peter começou a falar as palavras e eu repeti logo depois, tentando manter a concentração e mantendo a respiração longa. As palavras eram mais difíceis do que as outras e era um pouco difícil pronunciar. Senti uma força emanando de mim quando terminei de conjurar o tal feitiço. Esperei alguns minutos em silencio esperando alguma coisa vir, mas não havia vindo nada.

–Bem, talvez você ainda não esteja pronta ainda. — Disse Lucian saindo de cima da pedra.

– Ou talvez você tenha esgotado muito sua magia. — Peter completou logo depois.

Confesso que estava um pouco chateada. Queria saber o que viria para mim, mas aparentemente não era o meu dia de sorte.

Nós começamos a andar de volta para a mansão quando ficou escuro de repente. Olhamos em volta para ver se havia algum inimigo. Nada. Olhamos para o céu e tivemos um choque.

Como no meu sonho, algo enorme pairava sobre nós, com suas escamas brancas e seu olho vermelho-sangue.

–Isso é impossível- Lucian gaguejou enquanto seguia com os olhos a criatura. – Até mesmo no mundo da magia, esse tipo de criatura é muito raro. Só magos de elite conseguem ter um. Mas vir um até você de primeira? Você tem ideia da magia que você tem Luce?

Eu estava perplexa para falar algo ou responder ele. Apenas fiquei seguindo com os olhos para o enorme bicho. Talvez o dia não estivesse tão ruim assim. Uma coisa boa havia acabado de acontecer.

Eu havia ganhado um dragão de estimação.

Notas finais
usei muito a palavra "aparentemente", me desculpem por isso, mas foi necessario u-u. Obrigada novamente a quem lê ^^