The Christmas' Angel
3 The Magic of Christmas
Notas iniciais
❆
— Felicity? I do believe in magic.
❆❆❆
Felicity Smoak
Estava nevando.
Os pequenos flocos de neve caiam vagarosamente parecendo tão leves quanto dentes-de-leão voando sob a brisa do final da primavera. Eu observava a rua através da ampla janela da sala de estar mantendo um sorriso constante em meu rosto. Depois da notícia da minha gravidez, Oliver insistiu que deveríamos procurar um lugar nosso, uma casa maior com quintal, num bairro com uma boa escola, parques e muitas crianças. Ele disse que nossos filhos precisavam de um lugar tranquilo para crescer. Ele me ganhou quando falou nossos filhos.
Do lado de fora crianças corriam jogando bolas de neve uma nas outras, algumas estavam em seus quintais empenhadas em construir um boneco de neve antes que os raios de sol ultrapassassem as densas nuvens e se atrevessem a acabar com toda a diversão. E havia aquelas que apenas deitavam sobre o que parecia ser um fofo tapete branco e agitavam seus bracinhos formando belos anjos na neve.
Quando eu era uma criança eu costumava ansiar pelo natal, ansiar por ver todas as casas iluminadas por aquela profusão de luzes multicoloridas e decorações natalinas, o cheiro de biscoitos recém saídos do forno, e o sorriso caloroso que sempre acompanha a todos nessa época do ano. E a neve então? Nada tornava um natal mais perfeito. Como uma criança que cresceu sem família, meu maior sonho era ter alguém para compartilhar a alegria dessa data, sentir toda aquela magia do natal.
Eu cresci, e a vida adulta aos poucos foi escondendo esses desejos lá no fundo do meu coração. Eu pensei que meus sonhos tinham ficado para trás, eu pensei que a pequena menina em mim havia finalmente superado o fato de ser sozinha.
Até o natal passado.
Quando um pequeno anjo entrou na minha vida e de repente todos os meus melhores sonhos se tornaram realidade.
Angie.
Como todas as vezes em que eu pensava nela, instintivamente minha mão se colocou sobre minha grande e arredondada barriga de quase nove meses, e eu suspirei. Eu pude senti-la se mexer exatamente onde minha mão estava, como se dissesse “mamãe, eu também estou pensando em você”. Senti aquela ansiedade percorrer meu corpo. Eu sentia tanta saudade dela, o que era estranho considerando que ela estava bem aqui comigo. Eu apenas queria viver logo o futuro maravilhoso que eu sabia que eu, Oliver e nosso pequeno anjinho teríamos pela frente, eu estava ansiosa por sermos uma família.
Suspirei para a imagem a minha frente. Um casal se aproximava da filha que não tinha mais do que uns cinco anos e brincava com ela na neve. Era algo tão simples, mas eu podia ver pelo sorriso no rosto deles o quanto eles estavam se divertindo.
— Você está com aquele olhar em seu rosto de novo. — Oliver chegou de surpresa me abraçando por trás, e imediatamente eu sorri fechando os meus olhos apenas para intensificar a boa sensação que era ter os braços de Oliver me envolvendo.
— Que olhar? — Perguntei me aninhando ainda mais em seu calor, permitindo que seu abraço me aquecesse, permitindo que aquele carinho tão singelo alegrasse meu coração.
— Aquele que me diz que você está sonhando acordada. — Soprou em meu ouvido, beijando a pele do meu pescoço ternamente.
— Eu estou. — Confessei, ainda mantendo meus olhos nas crianças que brincavam na rua.
— Divida comigo os seus sonhos. — Oliver pediu gentilmente, mas eu sabia que o que ele realmente queria era que eu lhe contasse, para que imediatamente ele tentasse realizá-los. Oliver era assim comigo. Cuidadoso, pronto para atender qualquer necessidade minha antes mesmo que eu a sentisse. Tem sido assim durante toda a minha gestação, a cada mínimo desejo meu, ali estava ele sendo solícito e ansioso. Me vi impelida a girar em seu abraço para fitar seus olhos tão azuis, os olhos que conquistaram meu coração desde a primeira vez em que o vi.
— Não são sonhos exatamente, eu diria que é algo mais como ansiedade. — tentei explicar para ele que absorvia atentamente cada palavra minha — Eu estou louca para ter a nossa pequena correndo por aí, eu quero brincar com ela, eu quero mostrar a ela tantas coisas, eu quero vê-la crescer e quero amá-la. Deus, Oliver, eu quero amá-la tanto, eu não aguento mais esperar por isso.
— E eu quero todas essas coisas também, amor. — sorriu cúmplice — Eu quero tê-la em meus braços, eu quero ter as mãozinhas pequenas dela segurando meu dedo, eu quero sentir seu cheirinho de bebê. — a imagem de Oliver cuidado da nossa filha trouxe um sorriso para mim — Maldição! Eu estou ansioso até mesmo pelas noites mal dormidas e para trocar as fraldas. — Ele riu, arrancando de mim um riso de volta.
— Pode ter certeza de que você fará isso. — Respondi, socando levemente o seu peitoral.
Gradualmente o leve clima divertido foi desaparecendo de mim. A realidade se fazendo presente. Nós teríamos um bebê. Uma pequena criança que dependeria de Oliver e de mim para tudo. Nós seríamos responsáveis pela felicidade e bem estar dela e aquela era uma responsabilidade imensa. E se fizéssemos algo errado? E se ela não fosse feliz? E se não fôssemos bons pais? Deixei aquele medo me alcançar. Oliver, como sempre, notou aquela mudança em mim.
— O que está errado? — Ele buscou meus olhos, tentando compreender a ausência do meu sorriso.
— Eu estou com medo. — Acabei confidenciando.
— Medo? — Oliver repetiu, suas sobrancelhas se uniram e seus olhos passaram a me fitar analisando-me com aflição. — Você está sentindo algo? Alguma dor? Há algo errado? Me diga, Felicity! — Jogou as perguntas claramente preocupado.
— Calma, Oliver, eu estou bem. Nós duas estamos bem. — tentei ser suave ao lhe garantir isso, eu havia me esquecido o quão desesperado Oliver sabia ser. Algumas noites atrás ele me obrigou a ir ao hospital no meio da madrugada simplesmente porque eu tinha reclamado de uma leve dor de cabeça.
— O que é então? — Perguntou, ainda não comprando completamente o meu bem estar.
— Eu apenas estou preocupada, eu cresci sem família e se eu não for uma boa mãe? — Oliver soltou o ar que prendia num longo e aliviado suspiro e então sorriu para mim compreensivamente, uma de suas mãos subiu até meu rosto tocando-o carinhosamente, enquanto a outra permanecia sobre minha barriga.
Eu adorava tê-lo me tocando ali. Me acalmava. Na verdade, acalmava a mim e ao nosso bebê, que simplesmente amava o toque e a voz do pai. Nas noites em que ela estava agitada demais e me impedia de dormir, bastava ter Oliver conversando com ela por alguns minutos e pronto, meu sono tranquilo estava garantido. Eu tentava não ser uma mãe ciumenta nessas horas e me concentrava no quanto apenas ter Oliver por perto deixava tudo melhor para nós duas.
— Venha, sente-se comigo. Você está há muito tempo de pé e eu não quero que você fique cansada. — Oliver disse enquanto segurava-me pela mão e me guiava até o sofá onde ele me obrigara a sentar, inclusive puxando um pequeno pufe para que eu apoiasse meus pés e garantindo que eu tinha a quantidade perfeita de almofadas. Quando finalmente ele se assegurou de que eu parecia confortável o suficiente, ele se sentou ao meu lado, sua mão permaneceu o tempo todo junto a minha sobre a minha barriga — Eu entendo suas preocupações amor, eu as sinto também. Eu me preocupo em ser um bom pai, e em ser bom para você também. Eu quero fazer vocês duas felizes. — um sorriso se formou em meus lábios ao ouvir suas palavras doces, eu via em seus olhos, eu sentia em suas palavras o quanto o que ele me dizia era real. — Nós somos novos nisso, e eu sei que terá momentos difíceis e de aprendizado para nós dois, mas o mais importante é que estamos juntos, e somos uma família. E apenas o fato de que você está tão preocupada em ser uma boa mãe, já mostra que você fará de tudo pela felicidade da nossa pequena e é isso o que realmente importa.
— Eu só quero recompensá-la. Ela me deu o melhor presente de natal que eu já recebi em toda a minha vida. — uma expressão curiosa tomou conta do rosto de Oliver, e eu sorri ao perceber que ele não tinha entendido exatamente sobre o que eu falava. — Você. — expliquei e algo incrível aconteceu: Oliver Queen ficou ligeiramente envergonhado.
— Eu tenho que admitir, Angie é ótima com presentes de natal. — Oliver disse, uma de suas mãos enrolando um mecha do meu cabelo ao redor dos dedos. — Mas esse ano, eu vou tentar te dar um que seja tão bom quanto.
— Vai ser difícil superar. Ela me deu o amor da minha vida. — os olhos dele brilharam para mim, Oliver se inclinou na minha direção, seu nariz roçando o meu suavemente, nós dois sorríamos quando a sua boca tocou a minha com carinho e devoção, seus lábios macios se moveram junto aos meus e um gosto da mais pura felicidade explodiu em minha boca.
Beijar Oliver era meu paraíso particular.
— Eu vou tentar meu melhor. — Ele se afastou apenas um pouco dos meus lábios, o suficiente para eu fitar seu olhar contendo um brilho diferente dessa vez, e sua boca curvada num sorriso que me dizia que eu entraria em problemas me breve, mas seria o melhor tipo de problema.
— Vai amarrar um laço em si mesmo? — chutei, fazendo Oliver rir. — Eu gostaria muito desse presente! — Declarei.
— Engraçadinha. — Ele acariciou a minha bochecha afetuosamente.
— Na verdade, já que estamos falando de presentes eu tenho algo para te dar também. — Oliver franziu o cenho.
— Eu pensei que os presentes seriam trocados apenas amanhã.
— Sim, mas é véspera de natal, e hoje faz um ano que Angie nos colocou no caminho um do outro. E eu sei que prometemos que iríamos comemorar essa data de uma forma mais íntima e deixaríamos os presentes para amanhã. — me apressei em dizer, Oliver tinha sido realmente enfático ao dizer que na véspera de natal o único presente que receberíamos seria um ao outro. — Mas é algo que eu já tinha e eu apenas gostaria que ficasse com você.
Oliver pensou por alguns instantes, ele não queria quebrar a regra de presentes antes da manhã de natal, mas talvez a curiosidade o tenha convencido.
— Tudo bem, eu simplesmente não sei dizer não a você. — Eu sorri feliz com sua resposta.
— Pegue para mim o pequeno embrulho azul embaixo da árvore. — indiquei, e Oliver assim o fez, trazendo-o para mim. Eu me recusei a abrir, e esperei pacientemente e um pouco receosa enquanto Oliver desfazia o laço e desembrulhava a pequena caixa, retirando de lá um cordão de prata com dois pingentes nas extremidades.
— É um escapulário. — respondi a sua pergunta não dita — Você não pode comprar um, tem que ser dado à você de coração por alguém que te ama. Era tudo o que eu tinha quando eu fui deixada no orfanato, é tudo o que a minha família me deixou. — Expliquei.
— Amor, eu não posso... — Oliver tentou recusar ao ver o quão significativo aquilo era para mim.
— Sim, você pode. — fui firme — E eu quero que fique com você, porque isso é tudo o que eu tenho da minha família, mas agora você é a minha família. — Expliquei, Oliver assentiu claramente emocionado com minhas palavras.
— Eu vou usar todos os dias, porque é um pedaço do seu amor. — Ele disse por fim, colocando o cordão.
— Obrigada, Oliver. — Agradeci, e ele apenas assentiu deixando um suave beijo em minha testa.
A noite de natal foi exatamente como Oliver e eu planejamos. Nos concentramos em nós mesmos. Tivemos um bom jantar, à luzes de velas e uma música suave ao fundo, nós até mesmo dançamos. Se dançar for considerado nos abraçarmos e balançarmos de um lado para o outro. E no fim apenas nos recostamos no sofá, e ficamos nos braços um do outro onde um filme qualquer de natal passava na tevê.
Eu sei que para qualquer pessoa, esse natal poderia parecer simples e até mesmo monótono demais. Mas para mim e Oliver, era mais do que perfeito. Nós dois tivemos nossa cota de dor e perda no passado, coisas que nos tornaram pessoas mais fechadas, mas desde o natal passado tudo mudou. Angie nos ensinou a valorizar o amor presente nos pequenos momentos.
— Você imaginou que a vida poderia ser assim? — perguntei a Oliver.
— Nem nos meus melhores sonhos... — Oliver me puxou um pouco mais para si, seus lábios tocando o lado direito da minha cabeça, enquanto uma de suas mãos acariciava meus cabelos fazendo-me suspirar em contentamento. Acomodei minha cabeça em seu ombro e continuamos assim, abraçados, trocando pequenos carinhos e apenas olhando as imagens do filme, o qual eu não conseguia me concentrar.
Era tão fácil nos sentirmos confortáveis nos braços um dos outros, Oliver e eu fechamos os olhos por um pequeno instante e simplesmente adormecemos. Ou não, eu não tenho certeza já que assim que abri meus olhos havia uma pequena e conhecida garotinha a nossa frente. Ela ainda estava mais fofa do que eu me lembrava, com duas trancinhas no cabelo e uma touquinha rosa com pompons.
— Angie. — pronunciei emocionada assim que meus olhos encontraram a Angie e seu sorriso adorável.
— Como? Eu devo estar sonhando... — Oliver balançou a cabeça enquanto olhava incrédulo para o nosso pequeno anjinho, que apenas sorriu marotamente.
— Você não pode estar sonhando, Oliver, porque este é o meu sonho! — Corrigi.
— Felicity... — Oliver estava pronto para rebater.
— Ninguém está sonhando... Ou talvez os dois estejam. — Angie nos interrompeu — O importante é que eu estou aqui. Vocês não pensaram que eu iria deixar de passar o natal com vocês, pensaram? — Seu sorriso se tornou ainda maior, fazendo suas lindas covinhas mais proeminentes.
— Você está certa. Sonho ou não, o importante é que você está aqui conosco. — Oliver disse, se levantando do sofá e pegando-a em seus braços e girando uma Angie risonha pela sala. Eu me juntei a eles, feliz por poder está novamente com o nosso pequeno anjinho, por poder tocá-la, sentir seu cheiro e receber seu sorriso. Ainda que tudo isso fosse um sonho, as sensações eram reais demais.
— Então pequena, o que quer fazer? — perguntei, ansiosa para aproveitar este momento com ela.
— Humm... — Angie pareceu pensar um pouco e por fim decidiu — Eu quero brincar lá fora, na neve. — Anunciou sua vontade. Oliver franziu o cenho, seu olhar indo para a janela da sala, observando o lado de fora.
— Está muito frio para brincar lá fora, não acha? — Devolveu suave, olhando para mim buscando por um apoio enquanto agia como um pai preocupado.
— Eu estou usando agasalho! E luvas, cachecol e até uma touca! — Angie apressou-se em justificar, mostrando a Oliver que ela estava preparada.
— Eu acho que parece uma ótima ideia ir lá fora. — apoiei Angie, que sorriu contente enquanto Oliver erguia uma das sobrancelhas e meneava a cabeça, descontente por eu deixá-lo com o papel de “mau”.
— Tudo bem, — Oliver deu-se por vencido. — mas você terá que se agasalhar, eu não quero vê-la gripada.
— Mas ela está agasalhada! — Exclamei, Oliver estava exagerando nessa coisa de ser superprotetor.
— Eu estava falando sobre você, Felicity. — Explicou. — Pegue um casaco e suas luvas. — ordenou, naquele tom de quem não permite discussão.
— Sim, senhor! — Falei fazendo Angie rir e Oliver revirar os olhos, embora ele tenha sem muito sucesso, tentando conter um pequeno sorriso de divertimento.
Assim que Oliver se assegurou de que tanto eu quanto Angie estávamos devidamente agasalhadas, nós deixamos a casa. Era engraçado, havia nevado durante toda a parte da tarde, as ruas continuavam cobertas pela neve, assim como os telhados das casas. Mas não fazia frio, muito pelo contrário eu me sentia aquecida por dentro. E o mais incrível, o céu que passara o dia inteiro escondido por nuvens agora estava completamente límpido, as estrelas cintilavam como pequenos diamantes e a majestosa lua cheia iluminava ainda mais o céu.
Era uma noite perfeita.
— Eu amei essa casa. — Angie disse ao olhar deslumbrada para a decoração de natal que envolvia a nossa casa.
— Nós a escolhemos pensando em você. — Oliver disse, e Angie apenas sorriu.
— O quintal é tão grande que podemos ter uma piscina, ou uma casa na árvore! — Ela começou a tagarelar entusiasmada, soltando as nossas mãos de repente e correndo pelo quintal enquanto observava tudo mais atentamente. — Ou podemos ter um cachorro! — Ela pareceu particularmente animada com essa ideia.
— Tenha cuidado, Angie, para não cair e se machucar. — Oliver disse, enquanto seguia cada passo dela, tentando estar a postos caso ela precisasse dele. Eu observava toda a cena rindo, eu tinha estava tendo a minha dose de Oliver Queen, futuro pai superprotetor, mas ver isso acontecendo bem diante dos meus olhos apenas me mostrava o quanto meu namorado estava sendo exagerado e sério demais em sua tentativa de ser um bom pai.
De repente uma ideia se formou na minha mente.
Abaixei-me pegando um punhado de neve em minhas mãos, amassando-a até adquirir um formato esférico decente. Mirei nas costas de Oliver, peguei um pouco de impulso e a bola de neve voou se desfazendo bem nas costas dele.
— O quê...? — Oliver se virou olhando para a minha direção claramente confuso, eu não fiz questão alguma de esconder minha autoria naquele crime. Muito pelo contrário eu me declarava culpada.
— Você precisa relaxar, Oliver Jonas Queen. — Justifiquei.
— Eu não preciso. — discordou.
— Precisa sim. — Angie me deu apoio, acertando outra bola de neve em Oliver e então correu vindo em minha direção exibindo um sorriso travesso para Oliver que parecia ainda mais sério.
— Eu estou vendo o que está acontecendo aqui. Vocês duas se juntaram em um complô contra mim. — Oliver reclamou ainda parecendo sério demais — Vocês duas irão pagar caro por isso! — Avisou, e no momento seguinte Oliver abriu um enorme sorriso de quem diz que estávamos encrencadas, e então ele lançou uma bola de neve em nossa direção. Nós corremos, e durante um bom tempo foi o que fizemos. Toda a rua pareceu preenchida com o som das nossas risadas enquanto brincávamos de guerra de bola de neve até que finalmente estávamos cansados demais para continuar.
— Eu quero sentir a neve. — Angie disse, e antes que Oliver pudesse evitar ela havia deitado de costas sobre o chão, com os braços abertos e os mexendo para baixo e para cima num movimento sincronizado. Entendi de imediato o que ela estava fazendo, e sob um olhar recriminador de Oliver eu me deitei ao lado dela fazendo exatamente o mesmo.
— Se não pode com elas, junte-se a elas. — Oliver disse antes de se render deitando ao chão ao lado de Angie fazendo o mesmo que nós duas fazíamos.
Não era suposto que a neve fosse fofa ou confortável. Mas essa era, mais parecia que eu estava deitada em uma nuvem de algodão ou em um pedaço do céu. Depois de um tempo Oliver se levantou, e caminhou na minha direção ajudando a me erguer, nós dois nos abaixamos e esticamos as mãos para Angie ajudando-a a se levantar.
— Vocês serão pais incríveis. — Angie disse com o maior e mais lindo sorriso que eu já tinha visto nela. Era tão belo, cativava-me de tal maneira que eu sabia que eu faria de tudo para sempre vê-la sorrindo. — Vejo vocês em breve, mamãe e papai. — Meu coração palpitou ao escutá-la me chamar de mamãe, uma emoção tão singular, um amor tão puro e incondicional tomou conta de cada parte de mim. Os olhos de Angie marejaram quando ela disse isso, e então ela abriu os braços e nos envolveu no mais caloroso abraço. Olhei para Oliver, seus olhos tão emocionados quanto os meus por ter escutado Angie chamá-lo de papai.
Eu nunca senti tanto amor em um único abraço.
Eu desejava que aquele abraço jamais tivesse um fim.
Mas ele teve. O aperto dos bracinhos de Angie ao redor de mim e Oliver foi se tornando mais fraco, o calor que emanava de seu corpinho pequeno se dissipando e por mais que Oliver e eu tentássemos agarrá-la e impedi-la de partir, ainda assim ela desapareceu.
Logo em seguida, eu abri meus olhos, piscando várias vezes. Eles estavam pesados, como se eu estivesse acordando de um longo sono.
— Angie. — Oliver , parecendo que estava despertando naquele momento também — Eu estava com ela, em um sonho eu acho.
— Eu também. — olhei para Oliver — Mas será possível que tenhamos compartilhado o mesmo sonho, Oliver? Pareceu tão real, eu ainda sinto o calor dos bracinhos dela me abraçando, eu ainda sinto o cheiro dela, o som gostoso da risada... — fechei meus olhos, tentando gravar aquelas sensações. — Ela estava aqui conosco. — Afirmei, meu coração não podia estar tão enganado. — Eu não sei como isso aconteceu, mas foi real, talvez tenha sido mágica.
Oliver se ergueu, parecendo tão abalado quanto eu, ele andava de um lado para o outro seus dedos passando por seus cabelos enquanto Oliver tentava compreender o que acabamos de viver. Mas então ele estancou. De sua boca saiu um arfar incrédulo enquanto ele olhava pela janela. Me preocupei com sua reação e então me aproximei dele, segurando a sua mão.
— Felicity? Eu acredito em mágica. — ele disse apertando a minha mão, e quando eu peguei a direção do seu olhar o ar também me faltou.
Porque do lado de fora da nossa casa, sobre a neve branca havia três anjos perfeitamente desenhados na neve.
❆❆❆
Oliver Queen
Eu ainda estava atordoado com o que tinha acontecido. A facilidade com que Angie mexia com o nosso emocional, como era tê-la conosco agora sabendo que em breve ela seria nossa filha, dessa vez para sempre, sem mais desaparecimentos. Aquilo era apenas muito para assimilar. A intensidade do quanto eu já amava a nossa filha, do quanto eu amava a minha família, arrebatava-me. Eu ainda olhava para os três anjos na neve, quando eu senti Felicity se aproximar se enroscando em meu braço, sua mão buscando a minha enquanto ela compreendia o que estava acontecendo.
Mais uma vez nosso anjinho estivera em nossas vidas.
Mais uma vez ela trouxera amor para os nossos corações. Nos dera um vislumbre de como seria a nossa vida assim que ela estivesse conosco. E tudo o que eu via era um futuro feliz, repleto de risadas. Puxei Felicity para mim, depois de estar com Angie, tudo o que eu queria era abraçar a mulher que eu amava, acariciar sua barriga onde nossa pequena descansava e agradecer por poder viver todo esse momento mágico.
Eu mantive Felicity envolvida em meus braços, eu gostava daquela boa sensação que era ter tudo o que eu mais amava, assim, perto de mim protegido e seguro. Soltei um longo suspiro e então coloquei minhas mãos ao redor de seu rosto e mirei em seus olhos. As pessoas dizem que quando estamos apaixonados nos perdemos no olhar do outro, mas eu não me perdia quando eu olhava nos olhos de Felicity, muito ao contrário, eu me encontrava, encontrava amor, encontrava família, eu via todo o futuro maravilhoso que nos esperava. Eu sorri, ao ver encontrar tantas coisas boas nela, delicadamente acariciei suas bochechas com meus polegares, aproximei seu rosto do meu e tomei seus doces lábios para mim, num beijo o qual eu esperava conseguir transmitir todo o amor que eu sentia por ela.
— Oliver? — Felicity chamou meu nome contra meus lábios assim que terminávamos de nos beijar, ela parecia surpresa com algo.
— Sim, amor? — falei solícito, enquanto ainda acariciava seu rosto com minhas mãos.
— Você se lembra de qual foi a última coisa que Angie nos disse esta noite? — A pergunta dela saiu num sopro, seus olhos estavam nos meus parecendo urgentes, e suas mãos ambas cravadas em meus braços apertando-me com força.
— Que seríamos ótimos pais. — respondi depressa, um pouco assustado com aquela urgência em Felicity.
— Depois disso. — Ela mordeu o lábio inferior com força, enquanto esperava por minha resposta.
— Vejo vocês em breve...? — falei, e Felicity concordou com a cabeça.
— O breve dela era realmente muito em breve. — Felicity disse, seus olhos urgentes nos meus, mas eu não compreendi de imediato o que ela tentava me dizer. — Oliver, eu acho que minha bolsa estourou. — Falou com todas as letras.
— Oh. Ok. Certo. Certo. — Comecei a repetir tentando me manter calmo e me lembrar do que eu deveria fazer a seguir, mas minha mente estava um branco completo. Primeiro e mais importante, eu precisava me lembrar de respirar. Inspirei profundamente logo em seguida. — O que eu devo fazer? — Devolvi para Felicity completamente alarmado. Do que tinha me adiantado frequentar todas as aulas de preparação para o parto se eu não conseguia me lembrar de absolutamente nada?
— Pegue a minha mala de emergência e as chaves do carro. — ela me lembrou.
— Você deveria se sentar enquanto eu vou pegar a mala de emergência e a chaves do carro. — falei enquanto eu andava de um lado para o outro da sala — Deus! Onde estão as chaves do carro? — Levei minhas mãos a cabeça, tentando organizar minha mente. Mas tudo o que eu conseguia pensar era que eu seria papai muito em breve.
— As chaves estão no seu bolso, amor. — Felicity falou com calma.
— Certo, certo... Onde estão as suas coisas?
— No corredor. — Indicou e eu assenti, pegando a mala e apoiando em um braço enquanto com o outro eu oferecia apoio à Felicity, enquanto caminhávamos para fora de casa em direção ao carro. Meu coração parecia que ia saltar do meu peito.
— Você está bem, amor? — perguntei enquanto prendia o cinto de segurança dela, e notei que Felicity respirava profundamente pela boca. Ela apenas assentiu com um pequeno sorriso — Nosso anjinho está voltando para nós. — Falei animado, beijando Felicity rapidamente e ligando o carro em seguida.
Muito em breve seríamos pais.
O natal não poderia ser mais mágico.
❆❆❆
Na madrugada do dia vinte e cinco de dezembro, pesando três quilos cento e cinquenta gramas, nasceu a nossa filha Angelina Smoak Queen. Nossa pequena tinha o cabelo loiro, e covinhas adoráveis que sempre apareciam quando eu acariciava suas bochechas gordinhas. Ela ainda não tinha aberto os olhos, mas eu não tinha nenhuma dúvida que eles eram daquele tom único de azul-céu.
Eu estava sentado na poltrona ao lado da cama de Felicity, que descansava merecidamente depois de horas em trabalho de parto. Eu balançava nossa bebê em meus braços, eu estava fascinado demais por ela, fascinado por seu cheiro, f fascinado por vê-la simplesmente respirar e ainda mais fascinado com o modo como ela, com suas mãozinhas pequeninas apertava meu dedo com força. Ela resmungou audivelmente quando eu retirei meu dedo do aperto de sua mãozinha.
— Angie, você acordou a mamãe. — fingi repreendê-la quando vi o olhar cansado no rosto de Felicity, mas que vinha acompanhado de um sorriso de pura felicidade enquanto ela nos observava.
— Deixe-me segurá-la. — Felicity pediu ansiosa. Eu me levantei com cuidado, e com mais cuidado ainda coloquei a nossa pequena nos braços da mãe.
— Ela é tão linda, tão perfeita. — Felicity disse olhando emocionada para ela, tocando delicadamente seu rostinho, inspirando seu cheiro, gravando cada mínimo detalhe da nossa filha.
— Ela é. — Concordei, observando as duas mulheres da minha vida.
— Eu não podia pedir por um presente de natal melhor. — Ela sorriu, um sorriso que irradiou felicidade por todo o lugar, um sorriso que acelerou meu coração, um sorriso que eu trabalharia todos os dias para garantir que estaria em seu rosto.
— Falando em presentes, é manhã de natal, e nós íamos trocar os nossos. — comecei a falar, ganhando apenas metade da atenção de Felicity, eu não podia culpá-la por estar deslumbrada demais com a nossa filha — Considerando que você me deu a nossa pequena Angie, eu acho justo eu lhe dar o seu presente de natal agora. — Falei, Felicity estudou meu rosto por um instante, notando toda a minha ansiedade e nervosismo.
— Eu estou curiosa. O que é? — Eu apenas dei-lhe um meio sorriso enquanto me afastava da cama, embora eu tenha mantido minha mão segurando a dela.
— Felicity Megan Smoak. — Respirei fundo sentindo meu coração acelerar com o que eu estava prestes a fazer.
— O que você está fazendo, Oliver? — Ela perguntou, completamente surpresa ao me ver ajoelhando sobre um dos joelhos, e retirando uma pequena caixinha de veludo do meu bolso. Sua boca entreabriu em um surpreso “oh” quando ela viu o anel que estava ali.
— Há um ano eu era um homem sem esperanças. Eu não acreditava mais no amor, eu não acreditava que haveria alguém capaz de me fazer sorrir outra vez, alguém capaz de acordar meu coração e fazê-lo sentir a alegria de estar vivo. Eu estava acostumado a viver em um mundo preto e branco. — eu me emocionava a medida que eu falava sobre o quanto Felicity havia mudado em minha vida. — Mas bastou um pequeno anjinho me colocar no seu caminho, e de repente toda a minha vida passou a ter cor, passou a ter vida e um propósito. Você despertou meu coração, você me ensinou a sorrir e a amar outra vez. — Felicity estava chorando, mas eu sabia que era de felicidade, e esse era o único tipo de lágrimas que eu a faria derramar — Hoje na mesma data em que compartilhamos o nosso primeiro beijo, nós estamos começando uma família, eu não tenho dúvidas Felicity, de que você é o caminho para a minha felicidade, você é mulher que meu coração procurava sem que eu sequer soubesse. Você me faria o homem mais feliz do mundo se me der a honra de tê-la como minha esposa. Você me aceita?
— É claro que sim, amor! — exclamou feliz e ao mesmo tempo emocionada, eu me ergui e deslizei o solitário em seu dedo anelar, me sentindo um homem completo . — Esse é oficialmente o melhor natal de todos os natais.
— Eu não posso discordar, eu ganhei uma filha perfeita e uma noiva linda. — Falei, deixando um beijo singelo nos lábios de Felicity, me acomodei ao seu lado e deixei que nossa filha prendesse meu dedo ao redor de sua mãozinha outra vez. — Eu devo ter sido um menino muito bom esse ano. Não é mesmo, Angie? Papai ganhou os melhores presentes e ele está ansioso para levar os dois para casa. — conversei com nossa filha em uma voz infantil que eu sequer sabia que era capaz de fazer. — O quê? — Exclamei quando notei o olhar divertido de Felicity para mim.
— Nada. — Felicity secou uma das lágrimas — É apenas lindo ver você conversar com ela, ver o quanto você a ama, o quanto a nossa família está feliz. — eu sorri para ela, satisfeito por saber que ela era feliz. — Quando eu era criança eu sempre desejei vivenciar a magia do natal, eu não sabia que era assim. — seus olhos brilhavam para mim.
— Assim como? — perguntei curioso.
— Feito de amor. — Disse com simplicidade e eu concordei, eu não poderia fazer diferente, eu tinha minha noiva e nossa filha comigo agora e eu sentia toda essa magia do natal entre nós, transbordando amor por todo o lugar.
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