Notas iniciais
Espero que gostem!
Esta história é mt importante pra mim!
Obrigada!
Bjsss

‘’Como em todas as histórias contadas em livros, estórias que começam sempre com um ‘’ era uma vez’’ e terminam com um ‘’ felizes para sempre ‘’, essa estória também poderia ser contada dessa forma, mesmo estando longe dos clichês e contos de fadas que eu amaria poderem existir na completa e frustrante realidade, com toda sinceridade, seria uma honra poder pegar o meu lápis, uma folha de um caderno qualquer, e começar a juntar palavras, palavras simples, cheias de amor, para contar a vocês sobre os meus pesadelos, sobre todas as lagrimas derramadas, sobre toda a neve que caia, ou sore todo sangue que escorria. Seria tão bom. Tão bom poder sentar aqui, com os meus joelhos começando a congelar por conta da neve, sentar, e compartilhar com simples folhas amareladas tudo o que eu queria ter esquecido, tudo o que havia esquecido, e que voltaria no tempo milhares de vezes se necessário para esquecer novamente.

Mas infelizmente essa estória não é sobre uma princesa que acordou do beijo do amor verdadeiro, faria de tudo para que fosse. Assim talvez eu pudesse finalmente velo de novo, poderia finalmente velos de novo, poderia sentar nessa linda tarde chuvosa, com a neve caindo com vários flocos sobre o meu cabelo, e contar a eles, ler a eles todos os poemas empoeirados e esquecidos.

Mas eu vou contar pra vocês.

O que posso dizer?

Meu nome é Eliza Brauner Ferioli Adamatti, eu tenho 19 anos, sou uma garota que, até os meus 6 anos amava sorrir, esse era o meu lema : Sorrir.

‘’Um sorriso pode iluminar o mundo quando tudo esta nublado, como todas as estrelas podem iluminar o céu quando tudo esta escuro.‘’

E era isso o que eu fazia, uma pequena garotinha que queria ser uma fada, que vivia feliz, iluminando os lugares onde não havia luz.

Lembro-me de sempre levar o Sr. Pig comigo. Antes que você pergunte: Não. O senhor Pig não era o meu bonequinho, era meu irmão mais novo, Roley. Ele tinha 2 anos e eu era/ sou quatro anos mais velha que ele. Mas isso era só no papel mesmo, por que ele tinha a mesa capacidade mental que eu, se não quando a dele não conseguia ser superior a minha. Sim. Ele era um superdotado.

Tudo era perfeito, ainda sonho até hoje com aquela porta, a minha ‘’ porta secreta’’ e com as faíscas douradas que saiam por debaixo dela, depois, era o caldeirão com feitiços embaixo da minha cama, e minha mãe sussurrando:

‘’ – Schhh... – colocava o dedo indicador sobre os lábios – Esse é o nosso segredo, não pode contar pra ninguém, se não as bruxas viram pegar você de noite, e a mamãe não vai poder fazer nada.

Assentia rapidamente, eufórica, precisava saber o segredo.

Via mamãe abrir um sorriso divertido nos lábios, enquanto pronunciava:

— Nós somos fadas, e por isso, com esse feitiço...- Apontou para o caldeirão – As bruxas não podem pega-la enquanto dorme. ‘’

Eu nunca a via fazer o feitiço, sempre que passava por aquela porta, eu só me lembrava das faíscas, como se uma neblina entrasse na minha mente, tampando todas aquelas recordações.

E eu só me lembrava daquela porta, a porta secreta que hoje não é mais secreta, e perto de tudo o que eu ainda teria para descobrir, aquilo estava muito longe de ser o meu maior mistério não desvendado.

Foi então que, aquela noite chegou.

Tudo começou naquela noite

Foi naquela noite que eu me esqueci de sorrir.

Foi naquela noite que o meu sorriso ficou falso, como todo o vestígio de felicidade do meu rosto.

Eu me lembrava de apenas de algumas partes, outras se perderam junto com o meu remorso, ficaram nubladas iguais a todas as vezes que eu achava ver fadas, bruxas e duendes. Mas, alguns vestígios ficaram, grudaram na minha mente como uma cola perturbadora, essas simples memorias foram capazes de me destroçar, deixar um trauma tão grande que, de uma hora para outra era como se eu estivesse lá de novo, foi então que, eu me lembro de parar com isso por um tempo, e ver paredes brancas.

Simples paredes brancas eram tudo o que eu via.

Paredes brancas que, muitas horas pareciam negras, por muitas vezes estarem ofuscadas por uma memoria sombria, por uma visão sombria.

Paredes brancas denominadas para loucos, e que estavam muito longe de ser um lugar para uma garotinha de seis anos, mas, lá estava eu, vendo aquelas paredes branca, as malditas paredes brancas que me lembravam da neve.

Como por uma luz no fim do túnel, lá estava ele, o meu garotinho idiota. Meu cabeça de pudim.

Ele me mostrou pelo menos por um segundo o que era sorrir, o que era sorrir e novo, e disse que iria ver um sorriso sincero no meu rosto, custasse o que custasse.

E assim ele fez. Mostrou-me e me fez sentir algo que eu não sentia ha muito tempo: Felicidade.

Porem a felicidade não durara muito e ela foi arrancada pela metade de mim, não estava triste, tinha uma família nova, porém iria perdê-lo. Mas sacrifícios já não era novidade para mim.

E lá estava eu, aprendendo a sorrir mais uma vez.

Terminando um trabalho que já havia sido começado.

Mas, ora meus amigos, isso esta tão longe de ser o final dessa estória, e isso que vocês sabem não é nem o básico do básico.

O que eu sabia não era nem o básico do básico.

O destino ama brincar comigo, eu sei disso, mas agora, hoje em si, como eu já o conheço, sou eternamente grata.

Olha, vou ser sincera com vocês, não suporto mais ficar aqui na neve, escrevendo nesse caderninho velho com essa minha letra de garrancho esperando que a Sr. Flora não volte e me pegue aqui nesse mar de lagrimas, no meio na neve, escrevendo essas palavras carregadas de dor.

Com certeza ela iria dizer para eu parar de remoer o passado.

Sabe ela que minhas lagrimas vão muito além disso.

Mas vamos lá, enquanto esses floquinhos caem sobre o meu moletom vermelho que ganhei da minha avó no natal passado, eu irei compartilhar algo que nunca pensei em compartilhar, algo que eu sei a tão pouco tempo que mesmo se quisesse nem daria certo, algo que com certeza se vocês lerem, vão pensar que é só outro simples conto sobre magia e fada de alguém que não tem o que fazer, mas isso tudo é real, sempre vai ser real, e é por isso que eu estou aqui. Para dizer através das letras, das frases, das palavras, tudo o que eu não disse quando tive a oportunidade de dizer, para passar para cá, para compartilhar com esse caderninho laranja que achei numa estante velha, todas as minhas dores que, infelizmente, eu não suporto mais sobre os meus ombros, então talvez aqui eu possa dividi-las com vocês e torna-las aceitáveis para eu suportar, mas apenas aceitáveis, pois fáceis nunca serão.

Paro de escrever por um segundo, e respiro fundo, eu sabia que seria difícil, mas com certeza, eu consigo me surpreender até nisso.

Uma bola de basquete imaginaria se entala na minha garganta.

Lá vem o choro...

E aquele poema que escrevi vem a minha cabeça mais uma vez:

‘’ O que devemos fazer com uma lagrima?

Uma lagrima quente e fervente que escorre pela sua bochecha?

Simples: Deixe-a cair ‘’

Era isso o que eu fazia, pela milionésima vez, deixo-a cair, ou melhor; Deixo-as caírem. Pois eu não consigo deixar apenas uma escorrer sozinha.

Meu peito se aperta de um jeito horrível, e lá estão elas de novo, as memorias, esses fleches doidos que não me deixam em paz deis de que eu voltei de lá.

‘’ Oh, meu amor, me ouça por favor, ou minhas palavras de nada valerão..

Oh, meu amor, por favou sorria, quero poder te ver brilhar...

Ei, meu amor, olhe pra mim, se não, não poderás, me beijar... ‘’

Apertei meus olhos com força, saindo daquela tormenta, mas a melodia ainda continuava na minha cabeça, sempre iria continuar, já havia cantado tantas vezes.

Reprimi um soluço, o que não deu certo, só me fez chorar mais, e então eu desisti, solucei.

Vieram soluços um atrás do outro, soluços desgovernados que, mesmo com todas as forças, não acompanhavam as lagrimas e iam embora levando essa dor com ele, essa agonia com ele. Ficava ali, queimando.

E então, aos prantos, eu abri a minha boca, não apenas para soluçar, mas também para cantar, e foi isso que eu fiz, continuei a melodia:

‘Vamos, meu amor, me dê sua mão, deixe-me poder, te abraçar...

Oh, meu amor, confie em mim, desta caverna escura irei te tirar...

Escute, meu amor, fique tranquilo, pois esquecido você nunca será... ‘

Quando ela se acabou, eu só queria pegar qualquer coisa que tivesse ali naquele jardim imenso e branco por conta dos flocos para eu poder me suicidar, pois com certeza seria uma sensação melhor do que essa que eu estou sentindo agora.

Afundei mais meus joelhos na neve, sentindo minhas calças jeans molharem.

As gotinhas molhadas de agua que escorriam pela minha bochecha e caiam quentes na neve, derretiam a mesma.

‘’ E então, a garotinha sangrou, sangrou como se seu desejo fosse o mais sujo e imundo possível, como se não fosse apenas ver o primeiro floco puro de neve cair. Puro como a alma da menina que sangrava.

E enquanto sangrava, olhava as estelas brilhantes no céu, seu sangue escorria por seus pulsos brancos a frágeis, e olhando para a linda lua que lhe dizia olá, ela se lembrou do seu lema:

‘ Um sorriso pode iluminar o mundo quando tudo esta nublado, do mesmo jeito que as estrelas iluminam o céu quando esta escuro ‘

E então, com uma suave leveza e dificuldade, seus lábios de curvaram para cima. E lá estava ele. Um lindo sorriso iluminado.

Seus olhinhos estavam cansados, e ameaçavam aos poucos se fecharem, até que o primeiro floco de neve caiu sobre sua cabeça, se camuflando com a sua pela alva e com a neve ao seu redor.’

Naquele momento, não só seus olhos brilharam como estrelas, como também seu sorriso meigo se alargou por seu rosto. Mesmo naquele momento, ela estava feliz, ela ainda conseguia sorrir, e mal sabia que, aquele seria o ultimo sorriso por um longo tempo ‘’

Meus olhos se abriram tão rápidos quanto uma águia quando vê sua presa.

Eu não iria ver aquilo de novo.

Aquilo não.

Enxuguei minhas lagrimas com meu moletom. Tinha que ser rápida com isso antes que a Sr. Flora voltasse, quer dizer, sabia que talvez não desse tempo de contar tudo até ela voltar mas, pelo manos um pouco gostaria de registrar.

Peguei meu lápis na mão novamente, funguei um pouco ainda, tendo a completa noção dos meus olhos verdes vermelhos e inchados e das minhas bochechas coradas. Também tinha a completa noção do resfriado horrendo que me esperava com certeza.

Voltei a escrever:

‘’ Sabe, talvez eu compreenda tudo o que aconteceu, ou melhor, eu compreendi. Mas, aquela experiência foi ao mesmo tempo em que a pior, a melhor de todas. Isso foi a prova perfeita de como nossos destinos muitas vezes são ligados com o de outras pessoas sem percebermos, como nós podemos muda-lo, as vezes com as teias que o próprio destino nos dá, outras não.

Mas a questão é que eu tive essa oportunidade, a oportunidade de rever quem achei nunca rever, encontrar com quem achei não estar mais nesse mundo, e salvar alguém que me fez relembrar oque eu era sorrir.

Tive que sacrificar muitas coisas por isso, ver e rever o que eu faria tudo para esquecer, e o pior é que meu destino não estava apenas ligado com o de cinco outras pessoas, pois, além disso, nossos destinos eram uma passagem para a paz, a paz para algo, para um mundo, que eu nem sabia da existência.

Nós éramos como uma chave, éramos escolhidos não apenas pelo destino, éramos escolhidos por nós mesmos, pois éramos um rolo de barbante todo embaralhado, mas unidos.

Então eu vou começar falando sobre o dia em que tudo começou, o dia e que eu pude entrar na teia que o destino criou junto com outras cinco pessoas.

Não se preocupe a partir daí automaticamente tudo já será explicado, de uma forma confusa talvez, mas será contado da forma como eu descobri a minha própria história:

De como ele sempre esteve lá, vermelho, pronto pra escorrer.

E de como ela sempre esteve lá, branquinha, pronta pra cair.

E então ela caia no chão, varias ao mesmo tempo, vários flocos fazendo com que a neve se formasse.

E era nessa hora que ele sempre estava lá pra escorrer, escorrer quentinho e vermelho, então caia.

Manchando a neve com seu tom forte e seu cheiro metálico.

Eram tão opostos, mas o par perfeito para ficarem marcados comigo. Lá estava:

Um leve toque do sangue sob a neve.

Notas finais
E então?
Gostaram?
Se sim, favoritem e deixem sem comentário!
Obrigada!
Bjjjs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.