The Chosen One
8 Welcome Home
Quando eu voltei pra casa, achei que meus pai ficariam felizes em me ver, mas não foi bem assim.
- Oi gente. — Eu disse fechando a porta atrás de mim, mas quando me virei, deparei com a espada de meu pai na minha garganta e a faca da minha mãe apontada diretamente pro meu coração. — Wow! Que isso gente?
- O que você quer aqui? — Meu pai perguntou e eu vi a raiva em seus olhos, confesso que fiquei assustada.
- Como assim? Vocês me expulsaram de casa e eu não estou sabendo?
- Não se faça de engraçadinha, seja lá quem você for. — Minha mãe disse encostando a faca na minha blusa.
- O que aconteceu com vocês? — Perguntei.
- Você morreu. — Meu pai disse.
Senti que minha boca se abriu em um perfeito “O”.
- Mais que diabos está acontecendo? Eu não morri! Porque todo mundo está dizendo isso?
- Porque você morreu. — Minha mãe disse.
- Não, eu não morri! Eu estava na praia com o Justin.
- Não, não estava. Justin também morreu.
- Quê? Que loucura é essa? Nós estamos vivos!
- Eu enterrei você! — Meu pai disse.
- Quê? Quando? Liga para o tio Nico e a tia Angie, Justin acabou de me deixar aqui e está indo pra casa!
Meus pais se entreolharam por um longo minuto, Anaklusmos e a faca de minha mãe ainda apontados pra mim.
- Será...? — Minha mãe começou não mais alto que um sussurro.
- Não sei. — Meu pai respondeu e depois me olhou – Qual a última coisa que você se lembra?
- De ter ido dormir.
- Não lembra de nenhum pesadelo... Nada?
- Não. Deveria?
- Ainda não acredito em você.
- Eu não morri.
- Mas nós enterramos você.
- Não sei o que Morfeu está fazendo com vocês, mas sério, eu não morri. E se eu morri, não me lembro. — Tentei fazer uma piadinha, mas não ajudou.
Nunca faça piadinhas sobre sua morte quando seu pai tem uma espada de um metro apontada para o seu pescoço.
- Exumem o corpo então. — Eu sugeri, mas logo me subiu um frio pela espinha.
E se eu tivesse morrido? E s emeu corpo estivesse dentro do tal caixão?
Não. Sem perder o juízo agora. Eu não morri. Eu sentia meu corpo afinal de contas.
Meus pais voltaram a se entreolhar.
- Cadê seu celular? — Minha mãe perguntou voltando a atenção pra mim.
- Na minha bolsa.
- Impossível. — Minha mãe contestou. — A Diana colocou ele no seu caixão.
Tremendo levemente, eu tirei meu celular da bolsa e o entreguei a minha mãe.
Mas ele não ligou.
- Ok, vamos nos acalmar. — Minha mãe disse.
- Alethia eu quero você bem perto de mim, o tempo todo. — Meu pai disse abaixando a espada.
- Porque toda essa coisa? Sério, eu não morri.
Minha mãe tocou meu braço.
- Parece de verdade.
- Eu disse.
- Se importa se eu fizer um corte em você? — Meu pai perguntou.
Eu o olhei surpresa.
- Um corte em mim?
- Só pra garantir.
Suspirei e revirei os olhos.
- Vá em frente.
Meu pai levantou a lâmina e a deslizou por meu antebraço levemente, doeu, mas nada que eu não pudesse aguentar.
- Ok, vá para o seu quarto e não saia de lá. — Minha mãe disse e não tirou os olhos de mim até que eu tivesse atingido o segundo andar.
Eu passei o resto do mês em casa, praticamente trancada em meu quarto.
Eu estava sem celular, a internet já havia sido desligada, minhas amigas acham que eu estou morta, eu fora proibida de falar com Justin – que até onde sabia havia sido mais bem recebido do que eu, o que me fez querer desesperadamente conversar com tio Nico -, É de se esperar que a essa altura a televisão já tenha perdido totalmente seu encanto sobre mim.
E nesse meio tempo, sem ter o que fazer, me dediquei a tentar relembrar os dias que antecederam aquela tarde na praia, mas não consegui me lembrar de absolutamente nada.
Várias noites eu ouvi meus pais discutindo sobre a tal profecia misteriosa, tentei argumentar, mas sempre era despachada de volta à meu quarto.
Passava a maior parte da tarde sentada na varanda, olhando o horizonte, desejando ardentemente poder entender o que estava acontecendo.
Uma das vizinhas passou na rua uma tarde e me viu na varanda, chamou o nome de minha mãe e simplesmente correu em pânico quando eu levantei o olhar.
Achei que eu devia estar completamente assustadora sem maquiagem, roupas simples e cabelos descuidados, mas ao anoitecer ela apareceu em casa e disse a meus pais que purificassem a casa porque meu espírito ainda estava vagando no lugar. Ah é, eu morrera.
Essa noite eu estava sentada em uma espreguiçadeira, encarando a água azul tremeluzente da piscina. Não sabia o que estava acontecendo e consequentemente, não sabia o que fazer. Eu estava começando a entrar em desespero.
- Porque você não dá um mergulho? — Meu pai perguntou entrando em meu campo de visão.
As mãos no bolso da jeans e olheiras funda sob os olhos sempre tão verdes.
- Não estou com coragem pra nadar agora.
- A água é um bom lugar pra estar.
Olhei meu pai e ele sorriu por um momento antes de dar as costas e voltar pra dentro de casa.
Eu encarei a piscina por um momento e no momento seguinte eu já estava tirando meus chinelos.
Logo que a água me cobriu, eu pensei em Justin.
Deuses, como eu era apaixonada por aquele homem. Homem. EU me lembro que fora em seu aniversário de 18 anos, poucos meses atrás que eu o chamara de “meu homem” pela primeira vez.
Desde antes do começo do nosso namoro que não nos separávamos por tanto tempo, já havíamos conversado sobre morar junto, casar e tudo.
Ali, dentro d'água, me ocorreu que eu estava me precipitando quanto a esses pensamentos.
Repassei os últimos meses da minha vida; foram perfeitos. Mas eu não fiz nada de concreto da minha vida. Eu devia ter pensado em faculdade, em morar com minhas amigas, na minha carreira, mas eu não fiz nada disso. Me concentrei no Justin, no sexo e nas festas.
Suspirei.
“E agora?” Disse uma voz amedrontada em minha mente. “O que você via fazer?”
Correr atrás do prejuízo.
“E Justin? Você o ama, certo. Mas você é capaz de deixar a faculdade de lado para não ter de se afastar dele. Você sabe disso.”
Sim, eu sei. Eu devo terminar com ele?
“Sim.”
Não. Eu não posso fazer isso.
“Droga, ele tem um ponto fraco.” A voz disse com sarcasmo. “Você sabe o que está perdendo.”
Sim, eu sei, mas não posso fazer isso com ele.
“Se ele realmente te amar, ele vai te entender.”
Mas mesmo assim, eu vou sofrer.
“Apenas alguns semestres não vão te matar.”
Você tem razão.
“Termine com ele. Além do mais, ele tem outros planos pro futuro.”
Eu iria perguntar de quem era aquela voz, mas uma sobra tremeluziu acima de mim, era Justin.
Me lancei para a superfície e o encontrei sorrindo pra mim.
Sua aparência não era das melhores, mas mesmo assim ele parecia bem.
- Meu amor, que saudades de você! — Ele disse me puxando pra fora da água.
Minha recente conversa com sabe-se-lá-quem ainda martelava em minha mente, mas eu consegui sorrir enquanto ele me abraçava.
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