The Chosen One

17 My Beloved Was Weighed Down


Notas iniciais
Sem criatividade pra nome de capítulo hoje y.y

Jean caminhou até as portas do elevador no fundo do saguão que se abriram momentos depois revelando um Leon sorridente.

- Jean! – Ele gritou. Jean se jogou em seus braços e Leon a tirou do chão. –Me desculpe por ontem. – Ele disse a abraçando apertado. – Eu fui um idiota! Mas eu precisei... Eu precisava dar um jeito de...

- Ei! – Jean disse. – Relaxa, ta tudo bem. Eu te desculpo. Na verdade já esqueci.

Eles sorriram e se beijaram.

Aí as portas do elevador se abriram de novo e dessa vez Justin e Lucas desceram.

Eu não sei bem o que senti quando vi Justin olhando pra mim. Porque diferentemente de Leon, ele parecia estar bravo. Ele andava todo duro e eu via a raiva em seus olhos. E eu senti medo dele. Era como se ele viesse pra me bater. E foi isso que eu achei que ele ia fazer quando se aproximou de mim.

- Que você está fazendo aqui? – Ele perguntou entre os dentes.

- Bom Jean estava atrás do Leon, Thalia sabia que vocês estavam juntos e Danniele queria sair, então aqui estamos. – Eu disse em voz baixa, me esforçando pra não gaguejar e tremer.

- Pronto Jean e Leon estão juntos, Thalia e Danniele já estão aqui. Você pode ir embora. – Justin disse com extrema hostilidade.

Leon e Jean se separaram e nos olhavam, assim como os outros, com muita cautela.

- Eu quero ficar com você. Quero te ajudar. – Eu disse em voz baixa.

E senti meu olhar vacilar quando encontrou o dele.

- Eu não quero você perto de mim. – Ele sentenciou.

- Justin aquela briga foi tão ridícula... Nós já brigamos mais sério por menos e...

- E que você não entendeu que eu não te quero por perto! – Ele disse com a voz mais alta, quase gritando.

- Ei Justin pega leve. – Lucas disse cauteloso.

- Não! – Justin disse se virando para Lucas. – Porque você deixou ela vim? – Ele perguntou para Jean.

- Primeiro de tudo, abaixa esse tom porque você não vai gritar comigo! – Jean disse inalterada. – Segundo, vamos parar de escândalo e vamos pro quarto resolver isso.

- Hm, Stan reserve o quarto ao lado do meu para as meninas, por favor. – Leon disse ao homem no balcão.

Apesar de estarmos todos no mesmo elevador, Justin olhava apenas os cadarços do tênis enquanto eu o olhava sentindo as lágrimas implorarem para sair. Todos os outros apenas nos olhavam.

Leon nos conduziu até o quarto deles. Thalia e Lucas se sentaram no sofá, Danniele se se encostou à mesa, Jean sentou-se no braço do sofá e Leon se postou entre Justin que estava de pé no meio do quarto e eu que tinha acabado de fechar a porta atrás de mim.

- Você vai voltar pro Acampamento de manhã Alethia. – Justin disse sem me olhar.

- Eu preciso ficar. – Eu comecei.

- Pra quê? Mais ajuda quem não atrapalha sabia? E você só iria atrapalhar, acredite.

- Justin não precisa ser tão rude. – Leon disse.

Mas até Leon parecia estar com medo de Justin.

- Eu to falando sério, ela ia ser um peso pra gente. – ele disse pra todos. – Eu não queria mais pessoas, mas pensando bem, as meninas podem ser bem úteis. Mas ela não.

- Para de falar de mim como se eu não estivesse aqui. – Eu pedi.

- Ok. – Ele disse se virando pra mim e dando os ombros. – Elas podem ajudar, mas você não.

- Que foi que eu te fiz pra você me odiar tanto desse jeito do dia pra noite? – perguntei sentindo o nó em minha garganta apertar e doer.

- Não tenta se fazer de coitada! Enfia nessa sua cabeça que eu não quero você por perto, que você vai atrapalhar! Volta pro Acampamento, é a melhor coisa que você faz! – Ele gritou.

E dessa vez eu chorei.

Mas antes da primeira lágrima alcançar minha blusa, Lucas já estava ao meu lado e todos os outros já estavam de pé.

- Ta bom. Justin já deu a opinião dele. — Lucas disse alterado enquanto me puxava pra fora do quarto.

Quando a porta bateu atrás de mim, eu e Lucas estávamos no corredor deserto, eu chorei mais.

Nunca pensei que Justin pudesse ser tão frio. Nunca pensei que pudesse provocar todo aquele ódio em alguém.

Eu sentia aquele tipo tristeza pela primeira vez na vida. Era como se eu tivesse falhado com alguém que eu realmente gosto, como se eu não tivesse conseguido alcançar suas expectativas, e isso era ruim. Realmente ruim.

Lucas me abraçou e implorou pra que eu parasse de chorar. Eu tentei parar, tentei dizer que iria embora naquele momento, mas tudo o que saiu foram ruídos e ganidos.

Então Jean abriu a porta. E ela estava nervosa, realmente brava.

- Entrem agora vocês dois. – Ela disse puxando meu braço.

Quando eu entrei Thalia e Justin gritavam um com outro, e eu não consegui distinguir sequer uma frase do que eles diziam por que gritavam ao mesmo tempo enquanto Danniele e Leon estavam parados muito próximos, tensos.

Eu não vi de onde Justin havia tirado a espada, mas no segundo que ele a apontara para Thalia, ela também tinha uma espada apontada para ele. Leon se enfiou entre os dois com os braços estendidos. Danniele tentou puxar Justin para trás e Jean correu para puxar Thalia pela cintura. Mas eles ainda gritavam um com outro enquanto forçavam aproximação. Lucas correu e tentou arrancar a espada da mão de Justin. Eu congelei enquanto eles começaram a gritar um com outro; apenas fragmentos me alcançavam:

-... Ela não!... – Justin gritava tentando se desviar dos braços de Danniele.

-... Foi por você! Foi... – Thalia gritava tentando arrancar os braços de Jean da sua cintura.

-... Solta essa espada! Você vai... – Lucas gritava tentando puxar a espada de Justin pelo punhal.

-... Machucar alguém!... – Jean gritava puxando Thalia para trás.

-... Para com isso!... – Danniele gritava para Justin também o puxando para trás.

E eu realmente não conseguia me mexer.

Eu vi Thalia arranhar as mãos de Jean enquanto tentava se livrar dela, vi Danniele escapar por pouco de uma cotovelada de Justin, vi a espada de Justin arranhar o rosto de Leon enquanto a de Thalia o alcançava e rasgava sua camiseta. Mas todo o barulho acabou quando Lucas urrou de dor.

Todos se afastaram um do outros, espadas retiniram ao bater no chão e Lucas abaixou segurando a mão cortada.

Eu só consegui me mexer quando vi o sangue pingar no carpete. Eu peguei Lucas pelo braço e fui com ele para o banheiro onde eu abri toda a torneira e ele enfiou a mão embaixo d’água contraindo os músculos do rosto de dor.

Thalia entrou atrás de mim e deu a toalha para Lucas enrolar a mão enquanto eu vasculhava os armários atrás de alguma coisa de primeiros socorros. Mas foi Leon quem as achou primeiro e Jean que puxou Luas para a mesa para fazer o curativo.

Danniele sugou o ar quando Jean tirou a toalha da mão de Lucas. Jean dissera que o corte foi feio, mas que ele sobreviveria. Justin implorou por desculpas enquanto Lucas gritava por causa do anti-séptico que Jean espirrava no ferimento. Lucas disse a Justin que estava tudo bem. Mas eu não achei que estivesse porque Lucas gritava de dor e batia os pés e tentava puxar a mão toda vez que Jean encostava, mas ela o segurava com força.

Quando o curativo de Lucas estava pronto e Danniele já tinha limpado o banheiro, Leon obrigou Justin e Thalia a prometerem pelo rio Styx nunca mais levantar uma espada contra o outro. E fez o grupo todo prometer também pelo Styx que nunca levaríamos brigas ao extremo.

-... Antes que alguém acabe se ferindo mais seriamente que o Lucas. – Ele terminou sério.

Um silêncio tenso pontuou o pedido de Leon.

Justin me olhava de um jeito estranho, como se eu fosse alguma coisa repugnante que só merecia desprezo.

Talvez não tão intensamente desse jeito, mas era o que eu sentia. Então eu voltei minha atenção para meus cadarços.

- Para de olhar pra ela desse jeito. – Leon disse passando na frente de Justin. – Ela não te fez nada.

- Fez sim.

- Então me diz. – Eu pedi voltando a olhá-lo.

Mas ele não respondeu. Rolou os olhos e se levantou, depois sumiu na porta da varanda.

Eu me sentei no chão ao lado do braço do sofá e fiz força pra não chorar. Lucas sentou ao meu lado e me olhou sério.

- Ele está irritadiço desse jeito desde ontem. Não se preocupe. Ele já deu um apavoro no Leon ontem à noite e em mim hoje de manhã.

- Ele parece uma granada pronta pra explodir. – Eu disse assustada.

- Então faça o possível para não ser você quem vai arrancar o pino. – Lucas disse e me beijou na testa antes de levantar.

Naquela noite enquanto quando finalmente nos separamos e fomos para o quarto ao lado, as meninas dormiram quase imediatamente enquanto eu apenas fingi que dormia.

Quando tive certeza que elas dormiam profundamente eu levantei e fui até a varanda e pensei no que Justin dissera. E ele estava certo.

Peguei minha mochila e saí do quarto. Eu pegaria o carro e voltaria para o Acampamento. Ia ser melhor pra todo mundo.

Eu pensei que o saguão estaria vazio àquela hora, mas a silhueta de alguém estava destacada pela luz da lua que entrava pelas portas de vidro.

Decidi passar reto.

- Onde você pensa que vai? – Leon perguntou saindo de trás do balcão.

- Me deixe ir Leon. Vai ser melhor pra todo mundo.

- Se você fizer isso vai dar razão pra ele.

Eu o olhei e ele continuou.

- Ele disse que você é fraca e que só vai nos atrapalhar. Mas eu não acho isso de você. Realmente não acho.

Eu podia ver metade de seu rosto agora. Ele sorria de canto.

- Hoje quando Jean foi me dar boa noite, ela disse que concordava com Justin. – Ele continuou. – E eu não gostei disso. Sinceramente eu espero que os dois estejam errados sobre você.

- Porque você se importa tanto?

- Porque eu vi o quanto isso importa pra você.

- Você parou pra pensar que talvez eles estejam certos?

- Eles estão?

Eu não respondi.

- Viu? – Leon continuou. – Você sabe que não é assim. E eu quero que você mostre isso a eles.

- Até a Jean?

- Principalmente a Jean.

- Por quê?

- Deixe isso pra mim, ok?

- Ok.

- Então?

- Eu não sei se sou capaz Leon.

- Você é capaz sim. E eu sei que você sabe. E eu vou te ajudar nisso. Sempre.

- Mesmo? – Perguntei sem conter o sorriso.

Ao ver Leon se importar comigo daquele jeito, uma esperança pareceu nascer em mim. Por um breve momento eu consegui me convencer de que talvez ele estivesse certo.

- Mesmo. – Ele disse sorrindo abertamente agora. – Mas desde que isso seja nosso segredo.

Eu ri.

- Por mim tudo bem.

- Então é isso. – Ele disse e me abraçou.

Enquanto abraçava Leon eu percebi que ele falava sério, que ele me ajudaria. E eu me senti muito bem por isso. Me senti mais tranqüila.

- Agora vá pra cama. Precisamos que você tenha alguns sonhos pra que possamos sair do hotel do meu pai.

- Espera. – Eu disse o olhando. – Hotel do seu pai?

- É. De onde você acha que nós tiramos dinheiro para nos hospedar em um hotel cinco estrelas?

- Cara seu nome nem é Leon! – Eu disse surpresa percebendo quem era o hóspede que Jean procurava quando chegamos.

Ele riu.

- Eu gostava de ser chamado de Henzo, mas Jean disse que era muito chique para alguém que andava com uma menina de rua. E Leonard é muito comprido. Então ela começou a me chamar de Leon.

- Estou me sentindo enganada. – Eu disse fingindo estar desapontada.

Leon riu.

- Espero que você não esteja magoada.

- Não se preocupe Sr. Chevalier.

Ele sorriu.

- Agora é sério, vai dormir e sonhe logo com o que quer que seja ok?

Eu não sonhei com nada, mas mesmo assim eu tinha algo pra contar a Leon aquela manhã.

Ele estava sentado no restaurante do hotel dividindo a mesa apenas com Jean que dava pedaços de abacaxi a Leon com seu garfo.

- Leon, posso falar com você? – Pedi meio receosa.

- Claro! – Ele disse empolgado e se levantou logo.

Nós caminhamos até um canto afastado do restaurante sob o olhar dos outros.

- Você sonhou alguma coisa? – Ele perguntou bem próximo de mim.

- Sonhei. – Eu confirmei. – Mas não essa noite.

- Como?

- Foi quando eu cheguei ao Acampamento, mas eu achei que só tivesse estranhado a cama.

- Qual foi o sonho? – Ele perguntou rapidamente.

E eu contei pra ele sobre o rapaz acorrentado à parede do penhasco.

- Penhasco. – Ele disse por fim. – É só isso que você se lembra?

- Infelizmente é.

- Nenhum som, nada?

- Não.

Ele pensou por um momento e depois suspirou.

- Bem, pelo menos não tem penhascos em NY. – Ele disse dando os ombros. – O que indica que estamos no lugar errado.

- O que você quer fazer agora? – Perguntei.

- Dar o fora daqui o quanto antes.

- Porque toda essa aversão ao hotel?

- Porque ele é meu.

- Isso é ruim?

- Eu saí de casa brigado com meu pai. – Ele disse me olhando – Ele tem certa aversão à minha mãe por ela não ter ficado com ele.

- Mas ela não podia...

- Esse é o problema. – Ele disse rapidamente – Meu pai acha que o mundo deve ceder aos caprichos dele.

- Por isso que você saiu de casa?

- Eu perguntei a ele sobre minha mãe e ele me contou tudo. E disse que queria saber mais sobre ela. E ele me fez escolher entre ele ou ela. Bem, não preciso dizer quem eu escolhi não é?

- Você é realmente doido sabia? – Eu disse.

- Devo parecer. Mas quando eu escolhi minha mãe eu não sabia que ela não podia manter contato com seus filhos, eu não sabia do Acampamento cheio de irmãos, não sabia. Meu pai nunca me deixou ir muito fundo em Mitologia Grega. Mas eu não me arrependo de ter escolhido Athena.

Ele sorriu ao mencionar o nome da mãe.

- Isso é bom. – Eu disse por fim.

- Melhor eu voltar pra mesa, Jean já está ficando impaciente.