Ange

Ao entrar na sala, a menina se deu conta de que sua mãe acharia que ela voltaria, ao lembrar daquilo, várias lágrimas desceram de seu rosto, uma por uma. Quando se deu conta, estava em prantos. Se sentou no sofá, apoiando os cotovelos na coxa e enterrando a cabeça em suas mãos e sentia as lágrimas descerem por seu braço. Sentiu alguém tocar o seu braço delicadamente e virou o rosto para ver quem era. Um garoto alto, loiro, de olhos azuis e incrivelmente bonito, era Justice, seu tutor. Ele sorriu e se sentou no braço do sofá, ao lado dela.

– Angelic, o que foi? — Perguntou ele, fitando Ange.

– Eu e minha mãe achamos que eu não seria escolhida e minha mãe agora está me esperando... — Ela não aguentou e voltou a chorar. Justice pegou as mãos dela delicadamente e acariciou os dedos dela e sem dizer uma única palavra, enterrou o nariz no cabelo dela, sentindo um cheiro de madressilvas maravilhoso e deixou um beijo demorado na cabeça dela. A garota estranhou aquilo de cara e corou levemente. Ela achou que aquilo não poderia ser mais estranho, quando Justice se levantou e a ajudou a levantar também e a envolveu num abraço apertado e bastante emitidor de calor. A garota não sabia o que fazer. Suas bochechas esquentaram e ficaram totalmente vermelhas, mas ela precisava muito daquilo. Ignorou toda a sua timidez e enterrou o rosto no peito do garoto e retribuiu ao abraço. O cheiro de Justice era magnífico, uma mistura de maresia e sabonete. Aquilo a confortava muito. Ele então afastou ela e levantou o queixo dela, para que os dois olhassem um para o outro. Tendo isso, ele disse calmamente:

– Eu vou dar um jeito para que você fale com sua mãe, está bem? Mas agora, eu preciso que você me escute atentamente. — A garota assentiu e ele continuou.

– Quando for o dia dos desafios, você terá que dar o máximo de si. Não será nem um pouco fácil. Eu vou tentar te auxiliar o máximo que puder e eu quero que tente até o final, Ange. E cuidado com os outros competidores, pois tenho certeza de que serão bem ruins. — Ele fez uma pausa e logo voltou.

– Boa sorte, querida. — Ele beijou a bochecha dela e se virou para sair, quando se lembrou de algo e voltou. — Ah, eu providenciarei tudo o que precisar, é só pedir. E eu vou terminar de arrumar umas coisas e já vamos para o distrito. — Quando ele saiu, Ange não acreditava naquilo. Uma sensação estranha revirou seu estômago e o doce cheiro dele impregnava suas narinas, o que era aquilo? Será que ela estava gostando dele? Não, claro que não. Ele era apenas o tutor dela e fim. Enfiou aquele pensamento para o mais fundo de sua mente e voltou a se sentar, pensando como seria daqui pra frente.