James Pollack

James chegou em casa e viu sua roupa passada e dobrada na cadeira e sua irmã mais nova, Julie, foi correndo em sua direçao e o abraçou, ele a pegou no colo e viu que ela estava chorando.

–O que foi minha linda?

–É hoje, é hoje!! E se você for o escolhido? -respondeu entre os soluços. Então ele se lembrou, a Seleção era naquele dia, ele nem pensava muito naquilo, sabia que não seria escolhido, muito menos queria ser, estava feliz em sua vida comum, com seus amigos, com sua família.

–Julie, querida, não serei escolhido, garanto! -Disse tentando acalma-la. — James!! — gritou a mãe do quarto — já está pronto? Você está atrasado! -To quase. — disse colocando Julie no chão. Então entrou em seu quarto, se aprontou, quando terminou, sentou-se na cama para amarrar os cadarços e se olhou no espelho, e pensou como seria se fosse escolhido, deixar a Julie, sua mãe, seus amigos e, aí Deus, Clary, sua namorada. Não queria, não aguentaria.

– Oito horas! -gritou sua mãe, o tirando de seus devaneios. Ele terminou o laço, se olhou no espelho e viu um menino alto, com alguns músculos aqui e ali, pele morena e cabelos negros lisos, e achou aquela visão aceitável, tirando o fato que aquele garoto na jaqueta de couro, não se parecia com ele. Saiu do quarto, Julie o abraçou novamente, dizendo um "eu te amo" e se afastou rapidamente, e correu para o quarto, James ouvira a mãe mandando ela se controlar para não assustá-lo, como se isso fosse possível... A mãe lhe deu um longo abraço e alisando suas roupas disse com lágrimas nos olhos:

–Você está lindo e quando voltar prepararei aquela torta que você gosta!

–Obrigado! — respondeu sorrindo. Deu uma piscada pra Julie e saiu de casa. Olhou no relógio: 20:10, droga, começou as 20:00, estava atrasado, mas no caminho viu Clary, eles se olharam, e sem dizer nenhuma palavra se beijaram, um beijo longo e apaixonado, pararam subitamente, andaram de mãos dadas até o local do sorteio conversando besteiras, o que acalmou ambos. Ao chegar, permaneceram calados ouvindo o final do discurso de Dann, o tutor da casa, e trocando olhares com alguns amigos, alguns nervosos, outros debochando, até que Dann parou de falar e se dirigiu a caixa com os nomes, Clary apertou com mais força a mão de James.

–James Pollack! -Houve um silencio assustador. James sentiu a mão de Clary tremer, ou era dele? -James, suba aqui, venha! Ele soltou a mão de Clary, e foi andando devagar até o palco, sem olhar nos olhos assustados de nenhum amigo. Enquanto andava ouvia o choro o eu te amo de Julie, sentia o cheiro da torta da mãe, se lembrava dos últimos olhares trocados com os amigos, e o beijo da Clary. Chegou, recebeu aplausos curtos. E foi levado por homens fardados a um comodo, sentou e permitiu o que o medo o dominasse, não era forte o bastante, rápido o bastante ou inteligente o bastante. A vida que ele havia escolhido não era aquela, e tudo o que ele precisava era de um abraço de Julie ou um beijo de Clary.