The Chosen

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Não que eu queira me gabar, mas esse primeiro capítulo tá massaaaaaa XD
Quem escreve sabe que os primeiros sempre são os mais difícies pq vc tem que equilibrar as coisas, não pode sair contando os segredos da história logo, tem que saber ponderar em alguns pontos e tals, e é claro, tem que ser bem escrito.

Eu estava voltando para casa depois de mais um dia de aula que parecia interminável, que voltaria a se repetir em todos os dias dessa semana, durante o ano todo. Aonde eu quero chegar com isso mesmo? Mal tinha começado as aulas e já estava contando os dias para as férias. Que espécie de masoquismo é esse? Para não bastar, meus professores deste ano estão com a metade da paciência faltando e tentaram amedrontar os calouros com aquele papo de provas surpresas, atividades em excesso, assuntos difíceis... E eu tenho que dizer, eles conseguiram. Até demais.

Quando cheguei em casa, meu pai estava terminando de preparar o almoço e meu irmão estava na sala assistindo Os Vingadores pela milésima vez. Ele tinha muita sorte, pois as aulas dele só comaçariam semana que vem. Quem me dera ter doze anos novamente...

- Ei, Daniel! – meu pai me chamou da cozinha. – Chegou uma encomenda hoje cedo para você.

Eu franzi o cenho, estranhando cada palavra daquela frase. “Chegou”, “encomenda”, “você”, “cedo”...

Fui até a bancada perto da cozinha e peguei a pacotinho. Aquele negócio era minúsculo! Menor que a palma da minha mão. O que poderia ser?

- Foi só essa caixinha?

- Sim, e o mais estranho ainda é que não diz quem mandou. Essa greve dos correios deve ter feito uma confusão com as entregas! – exclamou meu pai, sempre preocupado com greves e coisas velhas, ou, como ele prefere chamar, artigos antiquados.

Mesmo com aquela explicação plausível, o porquê de eu ter recebido uma encomenda continuou martelando na minha cabeça. Eu sacudi a caixinha para ver o barulho que fazia. É, realmente era algo pequeno, e duro. Tentei me lembrar se tinha pedido alguma coisa durante as férias pela internet ou sei lá, mas nada aparecia, até porque eu não tinha comprado nada durante as férias.

Ficar confinado durante três meses dentro de casa foi umas das piores experiências da minha vida, senão a pior. Eu tive que aturar meu pai com suas ideias de ir à praia aos domingos, pescar no lago, acordar cedo para caminhar, colecionar selos e moedas antigas... O maior tédio. Augusto, meu irmão, ele ainda conseguia se divertir com esses tipos de coisas. Pobre menino... Não sabe o que é diversão... Às vezes, eu conseguia filar um desses programas e ir ao shopping com Sofia e Eric, mas nunca só com Sofia. Minha mãe teve que fazer horas extras no trabalho durantes o verão, então ela só passava em casa para dormir mesmo, porque era proibido levar sua cama para o trabalho. Falando nela...

- Oi, mãe. – disse quando ela passou pela cozinha para dar um beijo em meu pai. Bleh!

- Oi, Dani. – respondeu sorridente.

- Mãe, mãe! – Augusto veio correndo da sala e a abraçou. – Mãe, você pode me levar para o cinema hoje?

- Sinto muito, filho, mas hoje mamãe vai chegar muito tarde em casa.

O sorriso desapareceu do rosto dele, como o esperado.

- Guto, eu tenho uma ideia melhor. – interviu meu pai. Ah, não... Não vai dar certo... – Que tal se nós formos para a feira livre de ciência?

Eu não disse! Eu prevejo as coisas. Deveria virar o cara do tempo no jornal. Dessa vez, até Augusto fez cara feia.

- Ótima ideia! – minha mãe tentou animar. – Ouvi falar que lá tem cadáveres de verdade.

- Sério? – perguntou meu irmão, deslumbrado.

Nossa, cadáveres de verdade, que legal. Qualquer filme de zumbi mostra perfeitamente isso. Pra que ir para feira de ciências?

- Então está combinado! Eu, Daniel e você vamos nos divertir! – falou entusiasmado.

E de repente, eu me vi no meio, bem no centro da feira livre de ciências. Resumindo o que era essa tal feira de ciências: barracas espalhadas por todo o perímetro da praça, tanto de brincadeiras como de comidas e outras coisas, várias crianças correndo de um lado para o outro com balões de gás hélio com formas de sapo, cachorro, cobra... Mais parecia um circo do que uma feira. Pelo menos alguém estava se divertindo.

- Olha, pai! Aquela mulher vai abrir uma rã! – Augusto exclamou, todo enérgico e feliz com a novidade.

- Você quer ir lá ver? – meu pai perguntou.

Nem precisou de uma resposta, porque o menino já estava indo em direção à mulher. Davi o seguiu e eu fiquei sozinho, com cara de tacho. Foi então que eu me lembrei da paradinha que eu ganhei de um anônimo. Eu tinha guardado a caixa no bolso do meu jeans. O que diabos poderia ser? Parei de fazer perguntas e abri. Um anel. Maravilha, só me faltava essa. Acham que eu sou gay. O analisei melhor de perto. Ainda por cima era um anel feio. Não que eu entendesse de anéis... Ele simplesmente era feio. Me veio a cabeça de jogá-lo fora, no lixo mais próximo, porém comecei a sentir um calor nascendo nas minhas costas, uma sensação parecida como se alguém me lançasse um olhar penetrante. Olhei para os lados, mas ninguém prestava atenção em mim, pra variar... Suspirei fundo e guardei o anel no bolso, meio que inconsciente quando eu avistei ao longe Sofia. Nossa... Essa garota não para de ficar mais linda a cada dia?

Fui andando em direção a ela, como um imã sendo atraído para outro.

- Oi, Sofia. – cumprimentei-a.

- Oi, Dani. – ela respondeu, mostrando-se surpresa. – Não sabia que você viria para cá...

- Na verdade, estou só acompanhando meu irmão e meu pai.

- Eu também só vim por causa do meu irmão. Ele adora essas coisas de ciência.

Arregalei os olhos.

- Ele está aqui?!

- Calma, não precisa se desesperar. Ele deu uma sumida. Relaxe.

Provavelmente vocês não saibam, mas Pedro, o irmão gêmeo dela, me odeia desde o primeiro momento em que ele me viu. Eu já tentei ser amigo dele ou até mesmo entender o porquê desse ódio todo e... Não foi a coisa mais inteligente que fiz na vida. Ele acabou descobrindo minha paixão secreta por sua irmã e agora e por todo o sempre serei o refém dele. Mais um item na minha lista de dificuldades em relação a se declarar para Sofia. Se eu o fizer, morro.

- Uma pena nós não termos ficado na mesma sala esse ano. – tentei puxar assunto.

- Pois é! Com certeza foi armação dos professores. Tenho sérias suspeitas de que eles armaram um complô contra a gente.

Eu ri. Adorava o jeito como ela viajava com suas ideias.

- Pelo menos Eric ficou na minha turma. – comentei.

- Falando nele, eu não o vi as férias todas.

- Nosso querido amigo fez uma humilde viajem à China para aprender artes marciais.

- Coloca humilde nisso.

- Nisso o que, maninha? – perguntou uma voz atrás de mim.

- Nada que diga respeito a você, Pedro. E pare de me chamar de maninha! Só porque você nasceu dez segundos antes de mim não significa que você é mais velho!

Ele apenas riu. Essa risada do mau poderia ter me causado calafrios, mas eu já estou cansado de fugir. Está na hora de enfrentar a fera. Engoli em seco inconscientemente.

- O pior é que ela está certa, Pedro. – disse, tomando coragem do triângulo das bermudas.

Ele cruzou os braços, num gesto ameaçador. Eu sabia que isso significava que ele estava me provocando, querendo que eu ficasse intimidado e revidasse. E tudo isso por causa de uma palestra que fui com meu pai, chamada “Os Gestos Falam”.

- E quem é você mesmo? – perguntou, cínico. – Ah, sim, me lembrei. Não está com medo de por tudo a perder?

Ai, que raiva! Aquele covarde ia contar para Sofia que eu gosto dela se eu levantasse um dedo contra ele! Que raiva!

- Covarde. – falei.

- O que?! O que foi que você disse? – ele avançou pra cima de mim, com os ombros levantados e o punho cerrado.

- Para, Pedro! – Sofia ficou entre nós dois, mas isso não foi capaz de quebrar nossa conexão de olhares. – Não briguem aqui no meio de tanta gente!

- Você ainda vai se vê comigo, idiota. – Pedro esbravejou, mas desistiu da briga e foi embora.

- Covar... – tentei gritar pra ele, só que acabei recebendo um tapa na cabeça. – Ai!

- Pra você aprender a não se meter em confusão!

Mas, eu não estava entrando em uma, pelo contrário, estava saindo. Me deu vontade de dizer isso, mas deixei pra lá.

- Tá... – resmunguei baixinho.

Sofia se interessou por uma barraca de livros que falavam sobre anatomia humana e ficou entretida por ali mesmo. Eu, que não queria me distanciar dela, também fiquei folheando alguns livros, mas nada me mantinha concentrado. Foi então que comecei a sentir aquela queimação nas costas de novo.

- Algum problema? – Sofia perguntou ao notar que estava inquieto.

- Nada não... Vou procurar meu pai.

- Ok. A gente se vê amanhã.

- Tchau.

Fiquei caminhando por uns bons cinco minutos tentando achar aqueles dois. Parecia uma missão impossível e para completar ainda tinha a sensação de alguém me observando de longe. Ela ficou tão intensa que fiquei com a paranoia de que uma pessoa estava me seguindo e, quanto mais eu andava, mas perto eu sentia a pessoa próxima de mim. Só percebi que estava correndo no momento em que me esbarrei em uma pessoa.

- Filho! Te achei! – exclamou Davi. – Algum problema?

Eu estava ofegante.

- Só quero ir para casa.

Notas finais
Por hoje é só pessoal!