The Challengers (Lorcan Scamander/Roxanne Weasley)
3 Capítulo 3 - Dupla Falta
— Desde quando você passa tanto tempo naquela quadra com o Scamander?
A pergunta veio inesperada, como uma raquetada certeira, cortando o silêncio da casa. Roxanne mal havia fechado a porta da entrada, ainda com os ecos do motor do carro do motorista em sua mente, quando se deparou com seu pai. George Weasley estava no corredor, os braços cruzados e o olhar intenso, um brilho gelado nos olhos. Ela reconheceu aquele olhar imediatamente: uma mistura de preocupação e algo mais — um desprezo disfarçado, carregado de lembranças antigas e rancor. Ele só usava esse olhar quando o assunto era alguém que ele não gostava. E no caso, esse alguém tinha o sobrenome Scamander.
Roxanne ergueu as sobrancelhas, surpresa, e sua mão vacilou por um momento, segurando a alça da mochila antes de deixá-la cair sobre o sofá. Estava cansada demais para lidar com aquilo agora, mas não podia fugir.
— O quê? — ela disse, a voz ligeiramente mais alta do que pretendia. — Ele treina no mesmo horário que eu, pai. É só isso.
George deu um passo em direção à sala com passos lentos, mas a tensão em sua postura era palpável. O corredor, normalmente acolhedor, parecia repentinamente mais estreito, como se o ar estivesse mais pesado. Roxanne sentiu um aperto no peito, mas não cedeu. Estava farta de discussões desnecessárias. Ele se aproximou mais, e o brilho no olhar dele se intensificou.
— "Só isso" não justifica a frequência, nem o jeito como você joga quando ele está por perto. Parece que está… tentando provar alguma coisa.
Roxanne soltou um suspiro impaciente, a frustração começando a tomar conta dela.
— Pai, por favor. Eu sou competitiva. Sempre fui. Você me ensinou a ser assim.
Ele se aproximou mais ainda, seus olhos agora quase cortando-a, como se estivesse tentando escavá-la com o olhar.
— Eu te ensinei a ter foco. Disciplina. E você está perdendo isso.
Roxanne estendeu os braços em um gesto que quase beirava o cansaço. Não ia se deixar dominar pela emoção.
— Não estou perdendo nada. Estou jogando melhor do que nunca.
— Não quando se trata dele.
A frase era uma lâmina afiada. Ela sentiu a raiva crescer, quente e intensa, subindo do estômago até seu rosto, e uma onda de calor a invadiu.
— Você acha que não percebi? Ele te desconcentra. Você se irrita fácil. Perde a linha. E o pior: você gosta disso. Gosta de como ele te tira do sério.
O golpe foi duro, e Roxanne sentiu o sangue ferver, mas se manteve firme. Ela sabia que ele a conhecia bem o suficiente para perceber quando algo a abalava, mas não ia ceder agora.
— Isso é absurdo. — A palavra saiu mais rápida do que ela gostaria. — Eu nunca perderia a cabeça por causa dele.
— Você sabe o que os Scamander fizeram. Aquele pai deles, aquele clube de verão maldito que quase arruinou o nosso contrato com o Royal Tennis Centre. E agora você anda por ai sorrindo pra um deles como se nada tivesse acontecido? — a voz de George era cheia de rancor. Roxanne sentiu a raiva crescer dentro de seu peito, não aguentava mais aquela história.
— O Lorcan não tem nada a ver com isso!
O homem estreitou os olhos, como quem testa os próprios limites.
— Desde quando você chama ele pelo primeiro nome?
Roxanne piscou em silêncio, percebendo o deslize.
— É assim que todo mundo chama ele no clube, pai. Não significa nada demais.
George sabia que era mentira.
— Você não é todo mundo Roxanne, é minha filha. Não quero você misturando essas coisas. Se misturando com essa gente. — o desprezo na voz dele era mais do que evidente.
Um silêncio desconfortável tomou conta do ambiente no segundo seguinte.
— Você está exagerando, pai. Não tem nada acontecendo entre eu e ele. E nunca vai ter. — ela pontuou firme.
George não respondeu, mas a maneira como ele a olhou foi o suficiente para ela saber que ele não acreditava nas suas palavras. Sem mais uma palavra, ele se virou e saiu da sala, o som de seus passos abafados se perdendo na casa vazia, como uma nuvem de frustração que parecia pairar sobre o ar.
No dia seguinte, Roxanne chegou mais cedo ao clube de tênis. O ambiente estava carregado, denso, como uma tempestade prestes a estourar. A tensão na quadra era quase palpável, um reflexo da conversa que ainda ecoava em sua mente. Ela se dirigiu à sala de musculação, decidida a se concentrar no que precisava fazer. Mas ao abrir a porta, parou de repente. Lá estava ele. Lorcan Scamander. De fones de ouvido, uma toalha jogada sobre o ombro, seu corpo em movimento enquanto ele fazia flexões com os pesos. A camiseta regata escura que usava estava colada ao corpo por causa do suor, e seus músculos brilhavam sob a luz intensa das lâmpadas, como se ele estivesse posando para algo.
A visão a incomodou de maneira inexplicável. Ela hesitou na porta, uma sensação de desconforto invadindo-a. Roxanne teve a nítida sensação de que deveria sair imediatamente dali.
Mas ficou.
— Tá se preparando pra carregar seu ego? — A voz dela saiu mais cortante do que pretendia.
Lorcan retirou um dos fones, e a olhou com um sorriso de canto de boca, como se estivesse esperando por ela.
— Bom dia pra você também, Weasley.
Ela deu de ombros, desinteressada, e tomou um gole d'água enquanto caminhava em direção aos colchonetes. Mas ele a seguiu com os olhos, e ela não pôde evitar sentir o peso daquela atenção.
— Eu disse alguma mentira? — Ela perguntou, sem dar muita importância à resposta, mas o silêncio entre eles se estendeu, tornando tudo mais desconfortável.
Ele riu.
— Não, mas a forma como você observa meus braços enquanto diz isso me faz pensar que talvez você esteja tentando desviar o assunto. — Ele fez uma pose exagerada, mostrando os bíceps que, apesar de tudo, estavam bem definidos. Roxanne revirou os olhos. “Ridículo.” Pensou, mas não disse em voz alta.
— Eu só vim me alongar. — Ela deu um suspiro de impaciência, rolando o pescoço enquanto se preparava para se deitar no colchonete.
Lorcan levantou uma sobrancelha, mas não disse nada. Apenas largou os pesos e se moveu até o colchonete ao lado dela. Sentou-se com a mesma calma, quase desafiadora.
— Que conveniente. Eu também. — Ele se acomodou, seus olhos agora fixos nela de forma curiosa, como se estivesse esperando uma reação.
Roxanne bufou, sentindo-se irritada pela proximidade dele. Havia algo nele que a fazia querer arrancar uma resposta, qualquer coisa, para quebrar o silêncio que parecia se esticar entre os dois. Mas ela se forçou a se concentrar em seu alongamento, ignorando o calor crescente que o treino intenso provocava no ambiente.
— Precisa mesmo ficar tão perto? — ela perguntou, com a voz mais dura do que pretendia.
Ele virou o rosto, os olhos curiosos, a expressão descontraída.
— Precisa mesmo se importar?
Ela estava começando a odiar o tom de superioridade dele, o jeito como parecia sempre ter controle da situação. Mas não respondeu. Em vez disso, estendeu as pernas, tentando ignorá-lo, mas ele continuava ali, como uma presença constante ao seu lado.
O silêncio se estendeu, pesado e carregado, enquanto ambos se alongavam. A tensão no ar parecia densa, como se a qualquer momento algo fosse romper o equilíbrio frágil entre eles.
— Seu pai me odeia. — Lorcan disse, finalmente quebrando o silêncio, mas sem tirar os olhos de seu próprio alongamento.
Roxanne se virou para ele, um sorriso irônico nos lábios.
— Ele odeia você, seu irmão, seu pai, toda a sua linhagem, sua casa de campo e, provavelmente, até a água que vocês bebem.
Lorcan riu, baixinho, um som que ela não pôde evitar de notar. Era o tipo de riso que fazia o ambiente se sentir mais tenso, mais íntimo, sem querer.
— E você? Também me odeia nesse nível?
Ela hesitou. A resposta estava na ponta da língua, mas ela sabia que não podia dar a ele a satisfação de uma resposta simples. Não agora. Então, simplesmente se concentrou em seu alongamento, cruzando as pernas e alongando os braços acima da cabeça.
— Não confunda rivalidade com sentimentos. — Ela disse, com uma calma que tentou fazer transparecer controle.
Lorcan a observou por um momento, a expressão dele séria, mas havia algo mais ali, uma curiosidade contida.
— Já pensei em fazer isso. Mas aí você sempre vem e deixa claro que me odeia com um certo... entusiasmo.
Ela virou o rosto para ele novamente, e seus olhares se encontraram. A proximidade entre eles parecia estranha, o calor do corpo dele tornando tudo mais intenso, mais difícil de ignorar. O coração de Roxanne bateu mais rápido do que deveria e ela pôde notar o quão azuis eram os olhos de Lorcan, mas ela não ia ceder ao charme que ele insistia em jogar para todas que apareciam na sua frente. Lorcan desviou o olhar assim que se sentiu corar um pouco, mas a garota não percebeu.
— Você é insuportável, sabia? — Ela disse, com um toque de desdém, mas uma parte de si queria que ele respondesse de novo, como se houvesse uma parte dela que gostasse desse jogo.
Ele tinha um sorriso pequeno que não sumia de seus lábios desde que ela entrou ali.
— Você também repete isso com frequência. Quase como se fosse um elogio.
A tensão entre eles crescia, quase elétrica, como se ambos soubessem que estavam jogando um jogo perigoso. Mas nenhum dos dois queria admitir o que realmente estava acontecendo ali.
— Tá se achando demais pro meu gosto.
— Isso é porque você tem um gosto excelente. — Ele sorriu, mais uma vez provocador, antes de se levantar.
Ela bufou, mas um sorriso quase escapou. O clima entre os dois era uma corda bamba entre provocação e algo mais. Algo que nenhum dos dois ousava nomear. Ele saiu da sala com um último olhar por cima do ombro.
Roxanne ficou, tentando acalmar o peito. Mas já sabia: não era só um jogo. Nunca foi.
E negar aquilo estava ficando cada vez mais difícil.
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