Notas iniciais
Noooossa, quanto tempo! Primeiramente, gostaria de explicar o motivo da falta de atualização na fanfic: eu estava estudando primeiro para o ENEM e depois para o vestibular. E por mais que me doesse não escrever, eu tive que me abdicar do Nyah pelo bem do meu futuro. E acredito que vai valer a pena, pois os resultados do ENEM foram ótimos! :)) Okay, agora falando de The Cassandra Curse; espero que gostem desta capítulo, o Jake finalmente aparece hihi. Vou continuar trabalhando na fic e pretendo atualizar todos os dias!

A sombra perpassava rapidamente na parede de tijolos. O barulho de passos ritmados ecoava no ambiente vazio, causando uma sensação de perigo iminente. A sombra pertencia a uma garota. Uma garota que agora corria, por que sabia que estava sendo seguida. Sua respiração estava entrecortada, no esforço de chegar ao seu destino: a caminhonete vermelha parada no estacionamento a uns dez metros de distância.

Mas quando ela estava prestes a abrir a porta do veículo, algo forte a pegou pelo ombro e a virou em direção um rosto que parecia humano a princípio, porém, logo o rosto se transfigurou em algo monstruoso. Olhos vermelhos, presas a mostra. A fisionomia da garota ficou à vista pela primeira vista: rosto redondo, olhos castanhos, e uma expressão de terror acentuada pelo grito rascante que sua voz produziu quando a criatura a atacou.

Foi a última coisa que Cassandra viu antes de acordar.

O que foi aquele sonho?

Eu me fiz essa pergunta incessantemente enquanto me arrumava para a escola. Por que, é claro, fora um sonho. Não poderia ser uma premonição, afinal, não existem... Eu não podia nem mesmo pensar na palavra. Era impossível, ridículo... Olhos vermelhos. Presas.

É. Com certeza, um sonho.

Mas... Mesmo assim, ainda parecia ser uma premonição. Por que elas são diferentes dos sonhos normais – aqueles que você sente que é tudo produto da sua imaginação. E esse, no entanto, tinha aquela mesma qualidade palpável. O terror da garota. Os sons dos passos apressados dela. Real demais. Exceto, é claro, pela parte em que alguém que parecia ter saído de um filme do Van Helsing a ataca.

A garota de olhos azuis e pele extremamente pálida me encarou no espelho. Tudo bem que eu sempre fui pálida assim, só que agora parece pior. E essa cidadezinha sem sol não vai ajudar muito também. Suspirei enquanto tentava dar alguma vida aos meus cabelos negros. Depois de alguns minutos, percebi que nada adiantava; os fios continuavam com a mesma aparência desgastada.

Uma menina cinza em uma cidade cinza.

Voltei ao quarto e vesti meu casaco propositalmente enorme. As mangas longas iriam impedir que a cicatriz em meu pulso esquerdo aparecesse. Não iríamos querer que os meus novos colegas tivessem a impressão errada sobre mim, não? Peguei minha mochila e saí do quarto. Na metade do corredor, porém, lembrei-me do frasco de remédios; voltei e peguei-o.

Eu estaria sozinha em uma escola diferente em uma cidade diferente. Era líquido e certo que eu precisaria do antidepressivo.

Tia Jane estacionou na frente da escola Quileute uma hora depois. Eu tentei não demonstrar que estava com as entranhas retorcendo sem parar devido ao nervosismo. Era estranho estar sentindo antecipação por alguma coisa. Nos últimos meses a vida era para mim um amontoado de acontecimentos irrelevantes e facilmente descartáveis. Nada parecia fazer sentido no meio da névoa sufocante, então eu apenas ignorava todo o resto que me cercava ao invés de tentar dar uma nova chance à vida.

– Cass – Tia Jane me chamou. – Eu sinto muito mesmo por você ter que ficar sozinha. Mas, por favor, faça um esforço para se adaptar. Sei que é difícil, sei que perder... perder seus pais foi algo terrível. Mas eu preciso que você dê uma chance não só à Forks, como também a si mesma.

Olhei para Jane, que tinha os olhos verdes quase lacrimejando. Ela queria tanto que eu fosse o mais feliz possível... Eu podia ver em seus olhos que ela estava fazendo isso por mim tanto quanto por minha mãe. Ela queria se certificar que a filha de sua irmã mais velha ficaria bem. Eu não podia prometer que ficaria bem, embora também não pudesse decepcioná-la. Encarei-a por alguns segundos antes de respirar fundo, olhar para a construção simples da escola e dizer ao olhá-la novamente:

– Eu prometo que vou tentar.

Prometo que vou tentar não deixar você ver o quanto eu estou quebrada.

Eu poderia me sentir culpada por mentir, porém o sorriso que tia Jane exibiu logo em seguida me fez pensar que valera a pena. Sim, eu acreditava ser incapaz de ser feliz novamente; só que isso não significa que todo mundo tem que perecer ao meu lado.

Sai do carro ainda sorrindo. Assim que o carro de tia Jane desapareceu na esquina, o sorriso desapareceu. Comecei a andar em direção à escola. Era uma construção de madeira simples, com um poste decorado à sua frente. Aqui era a reserva indígena, então a maioria das pessoas que estavam passando por mim tinham basicamente a mesma aparência: cabelos compridos, olhos escuros e pele morena. E eu era a única branquela esquisita no meio deles. Maravilha.

Alguns deles me olharam com expressões intrigadas, porém, logo coloquei a touca do casaco na cabeça e escondi o rosto. Pelo menos assim eu poderia chamar menos atenção. Quando entrei no saguão principal, peguei os papeis de inscrição da mochila e segui em direção ao balcão no lado extremo do saguão, que continha a placa de “secretaria”. Uma mulher de meia idade atendia no local; quando me aproximei, ela fez um sinal com o dedo indicador para que eu esperasse por que ela estava no telefone.

– Sim, querida? – ela perguntou com um sorriso simpático. Ela também tinha a fisionomia comum de La Push.

Tirei o capuz.

– Hmm, oi. Eu sou nova aqui e...

– Ah você deve ser Cassandra Watson. – ela disse em um tom animado. – Sua tia Jane passou aqui na semana passada, não?

Abri a boca e fechei; meio surpresa por ela saber quem eu era. Bom, cidade pequena é isso aí.

– É, sou eu. – tentei sorrir da mesma maneira que ela sorria para mim. – Hã... Os horários...

– Ah, sim. Claro. – ela pegou uma pasta e procurou por alguns momentos. – Aqui está. Sua primeira aula é História, na sala 2B.

Ela me entregou o papel.

–Ah, obrigada. – eu disse, mais animada. Eu gostava de História. O sinal tocou, me fazendo olhar pelo ombro meio perdida no meio dos alunos andando de um lado para o outro. – Você sabe onde...?

– É logo no final do corredor, à esquerda. Espere, vou ver se alguém pode lhe ajudar...

Eu ia abrir a boca para dizer que não precisava, mas ela já havia chamado.

– Kim! Você pode vir aqui?

Uma menina morena se aproximou do balcão e me lançou um olhar tímido.

– Sim, dona Eve?

– Essa aqui é a Cassandra, ela é nova aqui. Poderia levá-la até a sala 2B? A coitadinha está meio perdida. – ela sorriu bondosamente.

– Claro. – Kim sorriu; o que fez seu rosto parecer mais largo, mas era um sorriso sincero.

Nós nos despedimos de Eve e nos encaminhamos pelo corredor.

– Então, de onde você veio? – ela perguntou com a voz abafada.

– Da Califórnia. – respondi.

– Nossa! O que te trouxe aqui?

A morte dos meus pais.

– Meu tio foi transferido da empresa dele, e nos mudamos para Forks.

Ela franziu a testa.

– Por que não estuda na escola de Forks, então?

– Não havia vagas.

– Ah, só podia ser. – seus olhos giraram. – Nunca temos ninguém novo por aqui. Acho que é por que ninguém quer morar em uma cidade tão pequena...

Nós chegamos até a sala 2B.

– Hã... Foi legal conhecer você. – eu disse. – Obrigada.

Ela sorriu.

– De nada, Cassandra.

– Cass, por favor. – pedi com um meio sorriso. – Cassandra é meio antiquado.

Kim riu.

– Bem, eu gostei, mas se insiste... Até mais, Cass.

– Até mais. – sorri.

Fiz menção de entrar na sala, quando Kim me chamou de volta.

– Você quer almoçar comigo no intervalo? Quer dizer, não só comigo, é claro. Posso te apresentar para mais algumas pessoas, se quiser.

Hesitei por um momento. Ninguém nunca tinha me convidado para almoçar na minha outra escola. Eu não fazia o tipo que aquelas líderes de torcida excessivamente bronzeadas queria para amiga. Observei o rosto redondo e levemente ansioso de Kim antes de responder:

– Claro. Por que não?

O restante da manhã fora estranhamente normal. Com a exceção de ter de me apresentar na frente da classe, eu me senti à vontade. As aulas não eram diferentes das que eu tinha na antiga escola. E, na hora do almoço, a maioria dos alunos já havia parado de me encarar. Bem, de qualquer maneira, não era uma escola muito grande, então todos já sabiam quem eu era pelo meu discurso repetido:

– Meu nome é Cassandra Watson, tenho quinze anos. Eu vim da Califórnia por que o meu tio foi transferido da empresa dele. E... é isso.

Eu não estava com fome, então me dirigi até o refeitório minúsculo apinhado de estudantes que conversavam alegremente, e comprei uma garrafa de água antes de começar a procurar por Kim. Ao olhar nos rostos dos alunos, percebi o quanto todos eles eram alegres. Tipo, literalmente todos estavam sorrindo. Devia ser uma coisa Quileute, mas o fato é que isso apenas reforçava o contraste entre mim e eles. Antes que o pensamento obscuro começasse a criar raízes na minha cabeça, peguei o frasco laranja do bolso e antes de conseguir pegar uma pílula, algo forte atingiu meu rosto.

–AH!

O baque me fez dar vários passos para trás. Senti meu rosto adormecer pelo bruto contato com o que só podia ser uma parede, ao passo que ouvi o ruído das pílulas atingindo o chão. Ainda desorientada, percebi que alguém se curvava sobre mim. Olhei para cima e a primeira coisa que vi foram olhos castanhos negros arregalados de pânico. Depois, assimilei as feições de um garoto que eu não conhecia. Ele tinha a pele morena, as maças do rosto altas, o maxilar forte. Havia uma ruga de preocupação marcando a sua testa, e ele examinava o meu rosto atentamente.

– Você está bem? – a voz dele chegou aos meus ouvidos.

Quando o choque do impacto – e, admito, o choque diante da beleza do desconhecido – havia passado, eu percebi que estava enfurecida. Ele quase me derrubara. E, pior, derrubado as minhas pílulas por todo o chão.

– Qual é o seu problema? – eu resmunguei, desvencilhando-me dele. Abaixei-me, pegando minha mochila que havia caído. Olhei ao redor e vi que todos estavam me encarando. Maravilha. Encarei o garoto, que, percebi, era muito alto. – Você deveria olhar por onde anda.

Ele riu sarcasticamente.

– É eu estava olhando. Era você quem estava caminhando de cabeça baixa.

Vacilei, lembrando que eu estava mesmo de cabeça baixa. Revirei os olhos, não querendo dar o braço a torcer.

– Ugh, tanto faz.

Eu saí do refeitório, não querendo olhar para ninguém. Dane-se o convite de Kim, ela provavelmente vira o que acontecera e agora não ia querer andar com a retardada que conseguiu fazer um estardalhaço no refeitório logo no primeiro dia. Estava na metade do corredor quando senti alguém puxando meu braço; fui surpreendida por estar tão próxima do garoto.

– O que você quer? – perguntei arrogantemente.

– Wow, você devia tentar diminuir o nível do mau humor, sabia? – ele sorriu, mostrando os dentes muito brancos.

Não dei atenção ao comentário, porém meus olhos fixaram-se a mão dele segurando meu braço.

– Será que dava pra fazer a gentileza?

Ele soltou meu braço e ergueu as mãos em um gesto de rendição.

– Pra que todas essas pílulas, afinal? – ele perguntou, parecendo genuinamente curioso.

Pra me impedir de me matar.

Não respondi. O garoto suspirou.

– Olha, me desculpa por ter esbarrado em você. – ele sorriu. – Trégua?

Franzi a testa. Esses quileutes eram mesmo muito legais.

– Hmm. Como quiser. – eu disse e, então, dei as costas para ele e me dirigi até a sala de minha próxima aula sem querer ver mais ninguém. Quando lembrei que no último período ainda teria Educação Física, desejei mais do que nunca não ter derrubado meu remédio todo no chão.

Notas finais
Digam o que acharam! Beeeeijos *u*