The Cassandra Curse [cancelada]
7 – Capítulo 6 –
Notas iniciais

Jacob insistia em saber o que estava acontecendo, eu não conseguia nem mesmo olhar para ele, mas era inútil: logo ele iria acabar descobrindo e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir, por que agora que Edward sabia que eu tinha conhecimento sobre o que ele era, não iria me deixar ir embora. Edward disse que seria melhor conversarmos longe daqui e, assim, fomos à uma lanchonete afastada a uma quadra da escola.
Minhas mãos suavam e eu tinha dificuldade para respirar quando nos sentamos em uma mesa isolada. Não sabia como contar. Bella me olhava com uma expressão quase alarmada, Jacob me fitava extremamente desconfiado. Eu tinha a impressão que ele queria me perguntar alguma coisa, mas não sabia como fazer isso na frente dos outros dois. Suspirei e encarei os olhos estranhamente dourados de Edward.
– Como você sabia o que eu estava pensando? – sussurrei.
– Que tal você nos contar primeiro como sabe tanto a nosso respeito, Cassandra?
Eu não havia dito meu nome. Engoli em seco e arrisquei um olhar em direção a Jacob, ele escutava com atenção e eu desviei rapidamente. Eu não sabia por onde começar.
– Pode começar pelo começo. – disse Edward me olhando fixamente.
Arregalei os olhos. Como ele fazia isso?
– Você deveria parar de fazer isso. – murmurei.
– Desculpe.
Não havia um jeito muito sutil de contar. Então tentei fazer do jeito que minha mãe fez ao contar a tia Jane sobre meu segredo logo depois de eu ajudar a salvar Lucas. Pigarreei.
– Quando eu tinha 10 anos eu tive um sonho sobre torres pegando fogo. Eu fiquei intrigada e desenhei sobre o meu sonho. Quando meus pais viram eles perguntaram o que era e eu não pude responder. Só disse que havia sonhado com aquilo.
Eu fiz uma pausa; eles apenas me encararam com expectativa.
– No dia seguinte eles viram no jornal que as torres gêmeas haviam sofrido um ataque terrorista.
– Espere um pouco. – disse Jacob. – Cass, você não está querendo dizer que...
– Sim. – sussurrei. – Eu previ. E aquela não foi a última vez. É assim que eu sei tanto sobre você, Edward. Eu vi... Sei o que são.
Bella engoliu em seco. Edward continuava impassivo.
– Não ia fazer nada com o que eu sabia por que, honestamente, pensei que dessa vez não poderia ser real. Mas então eu vi Bella ser atacada – Edward fechou as mãos em punhos. –, e eu tive que fazer alguma coisa.
Um silêncio perturbador se abateu sobre a cena. Era como se eu estivesse observando tudo do alto, como se eu fosse a espectadora e não estivesse mais em meu próprio corpo. Eu havia acabado de contar meu segredo para três pessoas que nem conhecia direito.
– Isso... – Jacob ensaiou. – Isso não pode ser verdade. Ninguém pode prever...
– Ah podem sim. – contrapôs Edward. – Alice.
– Mas ela é uma...
– E antes de se tornar ela também possuía esse dom.
– Espere um pouco. – ofeguei. – Você conhece alguém que...
Ele assentiu. Bom, isso era novidade. Além das charlatãs de praças eu nunca havia conhecido alguém que pudesse ver o futuro.
– Alice. – disse Bella em um tom que sugeria que ela estava despertando de uma longa reflexão, o que explicava seu silêncio. – Ela teria visto. Seu eu fosse ser atacada, quero dizer.
Era impressão minha ou ela não acreditava em mim?
– As visões de Alice têm falhas. – respondeu Edward. – Quando alguém faz uma escolha diferente ou muda de planos. Alguma de suas visões já deixou de acontecer, Cassandra?
– Só deixa de acontecer quando eu impeço. – respondi de imediato em uma voz que não parecia a minha.
– Então você nunca falhou? – perguntou Bella em um tom que não gostei.
– Não até hoje.
– Hã, será que eu sou o único que está preocupado com a parte em que Bella é atacada? – disse Jacob sarcasticamente, então apontou para Bella. – Você não vai mais sair de casa agora.
– Acho que a segurança de Bella é minha responsabilidade, muito obrigado. – cortou-o Edward.
– Bem, eu acho que você está preocupado com as coisas erradas, sanguessuga. Ao invés de ficar interessado em como a esquisitice das visões de Cass funciona, você deveria tirar Bella daqui.
– Obrigada pelo “esquisitice”. – falei.
Os olhos de Jacob piscaram em minha direção, remorso pintando suas feições de repente.
– Cass, não foi minha...
– Deixa pra lá. – Peguei minha bolsa e me levantei. – Acho que não precisa explicar como foi que diabos você leu minha mente, Edward, pessoalmente acho que não quero saber. Já tenho coisas estranhas demais na minha vida sem eu precisar conhecer mais. Francamente, vampiros... E, Bella, se você não acreditou, não tem problema. Mas eu ficaria longe de becos escuros se fosse você.
Então eu saí dali a passos firmes, deixando todos boquiabertos, e não parei até chegar a minha casa.
Encontrei tio Gary lendo o jornal sentado à mesa da cozinha.
– Como foi a aula? – ele perguntou.
– Hã? – peguei um copo de água. – Ah, aula, certo. Hmm, legal.
– Aprendeu algo novo?
– Não.
– Educação de primeira qualidade, não? – ele sorriu.
Apesar de estar extremamente irritada, eu ri.
Não conseguia acreditar. Eu estava lá querendo apenas ajudar e primeiro Jacob me ignora completamente depois aquela Bella não acredita em mim e aí Jacob me insulta. O único que foi decente comigo foi Edward, mas não vou aliviar para ele por que, aparentemente, ele é um vampiro e eu não devia nem estar me metendo em tudo isso!
Cheguei ao meu quarto chutando para o lado a cadeira em frente à escrivaninha. Deixei minhas peças de roupas no meio no caminho enquanto me dirigia para um banho gelado que, eu esperava, fosse me acalmar.
***
Algo batia na minha janela.
Acordei com o som de batidas leves na janela do quarto. O ambiente estava escuro, tateei pelo abajur ao lado da cama, afastei as cobertas para o lado e caminhei como um zumbi até a janela. Devia ser um pássaro ou coisa parecida.
Não, não era. Era Jacob.
Parado ali, o peito nu, um sorriso hesitante, uma expressão levemente ansiosa em seu rosto.
– O que você quer? – perguntei sem cerimônias.
– Acho que seu humor não melhorou muito, não é? – ele disse, em uma débil tentativa de fazer graça.
Cerrei os olhos, demonstrando que não iria cair fácil. O sorriso dele, que já era precário, desmanchou de vez.
– Tá legal, eu fui um idiota.
– Que bom que seu sentido de percepção seja tão aguçado, agora se me dá licença... – eu tentei fechar a janela, mas ele segurou a verga da janela.
– Espera aí! Desculpa. Foi uma idiotice o que eu falei.
Pisquei os olhos, quieta. Ele respirou fundo.
– Eu não quis ofendê-la. Mas é quando você disse que a Bella estava em perigo, eu perdi a cabeça e aquele maldito do Cullen também não foi de muita ajuda...
Permaneci quieta, agora dividida entre continuar brava com Jacob e curiosa para saber exatamente qual é a relação dele com um vampiro e sua namorada que também quer ser um vampiro. Eu estava completamente confusa nessa história, porém Jacob parecia estar muito a par da situação e eu bem que queria também estar.
– Eu sinto muito – Jacob continuou. – Só depois que eu fui perceber que o que você estava contando era um segredo e que revelar tudo deve ter sido muito desconfortável pra você.
Ele me olhou com expectativa, a mão ainda apoiada na janela para me impedir de fechá-la. Encarei aqueles olhos castanhos que me lembravam o sol por sua intensidade.
– Tudo bem. Eu posso esquecer o que você disse.
Ele suspirou, aliviado.
– Contanto – eu disse lentamente. – que você me conte exatamente o que está acontecendo nessa cidade.
– Wow, espere um pouco Cass. Tem coisas que você definitivamente não precisa saber.
Nem pensar que eu ia desistir tão facilmente.
– Não, Jacob. Eu mereço saber por que estou sonhando com criaturas míticas.
Ele pareceu indeciso.
– Você tem que saber que uma vez que se entra nesse mundo, é bem provável que coisas muito ruins comecem a acontecer com você.
Pensei por um momento. Coisas muito ruins já aconteceram comigo.
– Acho que consigo dar conta. E, além do mais, você me deve essa.
Ele revirou os olhos, porém sorriu logo depois.
– Então tá, teimosinha. Depois não diz que não avisei.
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