The Captain and The Petal.
40 Thirty-nine Chapter. - Cooling things up.
Notas iniciais

Esfriando as coisas.
— Já está pronto? — ela já tinha ouvido aquela pergunta umas três vezes nas últimas duas horas. Começou a piorar uns doze minutos depois, quando ela começou a colocar os a segunda torta no forno, para depois fazer o recheio dela.
— Ainda não, assim como nos doze minutos anteriores que o senhor continuou a fazer essa pergunta. — Lynna disse divertidamente, começando a mexer o conteúdo da panela. — Afinal de contas, o bonitinho pode pelo menos pegar uma tigela para eu poder colocar o recheio e fazer a calda? — olhou para trás, encarando o loiro, que mais parecia uma criança pequena aguardando doce.
— Ah, mas a visão está tão bonita daqui. — ele fez um beicinho.
A ruiva revirou os olhos, levantando uma das mãos, indicando o armário acima de sua cabeça.
O banco fez um barulho oco ao ser manipulado pelo supersoldado pesado, que atravessou a bancada para fazer o que lhe foi ordenado.
Pela sua visão periférica, ela viu seus longos braços se esticarem, fazendo com que seus músculos ondulassem.
— O recheio vai queimar. — ele brincou, antes de colocar o recipiente no balcão ao seu lado.
— Eu ia te responder, mas prefiro ficar calada para respeitar o idoso da casa. — franziu as sobrancelhas, fingindo estar brava.
Steve riu.
— Você sabe que não está muito longe de se tornar uma idosa também, não é? — ele cutucou seu nariz.
Ela riu também.
— Ok, ok. — bufou. — Daqui a pouco nós precisaremos contratar babás para cuidar de nós dois.
— Você está certa. — ele sussurrou, aproximando seu corpo quente e desnudo do dela, abraçando-a por trás. — Alguém tem que nos supervisionar para não fazermos nenhuma besteira.
A ruiva riu, encostando a cabeça no ombro do loiro.
— Eu sempre tenho razão, querido. — brincou.
E com isso, eles voltaram a trabalhar nas iguarias que comeriam em seu penúltimo dia de folga.
Num piscar de olhos, o sábado já havia chegado. E com ele, a perspectiva de que amanhã à noite eles já estariam voltando para suas atividades normais, abandonando este santuário de paz e tranquilidade, o seu ninho de amor.
— Eu não quero ir embora. — ela sussurrou depois de um tempo. Sua visão ficou turva, e isso não tinha nada a ver com o vapor que saía da calda do recheio.
— Eu também não, mas infelizmente é o nosso dever. — ele suspirou e ela teve que concordar. Desligou a boca do fogão e virou-se para encará-lo.
— Eu sei. O crime não tira férias. — sorriu de lado.
— Um dia... eu prometo que seremos só nós dois numa lugar como esse. — assegurou-lhe. — Demore o quanto demorar.
Ela sorriu e o beijou.
Uma das mãos do loiro desceu até a carne farta de seu traseiro, enquanto a outra desatou o nó do avental, fazendo-o se afrouxar em seu corpo. Logo ele teve seu caminho direto a um canto esquecido da cozinha. Seu corpo foi içado até que ela sentisse a bancada fria contra si.
— As tortas... — sussurrou, arrastando as unhas pelas costas do namorado, sem ter muito interesse em parar suas investidas.
— O recheio ainda precisa esfriar... — ele sussurrou contra sua pele, pedindo permissão para adentrar seu calor.
Ela abriu as pernas, envolvendo-o, puxando-o para mais um beijo.
Em questão de segundos, a cozinha estava recheada de gemidos. A temperatura subiu tanto, que a ruiva ousava dizer que estava bem mais quente do que o clima lá fora.
— Você tem exatos quinze minutos. — ela resmungou, apoiando as mãos em seus ombros. — Sem gracinhas.
— Acho que dá para fazer muitas gracinhas em quinze minutos. — ele brincou.
*
Porque quando estamos de folga os dias parecem correr?
Após aprontarem uma bagunça na cozinha pela manhã – seja cozinhando,ou fazendo outras atividades—, o dia se passou com os dois limpando tudo e organizando as coisas em seus devidos lugares, para que o dono não morresse do coração quando recebesse-a de volta.
Agora eles estavam emaranhados no sofá, assistindo a uma animação da Disney, enquanto se deliciavam com as tortas de morango e chocolate, cobertos apenas com um lençol fino que haviam surrupiado do guarda-roupa da cabana.
Entretida no enredo do filme, Lynna só percebeu que havia dormido quando sua realidade foi lentamente se alterando.
Ela estava num lugar frio, rodeado por paredes cinza. Ela estava numa caixa de vidro. Havia um homem de olhar sagaz escondido por trás de óculos redondos. Ele conversava com ela, mas ela não o respondia.
Acaso ela não podia entender o que ele falava?
Agoniada, suas mãos abriam e fechavam.
Olhou para elas, surpreendendo-se que uma delas era feita de metal.
Então, sua visão mudou completamente. Ela já não estava mais dentro da caixa, e sim Bucky. Ele parecia extremamente desolado, mas sua expressão era uma máscara de conformidade, que a deixou completamente aterrorizada.
— Bucky! — exclamou, aproximando-se do vidro. — Bucky, o que fizeram com você? — o moreno encarou-a. Seus olhos azuis vibraram de ódio, como se imediatamente ele tivesse incorporado o Soldado.
— Oh, então você não se lembra, dorogaya...? Foi você quem me colocou aqui. — sua voz saiu lentamente carregada, havia tanto ódio e remorso em suas palavras.
Lynna engasgou, colocando as mãos na boca, na tentativa de segurar os soluços, para não atrair a atenção do doutor que estava revisando alguns papeis.
Do nada, ela sentiu uma picada em seu pescoço, então apagou.
*
— Quais são as condições dela? — uma voz desagradável e fina chamou-lhe a atenção.
— A equação ainda não está pronta. — o homem respondeu, irritado.— Todo esse tempo, e essa puta ainda não conseguiu erradicar o soro?! Merda!
Lynna se encolheu no canto da sala, longe do homem albino que brandia uma seringa grossa com uma substância preta e duvidosa. A agulha dela era tão fina que lhe dava arrepios. Ela não queria que aquilo atravessasse sua pele.
Mordeu os lábios, pois ela sabia muito bem o que aconteceria se ela chorasse alto.
Essas pessoas eram sádicas e não mediriam esforços para machucá-la se preciso fosse.
— Venha aqui, Pétala... — ele chamou, caminhando pelo laboratório. O barulho de seus passos ecoava por sua mente. — Venha aqui, printsessa, eu juro que não vou machucá-la... — céus, sua voz era tão nefasta... — Muito. — ela soltou um soluço, encolhendo-se ainda mais contra a parede, para depois gritar quando teve seus cabelos violentamente puxados. — Te achei, putinha!
Ela esperneou, tentando chutar o homem.
Em teoria, ele não era tão forte quanto ela, mas na prática, ela era muito, muito vulnerável.
O homem albino sorriu lascivamente para ela.
— Oh, minha Pétala... — ele disse muito próximo ao rosto dela. Seu hálito rançoso queimava suas narinas. — Estava mesmo achando que iria fugir?
Lynna tremeu, tentando se afastar dele, mas o aperto em seus cabelos a impediu.
— O que quer de mim? — balbuciou, tentando recuperar o fôlego. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar, e agora doíam para encará-lo. A luz extremamente pálida também era um agravante.
Ele sorriu perversamente, para depois puxar ainda mais seus cabelos, ferindo seu couro cabeludo.
— Eu quero o verme que você ainda não me deu! — ele gritou em seu rosto. — Será que é tão difícil entender isso, sua puta? Você vai me dar o verme, está me ouvindo? Nem que eu tenha que forçar isso para fora da sua boceta.
Ela acordou-se com um grito, esperneando na cama quando a percebeu fria.
Mais gritos de terror escapuliram de si, como se ela não pudesse evitá-los.
Um corpo quente a envolveu, mas ela continuou a lutar contra ele, batendo-o severamente, imaginando que fosse o albino que estava em cima dela. Seus olhos ainda doíam por conta do choro e por conta da luz pálida. Ela ainda estava no ambiente frio do laboratório.
Ele viria tirar o tal verme dela, fosse lá o que isso fosse.
— Anna, shii, sou eu! — uma voz que ela achava que conhecia chamou-a do fundo de sua mente, mas Lynna ainda se manteve presa à sala fria. — Anna... amor... sou eu, princesse.
Finalmente, ela piscou, alinhando as realidades, estabelecendo-se num plano firme.
Ela não estava no laboratório frio, e sim num quarto. Ela conhecia esse quarto.
Havia uma pessoa alisando seus braços, no intuito de acalmá-la. Essa pessoa sussurrava palavras de conforto para si, e a chamava de ‘Anna’, ‘princesse’, ‘amor’ e ‘anjo’ repetidamente.
Por um momento, ela teve medo de que essa pessoa fosse lhe fazer mal, até que ela olhasse para cima.
Havia um homem de cabelos loiros e olhos azuis a envolvendo em seus braços.
Quem é esse homem?
A expressão dele parecia aterrorizada. Ele tentava acalmá-la, mas seu coração estava muito acelerado. Ela podia ouvir claramente quando ele colocava a cabeça dela encostada em seu peito. Seus corpos nus atritavam um ao outro, fazendo com que o frio passasse.
Espera, eu estou nua?
A ruiva pulou de seus braços, afastando-se o máximo que conseguiu dele, assustada.
A expressão dele passou de aterrorizada para dolorida. Ele levantou-se, tentando chegar até ela, que pegou o primeiro objeto que encontrou, colocando-o em punho para sua própria proteção.
Era um abajur de aparência antiga.
— Fique longe de mim! — ela disse em russo, porque era a língua que os agentes da Hydra mais falavam, não é?
— Anna, eu não entendo o que você está dizendo... — o loiro começou, tentando se aproximar dela. Ele era americano, pelo sotaque. Seus passos pararam quando o gás róseo escapou da ponta de seus dedos. Ela estava ameaçando atacá-lo. Ninguém em sã consciência poderia ignorar isso, não é mesmo? — Eu não quero machucá-la.
— Quem é você? — sussurrou, meio incerta se ele a ouviria ou não.
Seu coração batia fortemente contra suas costelas.
O olhar dele se tornou triste e distante. Momentaneamente, ela sentiu vontade de ampará-lo, mas permaneceu parada no mesmo canto.
No fundo de sua mente, ela sabia que o conhecia, mas não entendia como isso era possível. Ela estava tão confusa...
— Princesse... — ele tentou outra vez se aproximar dela.
— Fique onde está! — ela gritou. — Quem é você? O que quer de mim? Por que me trouxe para essa cabana, e por que está tentando se aproveitar de minha vulnerabilidade?!
Ele chorava. Literalmente chorava.
— Lynna... — espera, como ele sabe seu apelido? — Foi apenas um sonho! Essa não é quem você é!
A mulher ergueu o queixo.
— E quem sou eu? — questionou-o friamente, não soltando a “arma” por sequer um segundo.
— Você é Lyanna Angianova, filha de Aleksanna e Scar. Neta de Amber-Rose. — ela engoliu em seco. Até agora ele acertou tudo sobre si. — Você nasceu no Palácio Dourado, em Asgard, no dia 30 de junho de 1962, segundo o calendário terrestre gregoriano. Seu melhor amigo é James Buchanan Barnes, meu melhor amigo também. Foi ele quem a libertou das garras da Hydra. — ofegou, tentando conciliar as informações em sua mente, que girava como um carrossel. — Sua cor favorita é roxo, porque um dia, você viu uma flor nessa cor e se apaixonou por ela. Ela te traz de volta ao lar. Você coleciona miniaturas de maquiagem, porque durante toda sua vida, você nunca teve algo só seu, e as miniaturas te fazem parecer a regente de seu próprio mundo. — ele riu baixinho, quase sem humor, então tentou mais uma vez aproximar-se dela. Desta vez, ela não retrocedeu. — Você ama batatas, principalmente no purê. E lasanha é sua comida favorita. Você toma sorvete de todos os tipos, menos de pistache. E odeia mostarda por cheirar como o chulé de Sam. — os passos do loiro pararam a mais ou menos um metro de distância dela. As lágrimas dele a fizeram um pouco culpada. — Você tem duas amigas que também foram salvas da Hydra. Natalia Romanoff e Hanna Nuri. Você as chama de andorinhas, porque elas nasceram para serem livres, mas ambas são leais à família. — ele suspirou, finalmente atravessando seu limite, tomando o abajur de suas mãos, sendo guiado pela expressão atônita que ela apresentava. — Você também é a dona do meu coração. E não sabe o quão desolado eu estou ao vê-la sofrer desta forma. — então ele se ajoelhou. Seus olhos estavam suplicantes. — Volte para mim, boneca.
Algo clicou em sua mente.
O quarto aconchegante, a cama com os lençóis amarrotados, o loiro à sua frente, nu em pelo, chorando dolorosamente.
Oh não.
Aconteceu de novo.
Ela dissociou.
Seus olhos encheram de lágrimas.
Oh meu Deus!
— Steve! — sussurrou, pulando em seus braços, envolvendo o corpo dele como um polvo. — Eu fiz de novo, não fiz? Eu me esqueci. Eu bloqueei...
Ele levantou-se, enrolando as pernas dela ao redor da cintura dele, enquanto embalava-a como se ela fosse uma criança de colo.
— Está tudo bem, princesse. Você está de volta. — sussurrou contra seu ombro, beijando-o suavemente. — Você voltou para mim.
Ela soluçou, temendo contra seu corpo.
— Eu poderia ter te machucado! — ofegou. — Oh céus! Eu poderia ter matado você!
Ele ajustou a posição dela para que seus olhos se encontrassem. Sua mão direita conectou-se com o rosto dela, embalando-a com carinho, acalentando seu medo para longe.
— Não pense nisso. — ela abriu a boca para protestar, mas ele a cortou. — Não se torture. Por favor, está tudo bem agora. Nós iríamos dar um jeito, você não me machucaria.
Ela encolheu-se, tentando aceitar as palavras do loiro.
Quando seus pesadelos era extremamente brutais, ou exigiam demais de sua saúde mental, ela dissociava. Foi assim nos seus primeiros dias na Torre Stark, a antiga sede dos Vingadores, que acarretou em seu primeiro contato mais aprofundado com Steve.
Naquela época, ela não sabia sobre seus poderes alienígenas, e já era bastante difícil acreditar em sua realidade. Imagina agora, que ela já possui certa habilidade em utilizá-los?
O ambiente em que estava – pelo menos em seu ponto de vista – mudava completamente. Ela sentia a aura do lugar e isso fazia com que seus pesadelos fossem ainda mais reais, o que era uma desgraça.
— Eu sinto muito. — guinchou. — Eu estraguei tudo.
O loiro correu as mãos calejadas por suas costas, carinhosamente.
— Não é sua culpa, Anna. — sussurrou. — Você não pode controlar sua própria mente.
Ela sugou o ar com dificuldade, ainda soluçando.
— Eu deveria. — teimou. — Eu deveria ter mais autocontrole.
Ele segurou seu rosto, a expressão que tomou sua face era dura, mas não era agressiva.
— Não se torture. — disse firmemente. — Você foi vítima de pessoas cruéis. Se curar delas não é um caminho fácil. Por favor, anjo, não machuque a si mesma.
— É difícil. — ela baixou a cabeça, sugando o nariz para tentar parar de chorar.
— Eu sei. — o loiro respondeu. — Eu queria ter o poder de tirar toda a dor de seu corpo, de sua mente... mas infelizmente não posso. — ele levantou sua cabeça, para que seus olhos se encontrassem. — Eu te amo, princesse. Eles terão que passar por cima de mim antes de chegar até você.
Ela o apertou contra si, não querendo que esse momento se dissipasse.
De repente, o corpo de Steve se retesou. Imediatamente, ele separou-se dela, colocando-a atrás de suas costas. Ele retirou a arma de debaixo do criado mudo, que ela havia escondido ali para precaução. Como ele havia visto isso lá, era um mistério que Lynna não pararia para desvendar, pelo menos não agora.
Seu corpo estava tremendo tanto, que seus pensamentos racionais haviam dado um chute em sua bunda e se mandado.
— Vocês estão decentes? — a voz de Nat a fez suspirar de alívio, mas não o loiro. Ele caminhou lentamente pela porta do quarto, com a ruiva em sua cola. Steve encostou-se na porta, para espiar lá fora através do olho mágico, finalmente tendo a certeza de que a amiga estava sozinha.
— Não. — ele respondeu em alto e bom som, tento o bom senso de corar. — Nós não trouxemos roupas.
— Isso é meio nojento. — a voz de sua amiga pareceu meio distorcida. — Bem, eu sinto muito interromper o ninho de amor de vocês, mas o dever nos chama.
— O que aconteceu? — ela perguntou.
— Nos falamos na casa grande. — a outra ruiva respondeu. — Como eu já havia deduzido, trouxe uma muda de roupa de cada um. NÃO DEMOREM!
E com isso, ela ouviu os passos da mais nova deixarem a varanda.
O loiro abriu a porta, quando se certificou de que ela não estava mais por perto. Pegou as duas mudas e lhe entregou a sua.
Era um vestido longo de verão, com estampas de gatos siameses, os seus favoritos. A Viúva pelo menos teve a decência de lhe enviar uma calcinha de algodão para proteger sua colega do vento.
Eles tomaram banho juntos, mas não tentaram nenhuma gracinha.
Ambos estavam tensos. Tanto com o seu evento indesejado de sair da sua realidade, quanto com essa interrupção.
Seu coração apertou em seu peito.
Algo muito ruim estava por vir. Ela sabia disso.
E essa coisa lhe dizia que alguma entre ela e Steve iria ficar estremecida.
Se vestiram em silencioo, mas quando iam passando pela porta de entrada, Lynna capturou o pulso do loiro, que a encarou com o cenho franzido de preocupação.
— Por favor — sussurrou —, se algo ruim acontecer... me prometa que nós não vamos mudar. Que vamos permanecer fortes.
Ele aproximou-se dela, tomando seu rosto em suas mãos grandes.
— Eu prometo, querida. — sussurrou de volta. — Nós não vamos mudar.
Então ele a beijou, demonstrando seus sentimentos.
Voltaram para o barco a remo alguns minutos depois.
No fundo de sua mente, Lynna sabia que esta promessa não iria se cumprir.
Ela queria estar errada, mas ela nunca estava.
*
A sala de estar, uma vez convidativa, estava envolta numa penumbra que a deixou momentaneamente ansiosa. Sua mão escorregou para a do loiro, que a apertou suavemente, mostrando-a que estava ali para ela.
Uma tela holográfica flutuava no centro de tudo, vinda do celular de Tony, que avaliava a imagem de um grupo terrorista em ação, cujo líder deles usava uma máscara que o figurava a uma caveira. Ele usava uma armadura que mais parecia ser fruto de uma gambiarra.
— Quem é esse? — ela perguntou, sentando-se num dos pufes. Steve sentou-se ao seu lado, imediatamente capturando sua mão.
— Este é o terrorista conhecido como Ossos Cruzados. Ele é líder de um grupo de agentes foragidos da Hydra. Ele sobreviveu à queda do Triskelion. — Tony respondeu, apertando um botão em seu relógio para passar o slide adiante. — Esse é o homem que você estava procurando, Cap. — ele encarou o loiro, que assentiu.
— Brock Rumlow. — seu namorado sussurrou ao seu lado, fazendo-a prender a respiração.
— Isso só pode ser brincadeira... — Sam tirou as palavras de sua boca. — Como este cara está vivo? Eu vi quando o prédio caiu em cima dele!
— Vaso ruim não quebra. — Lynna murmurou para ele. — Não me admira que esse desgraçado está vivo.
Seus amigos assentiram.
— Quais foram suas ações nos últimos dias? — Steve perguntou, movendo-se para sentar-se de maneira ereta.
— Ele está auxiliando uma rede de tráfico de bebês. — a ruiva mais alta ofegou quando Nat disse isso. — Mas seus ataques conseguem ser bem variados. Pelo que me parece, ele está tentando “rivalizar” com a Hydra. — a Viúva encarou o loiro ao seu lado. — Aquele ataque que presenciamos na Eslovênia, teve a mão inteira dele nisso.
O corpo do loiro retesou.
Indiretamente, Lynna sabia do que eles estavam falando.
Na noite daquela missão, o supersoldado chegou até ela completamente desolado. Foi quando a ruiva maior cuidou de suas feridas e cantou para ele.
Ele havia lhe dito que presenciou uma jovem idêntica a ela ser jogada num tanque.
— Ele está tentando recriar o programa Pétala Amaldiçoada. — aquilo não foi uma pergunta.
Nenhum de seus amigos ousaram contestá-la.
— A informação mais quente que temos é de que ele planeja roubar uma substância nociva, que fica num laboratório na cidade de Lagos, Nigéria. — Tony voltou a falar. — Precisamos enviar uma equipe para lá o quanto antes. Se a minha intuição estiver certa, ele terá em suas mãos uma arma biológica poderosíssima.
Lynna engoliu em seco.
Isso não. Esse desgraçado não vai arruinar a vida de mais ninguém.
— Eu vou. — Steve disse firmemente. — Levarei Natasha, Sam e Wanda comigo. — encarou o moreno, que assentiu.
— Eu quero ir também. — todos a encararam. Nat e o loiro estavam prestes a dizer alguma coisa, mas ela os cortou. — Este homem foi o meu algoz durante treze longos anos. Se há alguém nesta sala com pretensões suficientes para prendê-lo, esse alguém sou eu. — levantou-se, alisando a saia do vestido. — Por favor, não tirem esse direito de mim. — eles assentiram, então ela seguiu para as escadas. — Vou arrumar minhas coisas.
*
Eles seguiram diretamente para a Nigéria, num dos quinjets que SEXTA-FEIRA havia disponibilizado. Os que ficaram já deveriam estar no Complexo há esta hora.
Suas mãos estavam inquietas, mexendo copiosamente no pingente de lua em seu colar, olhando para o horizonte, enquanto seu namorado pilotava a aeronave e seus três amigos estavam aconchegados no fundo, fazendo algo que ela deveria estar imitando.
Contudo, ela simplesmente não conseguia dormir. Ela não queria.
Algo muito ruim estava prestes a acontecer e ela sabia que não poderia lutar contra, e isso a deixava extremamente frustrada.
— Você está fazendo de novo. — o loiro sussurrou, segurando sua mão trêmula. — Isso é desgastante para seu corpo, princesse. Você precisa dormir.
Lynna engoliu em seco.
— Eu não quero. Eu não consigo. — sussurrou. — Eu tenho medo.
Ele apertou-a carinhosamente, fazendo círculos em sua pele com o polegar. Isso a acalmava, geralmente.
— Durma. — ele murmurou tranquilamente. — Estarei ao seu lado quando acordar. Ninguém irá machucá-la, eu prometo.
Ela não queria, mas foi inevitável.
Em questão de minutos, sua mente havia ficado nublada e seu corpo finalmente cedeu vitória ao sono.
*
— MAMA! — uma menininha gritava. Ela não podia ver seu rosto, mas sentia que conhecia-a por trás da massa de cachos castanho-avermelhados. — MAMA! PAPA!
— NÃO! — aquela era sua voz? — NÃO! Não a levem! Levem a mim! Ela não!
Um agente encapuzado jogou a pequena em seu ombro direito, e saiu carregando-a por um corredor semelhante aos que haviam no Complexo, mas ela não saberia dizer onde estava. Ela não tinha muita certeza de seu espaço geográfico com o desespero tomando conta de seu peito.
— Oh, minha querida. — era a voz do cara albino outra vez. — Não se preocupe... você também virá conosco. Quem mais seria capaz de domesticar esse filhote de tigre que você tem? — ele riu. — Eu te disse que você iria acabar seus dias miseráveis na sarjeta, não foi? Todas as promessas que eu faço, eu as cumpro. Não haverá ninguém no mundo que possa salvar sua alma, querida. Você destrói tudo o que toca. E esta menina não vai ser diferente. — ele apontou para a pequena, que se debatia de maneira assombrosamente hostil contra o homem potencialmente gigantesco que a carregava. — Parabéns, Pétala. Você selou o destino dela.
Suas mãos agarraram a faca em questão de segundos, apontando para a garganta da pessoa que tentou tirá-la de sua aura nefasta.
Um par de olhos azul-celeste lhe encontraram na escuridão.
Lynna só baixou a guarda quando notou os leves toques de verde nele, reconhecendo a pessoa que segurava firmemente seu pulso, impedindo-a de perfurar sua pele imaculada.
— Foi só um sonho, princesse. — Steve sussurrou para ela na escuridão. — Já passou, você está acordada. Está aqui comigo.
Ela sorriu, apesar das lágrimas que seu corpo produzia involuntariamente.
— Você está aqui... — sussurrou, largando a faca para o outro lado do quarto, cravando-a na madeira da porta do banheiro. — Você está aqui mesmo.
Ele embalou seu rosto.
— Sempre. — beijou-lhe a testa.
— Faça amor comigo. — ela pediu, sentando-se na cama, puxando o tecido da camisa do pijama dele. — Como se fosse a nossa última vez.
Ele segurou seu rosto mais firmemente, fazendo-a encará-lo.
— Esta não será a nossa última vez. — assegurou-lhe.
A ruiva o puxou para si.
— Independente disso. — ajoelhou-se na cama, para ter melhor acesso na retirada de suas roupas. — Faça amor comigo.
Ele imediatamente a beijou, enredando suas mãos em seus cabelos, descendo-as lentamente para se infiltrarem em sua blusa, que foi retirada e jogada no assoalho. A dele teve o mesmo destino, assim como ambas as partes de baixo.
Seu corpo foi delicadamente depositado no centro da cama.
Seus beijos se tornaram desleixados, unhas e dentes estavam por toda parte.
A sensação de que essa seria a última vez que eles estariam realizando este ato tão íntimo lhe dava um desconforto na boca do estômago, por mais que ela tentasse empurrar isso para longe.
Sua mente nublou com a primeira estocada, então as palavras esvaziaram-se de sua mente, fazendo-a aproveitar o momento, como uma piada sarcástica, ou um golpe de misericórdia do universo.
Quando ambos encontraram o ápice, ela puxou o loiro para cair em cima de seu corpo, sem se importar com o peso dele. Abraçou-o, tanto com os próprios canudos de gelatina que ela carinhosamente chamava de braços, quanto com as pernas.
Lágrimas rolaram por seus olhos, enquanto ela permitia que a angústia se apossasse de seu corpo.
Por favor, eu não quero perdê-lo.
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