The Captain and The Petal.
7 Sixth Chapter. - I'm a lie detector.
Notas iniciais

Eu sou um detector de mentiras.
O que primeiro começou com uma impressão, se tornou algo que ela teve plena certeza. Sua mão podia absorver o calor que emanava do loiro, ele apertava o seu membro como se ela fosse sair correndo. Ela podia enxergar o seu semblante de preocupação através dos cílios grossos levemente cerrados.
— Ei. — ele murmurou ao se dar conta de que ela estava acordada. — Como você se sente?
Demorou um tempo para Lynna abrir os olhos, ou ao menos responder.
— Bem... eu acho. — murmurou com a voz embolada pelo sedativo. — O que aconteceu depois que eu apaguei?
Ele suspirou alto, encarando-a com os olhos tristes.
— Nós lutamos. Bucky e eu. — o loiro respondeu ainda mais triste. — Você tinha razão. Ele não se parecia em nada com o meu melhor amigo. Ele me atacou para matar. Ele me mataria, se não fosse por Tony.
Ela mordeu o lábio, segurando-se para não chorar.
— Sinto muito. — murmurou.
— Não é sua culpa. Você é uma vítima. — ele afagou sua mão. Ela não sabia dizer se ele tinha certeza ou não sobre suas palavras seguintes. Ela não conseguiu decifrar seu olhar. — A Hydra é a verdadeira culpada. E agora ele está lá fora. Não conseguimos encontrar o seu rastro, mas não vamos parar de procurá-lo.
Lynna piscou, olhando para o teto. Ela ainda estava na enfermaria da SHIELD.
— Qual será o primeiro passo? — voltou a encará-lo.
— Esperar pela sua recuperação é a prioridade. — Steve disse rapidamente. — Depois precisaremos que nos diga tudo o que sabe sobre o nosso amigo em comum, tudo sobre os seus movimentos e suas técnicas, qualquer coisa para nos ajudar a tirá-lo das garras da Hydra.
A ruiva assentiu.
— Eu me sinto bem melhor. — ela teimou, usando a mão forte do loiro para se sentar na cama. — Foi apenas um ataque de pânico, não é o fim do mundo.
Ele ficou calado, mas algo em seu olhar a deixou preocupada. Estava claro para os seus dotes de espiã russa que o Capitão escondia alguma coisa dela, e pelo jeito era bem cabeluda, porque só isso para ela ficar enfurnada numa enfermaria entre doses e mais doses de sedativos. E também, estava meio que claro que ele tinha uma certa dificuldade em mentir.
— Tem razão. — ele sorriu como se nada tivesse acontecido, fazendo seu coração ficar confuso com o modo como ele era bonito. — Mas precisamos cuidar da nossa heroína.
Ela sentiu as bochechas pinicarem.
— Eu não fiz nada além da minha obrigação. — murmurou. — Vocês me ajudaram quando eu mais precisei, eu apenas estava retribuindo o favor.
Ele assentiu.
— E é por isso que nós devemos cuidar de você. — disse. — Para manter-se forte, para poder encontrarmos Bucky.
— E Hanna. — ela murmurou.
— Como?
— Hanna. A outra Pétala. — Lynna murmurou com o cenho franzido, lembrando-se das feições da garota asiática que fora trazida à base onde ela morava antes de fugir. — Ela também foi exposta ao veneno, mas ela era instável. Eu me lembro que ela foi retirada da base onde eu era mantida. Ela ainda está viva...
— Então vamos encontrá-la. — o Cap apertou sua mão. — Eu prometo.
Apesar de Lynna ter certeza de que ele estava escondendo algo dela, sorriu, pois não havia como não sorrir diante do olhar penetrante do supersoldado que se parecia um anjo ao seu redor. Ela se sentia em paz quando estava ao lado dele.
Acha que é assim que ele te vê, como uma mulher?, a Pétala riu, desdenhosa. Você é uma perdida, este homem ajuda pessoas perdidas, é assim que ele te vê. Como alguém que deve ser ajudado. O que acha que vai acontecer com você quando o seu estimado amiguinho for encontrado? Ele é seu melhor amigo. Quando o outro for encontrado, ele te deixará para morrer, pois é assim que os homens fazem. Eles usam, depois descartam.
O coração de Lynna se apertou com aquelas palavras.
Se ela fosse uma pessoa sã, ela não deveria dar ouvidos a elas, mas nunca, em toda a sua vida, Lyanna havia sido uma pessoa que podia controlar a própria mente. As palavras de Pétala podiam doer, mas eram verdadeiras.
Olhe para ele, a víbora disse. Tão inocente e atencioso, ele pode ganhar qualquer uma com o porte de bom moço, é isso o que ele faz. Ele seduz idiotas como você e quando elas não prestam mais ele joga fora. Não se apegue Lyanna, ou será sob o seu coração despedaçado que eu irei reinar.
A ruiva se desfez do aperto da mão do loiro, sentindo falta do calor dele.
Como desculpa, ela utilizou o membro para ajudar a se apoiar melhor na cama. Ele não reclamou de seu ato, colocando a mão para baixo enquanto observava-a se ajustar, esperando qualquer movimento brusco para auxiliá-la a se manter firme.
Ainda bem que não havia sido preciso.
— Eu... eu preciso ir. — Steve murmurou após alguns minutos apenas encarando-a. — Você precisa de alguma coisa?
Ela negou com a cabeça, não confiando em sua voz para isso.
Lynna definitivamente não queria acreditar nas palavras de Pétala, mas infelizmente, ela jamais havia falhado com ela. Pelo bem ou pelo extremo mal, a única pessoa em que ela podia realmente confiar numa situação extrema era a vadia que a Hydra havia colocado em sua mente, assim como a garota cujo ela salvou a vida quando não passava de um bebê assustado no meio de aranhas literalmente venenosas.
Com um suspiro, ela viu o loiro se afastar, quase não ouvindo suas despedidas e o seu pedido de melhoras.
Seu coração desabou. Ela rezava para que Pétala estivesse errada.
Para o bem ou para o mal, eu também sou uma Viúva Negra, disse para si mesma. Eu sou um detector de mentiras. Você está errada vadia, e eu irei provar.
*
No final da tarde, quando ela já havia se entediado de ficar ali, Lynna arrancou as agulhas injetadas em suas veias, retirando tudo o que a mantinha presa à cama, arrastando-se para fora, sentindo a frieza em seus pés.
Aquilo não era nada comparado ao frio cortante de congelar os ossos da Sibéria.
Ela caminhou lentamente, testando as pernas. Quando finalmente alcançou a porta de vidro, ela examinou a área com alguns quartos particulares, antes de finalmente passar a caminhar ao redor da enfermaria.
O lugar era relativamente grande e a deixou um pouco claustrofóbica de não conseguir encontrar a saída.
Contudo, uma vez que ela havia visto a mesma médica que havia injetado o sedativo em sua veia passar pela porta que ficava do outro lado do corredor, ela entrou em modo furtivo, escapulindo da sala para um saguão amplo.
A base da SHIELD era basicamente um labirinto, mas não era tão asquerosa quanto à da Hydra. Tudo cheirava a hospital – ou pelo menos aquela ala cheirava –, o que não parecia ser um cheiro bom, mas ela estranhamente gostava do cheiro de limpeza, isso a fazia se sentir limpa também.
Lynna entrou numa espécie de armário de vassouras, encontrando vários uniformes de variados tamanhos.
Ela capturou um par de calças cinza e uma camisa de algodão preta, vestindo tudo sem a menor cerimônia, qualquer coisa era melhor do que andar com a bata do hospital, mostrando sua bunda branca.
Alguém bateu na porta.
— Você está decente, Angianova? — era Natasha.
Lynna revirou os olhos, antes de colocar a cabeça para fora do cômodo.
— Que previsível. — resmungou. — Se te serve de consolo, eu não ia fugir.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Eu não estava esperando por isso, mas você matou os garotos do coração quando eles não te encontraram no quarto. — deu de ombros. — Eu tenho que te avisar que um deles é pra lá de idoso?
Ela quis rir, mas cruzou os braços ao invés.
— Eu não vou voltar para lá. Estou bem o suficiente.
Romanoff deu de ombros outra vez.
— Por mim tudo bem. — resmungou. — Quer comer alguma coisa?
Ela assentiu, acompanhando a outra ruiva até onde ela pudesse ter uma refeição decente que não viesse de um canudo injetado em seu nariz.
— Você pode me explicar a receita? — a outra ruiva voltou a falar. — Como é ter mais de cinquenta e continuar irritantemente gostosa?
Lynna jogou a cabeça para trás, gargalhando.
— Ter seu corpo conservado no gelo é algo bastante interessante, faz bem para a pele. — disse de brincadeira.
— Essa Hydra é uma filha da puta. — Natasha divagou.
— E é por isso que eu os farei pagar. — Lynna prometeu. — Mas agora não. Eu preciso comer antes.
Com mais uma rodada de gargalhadas, elas adentraram uma espécie de refeitório, se encaminhando até a mesa onde Clint, Tony e Steve conversavam. Fosse lá o que fosse, eles pararam no instante em que elas se aproximaram.
— Lady Tóxica! É um prazer revê-la. — Tony a saudou com seu modo espalhafatoso. — Você nos deu um baita susto e... ai!
Clint deu-lhe uma cotovelada na altura das costelas, o que fez a ruiva franzir o cenho.
Ela sabia que os garotos sabiam sobre os seus poderes, Natasha lhe disse que havia contado o básico, mas o tom que Tony havia usado insinuava que ele já havia visto-a utilizá-los, o que a deixou ainda mais cabreira.
— Tony, mais um dos seus apelidos? — Natasha resmungou revirando os olhos. — Eu vou te dizer apenas uma vez: não queira vê-la utilizar seus poderes quanto estiver com raiva de você.
Havia algo no tom da Viúva que a deixou mais intrigada ainda.
Suas suspeitas foram bloqueadas quando o jantar foi servido.
A comida da SHIELD era com certeza feita por anjos, ela havia decidido.
Fosse o que fosse que ela estava pensando antes de comer, tudo se anuviou quando ela colocou as mãos naquele purê dos deuses. Ela podia comer uma panela daquilo e nunca iria enjoar.
Contudo, apesar de ela já ter relevado a situação estranha que o grupo estava antes dela chegar à mesa, e a reação que Clint e Natasha tiveram ao apelido que Tony havia lhe dado, aquela pulga não iria sair tão cedo de trás da sua orelha.
— Vocês estão escondendo alguma coisa de mim. — ela disse, finalmente pousando a colher no prato. Natasha abriu a boca franzindo o cenho, mas Lynna foi mais rápida e a cortou. — Não adianta mentir. Eu sei que estão escondendo algo.
O loiro suspirou.
— Certo. — seu coração afundou ao ouvi-lo falar em tom de confissão. Ela podia ver Pétala sorrindo presuncosamente com isso. — Mentimos para você, porque não tínhamos respostas para o que aconteceu.
Lynna arqueou a sobrancelha.
— Steve. — Natasha se apressou em dizer.
— Não Nat. Ela precisa saber. É direito dela. — ele suspirou enfadado. — Durante a perseguição do Soldado Invernal, você estava desacordada em meus braços. Então, ele me puxou para fora do carro. Pensávamos que você estava desmaiada, mas você acordou e tentou lutar contra ele. Isso te desgastou. Quando voltamos à base, você teve outro surto e Natasha precisou utilizar um dardo tranquilizante para que você não se machucasse. Você não dormiu por dois dias, e sim uma semana inteira. — Lynna arregalou os olhos. — Os médicos da base retiraram uma amostra do seu sangue para análise e acusou que há DNA alienígena dentro de sua corrente sanguínea, não sabemos o que faz, mas isso a ajudou a enfrentar o Soldado, a “acordar” e lutar contra ele, então decidimos que iríamos te contar quanto obtivéssemos uma resposta concreta.
A ruiva mais velha ficou quieta, refletindo as palavras cem por cento sinceras de Rogers.
O que é que a Hydra fez com o seu corpo? Já não bastava o veneno que a fizeram ingerir após injetarem doses e mais doses dentro dela desde que ela era uma menina? Ela tinha que ter algo de fora do planeta dentro de si? Que mal ela havia feito para merecer uma merda dessas?!
Respirou fundo expulsando as lágrimas para longe.
— Desculpe-nos. — Cap voltou a falar. — Nós não sabíamos qual seria a sua reação e queríamos prepará-la melhor.
— Então, por que está me contando? — ela não queria soar dura, mas era a única coisa que ela podia pensar nesse exato momento. Ela não queria pensar que Pétala tinha razão.
— Porque eu não consigo mentir para você. — o loiro disse com seus olhos cintilando intensamente para ela, que desarmou. — Com licença. — ele escorregou para fora do banco.
Até o fechamento desta seção, Lyanna Angianova estava impactada demais para se mover.
Fale com o autor