The Captain and The Petal.

74 Seventy-second Chapter. - The Cursed Petal.


Notas iniciais
Ois! Estou atrasada? Sim, eu estou atrasada, mas eu tenho motivos muito concretos! Eu dormi em cima do pc de novo (hehe) e me distraí lendo fanfics de Thor ( ͡° ͜ʖ ͡°)... É tempo de conhecermos um pouco a vaca da Pétala... Boa leitura!

A Pétala Amaldiçoada.

Perda

Quando bebê, ela havia perdido sua mãe, sem ao menos ter a chance de beber do seu leite. Aos três anos, ela foi afastada de seu pai, porque ele foi estúpido o suficiente para cobiçar o poder acima do seu amor. Ela perdeu a maioria das memórias que tinha de sua vida como deusa por conta disso.

Então, aos oito anos, ela foi tirada de sua avó, da única mãe que ela conheceu em toda a sua vida. Ela foi tirada de seu lar, do lugar que lhe mantinha aconchegada à noite, quando os pesadelos devastadores vinham, como se ela tivesse nascido para sofrer perdas.

Sessenta e dois

Este foi o ano de seu nascimento. – ou pelo menos era o que o calendário gregoriano dizia que era.

Ela nasceu 30 de junho de 1962, num ensolarado dia de verão, o dia em que tudo começou a dar errado em sua vida, se quer saber, pois desde sempre, ela esteve fadada a ser desafortunada.

Seu signo do zodíaco é Câncer, com ascendente em Touro, daí pode-se explicar sua tendência nata ao drama, sua obsessão por comida, sua preguiça eterna e a sua teimosia sem explicação. Sua lua deve estar em algum signo de fogo, porque sim.

Ela nunca havia tido necessidade de fazer seu mapa astral, então não sabia o resto das coisas.

Família

O que é família, senão a base de cada ser humano?

Ela já teve muitas famílias.

A primeira de todas, fora sua mãe, Aleksanna, e seu pai, Scar. Foram eles que lhe conceberam e lhe colocaram no mundo, dando-lhe também outra família, a família real de Asgard, com quem ela passara breves anos de sua vida, talvez os mais puros que ela já teve.

Sua terceira família foi a sua avó, que lhe proporcionou os melhores anos de sua vida inteira. Com ela, aprendeu noções básicas de como tratar as pessoas, com ela, cresceu em seu peito o desejo de ser mãe, para que ela pudesse passar adiante todos os ensinamentos que aquela senhora extremamente forte havia dado.

Sua quarta família, foi a família que lhe acolheu na hora da dor. Sua pequena andorinha, Natalia, seu irmão de coração, Bucky e sua pequenina flor, Hanna. Todos eles passaram por alguma merda, todos eles sofreram nas mãos das mesmas pessoas, e o seu coração os reuniu dentro de si, adotando-os como seus.

Então, veio sua quinta e última família, a dos Vingadores. Os heróis que lhe acolheram no momento que ela mais precisou, as pessoas que lhe deram uma nova perspectiva de vida, que lhe ensinaram bastante, até mesmo com seus erros e suas brincadeiras. Foi ao lado deles, que ela encontrou a única pessoa com quem queria envelhecer, por mais que ela soubesse que isso não seria possível.

Desde sempre, a família foi a sua base, e se alguém ousasse encostar num fio de cabelos de algum membro dela, ela jurava que seria capaz de matar.

Pureza

Uma das coisas mais preciosas que a Hydra tirou de si foi o véu leitoso com que uma criança enxerga o mundo. Eles a desvirtuaram desde cedo, mostrando-a as atrocidades que o ser humano era capaz de fazer pelo poder. Eles tiraram sua inocência de si, lhe viraram do avesso lhe transformaram num monstro.

Ou pelo menos, era isso que ela costumava pensar.

Agora ela tem uma avaliação diferente dela mesma, algo que grita do fundo de seu ser que nem tudo fora perdido.

Ela não sabia se devia acreditar nesse grito.

Tortura

Ela nunca fora suscetível às vontades de seus comandantes. Era arredia demais, independente demais, forte demais para ser controlada. E controle é o que a Hydra mais preza. Ordem. Eles precisavam fazê-la obedecer.

Para que isso acontecesse, eles precisavam quebrar a sua resistência, e para eles, a melhor maneira de quebrar a resistência de alguém é através da tortura. Eles lhe ensinaram que toda dor deveria ser sentida.

Ela nunca soube responder como uma pessoa poderia pensar em incontáveis métodos de tortura, mas os agentes da Hydra possuíam um repertório bastante variado.

Durante todos os seus anos à mercê deles, tortura foi tudo o que ela havia conhecido.

Explosão

Para criar um mundo novo, é preciso destruir o antigo, para então reerguê-lo das cinzas, como uma fênix.

Eles explodiram seu único lar na Terra, marcando o fim do seu mundo, para que ela não tivesse mais amarras prendendo-a longe das garras deles.

Explosão, também pode ser caracterizada ao ato que ela foi obrigada a cometer anos atrás, quando lhe deram uma arma de fogo para que ela pudesse matar Tasha, que não passava de uma criança naquela época.

Eles sabiam que matar a garota seria como explodir o seu coração.

O tiro que ela deu, seguido da luta que elas tiveram na missão que resultou na morte de praticamente todas as Viúvas Negras, matou de uma vez por todas a amizade que elas tinham.

Ou nem tanto.

Apesar de tudo, Tasha colocou teto sob sua cabeça em seu momento mais sombrio, o que significa que a Hydra estava errada.

Mas... quando é que aqueles filhos da puta estavam certos sobre ela?

Casa de fazenda

Ela cresceu no campo, como uma menina simples, longe de qualquer tentação que uma corte poderia ter. Este foi a maior vontade de Amber-Rose: que ela pudesse ser uma mulher justa e honesta quando crescesse, e não uma mocinha deslumbrada com toda a riqueza e luxuosidade que a vida de uma princesa poderia oferecer. Sua avó queria que ela soubesse lidar com o poder de maneira correta, respeitando o peso dever que vinha com ele.

E Ivenorra era o maior símbolo de tudo isso. E ela foi tirada de si precocemente.

Vovó

Amber-Rose foi a mulher mais forte que alguém poderia ter tido notícia.

Criou uma filha mulher, no tempo em que as mulheres não tinham direito a nada, principalmente no país onde moravam. Ela deu seu sangue, literalmente, pela família que o filho da puta do seu primo abandonou na primeira oportunidade. E foi por causa dela, que Lynna cresceu sabendo que não deveria abaixar a cabeça para a vida.

Foi ela quem lhe deu a maioria de suas características e o seu sobrenome, o nome que ela aprendeu a honrar desde pequena. Fora ela quem havia lhe dado o apelido carinhoso pelo qual todos a conheciam. E era assim que ela gostava de ser chamada, porque a cada pronúncia de seu nome, ela se sentia mais perto de Amber.

Vê-la jogada no gramado de sua casa destroçou seu coração completamente. Ela era só uma menina, mas já tinha presenciado a primeira cena aterrorizante de sua vida envolvendo sangue, e não era sequer a sua primeira menstruação.

Que jamais chegou a vir, para se ter ideia.

A palavra vovó pode muito bem estar relacionada à maternidade.

Avó é mãe duas vezes, e sua avó foi a única mãe que ela havia conhecido.

A palavra mãe é algo muito delicado em sua vida. Ela nunca chegou a tocar em Aleksanna, ou saber qual era o som de sua voz. Ela nunca havia cantado uma música de ninar para si quando os pesadelos lhe acordaram à noite, e mesmo assim, ela amava-a desesperadamente, tudo por conta da mulher que a criou. Ela queria que Lynna jamais esquecesse o quão boa e especial sua mãe havia sido, mesmo que elas jamais tivessem se conhecido propriamente.

E mãe, era algo que ela não estava destinada a ser.

A Hydra fez questão de tirar de si mais este sonho.

Princesa

Este é o seu título nobiliárquico.

Seu pai, um rei de um planeta distante, se apaixonou por sua mãe, uma simples humana de ímpeto forte. Ele a levou para sua terra e fez dela sua rainha. Desta união surgiu ela, princesa Lyanna de Skylar.

Ela nunca se sentiu como uma princesa, para falar a verdade.

Ela sequer sabia como a Hydra tinha noção de quem ela era.

Tudo o que ela sabia era que eles eram fissurados por mitologia nórdica e com isso, descobriram que as linhagens familiares de Odin eram reais e podiam estar habitando a Terra. Eles se guiaram pela força que ela possuía, sem saber que era tão poderosa.

Desde então, todos na organização a chamavam assim, de princesa, porque ela era o ser mais nobre que havia pisado ali, porque para eles, ela era a chave para alguma coisa importante.

Eles também utilizavam seu título para aplicar suas torturas.

Ela passou a odiar este nome, até que ela encontrou alguém puro o suficiente para chamá-la de princesa na intenção de tratá-la com carinho, e não como uma boneca maleável que era obrigada a fazer tudo o que terceiros queriam.

Tanque de veneno.

Este último é um de seus piores inimigos.

Ela ainda era uma criança quando teve contato com o tanque.

Um grupo de cientistas liderados por Arnim Zola jogou-a dentro de um contêiner de cobre gigantesco, com algo rosa borbulhante. Eles continuaram jogando-a lá após ter sobrevivido aos efeitos do soro.

Todos os dias, ela ia para cama ainda sentindo-se viscosa da substância. Era como se ela tivesse acabado de ter sido jogada, e não que havia acabado de tomar banho.

Quando os agentes descobriram que o tanque era o seu maior medo, eles começaram a ameaçar jogá-la lá todas as vezes que lhe “faltava” o comportamento.

Às vezes, ela ainda sonhava sendo jogada lá e isso lhe aterrorizava até os ossos.

—

Todas essas palavras foram marcantes para ela. Cada uma delas estavam relacionadas a eventos importantes de sua vida.

Assim como com o Soldado Invernal, a Hydra havia capturado tudo o que poderia lhe afetar, para criar uma gama de palavras aleatórias, que podiam fazer um estrago em sua vida.

Eles usaram alguma coisa para conectar seu cérebro a elas, e se aproveitaram do seu momento de maior fragilidade para tomá-la de assalto, tirá-la de seu refúgio e fazer dela sua escrava outra vez.

Quando seus olhos finalmente voltaram à cor natural, Hanna se jogou em seus braços, tremendo de medo.

Prontamente, Lynna esfregou sua pele, permitindo que ela escondesse a cabeça no vão de seu pescoço, enquanto estava sentada em seu colo. A pequena não pesava quase nada.

Pelos seus cálculos, elas estavam viajando dentro daquele carro há mais ou menos três horas e meia, numa estrada onde só havia neve para todos os lados.

Elas não estavam na Rússia, pelo que podia deduzir. Ela conseguiria reconhecer o cheiro podre de sangue seco em qualquer lugar. Não. Elas estavam na Ucrânia. Sendo dirigidas em direção a uma das bases mais luxuosas que a Hydra possuía.

Um castelo enorme surgiu à sua frente, imponentemente. Ela apertou Hanna ainda mais contra o seu peito, afagando seus cabelos carinhosamente, enquanto o motorista manobrava o carro para adentrar a base.

— Eu não quero sair, Lya. — Han murmurou tremulamente em seu ouvido. — Eles vão nos torturar outra vez.

Ela fechou os olhos com força, estremecendo.

Como tudo pode ter sido destruído em questão de segundos?

Num minuto, ela estava na sala, assistindo com Nat, Han e Wanda, enquanto elas comentavam sobre a sua despedida de solteira e sobre outras besteiras.

No outro, ela estava atacando Wanda com sua força e lutando violentamente com Tasha...

Oh meu Deus, não permita que eu as tenha matado!

Lágrimas desceram sem a sua permissão quando ela se lembrou de Steve, e imaginou como ele ficaria quando descobrisse que ela havia sumido. Que Hanna havia sumido também...

Ela ainda podia sentir o resultado da tarde calorosa que eles tiveram. Ela ainda podia sentir a lágrima que ele havia derramado em sua pele enquanto eles faziam amor.

Mais uma vez, ela o fez sofrer, porque ela foi cruel e egoísta o suficiente para pedi-lo algo como aquilo.

Apertou Hanna contra si, chorando em seus cabelos.

— Eu não vou deixar que isso aconteça. — foi firme.

— Eles vão nos separar! — ela guinchou.

— Não, eles não vão! Eu lhe prometo! — jurou.

A porta do carro foi aberta numa garagem fria. Um agente abundantemente musculoso estava parado do lado de fora, encarando-a seriamente com seus olhos de ônix.

Ele estendeu a mão para tirar Hanna de cima dela, mas a pequena foi mais rápida e mordeu-o com força, como ela havia feito com Thor quando ele tentou pegar o último marshmallow do pacote, só que bem mais forte, tirando sangue por ter machucado sua veia.

O homem gritou e a xingou em ucraniano, afastando-se do carro.

Outro agente apareceu. Este conseguia ser ainda maior que o primeiro.

E Hanna ainda achava que não poderiam existir pessoas maiores do que seu primo...

Este puxou-as de uma vez só, quase fazendo-as caírem no chão. Apesar disso, Lynna não soltou seu aperto em Hanna, que começou a xingar todo mundo com palavras de extremo baixo calão.

A maioria dos agentes ali se espantou. Eles estavam mesmo esperando que elas fossem completamente submissas?

Um cú!

Mesmo que ela soubesse que não conseguiria sair dali, Lynna lutou contra os homens que tentavam afastá-la de Han. Ela conseguiu chutar a cara de três e usar sua força contra um deles, estourando sua cara.

Foi só quando um deles morreu com uma lâmina atravessada em sua garganta, que ela percebeu que o bracelete não estava mais em seu pulso.

Com um sorriso em seu rosto, ela colocou Hanna atrás de si, utilizando seus poderes para criar mais daquelas lâminas, atacando-os, formando uma pilha de corpos à sua volta.

Ela ia atacar o motorista para voltar para o carro e dirigir para longe daquele lugar, quando uma onda sônica parecida com aquelas que Tony tinha em seu traje disparou, fazendo-a gritar de dor, por conta de seus ouvidos perturbados.

Ela largou Hanna no chão, que também choramingava de dor.

Alguém apareceu em seu campo de visão, batendo palmas.

Seus olhos se arregalaram ao ver quem era.

O albino filho da puta, aquele desgraçado!

— Devo dizer que o seu show me surpreendeu, Pétala. — ele disse aproximando-se das duas. Hanna levantou-se imediatamente, ficando na sua frente. — Espero que a instalação esteja à altura de vocês. Não é todo dia que recebemos a realeza em nosso humilde esconderijo. — ele abriu um sorriso sádico. — Eu te disse, Pétala: eu sempre pego o que eu quero. E você vai dar isso para mim. — ele levantou a cabeça para trás dela. — Levem-nas. Coloque-as em seus devidos lugares e se assegurem de que nenhuma das duas irá tentar alguma gracinha. — o albino caminhou até ela, então segurou seu queixo firmemente. — Nós teremos uma conversinha em breve...

Ela engoliu em seco.

Então, dois homens brotaram do Éter para segurá-las firmemente.

— HANNA! — gritou quando o brutamontes loiro começou a arrastá-la para longe de si. — HANNA! SOLTA A MINHA IRMÃ!

— LYA! — Han gritou de volta, se esperneando contra os braços do homem, que firmou ainda mais seu aperto contra ela, provavelmente contundindo sua pele pálida e sensível.

Ela estava revivendo a cena em que Hanna fora jogada num tanque de tenebrys sakura esquentado em caldeiras enormes, no dia em ela retornou com o corpo em carne viva para a sua cela.

Lynna não podia deixar que isso acontecesse.

Um grito estridente escapou de sua garganta e ela foi envolvida por uma cachoeira quente de sangue, vinda do corpo musculoso atrás de si. Ela jamais imaginava que tinha poder para fazer isso, mas se ela o fez, não era seu lugar questionar.

Estendeu a mão para o homem que segurava Hanna, envolvendo-o com seus poderes vermelho-sangue, então cerrou seus pulsos, fazendo-o literalmente estourar como um balão.

Ela fez isso com mais três homens, antes de chegar até sua pequena, que tremia de medo. Abraçada a ela, utilizou um escudo vermelho para colocá-las longe dos agentes, que estavam aterrorizados com a sua demonstração de poder.

Seu corpo se sentia leve, como se ela tivesse se fundido com os raios vermelhos que saíam dela.

Mostre a eles quem você é, alguma coisa sussurrou para ela, como se fosse a lembrança da voz de sua avó, há muito tempo desvanecida.

Momentaneamente, foi como se as estruturas da base tivessem tremido, quando seu corpo irradiou completamente uma junção esquisita de todos os poderes dentro de si, atingindo os grupos de agentes que desciam as escadas vindos de três direções.

Para ajudá-la, Hanna pegou fogo, traçando a linha de gás que Lynna havia expelido, incendiando os corpos de um dos grupos, que gritaram de dor, antes de serem intoxicados.

Ela podia morrer ali, mas não iria permitir que aqueles filhos da puta tocassem em seu corpo.

No entanto...

Toda a sua força morreu quando ela sentiu uma picada em seu pescoço. Era um dardo de arestas vermelhas. Um tranquilizante para elefante.

Seus olhos se arregalaram enquanto seu corpo ia de encontro ao chão.

Hanna gritou para ela, mas sua voz foi se tornando cada vez mais distante.

Antes de desmaiar, lágrimas vermelhas escorreram por seu rosto.

*

Mary estremeceu enquanto limpava as feridas dos nós dos dedos de Steve. Eles estavam na sala de estar, porque ela não conseguiria chegar até o laboratório que dividia com Hanna sem chorar.

Pietro e Sam trouxeram os itens de primeiros socorros para perto dela, que sorriu gentilmente para eles.

Estava sendo difícil ficar ao redor de tanta tristeza, quando ela sentia toda a carga.

Ela conseguia esconder de todos o quão debilitada ela estava, mas não de James. Ele sentia o incômodo dela, e isso lhe deixava ainda mais desconfortável, porque ela sabia que ele iria aprontar alguma para cima dela por causa disso.

Os sentimentos do seu amigo eram tão ruins. Ela queria ter forças para acalmá-lo, mas simplesmente não conseguia. O máximo que ela pôde fazer foi não chorar na presença dele, o que já era um bônus.

Quando finalmente terminou, deixou-o lá no sofá, em sua mais nova expressão de raiva. Ela tinha medo que ele fosse fazer alguma besteira. Do jeito que ele estava literalmente tremendo de ódio, era bem capaz.

Ela não o culpava, de verdade.

Se estivesse em sua posição – não apenas empaticamente – ela sabia que ficaria do mesmo jeito, ou talvez pior.

Se a Hydra levasse James de volta, ela seria capaz de invadir sozinha uma base deles e tirá-lo de lá com as próprias mãos.

Mas nesse caso, Steve não deveria ser encorajado.

Se ele fosse sozinho, ele acabaria morto. Lynna acabaria morta, e Hanna do mesmo jeito. E eles não queriam que isso acontecesse.

Ele apertou a mão nos joelhos, então ela precisou sair da sala, porque a descarga foi muito forte. Ela não aguentaria ficar ali sem chorar histericamente.

Jogou-se contra o pufe que Hanna tinha na divisória de seu consultório com o laboratório, soluçando alto, sem se preocupar que alguém lhe veria.

Ela sentiu a mão fria de James tocar suas costas, antes de serpenteá-la em seus ombros, puxando-a para seus braços.

Marnie abraçou-o com força, choramingando de dor, antes de soltar um grito seco quando sentiu todos seus poderes sumirem de si numa fração de segundos.

Ela abriu os olhos para o moreno, que tinha uma expressão de desculpas em seu rosto esculpido. Suas mãos ganharam vida quando ela começou a bater no peito dele, revoltada com o que ele havia feito. Ele havia colocado um dos braceletes bloqueadores de poderes que Tony havia feito para Lya em seu pulso direito.

— Por quê?! — gritou batendo nele, que não fez nada além de ficar parado ao seu lado. — Por que você fez isso, seu cachorro?!

Finalmente, ele segurou seus pulsos com a mão de metal, permitindo que ela chorasse com a cabeça encostada em seu peito, molhando sua camisa favorita.

— Você não está aguentando toda essa descarga emocional. — ele murmurou contra seu cabelo, de maneira tão calma, que ela quis bater nele outra vez. — Eu não vou permitir que você definhe.

— É o meu dever! — rosnou. — Eu tenho que ajudá-los!

— Você não poderá ajudá-los se morrer de desgosto! — ele disse autoritariamente, fazendo-a engasgar-se. — Nós precisamos de você, Anya. Eu preciso de você. E para que isso aconteça, você precisa descansar seu corpo e sua mente. Você não dorme faz três dias! Isso só te faz mal!

Ela choramingou, tentando escapar de seu aperto.

— Eu não consigo dormir! — chorou.

— Mas você vai, nem que eu tenha que te desmaiar para isso! — ele levantou-se, facilmente colocando-a em seu colo. — Eu vou levá-la para o quarto, e você irá descansar, só então eu retirarei a pulseira. Não antes disso.

Resignada, Mary permitiu que sua cabeça tombasse no ombro de metal de James, que carregou-a até o quarto dos dois, colocando-a enrolada na cama com sua cabritinha, que ainda usava o pijama verde que Han havia colocado nela.

Seus braços se enrolaram ao redor do animalzinho e ela chorou até dormir.

*

— Você cheira tão bem... que perfume seria esse? — ele perguntou, afundando o nariz em seu pescoço.

Ela riu, encolhendo-se por causa dos fios de sua barba.

— É seu perfume, seu bobo. — respondeu-lhe. — Eu tive que roubá-lo. Cheira bem.

Ele apertou-a contra seu corpo, sentindo a maciez de sua pele contra suas mãos calejadas pelos anos lutando na guerra. Era um pensamento feliz que ela não se incomodava com isso. Sendo o mais convencido possível, ele poderia dizer que isso a atiçava.

— Eu gosto disso. — murmurou em seu ouvido. — Eu gosto de sentir o meu perfume em você.

Ela desceu os dedos pela sua blusa xadrez azul, parando em seu quadril, enquanto fazia movimentos de asas de borboletas com seus dedinhos naquela região. Seus lábios bonitos se curvaram num sorriso, então ela arrastou sua mão direita pelo seu torso, parando em seu pescoço.

Ele se inclinou para o calor de seu toque.

— Bobo. — murmurou, negando com a cabeça. Ela deu um pulinho sutil para que ele pudesse colocá-la em cima do banco da janela. — O que vamos fazer hoje? — sussurrou em seu ouvido, depois de tê-lo puxado para acomodar-se entre suas pernas.

— Que tal assistirmos algum filme? — murmurou de volta, enfiando o nariz em sua cortina alaranjada macia.

— Podemos ter sorvete? — seus olhinhos brilharam.

Ele sorriu.

— Sim. — respondeu positivamente, se rendendo aos encantos dela, como sempre. Isso era motivo para sua Marnie revirar os olhos para ele dizendo que ele mimava demais sua noiva. Mas como ele podia não fazer isso? Era impossível se render aos encantos de seu olhar de corsa, e do seu bico saliente! Para o bem ou para o mal, ela sempre o fazia ceder. — Mas não muito, está ficando frio.

— Mas...

— É isso ou nada. — apertou-a contra si, puxando-a para cama.

— Você é tão sem graça! — ela resmungou, enfiando a cabeça em seu pescoço.

— E mesmo assim, você me ama. — ele brincou, ligando a televisão.

— Sim, eu amo muito. — ela encarou-o com um sorriso que o fazia esquentar-se por dentro. — Você jamais se livrará de mim.

Alguém bateu na mesa, acordando-o do transe.

— Você está conosco? — Nat perguntou seriamente, fazendo-o encarar seu rosto levemente avermelhado. Seus olhos estavam brilhantes. Ela havia chorado recentemente. Ele se endireitou na cadeira, assentindo suavemente para sua amiga, enquanto fechava a bússola com a foto de Anna no verso da tampa. — Então, sobre o que nós estávamos falando?

Ele suspirou.

— Estávamos armando uma estratégia para calcular em qual base a Hydra deve ter escondido as nossas meninas. — respondeu com os ombros encolhidos. — Bucky tentou se oferecer para investigar por si mesmo e quase apanhou da Mary. Estou errado?

— Não. — Natasha desmanchou a sobrancelha que ela havia arqueado. Ela soltou um suspiro cansado. — Bem, eu conheço algumas pessoas. Na verdade, um cara. — Clint olhou para ela em alerta. — Eu costumava fazer negócios para ele antes de ser recrutada para ser agente da SHIELD. Ele é da Hydra, mas vende seus segredos para quem pagar mais. Ele é a nossa maior chance de encontrá-las.

Ele ouviu o coração de Marnie martelar em seu peito.

— Isso tem tudo para dar errado. — ela disse. Sua vozinha estava cansada, assim como seu corpo parecia. Momentaneamente, Steve sentiu-se culpado. Se sua amiga estava assim, era por culpa dele. — Steve, eu vou enfiar no seu olho essa caneta que eu estou segurando se você continuar me olhando assim.

Ele abaixou os olhos, com medo.

Desde que Bucky havia colocado a pulseira nela, ela havia ficado extremamente hostil com eles.

— Quando podemos ver esse cara? — perguntou a Nat.

— O mais rápido possível. — ela respondeu-lhe. — Eu marcarei uma hora com ele e podemos ir juntos, mas em um grupo reduzido, para não levantar suspeitas.

— Será que ninguém vai levar minhas palavras em consideração?! — Mary extravasou. — Isso é uma má ideia!

— Mas esta e a única que nós temos, querida. — a Viúva encolheu os ombros. — A cada dia que as meninas estão longe, é um dia a mais que a Hydra tem para foder com a mente delas.

— Mas vocês também não podem querer se matar assim. — ela disparou. — É arriscado!

— Nós sabemos, mas não temos escolha. — Steve disse para ela, segurando sua mão por cima da mesa. — Se quisermos invadir a Hydra, temos que jogar sujo, como eles fizeram conosco quando tiraram as meninas daqui.

— Então, se é assim, eu vou com vocês. — ela ergueu o queixo.

— Não! — Bucky disparou.

— Eu vou sim, senão, vocês jamais sairão deste Complexo, porque eu vou ativar o Código Alpha, que só eu sei. — ameaçou. — Se vocês estão indo para um interrogatório, eu estou indo com vocês, porque todo mundo está de cabeça quente e nessa atmosfera, a probabilidade de fazer merda é bem grande, portanto, precisarão de supervisão.

Nat revirou os olhos, cruzando os braços.

— Que seja. — resmungou. — Então, faremos assim: eu marcarei uma audiência com o meu cara, e eu, Mary, Steve e Barnes iremos encontrá-lo, enquanto o resto fica como backup para o caso da merda explodir no ventilador, concordam?

Tony soltou um suspiro, ajustando seus óculos.

— Por mim, tudo bem. — deu de ombros. — Mas Peter não estará incluído.

Eles assentiram.

Steve jamais teria coragem de colocar Peter no meio disso. Ele era apenas uma criança, por mais que fosse tão poderoso quanto qualquer um naquela sala. Ele ainda era pequeno demais para se envolver na merda da Hydra.

— Nós concordamos. — Wanda falou por ela e Pietro, que assentiu.

Sam também assentiu para eles, assim como Clint e Visão.

— Certo, então eu farei a ligação agora. — Nat levantou-se. — Quanto a vocês, vistam-se, porque eu estou prontíssima para chutar o traseiro da Hydra. Eles me devem, eu estou indo buscar as minhas pestes, nem que eu vá sozinha.

Então saiu da sala.

— Eu vou com ela. — Marnie levantou-se. — E vocês, vão também?

*

Já fazia um longo tempo desde que ela não usava aquele traje. Ele estava meio mofado nas ombreiras, a luva fazia um barulho engraçado quando suas mãos eram espremidas e a idiota da Lyanna havia engordado-a o suficiente para não caber propriamente no maldito top. O zíper fechava precariamente em seu colo, deixando-lhe com um decote maior do que o normal, por mais que ela não se importasse de expor alguma carne.

A única vantagem era que os seus peitos pareciam bem melhores agora.

Com um sorriso, ela terminou de delinear seus olhos rosados, para depois levantar-se da cadeira da cela, jogando o lápis de olhos num canto qualquer.

Seus passos ecoaram no corredor. Enquanto andava, todos os agentes paravam para pelo menos observá-la. A maioria deles com medo, uma parte com cobiça, e a outra com admiração.

Ela ignorou a todos, subindo as escadas para a sala de comando, onde deveria encontrar-se com Igor Priekov, que lhe aguardava para passar-lhe suas instruções.

Agora que ela não tinha mais o burro do Soldado Invernal do seu lado, sua vida se tornaria ainda melhor na Hydra. Ela finalmente teria o seu lugar merecido nessa espelunca.

Você nunca conseguirá vencer, sua vadia. Eles vão te encontrar, e você vai ser expulsa deste corpo. Eu não sou mais aquela criancinha assustada, você vai se foder, a garotinha fraca disse em sua mente, fazendo-a soltar um risinho de escárnio, encarando-a através do espelho. A garota tinha um semblante raivoso em seu reflexo. Ela não parecia ter mais que dez anos, e ainda sim, ousava dizer que era maior que ela.

Coitada.

— Continue latindo, Lyanna. — Pétala disse sorrindo amplamente. — Eu adorarei ver o rostinho desolado do seu Capitão quando eu disser que você não vai mais voltar. Será que ele chorará quando eu contar para ele que você “morreu”? — a menininha bateu no vidro, tentando sair da prisão impenetrável que era sua própria mente. — Talvez ele me agradeça por ter se livrado de um fardo como você. — ela começou a andar de volta, quando lembrou-se de algo. — Ah, eu quase ia me esquecendo... observe sua maldita linguagem, menina! Você é uma criança! Crianças não falam assim!

VÁ SE FODER!, ela gritou, esmurrando a parede invisível.

Pétala apenas arqueou a sobrancelha para a menina, então voltou a subir as escadas.

Se Priekov não quisesse algo daquela inútil, ela teria se jogado da primeira janela à vista, para acabar logo com essa porcaria de briga idiota. Quando aquela infeliz iria perceber que não há como vencê-la?

Abriu a porta da sala, encontrando Igor debruçado em uma pilha de papéis, ao lado de sua irmã/amante sonsa que cobiçava o macho alheio. Ela tinha raiva de si, e Pétala fazia questão de ser insuportável para ela.

Sentou-se numa das cadeiras da mesa, colocando os pés sob ela, finalmente atraindo a atenção do albino.

— Eu tenho duas pastas para você. — ele disse distraidamente escrevendo algo em suas folhas de anotações. Ele estava distante o suficiente para ela não conseguir distinguir sobre o que ele estava escrevendo. — Elas serão importantes para as missões que eu tenho para você no futuro.

— E o que você quer que eu faça? — perguntou-lhe, encarando as pastas amarelas que ele havia escorregado para si.

— Por enquanto, nada. — respondeu, anda escrevendo. — Quero que você distraia os Vingadores para que Pyra possa fazer todo o trabalho, porque eles virão para você, antes de chegarem nela. — Pétala assentiu. — O que me faz lembrar que... eu não quero que você mate nenhum deles, por hora. Deixe-os lá para sofrer, engane-os com palavras e faça o possível para que nenhum deles descubra o nosso plano.

— Eu não preciso que me diga como fazer o meu trabalho, Priekov. — ela disse insolentemente, estalando os dedos da mão. — Eu farei o seu showzinho acontecer, mas eu tenho uma exigência.

Ele finalmente levantou a cabeça, arqueando a sobrancelha para ela.

— E qual seria a sua exigência? — ora, ora, ora. Alguém não gosta de ser contrariado...

— Eu quero a cabeça da empata. A puta do Soldado Invernal. — disse-lhe com um sorriso cruel. — Eu tenho assuntos pessoais a tratar com ela.

O homem tomou um suspiro.

— Sabe o quão difícil foi achar alguém com os poderes dela? — resmungou alto. — É algo raro encontrar um empata com tantos talentos hoje em dia!

— Eu estou pouco me fodendo para a dificuldade de vocês. Isto é um aviso agora: eu vou matar a vadia que esquenta a cama do meu antigo parceiro, quer você queira quer não. — ela sibilou ameacadoramente. — Esta puta é perigosa para os planos da Hydra. Ela é a única que tem poderes suficientes para me derrotar e trazer a garotinha inútil de volta à superfície, e se ela já é bastante resistente ao soro, imagina voltar à superfície com os poderes daquela puta? Eu não poderia imaginar o estrago. E você não quer que isso aconteça, quer?— arqueou a sobrancelha, sorrindo amplamente quando o homem negou a contra gosto. De todos os seus “comandantes”, ele era o “menos pior”. — Foi o que eu pensei. Me dê a cabeça do Anjo, e eu lhe darei o exército que você quer.

O albino ergueu o queixo antes de assentir.

— No entanto, você terá que lidar sozinha com a fúria do Soldado. Dizem que os dois são ligados mentalmente. Foi assim que ela quase conseguiu escapar do nosso domínio. — alertou-lhe.

— Não se preocupe, eu sei lidar com o Soldado. — Pétala assegurou. — Não será ser a primeira vez que eu quebro um dos brinquedinhos dele. O que posso dizer...? Eu sou uma irmã ciumenta...

*

O lugar fedia a sangue e bebida barata.

De onde quer que Nat conhecesse esse tipo de pessoas, agora ela tinha certeza de que eles não valiam 1,99.

Machos fedorentos lutavam num ringue acima deles, enquanto outros machos fedorentos gritavam em sua torcida. Ela se concentrou em não virar a cara para os machucados nos rostos dos lutadores. Ela era uma enfermeira, pelo amor de Deus! Ela tinha que lidar com a carnificina.

Enquanto ela passava, um dos caras segurou em seu pulso, fazendo-a travar no meio do caminho, quase não conseguindo tocar a mão de Nat, que parou imediatamente de andar, seguindo seu sinal.

O cara chegou extremamente perto dela e roçou seu nariz na pele de sua bochecha esquerda, fazendo sua respiração tremular de medo, por conta de experiências passadas com os velhotes donos de terra com quem ela foi obrigada a lidar.

Ele disse algo em russo, atraindo o ouvido dos supersoldados, que viraram para trás imediatamente.

— Eu não faria isso se eu fosse você, cara grande. — Nat disse com um sorriso torto, segurando firmemente na mão que segurava seu pulso. — Se você olhar para trás de mim, vai ver quem eu trouxe para a nossa festa, e você não quer deixá-lo irritado, quer?

A fama de James fora da Hydra repercutiu bastante entre os russos fedorentos e fora da lei. Eles podiam reconhecê-lo facilmente sem máscara, o que significava que ele também conhecia aquele antro.

Seu coração ficou pequeno ao se dar conta disso.

Ela não gostava de pensar que ele havia se envolvido com esse tipo de gente.

Sem querer ofender, mas já ofendendo.

— Tire a mão da garota. — Nat falou pausadamente.

O cara fez o que ela disse, mas não sem antes dar um tapinha em sua bunda quando ela começou a andar para perto de seus amigos.

Antes que James pudesse fazer algo, porque ele havia ouvido o barulho do tapa, ela encheu sua mão com seus poderes e usou o impulso de sua posição para socá-lo fortemente, como o moreno havia lhe ensinado ao lado de Wanda.

O cara caiu no chão como o pedaço de bosta que ele era.

Irritada, ela caminhou pesadamente ao lado de James, que enrolou seu braço de carne em seus ombros, apertando-a contra si.

— Eu disse que te trazer seria uma má ideia. — ele resmungou.

— Você fique quieto, eu não quero brigar outra vez. — ela devolveu. — Agora, qual deles é o cara com quem nós devemos obter informações? — perguntou para Nat.

— Aquele careca ali. — apontou sutilmente com o queixo. — O que está cercado de garotas. — ela se estabilizou ao seu lado, antes de dizer: — Deixem que eu tome a liderança, eu farei um sinal para chamá-los.

Marnie assentiu e se aconchegou no corpo de James, que apertou-a ainda mais contra ele. Ela tocou a mão de Steve quando ele começou a ficar ansioso e inseguro, mudando a posição de seu corpo para ficar entre os dois supersoldados.

Natasha se aproximou do cara, trocando algumas palavras com ele antes de chamá-los com um aceno de mão sutil. Ela guiou os dois atrás da Viúva, que entrou numa sala com o homem.

A sala tinha uma atmosfera tão pesada, que Marnie quase não conseguiu ficar lá dentro. A vontade de encontrar suas amigas foi o que a segurou ali. Ela sentou-se ao lado de Steve, ainda segurando sua mão, enquanto Natasha e James se sentavam nas cadeiras mais próximas à mesa do careca.

Eles trocaram algumas palavras em russo, antes do homem começar a falar em inglês.

— Quem diria que eu viveria para ver a porra do Capitão América no meu bar?! — ele disse com um sotaque raspado, quase incompreensível. — O que o desespero não faz, não é mesmo? — seu amigo travou ao seu lado, endurecendo sua expressão. — Sobre o que nós iremos falar mesmo...?

— Você sabe exatamente o motivo pelo qual estamos aqui, então, se não for muito incômodo, que tal irmos direto ao ponto: o que você sabe sobre o paradeiro da Pétala Amaldiçoada? — Mary soltou, endireitando sua postura, fazendo o careca encará-la pela primeira vez na noite.

Ele fingiu surpresa com a sua explosão.

— Nossa, eu gostei dela. — disse, encostando-se na cadeira. — Você deveria trabalhar aqui, sabia? Metade dos meus problemas estariam resolvidos...

— Desculpe-me eu sou vingadora, não psiquiatra. Se eu quisesse trabalhar num hospício eu voltava para Hydra. — o cara ficou boquiaberto. — Agora... onde está a Pétala?

Ele arqueou a sobrancelha e olhou de Nat para James, que tinham expressões estoicas em seus rostos.

— Olha... eu só finjo que sei das coisas sobre a Hydra e...

Mary se levantou, seus olhos provavelmente estavam brilhando, porque isso acontecia quando alguém a deixava extremamente puta, e ela não dormia bem há mais de três dias, então...

— Escuta aqui, seu russo escroto do caralho. Você vai abrir a sua boca de esgoto, ou eu vou ter que fazer você falar do jeito difícil? — ela perguntou, aproximando-se da mesa com sua mão brilhando de roxo.

Ele ficou com medo dela, mas não demonstrou, com sua carinha de debiloide para o ar.

— Essa encenação toda é para dizer que você vai me torturar? — ele riu. — Desculpe-me princesa, mas você não pode fazer mal a uma mosca.

A pior burrada de um ser humano é subestimar quem ele acha que é menor que ele.

Com um sorriso ladino, Marnie adentrou o núcleo emocional do cara, intensificando o medo que ele já estava sentindo, fazendo-o arregalar os olhos ao se dar conta da picada que seus poderes davam no interior dele.

— Saia de dentro de mim! — o homem gritou, apavorado.

Ela arqueou a sobrancelha, sorrindo.

Então, alguém veio de trás dela, passando rapidamente entre ela e a mesa, pegando o cara pela gola da regata que ele usava.

Steve levantou o homem com toda a sua raiva. Seus olhos faiscavam e o azul havia se perdido em suas pupilas dilatadas.

— Chega de joguinhos, sua ratazana. — ele sibilou ameaçadoramente — O que você sabe sobre a minha noiva?

O homem engoliu em seco, aterrorizado com a atitude do Cap.

Acredite, ela também estava assustada com esse lado sombrio dele.

— Tudo bem, eu falo. — o cara sussurrou com a garganta seca. — Mas as informações que eu tenho podem não satisfazê-los completamente.

— Nós pegaremos o que você tiver para dar, contanto que seja a verdade. — Steve disse cerrando seu aperto contra o homem.

*

Ele e seus amigos estavam espalhados pelo perímetro do Triskelion.

Steve havia se escondido ao lado de Bucky e Marnie na floresta ao lado do lago, enquanto Visão, Pietro e Wanda estavam próximos às ruínas da antiga base da SHIELD, Tony e Sam faziam o reconhecimento aéreo, Clint estava empoleirado estrategicamente em uma árvore com dardos tranquilizantes preparados para atirar na Pétala assim que ela aparecesse.

Nat e Scott estavam do outro lado do rio, porque ele era o elemento surpresa, e a Viúva estava lá para dar um auxílio ao seu plano.

Segundo Dubrov, a próxima missão que a Hydra tinha escalado para a Pétala era invadir as ruínas do Triskelion para recuperar um artefato desconhecido no meio das ferragens.

— Então, alguém viu alguma coisa? — Tony perguntou, não tão sutilmente sobrevoando sua cabeça.

— Ainda nada. — Natasha respondeu. — Mas ela vai surgir logo, vocês saberão quando ela estiver aqui. Guiem-se pelo cheiro, mas se ela tentar alguma coisa, acionem as máscaras, porque esta é a Pétala, ela não se importa se vai matar alguém ou não. E lembrem-se, ela não vai pedir desculpas a vocês se ela te bater com força de mais. Ela não é a Lynna, ela não vai te ameaçar, ela vai fazer. Não fiquem na linha de tiro. Se ela tiver uma faca na mão, corram. E em zigue-zague, pelo amor de Deus! Não sejam burros como Rickon Stark.

— Nossa... — seu estomago congelou quando ele reconheceu a voz, por mais que não fosse a mesma que ele estava costumado a escutar. Esta era mais engrossada, mais acentuada, mas ainda se parecia muito com a voz de Anna. — Eu não sabia que vocês me conheciam tão bem... — ele ouviu o som dos passos dela através das folhas das árvores. Imediatamente, Bucky colocou Mary na frente dele, para que nada viesse por trás e lhe atingisse. — Nada mais justo, não é mesmo? Porque eu conheço todos vocês...

Ele olhou ao redor, tentando captar de onde a voz dela vinha, mas não conseguiu.

Nat fez sinal para eles começarem a se mexer, então foi o que ele fez, caminhando para o que restou da pista sob o rio. Eles se colocaram em posição de luta.

— Mostre sua cara, sua vadia! — Mary disse alto, olhando ao redor, com as mãos brilhando de roxo.

— Awn, você deveria me pagar um lanche antes de vir com apelidos, fofinha. — a voz da Pétala soou ao redor. Ele apertou ainda mais o domínio sob seu escudo, incerto se ele seria capaz de atingi-la com ele ou não. — Não é lindo? Os macaquinhos coloridos estão reunidos outra vez. — ela pousou graciosamente do topo da árvore em que ela estava, encarando-os com seus olhos doentiamente róseos. O coração de Steve deu um solavanco. Ele não esperava que a Pétala fosse aparecer sem máscara. Isso ia ser ainda mais difícil do que ele imaginava. — Sentiram minha falta? — ninguém respondeu, enquanto ela começava a andar lentamente pela pista. — Não? — riu. — Porque eu sinto falta de alguém... — ela segurou o tornozelo de Nat antes que o solado da bota dela atingisse seu rosto. Um sorriso brotou de seus lábios pintados de preto. — Olá, Natalia. Sempre tão previsível... não me admira que eu era melhor que você no balé.

Então, a Pétala jogou Natasha longe, que foi amparada pelos poderes de Wanda.

— Por que essas carinhas tão tristinhas? — a Pétala voltou a falar, fazendo bico. — Seria mais fácil para vocês se eu tivesse vindo de máscara? — perguntou-lhes, colocando a mão para tampar seu nariz e boca. — É penoso o quanto todos vocês se apaixonaram por uma menina estúpida que não sabe se defender nem da própria sombra. — o sangue dele ferveu quando aquele ser disse aquilo. Ela não tinha o direito de falar assim da sua violeta! — É uma pena que vocês nunca terão como salvá-la...

— O que você quer dizer com isso? — Steve perguntou, raivosamente dando um passo a frente, atraindo um sorriso para o rosto do parasita.

— Ah, Capitão! É sempre bom te ver! Você é mesmo um colírio para os olhos... — ela o saudou, caminhando até ele pela pista. — Devo dizer que com todo o soro em seu sistema, você não é surdo, é? — ela inclinou a cabeça levemente, sacudindo seus cabelos avermelhados que estavam sujos de tinta preta. — Sua pequena idiota está morta. Esta foi a única maneira que Hydra encontrou de me colocar no controle de tudo. — seu coração afundou. Não, isso não pode ser verdade! — Sinto muito ser a portadora das más notícias...

— Você está mentindo! — ele vociferou. — Ela não está morta!

A Pétala riu.

— Minta o quanto quiser para você mesmo querido, mas a sua amada Lyanna está morta. Eu a matei. — ela caminhou para mais perto dele. — E isso me deu mais prazer do que ver a sua carinha esperançosa desabar. — sorriu-lhe. — Ela não chorou, sabia? Deveria ter visto a cena... a vida deixando os seus olhos... ela chamou o seu nome quando caiu, mas você não estava lá para aparar a sua queda, do mesmo modo que você não estava lá para protegê-la quando eu voltei à superfície... — ela se aproximou ainda mais, o que foi o seu erro, levando em consideração às suas últimas palavras. — Mas foi melhor assim, não foi? Você se livrou de um fardo. Eu matei o monstro doente que te “amava”, você deveria me agradecer por isso.

Uma fúria cega se apossou de seu corpo. Ele não queria acreditar que aquele demônio estava falando a verdade.

— Steve, não! Ela está blefando! Ela quer que você perca o controle! — Marnie gritou, mas sua voz estava um pouco distante de si, tudo o que ele enxergava era vermelho.

A Pétala fingiu uma cara inocente.

— Se não acredita em mim, Capitão, veja por si só. — ela estendeu-lhe um saquinho contendo o seu anel de noivado e um punhado de fios ruivos enrolados lá dentro o pacote estava ensanguentado. O cheiro do sangue dela! Esticando o pescoço, ele viu um corte terrível na lateral do pescoço da Pétala. — Para construir um mundo novo, é preciso destruir o antigo. Sua menina fraca foi útil enquanto pôde, agora que nós não precisamos mais dela, ela foi descartada. É a lei natural das coisas...

Ela parou de falar quando uma de suas mãos enrolou-se em seu pescoço.

Os olhos do parasita que habitava o corpo da mulher que ele amava se arregalaram. A pele pálida dela se arroxeou onde ele apertava.

— Steve, para! — Mary insistiu. — É isso que ela quer! E se ela estiver blefando? Acha mesmo que a desgraçada que encheu a cabeça de Lya contra você não pode estar fazendo o mesmo contigo?

Seus olhos se arregalaram, olhando para a mulher abaixo dele.

De repente, os olhos dela se tornaram castanho-escuros outra vez. Seu rosto assumiu uma expressão frágil, então ela estremeceu.

— O que você está fazendo, krasivyy? — era a voz dela, da sua Anna. Ela estava de volta para ele! — Você vai bater em mim? — ela se encolheu, então ele a soltou, com os olhos arregalados e hiperventilando.

Rapidamente, ele se ajoelhou onde ela havia caído, tocando seu rosto. Ela não hesitou, o que foi bom. O corpo dela começou a tremer, então, uma risada sarcástica serpenteou no ar.

— Patético. — a voz da Pétala soou outra vez. Ela seus poderes para imobilizá-lo. — O amor é mesmo uma fraqueza... — riu-se, retirando o ar de seus pulmões com apenas um aceno de mão, levantando-se com uma expressão de escárnio em sua face. — Um soldado experiente, que convive com uma dezena de espiões, nocauteado por um par de olhinhos brilhantes... — ela negou com a cabeça, então jogou-o para fora da pista, arrancando um grito de seus amigos. — Agora eu sei porque é tão fácil de te derrotar, Steven. Você é ingênuo. Apesar de ter visto tanta merda no mundo, ainda é capaz de acreditar em meia dúzia de palavras bonitas... — ela apertou ainda mais o ar em sua garganta, fazendo-o sentir-se como se ele tivesse asma outra vez. De alguma forma, ela paralisou seus amigos, que tentavam chegar até ele, mas não conseguiam sair do lugar. Nem mesmo as meninas que tinham telecinesia. Ele começou a sentir os efeitos do veneno em seu sistema, que turvavam sua visão. — Eu devo dizer que os dois se mereciam na idiotice... — sorriu-lhe ironicamente. — Não me leve a mal, parceiro, mas eu estou nessa briga por mais de quarenta anos. Eu simplesmente não podia desistir tão facilmente, principalmente por causa de par de bolas, apesar delas serem bonitas... — ela abaixou-se em cima dele, respirando o cheiro de seu perfume, estranhamente lhe fazendo entortar-se com asco. Ela não é a minha princesa, ela não é a minha princesa, ele repetia em sua mente, dolorido. — Eu poderia te matar agora, principezinho, mas eu não vou. Porque você merece sofrer. Você merece passar o resto dos seus dias com a dor de nunca ter conseguido salvar a vida da sua garota. E antes de eu ir embora, é vital que você saiba: eu sempre venço, é como o mundo funciona.

Então, ela evaporou, mas não sem antes jogar o saquinho com o anel de noivado ao lado de sua cabeça.

Antes que o veneno o fizesse desmaiar, ele gritou, impotente, se recusando a acreditar que o que a maldita tinha fala do era verdade.

Notas finais
Filha da puta cara de pau essa Pétala... Até breve! PS: as palavras em negrito é a tradução das palavras russas em negrito do cap passado :)