The Captain and The Petal.
76 Seventy-forth Chapter. - You're worthy (Bonus).
Notas iniciais

Você é digna (Bônus).
Ele não sabia como mexer naquele amontoado de fios, mas a gentil SEXTA-FEIRA sabia, então ele pediu para que ela lhe permitisse adentrar clandestinamente a conversação que Mary Elizabeth estava tendo com Steven e James na sala de reuniões 1.
— Eu investiguei todos os padrões de bases da Hydra, mas nenhuma delas é tão fortificada quanto à da Sibéria. — James falou. Thor adoraria ver o que seus amigos da onça estavam fazendo, mas ele só teve acesso ao áudio. — A segunda mais fortificada não fica tão distante. É a base ucraniana. É uma das possíveis locações da Pétala.
— Mas ela está se movendo depressa, ela tem que estar numa base de suporte, não é? — ouviu a voz de Mary Elizabeth.
— Sim, de fato. — James respondeu. — Mas neste caso, devo dizer que a base ucraniana é uma excelente base para manter uma pessoa inflamável. Eu já estive lá. É um castelo enorme, com revestimento próprio para isso, ele foi modificado após um incêndio no século XVII. Eles devem estar mantendo Hanna lá. Este é o meu melhor palpite.
— Então, começaremos estudando-a a partir de agora. — Steven se pronunciou, arrastando uma cadeira. — Precisamos ter cem por cento de certeza antes de atacarmos.
— E em qual cidade fica esta base exatamente? — Thor sacou um bloquinho de notas e uma caneta de seu bolso, então escreveu “lembrar-me de beijar castamente Lady Mary quando voltar”. — Sabe, nós precisamos de qualquer informação possível...
Por um segundo, ele realmente achou que ela estivesse ajudando-o a cometer este ato de loucura...
Mas ela não mandaria Loki vigiá-lo como um cão de caça... mandaria?
— Se eu não me engano, o nome do castelo é Dudaev. Eu não me lembro o nome da cidade agora, mas não é difícil de encontrá-lo, de verdade. — James respondeu, também arrastando sua cadeira. — É a única base operante que a Hydra tem na Ucrânia. Está no radar de todo os ratos informantes.
Isso era tudo o que ele precisava ouvir.
Levantou-se da cadeira e colocou o bloco de notas de volta em seu bolso.
Como era de se esperar, ele encontrou Loki no final do corredor. Pelo menos, ele havia lhe dado privacidade em seus aposentos, caso contrário, Thor teria que amarrá-lo e ele não tinha tempo para lidar com as besteiras de seu irmão agora.
— Olá, irmão. — Loki o saudou com um sorriso gigante. — Eu estava pensando... que tal nós cedermos à preguiça humana e roubarmos aqueles marshmallows deliciosos que estão escondidos num cofre lá na cozinha, enquanto assistimos essa coisa chamada Netflix?
Thor franziu o cenho.
— Você fala do cofre abaixo da pia? — perguntou-lhe, enquanto caminhava ao seu lado para a cozinha.
— Esse mesmo. — seu irmão respondeu sorridentemente. — A Criança Bochechuda me emprestou a senha.
O loiro arregalou os olhos, segurando a risada.
— Ela quer ver a sua morte! — ele disse.
— Por quê? — Loki perguntou, confuso.
— Porque este cofre pertence à Lyanna, e ela tem ciúmes de todas as guloseimas que ela coloca lá dentro. — respondeu, rindo abertamente quando o sorriso de seu irmão morreu. — Mexer lá é uma má ideia, até mesmo para um deus.
Loki deu de ombros.
— Mas ela gosta de mim, então eu estou a salvo. — ajoelhou-se, digitando a senha.
— Eu não teria tanta certeza. — ele tentou aconselhá-lo, mas quando é que Loki acatou seus conselhos? — Ela também gosta de James e quase o matou por roubar seus doces... nem mesmo Steven tem permissão para colocar suas mãos nesse cofre...
— Eu já disse que estou a salvo, Thor! — Loki revirou os olhos. — Agora, já que você não quer ajudar e nem comer, pare de me encher o saco!
— Ok... — ele disse. — Então sacrifique sua vida por isso.
Dando de ombros, Thor esperou “pacientemente” que seu querido irmão ficasse distraído o suficiente para esquecer-se de sua presença. Ele inclinou-se outra vez para o cofre, assaltando as comidas de sua prima.
Com um sorriso amplo, o loiro escapuliu da cozinha da maneira mais rápida e o mais silenciosamente possível, disparando pelo corredor, antes de pegar impulso e pular a janela aberta, usando seus poderes para voar para a primeira copa de árvore à sua frente.
*
— THOR! — Loki berrou com um marshmallow na boca. Ele correu pelo mesmo caminho que seu irmão havia feito, não encontrando nada além de uma caneta esferográfica para trás. O moreno fechou os olhos com força. — Por Odin! Eu estou tão fodido...
Cinco segundos depois, a Criança Bochechuda apareceu na cozinha.
— Posso saber o porquê da gritaria? O que aconteceu com Thor? — Loki, ainda virado de costas para ela, fez uma careta. — Loki, por que eu estou sentindo a sua culpa?
Ele respirou fundo.
— Thor sumiu. — respondeu-lhe antes de virar-se para o seu olhar furioso.
— Cara, você só tinha UM trabalho! — por que é que ele se sentia culpado por culpa dessa coisa mesmo...? — E se algo ruim acontecer? Hm?! Pela mãe do guarda, como é que ele descobriu o possível paradeiro de Hanna?!
— Eu permiti que ele acessasse o áudio da sala de reuniões 1. — a voz fantasmagórica chamada SEXTA-FEIRA respondeu, fazendo a Criança Bochechuda enfiar o rosto nas palmas das mãos.
— Ótimo! — resmungou.
— O que é ótimo? — o noivo de sua prima perguntou, adentrando a cozinha ao lado de James.
— Loki deixou Thor fugir, porque SEXTA-FEIRA deixou Thor escutar a nossa conversa sobre o possível paradeiro de Hanna, só que aquela criatura não ouviu a conversa inteira! — a ruiva respondeu, ao ponto de entrar em desespero. Ela sempre foi meio dramática.
— Ai merda! — James bufou.
— Espera aí, isso quer dizer que para onde Thor foi, pode não ser onde Lady Hanna está escondida? — Loki arregalou os olhos.
— Sim. — Steven respondeu. — Ainda há outra base possível. Ela fica na Itália, e possui recursos melhores do que o castelo Dudaev.
Agora foi a vez dele de enfiar o rosto nas palmas das mãos.
— Eu não acredito que eu vou me ferrar por culpa da burrice de Thor! — rosnou. — Espero que o palpite de vocês sobre a Itália esteja errado.
— É. — DeLavega/Barnes resmungou de volta. — E nós também. Senão, eu irei arrancar as orelhas do seu irmãozinho. Agora, nós precisamos sair imediatamente. Chegar à Itália deve ser mais rápido do que chegar à Ucrânia, certo? Nós estamos correndo contra o tempo.
*
Ela tremeu, tentando fazer com que o lençol fino lhe protegesse do frio, mas era inútil.
Havia uma razão para Hanna comprar tantos cobertores felpudos.
Ela odiava o frio.
Não era como os seus irmãos, que haviam sido congelados e descongelados várias vezes com o passar dos anos. Não. O frio era o seu pior inimigo. Era com ele que a Hydra lhe torturava. Por todos os lugares de seu corpo.
Porque era assim que funcionava para uma pessoa com poderes inflamáveis como ela.
A pior parte era quando a jogavam num tanque de tenebrys sakura fervendo e depois jogavam-na na neve para “esfriá-la”.
Han tremeu outra vez, por causa da lembrança, e por causa de um trovão que rasgou o céu à distancia, após um relâmpago aparecer sob o mar. A cena poderia ser muito bela, se ela não tivesse pavor de trovões.
Tentando ignorar os barulhos aterrorizantes, ela ajoelhou-se no chão frio, tremendo, enquanto decidia entre dormir no “conforto” dos travesseiros, ou se ela colocava fogo neles para se esquentar.
Também tinha a opção de combustão completa, mas esta esgotava sua energia rapidamente. E sem energia, ela não sabia se conseguiria sobreviver às torturas da Hydra...
Suas chamas crepitaram até um determinado momento, então, a umidade as apagou. Xingando, Hanna tentou acender outra fogueira, controlando a quantidade veneno, mas mesmo assim as madeiras da cama derreteram por conta da acidez.
Xingando ainda mais alto, ela jogou o que sobrou da cama contra a parede, chorando alto.
Como era de se esperar, os filhos de uma cadela separaram-na de Lya, que havia sido enviada para alguma base de apoio na Rússia ou Eslovênia. Ela havia ficado ali, por causa do revestimento térmico, e por causa dos galões de veneno, uma vez que os da base da Sibéria haviam sido destruídos por seus amigos.
Ela estava tão sozinha, e com tanto medo...
A única vantagem era que ela não teria que lidar com Igor Priekov, aquele albino arrombado.
Mas ainda tinha Rachel, que era tão sádica quanto seu irmão. E para adicionar um bônus, tinha Ergor e seu pai. Ela achava que aquele desgraçado havia sido morto, mas não, sua vida tinha que ser fodida em nível alpha.
Outro trovão rasgou o núcleo da Terra, sacudindo o castelo.
Isto a fez arregalar os olhos, tremendo de pânico quando ouviu os gritos de alguns agentes abaixo dela, apesar do “revestimento acústico”.
Mais um trovão.
Agora, ela pôde ouvir o som de algo se quebrando, de pedras rolando, então mais gritos cortaram o silêncio sepulcral que havia caído sob ela após o primeiro som ensurdecedor.
O barulho de um raio rasgando algo soou, agitando seus ouvidos.
A ventania trouxe pingos de chuva para molhar seu rosto, fazendo-a enrolar-se ainda mais no cobertor inútil, tentando sufocar a dor das câimbras se formando em suas panturrilhas.
Ela fechou os olhos e rezou para os seus deuses, para que nada de ruim lhe acontecesse, para que algum milagre...
Um grito escapou de sua garganta, quando ela ouviu a parede oposta ao local onde estava sentada explodir.
Tudo o que ela sentiu foi a chuva batendo violentamente em seu corpo pequeno e encolhido. O vento uivava alto e os trovões estavam cada vez mais próximos. Ela não teve coragem de abrir os olhos, até que uma respiração pesada fez a curiosidade vencê-la.
O ar se prendeu em sua garganta. Seus olhos se arregalaram e sua boca provavelmente estava aberta em um “O” perfeito.
Em toda sua glória, estava Thor, o deus do trovão, com as mãos faiscando e um olhar aliviado em seu único olho azul, que havia se acalmado depois da explosão de eletricidade, parado no buraco que ele mesmo havia feito na parede de sua cela.
Suas pernas ganharam vida, ela não sabia o que era isso exatamente.
Talvez fosse apenas o fato de que ele era alguém que ela conhecia, e estava ali para levá-la de volta para casa.
Talvez fosse o fato de que secretamente ela gostava dele, e estava feliz que ele veio buscá-la...
Hanna simplesmente não saberia nomear o que sentiu quando simplesmente pulou nos braços da criatura que abraçou-a com força, apertando-a contra sua armadura molhada de chuva.
Ela não havia percebido que não havia parado de chorar, até que ele começasse a acalmá-la em sua língua materna.
— Você está segura agora minha flor. — ele murmurou em seu ouvido, tentando aquecê-la, enquanto ela tremia em seus braços. — Eu vou levá-la para casa. — ela assentiu suavemente. — Segure-se, a viagem será desconfortável.
Han gritou quando o corpo do loiro saiu do chão, voando para fora da base. Ela fechou os olhos e o apertou firmemente, decidindo que poderia lidar com os barulhos de raios rasgando, uma vez que estava completamente sustentada em seus braços.
— Você “roubou” um quinjet? — perguntou incrédula, quando Thor colocou-a sentada numa das poltronas da aeronave.
— Sim. Não foi difícil. Eu o peguei quando Samuel estava distraído. — deu de ombros, caminhando pela aeronave para fazê-la levantar voo.
Uma vez que eles partiram dali, ele enrolou-a em pelo menos dois cobertores felpudos que Mary e Lya costumavam esconder ao redor. Ela agradeceu-as mentalmente, encolhendo-se como um botão de rosa dentro deles.
— Como... como você me achou? Os outros te mandaram aqui? — disparou, batendo o queixo.
— Eu vim por conta própria. Ouvi James e Mary Elizabeth falando sobre este lugar. E eles também disseram que alguns foras da lei sabiam o local exato, então eu decidi vir, porque este era o elemento surpresa, o que ninguém estava esperando... uma oportunidade única... — ele respondeu, fazendo-a ficar confusa.
— Eu nunca fui boa para você, então porque você, ao invés de qualquer outro vingador, veio me salvar? — seu corpo se encolheu de vergonha.
Ele respirou fundo, um pouco assustado, como se não esperasse que ela fizesse essa pergunta tão cedo.
— Porque eu não poderia conviver comigo mesmo se algo de ruim lhe acontecesse. — respondeu, encarando-a intensamente com seu olho de safira. A respiração dela engatou.
— Como...? — murmurou. — O que eu tenho de tão especial que o faria se sentir culpado pela minha morte?
Ele deu uma risada seca, sem humor.
— Você é importante para o time, é a melhor médica que eu conheço e... — seus olhos se demoraram em sua figura, fazendo seu coração disparar fortemente contra suas costelas.
— E...? — ela perguntou, tremendo sob a intensidade do seu olhar.
— Você é parte da minha alma, eu jamais aguentaria perdê-la. — murmurou, corando suavemente.
Oi?
— Oi? — ela arregalou os olhos. Seu coração batia desenfreado, ela havia desaprendido a respirar, seu mundo se resumia ao brilho daquele olho tempestuoso, sua pele se arrepiou com a determinação que ele enviava para o seu corpo. — Isso não é uma piada, certo? — encolheu-se, mas estava começando a fervilhar de raiva agora. — Olha, eu sei que eu tenho sido muito cruel com você, mas fazer isso...
— Eu jamais brincaria com a você, minha senhora. — ele murmurou, arregalando o olho. — Eu jamais seria capaz de machucá-la.
— Como eu posso ser parte da sua alma, cara? — disparou. — Eu não tenho nada de especial para te oferecer!
— Como não? — ele finalmente virou-se completamente para ela, após ter colocado o quinjet no piloto automático. — Como você pode não enxergar o quão doce você é, o quanto se importa com os outros, o modo como brilha quando sabe que é capaz de curar alguém?
— Você diz isso porque não sabe o quão podre eu sou. — ela riu sem humor, cruzando os braços. Pelo menos seu corpo já não tremia de frio. — Você não sabe a quantidade de coisas ruins que eu fiz antes de chegar até aqui.
Ele esticou-se um pouco, apoiando os cotovelos em seus joelhos, encarando-a firmemente.
Era isso que ela não gostava nele. O modo como ele podia perfurar sua alma com apenas um olhar. Desde que se conheceram tem sido assim.
— Eu sou um guerreiro, minha senhora. Eu já vi tudo o que os Nove Reinos podem mostrar de podridão, e posso lhe afirmar que a senhora não é e jamais será podre. — disse com convicção. — O que lhe aconteceu foi uma covardia, eu conheci sua história, e sei que as pessoas que macularam o seu corpo são pessoas cruéis, você não teve escolha, sua vida foi tirada de si antes mesmo de nascer.
Ela respirou fundo.
— Mesmo assim, isso não me faz digna. — engoliu em seco. — Eu aprecio sua preocupação por mim, vossa alteza, mas eu simplesmente não posso aceitar isso.
Afastou os olhos dele, encolhendo-se para que ele não a visse chorar.
O que ela fez para merecer uma criatura dessas em seus pés?
Hanna pulou sob o toque do loiro, que havia se ajoelhado à sua frente, ele tinha um olhar desesperado que a fez arregalar os olhos, surpresa. Ela nunca estava pronta para o modo como ele a olhava. Como se ela fosse o centro do universo dele.
Suas bochechas queimaram.
— Por favor, não diga isso. — murmurou, com sua voz se acentuando mais que o normal, enquanto descia alguns semitons. — Eu que não sou digno de você. Da sua graciosidade, da sua beleza, da sua bondade. Não importa quanto eu tente, eu jamais merecerei um sorriso seu.
Ela corou fortemente, tendo dificuldades de encará-lo propriamente.
— Mas...
— Meu coração pertence a ti, desde o momento em que eu a vi naquela cápsula. — ele murmurou suavemente, cortando-a, fazendo seu coração disparar ainda mais por causa de suas palavras. — Quando eu era pequeno, minha mãe sempre me falava sobre a lenda das almas gêmeas. Ela era uma bruxa, e podia prever certas coisas sobre o futuro de seus filhos. Ela me disse que eu estava destinado a encontrar a única mulher digna de trazer paz à fúria existente em meu coração. E essa mulher é você. Eu tive certeza disso no instante em que Mjolnir voou para suas mãos, coisa que ninguém mais pôde fazer além de mim.
Hanna ficou muda, apenas encarando as dobras da armadura de Thor, que pareciam mais interessantes que essa conversa.
Não que a conversa não fosse interessante, longe disso.
O fato era que ela não conseguia pensar em algo inteligente para dizer depois de tudo aquilo.
— Por que eu? — balbuciou, custando a acreditar. — Eu sou só a filha indesejada de dois cientistas malucos, eu não tenho sangue real, eu não tenho nada para oferecer ao deus do trovão!
O toque suave em seus joelhos se intensificou, assim como o olhar dele.
— Eu não preciso que me dê nada além do que quiser me dar, eu não preciso de terras, conquistar fronteiras ou outros planetas. — Thor murmurou, esticando um pouco sua mão, mas ainda meio incerto se ela permitiria que ele tocasse seu rosto. Han não conseguiu expressar uma emoção imediata, chocada com aquela declaração. — Eu só queria ter a honra de merecer um sorriso seu, então eu poderia morrer feliz, porque eu mereci algo vindo da minha flor, da minha rainha, da minha alma gêmea.
Aquilo foi como um soco em seu estômago.
Ela jamais esperava que essa coisa mística fizesse parte da sua vida.
Ela era só uma menina azarada que “deu sorte” de nascer no ventre de uma cientista da Hydra, após se bombardeada com o composto sanguíneo de uma deusa.
Em sua cabeça, Hanna achava que não merecia nada de bom, porque foi isso que lhe disseram desde pequena: que ela era uma marionete, um utensílio, algo descartável que uma vez que começasse a dar problema, seria facilmente substituída.
Tudo o que ela tinha de bom era sua família. Eles lhe provaram que seus próprios pais estavam errados. Então, a vida lhe deu mais pessoas para cuidar dela, e agora...
Oh céus!
Agora havia um ser de outro planeta ajoelhado em frente a ela, dizendo que ela era um pedaço da alma dele, dizendo que não se importava com o seu passado, porque ele é quem não era digno dela...
Han chorou, assustando-o.
— Eu... — ele xingou algo em sua língua desconhecida. — Sinto muito! Eu deveria ter ido com mais calma e...
O loiro parou de falar quando ela tocou seu rosto, negando com a cabeça.
— Está tudo bem, Thor. — murmurou, sorrindo para ele, fazendo o seu rosto ceder em surpresa. — Eu não sei como o universo achou que seria uma boa ideia fazer de mim parte de sua alma, mas...
— Mas...? — ele murmurou de volta, arrastando-se esperançosamente para mais perto de seu corpo.
Ela sorriu outra vez, resolvendo mostrá-lo sua resposta, ao invés de recitá-la.
Quando seus lábios se encontraram, um estrondo forte fez a aeronave chacoalhar, assustando-a para longe do loiro, que segurou suavemente em suas mãos, rindo alto.
— Sinto muito, foi culpa minha. — disse-lhe brilhantemente.
Ele era tão bonito como um sol à meia-noite.
O seu sol.
Apesar desde momento quase romântico, ela bateu em seu ombro, fazendo-o arregalar os olhos.
— Eu tenho medo de trovões! — murmurou, corando envergonhadamente.
Thor riu baixinho, estendendo a mão para tocar o seu rosto.
— Não se preocupe, teremos tempo para fazê-la se acostumar a isso. — piscou.
Excitação nervosa rolou por sua barriga, fazendo-a corar um pouco.
Suas mãozinhas subiram pelos braços grossos do loiro, parando em seus ombros. Ela inclinou-se para frente, e ele fechou o espaço entre os dois, tocando seus lábios pela segunda vez.
Foi como se ela estivesse pegando fogo de dentro para fora, intensificando-se quando suas bocas se abriram suavemente, então suas línguas se encontraram. Ela não saberia dizer quem foi que gemeu, mas algo aconteceu consigo quando sentiu ela sentiu o gosto dele explodindo em seu paladar.
Seu corpo foi travado contra a armadura do mais alto, enquanto suas mãos subiram para a pele exposta de seu pescoço, arranhando suavemente aquela área.
Outro trovão alto sacolejou o quinjet, os dois se separaram com suaves selinhos.
— Venha comigo para o meu lar, permita-me torná-la minha senhora. — ele pediu suplicantemente, tocando seu rosto como se ela fosse feita de porcelana.
— Vá com calma, garoto grande. — ela riu baixinho, inclinando seu rosto para o toque dele. — Nós acabamos de nos entender. Não devemos dar um passo maior do que nós estamos preparados para dar agora, ok?
Ele abriu um sorriso iluminado.
— Eu posso esperar o tempo que for necessário, mas eu só quero que saiba que eu quero fazer de você a minha rainha. — seu coração disparou, fazendo-a sorrir minimamente. — Eu só quero que todos saibam o motivo dos meus sorrisos.
Ela corou, tocando seu rosto com carinho.
— Eu não sou perfeita... — começou, mas ele negou com a cabeça, silenciando o seu comentário negativo sobre si mesma.
— Eu também não sou perfeito, Hanna. — seu nome sendo pronunciado por aquela voz deveria ser considerado um pecado. — Jamais fui. Tenho 1500 anos de vida, e já fiz coisas consideradas terríveis por vocês humanos, conheci e vi a maldade de perto, lutei batalhas sangrentas e enfrentei inimigos três vezes mais perigosos que a Hydra e a Pétala. Perto de tudo isso, você é uma ninfa boa demais para viver neste mundo.
Ela se permitiu sorrir com o que ele disse.
— Eu tenho cicatrizes, coisas que não dão para mascarar. Um passado cheio delas... — murmurou, tentando avisá-lo do que iria ver.
— Meu amor, todo mundo têm cicatrizes. — ele disse carinhosamente. — São elas que contam a nossa história. Você não deveria ter vergonha delas, porque elas foram importantes para construir quem você é agora.
Ela beijou seus lábios suavemente, como se agradecesse por suas palavras.
— Me leve para o seu lar. — murmurou, acariciando sua barba macia, que ainda estava molhada. O olho dele faiscou com o que ela disse.
— Então você...? — sua careta de dúvida era tão fofa...!
Ela riu.
— Tire sua mente da sarjeta! — riu alto. — Eu só imagino que seria o último lugar que a Hydra pisaria. Se eles estão tentando nos perseguir, não seria inteligente voltar imediatamente para o Complexo, porque essa seria e escolha mais óbvia não?
Ele assentiu.
— Foi o que eu pensei anteriormente. — declarou, levantando-se. — Devo avisar aos outros que nós conseguimos sair?
Hanna ponderou por alguns segundos, antes de negar com a cabeça.
— Ainda não. — disse sorridentemente. — Do jeito que eles são desesperados, é bem capaz de pegarem o primeiro quinjet para nos encontrar. E é melhor eles se concentrarem na missão de encontrar Lya primeiro, é só você mandar um sinal de vida de um raio anônimo. — ela pulou da cadeira, caminhando enrolada nos edredons. — Então eles saberão que estamos “juntos”. — sorriu outra vez, atraindo um sorriso dele.
— Tudo bem, eu o farei, agora acomode-se, você ainda está com frio. — indicou seus lábios arroxeados, fazendo-a dar um sorriso preguiçoso.
*
Eles desceram num campo aberto, que dava lugar a um vilarejo amável com casinhas no estilo de boneca. Um sorriso involuntário escapuliu de si quando ela começou a andar pela grama verdinha, estremecendo ao entrar em contato com o frio da chuva recente.
Percebendo seu desconforto, Thor puxou-a sem cerimônia para seus braços, fazendo-a soltar um gritinho surpreso com o seu gesto.
Ele riu baixinho.
— Você deveria ter me esperado, min blomst. — murmurou contra seus cabelos, fazendo-a estremecer suavemente.
— Eu posso andar. — ela resmungou, cruzando os braços, mas ele não veria porque ela estava escondida debaixo dos edredons.
— Eu sei que pode. — disse-lhe carinhosamente. — Mas está frio, e as queimaduras em seus pés precisam ser tratadas antes, portanto, deves tomar cuidado ao andar.
Ela assentiu, encostando sua cabeça no ombro dele, apreciando o ar fresco vindo do mar.
Se seu subconsciente tivesse alguma influência sob ela, Hanna teria medo de voltar para um lugar próximo ao mar, porque essa atmosfera lhe lembrava a da base em que ela estava trancafiada.
Mas a atmosfera de Nova Asgard era apenas tão... aconchegante. Era como se ela estivesse em casa, algo que ela não sentia no Complexo, por mais que lá fosse o seu lar, onde estava cheio com os seus amigos...
Fechou os olhos, sentindo a brisa acariciar seu rosto, então, uma voz a assustou um pouco.
— SEU CACHORRO! — Loki gritou. Ele estava parado há alguns metros dele, próximo às primeiras casas da vila, com as mãos na cintura e um olhar revoltado em seu rosto pálido. — VOCÊ PODERIA AO MENOS TER ME AVISADO, ENTÃO EU FUGIRIA ANTES DE APANHAR DA CRIANÇA BOCHECHUDA!
Criança Bochechuda?
Ele estava chamando Mary de bochechuda? Ele não tinha amor à vida dele? Porque somente ELA poderia colocar apelidos assim na sua amiga.
— Se eu tivesse dito que estava fugindo, não seria uma fuga. — Thor disse divertidamente, com um sorriso travesso no rosto.
Hanna teve que concordar com ele. Seu argumento não estava de todo errado.
Loki respirou fundo e apontou um dedo para ele.
— Vocês dois irão voltar para o Complexo, agora! — tá boa!
— Não, nós não vamos. — Han se pronunciou, fazendo o moreno olhar para ela, então ele revirou seus olhos esverdeados.
— Seja a voz da razão aqui, Hanna! Vocês precisam voltar, entendem?! Meu pescocinho está em cheque! — Han nunca viu aquela criatura tão desesperada.
— Eu sei disso. — o loiro se pronunciou. — Mas Hanna precisa de cuidados, ela precisa se alimentar e a Hydra está em nosso encalço. Não seria inteligente irmos para lá agora, portanto, ficaremos pelo menos dois dias por aqui. — ela assentiu, concordando com o que ele disse. — Seria inteligente você ficar por aqui também, porque uma vez que nossa prima descobrir que você roubou os doces dela, você terá uma morte trágica.
Loki estreitou os olhos para o irmão.
— Você roubou os doces de Lya?! — perguntou assustada, gargalhando quando ele assentiu. — Foi legal te conhecer, cara. Manda lembranças para Ultron quando você chegar no “céu”. — ele rosnou algo como “vocês se merecem” e saiu pisando duro. — Ele sabe que vai morrer, não sabe?
O loiro deu de ombros.
— Eu tentei aconselhá-lo a não fazê-lo, mas... ele nunca acatou meus conselhos. — disse-lhe, então sorriu. — Vou levá-la para dentro, então chamarei o nosso curandeiro, sim?
Ela se encolheu, não gostando da ideia de ter alguém cuidando de suas cicatrizes feias.
— Não. — murmurou, escondendo o rosto em seu peito. Ela não levantou a cabeça para ver sua reação, mas ele a apertou, como se tentassem confortar a sua insegurança. — Eu posso cuidar disso sozinha, só precisarei de ajuda para conseguir os medicamentos, ok? Não precisa incomodar ninguém...
— Tudo bem, eu a ajudarei. — isso lhe acalmou. — Por mais que você jamais incomodasse alguém.
Ela riu baixinho.
— Obrigada por isso, mas eu não quero que outras pessoas vejam... — sua frase morreu, e Han esperava que Thor pescasse sua referência, por mais que ele conseguisse ser meio tapado às vezes...
— Certo. — eureca! — É só me dizer tudo o que precisa, e eu irei buscar para você.
Ela deu-lhe um pequeno sorriso, então passou a acompanhar o seu movimento pela casa, que parecia ser relativamente grande para o padrão que ela havia visto antes de entrar.
Era feita de madeira, com moveis rústicos adornando-a. A decoração era completamente masculina e despreocupada, perfeita para um homem solteiro que era um príncipe guerreiro alienígena nas horas vagas.
Em um quadrado de vidro, ela viu os destroços do seu martelo. Levantou-se lentamente, tomando cuidado para que seus pés feridos tocassem apenas o tapete felpudo.
Hanna esticou a mão direita para tocar a superfície gelada, quase pulando no lugar ao conseguir sentir a energia que Mjolnir ainda trazia consigo, apesar de ter sido destroçado pela irmã mais velha de Thor, como Lya havia lhe contado.
— Minha irmã Hela destruiu-o após a morte de meu pai, quando ela foi liberta de seu exílio. — a voz do loiro a cobriu. Ele provavelmente vinha da cozinha, mas ela não saberia dizer ao certo, ainda estava hipnotizada pelos cacos do martelo. — Loki conseguiu recuperar os fragmentos, então eu o guardei...
— Lya me contou sobre sua história desafortunada. — murmurou, ainda observando o quadro, correndo os olhos pelas runas ainda à mostra. — Você ainda tem esperança de que ele possa ser consertado? — perguntou curiosamente, voltando-se para ele.
O loiro sorriu, negando com a cabeça.
— Não, ele não tem mais conserto, infelizmente. — respondeu-lhe, caminhando até onde ela estava. Ele tinha uma túnica longa enrolada em seus braços. — Foi tudo o que eu consegui. — mostrou-lhe a peça de roupa, que provavelmente arrastaria no chão, devido ao seu tamanho. — Eu lhe prometo que arranjarei algo decente para vestir com Brunnhilde amanhã...
— Está tudo bem, querido. — Han murmurou. — Qualquer coisa que você me der será melhor do que a camisola fina que a Hydra me deu para vestir.
Sorriu sem mostra os dentes, fazendo-o sorrir brilhantemente.
Ela sentiu um formigamento crescendo entre suas pernas e isso fez suas bochechas corarem fortemente.
— Venha. — ele disse enrolando-a mais uma vez em seus braços. Hanna tinha que admitir que estava gostando de ser o centro das atenções agora... — Precisamos mantê-la aquecida. — ela foi levada através da casinha aconchegante, subindo as escadas, então seu corpo foi depositado em cima da privada, enquanto Thor tomava a frente e ligava a banheira. Demorou alguns segundos, até que a água estivesse no ponto. Ele olhou para ela, enrolada em todos aqueles cobertores e deu um sorriso mínimo. — Eu a deixarei se banhar sozinha. Os itens de higiene estão na gaveta mais próxima à banheira. — apontou-lhe o armário, fazendo-a assentir. — Sua roupa pode ser colocada no cesto. — mostrou-lhe o cesto azul do outro lado da banheira. — Vou deixar sua roupa limpa em cima deste banquinho.
Ela assentiu sorrindo para ele.
— Obrigada. — murmurou.
Ele sorriu de volta.
— Não há de quê. — disse-lhe e fechou a porta.
Han escapuliu de dentro dos cobertores, estremecendo ao entrar em contato com o ar frio vindo do mar. Ela quase cedeu à ansiedade e à vontade de gritar para que o loiro voltasse para dentro, porque ela precisava de companhia. Ela não se importaria que ele a visse nua, ou que visse suas cicatrizes... ela só precisava de alguém ali para fazê-la acreditar que estava mesmo segura.
Seus dedos trêmulos encontraram o caminho para os botões. Ela desfez um por um, tremendo seu queixo quando a frieza chegou à sua pele nua.
Hanna choramingou ao esbarrar em seus mamilos doloridos, duros como pedra e ainda um pouco inflamados pela tortura que havia sofrido. Ela jogou o sutiã dentro do bolo que havia feito de seu vestido, então retirou a calcinha.
Adentrou a banheira rapidamente, quase gemendo ao sentir a quentura de volta ao seu corpo.
Ela afundou-se de cabeça naquela poça de amor, levando todo tempo do mundo para se aquecer, antes de começar a ensaboar o seu corpo, que foi uma missão difícil, uma vez que havia queimaduras espalhadas por sua pele delicada.
Quando terminou, usou uma das toalhas espalhadas pelo banheiro, vestiu a túnica sem usar nenhum tipo de roupa íntima e voltou a se enrolar nos edredons, então caminhou para fora, seguindo o cheiro de comida.
Há quanto tempo ela não comia?
Thor estava na cozinha, ao lado de uma mulher de pele amorenada, com cabelos negros que desciam em cachos grossos por suas costas. Ela usava roupas de pescador e mexia um conteúdo dentro de um pote.
Sua atenção foi atraída para ela.
— Oh! Então você é a garota que conquistou o rei do drama! — a mulher saudou-a sorridentemente. Hanna sentiu-se um pouco intimidada, mas sorriu, apesar de suas bochechas estarem bastante vermelhas. — Acho que não tivemos uma apresentação apropriada. Sou Brunnhilde. — ela limpou as mãos no avental e estendeu uma para ela. — Qualquer coisa que precisar, pode me chamar, mas não garanto que serei de extrema ajuda. — piscou.
A pequena riu, apertando a mão da mulher.
— Sou Hanna. — disse-lhe de maneira um pouco mais polida do que sua aparência. — Sou a médica do Complexo dos Vingadores.
Brunnhilde sorriu.
— Ah, eu sei disso. — disse-lhe de maneira divertida. — Esse idiota aqui não calou a boca sobre você um segundo. — o loiro baixou a cabeça, envergonhado. — Bem, meu trabalho por aqui está acabado, espero que vocês não vomitem. — Han riu baixinho, colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha. — Eu trarei algumas peças de roupa para você, Hanna, uma de minhas alunas tem um tipo de corpo parecido com o seu. — a pequena sorriu para ela. — E quanto a você, Thor, não queime a casa, tem comida na geladeira. Acho que vou poder parar de ser sua babá por um tempo. Vou ver o que Loki está fazendo, não dá para confiar nele um segundo!
— Não diga isso, ele está mudando. — o loiro defendeu seu irmão, arrastando uma cadeira para que Hanna pudesse se sentar. — E não sou eu que incendeio as coisas!
Ela sorriu minimamente, arregalando os olhos de leve, para depois fulminá-lo com os olhos, fazendo-o dar um sorriso amarelo.
— Sendo assim, você pode tocar fogo nele, ninguém vai sentir falta. — Brunnhilde falou, fazendo-a rir.
— Vou manter isso em mente. — disse-lhe amistosamente. — Obrigada, Brunnhilde.
Ela fez um gesto de descaso.
— Não por isso. — sorriu e acenou. — Até mais!
— Até mais! — os dois disseram em uníssono. — Então... eu não sabia se você comia peixe, por isso eu pedi para Brunnhilde trazer frango... e nós fizemos um ensopado de frango, logo, logo estará pronto. É bom para esquentar.
— Uh, tudo bem, não precisa se preocupar com isso, eu como de tudo um pouco. — sorriu. — E eu cresci com a comida oriental, o que significa que estou acostumada a comer coisas exóticas. Obrigada.
Ele sorriu também e se levantou para continuar a mexer a panela.
Em quinze minutos, eles comeram o ensopado, que era um manjar dos deuses perto da comida que ela havia tido nessas longas semanas trancafiada, o que a fez lembrar que...
— Por quanto tempo eu estive longe? — murmurou, olhando para Thor por cima do prato.
— Por mais ou menos três meses. — ele respondeu. — Todos estavam extremamente preocupados. Examinamos dezenas de bases, mas não obtivemos nenhuma resposta positiva... — ela abaixou os olhos para o prato, engolindo em seco. — Eu tenho que perguntá-la... você sabe alguma coisa sobre Lyanna?
Era nesse ponto que ela não queria chegar.
— Não. — murmurou tristemente. — Eu não tenho nenhuma ideia. — olhou para o loiro. — Tudo o que eu me lembro, é de que eles nos separaram por alas, então, logo após nossa missão na Noruega, eu vi três agentes colocando Lya numa van. Depois disso eu não sei mais de nada. — ela sentiu algo bastante quente em sua mãozinha quando as primeiras lágrimas caíram. — Sinto muito por ter queimado você. Eu poderia ter te matado!
— Está tudo bem. — ele murmurou de volta. — Não houve nenhum dano. Conversaremos mais tarde com o time sobre o que aconteceu na Hydra, certo? Eu não quero perturbá-la.
Han assentiu.
— Como você conseguiu sobreviver? — questionou depois de um tempo de silêncio. — Eu já vi pessoas se desintegrarem na minha frente com as minhas chamas. Eu derreti aquelas armaduras de Tony sem ao menos piscar...
Ele apertou suavemente sua mão.
— Eu sou imune aos seus poderes. — respondeu-lhe, deixando-a surpresa.
— Como... como...?
— Eu não sei como. — o loiro deu de ombros. — De verdade. A única coisa que eu sei é que quando as chamas se dissiparam, eu estava lá, intacto. Mary Elizabeth me chamou de Daenerys Targaryen por isso. Eu nem sei o que significa!
— Claro que ela fez. — Hanna revirou os olhos, rindo. — Ela gosta de citar referências da cultura pop. Depois eu posso te explicar tudo... — deu de ombros. — Sinto muito por isso, de verdade. Eu ou a Pyra... eu. Eu não tive a intenção de te queimar, foi só que quando você fez chover sob minha cabeça, eu me reconectei comigo mesma, entende? — ele assentiu, prestando atenção em suas palavras. — A Hydra usa isso em mim como método de tortura, para me fazer submeter aos comandos deles. Eles me jogam num tanque de veneno, me fazem queimar e depois jogam água em mim, porque é doloroso me “apagar”. — choramingou. — É pior quando usam gelo.
Mostrou-lhe uma marca vermelha em seu braço direito, fazendo-o arregalar seu olho, levantando-se da cadeira.
— Eles fizeram isso com você? — questionou, preocupado.
Hanna assentiu, estremecendo sob o seu olhar.
— Eu tenho mais delas. — murmurou, encolhendo-se. — Por todo corpo.
Ele engoliu em seco, tocando seu rosto para afastar suas lágrimas.
— Sinto muito. — murmurou de volta.
— Você não tem culpa disso, querido. — sorriu-lhe, inclinando sua cabeça para a quentura dele. — Eles só fizeram isso porque eu queimei a mão do meu pai quando ele tentou encostar em mim.
O olhar dele se tornou brilhante de ódio.
— Este homem odioso está vivo?! — sua voz saiu carregada, e isso poderia assustá-la, se ela não convivesse com Bucky e ele geralmente não era um mar de rosas.
— Sim. — ela respondeu, com a cabeça baixa. — Mama não. — fungou. — De todos os males, ela nunca quis isso. E foi morta porque queria me levar embora da Hydra. — ele acariciou sua bochecha. — Eles me puniram por tentar matar o “milagre” deles.
— Este homem merece a morte. — ele rosnou baixo, e isso lhe causou reações estranhas.
— De fato, mas eu não quero conversar sobre ele. — disse-lhe tocando a mão que segurava seu rosto. — Eu posso dormir?
Ele arregalou os olhos.
— Claro! — disse apressadamente. — Venha, eu irei arrumar a cama para você. — levantou-a em seus braços.
— Mas e a... — apontou para mesa.
— A louça pode esperar. — respondeu-lhe, abrindo a porta do quarto. — Precisamos mantê-la aquecida e numa boa cama. O resto pode esperar.
— Eu não mereço você. — ela declarou, sentando-se nas cobertas, tremendo um pouco quando ele retirou seus cobertores para enrolá-la nas peles que haviam na cama.
— Nós já tivemos esta conversa. — ele murmurou. — Por favor, não vamos voltar lá.
Ela assentiu, então arregalou os olhos.
— Erm... os medicamentos! — disse alarmada. — Você poderia buscar alguma coisa para mim? Eu posso fazê-los, só preciso dos ingredientes e meus pés...
O loiro assentiu.
— Imediatamente. — ela sorriu para ele, que deixou o quarto num pé e voltou no outro. — Estes ingredientes são muito bons para queimaduras. — o loiro sentou-se ao seu lado, com uma bandeja repleta de algumas ervas e gel de babosa. Além dos ingredientes, havia uma tigelinha e um amassador. — Eles ajudarão?
Ela assentiu, sentando-se propriamente, enquanto equilibrava a bandeja em seu colo.
— Sim, eles são ótimos! — sorriu, colocando as ervas dentro da tigela, para depois começar a amassá-las. — Parece muita coisa, vocês têm vários casos de queimaduras por aqui?
Ele encolheu os ombros, rindo um pouco.
— Na verdade não. — respondeu. — As crianças daqui são bastante comportadas, no geral, e não há muitos casos de queimaduras, ou pelo menos é isso que o curandeiro nos diz. É só que...
Ela riu, estreitando suavemente os olhos.
— São para você? — perguntou divertidamente.
Ele corou.
— Sim. — ela riu mais alto. — Não ria! Eu tenho uma razão para isso! — riu com ela. — Não dá para confiar em certas brincadeiras de Loki. E ele... nós...
— Eu entendi. — murmurou suavemente, adicionando o gel à mistura. — Agora... eu precisarei da sua ajuda, já que você está aqui. — ele assentiu prontamente. — Há certos pontos do meu corpo, como nas costas que eu não consigo alcançar e precisarei de mais um par de mãos.
— Tudo bem. — ele concordou.
— Ok, eu começarei com as áreas onde eu consigo alcançar... então te chamo para continuar onde eu não consigo alcançar... — olhou para ele, então fez um gesto para o mesmo se virar. Ele franziu o cenho. — Você poderia virar de costas? — corou um pouco. — É eu preciso passar por todo corpo, e não deu para vestir a mesma roupa de baixo então...
Os olhos dele se arregalaram, então ele assentiu, virando-se de costas.
Lentamente, Hanna colocou a bandeja ao seu lado e puxou a túnica para cima, começando a passar a mistura por suas pernas, subindo para a barriga e os seios, onde as queimaduras eram piores. Os lugares onde ela podia alcançar se acabaram quando ela terminou de passar nos braços e ombros.
A pequena retirou a túnica completamente, enrolando-a nos braços para proteger a sua frente, por mais que Thor não fosse vê-la, estando ela de costas.
— Hm... — ela pigarreou. — Você poderia esfregar o gel nas minhas costas?
Ele não respondeu, então ela só podia adivinhar.
Han soltou um silvo alto quando sentiu algo geladinho em suas queimaduras.
— Sinto muito. — Thor murmurou, fazendo-a rir baixinho.
— Tudo bem. — murmurou de volta.
Ela teve que morder o lábio quando ele começou a esfregar suas costas outra vez, após ter afastado seus cabelos para o seu ombro. Os calafrios que ela estava sentindo não tinha nada a ver com o frio, ou com a sensação molhada do gel.
Seu corpo formigou e ela sentiu-se um pouco mais quente, principalmente quando a mão forte e calejada do loiro desceu ainda mais pelas suas costas.
Seus mamilos doeram, raspando no tecido áspero da túnica que ela usava.
— Terminei. — a voz dele estava um pouco mais rouca, talvez por causa da tensão que havia sido construída.
Hanna assentiu, escorregando o tecido de volta para cobrir o seu corpo. Rapidamente, ela colocou seus cabelos longos cobrindo a denúncia de sua excitação, como se estar nua e quase arreganhada na cama não fosse o suficiente para denunciar que ela havia ficado animada com a “massagem” que havia ganhado.
— Obrigada. — ela murmurou com a voz trêmula, corando ao sentir-se queimar de dentro para fora.
— Não precisa me agradecer, min blomst. — ele sorriu galantemente, recolhendo a bandeja e se arrastando para fora da cama.
Han podia ver o olhar que ele tinha no rosto, o modo como seu peito subia e descia por baixo de seu moletom, o modo como seus cílios varriam o alto de sua maçã esquerda...
Quer saber? Foda-se.
Ela já havia esperado tempo demais para fazer o que queria fazer com aquele pedaço de carne, desde que ele havia lhe incomodado com seus olhares, com suas promessas silenciosas de que os dois pertenciam juntos...
Han aprendeu com seus amigos que se havia uma oportunidade única à sua frente, ela deveria agarrá-la com unhas e dentes, porque com o passado que ela teve e o com o histórico de desgraças que ocorreram consigo, ela simplesmente não podia desperdiçar tempo.
Segurou seu pulso, impedindo-o de prosseguir, fazendo-o encará-la em alerta.
Com toda a força que ela não tinha, puxou-o para si, colando seus lábios como ela havia feito no quinjet, só que dessa vez, havia mais fogo em seu beijo.
A bandeja saiu voando pelo quarto, explodindo a tigela contra a parede. Seu corpo foi não tão suavemente – mas ainda de maneira cuidadosa – puxado para cima do corpo do loiro, que segurou-a com firmeza pela cintura, auxiliando-a a montar sua coxa.
— Diga-me para parar. — ele sussurrou contra a carne do seu pescoço. — Diga-me para parar, então eu deixarei este quarto e não a incomodarei de qualquer maneira, mas se decidir continuar, eu a amarei como se fosse meu último dia de vida.
Ela engasgou, sentindo seus poderes coçarem para sair, o que estava se tornando insuportável. Do jeito que ela estava, era bem capaz daquela casa ser incendiada em questão de segundos.
Por alguns instantes, ela ponderou as palavras dele, mordendo o lábio inferior.
Se ele queria, se ela queria, então qual era o problema?
Caralho, como eu posso ter me esquecido disso?!
Ele iria caber?
Era uma pergunta idiota de se fazer, mas...
Ela não era o maior ser da Terra, e Thor era o cara mais alto, grande e grosso que ela conhecia. – não, ela não contava com os seguranças filhos da puta que a Hydra havia engrossado com anabolizantes. – Ele tinha esse porte de guerreiro forte e impiedoso e ela só podia adivinhar como o seu martelo seria.
— Há algo de errado, meu amor? — ele voltou a falar, fazendo-a corar fortemente.
— Eu... — merda, ela ia realmente pegar fogo de vergonha? — Eu só estava me perguntando se nós... — enfiou sua cabeça no vão do pescoço dele. — Se você...
— Se nós dois não nos encaixaríamos? — murmurou contra sua bochecha, fazendo-a corar ainda mais.
— Sim. — ela resmungou contra a pele dele.
O filho de uma mãe bruxa riu.
— Minha querida, nós fomos feitos para nos encaixarmos. — respondeu, acariciando seus cabelos. — Não tenhas medo. Se estiver mesmo pronta para nos amarmos, eu a prepararei propriamente para me receber.
Ela sentiu algo como um raio de excitação atravessar seu corpo e incomodá-la no centro de suas pernas. Os lábios suaves do loiro flutuaram pela pele de seu pescoço e rosto, até chegar aos seus lábios, beijando-a com intenção de maldade.
Hanna soltou um longo gemido, espalmando suas mãos nos ombros de Thor, que puxou-a para se adequar melhor em cima dele, escorregando sua florzinha nua para pairar em cima de seu comprimento duro como pedra.
Ela tentou não imaginar o quão grande ele era e o quanto ela sabia que ele não iria caber, focando no momento, entrando no clima de seus beijos apaixonados e calorosos.
Suas mãozinhas desceram pelo moletom, abrindo o zíper da frente, porque ela tinha um vago palpite de que ele não usava nada por baixo disso. E estava certa. Seus curtíssimos pelos dourados se mostraram lentamente, arrancando sua respiração ao ver o pedaço de carne exposta.
Aquele homem não possuía uma grama de gordura! Pelos céus!
Retirou o casaco de seus ombros, deslizando suas palmas quentes por sua pele suada.
Thor por sua vez, manteve suas mãos paradas em sua cintura, que parecia fina demais para seus membros enormes.
Lentamente, ela correu seus dedos pelos membros alheios, sentindo-os tremularem sob o seu toque. Mergulhando seu rosto para o vão do pescoço dele outra vez, Han pôde sentir seu cheiro forte e sensual de chuva. Ela jamais imaginaria que o cheiro de terra molhada seria tão excitante. Isso a instigou a morder suavemente sua pele, arrancando um som grosso e excitante do loiro.
— Última chance, é isso o que você quer, min blomst? — sua voz era tão... ugh!
Tremendo, Hanna posicionou sua fenda no membro duro como rocha abaixo dela, esfregando-se contra ele, espalhando seus sucos no tecido de sua calça, arrancando outro gemido do mais alto.
— É o que eu mais quero por um longo tempo, então... — mordeu o lóbulo de sua orelha. — Dê isso para mim, meu trovão. Me ame como se fosse o seu último dia na Terra.
Seu corpo foi depositado contra os travesseiros, enquanto sua boca era reivindicada pelo loiro enorme, que com todo cuidado do mundo, tocava-a como se ela fosse feita de vidro.
Quando o ar se fez necessário, ele desceu sua boca para beliscar delicadamente a pele em seu pescoço, tomando cuidado com as queimaduras em sua pele.
Han não teve tempo de se envergonhar quando a túnica foi removida de seu corpo, expondo-a para o brilho de sua única safira. Ele parecia ter sido atingido por algo forte.
Lenta e finalmente a vergonha lambeu-a como labaredas.
Ela sabia que não era boa de mais. A brincadeira havia acabado.
Seus braços se enrolaram ao seu redor, escondendo-se de mais vergonha, foi quando as mãos ásperas de Thor seguraram gentilmente seus pulsos.
— Não se esconda de mim, pequena ninfa. — disse ainda mais suavemente que seu toque. — Você não tem noção do quão bonita realmente é.
Ela engoliu em seco, guinchando quando suas pedrinhas foram sugadas pela boca quente dele, fazendo suas costas arquearem. Ele cuidou de seus montes suaves com bastante empenho, fazendo-a sentir-se bem com o tamanho deles, que não eram exorbitantemente gigantes, nem extremamente pequenos, mas estavam numa média, pelo menos. Eles faziam um bonito volume em seus vestidos, era o que ela queria dizer.
A boca dele desceu mais, contornando carinhosamente as marcas em seu corpo, tomando extremo cuidado para não machucá-la ainda mais, o que ela achou fofo, mas a fofura “morreu”, quando os pelos macios de sua barba rasparam contra a pele sensível de suas coxas internas, que tremelicavam.
— O que você... AH! — um grito escapou dela quando a língua do mais alto sondou sua pequena flor, até o ponto crucial que pulsava nervosamente. — Thor!
Ele soltou uma risada que estrondou seu corpo do melhor jeito, estrangulando sua respiração, enquanto ela tentava se controlar para não entrar em combustão.
— Grite para mim, min nymfe. — sua voz profunda fez rolar um rio de lava em sua barriga. — Min dronning.
Ela torceu os cobertores, envolvendo seus dedos na pele macia abaixo deles, intensificando seu aperto conforme ele intensificava os movimentos de sua língua, e não havia coisa mais perturbadora, porém maravilhosa que aqueles movimentos.
— Thor, eu não vou aguentar... — murmurou com a voz tremendo. — Eu não consigo me controlar...
— Então não se controle. — ele sussurrou contra suas carnes, beijando sua flor como se estivesse beijando sua boca. — Queime para mim, pequena.
Com um grito, ela se permitiu libertar-se, entrando em combustão, perturbada – da melhor forma – com a disposição do loiro, que apesar de ela estar literalmente pegando fogo, ele continuava comendo-a como se não houvesse amanhã.
Seus braços grossos enrolaram-se ao redor de suas coxas, puxando-a ainda mais contra sua boca, se é que isso fosse possível...
Houve a consciência de que ela incendiaria os lençóis, mas ele não parou. Não até que ela soltasse outro grito, desta vez mais alto e estridente, lançando uma cortina de chamas por cima do corpo de Thor, que arqueou as costas, lambendo os traços deixados pelo seu orgasmo.
Hanna caiu de volta no colchão, de volta à sua forma normal.
O loiro distribuiu beijos doces por sua pele, ajudando-a a controlar sua respiração. Ela soltou um guincho quando ele escorregou um dígito grosso para dentro dela, fazendo-a estremecer pela superestimulação, então ele escorregou outro, arrancando um gemido alto de sua garganta.
— Sente-se pronta? — perguntou-lhe, movendo seus dedos dentro dela. Sabendo que não teria coordenação para falar, ela apenas assentiu. — Se não estiver verdadeiramente pronta, nos podemos...
Rapidamente, ainda com seus dedos dentro de si, Hanna lembrou-se das aulas de Nat e enrolou suas coxas ao redor do quadril do mais alto, empurrando-o para cama com um golpe só, impedindo-o de reagir.
Ela escapuliu de seu domínio e montou seu abdômen, fazendo-o sentir o quanto ela estava molhada.
— Há uma coisa sobre mim que você precisa saber meu trovão. — disse-lhe petulantemente, segurando seu comprimento maciço e quente, acariciando-o ao ponto de fazê-lo revirar sua safira. — Eu sempre termino o que começo, e eu quero que você me mantenha aquecida.
E com isso, ela afundou-o dentro de si, vendo estrelas ao senti-lo preenchendo-a completamente.
Merda.
Talvez colocar tudo de uma vez havia sido um erro, mas ela não podia evitar...
Um trovão alto rasgou o céu, estremecendo a cabana. Ela sabia que havia partido dele, e ao invés de fazê-la se encolher de medo, Hanna brilhou de excitação.
Logo que ela começou a se mexer em cima dele, uma tempestade de raios e trovões desceu sob o local, a pequena sustentou-se em seu peito para poder alavancar seus quadris, contando com a ajuda das mãos grossas do seu príncipe guerreiro, que soltava pragas em sua língua materna, assim como ela o fazia.
E ainda tinha gente que não sabia que dava para xingar em coreano...
— A casa... — ela conseguiu balbuciar, sentindo a pressão retornar à boca de seu estômago. — Ela vai queimar.
— Não se preocupe com isso. — Thor gemeu profundamente, apertando seus quadris, alavancando os dele para que viessem de encontro com seu botão inchado. — Ela é encantada. Você pode queimar o quanto quiser, meu amor.
— AAAH! — ela gritou, jogando a cabeça para trás, enquanto rolava seus quadris contra a pélvis do loiro.
Seus poderes atingiram o pico e ela permitiu-os se expandirem, cobrindo seu corpo por inteiro, até mesmo outras partes. Isso arrancou um grito grosso do deus abaixo dela, que preencheu-a com sua semente morna, fazendo-a alcançar seu ápice logo atrás dele.
Quando seu corpo esfriou, ela se jogou contra o peito do mais alto, respirando com dificuldade.
— Cacete! — resmungou, firmando-se contra o calor dele. — Eu ainda não consigo nomear o que foi isso.
Ele riu baixinho, acariciando suavemente suas costas.
— Não se preocupe, teremos tempo para nomear o que quisermos. — respondeu. — Agora durma, eu ainda estarei aqui quando acordar...
E com isso, ela deixou sua cabeça cair para o vão do pescoço do seu trovão, dormindo embalada pelo cheiro de chuva que ele trazia, sob a sinfonia da tempestade lá fora.
Ele tinha razão. Talvez ela conseguisse se acostumar à isso.
A esta história de ser digna de alguma coisa...
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