Notas iniciais
Talvez eu poste um ou dois ainda essa semana, eu tenho pelo menos vinte e nove capítulos prontos :) :)

Fuga.

A cela escura recebera uma rajada de luz muito forte naquele dia.

Lyanna franzira o cenho, como se estivesse fazendo uma pergunta para a escuridão sobre o que estava acontecendo. Eles nunca permitiam que ela saísse andando normalmente pela base. Eles tinham medo dela quando estava sem o controle da lavagem cerebral. Era como se ela fosse matá-los a qualquer momento. E ela o faria mesmo.

Surpreendera-se por reencontrar os olhos frios do amigo.

— Buckie? — questionou, avaliando-o de baixo para cima.

— Sou eu, Lya. — apenas ele a chamaria pelo apelido indesejado e a faria rir. — Vem cá.

Ela correu, apertando-se em seus braços, espremendo-o o quanto podia.

— Pensei que você estava congelado. — ela murmurou.

— Fui um bom garoto. — ele devolveu. — Vem, eu preparei algo para você.

Ela o acompanhou até o corredor que tinha as grandes máquinas de choque. Eles atravessaram tudo aquilo, indo até uma pequena e muito apertada varanda, que dava vista para o vasto deserto da Sibéria.

Lynna sorriu, com o ar que recebera no rosto, após muito tempo.

— Obrigada. — seu sotaque russo estava carregado. — Eu acho que precisava disso.

Bucky ficou em silêncio por alguns segundos, voltando a encará-la com tristeza nos olhos azuis.

— Por quanto tempo você pode ficar em forma de gás? — tomou aquilo como curiosidade, então sorriu.

— O suficiente quando bem alimentada. — respondeu.

— Você tem treze segundos. — ele disse, beijando sua testa.

Ela arregalou os olhos, sentindo as lágrimas virem.

— Mas... Buckie... — murmurou. — Iríamos juntos...

Ele negou.

— Você vai. — determinou. — Perdeu mais que eu aqui. — ela não sabia exatamente do que ele estava falando. Ambos haviam perdido muito ali. — Eu vou protegê-la, Lya. Até o fim da linha.

Então, ele agarrou sua cintura com seu braço de metal, dando-a uma última oportunidade de beijá-lo na testa, então a jogou para o mais distante que conseguiu da varanda, fazendo-a esforçar-se para se transformar em gás no meio do ar, como treinara várias vezes, entubada.

Os gritos e tiros vieram treze segundos depois, como ele havia dito.

Lynna viu o cara que adotara como irmão mais velho ser puxado e empurrado para dentro com violência, sem resistir, com um sorriso bobo no rosto, por ter conseguido permiti-la fugir.

Ela quis chorar, mas sabia que não podia.

Sumiu dali como pôde, decidida a tirá-lo daquele inferno da mesma maneira. Ele era sua única família.

*

Os agentes da Hydra que conseguiram interceptá-la não chegariam à base nunca mais, contudo, ela sabia que não poderia ir muito longe sem um disfarce. Definitivamente, ficar onde ela estava era estupidez, ela precisaria de um abrigo para continuar com seu plano de libertar seu parceiro, contudo, não conseguiria isso sozinha.

Com uma expressão decidida, ela cerrou as portas da base de apoio, recolhendo os files numa bolsa-carteiro.

Em todo o mundo, só havia uma pessoa capaz de ajudá-la, e contando com tudo o que havia acontecido na última vez em que elas se encontraram, Lynna não queria forçá-la a nada, mas era a sua única opção.