The Captain and The Petal.
59 Fifty-seventh Chapter. - Aggressive reunion.
Notas iniciais

Reencontro agressivo.
Na manhã seguinte, Lynna foi para sua consulta com a doutora Jones. Ela já estava um pouco mais falante com a mulher. Contou-lhe um pouco de seus medos, um pouco sobre a missão em que ela salvou o bebê, e sobre os seus sentimentos em relação às homenagens que recebeu tanto de Laura, quanto da mãe do menino.
Ela nunca quis saber o nome dele, em sua cabeça, ela não queria se apegar a ele mais do que já estava, e acabar desabando por saber que o perdeu.
Tudo o que ela sabia foi o que Fury contou. Ele chegou em casa em segurança, seus avós deram uma festa. Ele estava limpo, não havia nenhum veneno da Hydra em seu corpo. E isso era tudo o que ela precisava saber.
A mulher falou algumas coisas, deu-lhe algumas dicas, então, ela lhe deu uma tarefa a fazer.
Desenhar no papel toda a sua angústia, tudo o que lhe deixava mal.
Lynna pegou uma cartolina e começou a fazer desenhos abstratos com giz de cera preto. Tudo parecia terrível e deprimente, então ela começou a mudar as cores, até que elas chegaram a vários tons claros de azul.
A mulher lhe disse que ela deveria enterrá-lo. Tipo, literalmente.
Isso figurativamente estaria dando um fim às suas angústias mais profundas, por mais que ela não fosse como Mary, e não pudesse erradicá-las de verdade.
Ela também disse para enterrar os restos mortais do seu cabelo, que ainda ficavam em cima da sua cômoda numa caixinha de acrílico.
Meio contrariada, ela entendeu o que a doutora quis dizer: que ela precisava seguir em frente. E para seguir em frente, ela precisava se livrar de alguns pesos em seu passado. E sem sombra de dúvidas, seus cabelos faziam parte disso.
Eles sofreram com muito com ela ao longo dos anos.
Antes da Hydra sequestrá-la, eles eram uma nuvem de cachinhos muito enrolados, como se fossem cascatas de fogo. Ela os amarraria em intricados penteados e eles enrolariam perfeitamente ao redor de sua face.
Eles ficaram nessa textura até os seus dezesseis, quando a Hydra começou a fazer experimentos com o seu corpo, então passaram a grosseiramente cair, num ponto em que ela imaginava que ficaria careca, e aquilo quebrou o seu coração.
Ela não costumava ser uma garota fissionada com seus cabelos, mas o tempo e toda a violência que ela sofreu lhe fez assim. Seus cabelos passaram a ser o escudo que protegia a sua tristeza das pessoas más que queriam feri-la. Eles escondiam o seu rosto das coisas que ela não queria ver, e à noite, eles foram o único cobertor que ela poderia ter.
Quando eles começaram a alisar e ficaram ralos, foi quando ela soube que havia perdido praticamente toda a sua essência, assim como a sua inocência de criança. A Lyanna, filha de Scar havia morrido. A que surgia agora, era uma mulher totalmente diferente da que Amber-Rose havia criado. Uma mulher amarga e sem razões para lutar, porque todas as razões dela haviam sido completamente destruídas.
Agora, a vida estava lhe dando uma segunda chance, e ela estava ansiosa para aceitá-la.
Ajoelhou-se diante do canteiro de violetas, a única coisa boa e pura que restou de seu relacionamento passado, posicionou a cartolina dobrada dentro da caixa com os seus cabelos, assim como algumas outras coisas, então lacrou-a, depositou-a no buraco aberto e se levantou, pronta para começar a enterrar.
Contudo, ela quase enfartou com o grito de Tony Stark em seus ouvidos.
— O que diabos você está fazendo, Lady Tóxica?!
Voltando-se para ele com os olhos arregalados, ela largou a pá em seus pés, com o susto.
— Se você queria me matar era só puxar a faca, Stark! — gritou de volta, brava.
Ele arregalou os olhos.
— O que você está enterrando? — questionou-a, se aproximando.
Lynna bufou.
— Mas você é curioso para cacete, cara! — resmungou, ainda se recuperando do susto. — Você não deveria estar no laboratório há essa hora, ao invés de estar assustando pessoas inocentes?
Ele arqueou a sobrancelha.
— Eu não sabia que pessoas inocentes faziam buracos em propriedades alheias. — ironizou.
— Bem, o canteiro é meu, então... isso não significa que o buraco está na minha propriedade? — rebateu, abaixando-se para pegar a pá. Revirando os olhos depois, porque o olhar curioso de Tony não cedeu. — Eu estou fazendo uma das lições da doutora Jones.
— Eu pensei que você não gostasse dela. — ele rebateu, caminhando até o seu lado, tendo uma visão ampla da caixa acrílica.
— Eu acho que ela é uma bêbada, mas pelo menos eu a respeito. Ela me disse que eu deveria me livrar das coisas que me deixavam angustiada. — ele agachou-se para ver as coisas dentro do buraco, então lhe deu um sorriso triste.
— Eu imaginei que deveria ter presentes de Rogers aqui... — murmurou.
Ela encolheu os ombros.
— Eles não me angustiam. — respondeu-lhe fracamente, corando. — Mas você nunca ouviu isso de mim.
Ele bufou uma risada, então seu semblante ficou sério.
— Olha... eu não estou tentando te induzir a nada, tanto é que eu nunca falei nada sobre vocês dois, mas... você nunca chegou a imaginar a possibilidade dele nunca ter te traído? — murmurou, levantando imediatamente o dedo indicador, cortando-a quando ela ameaçou rebatê-lo. — Eu sei o que você vai dizer, mas apenas pense. Você pode confiar em sua própria mente? —então, ele se levantou. — Boa sorte em seus enterramentos, Lady Coveira.
Ela bufou.
— Você não vai mudar meu apelido para isso, Stark. Ou eu sou capaz de fazer uma loucura. — ameaçou.
— Uh... como subir num poste pintada de rosa-choque? — provocou.
— Eu posso ou não contar a Mary que você colocou o nome dela como Lady Espanha no sistema. — balançou as sobrancelhas. — Você sabe que está jogando um jogo perigoso, não é? Ela vai ficar muito puta quando descobrir isso.
— Eu sei disso. — ele riu. — Essa é a graça da vida. Viver perigosamente... — piscou. — Reflita sobre o que eu disse.
Então finalmente se afastou, adentrando o Complexo.
No primeiro momento, enquanto estava enterrando a caixa, Lynna não quis pensar sobre o que Tony havia lhe dito.
Mas era inevitável.
De repente, as imagens muito realísticas de Rogers beijando Sharon passaram e repassaram em sua mente, como um disco arranhado. E a todo o momento, ela procurava por uma falha, algo que pudesse fazê-la verdadeiramente desconfiar da verdade.
Mas o problema era que não dava! Era tudo muito perfeito, tudo muito bem arquitetado.
O local, a proximidade, o conhecimento dela ali, o abraço, o beijo.
Era tudo muito real para haver alguma falha.
Então, sua mente foi mais longe, para quase cinco ou seis anos atrás, quando ela havia acabado de chegar à Torre, logo após a queda da Hydra dentro da SHIELD – ou pelo menos a maior parte dela, levando em conta que ainda haviam partidários deles dentro do Complexo hoje em dia... –, quando Sharon se tornou uma ameaça para o hipotético relacionamento dela com Steven. O dia em que ela passou a admitir que sentia ciúmes dela com o loiro.
Naquele dia, na sala de TV da Torre, ela viu Carter olhar para si com uma cara triunfante, como se lhe dissesse ‘eu posso tê-lo, você não’, e isso lhe fez fervilhar, lhe fez ver que ela o queria. E que possivelmente deveria lutar por isso.
Comparando as duas cenas agora, ela podia dizer que Sharon era declaradamente a sua rival.
Mas será?
Caralho, ela tinha uma víbora miserável dentro de sua própria mente, controlando cada pensamento suicida que ela tinha!
Então será, apenas será que ela poderia confiar inteiramente em si mesma?
Levantou os olhos para o CT, onde Barnes e Rogers lutavam. Em algum momento da luta, eles pararam para conversar e ambos riram amplamente, quase que puramente. E aquilo mexeu com ela, lhe deixou intrigada.
Havia uma ligação ali, uma parecida com a que eles tinham. Lealdade.
Ela podia sentir a lealdade de Steve por Bucky. E isso lhe fez se questionar se ele seria capaz de traí-la.
Aquele homem praticamente perdeu tudo o que ele havia conquistado para defender o seu amigo, uma vez que ele sabia que ele era inocente. Ele brigou com seus amigos, sua família, para protegê-lo. Aquilo era um laço forte.
Lealdade e confiança não são algo que se conquista facilmente.
Steven seria um homem que quebrava a sua lealdade facilmente? Será que sua lealdade mudava para cada tipo de relacionamento?
Respirou fundo, adentrando ainda mais em seu universo de perguntas.
Ele traiu Tony para defender Bucky, pensou. Ele não lhe contou a verdade sobre seus pais, ele escondeu bastante coisa dele...
Dois pesos e duas medidas?
Mordeu o lábio.
Se Tony soubesse a verdade sobre Bucky da boca de Steve, ele teria sido capaz de ajudá-lo? Ele teria sido capaz de reconhecer que seu amigo não teve culpa dos atos que a Hydra o obrigou a cometer?
A resposta era óbvia.
Não.
Assim como ele não a perdoou quando deduziu que ela também havia escondido isso de si, ele não iria perdoar Bucky.
As coisas poderiam ter sido mais brandas se ele tivesse sabido antes?
Talvez.
Apesar de prever o futuro, ela não saberia o que dizer.
Mas questão aqui não era Stark, e sim Rogers e a sua lealdade.
Um dia, ele havia lhe dito que preferia se machucar, antes que alguma coisa pudesse chegar até ela. Então, ele esteve mentindo sobre isso?
Era tão confuso...
Fechou os olhos com força.
Todas as vezes que ele a olhava, havia amor ali. Uma coisa que não era endereçada a todos ao seu redor. Era algo só dela. Algo que apenas ela era capaz de despertar nele, assim como sua risada mais sincera.
Uma lágrima solitária rolou por sua face, quase que em reconhecimento.
Se for verdade o que Tony lhe perguntou, se sua mente é mesmo um caos e que a Pétala a manipulou para bloquear a verdade dentro de si, ela cometeu um erro terrível!
Na tentativa de machucar Steve, imaginando que ele havia machucado-a primeiro, ela acabou destruindo algo puro e verdadeiro: o coração dele.
Então, talvez a Pétala estivesse mesmo certa.
Ela destruía tudo o que tocava, e com Steven não foi diferente.
Respirou fundo, terminando a “cova”.
Talvez a doutora Jones esteja errada. Talvez não seja o cabelo o maior culpado pela minha angústia.
Talvez eu devesse apenas me enterrar viva. Essa seria a solução dos meus problemas...
Ela estava prestes a terminar o seu raciocínio, quando a terra começou a tremer embaixo de seus pés. As folhas das árvores começaram a farfalhar violentamente, então um vento vindo do leste a fez arregalar os olhos.
O Complexo estava sendo atacado!
Imediatamente, a pá vermelha tornou-se uma arma, então ela saiu correndo do canteiro, indo para o CT, onde a maioria dos Vingadores operantes estavam. Eles se reuniram no meio do gramado, cada um mais armado que o outro, pronto para chutar a bunda de quem se intrometesse em seu meio.
Seu coração palpitava forte contra as suas costelas, quase machucando-a.
Finalmente, uma nave circular foi avistada, descendo numa velocidade extremamente rápida de encontro ao solo.
Uma luz cegante a fez estreitar os olhos.
Então, um som alto, quase como um grito de guerra fez com que todos pulassem do lugar.
— AMIGOS! — a voz gritou.
— Pelo amor do caralho! — Hanna rosnou ao seu lado, cruzando os braços. — Todo esse drama para ser a Barbie do Espaço batendo na porta?
A pequena revirou os olhos quando o feixe de luz cedeu, mostrando-os a visão de Thor, que parecia ainda maior, ao lado de uma mulher que vestia uma bela armadura branca e prateada, um homem vestido de verde-escuro e dourado e... BRUCE BANNER?!
Ela deu um passo à frente, reduzindo sua arma a uma pérola vermelha, que ela escondeu no seu bolso da calça.
Thor abriu um sorriso amplo quando a viu no meio do povão.
— Vocês sentiram a minha falta? — ele perguntou, descendo a rampa da nave espacial.
— Não. — Hanna disse alto o suficiente para fazê-la rir baixinho.
A quem aquela criatura queria enganar?
Seu primo estava vivo! Isso lhe deixou bastantemente feliz. Assim como saber que Bruce estava com ele, por mais que ela não conseguisse imaginar como.
Thor havia mudado drasticamente. Seus longos cabelos loiros se foram, agora ele tinha um tapa-olho no lado direito de sua face, sua barba estava maior, e segundo sua perspectiva de visão, ele não possuía mais Mjolnir.
O homem vestido de verde fez todo mundo se armar outra vez, então ela percebeu quem ele era.
Loki.
Ignorando todos os olhares hostis vindos dos três vingadores que lutaram contra ele em Nova York, seu primo ficou um pouco atrás de Thor, então, ele olhou em sua direção, estreitando os olhos e inclinando sua cabeça num ângulo de 35°, para depois olhar para Thor.
— Por que essa senhora é exatamente igual a Lady Aleksanna? — questionou-o fazendo Thor arregalar os olhos.
Puta merda. Seu primo lerdo não havia contado ao irmão que ela estava viva.
— Ah! — o loiro bateu em sua própria testa, fazendo-a revirar os olhos, incrédula com aquele ser. — Você se lembra da filha dela, não lembra?
— Você está falando da nossa prima Lyanna? — o moreno de olhos esverdeados questionou sarcasticamente. — É claro que eu me lembro dela, Thor!
— É ela. — Thor apontou para onde Lynna estava, fazendo Loki encará-la com os olhos arregalados. — Irmã Natasha a encontrou.
Contrariando tudo o que ela havia ouvido de Loki, o deus da trapaça sorriu amplamente para ela, carinhosamente.
Então, ignorando ainda mais toda a hostilidade que seus amigos lhe passavam, ele caminhou por entre as pessoas reunidas, apertando seu corpo num abraço esmagador de ossos.
— Eu pensei que jamais iria voltar a vê-la. — ele disse contra seu cabelo, enquanto ela enrolava seus braços no corpo dele, que era ligeiramente mais alto que si. — Quando cheguei à Ivenorra eu pensei que era tarde demais...
Ela se afastou dele, fungando.
— Você a viu? — perguntou-lhe.
Loki assentiu tristemente, secando sua lágrima.
— Sim. — murmurou. — Ela me chamou naquele dia. Em seu último suspiro, ela me disse para procurá-la, porque ela disse que as pessoas que lhe capturaram não iriam parar de persegui-la se descobrissem quem você verdadeiramente é.
— E quem eu verdadeiramente sou? — essa era uma pergunta que rondava sua mente constantemente.
Ele encolheu os ombros.
— Eu não sei. De verdade. — sorriu-lhe carinhosamente.
Aquele homem à sua frente estava muito longe de ser o tirano que matou milhares na intenção de dominar a Terra.
Ela sorriu de volta.
— É bom finalmente reencontrá-lo. — disse-lhe.
— Eu também, criança. É uma pena que eu não tenha nada para você. Se alguém tivesse me falado antes... — estreitou os olhos para Thor, que sorriu culpadamente, coçando a nuca.
Lynna fez um gesto de descaso.
— Ah, Thor esteve comigo por pelo menos um ano e meio. E ele não sabia quem eu era, sendo que não existem muitas Lyannas Angianova por aí. — deu de ombros.
— Thor pode ser meio tapado às vezes. — o moreno disse, também dando de ombros.
Hanna engasgou uma risada, tossindo um ‘concordo’.
A primeira pessoa a se desmontar da pose de sentido foi Rogers, que avançou um passo para onde ela e Loki estavam. Imediatamente, o moreno ficou com as costas eretas, meio que entrando em sua frente, na intenção de protegê-la do Primeiro Vingador.
Ele ficou alguns segundos encarando seu primo, antes de se voltar para Thor e Bruce, e a outra mulher, que estava plenamente apenas ouvindo tudo o que era dito.
— É bom tê-lo de volta, Thor. — ele disse endurecidamente, talvez por causa da presença de Loki ali. Imediatamente, ela ficou na frente dele. Ela não o tinha visto lutar contra seus amigos em Nova York, mas ele era sua família. Sua família de sangue. E aquele homem, em sua percepção, não parecia uma ameaça. Ela podia ver através do véu em seus olhos, porque ela sabia como reconhecer uma pessoa quebrada. E talvez Mary também pudesse, pois ela estava lendo-o quando seus olhares se cruzaram e ela assentiu para si. — Bruce... eu acredito que vocês tenham uma história fabulosa para nos contar sobre como vocês voltaram juntos para cá, mas... ele não poderá ficar aqui.
Em sua visão periférica, ela viu Tony e Nat concordarem com ele.
De verdade, ela não queria desmerecer a raiva que os três sentiam por seu primo, mas ela também não iria ficar calada, não quando o moreno atrás de si se encolheu com as palavras venenosas de seu Capitão.
— E por que não? — ela questionou-o, fazendo-o encará-la imediatamente, como se ela tivesse dito Hail Hydra para ele.
— Como assim, por que não, Lyanna? — rebateu, endurecendo ainda mais a fala. — Você sabe o que seu primo fez, não sabe?
— Desde que eu cheguei aqui, é tudo sobre o que falam. — ela rosnou. — Eu sei o que aconteceu aproximadamente sete ou oito anos atrás, Rogers, mas faz muito tempo, não acha? Sim, eu sei que vocês e a Terra jamais poderão se recuperar do ataque, eu sei que vocês o odeiam, mas vocês não podem largar o maldito ego de super heróis de vocês por um segundo e perceber que ele verdadeiramente se arrepende? — avançou um passo.
— Ela está certa. — a voz de Mary os fizeram se dispersar rapidamente, atraindo olhares curiosos para ela. — Você está em luto. — disse para Loki, que encarou-a interessadamente. Estranhamente, isso fez um certo supersoldado moreno apertar sua mão de metal? Hm... — Você não fez por que quis... — os olhos de seu primo se arregalaram. — Você se arrepende do que fez, porque isso lhe custou tudo... sua mãe...
— Pare. — Loki pediu. — Eu entendi, empata.
Ela ficou quieta, em sua expressão calma que lhe dava nos nervos.
— Votre jugement ne me convainc toujours pas. — o loiro disse para a sua amiga.
Eram raras as vezes que ela o via conversar com alguém em francês. – algo que era extremamente quente – Marnie era uma das únicas pessoas que falava fluentemente a língua. A única coisa em francês que ela podia falar, era que ela não sabia falar francês.
— Nous en avons parlé, Steven. — ela rebateu, levantando a sobrancelha para ele, que travou o maxilar.
— Ce sera votre responsabilité. — disse-lhe, apontando o dedo indicador para ela, que ergueu o queixo, para depois assentir.
Rogers assentiu para Tony, que bufou.
— Lembre-se que ela é a razão pelo qual você está ficando. — seu amigo apontou para si, fazendo-a endurecer um pouco. — Não a decepcione fazendo merda. Ela já se machucou muito e eu mesmo colocarei uma arma em sua mão para matá-lo, fui claro?
— Cristalino. — Loki disse, acentuando seu sotaque britânico(?).
Marnie sorriu para os dois. Talvez ela estivesse vendo o laço deles se reconstituindo.
Mas Lynna não podia dizer isso com precisão. Eles foram muito ligados quando ela não passava de um bebê, então, não havia como ser precisa nisso.
— Bem... agora que já discutimos os assuntos sérios... — Thor disse esfregando suas mãos, aproximando-se da turma. — Irmão Steven... acho que a partir de hoje eu devo considerá-lo como um parente meu, certo?
O quê?
— O quê? — Loki verbalizou o seu pensamento.
Seus amigos engasgaram uma risada, enquanto Rogers corava fortemente.
— Sabe, quando eu deixei o Complexo, irmão Anthony e irmã Natasha estavam discutindo com ele para que ele fizesse um movimento quanto a você. — o loiro do espaço disse para ela, que assentiu, cruzando os braços. — Ele ficou muito desesperado quando você quase morreu... então imaginei que vocês fossem ficar juntos...
— Então foi para isso que você queria a porcaria do pó de Eros? — Loki praticamente gritou em seu ouvido.
— O que é pó de Eros? — Mary perguntou, estranhamente interessada. — Eu espero que não seja o que eu estou pensando...
— Se o que a senhorita está pensando é sobre afrodisíaco, sim, é. — seu primo respondeu-a. — Agora, me responda Thor... o que você iria fazer com esse afrodisíaco?
Natasha bateu sua testa com a palma aberta.
Thor tinha outro sorriso de desculpas em sua cara de bolachão.
— Erm...
— RESPONDE, THOR! — Lynna gritou, não gostando do rumo dessa prosa.
Ele encolheu os ombros.
— EUUSEIPARAFAZÊ-LOSAVANÇARMAISRÁPIDO. — ele gritou tudo de uma vez, apontando para ela e para o Cap.
— O QUÊ? — ela e Rogers gritaram, assustados.
— Argh! — Thor resmungou. — Eu estava tentando... erm... lembra depois daquela missão em que capturamos o homem que deveria nos dizer onde a anã violenta poderia estar? — Lynna podia jurar que ouviu Hanna resmungar um ‘violenta vai ser a minha mão rodando na sua cara, sua biscate do espaço’, mas ela podia estar errada... seus sentidos ficaram alertas com a fala de seu primo loiro. — Bem... depois da sua dança no bordel, eu... eu e irmã Natasha vimos a conexão entre vocês dois. Vocês dois são sjelevenner*, eu percebi a conexão e só quis ajudar... — ela arregalou os olhos, não querendo nem saber o que danado era essa palavra complicada que ele havia dito. — Eu pedi a Loki um pouco de afrodisíaco e coloquei em suas bebidas.
O universo só pode está de sacanagem com ela!
Seus olhos podiam pular para fora das orbitas agora.
Então quer dizer que, naquele dia em que ela e Rogers se entregaram aos seus desejos mais secretos, no dia em que eles perderam suas virgindades juntos, foi tudo culpa de seu primo idiota do espaço?!
O quão forte ela precisaria bater nele para saciar a raiva que ela estava tendo agora?
— ENTÃO QUER DIZER QUE VOCÊ FOI O CULPADO, THOR? — gritou furiosa, avançando alguns passos, fazendo com que seus amigos se afastassem dela.
Ele encolheu os ombros, fazendo uma careta culpada.
— Sim... — respondeu-lhe. — Mas em minha defesa, eu esqueci que não podia colocar o pó dentro do hidromel asgardiano, eu juro!
— A coisa só melhora. — ela ouviu Marnie dizer.
— Então quer dizer que você estava jogando um jogo de adivinhação conosco, sua Barbie do Espaço?! — Lynna perguntou, avançando ainda mais para onde o loiro estava, fazendo-o arregalar seu único olho azul.
— Claro que não! — se defendeu. — Eu só fiz isso quando tive certeza de que vocês são o que são. E quando Anthony e Natasha me deram o aval...
Seu olhar se voltou para os seus amigos, que se encolheram.
— Vocês sabiam disso? — rosnou, muito, mas muito puta.
Os dois sorriram amarelamente para ela.
— Eu só queria ajudar... — Thor voltou a falar, atraindo a atenção dela para si outra vez.
— É Thor, você conseguiu. — ela resmungou, para depois sorrir em vingança. — Mas agora, isso não vai me impedir de te fazer pagar pelo transtorno que foi. — ela ergueu o queixo. — Eu vou te dar duas opções... ou você corre, ou você fica aí. E vou logo dizendo, nenhuma das duas vai ser boa para você.
— Quer um conselho? — Marnie atraiu a atenção de todos para ela, inclusive a de Thor. — Corre, filhão. Porque você vai se foder de qualquer forma. E ela não vai vir tranquilo.
Talvez ele entendesse português, porque arregalando os olhos, Thor saiu correndo para dentro do Complexo, gritando alto.
Sem nem mesmo pensar duas vezes, Lynna correu atrás dele, formando uma barra vermelha com a pérola em seu bolso.
— RASGA A CARA DELE! — ouviu Hanna gritar.
Seu primo gritava desesperadamente, tentando encontrar alguma saída para fugir da fúria dela, mas do jeito que ela estava puta, ele não iria ter chance de escapar de si.
A maioria das pessoas que trabalhavam no Complexo pararam para ver a cena: Thor Odinson gritando como uma protagonista burra de filme de terror trash, enquanto Lynna corria atrás dele com um bastão em punho, parecendo a própria reencarnação de Voldemort com fogo nos olhos.
Ela conseguiu para-lo no meio de um corredor. Ele se abaixou e levantou os braços para proteger seu corpo, então ela começou a bater nele com um taco.
— SEU. GRANDESSÍSSIMO. PANACÃO. ISSO. É. POR. ME. FAZER. DE. TROUXA! — gritou. — Você deveria apanhar mais, mas eu não quero danificar essa sua cara de pastel! E fique longe das minhas bebidas!
Então subiu para o quarto, fervendo de raiva e decepção pelos seus amigos.
*
Assim que Lyanna se encobriu na escada, Thor desabou no chão, gargalhando alto. Lady Hanna, que estava logo atrás da cena e comia algo de uma tigela redonda, arregalou os olhos para a reação dele.
— Ô gente... acho que a Lya bateu com força demais na cabeça da Barbie. Ele está alucinando. — ela disse, fazendo-o rir ainda mais.
— Por que você está rindo, seu idiota? — Loki perguntou, ajoelhando-se ao seu lado. — Eu mesmo deveria batê-lo! Onde já se viu colocar algo tão forte como o pó de Eros no hidromel asgardiano, Thor?! Por Odin!
O loiro se levantou, sentando-se no chão, fazendo uma careta pela dor em seus membros. Ele se esqueceu o quanto sua prima era forte.
— Ela reconheceu sua sjelemann, Loki. Sabe o quão precioso é isso? — perguntou ao irmão, fazendo todos ao redor deles ficarem com um ponto de interrogação na cara. — Isso só ocorre uma vez na vida, e eu só queria ajudar. — disse para seu amigo, que apenas cruzou seus braços.
— Bem, eu não sei do que você está falando. — Steven disse antes de retirar-se do corredor. — Mas não é comigo que você deve se entender. Uma dica: boa sorte com isso. Vai ser difícil.
A garota ruiva de franja sorriu para eles, mostrando os polegares para cima.
— A sua ideia foi maravilhosa, mas a execução uma foi bosta. — disse-lhe displicentemente. — Mas ajudou, e muito.
— Quieta, Mary! — ouviu Steven gritar.
Sorrindo, Thor estava feliz que pelo menos ajudou sua prima a reconhecer a sua alma gêmea, agora ele só precisava fazer a dele parar de odiá-lo. E olhando para o deboche em suas bonitas feições angelicais, isso seria algo muito difícil de ser conquistado.
Muito mais difícil do que o perdão que ele deveria pedir a Lyanna, que mais parecia uma fera.
*
— Então... alguém pode me explicar porque Lya ficou uma fera com o... hum... o que o loiro grandão disse? — Bucky perguntou, fazendo Steve arregalar os olhos, corando com muita força.
Mary sentou-se ao seu lado, para piorar a sua vergonha, sorrindo amplamente.
— Por onde começar...? — Natasha divagou. — Que tal... pelo fato de que seus amigos tapados estavam apaixonados um pelo outro e não iriam fazer nenhum movimento para acabar com a TS deles? — ela sentou-se em frente a Steve, que corou ainda mais. — Você sabe como os dois são duas antas, então... Thor chegou com esse papo de...
— Alma gêmea? — Buck questionou, fazendo Thor e Loki arregalarem os olhos.
— Você sabe o que significa? — o loiro asgardiano perguntou.
— Eu sei um pouco de norueguês. Imaginei que fosse isso. — seu amigo deu de ombros, fazendo com que o coração de Steve martelasse contra seu peito.
Em outra ocasião, ele duvidaria das palavras dele, mas agora, sabendo que a mulher que ele amava era literalmente uma deusa...
— Hm, isso ai. — Nat deu de ombros. — Thor disse que queria testar sua... teoria, então... — ela sorriu lascivamente. — Tony se aproveitou da comemoração à primeira missão de Lynna conosco. Estávamos coletando informações sobre um homem chamado Dashkov, que tinha algo a ver com as pesquisas genéticas que a Hydra fez com Han. Para chegar até ele, precisávamos de uma isca. Ele gostava de bordéis e dançarinas, então mandamos a nossa melhor Bailarina para capturá-lo, enquanto nós lhe dávamos cobertura.
Steve corou ainda mais, lembrando daquela missão. Já fazia tanto tempo... mas cada vez que ele se lembrava, mais ele se sentia quente ao lembrar-se do olhar dela, do modo como ela estava dançando para atrair Dashkov, mas estava dançando para atrair ele.
— Ah não. — Barnes provocou. — Ela estava dançando para esse idiota? — apontou para ele, fazendo Nat assentir como uma lagartixa.
Seu amigo riu da sua cara.
— Vocês deveriam ter visto a reação dele. Eu nunca o vi arregalar tanto os olhos! E ela estava com a fantasia dele! — seus amigos idiotas, e até mesmo Loki riram dele, o que o fez cruzar os braços e tentar lhes dar um olhar severo. — Então, como diz Mary... “seguindo o bonde”, Thor encomendou o afrodisíaco e colocou na bebida deles. Não era para os dois se esquecerem completamente daquela noite, mas... ele colocou no hidromel e isso os embriagou.
Bucky, Marnie e Hanna arregalaram os olhos.
— Vocês já tinham afogado o ganso antes mesmo de se declararem? — sim, Mary não conhecia filtros.
Se seu rosto já estava um pimentão, imagina agora?
— Sim. — ele respondeu num sussurro. — Mas eu não me lembro de quase nada.
— Do que você se lembra? — ela disparou, fazendo Steve cruzar os braços.
— Eu não vou lhe contar, DeLavega. — resmungou.
— Ok, voltando... — Nat atraiu a atenção de seus amigos para ela. — No outro dia, os dois idiotas vieram até mim, dizendo que dormiram juntos. E nós não sabíamos que os dois eram...
— Donzelos. — Marnie respondeu por ela.
— Sim, donzelos. — a outra ruiva concordou. — Mas eu tinha esperança de que, apesar disso, eles fossem ficar juntos logo, mas... não. Demorou uma eternidade, eu já estava quase mexendo os meus pausinhos, quando Ultron aconteceu.
— Thor... — o loiro americano começou. — Aquele pó...
— Ele não força ninguém a sentir amor, Steven. — o primo de sua Anna respondeu. — Nenhum afrodisíaco faz, na verdade. Por que não existe poção capaz de mexer com uma força tão poderosa. O pó só servia para “ampliar” o que os dois já sentiam.
Ele assentiu.
Loki cruzou os braços.
— É por isso que tudo o que eu lhe recomendei foi que não o colocasse na porcaria do hidromel! — ele resmungou.
Natasha arqueou a sobrancelha.
— Você está do nosso lado nessa? — questionou-lhe com um pouco de veneno em sua fala.
O deus da trapaça encarou-a meticulosamente.
— Acredite, Romanoff, eu odeio essa situação tanto quanto você, mas é da minha criança que estamos falando. — Steve nunca tinha visto tanta sinceridade em alguém, como ele estava vendo em Loki agora, falando sobre a sua Anna. — E a felicidade dela é algo muito sério para mim, por mais que a felicidade dela seja esse idiota patriota. Ela claramente merecia coisa melhor.
Steve ia retrucar, mas Mary o parou, revirando os olhos.
Ela realmente murmurou algo que sua audição aprimorada não conseguiu captar, então se pôs de pé.
— Ok, muito que bem. Já que o assunto é Lyanna. Nós temos que entrar no mais grave deles. — a atenção de todo mundo estava nela. — Precisamos falar sobre o parasita que habita em seu corpo. E já que o meu Hulkinho tá aqui, vamos ter a esperança de avançar em nossas pesquisas, porque eu acho que Tony já está pedindo penico.
— Ei! Mais respeito comigo, mocinha! — o moreno protestou.
Marnie fez um gesto de descaso, então começou a explicar a situação da Pétala para os novos visitantes, que ouviam tudo atentamente.
Após a confusão da chegada de Thor, a chama do amor que ele sentia por Anna voltou a ser alimentada em seu corpo. O que seu amigo disse e Bucky meio que confirmou, trouxe um pingo de esperança ao seu peito.
Porque se eles são mesmo almas gêmeas, isso significa que eles ainda têm chance de ter um prumo. Isso significa que Storm não pode abalá-los.
*
Quando bateram em sua porta, ela imaginava que fossem Mary, Wanda e Hanna, para assuntar sobre o bagulho do afrodisíaco. – por mais que ela soubesse que Natalia abriria o bocão para elas – Ou Tony e Nat com alguma desculpa, ou até mesmo Loki, para que eles pudessem conversar melhor sobre o seu passado, uma vez que dava para perceber que eles eram muito ligados quando ela era criança.
Mas ela não esperava ver Thor, em toda a sua cara de pau, parado em frente ao seu apartamento, com um buquê de violetas provavelmente tiradas e maculadas do seu canteiro.
Ela arqueou a sobrancelha para ele quando o mesmo estendeu um dos lenços de Mary, como se pedisse paz.
— Entra, Thor. — ela resmungou, revirando os olhos ao ver as cabeças de seus amigos, espreitando no final do corredor. — Antes que eu me apavore. — ele escorregou para dentro e estendeu-lhe o buquê. — Sabe, roubar flores alheias deveria ser um crime. Eu sei que você as tirou do canteiro lá embaixo.
Ele corou suavemente.
— Eu só queria ter uma desculpa para vir me desculpar com você. — ele disse, verdadeiramente envergonhado. — Eu sei que o que eu fiz foi errado, eu tirei algo de você que não deveria, e seu pai provavelmente me mataria por isso, mas... tudo que eu fiz foi na melhor das intenções, porque eu achei que você ficaria feliz com o Cap.
Opa...
Seu coração afundou um pouco com essa afirmação.
— Bem... foi bom enquanto durou. — ela deu de ombros.
Thor coçou a nuca.
— Sinto muito. — sussurrou, mas no fundo parecia que ele queria dizer outra coisa, mas estava em conflito.
— Está tudo bem, Thor. — ela sorriu. — De verdade. Já passou. O que importa é que vocês estão vivos e eu os tenho de volta. O resto... nós podemos dar um jeito. — segurou sua mão. — Eu não deveria ter batido em você.
Ele riu.
— Bem, segundo a anã violenta, você deveria ter feito mais do que simplesmente me bater com seu bastão. — deu de ombros.
— Você não deveria chamar Hanna assim. — ela disse franzindo as sobrancelhas, quase rindo quando o viu corar. — Ela fica muito brava.
Ele encolheu os ombros.
— Acredite, eu sei disso. — murmurou havia algo lá no fundo que ela não havia pego... — Mas... não vamos falar disso agora.
— No entanto, eu tenho perguntas para você. — ela disparou. — A primeira é: o que aconteceu com o seu olho?
Ele suspirou.
— Imaginei que fosse perguntar sobre isso. — respondeu-lhe, seguindo sua sugestão para sentar-se em seu sofá. — Tudo isso tem a ver com o que eu lhe falei sobre o Ragnarok. Vai ser uma longa conversa, então é melhor que você se sente.
*
Steven não confiava em Loki, então fazer o seu julgamento valer a pena, baseado nas coisas que ela sentia emanando do primo caladão de Lya precisava ser o seu lema de vida a partir de agora.
O moreno mais odiado caminhou pela sala, absorvendo atentamente toda e qualquer informação sobre a Pétala possível, então, ele começou a divagar.
— Eu acho que sei sobre o que vocês estão falando. — se pronunciou depois de um longo tempo. — Acho que já ouvi falar de um lugar distante dos Nove Reinos, onde uma força maligna impera. Ela se nutre de pessoas com auras puras e de mente fraca, pessoas que não são capazes de se defender. Eu já ouvi falar de casos em que os hospedeiros não aguentaram a energia desse tipo de ser e... bem...
— Eles simplesmente explodiram? — Mary completou, sentindo o medo de todos os seus amigos se espalhar por seu corpo.
— Sim. — Loki respondeu. — E pelo que eu me lembro, não há registros de pessoas que duraram muito mais que um ano com esses parasitas em seu corpo. E todas as pessoas infectadas eram deuses. — todo mundo engoliu em seco. — É extremamente raro e curioso que Lyanna tenha sobrevivido todos esses anos. Ela é muito forte, isso é notável.
— Mas essa coisa está acabando com ela cada vez mais rápido. — Steve disse endurecidamente. — Precisamos encontrar uma maneira de acabar com esse parasita, antes que ela assuma o seu corpo.
O deus asgardiano suspirou fortemente.
— E tem mais essa. — resmungou, começando a circular pela sala outra vez. Mary pôde sentir a preocupação dele por sua prima, e isso lhe deixou com o coração aquecido e triste por ele ao mesmo tempo. Ele havia perdido muita coisa na vida, e perdê-la também seria uma tortura, uma vez que ele se culpava pelo sequestro dela. Porque ele não havia chegado a tempo... — Eu agradeceria se você parasse de me ler, empata.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Primeiro de tudo, Rena Maldita, meu nome é Mary, M A R Y. Você pode até me chamar de Marnie ou razão de viver se quiser, mas não me chama de empata. E nem de arroz doce. — disse-lhe seriamente. — Segundo de tudo, eu não tenho controle sob os meus poderes! Eu adoraria ter, mas não tenho, então, sossega essa periquita de malícia e aguenta, porque eu vou continuar lendo todo mundo, é inevitável, então... continue.
Ele olhou para ela, chocado.
— Como ousa falar assim com um deus? — agora lascou.
— Pode ser com a puta que pariu, meu filho, eu tenho uma língua frouxa e não vou segurá-la. Agora... a princesa pode continuar o raciocínio, ou eu vou ter que te forçar a fazer isso? — pelo seu canto do olho, ela viu o doido do Tony capturar a pipoca de Hanna, vendo a discussão dela com Loki.
Bufando, o moreno resmungou uma praga num idioma desconhecido.
— Ok. — resmungou outra vez. — Voltando para o raciocínio... — ela sorriu inocentemente para ele, que a ignorou. — Nunca houve notícias do que acontece com uma pessoa que resiste tanto a um parasita com esse nível de poder, mas se ela resistiu até aqui... isso significa que se Lyanna morrer, o parasita que se apossará de seu corpo será indestrutível.
O sangue de todo mundo gelou.
— Precisamos impedir isso. — Barnes falou. — Essa maldita coisa está prejudicando a minha irmã. E o meu dever é protegê-la. A cada dia se torna mais frustrante não poder protegê-la do que está dentro dela.
Todos sentiram o peso de suas palavras.
Loki se mexeu.
— Obrigado, senhor Barnes. Por olhar por Lyanna quando nós não tínhamos noção de onde ela estava. — ele disse. Havia muitos sentimentos em suas palavras.
— Não precisa me agradecer, senhor. — disse-lhe humildemente. — Qualquer um em sã consciência se levantaria para defender uma criança tão inocente e tão especial. Foi essa a razão pela qual eu a adotei.
Pelo olhar que a Rena Maldita lhe deu, Mary só podia prever que eles seriam grandes amigos. E essa amizade era meio preocupante. Não por causa do que Loki fez e por causa do Soldado Invernal, mas sim porque dentro daqueles seres só existia zueira, agora junte um soldado debochado e o deus da trapaça, no que isso pode dar...?
Sim, em merda.
Pelo menos, a merda não viria para ela.
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