The Camp
19 Capítulo 19
Notas iniciais
-Como assim adotada? – ele pergunta espantado.
-Adotada sabe? Tipo filha de outra mãe, não tenho o mesmo sangue que o Estevan, fui tirada de um orfanato...
-Isso eu sei, só que você e o Estevan são tão parecidos que ao dá pra dizer que não são irmãos.
-Mas nós somos irmãos. – solto uma pequena risada e ele ri pelo nariz.
-Isso eu sei, o que eu to querendo dizer é que...
-Nós somos parecidos demais pra não termos o memso sangue. – completo a sua frase e ele assente. – Sei lá, dizem que com a convivência você acaba ficando parecido com as pessoas da sua volta.
-Uau, eu nunca iria imaginar uma coisa dessas.
-Não se preocupe você não é o primeiro e nem o último que me diz isso. – sorrio
-O pessoal daqui sabe?
-As meninas e o Jack. –eu digo e ele assente. – E agora você.
-Confia tanto assim em mim? – ele pergunta sorrindo, sorrio de volta.
-Nãoé uma coisa que eu deva me envergonhar. – digo.
-não, claro que não. – ele sorri.
Ficamos um tempo em silêncio, eu estava quieta porque eu estava tentando pensar em alguma pergunta pra fazer, mas ele deveria estar quieta pensando no que eu disse.
Não entendo, as pessoas ficam tão espantadas quando eu conto que sou adotada, que parece que cometi um crime.
Lembro que também fiquei assim, assustada, quando descobri isso há uns 4 anos atrás. Foi quando estávamos nos mudando, e eu precisava de um documento meu, pra um passeio da escola, eu tinha 12 anos, tudo estava encaixotado ainda, e minha mãe disse que estava em uma caixa no quarto dela. Quando abri a caixa comecei a revirar os documentos a procura do que eu precisava, foi quando eu vi o documento da minha adoção.
No início fiquei sem reação, não sabia o que fazer, fiquei sentada ao lado da caixa lendo e relendo o documento que continha o nome dos meus pais verdadeiros, nomes de pessoas que eu nunca havia visto antes.
Havia meu nome, com um sobrenome diferente do que eu sempre achei que fosse o verdadeiro, e depois outro documento com o nome dos meus, até então, pais de verdade e o meu nome como eu estou acostumada.
Saí correndo do quarto da minha mãe com o papel em mãos, e quando encontrei meus pais comecei a gritar com eles, perguntar o porquê de terem me escondido isso, afinal eu tinha o direito de saber a verdade.
Depois disso, eu meio que fiquei “rebelde”, não aceitava o fato de não saber quem eu realmente era. Fiz daquele ano um inferno para minha família, quase me matei uma duas vezes pelo menos. Mas meus pais nunca me contavam a verdade sobre meus pias biológicos, o que fazia eu ficar com mais raiva ainda.
Quando vim pro acampamento, único lugar para o qual eu fui pela minha vontade, Jack conversou comigo e então foi quando eu me acalmei e aos poucos fui voltando ao meu normal.
-Amber... –Cameron me chama me trazendo de volta à realidade. – Você está bem?
-To sim, só to pensando sobre algumas coisas. – sorrio.
-Desde quando você sabe disso?
-Disso o que? – pergunto e ele sorri tímido –Ah, minha adoção? – pergunto e ele assente. –uns 4 anos. E se eu não tivesse descoberto acho que ninguém me contaria.
-Por que não?
-Sei lá. –dei de ombros.
-Com você descobriu? – ele pergunto e então eu contei toda a história pra ele que ouvia com atenção. – Mas você não sabe quam são seus pais... digo os biológicos? – ele pergunta ao final.
-Não. mas também não quero saber quem são, pelo menos , não depois de saber o porque de terem me dado à adoção. Mas você já fez perguntas de mais agora é sua vez de responder.
-Responder o que?
-Qual seu maior segredo?
-Hmm, acho que não tenho segredos. – ele diz.
-Como não, todos temos.
-bom talvez eu tenha um. – ele sorri.
-Ta esperando o que pra contar?
-Ok, desde a primeira vez que te vi, no aeroporto, eu tive vontade de te beijar. – ele diz e eu me assusto.
Em seguida eu o olho e dou uma gargalhada.
-Foi muito clichê? – ele pergunta.
-Um pouco, mas gosto de coisas clichês. – eu digo e ele ri comigo. – Esse é o seu maior segredo?
-Não sei. – ele dá de ombros.
Viro de frente pra ele e semi cerro os olhos o olhando bem fundo nos olhos.
-O que foi garota? – ele pergunta olhando em meus olhos e ri.
-Tem mais segredos, eu sei que sim. –eu digo e ele ri mais.
-Tudo bem, eu falo. –ele diz e eu bato palmas.
-Eu sabia, eu tinha certeza. –eu digo vitoriosa fazendo-o rir.
-Não é beeem um segredo, tipo ninguém sabe e ninguém nunca viu também, mas não é algo tipo “nooooooooooossa”, e quando eu te falar você vai ficar tipo “sério Cameron, era isso?” e...
-Fala logo. – o interrompo.
-Toco piano. – ele diz sério e eu rio.
-NOOOOOOOOOOOOOOSSA QUE GRANDE SEGREDO. –digo e ele sorri tímido. – Caramba Cameron,eu te conto que sou adotada e tu me vem com um “eu toco piano?” É isso mesmo?
-eu disse que não era nada de mais. – ele dá de ombros.
-Então pra que todo esse mistério? – pergunto.
-Porque ninguém sabe.
-Por que não?
-Sei lá, é que foi depois que eu tive uns problemas em casa e parei de falar com meus pais, daí acabei não contando.
-Por que não tá falando com seus pais?
-Porque eles são grandes filhos da mãe, que mentem para os filhos e para todo o mundo. – ele diz e eu fico de boca aberta.
-voce também é adotado? – arrisco e ele nega com a cabeça.
-Antes fosse isso.
-então o que foi? – pergunto e ele suspira.
-É que, assim: sabe aquele tipo de família perfeita, sem brigas, discussões, nada disso? – ele pergunta e eu confirmo – Então era a minha família, quero dizer.. era o que eu pensava, eu e todo o resto do mundo.
-Como assim?
-É que lá em casa era tudo perfeito, nunca brigávamos, brigas sérias eu digo, meus pais nunca discutiam, eu e minha irmã sempre fomos os filhos perfeitos, e todos diziam que queria ter uma família igual a nossa. E, do nada, meus pais dizem que vão se separar. Sabe simplismente eles chegam assim e dizem:”Margareth, Cameron, eu e sua mão vamos nos separar, mas fiquem tranquilos que a guarda de você ficará com a mãe de vocês. E eu vou pra Europa.”
-Seu pai disse isso? – perguntei espantada.
-Sim. Foi por isso que fiquei assim, sabe aquilo me irritou muito. Pra que fingir que éramos uma família perfeita se depois a família acaba? – ele disse baixa a cabeça, me aproximo e o abraço que responde ao abraço. – O pior de tudo é que antes disso eu ouvia minha mãe chorar à noite, quando meu pai saia pra viajar e ficava uma ou duas semanas fora. Quando eu perguntava à ela porque ela estava chorando ela dizia que era por causa dos meus avós que morreram faz pouco, e eu como sou burro acreditava. Mas eu não fazia ideia de que o verdadeiro motivo era a separação, e que as viagens do meu pai nada mais eram, do que ele indo procurar outro lugar pra morar.
-A culpa não é sua. – eu disse olhando em seus olhos, que lutavam contra as lágrimas que queriam sair.
-É sim, depois de tudo isso eu me transformei e piorei a situação pra minha mãe, que estava sozinha comigo e com a minha irmã. Não sei o que me deu. – ele disse fungando.
-Voce ficou irritado, isso é normal. – eu disse tentando acalmá-lo.
-Não, não é. – ele se levanta fazendo com que eu me desequilibre e caia no chão. – Você diz isso porque não sabe o inferno que foi.
-Posso nãos sabe como foi pra você, mas sei como foi pra mim. Lembra que sou adotada? – eu disse me levantando.
-Mas sua vida é perfeita, não tem do que reclamar. Meus pais enganaram a mim e a todos.
-E eu, que pensei que meus pais fossem meus pais, e de repente descubro que nem sei quem são meus pais de verdade. – eu digo parando em sua frente ele desvia os olhos. – Cameron olha pra mim, você passou por coisas ruins, tanto quanto eu, se acalma.
-eu tenho que ir. – ele diz e saí do haras.
-Mas que merda Cameron, ta chovendo espera. – grito, mas é tarde de mais, ele saiu correndo.
Qual o problema dele? Ele acha que é só ele que tem problemas?
Retiro tudo o que disse sobre ele, ele É e NUNCA deixou de ser um idiota!
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