Não olhe, não olhe, não olhe.

Isso era o que eu pensava ao passar pelos corredores largos e amontoados do colégio. Não podia olhar para um par de olhos que adorava brincar de esconder comigo. E sempre ganhava. Fazia alguns meses somente que eu comecei a perceber aquilo, aquela procura ou “espionagem”, como meu amigo Cameron sempre dizia. Claro que eu nunca realmente acreditei que estavam me espionando no colégio, ou melhor, naquele colégio.

Espera, deixa eu explicar melhor. Estou na meu psicólogo e sempre tenho que fazer alguma coisa, mas como gosto de escrever, fui ensinada a colocar para fora tudo o que minha mente trabalhava.

Tá, ainda não sei se me expliquei bem. Deixa eu tentar novamente.

Meu nome é Julie, quer dizer, Julieta, mas todo mundo me chama de Julie. Estudo na Lord Grifft Hight School, uma escola burguesinha no lado oeste de Londres, não que eu não goste de lá, na verdade eu adoro. De verdade. Lá que Cameron, conseguiu sua primeira namorada e me contava o que havia entre os dois, mesmo sendo meio... deixa pra lá.

Cam, meu melhor amigo desde... sempre, e me sinto lijongeada por ter um amigo como ele. Mesmo sabendo de detalhes desnecessários sobre a sua vida amorosa. Com certeza desnecessário. Eca.

Mas enfim, na Lord Grifft High School existe a classe de detenção, a sala de acompanhamento a relaxamento, as salas de apoio as matérias que você tem dificuldade e claro, o psicólogo.

Eu era, quer dizer, eu sou uma garota completamente normal. Vivo uma vida completamente normal e tenho avós e amigos completamente normais. Ou não. Posso tirar o Cam da lista dos normais? Vou pensar a respeito.

Continuando... Sou uma garota legal, sociável e considerada bonita, pelo menos é o que minha avó fala. Se bem que eu acho que não posso considerar o que meus avós acham do meu porte físico e essas coisas, seria casos a parte. Mas eu me considero uma menina bonita. Sou alta, loira e tenho olhos tão azuis como os da minha vó. Ela com certeza tinha os olhos mais bonito de toda a Grã – Bretanha. Não sou magricela, mas também não posso ser considerada gordinha. Tirando essas conclusões acho que posso garantir que sou bonita E legal E não preciso de um psicólogo.

O caso “psicólogo” é uma coisa meio a parte, na verdade. No começo do ano letivo comecei a perceber que sempre quando entrava na ala leste do colégio algo ou alguém me observava. Sabe aquela sensação que sempre temos quando parece que estamos sendo vigiadas? Fiquei com isso por uns três meses. Foi ai que descobri uma câmera atrás do muro que dava vista para a escola. O muro da ala leste. Lá tinha uma câmera que gravou vídeos meus. Só meus. Tinha vídeos deu rindo, zoando o Cam, imitando as cheerleders do colégio e até eu beijando Mark Ford. Bem, na verdade era ELE me beijando e colocando a mão em lugares indecentes, por que quem me pegou de surpresa foi ele, não eu. Se bem que não dava para eu me pegar de surpresa, pareceria uma idiota tentando fazer uma surpresa para eu mesma.

Enfim, fiquei traumatizada quando vi que todos os vídeos daquela máquina eram desde o ano anterior. O pior ano da minha vida. E o melhor? Nem era daquela escola. Diversos vídeos eram da Tabuem Crafort Hight School , um colégio de New Casttle, onde meus avós moravam. Por causa desses vídeos foi obrigada a mudar de colégio e ir para Londres, onde não conhecia ninguém e nada.

Nunca tinha ido à Londres, minha família inteira era de New Casttle, e me sentia bem naquela cidade. Quando mudei para uma das capitais mais famosas do mundo, Cam insistiu em se mudar comigo, mesmo eu falando que era desnecessário e inútil, nada mudaria como me senti a partir do show que meus vídeos fizeram. Vídeos que foram gravados sem eu saber. Vídeos que nunca mais fariam minha família, ou o que restava dela, me olharem igual.

Entrei no psicólogo da escola por esse motivo. Aquele vídeo me perseguia, e Cameron insistiu para eu consultar um especialista sobre o assunto.

Era minha terceira sessão. O carinha, quer dizer, médico era bem legal e simpático, tentava me ajudar ao máximo, mas nada estava valendo a pena.

Acho que vou começar do começo. Onde tudo aconteceu e distorceu minha vida. Fez dela um céu instável e cinza. Um pesadelo para qualquer um. Que até agora não me deixou em paz.

6 Meses Antes

Abri os olhos calmamente sentindo a brisa que saia das janelas de meu quarto numa manhã de segunda-feira. Espreguicei-me e tirei as cobertas bordadas de cima de meu corpo com uma preguiça eterna. Abri um sorriso nos lábios assim que senti o delicioso cheiro de waffles vindo da cozinha no andar do baixo, parecia que a manhã ficava menos fria e mais alegre. Os pássaros piavam insistentemente do lado de fora da casa, cantando uma melodia suave e tensa aos ouvidos, como se quisessem dar algum avido sobrenatural, ou algo do tipo.

Arrumei minha cama rapidamente e coloquei o uniforme escolar, o chato e sem graça uniforme. Mas por um lado eu não ligava, me sentia confortável em parecer igual a todos e não uma deslocada como era com a maioria das vezes que minhas amigas saiam em grupo. Calcei os mesmos tênis brancos com listras vermelhas e desci para tomar café da manhã.

Nas paredes de casa haviam diversos quadros me mostrando pequena e feliz, ou meus avós se casando, ou ainda eu e meu amigo Cameron recém nascidos e já predestinados para serem amigos para sempre. Como minha avó sempre dizia.

- Bom dia, querida! – minha vó cantarolou colocando waffles fresquinhos em meu prato com uma camada deliciosa de mel.

- Bom dia, vovó! – sorri de lado já com a boca toda cheia de comida. Olhei para os lados e percebi que Cameron ainda não tinha chegado para o café, o que era particularmente estranho, pois todos os dias chegava para comer o delicioso café da manhã que vovó preparava. – Cadê o Cameron? – arquêei as sobrancelhas em dúvida.

- Ele foi buscar os novos vizinho no aeroporto. – suspirou – Já te falei como eu admiro o Cameron, Julieta? Ele é tão bondoso! Tenho certeza que vocês, um dia, namorarão e terão cinco filhos em uma casa de campo e um cac...

- Epa, epa, epa, vovó! Acho que a senhora já exagerou um pouquinho, não? – ri envergonhada limpando a boca dos últimos pedaços da bolhacha. – Eu e Cam somos só bons amigos, não mais que isso. Credo! – gargalhei dos meus pensamentos.

Minha vó era a mulher mais fantástica da face da terra. Uma velhinha carinhosa de 68 anos e totalmente dedicada a sua família. Bem, eu e meu vô na verdade. Ah claro, e Cameron. Sempre bem vestida com a pele lisinha e os olhos mais azuis que o mar das Ilhas Maldivas. Seus óculos impecáveis pendurados no pescoço e seu avental florido que nunca tirava. Seja para cozinhar ou apenas para apenas me fazer companhia na sala quando estou sozinha.

Ouvi o relógio bater sete e meia e engasguei com o suco de laranja que tomava com toda a calma do mundo. Estava atrasada e totalmente ferrada. Mais um atraso e o Sr. Mcginley me daria uma advertência. Me despedi de vovó com um beijo tímido na bochecha e corri para a rua. Tabuem Crafort Hight School não era exatamente longe de casa, bem, dependia do quanto você se atrasava, e no meu caso, estava totalmente atrasada.

Assim que coloquei os pés na rua me arrependi de não ter pego nenhuma malha, o vento estava congelante, mesmo sendo primavera. Comecei a correr, não me importando que meu cabelo desmancharia todo ou que minha saia amassaria e mais uma vez Cam reclamaria que quinze minutos a menos de sono não faria diferença alguma.

É ai que ele se engana, quinze minutos podem fazer muita diferente para uma pessoa, ou pelo menos para mim. Atravessei o farol e o veterinário, observando como a cidade era bonita e simpática para quem viesse visitá-la. Meus braços se contorciam de frio, mas eu não parava de correr, tinha que chegar na hora, pelo menos uma vez esse mês.

Duas quadras depois cheguei ao colégio sem fôlego e totalmente trôpega. Passei minhas mãos levemente pelo cabelo sem vontade nenhuma de ir até o banheiro e ver o resultado da minha breve corrida matinal. Ajeitei minha saia que levantara durante o percurso e chamava a atenção de algumas pessoas que por ali passavam. Coloquei minha bolsa nas costas e comecei a andar pelo corredor apertado e amontoado de gente.

Suspirei aliviada quando consultei o relógio e podia tentar encontrar Cameron. Cinco minutos adiantada. Com passos apressados, cheguei ao meu armário e coloquei tudo o que precisava na bolsa, fechando-o rapidamente e andando em direção ao vestiário masculino da escola.

É claro que eu não tenho costume de ficar entrando em vestiários para aqueles que não são do meu sexo. Além do mais, os meninos daquela escola eram nojentos. Mas Cameron jogava futebol e eu tinha que falar com ele antes de entrar para o primeira aula do dia.

A porta vermelha se destacava das outras brancas do resto do lugar, com um letreiro maior que o necessário avistava-se Vestiário! Só homens!. Revirei os olhos pensando qual seria o QI daqueles que ali ficavam o dia inteiro. Menos Cam. Cameron sempre me ajudou em física e matemática, que para mim sempre foi impossível. Entrando no covil dos imbecis e comecei a procurar por ele, mas de jeito nenhum o encontrava, até que olhei para os lados e vi um garoto que me encarava profundamente. Desviei os olhos no mesmo instante e decide abortar missão e voltar para o cubículo que chamávamos de sala de aula.

Com a mão na maçaneta e meus pensamentos a mil de onde estava aquele garoto, ouvi uma voz rouca e totalmente sexy me chamar. Não era acostumada a ser chamada assim, principalmente quando o voz que pertencia o chamado era provavelmente de alguém com um QI muito gostoso.

- Você está procurando o Cameron? – perguntou o garoto que me encarava dentro do vestiário.

- É, eu estou... – gaguejei sentindo as bochechas arderem. Ficamos em silêncio por alguns breves segundos, segundos suficientes para eu poder o observar.

Seus cabelos loiros bagunçados e molhados estavam jogados nos olhos, dando um visual perigoso e atraente. Uma atração para o perigo que emanava. Seus olhos verdes como duas esmeraldas brilhavam divertidas com o reflexo que a luminária do teto trazia e seus músculos trabalhados me faziam perder a concentração quando se contraiam involuntariamente. Sexy, bonito e perigoso. Ulálá... finalmente algum deus que prestasse naquele inferno.

- Mike. – estendeu as mãos em minha direção quebrando o clima tenso que ali se situara.

-Julieta. – sorri envergonhada por ter ficado o analisando como um animal. Um animal muito bonito, para falar a verdade. – Hm... Você disse que sabia onde estava o Cameron... – cocei a cabeça querendo sair dali o mais rápido possível.

- Na verdade, eu não disse isso. Eu não sei onde ele está. – Mike sorrio mostrando os dentes brancos e cuidados, parecendo um ator de Hollywood – Eu só perguntei se você o estava procurando. – levantou as sobrancelhas me olhando de cima para baixo.

- Ah, ok. Entendi – dei um passo para trás encostando na porta.

- Posso te ajudar a encontrar ele, se quiser. – Deu de ombros virando de costas e colocando a mochila nos ombros indicando que já estava de saída.

Abri minha boca para responder, mas nenhum som saia. Estava paralisada pela imagem estonteante em minha frente. Como eu nunca reparei que em um lugar daqueles existia um... daqueles.

-Julieta? – abaixou o rosto em minha direção, como se eu não estivesse ouvindo o que disse

- Me chama de Julie, por favor. – Falei docemente querendo demonstrar que não era abestada, não o tempo todo pelo menos.

- Bom, Julie, se precisar de alguma coisa... – colocou suas mãos em meus ombros e dizendo alegremente – Nos vemos por ai! – finalizou passando por mim e saindo dali.

Assim que ouvi a porta batendo tive vontade de arrancar meus cabelos. Como eu conseguia ser tão idiota? Julieta, a idiota em pessoa. Não podia ser pior? Meu coração batia aceleradamente e minhas pernas tremiam ao lembrar daquele sorriso. Aquele sorriso feito pra mim. Respirando profundamente e ajeitando a roupa olhei no relógio de parede.

Dez minutos atrasada.

- Droga, droga, droga! – corri pelos corredores xingando o deus grego que me atrasara. Como pude ser tão estúpida por se deixar levar por um cara que nem ao menos conhecia? O Sr. Mcginley iria me colocar na forca, na frente de todo mundo. Estava mais do que ferrava.

Fechei o olhos e rezei para que alguém lá em cima me dessa uma forcinha e não deixasse o professor me enforcar na frente de todo mundo, podia ser até num lugar mais isolado. Bati na porta com o maior cuidado do mundo e entrei respirando fundo e amedrontada.

- A senhorita deve ser Julieta Hity. – uma voz doce e desconhecida falou meu nome. Abri os olhos e percebi que o Sr. Mcginley não estava na sala. Quem era aquela? – Sente-se querida, estamos falando sobre a revolução industrial. – sorriu e indicou com a cabeça o lugar vago no fundo da classe.

Assim que sentei senti alguém me observar. Já não estava entendendo nada, com alguém me observando, então. Virei a cabeça para a direita e Mike me olhava sorrindo e mostrando um papel que havia na mesa dele. Apertei os olhos e entendi que queria que eu também pegasse um papel para mim. Claro! Eu queria assistir aula de história sem um papel e uma caneta, quem era eu na verdade? Ou, onde estava a minha cabeça naquela manhã?

Assim que peguei o papel olhei em sua direção, mas estava errada. Mike não queria que eu pegasse um papel, queria que eu lesse o papel que estava na mesa dele. Assenti com a cabeça e abri a mão para que jogasse a bolinha.

O Sr. Mcginley faltou, que sorte, hein? Queria pedir um favor à você.

Li o bilhetinho jogado e respondi com um ar interessante. Mas uma pergunta ainda estava em minha mente: Onde Cameron se meteu?

Um favor? Depende...

Sabe onde está Cameron?

Joguei de volta o bilhete e minha atenção se voltou para a porta que se abrira. Lá estava Cameron, com a camisa totalmente amassada e os lábios vermelhos. Onde ele se meteu?

Ali está o Cameron! Hahaha

Queria que me mostrasse a escola, sabe como é. Sou novo e não conheço ninguém, tem algum tempo livre?


Minha vontade era dizer sim e sim e sim repetidas vezes, mas estava com a cabeça em outro mundo. No mundo de Onde Cameron esteve e com quem ele esteve.

Desculpa, mas não vai dar. A Sam vai estar livre a qualquer hora para você! Aproveite :)

Joguei o papel de volta e voltei minha atenção para a aula. Me mataria mais tarde por ter negado um convite de ficar sozinha com o único homem que prestava naquele colégio. Talvez quando ninguém estivesse tão concentrado e tão silencioso.

Sam era a garota mais dada da escola inteira. Não sei como ainda não a pegaram com o professor de álgebra. Cameron sempre me disse que não era para eu pensar aquilo de Sam. Ela é legal, Julie! Sempre me dizia, só por que ele era do time da escola. Ela sempre ia atrás dos caras do time. Isso me enojava.

Quando menos percebi o sinal tocou e sai correndo para encontrar Cameron, porém ele não estava mais no meu campo de visão. O que estava acontecendo com ele? Cam nunca não falou comigo assim. Será que eu tinha feito alguma coisa? Continuei a andar calmamente para a próxima aula, no mesmo tédio que antes. Com passos longos e lentos passei pelo banheiro feminino e decidi entrar, precisava dar em checada no visual.

- Oi, Julie! – Fran me cumprimentou alegremente quando passou por mim porta afora.

- Oi, Fran! – Sorri em resposta e me olhei no espelho, somente observando a população feminina que ali se encontrava.

Vestia a saia do colégio e a camiseta obrigatória, ridículo, mas menos ridículo do que levar suspensão por falta de uso desta. Enquanto isso, algumas simplesmente decidiam vestir mini saia e blusa frente única. Tá, estou exagerando, na verdade, acho que sou muito certinha em alguns aspectos. Ok, em todos os aspectos. Bom, era por isso que Cam gostava de mim. Acho que é por isso, tenho que perguntar a ele.

Depois de arrumar meu cabelo, ainda bagunçado devido o acontecimento matinal, sai a nova procura de Cameron. Estava ficando cansada desse esconde-esconde. Qual era o motivo disso? Pensava sobre o que poderia estar fazendo quando senti meu celular vibrar no bolso da bolsa.

- Cam! – gritei feliz deixando algumas pessoas assustadas a minha volta. – Onde você estava? Quer dizer, onde você está? — dei alguns passos até chegar a uma coluna para me apoiar.

- Julie? Escuta, vou precisar de um favor... – respirou antes de continuar. – Sabe o garoto novo? O Mike? Preciso que você mostra a ele a escola... – praticamente implorou.

- Ahhh Cam! De jeito nenhum. Ele já me pediu e eu disse não! – retruquei com o coração começando a acelerar.

- Por favor, Julie! Estou ocupado hoje! Faz isso por mim, Juliezita? – já até o imaginava fechando os olhos e se preparando para fazer sua cara de cachorro sem dono, como dizíamos.

- O que você tem de tão importante para fazer, Cameron? — minha voz se alterou um pouco tentando descobrir o que ele escondia de mim.

- Nada. – respondeu rapidamente – Só faça isso, ok? Por mim! – afinou a voz me fazendo ter uma risada anasalada.

- Tá, tudo bem... – dei-me por vencida para acabar com aquela conversa fiada toda – Mas você vai ter que me contar o que tanto está aprontando! – disse decidida.

- Tudo bem, pequena! Tenho que ir! Muito Obrigada! – falou quase desligando – Ah! Fala pro Mike que depois eu converso com ele, ok? Tchau!

- Tá. – respondi emburrada desligando a ligação.

Com os passos mais lerdos ainda, entrei na sala de álgebra II. Tudo o que eu queria. Revirei os olhos quando avistei Sam dando em cima do professor e sentei no mesmo lugar de sempre. Monótono e chato. Como meu dia estava sendo. Parecia que quando Cameron não estava comigo tudo mudava, de sol virava chuva e calor virava frio. Odiava essa dependência que tinha dele. Precisa fazer alguma coisa para que isso acabasse. E urgente.

Aula vai e aula vem, logo o dia escolar estava no fim e eu voltava para casa, até lembrar que tinha que mostrar a escola a Mike, claro! Como esquecer, não é? Dei meia volta revirando os olhos e bufando e entrei pelos portões verdes novamente. A missão agora era saber onde Mike estava.

Andei pelos corredores rapidamente e fui à cantina, o encontrando sentado com Sam que praticamente lambia seu peito levemente descoberto pela camisa de gola em V.

Eca.

- Oi, Mike! – sentei ao seu lado com um sorriso cínico e a maior cara de pau.

- Oi Julie! – me olhou sem entender, mas mesmo assim sexy, bonito e perigoso.

- Posso falar com você um instante? – mordi o lábio inferior querendo que sua resposta fosse não.

- Claro! – levantou como se não estivesse conversando com ninguém, o que deixou Sam e eu realmente chocadas. Nós duas achávamos que eu não era daquelas que recebiam toda a atenção de um cara como o Mike. – Então? O que foi? – perguntou quando já estávamos mais afastados.

- Queria saber se ainda está afim de conhecer a escola... – fechei os olhos e soltei a única palavra que fosse mentira — ...comigo? – terminei abrindo os olhos e o enxergando com os olhos abertos e atentos. Talvez ele achasse que fosse uma pegadinha ou... ou eu tivesse caído em uma pegadinha.

- Claro, Julie! Ual! – passou as mãos pelo cabelo e continuou a me olhar – Por que mudou de ideia? – perguntou realmente surpreso.

A minha vontade era de dizer: “Por que eu sou trouxa e não consigo dizer não a Cameron, por isso!” Mas sou uma garota muito doce e sensível, tá, talvez não. Mesmo assim, não teria coragem de dizer uma coisa dessas para um cara tão simpático e bonito como Mike. Aliás, qual era o meu problema de não querer mostrar a escola pra ele? Nenhum garoto assim nunca se interessou por mim. Com certeza Mike era o primeiro, ou pelo menos parecia interessado.

- Não sei, acho que Sam não era a garota certa pra você! – O QUE? Onde eu estava com a cabeça? Acho que na privada, por que diabos eu iria falar uma coisa daquelas pra ele? Burra, burra e burra!

- E você é a certa? – levantou as sobrancelhas e segurou a risada.

- Nã... Olha... – engasguei já totalmente molhada de vergonha – Se você não quiser, tudo bem. Eu já estava indo pra casa mesmo... – arranjei a primeira desculpa que veio em minha cabeça.

- Não! Claro que não! Vamos, quero saber de tudo! – simplesmente pegou em minha mão e me levou corredor adentro, deixando Sam e sua cara de taxo para trás e sumindo no meio da multidão.

Notas finais
Oi gente linda do meu coração? O que acharam do meu primeiro capítulo da minha mais nova história? The Broken Eye vai ser uma fic meio dramática, romântica e claaaaaroooo problemas com tuuudoo.. hahahah' Tomara que vocês gostem!
Beijinhos xX
Mari Rivaldo