Estranhamente normal me sentia naquela hora. Quer dizer, ao lado de Mike e não de Cameron. Por que eu fui estúpida o suficiente para dizer sim a praticamente tudo o que meu melhor amigo me pedia. Mesmo assim me sentia normal ao lado de outro garoto.

Andávamos calmamente como se a natureza nos inspirássemos a observá-la e apreciar o raro pôr do sol. Parecia uma pintura a imagem projetada no céu rosado e alaranjado, com pequenas nuvens e mínimos raios solares que tentavam se esconder e obedecer a noite que se aproximava. Uma noite morna e anormal, diferente do meu dia.

- Então quer dizer que você não sabe jogar futebol? – arqueei as sobrancelhas levemente tentando não rir do que acabara de ouvir. Como um jogador de futebol não sabia jogar... futebol?

- Para de rir! – me empurrou pelos ombros carinhosamente – Eu só não sei as regras muito bem. Eu jogava cricket, lembra?

- Mesmo assim... Como a treinadora deixou você entrar no time?! – perguntei chutando as pedrinhas no chão.

- Acho que é por que eu tenho muita gostosura! – gargalhou massageando a barriga e fazendo caretas. Caretas extremamente sexies.

Mike era realmente legal. Os únicos momentos que eu não ri a tarde inteira foi quando chegamos a diretoria e paramos para falar com a secretária sobre os horários oficiais de suas aulas. Não sei por que me recusava a ajudá-lo. Tudo nele era contagioso, desde sua risada sinfônica aos meus ouvidos até o balançar de seus mãos que não paravam um minuto sequer ao lado do corpo. Meu sorriso se alongava cada vez mais quando alguma coisa engraçada acontecia ou só por desfrutar aquele momento.

Já anoitecendo, decidimos parar de andar e voltar para casa. Ninguém merece passar o dia inteiro fora e ainda ter que fazer mil e uma lições de casa para o dia seguinte. Suspirei frustrada com minha falta de planejamento e cruzei os braços começando a ficar emburrada. Mike ficou quieto o caminho todo, deixando meus pensamentos voarem e voltarem várias vezes. O que será que ele tanto pensava?

A poucos metros de onde estávamos três pessoas tocavam violinos maravilhosamente bem, deixando meus ouvidos mais apurados e deliciados com a melodia que extraía do instrumento. Olhei para o lado, mas Mike estava distraído na vitrine de um aloja de skate. Ri fraco e puxei sua mão correndo em direção aos músicos na praça da esquina. Com um susto surpreendente correu junto comigo mesmo não fazendo ideia do por que exatamente eu corria, gargalhando do vento espalhando em seu rosto e bagunçando seus cabelos já naturalmente bagunçados. Meus braços se arrepiaram quando finalmente paramos no local desejado e o vento frio determinou a chegada da noite.

- O que viémos fazer aqui? – segurou minha mão apertado como se tentasse me esquentar, já que estava sem casaco também.

- Ouvir a música... – dei de ombros e sorri – Gostou? – olhei para cima procurando seus olhos.

- Claro! É realmente muito bonito! – soltou minha e me abraçou, me deixando assustada de início.

Estremeci com a proximidade repentina e me afastei um pouco. Nunca tive um namorado, não um namorado a sério, pelo menos. Os olhos de Mike demonstravam tanta confiança em que fazia e me trazia tanta segurança que em volta de seus braços me sentia livre pra fazer o que quiser. Talvez fosse isso que me fez voltar para seus braços e me aquecer com o calor que emanava de seu corpo, nos deixando em uma cena totalmente clichê e romântica, o que não era o nosso caso, por que tínhamos acabado de nos conhecer.

Meu estomago revirou quando senti sua mão acariciando minha cintura calmamente e seu olhar me examinava misteriosamente. Engoli em seco com a descoberta de novas sensações e olhei para cima sorrindo envergonhada.

- Acho melhor eu ir, Mike. – me afastei – Minha vó deve estar preocupada comigo. – disse docemente

- Tudo bem , Mari! – me puxou para um abraço de despedida – Adorei passar a tarde com você! – beijou-me no rosto carinhosamente.

- Eu também! – sorri

Dei meia volta e comecei a fazer o caminho de casa. Olhava para o chão com os pensamentos a mil. Nunca ninguém havia ficado junto a mim daquela maneira, não como Mike ficara, só Cameron, mas ele não conta. Principalmente por que ele nunca será meu namorado. Nada me vinha a cabeça do por que o tipo de garoto como Mike se interessara por mim. Parecia que seu gosto era mais uma garota como a Sam, cheia de curvas e o cabelo mais brilhante que uma mina inteira de ouro. Era difícil conseguir assimilar os acontecimentos. Todos juntos.

Pode-se dizer que eu era diferente de minhas amigas, por que nunca tinha sido beijada por ninguém , mas talvez não significasse me sentir tão estranha a situação presenteada. Como se eu já tivesse passado por aquilo, mas nada acabasse bem. Uma mistura de emoções me passou calafrios quando comecei a pensar naquilo.

Apertei o passo passando por diversas lojas exuberantes e caras e pelo famoso veterinário que desde quando nasci estava lá. Outro pensamento veio à tona. Parecia que aquele caminho era mais familiar do que nunca, não que eu passasse por ali todo dia para ir a escola, mas como se muito antes que eu tivesse condições de frequentar a escola, eu já passasse por ali.

O que estava acontecendo comigo?

Revirei os olhos inconformada com minhas idiotices a flor da pele e continuei caminhando um pouco mais rápido devido ao vento que soprava forte e me esfriava mais e mais rápido.

Alguns minutos depois abri a porta de casa aliava por ali estar quente e a lareira ligada, deixando o local aconchegante e familiar. Um cheiro de sopa de legumes me atraía à cozinha e exalava até meu quarto.

- Oi, vovó! – soprei já sentada na bancada da cozinha sorrindo e inspirando o odor maravilhoso de comida.

- Olá, querida! – me olhou carinhosamente continuando a fazer o jantar – Por que chegou tão tarde? – perguntou interessada.

- Cameron me pediu para mostrar a escola a um aluno novo. – dei de ombros não entrando em detalhes – O Cameron ligou, vovó? – chequei meu celular, porém não havia nenhuma chamada perdida.

- Ele está lá em cima te esperando... – respondeu sem tirar os olhos da receita que fazia.

Estranhei ele não ter me avisado que iria jantar em casa, mas subi as escadas o mais rápido que pude e entrei em meu quarto com a respiração falha e as bochechas ficando vermelhas.

Cameron estava deitado em minha cama lendo alguma revista esportiva quando o encontrei. Minha testa enrugou de curiosidade do por que ele estava se escondendo de mim a manhã toda, mas assim que o vi minha vontade de abraça-lo era maior.

- Seu idiota! – pulei em cima dele soltando gargalhadas – Como. Pode. Se. Esconder. De. Mim? – perguntei pausadamente recuperando o fôlego e rindo de suas risadas que não acabavam.

- Não estava me escondendo! – levantou as mãos se dizendo inocente – Você que não me viu! – gargalhou

- Seu mentiroso! — o acusei incrédula – Onde você estava? – sentei civilizadamente tirando a revista de suas mãos e a colocando na escrivaninha.

Cameron sorriu malevolamente e se aproximou cuidadosamente de mim, chegando perto o bastante para conseguir sentir sua respiração em meu pescoço e me fazer estremecer. O que ele estava pensando que fazia?

Senti meus cabelos deixarem a parte lateral do meu pescoço e seus lábios subirem pela minha orelha vagarosamente. Minha respiração já denunciava meu nervosismo e meus dentes mordendo meus lábios rapidamente demonstravam minha excitação com aquilo tudo. Cameron e eu éramos como... irmãos. Nunca pensamos em algo a mais além da nossa amizade, mas acho que não era isso que o colégio inteiro pensava a nosso respeito. Nunca precisamos nos mostrar mais ou sentir fisicamente um ao outro para conseguirmos prosseguir no caminho que torneávamos. Era tudo tão prático e tão simples que apenas um sorriso me dava forças para enfrentar meu dia e continuar a aturar aquele hospício chamado de escola.

Eu nunca me apaixonei de verdade por Cam. Talvez um amor infantil que todo mundo sente por aquele garoto mais velho que sempre cuidou de você e nunca deixou que nada te atingisse, mas percebi que aquilo não era o que realmente sentia. Cam era meu melhor amigo, e nunca deixaria de ser. Por mais que as coisas pudessem ficar tensas ao nosso redor e quebrar a atmosfera que nos envolvia em certos momentos, eu sabia que aquilo nunca duraria, não como namorados ou apenas por diversão, por que ele sabia que eu não era aquele tipo de garota. Não gostava somente da diversão. Tinha que ter mais. Ele sabia disso.

-Não vou te contar. – soprou seu hálito em meu ouvido, tão próximo como nunca antes.

Soltei a respiração presa por longos segundos e relaxei os ombros assim que saiu de perto de mim, parecendo não se dar conta do que acabara de me provocar. Ele estava ferrado. Claro que estava.

Virei bruscamente em sua direção e distribuía tapas cada vez mais fortes, com xingamentos inimagináveis e divertidos. Se alguém visse a cena com certeza acreditaria que estávamos nos matando, mas muito pelo contrario, aquilo era só o começo da guerra que estava por vir.

Tá, brincadeirinha.

- Seu maldito! – estapeie seus braços, porém com muita mais força e facilidade me prendeu na cama em baixo de seu tronco – Me solta! – movimentei minhas pernas querendo sair daquela posição desconfortável.

- Calma ai, esquentadinha! — segurou mais meus braços e olhando em meus olhos profundamente conseguiu me acalmar. – Eu vou te responder, se quer mesmo saber.

Bufei impacientemente esperando pelo mistério de sua desaparição repentina quando seus olhos fixaram-se na janela e logo depois em meu rosto e no meu nariz e finalmente em meus lábios.

- Então conta logo, Cameron. Você tá fazendo cena pra nada! – reclamei envergonhada de como me olhava.

Seu olhar voltou para a janela e em seguida me soltou e me trouxe para perto de si, me abraçando apertado. O calor de seu corpo me relaxou e suspiros leves saíram de meus lábios quando senti sua mão em minha cintura. Não do jeito como Mike, mas do jeito Cameron de ser. Não demonstrando desejo, ou talvez sim. Acho que era muito inocente.

- Eu não sei o que realmente aconteceu essa semana, na verdade. – começou devagar olhando para o chão, mas mesmo assim não me soltou um segundo – E eu não sei o que isso significa. Acho que estou confuso e assustado por que eu nunca senti algo assim, entende? – apertou minhas mãos parecendo confuso – Talvez isso seja passageiro ou eu sempre senti isso, mas não posso dizer verdadeiramente se nem ao menos eu experimentei isso, se me entende. – levantou e abaixou os ombros parecendo derrotado.

Por mais estranha que estava sendo aquela conversa, não estava entendendo nenhuma palavra do que falava. Parecia muito pior que o francês que o professor Sánches ensinava. Ou tentava ensinar, já que o cara era espanhol. Bom, isso não vem ao caso.

- Cam – fiz uma careta chegando mais perto e entrelaçando suas mãos nas minhas lhe mostrando confiança – Eu não estou entendendo nada! – admiti segurando o riso.

Sua risada anasalada preencheu o ambiente como uma orquestra. Não tão bonita quando sua risada de verdade, mas só de saber que conseguia demonstrar alguma felicidade em meio aquele caos de sentimento que sentia, Cameron não eu, me fazia mais aliviada.

- Eu estou tentando te falar uma coisa tão fácil, Julie! – bagunçou os cabelos mais desesperados – Eu só não sei como tornar isso menos... difícil. – suspirou

- Tenho uma ideia. – pisquei os olhos brincando – Que tal se eu fizer um questionário sobre essas... – procurei alguma palavra certa para descrever o que tinha me dito – Enfim, essas informações confusas que me deu. Dai você responde o que vier primeiro em sua cabeça. O que acha? – sorri de lado.

Seus olhos se fecharam por um breve momento e sua cabeça assentiu, porém que o que pressentia era uma coisa diferente. Bom, tentaria fazer as coisas melhorarem, pelo menos até o jantar.

- Tudo bem, vamos começar. – encostei na parede ficando de frente para ele e peguei um bloquinho de papel fingindo anotar suas respostas – Por que demorou pra chegar na escola hoje?

- Por sua causa. – respondeu praticamente sem voz. Arregalei os olhos assustada com sua resposta, mas continuaria minha função de descobrir o que estava acontecendo.

- Por que sua boca estava vermelha e sua camisa estava amassada quando chegou atrasado na aula?

- Por sua causa.

- Por pediu que eu mostrasse a escola a Mike já que você que é do time de futebol e será mais amigo dele do que eu?

- Por sua causa. – respondeu novamente a mesma coisa.

- Qual é, Cameron! – sacudi as mãos inconformada – O que eu fiz de errado? – estremeci os lábios me sentindo culpada por alguma coisa que eu não sabia.

- Nada! Você não fez nada de errado! – levantou rapidamente e com passos largos veio em minha direção segurando meu rosto na altura dos seus olhos.

- Então o que eu tenho a ver com isso? – franzi a testa.

- Eu te amo tanto, Julie! – suplicou com os olhos mareados – Mas eu não sei o que isso significa realmente.

- Oras, eu também te amo, Cam! Quer parar de ser tolo! – bati em sua testa levemente fazendo graça – Você vai se mudar ou algo do tipo? – quis saber.

- Claro que não! – negou com a cabeça e com as mãos – Eu estou querendo te dizer que eu te amo mais do que como somente um amigo. E eu me dei conta disso somente essa semana. Por isso que te evitei o dia inteiro. Não conseguiria te olhar e não fazer nada. –inspirou profundamente retomando o fôlego – A camisa amassada e essas coisas foi culpa da Sam. Eu tinha que testar se era por você que estava apaixonado mesmo. Mas quando beijei Sam... Não senti absolutamente nada. Nada! – conspirou com suas afirmações – Julie, eu não sei o que estou fazendo. Eu só vim aqui por que eu precisava te ver. – finalizou olhando em meus olhos e apertando meus ombros firmemente.

Assim que terminou seu discurso senti um calafrio no estômago chegar. Cameron estava apaixonado por... mim? E todo aquele discurso que somente a nossa amizade bastava? Simplesmente desapareceu? Nenhuma palavra saía da minha boca. Eu estava muda. Muda de surpresa. Abria e fechava meus lábios constantemente, mas nada do que eu estava pensando conseguia reproduzir em palavras, aquilo era impossível. Cameron talvez estivesse me confundindo com outra garota, com certeza era aquilo.

Meus olhos confusos e desesperados provavelmente o assustou mais ainda, deixando-se levar e cair pesadamente na cama com as mãos sobre os olhos e a perna inquieta para baixo. Murmúrios podiam ser ouvidos saindo de sua boca, mas a minha continuava calada, enquanto meu corpo continuava a mandar calafrios e sensações engraçadas ao meu estômago. Como Cam podia se apaixonar por alguém como... eu? Não sou chamativa, nem fico saindo com garotos o tempo todo, quer dizer, o único garoto com quem já sai sozinha foi com ele e... Mike, mas esse último não conta. Pelo menos acho que não.

Fechei os olhos brevemente e respirei fundo seguindo em sua direção e pensando no que poderia falar a ele.

- Cam... – mexi em seus cabelos levemente somente para faze-lo entender que tudo estava bem – Olha, você tem certeza sobre isso? Talvez você esteja errado, pense bem. É comum confundir a nossa amizade com algo a mais, você sabe disso... – sussurrei já agachada para ficar a altura de seu olhar.

- Não, eu não estou errado, Julie. – pegou minhas mãos e as juntou com as suas. – Por que você está tão surpresa? – ergueu as sobrancelhas com um riso debochado no rosto.

- Por que... – pensei brevemente – Pensei que tudo o que a gente já passou fosse somente por que éramos amigos. Por isso eu fiquei assustada, na verdade. Não sabia que quando deitávamos na rede você pensava em mim de outra forma, ou quando íamos ao cinema e eu deitava em seu ombro, ou até quando dormi com você... – inspirei e logo percebi o erro em minha frase arregalando os olhos – Quer dizer, eu não dormir com você, quer dizer... eu dormi com você, mas não daquele jeito, claro que não... – engasguei com meus erros e minha nervosisse.

- Claro que eu não pensava em você de outro jeito, Julie! Aquilo já faz tanto tempo! – sorriu acariciando meu rosto – Faz só algumas semanas que eu tenho sentido essa coisa a mais por você. Nunca abusei de você ou te enganei de alguma forma! Nunca seria capaz de fazer isso com alguém tão doce e gentil como você, minha pequena.

Aquelas palavras ditas me confortaram de tal forma que meus olhos se encheram de lágrimas e caiam involuntariamente, mas meu sorriso não desaparecia do rosto de forma alguma. Cam era o garoto mais bondoso que eu já havia conhecido, sempre cuidadoso e nunca me desapontara. Pelo menos não até aquele dia. Nunca consegui imaginar aquilo acontecendo, não daquele jeito como realmente aconteceu. Parecia tão mágico e surreal que tinha medo de fechar os olhos por breves segundos e acordar deixando aquele clima agradável, deixando de sentir o calor de suas mãos nas minhas e seu sorriso contagiante colorindo o quarto de uma forma divertida.

Cameron me olhava com receio e divertimento no olhar, não conseguia decifrar o que estava pensando, mas confiaria em qualquer coisa que me falasse. Simplesmente não conseguiria falar não depois de tudo o que falamos naquela noite. Não me perdoaria se fizesse aquilo com ele. E não era como se eu não quisesse. Cam era um dos caras mais legais do colégio, quer dizer, pra mim ele era o mais legal, mas a minha opinião não contava. E além do mais, nunca conseguiria me desprender dele. Talvez se eu só tentasse...

Seu rosto mais próximo do meu emanava calor e me deixava a vontade, seu hálito doce e cítrico batia em meu rosto e contornava a atmosfera existente e seus olhos profundo se dividiam entre minha boca e meu olhar, me deixando envergonhada e orgulhosa ao mesmo tempo. Conseguia visualizar cada mínimo detalhe do seu rosto, cada gota de água que seu cabelo deixava escapar, cada mínima ruga de expressão. Meus olhos hipnotizados pelos seus lábios foram se fechando devagar com a proximidade lenta, mas prazerosa. Eu sabia o que estava por vir. Mas eu não tinha medo.

Seus lábios macios tocaram os meus calmamente, somente sentindo a presença um do outro. O gosto doce de sua boca preenchia minha memória e suas mãos delicadas tocaram minha face acariciando minha bochecha cuidadosamente. Senti sua língua contornar meus lábios pedindo passagem e eu mais que envolvida no momento abri minimamente minha boca, encontrando sua língua na minha. Meu estômago já embrulhado de ansiedade explodiu com o contado inédito e maravilhoso, minha nuca se arrepiara e meus braços involuntariamente envolveram seu pescoço, trazendo-o mais perto de mim. Nossas línguas travavam uma dança íntima e sensual, que mesmo desconhecidas pareciam se familiarizar, nos deixando confiantes e nem um pouco arrependidos do que estávamos fazendo naquela hora.

Nada importava realmente. Não iria ligar se minha vó aparece em meu quarto naquela hora, nem se meu vô chegasse de viagem e fosse me ver. Ou até se Mike me ligasse e pedisse mais alguma coisa para aquela noite. Pela primeira vez eu tinha beijado um garoto. E esse garoto era Cam. E por mais estranho que pareça ser beijada por seu melhor amigo, naquele momento isso não importava, por que nós dois curtíamos o momento juntos. E se fosse assim, tudo bem. Eu amava Cam, e sabia que ele me amava também.

Nos separamos alguns centímetros o suficiente para retocar o oxigênio e conseguir sorrir envergonhados e atrapalhados. Ninguém sabia como reagir àquilo. Com suas bochechas vermelhas e olhos iluminados pela luz do abajur suspirou pra mim e me abraçou gentilmente, reconfortando a situação e a deixando limpa e sem constrangimentos.

Ambos abrimos a boca, mas de nada adiantou. Somente risadas anasaladas podiam ser ouvidas e sentidas na atmosfera do meu quarto naquela noite. Eu sabia que talvez demorasse para nos acostumar com aquilo, principalmente com aquilo. Não saberia reagir quando algumas pessoas soubessem e minha vó descobrisse. O que ela pensaria?

Tirei meus devaneios da cabeça quando senti seus lábios beijarem o topo da minha cabeça, meus olhos, meu nariz e finalmente minha boca, a selando com preciosidade e paixão, iniciando mais um beijo ardente e apaixonado que causavam arrepios por todo meu corpo, mesmo estando confusa com tudo aquilo e não entendendo muito bem o que fazia. Ou do por que meu corpo reagia daquela forma a ele. Cameron sempre foi meu amigo, e até aquele dia eu não sabia do poder que tinha sobre mim.

Algumas coisas estavam prestes a mudar em minha vida, agora eu só precisava seguir o caminho certo.

- Acho melhor descemos. – disse com um sorriso simpático no rosto, entrelaçando nossas mãos e me dando um beijo estalado no rosto.

- Claro! – assenti com as bochechas rosadas – Estou com uma fome enoooooorme! – fiz careta quando senti o cheiro delicioso de comida vindo do andar de baixo.

Notas finais
E ae? Como estão achando que está ficando? Estão gostando? MUAHAHAHAHAHAHAH tem muuuuuuita coisa ainda pra acontecer! HAHAHAHA' Bom, comentem para me deixar feliz, ok?
Beijinhoooosss xX
Mari
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.