The British Royal Family
4 Um acordo
Notas iniciais
Palácio de Westminster
Já era bem tarde, quando Mia finalmente colocou os pés no palácio. Assim que pisou no hall, retirou os saltos altos e caminhou até a cozinha. Christian havia seguido diretamente para seu quarto, após lhe desejar uma boa noite. Ele morava ali, durante a semana e aos sábados, domingos e feriados, ficava em seu apartamento no centro da cidade. Não havia ninguém acordado aquela hora, por isso, se encarregou de buscar algo para comer em uma das três geladeiras da imensa cozinha. Encontrou um pouco de suco de laranja, uma variedade de frutas e ingredientes para sanduíche. Retirou tudo e pousou sobre o balcão. Prendeu os cabelos em um coque frouxo e começou a preparar seu lanche.
Serviu o suco em um copo e começou a montar dois sanduíches. Quando finalizou o processo, pegou uma tigela e cortou algumas frutas em cubos. Assim que terminou, colocou tudo em uma bandeja e saiu do local, indo em direção ao próprio quarto. Depois de fechar a porta, sentou-se em uma das poltronas e ligou a televisão em um canal qualquer, onde passava algum filme desconhecido para ela. Cerca de meia hora depois, ouviu batidas leves em sua porta. Foi até a mesma e abriu, revelando uma garota de estatura baixa e um sorriso tímido no rosto. Era Lucy.
— Lucy? O que faz acordada à está hora? — Mia perguntou, dando espaço para garota entrar, e fechou a porta.
— Eu vi quando você chegou. Sei que já é bem tarde, mas quando passei aqui em frente e ouvi o barulho baixinho da televisão, achei que poderíamos conversar um pouquinho. — Ela explicou. — Mas, se estiver indo dormir, posso voltar ao meu quarto. Não tem problema.
— Não se preocupe. Ainda não estou com muito sono, apesar do meu dia extenso de compromissos. Sente-se. — Apontou para a poltrona ao lado da sua. As duas sentaram-se. — Então, sobre o que quer conversar?
— Bom, primeiro eu quero dizer sobre o quão incrível é o seu quarto. Parece mesmo um quarto de princesa. — A garota sorriu, encantada.
— Obrigado. Eu também o adoro. Tudo aqui dentro remete a minha personalidade, aos meus gostos.
— Essas fotos são de você e sua irmã quando eram crianças? — Perguntou, apontando para o enorme painel na parede direita.
— Sim. Minhas, de nós duas, o dia do nascimento de Kate, muitas com o Chris, férias em Aspen, Seychelles, enfim. São ótimas memórias.
— Mia... Será que posso fazer uma pergunta um tanto pessoal?
— Bom, seu eu puder te responder, querida, então sim.
— Você e o meu irmão... Acha que vai dar certo? — Lucy questionou. — Por favor, seja totalmente sincera comigo. Sei que não somos melhores amigas e nem nada ainda, mas eu preciso saber.
— Olha Lucy, eu... — Mia suspirou. — Eu realmente não sei. Te juro que gostaria muito de saber, mas não tenho essa resposta. Acho que só o tempo dirá.
— Sim, bem, vocês nem se conhecem direito ainda. E toda essa pressão do casamento pode parecer um desafio. Mas, eu só quero que saiba que desejo o melhor para vocês dois. Você é muito especial pelo que pude perceber e meu irmão merece alguém assim. Mesmo que não sejam um casal de verdade, poderiam ser ótimos amigos.
— Não seria uma má ideia. — A princesa sorriu docemente e balançou os cabelos. — Isso vai depender do tempo. Não sabemos como os próximos meses serão. E não quero forçar um vínculo inexistente.
— Eu tinha razão... — A garota abriu um grande sorriso. — Você é diferente. É especial.
— Obrigado, eu acho. — Ela encolheu os ombros e riu levemente. Lucy levantou-se.
— Vou dormir agora. Amanhã é sábado, mas tenho certeza de que minha mãe terá algum compromisso ao qual terei que ir junto. — Fez um careta. — Foi bom conversar com você, Mia. — Ela caminhou até a porta.
— Foi bom conversar com você também, querida. Boa noite.
— Boa noite. — E se foi, fechando a porta.
Mia levantou-se e desligou a televisão. Foi até o banheiro e tomou banho, saindo do mesmo já pronta para dormir. Por algum tempo, enquanto estava deitada, esperando o sono chegar, ela lembrou-se das palavras da futura cunhada.
"Mesmo que não sejam um casal de verdade, poderiam ser ótimos amigos".
Seria possível mesmo os dois terem uma relação de amizade com o tempo?
"Você é muito especial pelo que pude perceber e meu irmão merece alguém assim".
Com essas palavras rondando seus pensamentos, a princesa adormeceu e o dia seguinte chegou mais rápido do que gostaria. Acordou por volta das nove da manhã, quando Chris entrou em seu quarto para se despedir.
— Bom dia, bela! O tempo está incrivelmente ameno nesta manhã. — O amigo disse, abrindo as cortinas do quarto. — Perfeito para ir a piscina ou dar uma boa caminhada pela propriedade.
— Você diz isso por que não vai fazer nenhuma das coisas. — Ela riu, sentando-se na cama. — Já está indo?
— Sim. E por mais que me doa passar os fins de semana longe da minha musa, eu realmente tenho que ir. Meus pais estarão na cidade por duas horas hoje. Em uma conexão para Itália.
— Diga para eles que mandei beijos e felicidades na terceira lua-de-mel.
— Eles vão adorar ouvir isso. — Riram. — Acha que pode sobreviver a este fim de semana sem mim?
— Com toda essa pressão? — Ele assentiu. — É muito provável que não, mas... Não pretendo acabar com a alegria dos pais.
— Você sabe que é só me ligar e venho correndo. E saiba que qualquer imprevisto na agenda, estarei aqui em um piscar de olhos para te ajudar.
— Obrigado, Chris.
— Só um aviso: a rebel princess Kate vai passar o fim de semana com os amigos em um iate.
— Pelo menos dessa vez ela avisou. Já faz quase um mês que ela não volta para casa, sempre passa os fins de semana com os amigos.
— Não podemos considerar uma evolução, mas...
— Já é um começo. Viu que falta você me faz nestes dias? — Ela fez uma careta fofa.
— Tudo bem, nada de despedidas melosas. São somente dois dias. — Ele circulou a cama até ela e lhe deu um beijo na testa. — Meu celular estará sempre a mão. Boa sorte, bela.
— Até segunda, mon ami.
Após o amigo sair, a princesa pulou da cama e se arrumou para tomar café. Precisava sair em menos de uma hora para um compromisso com a Chanel. O palácio estava demasiado silencioso, o que não era muito comum, considerando a quantidade de pessoas que transitavam ali dentro todos os dias. Quando chegou ao hall, ouviu um som de conversa vindo de uma das salas de visita. Logo Daiana, Isaac, Lucy e Liam saiam de lá. A lady abriu um sorriso imenso ao ver a futura nora parada bem em frente a eles e foi logo lhe cumprimentando com um abraço exagerado. O lord contentou-se apenas em lançar um sonoro "bom dia". A caçula sorriu acenando e o príncipe balançou levemente a cabeça, em cumprimento.
— Ora, não é tão oportuno este encontro? Nós estamos indo ao clube de campo para assistir uma ou duas partidas de polo. — A mais velha contou, animada. — Venha conosco.
— Oh, eu adoraria. Mas, hoje tenho um compromisso marcado com algumas estilistas da marca Chanel. Estou prestando uma consultoria, como um favor para uma amiga. Eles querem lançar uma linha inspirada em mim.
— Isso é incrível! — Lucy disse.
— Sim, eu acho. O dinheiro revertido da linha será doado para o Instituto do Câncer. Não sabem como aquelas crianças precisam de ajuda financeira. Muitos pais não tem dinheiro para bancar o tratamento de seus filhos e buscam o local. Eu tento ajudar como posso e busco incentivar que outros façam o mesmo.
— É muita generosidade de sua parte, princesa. — Isaac elogiou.
— Não é. Apenas sigo minha consciência. Aquelas crianças são pequenos anjos que merecem todo auxílio, atenção, apoio e carinho do mundo.
— Não temos dúvidas quanto a isso. — Liam concordou.
— Bem, não faz mal que tenha outros planos. Nós já estamos de saída, querida. Se mudar de ideia, nos encontre por lá. — A Lady balançou os cabelos e acenou para o marido e os filhos. — Vamos.
— Mamãe, sabe o que é, na verdade eu prometi... — A mais nova começou. Ela não queria passar o dia inteiro naquele clube cheio de pessoas arrogantes.
— Lucille, nós já falamos sobre suas obrigações sociais, querida. — A mãe começou com uma voz falsamente aveludada — E...
— Permita-me, Lady Daiana, mas convidei Lucy no dia anterior para me acompanhar até Chanel e ajudar-me a escolher os modelos. — Mia apressou-se em salvar a garota. — Na verdade estava indo buscá-la para seguirmos ao centro da cidade. Isso, é claro, se permitirem.
— Oh, é uma ótima ideia! — Daiana bateu as mãos, animada. — As cunhadas tendo um dia de garotas. Fascinante!
— Então, eu posso ir mãe?
— Claro, claro. Não se preocupe com nada, minha filha. Iremos só nos três mesmo. Aproveite e divirta-se com Mia.
— Nós iremos... Com licença, preciso somente apanhar minha bolsa no quarto. Divirtam-se vocês também no clube. — Ela disse, subindo as escadas para o segundo andar.
— Bem, agora vamos. — Caminhou até a porta com o marido. — Venha logo, Liam. — E saiu.
— Por que tenho a impressão de que você e a princesa acabaram de mentir de cara lavada para nossa mãe? — Liam questionou, erguendo uma sobrancelha.
— Eu realmente não queria ir ao clube, maninho. Ia inventar qualquer desculpa, mas acho que Mia percebeu e resolveu me ajudar. Uma tarde com ela vai ser melhor do que aturar todas aquelas garotas fúteis daquele lugar. — A irmã se justificou.
— Acho essa ligeira aproximação de vocês muito estranha.
— Estou apenas tentando conhecê-la, coisa que você não se dá ao trabalho de fazer. — Ela bateu no braço do irmão, que reclamou. — Poderia ser ao menos um pouco mais simpático.
— Estou fazendo o que posso dentro do meu limite.
— Você é um tonto, isso sim! — Empurrou-o para porta. — Agora vá, antes que nossa mãe resolva voltar aqui e te levar pelas orelhas.
— Ela não seria capaz de tanta deselegância. — Ele replicou com um sorriso sarcástico. — Tchau, maninha.
— Até logo, toupeira. — Ele saiu e logo a garota pode ouvir o som de saltos batendo contra o piso. Mia desceu com sua bolsa e o celular em mãos. — Obrigado pela ajuda.
— Não foi nada. Eu também não gosto de ir ao clube, mas Chris me obriga por conta das aparições sociais que devo fazer.
— Você já tomou café?
— Ainda não, mas compro um capuccino no caminho. Não podemos nos atrasar e o trânsito deve estar bastante movimentado. Vamos?
— Claro. — E saíram.
Royal Country Club
— Então é aqui que os riquinhos se reúnem para conversar sobre a crise financeira? Para tomar o chá das cinco? — Will debochou.
— Acho que sim. — Liam riu. Os dois sentaram-se no bar. — Mas não deixe-os ouvir isso. Podem acabar jogando bolinhos em você.
— Isso tudo faz parte do humor real? — O amigo empurrou o ombro do outro.
— Um pouco.
— Prefiro acreditar que seu bom humor matinal é fruto da convivência com sua futura noiva.
— Não começa...
— Fala sério, Liam. Você já está lá a dois dias. Não conseguiu tirar nenhuma conclusão?
— Nós trocamos meia dúzia de palavras, no máximo. — Ele deu de ombros. — Mas, pelo visto, Lucy já está bem empolgada com ela. As duas saíram juntas essa manhã.
— Amizade entre cunhadas, huh? — Will riu.
— Lu não queria vir pra cá e parece que Mia percebeu e ajudou. Só não entendi por que ela fez isso.
— Conquistar a cunhada já é um bom primeiro passo. E sabemos que Lucy vai fazer de tudo para que se aproximem. Nem parece que ela é a caçula e você o irmão mais velho.
— Tenho até medo em pensar no que a baixinha pode aprontar.
— É por isso que adoro ela! A garota sabe o que quer e principalmente o que fazer. Vou aguardar de camarote o momento em que você acabar caindo nos planos dela. E também nos encantos da princesa Mia.
— Will!
— Vamos fazer um acordo muito simples. Um que vai tirar todas as suas dúvidas e que pode me fazer reconsiderar tudo que já te disse até agora.
— Que acordo? — O príncipe perguntou, desconfiado.
— Por três meses, você vai se esforçar para conhecer sua noiva, conversar com ela, saírem, descobrirem um pouco um do outro. Se ao final deste tempo, ainda tiver os mesmos conceitos e achar que não pode gostar dela de uma forma romântica, eu retiro tudo que já disse e não volto a te provocar sobre este assunto. — Will explicou. — Melhor ainda: convenço Lucy a não fazer nada, pois sabemos que ela vai aprontar. Até te ajudo a fugir do país para não se casar, se for o que realmente quiser... Então, o que acha?
— O acordo mais fácil que já fiz em toda minha vida.
— Isso quer dizer que aceita?
— Pode ter certeza. Em três meses, estaremos tendo essa mesma conversa e você verá que eu sempre estive certo.
— É o que veremos, amigo. — Ele riu e pensou no quanto o amigo poderia se surpreender naqueles meses que seguiriam.
Chanel Store
— Essas peças ficaram incríveis! — Mia disse, observando as modelos desfilando as peças da coleção que criara. — Vocês conseguiram captar todos os detalhes dos croquis que desenhei.
— Seus desenhos eram incríveis, por isso conseguimos fazer tão bom trabalho. Deveria considerar uma carreira de renome como estilista. — Stella Hatchbone, diretora da filial, elogiou.
— Acho que não. Meu futuro é político, sem dúvidas. Princesa-Sucessora já é um cargo bastante complicado.
— Oh, meu Deus! Eu simplesmente adorei tudo. — Lucy exclamou. — Você realmente criou todos estes modelos?
— Sim, Lucy. Chris me ajudou também. Nós somos uma ótima dupla.
— Tenho certeza que sim.
— Então, podemos confirmar todos os modelos escolhidos para o lançamento da campanha publicitária? — Stella questionou.
— Sim. Acho que só será preciso encontrar as modelos perfeitas para o desfile e a campanha.
— Bem, eu espero não estar passando dos meus limites aqui, mas creio que tive uma ótima ideia. — A mulher sentou-se ao lado da princesa e continuou. — Seria realmente espetacular que a autora da linha desfilasse como modelo principal, tanto do desfile quanto da campanha.
— Está me pedindo para estrelar minha própria linha? — Mia questionou. — Não pareceria vender um produto apenas pela modelo que o veste?
— A ideia é boa, por que além do dinheiro que será revertido pela compra das peças da coleção, ainda poderá atrair muitas pessoas a doarem ao Instituto. Estaríamos chamando atenção para uma causa muito nobre e que merece reconhecimento e ajuda.
— Eu acho genial. Seria uma ótima forma de promover o Instituto e arrecadar mais dinheiro para doação. — Lucy apoiou.
— Vocês acham mesmo? — A princesa questionou, insegura.
— Claro! — As duas responderam em uníssono.
— Bem, se é assim, eu concordo. Faço qualquer coisa para ajudá-los.
— Fantástico! — Hatchbone comemorou. — Você pode escolher o modelo que quiser e vou preparar minuciosamente uma lista de modelos para o desfile.
— Na verdade, senhorita Hatchbone, eu acho que tenho uma outra ideia...
— Que ideia?
Mia apenas sorriu.
Palácio de Westminster
— Eu sei o que você está fazendo. — Liam disse, parado na porta do quarto da irmã.
Depois de confirmar o acordo ridículo com o melhor amigo, os dois passaram a tarde no bar do clube, até finalmente Daiana cansar-se de assistir corridas e decidir voltar ao palácio. Assim que chegaram, ele notou que a irmã ainda não havia retornado, então permaneceu em seu quarto até o momento em que viu pela sacada o carro que levava a princesa, estacionar. Lucy e Mia saíram conversando animadamente sobre qualquer coisa além da compreensão do príncipe. Elas pareciam amigas de infância: riam, brincavam e falavam sem parar. A tarde parecia ter sido produtiva. Mesmo querendo falar com a irmã, decidiu não interferir no momento das duas. Sabia que a caçula estava se aproximando da noiva, simplesmente para mostrá-lo que poderia fazer o mesmo. Mas, prometeu a si mesmo que não contaria nada sobre o acordo com Will para mesma. Ela tentaria de todas as formas, aproximá-los e não era isso que queria. Não dessa forma. Assim, quando a noite caiu, ele se dirigiu ao quarto da garota, que ficava no mesmo corredor que o seu. A baixinha tinha um sorriso travesso logo que abriu a porta.
— Do que está falando, Liam? Precisa ser mais específico, por que segundo você, eu apronto muito. — Ela sorriu.
— Mia. Isso te diz alguma coisa?
— Sua noiva? É claro, me diz muitas coisas. Ela é realmente genial. Precisava ver as peças que ela criou para coleção da Chanel by Mia. — Contou, entusiasmada.
— Não é o que estou querendo dizer. Só está se aproximando dela para mostrar que posso fazer o mesmo. Não é assim que as coisas funcionam, Lu...
— Pare Liam! Simplesmente pare! — Lucy explodiu. — Você só coloca obstáculos nas coisas, nunca faz nada para mudar a situação. Saia daqui e vá lá embaixo conhecer um pouco sobre a sua noiva. Ou vai deixar para quando estiverem completando cinquenta anos de casamento?
— Lucy...
— Estou cansada de ouvir suas desculpas sobre o que acha ser a índole de Mia. Eu não quero mais ouvir isso. Faça algo para mudar essa situação. Querendo ou não, vai se casar. Conforme-se. — Ela correu para o banheiro a bateu a porta, irritada.
Depois da pequena explosão da irmã, Liam, ainda chocado, desceu para o jantar. Os pais ainda não estavam por lá e os empregados serviam a mesa. Ele sentou-se e esperou o que pareceram ser dez minutos, ate finalmente alguém entrar. Mia vestia calças pretas, uma blusa branca larga, saltos e os cabelos estavam soltos, em cascata. Ela pareceu surpreender-se com apenas o príncipe estar ali.
— Não há mais ninguém para jantar? — Ela perguntou, sentando-se na frente dele.
— Acho que não. Vi uma das empregadas levar uma bandeja lá para cima, acho que para o quarto dos meus pais. Lucy não vem. — Ele respondeu, desconfortável. — Sua avó e Christian não vem?
— Vovó não está aqui e Chris foi para casa. Ele tem os fins de semana livre de mim. — Mia riu, levemente.
— Vocês são bastante amigos... — Liam começou.
— Oh, sim. Muitos anos de convivência. Às vezes acho que nos conhecemos de outras vidas. Somos muito parecidos.
Houveram alguns minutos sem que nenhum dos dois dissesse nada. Quando Liam decidia se quebrava o silêncio ou não, Melanie entrou no salão.
— Oi Melanie, como vai? — A princesa sorriu, docemente.
— Muito bem. Obrigado. E a senhorita?
— Também, querida. Recebi um e-mail do seu colégio, avisando sobre os seus resultados. Foram muito satisfatórios, meus parabéns!
— Obrigado, senhorita Mia. Eu estudei muito para alcançar estes resultados. Sou muito grata por se preocupar comigo. — Melanie sorriu, contente.
— Não é esforço algum. É uma ótima garota. O que ainda está fazendo aqui em um sábado? Já não deveria estar em casa?
— Estava ajudando Mary na cozinha. A rainha teve um almoço de negócios. Mas já estou de saída, só vim saber se precisam de alguma coisa.
— Creio que não. Uh, príncipe Liam?
— Tudo está ótimo. — Ele afirmou, observando a interação entre as duas.
— Você pode ir agora mesmo para casa. Não quero vê-la aqui até tão tarde, certo? — A outra assentiu. — E por ter ficado hoje, tome a segunda-feira de folga.
— Obrigado, princesa. Com licença. — E saiu.
— Por que você recebe os resultados do colégio dela? — Liam questionou, interessado.
— Eu consegui uma bolsa de estudos para ela em um colégio particular. É uma jovem garota cheia de talento e vontade de crescer. A direção me atualiza sobre todos os resultados de suas provas e simulados. Preciso saber se ela está indo bem e se o trabalho não está afetando seus estudos. — Mia explicou.
— Isso é muito bondoso de sua parte. — Elogiou, para surpresa dela.
— Obrigado. — Agradeceu com um sorriso sincero. — E... — Ouviram um celular tocar. — É o meu celular. Com licença. — Ela se levantou e afastou-se um pouco da mesa. — Sim?
— É Mia? Peguei este número no celular de um rapaz. Ele sofreu um ataque aqui na rua. Já chamei a ambulância e...
— O que? Chris, ele... — As lágrimas começaram a rolar por seu rosto. Liam levantou-se, observando a expressão dela mudar radicalmente. — O que aconteceu com o Chris? — Ela berrou, desesperada.
— Você precisa vir. Eles o estão levando para o hospital mais próximo. Ele perdeu muito sangue e está inconsciente. Acho melhor vir agora ou poderá ser tarde demais.
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