The Brightness Change
6 Capítulo 6 - Climax
Notas iniciais
Algumas horas após ter encontrado seu filho desacordado na sala de observações, Faccini aguardava apreensivo que seu filho acordasse, preferiu não tomar nenhuma decisão quanto a exames e avaliações até que seu filho estivesse consciente. Chamou um médico, conhecido de muitos anos, para avaliar o garoto e ver se não lhe havia ocorrido nada mais sério.
– Seu filho está bem, Thomas. Ele apenas dorme. – disse o médico que chamava Faccini pelo seu primeiro nome, devido a tantos anos de amizade.
– Você disse que ele caiu sem mais nem menos e desde então ficou assim? – perguntava o médico.
– Sim. Exatamente.
Faccini não havia contado ao médico da exposição do garoto à “mini-estrela”. Ele queria saber se seu filho estava bem, para após isso fazer sozinho alguns exames pra estudar o quão afetado seu filho havia sido.
Com a confirmação de que seu filho estava bem, Faccini o deixou dormir e enquanto isso pegou a última cobaia exposta ao brilho – antes de seu filho e a única cobaia viva — para estudar novamente os estímulos cerebrais causados pelo campo eletromagnético da estrela. Enquanto fazia os exames, Faccini se mostrava apreensivo, pois todas as cobaias expostas ao brilho haviam morrido e ele tinha receio que algo acontecesse a seu filho. Após completar os exames – ainda não havia visto os resultados – tornou a ir ver seu filho. Ele ainda dormia com sua avó ao seu lado, sentada em uma poltrona, quase cochilando. Aquela espera era dramática para Faccini, mesmo com a confirmação de que o garoto estava bem, ele sabia o que poderia ocorrer com o tempo. Com toda essa preocupação, Faccini não resistiu, lágrimas encheram seus olhos e por mais que ele tentasse disfarçar o lacrimejar não escondia que ele estava chorando.
Mesmo aos prantos, Faccini se retirou do local e foi ver o resultado dos exames da última cobaia. As lágrimas o atrapalhavam, mas não o impediam de ler os resultados, resultados estes que o surpreenderam. Os exames mostravam que a cobaia não tinha mais estímulos cerebrais e que o sistema nervoso trabalhava normal, da mesma forma que não havia mais um alto número de pulsos eletromagnéticos na transmissão ao cérebro – estes pulsos que estimulavam um desempenho melhor do cérebro, consequentemente dando habilidades. Em outras palavras, a cobaia estava exatamente igual à antes de ser exposta ao brilho.
Ainda surpreso com o que tinha lido e com o rosto cheio de lágrimas, Faccini percebeu uma aproximação.
– Papai, eu já acordei. Não precisa mais chorar. – seu filho estava na porta da sala, sorrindo para ele.
Faccini foi ao encontro do filho e o abraçou, e então voltou a chorar.
– Desculpe papai. Eu estava com muito sono.
Faccini não conseguia dizer nada, apenas abraçava seu filho. A avó do garoto olhava da entrada da sala.
– Vamos todos para casa, melhor descansarmos. – dizia ela.
Faccini foi com eles para casa e repousou por alguns dias, aproveitou ao máximo todo o tempo que ficara ali com seu filho, sempre se lembrando do que havia acontecido com as cobaias e teorizando que uma vez onde se ocorria a exposição, o exposto anterior “perdia” as habilidades e então morria, e de alguma forma, crias, fêmeas e pais também morriam. Então com base nessas coisas já começou a cogitar abandonar a pesquisa definitivamente e arquivar o cubo com receio que uma nova exposição matasse ele e seu próprio filho. Mas para ter certeza disso, faria exames no garoto para ver se existiam os estímulos cerebrais, assim como acontecia com as cobaias.
Ao retornar para o centro de pesquisas, Faccini observou que os pais da ultima cobaia expostas haviam morrido, como esperado. Dias depois as crias também morreram, assim como a fêmea. E por fim, com mais alguns dias tendo se passado, a cobaia exposta também morreu. Durante este tempo, Faccini conduziu os testes em seu filho e confirmou que o garoto havia adquirido maiores habilidades, exemplo disso era que o menino agora tinha muita facilidade em lembrar coisas que via e lia.
Com sua teoria se concretizando, Faccini então, arquivou o cubo para evitar que sua família morresse no caso de um novo evento da estrela.
Com o passar dos anos, seu filho começou a trabalhar com ele, fato que só evidenciou mais o efeito da exposição sob o garoto, que a esta altura, já estava ciente do que aconteceu com ele e estava totalmente de acordo com a suspensão dos trabalhos com a estrela. Os dois trabalhando juntos não eram muito organizados, até porque o filho do doutor tinha uma vida mais corrida com estudos, visitas diárias a avó e o próprio trabalho, e o próprio Faccini já sofria com sua desorganização antes de trabalhar com o filho. Isto os levou a contratarem mais uma pessoa, Vanessa, uma espécie de assistente, mas que não entendia de ciência, apenas estava lá para organizar a bagunça que os dois deixavam, além de cuidar da agenda de Faccini.
– Vanessa, como está minha agenda até o fim de semana? – perguntou Faccini.
– O doutor tem uma reunião na quinta com o ministro da ciência e tecnologia, e na sexta, o senhor estará livre. – comunicava a assistente.
– Ótimo. Acho que na sexta faremos aquela mudança da qual havia falado. Preciso dispensar algumas coisas.
– Na sexta o seu filho não vem para o laboratório.
– Não tem problema. A propósito, sobre a sua filha, se quiser pode trazê-la.
– Claro doutor, obrigada. Ela vai adorar conhecer o senhor, ela o admira muito.
– Os jovens ultimamente não admiram grandes coisas. – falava Faccini aos risos.
Vanessa tinha uma filha da mesma idade do filho do Dr. Faccini, ela era muito inteligente e se interessava por assuntos de ciência. Uma vez a filha de Vanessa pediu para que a mãe falasse com o Dr. Faccini para conhecê-lo.
Na semana seguinte, o filho do doutor chegou para ele preocupado.
– Pai, onde está o cubo?
– Está na nova sala de arquivados, fizemos mudança na sexta. Reorganizamos algumas coisas. – justificou o doutor.
– Não está pai.
– Como assim não? Claro que está.
– Pai, eu averiguo isso todos os dias por medo de que algo possa acontecer e tenho certeza de que não está.
– Vamos até lá. Isto não é possível.
Chegando ao local onde o cubo estava guardado, Faccini entrou em desespero, o cubo realmente havia sumido.
– Pai, precisamos de indícios de onde possa estar, temos que procurar por tudo. E se não encontrarmos aqui precisamos ir atrás de pessoas que poderiam ter retirado daqui.
– Procuraremos agora. – declarou Faccini com um semblante apavorado.
– Aconteceu algo, doutor? – chegou Vanessa que via o desespero do pai e do filho a procura do objeto.
– Sim, Vanessa. O cubo sumiu.
– O que fez o seu filho ser inteligente?
– Sim. – respondeu brevemente o doutor enquanto procurava.
– Ajudarei a procurar senão teremos mais algum inteligente por aí. – brincou Vanessa.
– E menos dois. – respondeu seriamente, Faccini.
Vanessa não havia entendido o que aquilo quis dizer e como Faccini estava sério demais achou que ela tivesse feito uma brincadeira da qual ele não tinha gostado. Faccini havia contado a história a Vanessa de forma superficial, escondendo as partes que envolviam as mortes, então ela não tinha ideia do que poderia acontecer se alguém fosse exposto novamente.
O objeto não foi encontrado no centro de pesquisas e então Faccini e seu filho decidiram observar pessoas próximas ao centro para saber se alguém podia ter retirado o cubo de lá, os dois tentaram fazer isso com certa discrição, principalmente porque a própria assistente Vanessa seria observada.
Na manhã seguinte, Faccini e seu filho receberam a triste notícia da perda de um ente querido. A mãe do Doutor havia falecido de parada cardíaca. Foi um choque para os dois. E agora eles sabiam que o pior tinha acontecido. Alguém havia aberto o cubo. A questão era descobrir quem e como fazer para se salvarem. Mas estava difícil naquele momento para pensarem, ainda sofriam pela perda.
Cerca de 45 dias após isso, o chefe de vigilância do centro de pesquisas foi até a sala de Faccini.
– Doutor, as câmeras de segurança detectaram a entrada de um estranho no Centro na noite passada. – informava o agente.
– Me envie as imagens, imediatamente. –ordenou Faccini.
Ao ver as imagens, o doutor viu alguém que realmente era estranho e que nunca havia visto.
– Um jovem, mas o que ele veio fazer aqui? Essas coisas que ele está mexendo são os relatórios de... – sua voz sumiu quando percebeu o que o invasor via.
No momento, chegou seu filho na sala.
– James?! Mas que imagens são essas?! O que ele está fazendo aqui? !- perguntou.
– Você o conhece? – perguntou Faccini.
– Sim. Claro. Ele está olhando os relatórios da pesquisa estrela. Claro, tudo faz sentido agora. Suas notas aumentaram notavelmente e ele está sendo muito assediado ultimamente. Vou lá agora mesmo.
– Não, filho. Eu vou. Deixe, eu cuidarei disso. – interrompeu o doutor, pegando as chaves do carro imediatamente e saindo da sala após seu filho lhe falar o endereço.
Alguns dias depois, na casa de James, estava Katerine chorando e trancada no quarto desde a noite passada. Seu namorado havia falecido. Muitas coisas passavam na sua cabeça e a tristeza tomava conta do seu corpo. Em um momento ela lembrava-se do dia que conheceu Allan, em uma feira de ciências.
– Quem é aquele menino que todo mundo fala com ele? – perguntava Katerine a uma amiga.
A amiga respondeu:
– Ah, ele é Allan Faccini, filho do famoso doutor da cidade.
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