The Brightness Change
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um dia de verão, quando James acabara de acomodar-se em sua nova casa após uma mudança problemática — Ao menos era problemática para ele que não era uma pessoa que aceitava mudanças – e cansativa.
–Por que eu tenho que vir para essa cidade? Por que tivemos que nos mudar? – indagava-se em seus próprios pensamentos.
Os verdadeiros motivos da mudança não vinham em momento algum na sua cabeça e tampouco importavam. Tudo que o incomodava era o motivo de estar ali em um local totalmente novo, onde não se tinha amigos, onde não se tinha nem mesmo colegas. Um lugar em que não havia ninguém conhecido. Um lugar que era o inicio de uma nova vida para todos.
Seu pai, Richard, era um homem que levava o trabalho muito a sério e que ainda comemorava a promoção recebida pela empresa que trabalhava. Estava feliz por ter dado condições de vida melhores para sua família em uma nova cidade que sempre teve vontade de viver. Era como um sonho realizado.
James se mostrava feliz na frente de seu pai. Não queria decepciona-lo. Ele entendia o quão importante era essa oportunidade para seu pai, mas hora ou outro estava perguntando a si mesmo o porquê de estar ali.
Perguntava-se muito sobre o que iria fazer, afinal não tinha amigos. Não sabia por que isso o incomodava, já que em sua antiga casa ele não tinha amigos. Na verdade, tinha alguns “conhecidos” na qual conversava enquanto estava no colégio, mas também não eram pessoas que ele gostava.
Destinava maior parte de seu tempo lendo, não livros, pois tinha preguiça, mas revistas de super-heróis, desenhos e assuntos curiosos e sobrenaturais. Não sabia por que gostava disso, mas aquilo despertava sua curiosidade como nenhuma outra coisa despertara. Era algo que ocupava tanto sua imaginação que em momentos solitários, pegava-se imaginando como seria sua vida se fosse um daqueles heróis. Mas logo sorria e vinha a sua mente o quão infantil era aquilo e, então, logo ficara esquecido.
No colégio, não era ninguém brilhante, não se destacava como alguns alunos, mas conseguia suas notas. Mantinha seu histórico escolar sempre na média. Ele não era um aluno problemático, falava pouco, não costumava ter duvidas – quando tinha não as tirava — e era sempre olhado por todos de maneira estranha. As garotas diziam temê-lo e os garotos o achavam estranho, ou mesmo maluco.
James não queria que fosse assim, mas já estava conformado, era seu jeito e ele não conseguia ser diferente. Pensava ser assim por não ter nada que o destacasse ou que fizesse as pessoas terem interesse nele e sua falta de habilidade para iniciar uma interação, tornava tudo mais difícil. Também não entendia porque sua irmã, Katerine, apenas um ano mais nova que ele, já teria um namorado poucos meses depois da chegada à nova cidade. Seu nome era Allan, um ano mais velho que Katerine, inteligente, brilhante, era muito bom com esportes, um verdadeiro prodígio. Mas James pouco se importava também.
Certa vez, em um trabalho de pesquisa acadêmica, conheceu Anna. Anna era estudiosa e gostava muito de conversar. Foi o primeiro contato mais “próximo” de James desde que havia se mudado. Ele era tímido ao conversar com Anna, pois em sua cabeça, Anna era inteligente- e ele admirava isso- e ele era receoso, sempre com medo de falar alguma bobagem. Sem dúvida, James era um garoto que não tinha confiança alguma. De certo modo, Anna queria ouvi-lo, ela gostava de conversar e a timidez de James era um obstáculo para isso. Essa timidez de James a cativava. Era como se ele fosse diferente – e de fato era – e Anna sentia que devia ser próxima a ele, fazer com que James se sentisse seguro. Claro, James sempre estava sozinho e aquilo a incomodava, pois James era uma pessoa muito boa – as conversas tímidas (da parte dele) entre eles passava isso a ela — e só o que lhe faltava era confiança. Anna, algumas semana depois, então, decidiu tomar a liberdade de lhe perguntar:
– James, por que você sempre fica sozinho? – Falou com uma voz suave e ao mesmo tempo um tom de curiosidade. Fazia isso para não parecer que estivesse o intimidando.
James desviou o olhar, parecia pensar em uma resposta, ou mesmo um motivo.
– Bem, digamos que eu não tenho nada que as pessoas queiram. Os outros alunos também não vêm falar comigo.
– Como assim não tem o que as pessoas queiram?
– Bem, você sabe. As pessoas só se aproximam das outras quando possuem interesse nelas. É como políticos que só se aproximam do povo, quando tem interesse em seus votos.
– Você acha que eu converso com você com segundas intenções? – retrucou Anna, um pouco mais enfática.
– Não, não é isso...
– Então o que é, James?
James agora estava intimidado por Anna, começou a pensar mil coisas, achou ter sido indelicado e um frio percorria sua espinha, James não sabia o que fazer e então sem conseguir pensar direito, desabafou:
– Eu não sou bom o bastante. Não sou inteligente, nem mesmo bom com esportes, não sei cantar ou dançar, sou relaxado, nada em mim chama a atenção e não tem nada que eu possa usar pra me aproximar das pessoas. Não sei como fazer isso.
– Você acha mesmo que precisa disso para que consiga fazer amizades? Não acha que apenas o que lhe falta é confiança? – perguntou Anna, tentando acalma-lo.
– Para se ter confiança, é preciso ter todo o resto. E não sei como conseguir esse resto.
Anna calou-se e então surgiu um clima melancólico, James não sabia mais o que falar e como já era de costume, também não sabia puxar um assunto. Isso deu tempo o suficiente para Anna pensar sobre o que fazer para ajudá-lo, tinha que fazer algo por ele, e de repente ela sabia que podia fazer isso. Sua expressão mudou e ela disse:
– Se você não sabe como conseguir esse “resto”, então que o “resto” venha até você. – Anna exalou uma confiança na qual James nunca havia visto alguém ter nele.
Anna ,então, apenas saiu andando rapidamente, prometendo voltar com a solução. Já James não havia entendido nada.
No dia seguinte, no começo da aula, Anna chegava caminhando apressadamente em direção de James.
– Amanhã, depois da aula. — Falava Anna enquanto se aproximava.
– O que tem amanhã? – James não entendia nada .
– Amanhã depois da aula você fará o teste para o time de futebol. Inscrevi você e não tem mais volta.
– Como assim? Você não pode ter feito isso. – James perguntava irritado.
– Já fiz. Amanhã após a aula compareça ao teste.
James estava irritado, se perguntava de porque, Anna havia feito isso com ele. Era como se fosse a maior humilhação da vida dele.
– Por que ela tinha que fazer isso? Ela não tinha nada que se meter na minha vida. – Resmungava James.
Passou o resto daquele dia pensando e inconformado com Anna. Foi para casa ao fim das aulas. Já era final de tarde e já estava perto de escurecer. James foi para casa com uma expressão séria. Chegando lá, apenas foi para o quarto e se trancou, sem ao menos acender a luz. Estava deitado, revoltado e não parava de resmungar coisas ofensivas sobre Anna. Lembrou então que havia esquecido de entregar seu casaco para sua mãe que iria lava-lo.Dirigiu-se então até a mochila – era onde havia guardado durante a aula – que continham as suas coisas do colégio.
Ao abrir a mochila, deparou-se com uma pequena caixa preta. Não sabia o que aquilo fazia ali, nunca tinha visto aquela caixa. Resolveu então abri-la. Dentro havia um objeto luminoso, era um cubo, um pequeno cubo transparente que continha algo muito brilhoso dentro que o impedia de ver o que era. Percebeu então, que esse cubo tinha uma pequena tampa e James estava curioso para saber o que tanto brilhava. Olhou para a caixa preta e na caixa estava um nome: “Centro de pesquisas do Dr.Faccini”.
Isso só serviu para aumentar a curiosidade de James que então resolveu abrir para saber o que tanto brilhava e ao abrir, uma enorme claridade se expandiu, era o brilho que tomava conta de todo o seu quarto a ponto de não se enxergar mais nada.
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