The Breakup Song
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Notas iniciais
O que posso dizer é que mudou demais, bastante coisa mesmo. Enfim, não é necessário ler o desafio de drabbles, até porque a história já tem uma outra cara e eu não consegui o completar :'(
Espero que goste, seja você um leitor do ano passado ou uma pessoa nova que achou isso em algum canto da internet e resolveu dar uma olhadinha ♥
Paredes cinzas, pôsteres de bandas de rock, um violão em um suporte de chão, um guarda-roupas aberto e bagunçado. Papéis, canetas e palhetas dividiam o espaço com um monitor caixote em uma escrivaninha. De frente para a cama, onde um caroço de cobertores se movia lentamente, um espelho de piso com moldura simples e metálica. A luz do dia traçava uma lenta e preguiçosa faixa pelo carpete cinzento até iluminar o rosto de um rapaz apagado na cama, que se revirava para fugir do incômodo.
Demétrio só abriu os olhos quando a dor de cabeça e a luz solar tornaram o sono impossível. Se levantou em um pulo para fechar as cortinas do quarto e nisso percebeu o quanto estava tonto e nauseado.
O porquê disso veio no próximo pensamento, em que se perguntou como havia voltado para casa após a festa de arromba do dia anterior. Tentou se recordar mas não conseguiu. Tudo era um grande borrão depois que as bebidas chegaram.
O resto da “manhã” (que na verdade já quase tocava as duas da tarde) foi desenhada pelos sintomas de uma ressaca forte.
Cruzou o corredor e desceu as escadas para ir até a cozinha, onde sua mãe, Martina, preparava alguma coisa que ele preferiu não perguntar o que era, com medo de passar mal. Não porque ela cozinhasse mal, mas sim porque qualquer coisa agora parecia ser capaz de revirar seu estômago.
–Olha só quem acordou. Já era hora! –A mulher se virou do fogão ao ver o filho. Franziu as sobrancelhas e levou as mãos à cintura logo em seguida. –Vai me dizer que horas chegou em casa, mocinho?! O que aconteceu contigo?! Vá tirando o cavalinho da chuva se está achando que vai continuar tendo essas liberdades pra sair e voltar quando quiser! Acha que vida de músico é só festança e bebida? Você não se drogou, não é, Demétrio?!
Demétrio queria se defender do discurso materno que se prolongava, mas não tinha como. Tinha realmente pisado na bola. E aquilo não era do feitio dele. Deveria ter tomado algo muito forte sem perceber. Se limitou a ouvir tudo o que sua mãe falava, enquanto pegava um copo d’água para beber e sentia a cabeça latejar.
Após pegar o tão desejado copo d’água e amenizar as preocupações da mãe, respondendo que não tinha cometido nada ilícito e que aquela situação não iria se repetir, subiu as escadas novamente, agarrou os comprimidos que deixava no armário do banheiro e se medicou, para cessar a irritante dor de cabeça e prevenir enjôos. Não era de seu feitio beber até esse ponto, mas ainda assim guardava por emergência essa pequena combinação salva-vidas.
Tomou um banho congelante, se jogou na cama e, antes de cochilar por mais algumas horas, mandou uma mensagem para Vanessa, sua namorada, perguntando como ela estava após a festa. Não se lembrava de ter levado ela em casa e não queria ser nada menos do que o cavaleiro que ela merecia.
Acordou no fim da tarde. Alcançou o celular quase descarregado na mesinha de cabeceira. Haviam várias mensagens novas. Victoria o mandara várias escritas em caixa alta, mas ele julgou que podiam esperar para serem lidas quando notou um começo de frase estranho na última mensagem de Vanessa.
N mto bem. (16:07)
A primeira mensagem já era estranha. A garota não costumava ser tão lacônica ou não fazer uma carinha com pontos e parêntesis.
Precisamos conversar. (16:10)
Com essa mensagem seu estômago gelou e ele pensou que fosse vomitar mais uma vez.
Eu to apaixonada por outro cara. (16:11)
E com essa chave de ouro, ele derrubou o celular na cama, as mãos trêmulas e os olhos, que antes apenas ardiam um pouco por causa da luz, agora cheios de lágrimas. Se tivesse mais alguém naquele quarto, poderia ouvir o seu coração rachar.
Pegou o celular mais uma vez. Não podia ser verdade. Será que era primeiro de Abril? Queria que fosse. De qualquer forma, precisava saber o que estava acontecendo. Como assim outro cara? Quem era esse outro cara? Quando ele apareceu? Por que ela preferira ele ao invés de Demétrio? Tinha feito algo que a decepcionou ontem?
Fiz alguma coisa de errado?? (17:59)
Como assim outro cara??? (18:00)
Quem é ele? (18:00)
Vanessa??? (18:03)
Precisava respirar. Mas não conseguia, seu coração batia acelerado demais e já estava chorando sem conseguir se controlar.
Uma nova mensagem.
Me desculpa. (18:05)
Ñ queria magoar vc (18:05)
Sério msm (18:06)
Enfiou o rosto no travesseiro para minimizar o barulho dos soluços. Não conseguia acreditar. A nuvem da paixão ainda pairava na sua cabeça, o impedindo de aceitar a realidade, que, ao também não aceitar ser deixada de lado, o dava pancadas na coração para mostrar que estava ali.
Havia sido terminado. Assim. Sem mais nem menos.
Havia sido quebrado.
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