The Boy Next Door
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu não sei porque mas, naquele momento, eu senti um vazio dentro do peito. Mas por que eu me senti assim? Por favor, Finn era meu melhor amigo e meus interesses nunca foram –e nunca seriam- maiores. Então por que diabos eu senti como se tivesse levado eu mesma um tapa na cara?
E o jeito como ele me respondeu quando eu perguntei quem era... Ele disse o nome dela e não quem ela era, e isso pra mim não era algo para ignorar... não é?
“Eu não sabia que você tinha namorada...” eu sussurrei, de braços cruzados e olhando pro chão.
“Ah, não faz muito tempo que a gente tá junto não e-” ele dizia, antes de se interromper. “Na verdade, eu posso falar sobre isso outro dia. Hoje é o seu dia, não o meu”. Eu sorri. “E então, o que você quer fazer?” ele perguntou, passando seus braços pelos meus ombros e me levando embora da pracinha.
“Eu não tenho a menor ideia” eu respondi, rindo fraco. Eu não ria fazia um certo tempo.
“Eu lembro que uma vez por mês a gente ia andar de pedalinho lá no lago e era o que você mais gostava de fazer.”
Minha. Nossa. Como ele ainda lembrava disso?! Até eu havia me esquecido!
“É verdade...”
“Quando foi a última vez que você foi lá?”
“Com você. Há sete anos.”
Ele me olhou de queixo caído, fingindo falsa surpresa. Mas ele logo se recompôs. “Eu não acredito em você.”
“Bom, você que sabe...”
“A última vez que eu fui lá foi com o Kurt, há algumas semanas”. Sabia que ele nunca tinha ido pra lá? Diz ele que é porque tinha coisas mais úteis pra fazer, mas então eu prometi um casaco de uma marca estranha que ele queria e ele aceitou ir comigo.”
Kurt era o outro menino que havia chegado na casa ao lado de Finn, o que eu havia achado familiar. E realmente não foi a toa. Aquele era Kurt Hummel, irmão por parte de pai de Finn. O pai de Kurt era casado com sua mãe, Elizabeth, e eles tiveram Kurt. Mas ela morreu devido à alguma doença quando o futuro meio-irmão de Finn ainda era criança. Alguns anos depois, Burt se casou com Carole, mãe de Finn, que perdeu o marido quando o menino ainda era bebê.
Quando Finn morava no bairro, Carole ainda era solteira, mas eu conheci o Kurt alguns anos depois quando ele estava participando de alguma competição que foi sediada na minha escola. Ele ouviu algum professor chamando por mim e veio falar comigo.
“Com licença, Rachel Berry?” disse Kurt, batendo levemente no meu ombro.
“Sim?” eu perguntei, sem ter a menor ideia de quem era aquela pessoa parada na minha frente.
“Sou Kurt Hummel. Já vi você cantando em competições de coral na minha escola”. Ele vestia uma camiseta branca acompanhada de um sobretudo de couro preto, com uma calça jeans escura e uma enorme bota militar. Ah, e ele tinha um discreto chapéu preto.
“Ah. Prazer” eu respondi, apertando sua mão. “Mas lamento dizer que hoje em dia eu não faço mais parte do coral.”
“Por que isso?” ele perguntou, confuso.
“Razões pessoais”. Quem ele pensa que é sendo intrometido desse jeito?
“E alguma dessas razões é o meu irmão?”
Naquele momento quem ficou confusa fui eu. “Seu irmão? Eu não sei nem quem é o seu irmão.”
“Ah, sabe. Sabe sim.”
“E quem é seu irmão?”
“Um menino bastante lento chamado Finn Hudson.”
Naquele momento, tudo a minha volta parou. Ali estava eu, em algum evento estúpido da escola estúpida onde eu estudava e que eu era obrigada a comparecer, falando com o irmão de Finn Hudson, o menino que havia me magoado sem nem saber.
Mas quando eu pensei por um segundo sobre a situação, tudo a minha volta voltou a acontecer normalmente, porque Finn não tinha um irmão.
“Hm, Finn não tem um irmão.”
“Agora ele tem.”
“O que você tá me dizendo? Que Carole te adotou ou...?”
“Não, mas ela agora é minha mãe, de certa forma. Ela e meu pai se casaram recentemente, o que faz Finn ser meu irmão.”
Ali estou eu conversando com alguém que vivia com Finn.
“K-Kurt, você tá me dizendo que você mora com Finn? Que você vive com ele?!”
“Bom, eu acabei de dizer isso, não foi mesmo?”
“Kurt, você tem que me ajudar. Finn foi embora sem me avisar nada mesmo nós sendo melhores amigos, o que me deixou procurando por ele há exatos dois anos. Eu não consegui encontrá-lo, o que me deixou bastante magoada. Tem alguma forma de eu falar com ele? Qualquer uma?”
“Sua história com ele é realmente comovente, Rachel, e eu queria realmente poder juntar vocês dois novamente.”
“E por que você não pode fazer isso?!”
“Por uma lamentável coincidência Finn está viajando junto com seu time de futebol, já que está em época de campeonatos. Neste exato momento ele deve estar competindo em Houston.”
Naquele segundo, todas as minhas esperanças de qualquer dia reencontrar Finn foram por água abaixo. Naquele segundo, caiu a ficha de que eu não o reencontraria. Naquele segundo, a vida que eu estava conseguindo manter se esvaiu. E naquele segundo, eu estava tão magoada que estava prestes a desmoronar no chão do ginásio da escola, no meio de todos os alunos, aos prantos.
Eu sentia muita saudade dele. Eu não conseguia viver de um jeito saudável sem ele, será que ninguém via isso?
“Kurt, você não entende. Eu preciso ver ele.”
O menino de bochechas rosadas se assustou um pouco com o meu tom determinado, mas mesmo assim manteu sua voz calma. “Me desculpe, Rachel, mas eu não posso fazer nada.”
“Me dá o número da casa de vocês, endereço, qualquer coisa!”
“E-eu... Não posso...”. A calma que ele antes tinha sumiu.
“E por que não?”. Algumas lágrimas de frustração e tristeza rolavam pelo meu rosto.
“Ele... Ele... Rachel, ele não quer falar com você.”
Eu senti como se o meu mundo estivesse caindo, mas eu estava tão abalada que eu nem percebi. Finn não queria falar mais comigo. Finn não queria falar mais comigo. Finn. Não. Queria. Mais. Falar. Comigo. Por que me divertir de novo se agora não havia mais razão para sorrir? Sorrir, até mesmo rir, parecia algo bobo e sem explicação.
“O-o que?” eu perguntei, completamente destruída.
“Me desculpe, Rachel. E-eu tenho que ir agora.”
“KURT! NÃO!” eu gritei, enquanto ele se afastava rapidamente.
“Sabia que eu encontrei Kurt há alguns anos atrás?” eu comentei, tentando inutilmente afastar as memórias da minha cabeça.
Sua expressão escureceu antes de Finn começar a falar. “Sabia. Eu tava viajando com meus amigos pra um campeonato e, quando eu volto, Kurt vem me encontrar sobre o encontro de vocês e como ele entrou em desespero quando você começou a perguntar sobre mim. Ele disse que ficou sem saber o que fazer quando você começou a chorar depois que ele negou de falar sobre mim.”
“Ele podia ter me falado alguma informação sua” eu disse, igualmente sem expressão.
“Não, Rachel, ele não podia. Você vê, se ele lhe permitisse de ter qualquer contato comigo, eu ficaria mal e você também, porque não seria possível reestabelecer a relação que a gente tinha antes.”
“Mesmo assim, Finn! Qualquer contato com você teria me transformado em outra pessoa!”
“Eu devo admitir que minhas razões foram um pouco egoístas porque, pra mim, seria pior se eu te reencontrasse e as coisas não pudessem voltar a ser o que eram antes. Por isso evitei qualquer contato com você, até hoje. Mas saiba que se eu soubesse o quanto você estava mal quando encontrou com Kurt eu teria deixado ele lhe dar meu número, endereço ou algo do tipo.”
“Eu acho que não estou exatamente brava com você. Acho que só estou magoada.”
“Não, tá brava.”
“Por que?”
“Tá falando certinho de novo” ele disse, sorrindo pra mim.
Eu bufei e dei um tapa na cabeça dele, mas deixei de ficar com raiva. Mas, desde quando eu ficava bem tão rapidamente? Isso costumava levar dias.
“Você é um idiota” eu disse.
“Você já falou isso hoje, lá no seu quarto.”
“Tô agora repetindo.”
“Assim é melhor.”
“O que?”
“Você falando normalmente, mostrando que não tá com raiva.”
Eu sorri e continuei andando pracinha afora com ele. “Pra onde exatamente a gente tá indo?”
“Pra minha casa” ele respondeu, simplesmente.
“P-pra sua casa? Fazer o que lá?”
“Pegar o meu carro” ele disse, enquanto alcançamos um ponto onde já recebia a fraca iluminação dos postes.
“Pra ir pra onde?”
“Pro lago, é claro.”
Eu sorri novamente, e voltei a aproveitar a sensação de andar com os braços de Finn sobre os meus ombros.
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