The Boy Next Door
9 Capítulo 9
Notas iniciais
O caminho para o hospital foi silencioso, mas eu percebi que tanto eu quanto ele estávamos sorrindo. Afinal, como não sorrir? Simplesmente havíamos acabado de se reconciliar depois de dois meses. Eu chamo isso de avanço.
Quando paramos no estacionamento eu ainda estava meio boba. Finn teve que descer do carro e vir abrir minha porta, já que eu não me mexia.
Eu imediatamente corei quando ele segurou minha mão para me ajudar a descer, já que a caminhonete era alta. Quando chegamos à recepção, preenchemos alguns formulários e tivemos que esperar um pouco na sala de espera até uma enfermeira vir nos chamar.
“Então...”, eu disse, quebrando o silêncio. Fiz a pergunta que estávamos meio que evitando. Pelo menos eu estava. “Como foi o seu verão?”. Eu perguntei somente por perguntar, porque sabia a resposta. Eu havia observado ele durante as férias, todos os dias.
Ele ficou um tempo calado. “Eu meio que não fiz nada. Fiquei em casa jogando futebol, chamei uns amigos para ir lá pra casa, toquei bateria... Nada de anormal. E você?”, ele perguntou, olhando para mim e encontrando o intenso olhar que eu lançava para ele.
Eu rapidamente desviei meus olhos dele. “E-eu também não fiz quase nada. Kurt passou quase todos os dias lá, como você já deve saber, cantamos muito, assistimos muitos filmes e passamos muito tempo na piscina...”
O que era meio óbvio, já que eu estava super bronzeada, ao contrário de Kurt, que continuava branco como a neve. O que me fez voltar toda a minha atenção sobre o meu amigo que não estava passando bem, em alguma das muitas salas.
“Finn Hudson e Rachel Berry?”, uma enfermeira chamou, entrando em nosso campo de vista. Não tinha muito sentido ela chamar nossos nomes, já que éramos os únicos por ali. Era óbvio que éramos Finn Hudson e Rachel Berry.
Finn se levantou, ansioso. Eu não podia culpá-lo. Kurt era seu irmão. Eu também me levantei. Kurt era o meu melhor amigo, acima de tudo.
A enfermeira nos guiou por alguns corredores, até que chegamos à sala 166, provavelmente a sala de Kurt. A moça abriu a porta, dando passagem para nós passarmos. Kurt estava deitado na cama do hospital, os olhos fechados.
“Não se preocupem. Ele só está dormindo. Ele teve uma intoxicação alimentar, mas depois de alguns antibióticos ele vai ficar bem.”
Finn sorriu, agradecendo e a mulher se retirou, nos dando um tempo para ficar com Kurt. Quando nos aproximamos mais da cama do garoto, me inclinei para a frente e apertei a mão de Finn.
Ele apertou de volta e sentou na poltrona ao lado de Kurt. Eu peguei um banco que estava no canto do quarto e me sentei ao lado de Finn. Observei Kurt por alguns segundos, acariciando seu cabelo. Eu de certo modo estava aliviada por não ser algo muito sério. Ele poderia voltar pra casa em breve.
De repente, os olhos de Kurt se moveram delicadamente, abrindo-se. Percebi que Finn e eu imediatamente relaxamos, sem nem percebermos que estávamos tensos.
“Hey.”, Kurt disse, com voz sonolenta.
“K-kurt, você tá bem?”, perguntei, um pouco apreensiva. “Quer que eu chame a enfermeira?”
“Eu tô bem, sério.”, ele respondeu. “Na verdade, eu estou com um pouco de fome. Finn, você pode ir pegar alguma coisa pra mim lá na cafeteria?”
Finn ainda estava em choque, mas concordou com a cabeça e saiu do quarto.
Logo que Finn saiu Kurt olhou para mim com um olhar que dizia “Me conte tudo”. “O que foi?”, perguntei.
Ele continuou com aquele olhar quando me respondeu. “Rachel. O que rolou entre você e Finn? Vocês estavam de mãos dadas quando eu acordei. O que eu perdi em um dia?”
“N-nós... Q-quer dizer e-eu... N-não há nenhum “nós”.... Hm... E-eu só estava um p-pouco apreensiva e-”. Eu estava segurando as mãos de Finn?
“Você acha mesmo que me engana? Agora me fala o que vocês dois fizeram. Se agarraram numa sala de aula vazia? Sexting? Sem querer viu o outro trocando de roupa? Vocês moram um do lado do outro. Não seria algo tão difícil de acontecer.”, ele disse, com a maior calma do mundo.
Chocada era pouco para descrever a minha expressão. “O-o que?”
“Você me ouviu.”, ele falou, parecendo que estava se segurando para não sair rindo e pulando por aí.
“E-eu nunca faria nenhuma dessas c-coisas.”. E estava falando sério. Isso era algo que Santana Lopez faria. Não eu.
Kurt continuou a me olhar. Eu simplesmente não sabia se contava ou não. Eu não me sentia confortável falando sobre isso para ele. Por favor, ele era irmão de Finn! Que repercussões teriam se eu falasse o que aconteceu para Kurt?
Respirei fundo. Kurt era meu melhor amigo. Podíamos nos “conhecer” há apenas dois meses, mas nós já sabíamos tanto sobre um e outro que parecia que éramos melhores amigos há muito mais tempo. “Finn e e-eu nos beijamos antes de vir pra cá, no carro dele.”
Kurt soltou um grito. “Eu não acredito!!! Seus danados!!! Matando aula pra se agarrarem no carro!!!”
Eu arregalei os olhos e tapei a boca dele, tentando inutilmente fazer ele calar a boca. “Seu doido! Finn pode te ouvir!”
“O negócio foi tão pesado assim que ele não pode nem saber que você me falou?”, ele falou, agora gargalhando.
Revirei os olhos, ainda tentando abafar as coisas que ele dizia. “Não, Kurt. Foi uma coisa repentina. Foi uma reconciliação. Mas já passou. Agora vamos voltar a nos falar e pronto.”
“Rachel Berry, você mente muito mal.”, Kurt disse, com um tom de voz acusador, bem mais baixo que os gritos anteriores.
Retirei a minha mão da boca dele. Ele parecia que ia ficar calado. “Ah, é? Qual é a verdade então?”
“A verdade é que você ama Finn, Finn te ama e só eu posso ser seu melhor amigo. Você e Finn tem que ficar juntos, Rachel. Será que sou só eu que percebo isso?”.
Quando Kurt disse a última frase, percebemos que Finn estava dentro do quarto. “É só você que percebe o que?”, perguntou ele, com um prato cheio de frutas.
“Que Rachel tem um senso de moda bastante... incomum.”, respondeu Kurt, vendo o meu olhar de súplica. Vendo que ele havia mentido, voltei a respirar.
“Ah... Bom, eu perguntei para a enfermeira e ela me falou que só é bom você comer frutas por causa da intoxicação. Afinal, o que foi que você comeu que te deixou assim?”, ele perguntou, descontraído, inconsciente da tensão que estava no ar. Será que Kurt tinha razão, sobre Finn não voltar a ser meu melhor amigo? Eu, obviamente, já havia considerado essa possibilidade, mas depois do incidente com Jesse eu considerei que Finn não iria querer mais nada comigo. Ai, meu Deus. E se eu estivesse errada?
“Obrigado.”, Kurt disse, pegando as frutas e colocando-as na mesa que havia ao lado da cama. “Bom, eu acho que foi um burritos de uma barraca de comida ontem.”, ele respondeu, lançando um sorriso travesso para eu e Finn.
“Mas, cara, você nem gosta de burritos...”, Finn disse, confuso.
O sorriso de Kurt aumentou e ele desviou o rosto. Wait a minute. Eu comecei a achar que Kurt não comeu o burritos estranho a toa.
“Seu safado.”, eu sussurrei, finalmente entendendo o que ele havia armado.
“O que?”, Finn perguntou.
“N-nada. E-eu preciso ir.”, falei, pegando minha bolsa e me levantando. Eu precisava sair daquele cômodo. Eu estava começando a achá-lo pequeno demais.
“Rach!”, chamou Finn, mas eu já estava no corredor.
Kurt não tinha cérebro, só podia ser. Até aquele dia, eu não tinha noção da determinação dele. Ele simplesmente havia parado no hospital só para juntar Finn e eu. Será que nós dois juntos era algo tão importante assim? Tão certo? Algo que valesse tão a pena?
Naquele momento percebi. Sim, era.
Notas finais
Obs: Estou prevendo um hiatus, mas nada confirmado. Acho que vou fazer uma one-shot ou outra fic (dessa vez Klaine ou Brittana) antes de voltar para essa.
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