The Boy And The Wolf
19 Capítulo XVIII – Gastifaction (2ª Saga)
Notas iniciais
Boa leitura,
almirapevas ;)
Capítulo XVIII – Gastifaction (2ª Saga)
Doze anos atrás...
Bart olhava para o túmulo do pai. Kurt e Carl chegaram perto e suspiram.
— Acho que ele não gostaria disso. – Disse Carl com uma voz grossa.
— Ele deixou uma maldição conosco, irmão. – Bart falou um pouco irritado.
Kurt suspirou e olhou para os lados, sem entender porque aquele lugar lhe dava calafrios.
— Podemos ir embora? – Perguntou o pequeno tremendo.
— Kurt ainda é criança, tem apenas dez anos, e não entende disso. – Carl suspirou e deixou que o menino o abraçasse.
Bart suspirou e olhou para o irmão mais novo, tendo pena do seu futuro. Carl olhou para o irmão mais velho e gesticulou a cabeça, para seguirem em frente. Os três começaram a se mexer para um local mais apropriado para eles.
Os três entraram em uma pequena cabana e se aconchegaram ali.
— Por que não vamos para casa? – Perguntou Kurt inocentemente.
— Porque não é seguro. – Carl sorriu e abraçou o menor, que se aconchegou.
— Mamãe vai ficar preocupada – o menor olhou para o irmão com uma carinha triste.
Carl suspirou pesadamente e olhou para Bart, que mexia em um baú. O do meio olhou para o menor e sorriu.
— Ela sabe que estamos aqui.
Kurt assentiu e voltou a se aconchegar no irmão, fechando os olhinhos e pegando no sono. Carl engoliu em seco e olhou para Bart, agora pegando uma arma.
— Não quero isso para ele – Bart sussurrou.
— Nem eu, mas nosso pai quis assim – Carl falou numa voz calma. – Não coloque a culpa nele.
Bart olhou mortalmente para o irmão e suspirou, tento que pensar nas várias vezes que a culpa disso era da família do pai.
— Kurt vai crescer em meio aos animais da floresta, com uma maldição que só podemos nos libertar quando matarmos Brutus... O que será impossível – disse descrente.
— Ayla e Ava tentaram de tudo para nos livrar, mas... As montanhas não querem. É estranho isso. – Carl acariciou os cabelos de Kurt.
— Brutus tem as piores armas que a Escuridão podia dar. Ayla ainda deixou claro que não queria que o irmão seguisse essa vida. – Bart analisou a espingarda e a colocou de volta no baú. – Temos tudo aqui, pelo menos nossa mãe fez uma coisa boa antes de morrer nessa guerra.
— Mamãe sabia se precipitar – Carl sorriu carinhosamente e se acomodou mais no chão frio de madeira.
Bart assentiu e se sentou no chão, ele olhou para Carl, que já fechava os olhos.
Um dia eu te mato Brutus, assim vou poder livrar meus irmãos e futuros filhos, sobrinhos e netos dessa merda de maldição. Pensou irritado, sem saber se isso realmente iria acontecer.
***
Agora...
Kurt ajudava Thereza a concertar a janela do quarto dos adolescentes. Carl estava com Madre Olívia, acertando sobre o enterro de Elisabeth e Sônia. Bart vigiava as crianças que brincavam.
Soraia suspira e olha para Mônica.
— O que você acha que vai acontecer agora? – Pergunta a freira de olhos castanhos.
A colega a olha e balança a cabeça.
— Não sei Soraia, só o tempo nos dirá. Entretanto, tenho certeza que Brutus ainda está planejando algo. – Mônica, uma mulher de baixa estatura e olhos esverdeados, fala com uma voz suave.
Soraia respira fundo e olha para o Hunter, que vigiava as crianças.
— Você acha que eles vão conseguir matar Brutus? – Pergunta.
— Tenho certeza que sim, Nicholas irá fazer tudo certo agora que ele sabe que tem um cargo importante para as montanhas. – A baixinha olha para o céu claro.
A outra segue e vê uma águia sobrevoando o território do orfanato. Renata vê Solange e olha para Olívia.
— Tenho que ir, Ava quer conversar com todos – fala com uma voz trêmula e assustada, impressionada com o que a ave lhe disse.
— Todos? – Carl enfatiza.
Renata assente, ainda pálida, e se transforma numa raposa. Ela olha para os dois e corre em direção à floresta. A Madre fica preocupada e se senta na confortável poltrona, Carl a segue e fica ao seu lado. Ela apóia os cotovelos na mesa e une as mãos à frente de seu rosto, pensativa.
— Concordo que Brutus passou dos limites, mas o que ele ganha com isso? – A Madre se pergunta.
Carl engole em seco.
— Tenho certeza que é por causa da nossa maldição, ele quer ver nossos filhos sofrerem também, Madre. Eu e Bart vimos à morte dos nossos pais, foi horrível. – Ele treme e fica cabisbaixo.
— Ah, filho, todos já vimos alguém morrer. Todos já sofreram quando alguém morreu, eu estou sofrendo por causa de uma irmã e uma criança que cuidei. Nicholas sabe que não irá cair em nenhum truque de Brutus, eu sei disso. Nicholas não irá! – Diz mais para si.
Carl assente e vê Kurt adentrar o escritório.
— Consegui, aquela Vanessa é rápida e forte – tenta descontrair o clima pesado.
— O que Vanessa não tem Melanie tem, sempre pense nisso, todos são complementos menos Kellan. – Thereza se senta na poltrona próximo a mesa de Olívia.
— Kellan é um caso perdido, não gosto dele. A forma como ele matou Elisabeth fora... Nojenta. – Olívia tenta engolir a bile.
— Foi assim mesmo, ele usou isso em nosso pai... – Carl olha para Kurt, que está olhando para o chão. – Você está bem?
O mais novo balança a cabeça e suspira, batendo a palma da mão e olhando para Carl.
— Vou ajudar Bart – diz e sai.
Olívia sorri gentilmente e olha para Thereza, que está encarando Carl.
— Nicholas consegue Carl. Você verá. – Diz com ânimo.
— Não é com ele que estou me preocupando... – Carl se vira e olha para Bart, que está com o olhar fixo nas crianças. – Bart sempre quis se casar e ter filhos, mas com essa maldição nem eu e Kurt queremos isso.
— O destino das crianças seria cruel, como o de Nicholas... – Thereza para e olha para Olívia, que engole em seco e balança a cabeça.
— Não entendo a lógica de Brutus, por que isso?! O que ele quer do meu menino, Thereza?! – Pergunta a ponto de lagrimar.
Thereza olha para Carl, que balança a cabeça discretamente.
— Não queira saber, Olívia. É melhor não.
— Eu me preocupo com esse garoto! Ele quer me afetar é isso?! Pois, então, está! O que ele quer de mim agora? – Olívia se desespera.
— Acredito que ele descobriu Olívia. – Carl morde o lábio. – Não é de total surpresa que Brutus não saiba de nada desse orfanato.
— Ele matou Elisabeth, quase matou meu menino na floresta, o que ele irá fazer? Matar Renata? Matar-me?! – Olívia se levanta num rompante e uma brisa começa a envolvê-la.
— Acalme-se, Madre, você não pode desfazer. – Carl toca no ombro dela e a acalma.
Ela respira fundo e se senta novamente, olhando para o teto de madeira.
— Tenho medo do que ele possa fazer com o resto das crianças. Elas são tão especiais... Daqui a pouco os adolescentes já vão descobrir o que realmente são.
***
Nicholas olhava para o lago, que adquiriu uma cor estranha depois do que acontecera dias atrás. Seus olhos azuis voltaram a ser aqueles poços vazios, cheios de escuridão e tristeza. Ele desligara completamente suas emoções.
Joseph olha para o menor e suspira, indo em direção a ele. O maior se posta ao lado do menor, que suspira e o olha cautelosamente.
— Eu sei que é difícil você está numa fase que eu sei como é. Só... – ele olha o jovem de olhos azuis vazios e toca no rosto aveludado dele – não deixe a luz dos seus olhos pararem de brilhar, por favor.
Nicholas segura a mão de Joseph, sentindo seu coração afundar cada vez mais. Ele sabia que sua tristeza afetava Joseph de um jeito doloroso. O menor suspira e olha para o maior ficando de ponta de pé e tocando de leve nos lábios do maior, que fechara os olhos para sentir o doce beijo do menor.
Não quero que você morra. – Pensa o menor, entrelaçando seus dedos com os do maior.
Joseph sorri carinhosamente e beija a testa de Nicholas, que fecha os olhos sentindo aqueles lábios quentes em sua pele fria.
— Vai por mim, é difícil matar um lobo do Clã Branco. – Ele sorri.
Sua mãe...
— Aquele foi um caso, Nicholas... Todos nós a ouvimos chorar e corremos até ela, mas... – ele para de falar e olha para o lado, estranhando sua escuridão. – Só não faça nada que me deixe com raiva, okay? – A voz do maior é cautelosa.
Nicholas assente mecanicamente e abraça o maior, apertando-o como se fosse um sonho e que não queria largar dele. Joseph abraça seu amado e beija o topo da cabeça dele, fazendo-o encolher e aprofundar-se mais nos braços do maior.
Está tudo bem, Nicholas. Não se preocupe. Pensa o maior, fazendo aquilo uma prece silenciosa. Joseph suspira e solta um pouco Nicholas, que se afasta e olha para o maior.
— Temos camarão ao molho e macarrão. – Fala o rapaz carinhosamente.
Nicholas, novamente, assente mecanicamente e beija o rosto do maior, andando em direção a cozinha. Joseph olha, mais uma vez, para o lago e respira fundo, preocupado com o estado de espírito do menor. Ele avista o chacal negro, suspira e vai para dentro, fechando a janela da varanda do quarto.
— Vai ser difícil reabilitar esse garoto de novo – murmura para si. – Ele tem um sentimento que não é bom... – Joseph se vira e segue em direção a cozinha, observando Nicholas colocar o macarrão no prato.
Nicholas, eu também quero vingança e para isso teremos que fazer mais que duas covas.
Notas finais
Até mais,
almirapevas =3
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