The Boy And The Wolf
21 Capítulo XX - Mama
Notas iniciais
Boa leitura,
almirapevas, a autora anemica ;)
Capítulo XX — Mama
Dez anos atrás...
— Mamãe, mamãe! – O garotinho corre em direção à cozinha, procurando a mãe, desesperado.
— O que foi meu filho? – Pergunta preocupada.
— Mamãe, meu dente – ele movimenta o dente da frente com a língua.
A mulher, de cabelos castanhos e olhos azuis penetrantes, sorri e ri do filho.
— Ah, meu amor, pensava que era coisa séria – diz rindo e abraça o pequeno.
— Meu dente vai cair mamãe, você não está preocupada? – Diz o garotinho surpreso.
Ela sorri e o coloca, sentado, na bancada de mármore da cozinha. Ela pega uma colher de pau e mexe o molho de tomate, pegando um pouco e coloca na palma da mão, provando.
— Me deixa provar mamãe? – Pergunta o garotinho.
Ela coloca novamente um pouco e deixa o pequeno provar, ele sorri e olha para a mãe, com os olhos brilhando.
— Papai e o maninho já estão chegando? – Tagarela.
— Seu pai disse que está chegando, agora não sei... – o telefone toca, ela caminha até o telefone de parede. – Alô? – ela ouve. – Ah, Logan! Você disse que vinha com seu a... Logan! Tá... Quando seu pai chegar vamos te pegar. – Fala com raiva e desliga.
Nicholas está olhando para a mãe, que só ficava com raiva de Logan quando ele fazia algo de errado. O garotinho olha para a porta da frente e seu pai, um homem de cabelos negros e olhos castanhos – Logan é a cara do pai, mas os olhos da mãe –, entra com o cenho franzido e os olhos assustados.
— O que foi querido? – Pergunta a mulher, preocupada.
— Vamos lá para cima – diz ofegante.
— Temos que pegar Logan na casa de Solis – Fala um pouco irritada.
— Megan, eu preciso te falar isso, podem vir atrás de nós! – Diz assustado.
Megan entende e olha para Nicholas, que os olhava sem entender. Ela ajuda o filho a descer e ele segue para a sala. O casal sobe e começa a cochichar.
Nicholas dá de ombros e pega seus blocos de brincar. Ele sente algo estranho e olha para trás, pensando que estava sendo observado. Ele franze o cenho e corre até a porta dos fundos, abrindo-a e sentindo a brisa fria de começo de inverno. Ele vê um movimento perto da arvore e observa algo branco passar por ali, que para e direciona os olhos negros para o menor.
O garotinho estala os dedos, mas a coisa dá de costas e some na escuridão. Ele franze o cenho e sente algo ruim perto dele, virando seu olhar para o lado, porém não vê nada. Ele fecha a porta e vê seus pais descendo as escadas, com casacos e irritados.
— Vamos pegar seu irmão, Nicholas, pegue um casaco, por favor. – Megan diz, sorrindo, como se não tivesse acontecido nada.
Nicholas corre até eles e pega seu casaco. Os três saem da casa e vão direto para o carro. Os três entram e seguem para a casa de Solis – que ficava no outro lado da cidade. Os pais de Nicholas ficam em silêncio o caminho todo. O garotinho ficava olhando pela janela os grandes pinheiros que enfeitavam a beira da estrada.
O pai estaciona na frente da casa de Solis, onde Logan está esperando por eles. Ele se despede do amigo e corre para o carro – já que a chuva começara. O rapaz entra no carro e olha para os pais, que estão sérios. O garotinho olha para o irmão, que sorri e abraça o menor. O pai se despede do amigo do filho e dá partida, seguindo de volta para casa.
— Vocês estão com raiva de mim? – Pergunta o rapaz, olhando atentamente para os pais.
— O que você acha Logan? – Ironiza Megan, olhando pelo espelho.
— Ah, pelo menos você saiu de casa e levou Nicholas para passear, já tava na hora – fez graça, tirando todos daquele semblante sério.
Nicholas ri e olha para a estrada, sentindo algo ruim em seu peito. Logan abraçou o irmão forte e então aconteceu tudo. O pai tentou desviar do caminhão, o carro bateu no parapeito e caiu morro abaixo, capotando várias vezes. Logan segurava forte Nicholas, que chorava gritando pelos pais, que foram catapultados do carro. O garotinho gritou e tudo escureceu...
***
Joseph balançava o jovem, preocupado. Nicholas abre os olhos, espantado e desorientado, vendo todo o mundo embaçado e com uma dor dilacerante em seu peito. Joseph o abraça forte, beijando seu rosto. Nicholas fecha os olhos fortemente, e agarra Joseph, sentindo todo o calor do maior.
— Calma, estou aqui... Shh... Estou aqui, Nicholas. – Joseph murmura, beijando o topo da cabeça do menor.
Nicholas acalma sua respiração e engole o choro que formara. Ele esfrega seus olhos, limpando as lágrimas e se afasta um pouco de Joseph, que o olha preocupado e triste. O jovem olha para o maior – com os olhos azuis vazios – e se sente culpado por tê-lo acordado.
— Está tudo bem, meu amor, estou aqui – o maior beija a face do menor, que agarra o corpo do rapaz com força.
Joseph devolve o abraço e deixa o menor se acalmar. O maior respira fundo e olha para o relógio – ainda eram três da manhã. Esse foi o pior que Nicholas já teve depois da morte de Elisabeth (há um mês), ele se mexia demais na cama, começava a rir e então gritava e chorava, contorcendo-se com a dor que sentira. Joseph nunca sabia como ajudá-lo, fazia tudo para fazê-lo esquecer daquele dia, mas a dor que aquilo deixara era maior do que tudo.
Joseph franze o cenho. Foram dois meses depois que Ayla morreu. Pensa e fecha os olhos, sabendo agora o porquê de ele ter feito aqui e do veneno que ele sentiu. Filho da puta! Grita no pensamento e abraça mais forte o menor, que começara a tremer.
Ele afasta um pouco Nicholas e toca a costa da mão na testa do menor.
— Ah, merda... – diz e para de abraçar o menor, colocando-o delicadamente na cama. – Vou pegar alguns panos e um remédio, okay?
Nicholas assente, sentindo a dor de cabeça. Joseph corre para o banheiro, girando a torneira e colocando a tampa no ralo, deixando a água acumular ali. Ele pega um pano e mergulha na água – fechando a torneira. Ele se agacha e abre o armário, pegando a caixa de primeiros socorros, ele encontra um remédio para a febre e um termômetro.
Ele fica de pé e espreme o pano, saindo dali e indo para perto de Nicholas, tirando um pouco do cabelo molhado da testa do menor e colocando o pano molhado ali. Ele pega o termômetro e coloca na boca do menor. Joseph fica olhando para Nicholas, que está dormindo e com a respiração muito lenta. Ele tira o termômetro...
— Puta que pariu Nicholas – murmura e corre até a cozinha pegando um copo da água. – Vou ter que deitar você – sussurra e ajeita o menor, que geme e abre os olhos, sentindo-os muito pesados. – Quarenta graus de febre são muita coisa.
Ele pega o comprimido e coloca na boca do menor, dando-lhe água. O menor engole o comprimido, com dificuldade, e olha para Joseph – sentindo-se culpado.
— Ah, meu amor, não fique assim. Tá tudo bem. – Diz e tira o pano da testa do menor, indo para o banheiro e molhando-o mais uma vez, voltando para o quarto.
Desculpe-me. – Pensa o jovem e olha para Joseph, sentindo-se fraco.
— Vou ter que te dar banho – murmura o rapaz, fazendo o menor corar mais do que já está.
Estou bem...
— Não, não está – rebate o maior, olhando sério para Nicholas. – Você não está bem e eu odeio ficar sem fazer nada, não posso te abandonar agora. Eu preciso de você, Nicholas. – Joseph fala e sente uma lágrima escorrer pelo seu rosto.
Nicholas arregala os olhos, de leve, e ergue a mão, limpando a lágrima do rosto do maior. O menor sorri de lado, fazendo o maior parar e olhá-lo momentaneamente. Joseph respira fundo e tira o lençol de cima de Nicholas, o pega no colo e segue para o banheiro. Ele senta o menor na beirada da banheira e tira a blusa dele, fazendo-o corar e ficar um pouco tonto. O maior tira o moletom e então abre a torneira da banheira, deixando a água um pouco fria.
Joseph tira sua blusa e olha para Nicholas, que estava levemente corado.
— Não vai me dizer que...
A Madre que cuidava de mim quando eu ficava doente. – Cora ainda mais e olha para o lado. Joseph ri e coloca o jovem dentro da banheira, fazendo-o tremer e encolher. Joseph molha um pouco o rosto do menor.
— Vou pegar o termômetro, okay. Não sai daí – brinca, dando um sorriso maroto e sai do banheiro.
Nicholas treme e olha seu corpo dentro da banheira, franzindo o cenho. Nos dias que estava com Joseph, ele tinha engordado um pouco, ganhou um pouco de músculos, mas depois da morte de Elisabeth, ele parou de comer, voltando a ficar magro. Ele fecha a mão em concha, pegando um pouco de água e molha seu rosto.
Ele fecha os olhos, sabendo que flashes daquele dia passariam pela escuridão de seus olhos. Ele os abre rapidamente e suspira, vendo Joseph voltar com o termômetro. Ele o coloca na sua boca e fica o olhando, preocupado.
— Vou te dar banho, tá? – Diz o maior, com um sorriso tímido e carinhoso.
Por que você não toma banho comigo? – Pergunta o menor, imaginando (delirando).
Joseph pisca várias vezes, corando e arregalando um pouco os olhos. Nicholas cora e vira o rosto. Nunca delirara desse jeito perto do maior. Joseph suspira, recuperando-se do choque, e pega o termômetro, sorrindo e sentindo-se aliviado.
— A febre baixou um pouco – diz, colocando o objeto na bancada de mármore. – Agora vou te dar banho e, por favor, não pense nada. – Fala, corando um pouco.
Nicholas sorri carinhosamente e toca no rosto de Joseph, que toca em sua mão e sorri timidamente. Joseph o beija a palma de sua mão e pega o sabonete, começando a dar banho no menor. Os dois trocavam sorrisos carinhosos e ternos. Joseph começa a lavar o cabelo do menor, que fecha os olhos para não cair espuma.
— Você parece uma criança – debocha.
Você parece um pai preocupado. – Nicholas retribui. Joseph ri e lava o cabelo do jovem, massageando de leve. Ele tira o tampão e deixa a água escorrer ralo abaixo, ligando o chuveiro para tirar direito a espuma dos cabelos do menor, que se encolhe quando a água gélida cai sobre seu corpo magro.
— Pronto – fala o rapaz e desliga o chuveiro, pegando a toalha e esfregando a cabeça do menor. – Vou te vestir agora.
Posso muito bem me vestir. – Resmunga.
— Você está fraco, porque não come nada há dias. Então não resmungue e me deixe cuidar de você. – O maior diz sério, olhando para os olhos azuis vazios do menor, que suspira e assente.
Joseph ajuda Nicholas a ficar de pé e o senta na beirada da banheira novamente, secando-o carinhosamente. Joseph olha para Nicholas, que está o encarando – parecendo uma pessoa muito doente. Ele suspira e coloca-o de pé, enrolando a toalha na cintura do menor. Ele o pega no colo e segue para o quarto, sentando-o na cama.
Nicholas suspira e olha Joseph indo para o armário e escolhendo outro pijama para o menor, ele deixa a muda na cama e vai para fora do quarto. O menor pega a blusa, ainda tonto, e a veste lentamente, fazendo o resto com o moletom – já que Joseph estava demorando.
Ele deita na cama, lentamente, depois que se veste e respira fundo. Estou trazendo trabalho demais para Joseph. Pensa e fecha os olhos lentamente, vendo o sorriso de sua mãe. Ele abre os olhos rapidamente, observando Joseph entrar no quarto com uma badeja. Nicholas senta-se lentamente e Joseph deixa a bandeja no criado-mudo.
— Trouxe café um uns biscoitos – murmura e olha para Nicholas.
Não estou com fome. – O menor olha para Joseph e suspira.
— Vou enfiar esses biscoitos sabe aonde? – Diz ameaçadoramente.
Nicholas treme e cora, virando o rosto. Joseph pega um biscoito e segura o rosto de Nicholas, que tenta se livrar, mas sabia que estava fraco demais para lutar com Joseph. O maior coloca o biscoito na boca do menor, que morde e começa a mastigar lentamente – sabendo que estava com muita fome. Ele termina de comer o biscoito e Joseph entrega-o o copo com café. Nicholas bebe, sentindo o gosto amargo e forte do café do rapaz.
Você faz um café forte. – Reclama o menor.
— É porque eu já fumei Nicholas, então me acostumei a fazer café forte. – Comenta e fica olhando para o menor.
Nicholas treme e deixa a xícara, delicadamente, na bandeja. Joseph acaricia, com os nós dos dedos, a bochecha do menor.
Eu também. – Confessa o menor, sentindo-se momentaneamente envergonhado.
Joseph ri e beija de leve a testa do menor.
— Não precisa ficar assim, todos nós passamos por momentos difíceis na vida... – ele para e Nicholas vira o pulsos esquerdo, encarando a cicatriz e a marca. – É realmente a cicatriz do acidente?
Tentei me matar quatro meses depois do acidente, eu estava na casa da minha avó, foi ali que eles decidiram me mandar pro orfanato. – Responde e olha o outro pulso, contendo várias cicatrizes enfileiradas.
Joseph suspira e fica encarando a marca. Mesmo ele tendo a mesma nas costas, ele jura que já tinha visto aquela marca em algum lugar – algum livro, escrituras, pinturas. Ele olha para Nicholas, que voltara a beber o café e estava comendo um biscoito.
— Eu estava pensando em visitar o orfanato um dia – Joseph fala e fica olhando para Nicholas.
O menor o olha, petrificado, e balança a cabeça – como se aquilo fosse uma chamada para o inferno.
Não, não quero ir para lá... Não me obrigue. – Pensa e coloca a xícara na bandeja. Joseph meneia a cabeça e pega a bandeja, indo para a cozinha. Nicholas se deita na cama e enrola o cobertor em si. Joseph volta e pega o termômetro no banheiro, sentando-se na cama e colocando o termômetro na boca de Nicholas.
— Se você ainda estiver com febre vou lhe dar um remédio, tá? – O maior sorri.
Gostaria que você me dopasse. – Nicholas olha para o maior.
— Por isso que você tá tendo isso tudo, não é? – Indaga o maior, preocupando-se mais.
Nicholas assente. Joseph tira o termômetro da boca do menor e olha, suspirando ruidosamente.
— Merda – levanta-se e vai até o banheiro, pegando um remédio e voltando. – Só um – diz dando para o menor, que rapidamente analisa o remédio e olha para o maior. – Nicholas, você está febril, então precisa de remédio.
Nicholas destaca um comprimido e joga dentro da boca, engolindo a seco. Joseph devolve o remédio para a caixa de primeiros socorros, sai do banheiro, fechando a porta, e se deita na cama. Nicholas deita no peito do maior e fecha os olhos – já sentindo o sono chegar, forte e pesado.
Joseph começa a acariciar a cabeça do menor, que rapidamente relaxa e consegue pegar no sono. O maior suspira e fecha os olhos, vendo olhos esmeraldas e com um semblante triste. Ele abre rapidamente os olhos e franze o cenho.
Por que ela está triste? Pergunta-se, sabendo que algo de errado estava acontecendo. Ela está tentando cuidar de Nicholas, mas não consegue. Ele aconchega mais o menor em seu peito e suspira, já perdendo o sono. Ele olha para o relógio – quase quatro da manhã – e fecha os olhos com força, agora vendo olhos bem escarlates, olhando-o com malicia.
Brutus está me aterrorizando de novo. Ele se lembra do que Brutus lhe disse. Por que Brutus tem que ser tão venenoso a ponto de matar o meu pai? – Pergunta-se, sentindo a famosa dor em seu coração. – Foi realmente ele que matou minha mãe? Brutus não conseguiria matar a irmã que tanto amava por poder... Ou mataria? – Indaga-se, ligando os pontos. – Sinto algo mais no ar... O que realmente aconteceu naquela noite?
Notas finais
Até mais,
almirapevas =3
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