The Bodyguard
2 Sendo a solução
Notas iniciais
- Reita, se você não desligar a porra desse celular em 1 segundo eu juro que arranco o teu pênis com os dentes! — Berrou o loiro mel da outra cama, atirando um travesseiro no outro que acordou atordoado. — Mas que merda mesmo!
Reita levantou-se rápido o suficiente para sentir tudo ao seu redor girar, aquela sensação terrível o fez cair para o lado sobre o colchão e agarrar-se as cobertas em um gemido, beber essa noite para esquecer os problemas realmente não foi uma boa ideia. Seu companheiro de quarto atirou-lhe o outro travesseiro indignado com o barulho escandaloso que aquela música fazia. Há algum tempo, Reita dera para ouvir um cantorzinho novo, aparentemente não tinha muito futuro, mas era a sensação do momento, e suas musicas eram gritantes.
Mas afinal de contas, quem era Reita? Reita, para alguns não passava de história contada pelo povo, alguém que começou com essa história por blefe, puro medo de ser morto ao receber diversas ameaças e acabou por inventar uma entidade apenas para garantir a própria segurança. Para outros, Reita realmente existiu, existiu no passado. Podia até ser o melhor no que fazia, mas por ser muito novo na época e com poucas experiências de vida acabou por ser pego por algum de seus inimigos em serviço e fora morto.
A verdade era que ele mesmo não se sentia mais capacitado para o serviço, não depois do que ocorrera.
Demorou algum tempo até conseguir se recuperar e levantar-se finalmente, batendo-se em todos os moveis que ficavam em seu caminho. Xingou algumas vezes e quando chegou a cômoda o celular tinha parado de tocar.
— Puta merda. — Gemeu procurando pelo celular com as mãos ainda fora de controle.
— Cala boca! — Bradou o outro escondendo o rosto em meio as cobertas e virando-se de costas, furioso.
— Alguém está estressada. — Riu ainda sonolento, indo de encontro ao que julgara a cama do colega de quarto, jogou-se sobre ele o ouvindo gritar enquanto remexia-se na cama, e de maneira arisca o beliscando na cintura. — AAH! Isso dói Uruha!
Uruha era seu melhor amigo. Conheceram-se aos 15 anos de idade, ambos tinham muita coisa em comum, principalmente o histórico escolar, estavam sempre metidos em brigas e geralmente essas brigas eram entre eles mesmos, o que não os impediu de ter uma forte amizade e um destino entrelaçado. Passaram pelas mesmas dificuldades familiares e trocaram experiências. Aconselhavam-se e riam de toda desgraça que compartilhavam. As pessoas raramente aproximavam-se deles, por medo, já que possuíam uma fama nada boa e de certa forma verídica.
Era a única pessoa em que Reita confiava cegamente.
— Sai da minha cama sua cacatua bastarda! — Berrou outra vez girando-se na cama com ele e o beliscando novamente, foi a vez de Reita gritar e segura-lo pelos pulsos. Apenas pararam quando sentiram o baque com o chão, o primeiro a dar sinal de que estava bem fora Uruha que começou a gargalhar. — OLHA O QUE VOCÊ FEZ!
— Eu não fiz porra nenhuma! Bradou o loiro. — Ambos assustaram-se quando a musica mais uma vez começou a tocar e o celular a vibrar no chão, Reita esticou o braço e saiu de cima do seu amigo, sentando-se ali ao lado, o outro apenas imitara o movimento dele se sentando e o observando. Reita mostrou o visor do celular e o nome gravado ali, ambos suspiraram antes que o loiro atendesse. — Mochi mochi.
— Por que a demora? — O homem do outro lado da linha pronunciou-se irritadiço, em um tom esganiçado de voz, era quase possível ver uma veia saltar na testa dele.
— Velho... velho... Cuidado ou vai enfartar, sabe que o teu coração é fraco. — Deu um leve riso ao que o outro suspirou no telefone. Me fala, o que tu quer?
- Preciso dos seus serviços, aliás, a Yakuza precisa. — Disse já mais calmo contendo-se para não perder a total paciência com Reita. Sabia muito bem que ele faria de tudo para irrita-lo e faze-lo desistir da ligação. — Bom dinheiro, pouco tempo.
— Sabe que eu não trabalho mais com isso, mas se souber de alguém aí dentro dessa organizaçãozinha que precise de um bom cozinheiro... Temos o Kai. — Sorriu.
— Vai mesmo desistir de milhões de dólares por um medo fútil adquirido por uma incompetência de um dos seus amiguinhos? — Perguntou o outro arqueando uma das sobrancelhas.
— Esse velho não desiste. — Disse Uruha já acendendo um cigarro.
— Diga ao Uruha para calar a boca, não aturo mais a voz dele.
— Viu que ele já está sentando ordem? — Reita disse olhando de soslaio o amigo que inflou as bochechas e suspirou irritado, Kouyou costumava irritar-se com muita facilidade e não admitia receber ordens de alguém. Tragou mais uma vez erguendo-se e se sentando na cama, Reita arrumou-se no chão enquanto ouvia o outro. — Pode falar, ele já se foi.
— Acha que vou acreditar nisso? — O senhor do outro lado da linha levou a xicara de chá aos lábios e suspirou. — Não importa, dessa vez vou precisar de todos, e Reita, isso não é um pedido é uma ordem, por aquilo que me aconteceu a anos atrás.
— Uhum, eu sei muito bem. — Passou a mão na nuca de um modo cansado, pondo o celular no viva voz e o largando no criado mudo. — Então velho o que é dessa vez?
— Estão atacando a Família Matsmoto, o interesse é o mesmo de anos atrás, destruir a segunda maior família para alcançar a primeira. — Disse calculista, seguindo sem perder muito tempo. — Essa noite atacaram o filho mais velho, Matsumoto Takanori, em uma boate. Eram umas 3 horas da manhã acredito, já que as 5 fomos convocados pra uma reunião.
Reita ligou a luz enquanto Uruha dirigiu-se a um armário de portas duplas rustico que ficava ao fundo do quarto, procurou por alguma coisa e atirou diversas roupas no chão revelando ali um fundo falso com uma gaveta embutida na parede. Reita apenas o observava enquanto ascendia um cigarro ansioso e escutava o que o velho lhe dizia sem muita paciência e uma vontade tremenda de desligar o telefone, não queria mais saber desse assunto, na verdade, estava farto. Não demorou muito para o outro entregasse-lhe uma pasta lacrada com o título Matsumoto, era um arquivo contendo todas as informações sobre a família que a pouco se alojara na Yakuza.
— E vocês não podem dar um jeito nisso? — Disse o loiro dando uma tragada e pendendo a cabeça para trás — Achei que as outras famílias da Yakuza pudessem dar conta de uma pequena...
— São os Ueda.
Aquilo bastou para o loiro desmanchar o sorriso debochado do rosto e ficar em silencio. Kouyou apenas o olhou receoso e apagou o cigarro que equilibrava entre os lábios. — Então os Ueda voltaram...
— Cada vez piores. — Comentou o outro terminado seu chá e sorrindo. — E então?
— Eu não vou. — Afirmou enquanto mantinha o olha fixo no teto, a mão maneou o cigarro vagarosamente fazendo com que as cinzas caíssem no chão.
— Reita...
— Eu não vou, entendeu? — Disse mais alto enquanto franzia a testa, irritado.
- Começa às 6h30min. — Disse o outro calmo.
— EU JÁ DISSE QUE NÃO VOU! — Gritou olhando para o aparelho, foi preciso que Uruha desligasse o celular pra amenizar a situação, brigas entre os dois era um costume, mas quando envolvia os Ueda era quase uma guerra, sem contar a tremenda perda de tempo, afinal os dois eram cabeça dura demais para ceder. Reita não iria e dentro de meia hora o velho apareceria ali para leva-lo. — Ele acha que eu tenho 13 anos!
— E então...? — Perguntou vagamente o outro.
— Eu já disse, eu não vou.
— Certo não tá mais aqui quem falou! — Respondeu ele erguendo as mãos para cima. Eu vou fazer um café, vai querer?
— Com muito açúcar. — Disse indo atrás dele. Eu sempre achei que os Matsumoto tinham três herdeiros... — Comentou vago.
— Achou errado. — Riu o outro em deboche. — Tá perdendo o dom, hein?
— E a noite com o Aoi? — O outro arregalou os olhos e
corou furiosamente. — Não te preocupa, da minha boca ninguém vai saber.
— Vai te foder Reita! — Berrou o empurrando para o lado.
— Tem certeza que eu estou perdendo o dom? — Gargalhou.
O senhor deu um leve riso ao saber que Reita continuava tão teimoso quanto antes, havia sumido há 15 anos e desde então ninguém mais ouviu falar do grande segurança que cuidava das celebridades e personalidades importantes. A questão era que Reita não cuidava mais de casos envolvendo pessoas conhecidas a mídia, fugia de casos envolvendo paparazzi ou câmeras, preferia os ricos "anônimos". Costumava dizer que eles dão menos trabalho e pagam melhor que qualquer outra pessoa.
A questão era que Reita não costumava aceitar esse tipo de trabalho, inventava uma desculpa ou simplesmente não ia, e, mesmo assim, continuava sendo requisitado por muitos. Saber que a família Ueda estava envolvida fazia-o ter um incentivo a mais para pegar esse caso, mas a falta de interesse e a revolta não diminuíam. Restou ao senhor do outro lado da linha continuar a tomar seu chá com a jovem que sorria docemente a sua frente.
— Eu entendo que vocês tem um sério problema, vocês não batem de frente, não se intendem, vão sempre discordar um do outro, mas o que eu quero saber é: Por que diabos me acordaram com um balde de água fria as 5h30min? — Berrou um certo moreno de cabelos curtos e belas covinhas no rosto, Kai, como era chamado por todos no grupo estava furioso e estar perto dele nesse estado era quase uma tentativa suicida.
A situação não favorecia muito, estavam na sala, cinco homens encharcados, cada um em um banco bem destruídos. O velho que estava a frente deles sorria mesmo que o lenço lhe cobrisse o rosto era visível, logo atrás dele estava um outro grupo de homens que vigiavam a porta e as janelas do apartamento. Olhou os papeis que tinha em mãos não deixando de comparar as fotos nos documentos com cada um que estava a sua frente. Reita revirou os olhos em desgosto enquanto os demais o olhavam pedindo explicações.
— Aoi. — Disse o velho ficando em frente a um homem moreno com traços afro-nipônicos, o mesmo o olhou de baixo. — Vejamos, procurado em 9 países por roubo e assassinato. Participou de 3 máfias em um curto período de tempo considerando que duas eram inimigas a mais de 100 anos, acho que o termo para isso é agente duplo, correto? — Foleou algumas páginas e parou na ultima. — Perito em fugas. Eu li um pouco sobre você e admito que fiquei impressionado com a capacidade de fugir da policia usando um carro forte, não que essa seja a parte que me surpreendeu, o que realmente chamou a atenção é que se jogou no mar junto ao carro blindado e ainda fugiu com 5 milhões de dólares. Muito bem panejado rapaz.
Restou a Aoi ficar em silêncio diante daquele relato, mas é claro que o velho não tinha tempo a perder, se dirigiu ao outro.
— Kai. — Disse ao que havia se pronunciado no começo, esse apenas esperou por sua sentença. — Por onde começo... Eu particularmente achei um clássico. Filho de um policial que eventualmente virou um contrabandista de armas após a morte da sua mãe. Tem três codinomes diferentes e com eles forja uma concorrência, ou seja, se não compram do Kai compram de um outro codinome seu. Exporta armas para o mundo todo, em especial a Europa, o que me intriga é que você vendeu muitas armas para a Yakuza e nunca o descobrimos, isso é muito impressionante. — Virou a primeira página. — Pelo visto já trabalhou com o Aoi em uma das máfias e pelo que parece particularmente não gosta de se juntar com algum grupo apenas para não dividir os lucros, isso que eu chamo de uma pessoa avarenta.
— Eu diria inteligente, para que pagar alguém que com certeza vai foder com todo o meu trabalho, capangas sempre dão com a língua nos dentes. — Comentou simplório e o velho sorriu, aproximando-se do loiro mel.
— Uruha, quanto tempo! — Falou em um tom sarcástico e Uruha sorriu amarelo a ele. — Sua ficha me diz que você é capaz de captar todos os detalhes visíveis a olho nu, um perfeito olhar clínico e quase um detector de mentiras humano. Um tanto intimidador eu diria. — Aoi olhou um tanto surpreso para Uruha que desviou o olhar levemente um tanto envergonhado. — 6 máfias diferentes em um ano, procurando pela polícia internacional como um dos mais perigosos assassinos, aparentemente você usa esse seu olhar clínico para cortar a jugular de alguns políticos e chefes de máfias norte-americanas. — Disse calmo, procurando por algo amais na ficha. — Ah, claro, fez parte do FBI, impressionante! Era convocado exclusivamente para desvendar mortes que foram classificadas como suspeitas. — Concluiu jogando os papeis para trás.
Não esperou uma resposta, logo foi ao seu alvo favorito, Reita suava frio ao ter os olhos sobre si e isso para os seus companheiros era surpreendentemente assustador, afinal, se Reita temia esse homem, motivos existiam e eram os piores.
— Quer que eu leia o sua ficha? — Disse o velho cruzando os braços. — Admito que você cresceu muito, me admira ter formado o seu próprio grupo. Honestamente, eu esperava uma família ao invés de 4 homens com mais de 30 anos que são procurados internacionalmente pela CIA. — Manteve o tom de voz baixo enquanto o observava. — Mas está de bom tamanho por hora.
Reita manteve-se em silêncio por algum tempo até decidir se pronunciar. — Não sei se vai haver uma família.
Não se soube se o velho havia o ignorado ou não tinha ouvido, apenas afastou-se e seguiu para fora do apartamento, sendo seguido pelos seus capangas.
— Esteja lá na primeira hora da tarde. — Ordenou e assim saiu, deixando apenas os cinco ressabiados.
— Reita, e agora? — Perguntou Aoi ascendendo um cigarro, aparentemente estava tranquilo, mas por dentro o nervosismo o corroía.
— Você ouviu Aoi, primeira hora da tarde. — Respondeu em alto e bom som antes de se levantar e trancar-se no quarto.
Fale com o autor