The Blue River Camp

1 Eu Juro Que Posso Explicar


Notas iniciais
E aê, cambada? o/"AI MEU DEUS, A MOLINA TÁ ESCREVENDO COM ALGUÉM? COMO ISSO VAI FUNCIONAR?"Então, eu também não sei ainda, mas a gente vai alternar os capítulos. Eu escrevo esse, o Matheus escreve o próximo, etc. E eu disse a frase acima caso você seja uma das pessoas lindas que leem as minhas fics. Olá :3Caso você seja uma das pessoas lindas que leem as fics do Matheus, olá também :3 Eu sou a Gaby, prazer.Caso essa seja sua primeira vez lendo uma fic de ambos, seja benvindo (eu gosto de escrever assim às vezes porque as pessoas acham que é errado, mas não é), espero que goste s2(Não se acostumem com as notas de capítulo longas)

Jade

It's time to begin, isn't it?

I get a little bit bigger, but then I'll admit

I'm just the same as I was

Now, don't you understand

That I'm never changing who I am?

— It's Time, Imagine Dragons

–

— Jade?

Continuei olhando o gramado, ignorando-o.

—... Jade, estão falando para ir ao refeitório. Vão dividir os quartos. — meu irmão tentou pela vigésima vez. — Vai ter comida.

Eu me levantei mais rápido do que se ele tivesse dito "Ataque terrorista". Tirei o máximo de grama possível da minha calça jeans e retorqui:

— Bem, então por que estamos perdendo tempo?

Comecei a correr. Podia ouvir os passos de Leonard atrás de mim, me xingando, mas eu não me importava. Ele tinha quatorze anos, estava super animado porque mamãe nos mandara para um acampamento. Queria aproveitar cada segundo possível, e eu aparentemente estava estragando isso.

De qualquer forma, chegamos ao refeitório. Ele foi se sentar com alguns amigos que já tinha feito na última meia hora e eu arrumei um espaço no canto de uma das mesas.

— Bom dia, pessoal! — disse uma mulher de trinta e poucos anos com um microfone. — Meu nome é Jenna, e eu sou a diretora do Blue River Camp. É muito bom tê-los aqui conosco. Vamos dividir os quartos agora, serão três quartos femininos e três quartos masculinos. Os quartos femininos ficam a Oeste do rio e os masculinos a Leste. Vamos conduzir vocês até lá depois. Alguém tem alguma pergunta? — Eu ergui minha mão e Jenna sorriu. — Sim, querida?

— Oi, é que me disseram que ia ter comida — falei, franzindo o cenho.

— Vamos primeiro levar as malas aos quartos e depois voltamos para cá.

— Mas isso não seria um contrasenso?

Jenna abriu a boca, mas depois fechou. Ela apertou os lábios e tentou segurar o sorriso.

— Vamos primeiro nos concentrar em ficar instalados confortavelmente, está bem?

— Eu ficaria confortável com um hambúrguer e Coca gelada — disse um garoto perto de mim, reclinando-se para encostar as costas na borda da mesa. O acampamento riu.

Jenna não parecia muito feliz.

— Vamos ao primeiro quarto! — ela ergueu o tom de voz, exasperada. — Quarto Alfa. Cather Sivan.

— Eu! — disse uma voz fina no fundo do refeitório, se levantando e correndo até Jenna. Era uma garota de pele clara e estatura média, cujos cabelos louros estavam presos em uma trança elaborada até a metade das costas. Os olhos acizentados percorriam o refeitório como se não soubessem direito aonde se concentrar.

— Diana Burke.

Uma garota alta de pele morena se juntou à loura. Eu encostei a cabeça na mesa e fiquei lá até ser cutucada nas costas pelo meu querido irmão.

— Jade. Estão te chamando.

Quando abri os olhos, notei que o acampamento todo agora olhava para mim.

O garoto que falara sobre a Coca e hambúrguer começou a murmurar alguma canção de ninar, e eu cantarolei um "cala a boca".

Ele riu, ainda reclinado para trás, e tirou o chapéu estilo Fedora com um sorriso entretido no rosto. Possuía cabelos escuros e olhos bastante azuis.

Caminhei até a porta do refeitório com as outras meninas do meu quarto e, quando todos os quartos femininos foram chamados, Jenna nos encaminhou até os chalés.

O chalé Alfa tinha a letra grega na frente, tornando-o bem identificável se você não fosse completamente retardado. Depois houve aquele momento horrível onde todo mundo volta a ter 5 anos para pegar uma cama com colchão bom. Claro que eu, nem um pouco acostumada com acampamentos, não estava ciente de tal prática, e por isso acabei ficando com o beliche do canto perto da janela assustadora. O beliche de cima, ainda, que podia ser usado para pular a janela e fugir dali. Devo admitir que essa foi a primeira coisa que pensei quando o vi. E, julgando pelo fato de que o tema da conversa do quarto era "Quem trouxe chapinha?", eu provavelmente poderia precisar fugir pela janela. Ou apenas me jogar dela, mesmo. O que desse mais certo.

— Vocês têm vinte minutos, e então voltem ao refeitório. Vamos dividir as equipes — disse Jenna antes de sair do chalé.

Estiquei meu lençol e deitei nele, prestes a dormir ou ter uma longa divagação sobre o sentido da vida quando ouvi uma vozinha aguda incrivelmente doce:

— Oi! Eu sou a Cath.

Debrucei-me e fiquei de cabeça para baixo, olhando para a garota que pegara o beliche sob o meu.

— Hm, oi. Jade.

— Esse lugar parece bem bacana, né? Eu não costumo vir a acampamentos, mas...

— É. Bacana. Certo. Eu também não, estou aqui mais pelo meu irmão.

— Você tem um irmão?

— Foi o que eu acabei de dizer.

Ela franziu o cenho.

— Desculpe. É que, você sabe, as pessoas dizem esse tipo de coisa quando querem incentivar a outra a continuar falando, mas não querem ser intrometidas.

Eu desci do beliche.

— Legal. Prazer te conhecer. Adiós.

— Mas... Temos de ir ao refeitório.

— Faltou um advérbio de tempo na sua frase. Temos de ir ao refeitório daqui a quinze minutos.

Então saí do quarto pela porta, querendo manter meu segredo sobre a janela (senão outras pessoas poderiam querer usá-la), e fui explorar. Eles haviam feito um tour uma hora antes, mas eu não participei. Talvez devesse tê-lo feito, pois logo estava perdida. Mais especificamente, perdida do outro lado do lago.

— Precisa de uma bússola? — ouvi uma voz provocativa à minha direita. — Oeste é para o outro lado.

Ergui uma sobrancelha para o garoto sentado na varanda de um dos chalés (Delta). O mesmo do refeitório, com seu chapéu estilo Wolverine disfarçado nos desenhos, no jeito Johnny Depp de ser, apesar de ele não se parecer nada com o Johnny Depp.

— Eu não me lembro de ter te perguntado nada.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— As pessoas geralmente se ofendem quando você diz coisas assim?

— Elas geralmente param de falar.

— Essa é a parte onde os caras geralmente ficam tipo "Porra, ela é tão independente, e corajosa, e foda" e se oferecem para ser seus cachorrinhos por toda a eternidade? — Antes que eu pudesse responder, ele completou: — Porque isso não vai acontecer.

— Continuo não te perguntando nada.

— Tá bom. Se você tivesse me perguntado, no entanto, eu diria que você é arrogante.

— Se eu tivesse te perguntado e você tivesse respondido, eu diria que provavelmente sou mesmo.

Ele estreitou os olhos azuis.

— Então acho que não quero sair com você.

— Que bom para você, fera. Escapou de um problemão. Tenho que ir agora, estou compensando o tour que nunca fiz.

No mesmo momento, uma buzina estrondosa ecoou por todo o acampamento.

— Seria uma pena se agora fosse a hora de voltar para o refeitório — provocou ele, e então se levantou e começou a andar até o pavilhão da comida, como decidi que iria chamá-lo.

Eu sentei-me perto do lago, observando meu reflexo um pouco distorcido. Cabelos escuros levemente ondulados, pele clara, olhos escuros. Nada muito diferente do primeiro estereótipo em que você conseguir pensar.

Se esse fosse um daqueles seriados americanos, essa seria a hora que eu tiraria a roupa e pularia no lago sem nenhuma razão aparente, mas na verdade só tirei meus tênis All Star, coloquei-os ao meu lado e pus os pés na água, desenhando em pequenas ondas conforme os movia.

Foi então que uma manada (e sim, manada era o termo correto) de vinte moleques resolveu apostar corrida até o refeitório. Alguns tropeçaram em mim, claro, antes que eu pudesse me dar conta do que estava acontecendo, e num momento em câmera lenta que acontece rápido demais um deles tropeçou nos meus tênis, que caíram no lago.

Acho que ouvi um "desculpa", mas não consegui ver de quem veio, pois todos eles já estavam bem longe.

Tirei os pés e fitei a água. Era consideravelmente fundo, para um lago. Aquela parte devia ter 1,80m de profundidade, e meus tênis estavam em algum lugar no meio dele.

Sabia que se pensasse muito ia desistir, então apenas pulei. Não gostava de abrir os olhos debaixo d'água, mas o fiz mesmo assim, e realmente não foi difícil achar os tênis. Corri até a varanda do Chalé Alfa e os coloquei para secar. Coloquei chinelos, lembrando da comida, para que pudesse chegar ao refeitório rapidamente.

Quando cheguei, percebi que fora uma má ideia. Eu estava atrasada, portanto todos me assistiam. Olhei para as minhas roupas. Eram escuras, portanto pelo menos não estavam transparentes. Torci a borda da camiseta, que pingava, e corri para uma mesa qualquer como se nada tivesse acontecido.