The Blue River Camp
8 A resposta está e....
Notas iniciais
Matthew
“Never wanna stand up for myself
Never wanna get in the way, I said it
I don't know what the plan is
But you can share with me”
— I Would Do Anything For You, Foster The People
"ACORDA, ACORDA, ACORDA, ACORDA, ACAMPANTE, HOJE VAI SER UM DIA MUITO ESPECIAL ...".
A música/despertador do acampamento destruiu o resto dos meus tímpanos, aqueles que sobraram da festa da noite anterior. Tentei diminuir o som tampando meu ouvido com o travesseiro, mas mais uma tentativa falha pontuada por mim, yay!
Sentei-me na minha cama, observando o movimento no quarto. Tirando umas duas camas, o resto já estava vazio, que eficiência. Estava pensando em me deitar de novo quando um monitor entrou no quarto dizendo que o café da manhã seria servido dali a 5 minutos. Tirei forças de um lugar desconhecido e me levantei.
Caminhei em direção aos armários, que ficavam no lado oposto da porta, e tirei minha bolsa. Caminhei, levando aquele peso até minha cama. Tirei aleatoriamente um shorts cáqui e uma camiseta avermelhada. Peguei um par de meias soquete e meu Vans preto.
Depois de vestido, fui ao banheiro coletivo para lavar o rosto. Olhei no espelho e vi que meu cabelo estava um pouco levantado no meio da cabeça. Passei um pouco de água; não abaixava. Passei um pouco de água; não abaixava. Que se ferrasse também aquela bosta, se ele queria ir assim, que fosse.
Saí do banheiro e desci em direção ao refeitório. Encontrei um monitor que estava com uma cara de acabado, imaginei que o pessoal do quarto dele roncava muito. Dei um bom dia pra ele, que retribuiu com um sorriso sincero e um bom dia caloroso.
Cheguei ao refeitório e encontrei o pessoal do meu quarto sentado numa mesa perto da porta da entrada. Parei um pouco e procurei no refeitório o rosto do Thomás. Queria falar com ele sobre a irmã dele, mas Thomás não estava no refeitório; valeu, destino.
— E aí, pessoal, dormiram bem? — perguntei, passando a mão no rosto. Todos responderam com animação e começaram a falar sobre como a noite anterior fora maravilhosa, quantas garotas eles pegaram. Eu apenas ignorei. Não estava com cabeça para as histórias felizes dos outros.
O monitor avisou que a comida estava liberada. Levantei-me e caminhei até a bancada, olhando para o meu pé. Peguei um prato e esperei na fila. Quando chegou minha hora, decidi pegar uma maçã, um panqueca, um potinho cheio daqueles cereais coloridos e um copo de suco de laranja.
— Oi Matthew, tudo bem? — Virei-me para o lado e vi Cat. Ela estava com um vestido de primavera, com um colar de prata e com a coroa. — Você está com uma cara de disposição, mano.
— Mano? — eu respondi com uma uma ironia não intencional na voz.
— Sim, quero ser uma rainha do povão, da massa, sabe? Tipo a princesa Diane, só que versão rainha e canadense.
— Entendi, levando a sério esse negócio de rainha, hein? — falei, apontando pra coroa nos cabelos loiros dela. Ela deu um sorrisinho nervoso. — Estou meio cansado, não dormi bem ontem à noite e estou me culpando por não ter ido falado com a Kate.
— Ah mano, ainda nela? — Cat diss numa afinação diferente da sua voz doce, imaginei que não fora proposital.
— Sim, ainda estou nela. — Ficamos em silêncio por um momento, travando o corredor. — Vamos?
— Sim. — Ela disse, sorrindo, e foi caminhando na minha frente. — Posso dar uma dica? — Eu fiz que sim com a cabeça. — Vai lá, fala com ela agora.
— Agora, agora? — Eu perguntei, me sentando.
— Sim, né, ou você acha que o destino vai te ajudar?
Concordei com a cabeça e fiquei pensando no assunto enquanto comia. Não percebi o tempo passando até o diretor de esportes subir no palco na ponta do refeitório. Ele bateu no microfone, ponderei que isso era um ritual no acampamento.
— Quem está animado pro acampamento? — Ele gritou e algumas outras pessoas responderam com berros e tapas na mesa. — Eu disse, quem está animado? — Agora a maioria das pessoas gritavam e davam tapas nas mesas. — Para começar esse segundo dia de acampamento, vamos fazer uma gincana de conhecimentos gerais. Aqui no refeitório.
Ele pediu para que os times se dividissem em quatro fileiras, cada uma em um canto cardeal. Meu time ficou ao sul, perto da cozinha. Eu e a Cat caminhamos até o lugar designado e ficamos um tempo sem falar nada.
— Quando eu sair daqui, vou procurar ela e falar tudo que eu tenho sentido. — Eu disse, quebrando o silêncio.
— Vai lá, mas tenha certeza de que é isso que você quer. — Ela olhaou diretamente em meus olhos. — É isso que você quer?
— Claro que sim. — Enquanto eu falava, um sorriso apareceu no meu rosto. — Pode parecer bobo, mas o que eu sinto por ela é algo verdadeiro. Juro.
— Se você diz.
O diretor de esporte interrompeu nossa conversa, novamente com os tapinhas no microfone. A gincana funcionaria assim: cada participante de cada equipe escolheria um pergunta, que estaria dividida em fácil, que valeria 1 ponto, médio, que valeria dois pontos; difícil equivaleria a 3 e muito difícil a 4. Todos os participantes deveriam responder a uma pergunta. O time que respondesse mais rápido e terminasse com a maior pontuação, logicamente, ganharia.
Organizei a equipe enquanto Cat conversava com alguma monitora.
— Todos estão prontos? — O diretor gritou com toda animação possível. — O primeiro grupo a responder as perguntas vai ser… — Ele fez um pausa já prevista, pra supostamente criar um suspense no ar. — Democracia. Vocês, que ganharam a brincadeira passada, vão ter o direito de pular uma pergunta. Sejam espertos, meus colegas. Depois que o time da Democracia responder às perguntas, Monarquia Parlamentar responderá em seguida; Monarquia depois e Anarquia por último. Que a sorte esteja com vocês.
O tempo até que passou rápido. Fiquei batendo papo com um pessoal que eu ainda não tinha conversado, George e Tom. Os dois foram bem legais, me deram umas dicas sobre alguns filmes que todas as pessoas deviam ter assistido. Não fiquei assustado quando eles me disseram que eu era um trouxa em relação a filmes clássicos, eu apenas concordei e fiquei absorvendo todo o conhecimento que consegui.
— Time da Monarquia está organizado, meu rei? — Uma monitora me perguntou enquanto eu encarava os fios pendurados no teto do refeitório.
— Estamos prontos, sim, minha querida súdita. — Ela deu uma risadinha e pediu para que eu chamasse a atenção do time. Nossa estratégia era bem simples: se você era burro, pedia a pergunta simples, se você era inteligente, pegava a difícil. Caso você fosse asiático, que pegasse a muito difícil.
Eu decidi ser o primeiro da fila e Cat e uns três asiáticos resolveram ficar no final, para salvar o time caso necessário. Eu senti umas borboletas em minha barriga, não tenho certeza se é por causa da gincana ou porque eu falaria com a Kate quando a brincadeira acabasse.
— Podemos começar? — A monitora perguntou. Eu balancei a cabeça em confirmação e ela apertou o cronômetro. — Qual pergunta vo…
— Muito difícil. — Eu disse, interrompendo ela. Queria terminar logo aquilo.
— Sua escolha. O que significa Pesante na música?
Lembra da bosta das aulas de piano, Matthew, que bosta, merda, lembra. Pesante. Pesante.
— Significa forte?
— Certo, garoto. Agora sai para o próximo.
— Ok.
Vou para o outro lado do salão ao qual as pessoas que já responderam foram designadas. Sentei ao lado dos meus colegas de quarto e ficamos conversando sobre quão bem foi o time de cada um.
***
Cat respondeu à última pergunta exatamente 3 minutos, pelas ninjas contas, depois de a brincadeira ter começado. Pelas nossas contas, nosso time fizera 28 pontos, já que um dos asiáticos errou, que decepção.
Gastamos o tempo papeando sobre as contradições do feminismo atual e como isso afetava o futuro. Bem, não chegamos a nenhuma conclusão, já que o diretor pediu para que todos os acampantes de aproximassem do palco no fim do refeitório.
— Bem, temos uma surpresa no placar! Mas antes de o resultado ser exibido, fiquei sabendo que alguns acampantes estão sendo shippados. Isso mesmo. Esse an, haverá uma coisa diferente. No baile de despedida, haverá a coração de rei e rainha do acampamento. Os requisitos depois vão estar espalhados por cartazes no acampamento todo. As votações começarão na quinta,e todos os acampantes e monitores deverão votar.
A maioria das pessoas comemorou, eu apenas dei um olhar para Cat, daqueles que dizem "Você sabe que vai dar merda". Ela me olhou com o olhar de "Eu sei".
—... Bem, agora vamos tratar sobre o que interessa. O primeiro lugar foi Monarquia, parabéns, meu rei e rainha. — Ele fez uma pausa nos encarando. — Olha que casal bonito esse, concordam, acampamento?
O pessoal ao nosso lado gritou, um garoto até me abraçou. Foi estranho. Olhei para Cat, ela olhou pra mim. Eu abracei ela depois e o público foi à loucura. Estava me sentindo o Peeta, só que mais alto. Depois que o pessoal se acalmou, o diretor disse que Democracia havia ficado em segundo, Anarquia em terceiro e Monarquia Parlamentar em último. Eu escutei a voz do Thomas xingando uns meninos de burro. Soltei a Cat dos meu braços e falei para ela que iria procurar a Kate.
Fiquei na ponta dos pés, mas não consegui encontrar ela ali no meio da multidão. Talvez ela estivesse, mas eu não conseguia achar, uma bosta aquilo. Odiava multidões.
Saí pelas portas e achei ela conversando com uma amiga dela. Fui aproximando-me dela com um sorriso bobo na cara. Ela olhou para a amiga dela e a mesma virou-se pra trás. Elas riram, isso abalou minha confiança, mas mesmo assim continuei firme na minha missão.
— Oi, tudo bem? — Eu disse com uma tensão na voz.
— Oi.
— Achou a pergunta difícil? — Eu perguntei, tentando puxar algum assunto, qualquer coisa.
— Não, peguei a pergunta fácil. — Era muito claro o desprezo dela por mim. Ela encarou a amiga dela por um segundo e depois olhou pra minha mão. Achei estranho, mas fazer o quê?
— Então, você é a irmã do Thomás, certo?
— Sim, sou eu.
— Ei, Kay, vamos lá para quarto; quero ir tomar banho. — A amiga da Kate disse, como se eu não existisse. Ela riu depois disso, o que deixou a situação mais estranha.
— Tá bom. Tchau, menino. — Ela disse já indo embora.
— Tchau. — Minhas palavras flutuaram no vento e se perderam.
Eu fiquei ali parado. Sentei e esperei algum plano acontecer por acontecer. Fiquei triste, que nem quando o Spotify coloca um propaganda no meio do meu álbum favorito.
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