The Blue Blood
7 #7
No começo da noite, ainda no mesmo dia, Lara já se sentia bem melhor e foi liberada. Foi para casa com os pais e não viu sinal de Alex quando saiu do hospital. “Talvez ele esteja na casa de Allice.” Ela sentiu uma pontada de ciúmes. Decidiu não pensar em Alex por hora e deixou a mente vagando enquanto o carro serpenteava pela rua escura e deserta. Lara observava as árvores e as poucas estrelas visíveis no céu quanto matutava e tentava encontrar uma explicação para suas visões. Parecia-lhe que ia para um lugar distante, quase como um outro mundo ou um universo paralelo. “Ou talvez sejam apenas sonhos. Talvez esteja ansiosa, nervosa com as provas da escola...” Enquanto sua mente arrumava desculpas para os estranhos fatos que estavam acontecendo com ela, a mãe de Lara se remexia com impaciência no banco da frente, ao lado do marido. Alguma coisa a deixava muito inquieta. “Não é pra menos, estou passando tão mal ultimamente que minha mãe deve estar num estado de nervos terrível.”
–Mãe? – Lara tocou o ombro dela – Você está bem?
_S-sim. – Anna gaguejou. O pai de Lara estava mortalmente quieto, rígido, cerrando os dentes e semicerrando os olhos.
–Alguma coisa errada? – Lara indagou ao perceber o nervosismo dos pais.
–Não, filha. Fique tranquila – John apertou as mãos contra o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
_Não, alguma coisa preocupa vocês... – ela retrucou — Estão assim por que passei mal? Olha, não devem se preocupar, provavelmente é só stress, nada de mais...
– Sabemos que está tudo bem, filha – Anna tentou soar mais tranquila. – Em casa a gente conversa melhor.
Lara estava tão, mas tão cansada quando chegaram em casa que nem se deu ao trabalho de cobrar um explicação dos pais. Simplesmente desejou boa noite aos dois e correu para sua cama. Vestiu uma camisola leve de cetim e se jogou nas cobertas. Puxou o computador para verificar, rapidamente, se havia alguma mensagem. Estranhamente, a caixa de entrada do e-mail estava lotada. Dezenas de mensagens de Janna piscavam na seção “Novas mensagens”. Todas elas traziam a palavra “IMPORTANTE” como assunto. Suspirando, Lara pegou seu celular e notou que, nos últimos minutos, enquanto se trocava, Lucas havia lhe enviado uns dez torpedos pedindo para que Lara retornasse e entrasse em contato...
“Mas que diabos...?” O telefone tocou. Lara ouviu sua mãe atendendo com um “Alô” tímido, e depois, silêncio total. Ela não ouvia o som da conversa simplesmente porque a mãe não estava falando nada. “Talvez tenha desligado...” Não duvidava que fosse um de seus amigos, principalmente depois de ver com quanto desespero estavam procurando por ela. Lara pegou o celular e ligou para Lucas.
_Graças a Deus! – o aparelho mal deu o segundo toque. – Pensei que já estivesse... – ele se calou por um momento. Sua voz estava carregada de tensão e medo. – Lara, me escute, tem que confiar em mim e sair daí IMEIDIATAMENTE. – A urgência na voz dele era palpável – Pegue o que precisar para sobreviver e saia. – ao fundo ouvia-se um rangido rouco de motor.
_ E Por que diabos eu sairia da minha casa, no meio da noite, e iria para lugar nenhum? – Ela estava desconfiada, mas seu corpo já estava ereto e todo em alerta, pronto para uma fuga.
– Porque você corre perigo... Olha, Lara, vai para a praça central da cidade, a gente se encontra lá. E tire sua família daí também.
_ Como acha que eu vou conseguir essa proeza? — O tom de voz dela era mais agudo e sugeria irritação – Eles não vão sair. Vão achar que estou louca...
_PELO AMOR DE DEUS, SÓ SAIA. – Ele respirava com dificuldade e gritou algo para alguém do outro lado da linha.
Telefone mudo.
Ok, era praticamente impossível convencer seus pais a saírem para um passeio na praça àquelas horas, mas que outra alternativa ela tinha? Esperar e correr o risco? Ver o que aconteceria? Chamar a polícia? Lucas parecia bem convencido de que ela corria um perigo real.
Lara correu para o computador e abriu uma mensagem de Janna:
“Fuja rápido! Eles estão vindo....”
Abriu uma segunda mensagem:
“Estão vindo, corra!”
E na terceira:
“Praça, praça central, leve seus pais.”
Ou aquilo era uma brincadeira de mau gosto, ou Lara realmente corria perigo.
E ela não esperou para correr o risco. Pegou a mochila de escola e jogou todos os cadernos sobre a cama. Freneticamente, pôs-se a colocar roupas limpas na mala, meteu o celular no bolso externo e desceu correndo as escadas, chamado os pais:
_Precisamos sair daqui... – Lara abriu os armários da despensa e começou a despejar a comida deles na mochila cegamente. Suas mãos trabalhavam muito rapidamente e ela mal registrava o que estava fazendo. “Coisas para sobreviver...” Correu e despejou duas garrafas de água potável na mochila. Sua mente estava confusa e em pânico com a pressão de ter que trabalhar rapidamente...
_Filha, o que está havendo? _ John aproximou-se de Lara e tentou segurá-la pelos braços. Inútil. Lara se debateu, libertou-se, abriu a gaveta e jogou um facão e uma tesoura pontuda na bolsa.
– Temos que sair daqui.
_Sair? Por quê?
_Perigo... Janna e Lucas querem que nós os encontremos na praça central....
_Jana e Lucas? – o pai parecia irado. Segurou-a firmemente pelo pulso e fez Lara olhá-lo nos olhos –Isso é alguma brincadeira, Lara? Uma pegadinha? Por que devo confiar nesses seus amiguinhos adolescentes?
_Por que eles também estão em pânico – Lara cerrou os dentes. _ Mãe, pegue seu casaco. Vamos embora. Pai, as chaves da picape.
_ Eles estão em pânico? – John estava pálido. Pegou as chaves e correu até a mulher.
Anna estava sentada no sofá, abraçando os joelhos, e parecia não ter ouvido as ordens de Lara. Não parecia nem um pouco disposta a cooperar como o plano de fuga.
_Amor – John tocou o braço dela gentilmente enquanto Lara se enrolava em seu sobretudo – Anna, vamos.
A mãe de Lara não se mexeu e John começou a puxá-la. Colocou mais e mais força até o braço da mulher ficar vermelho, mas ela não saía do lugar.
_Vamos mãe! — A voz de Lara era quase um guincho de agonia. – Vamos logo! – Ela puxou as mãos de Anna.
– Sabe quem era no telefone, meu bebê? — A voz de Anna soou estranhamente calma para a situação. Ela falava baixinho, docemente, de um jeito estranho e um tanto distante...
_Mãe, isso não importa... –Lara começou, mas seu pai a repreendeu com um olhar.
_Quem era, meu amor? – A voz de John parecia suave, mas tinha um tênue toque de pânico e urgência.
– Eu só os ouvi dizendo que estão com a minha mãe... – Anna sorriu de um jeito macabro e depois deu uma gargalhada histérica – Sua avó, Lara. Sua avozinha...
_Mãe, está tudo bem, vamos ligar para a polícia e dar um jeito nisso depois. Agora temos que ir!
No momento em que Lara puxou a mão da mãe, esta retorceu o pulso de um jeito entranho, dando um giro de trezentos e sessenta graus e cravando as unhas afiadas e escarlates na pele de Lara. Ela grunhiu e um pouco de sangue escorreu pelo seu pulso.
_Ai! – Puxou o pulso, acariciou-o e virou-se para a mãe. Aquele comportamento estranho já estava assustando-a e fazendo o terror crescer dentro do peito...
Então John se afastou subitamente e Anna se envergou para frente, segurou o abdômen e vomitou um líquido escuro no chão.
_Mãe? – Lara lutava contra o bolo em sua garganta. – Mãe, está me ouvindo...? – Aproximou-se com cuidado e puxou o peito de Anna para cima.
A mulher estava terrivelmente pálida e parecia vários anos mais velha. A pele estava flácida e da testa brotavam gotículas de suor brilhando como pequenos cristais. Mas os olhos estavam normais e a expressão, por mais abatida que estivesse, ainda era a de sua mãe. Parecia lúcida e murmurava baixinho. Lara se aproximou para ouvir o que ela dizia.
_ O que- e-está h-avend-do c-comigo? – ela gaguejou.
_Fique calma. Vamos sair daqui.
No momento e que John segurou-a nos braços, escutaram o barulho de vidro estilhaçando no andar de cima. “Droga, droga, droga!” Lara amaldiçoou baixinho. Pé ante pé, avançou para a porta, bem devagar, e chamou pelo pai com um aceno de mão. Anna começou a murmurar baixinho e gemer.
–Shh, meu amor, já estamos saindo – John sussurrou para ela como se a mulher fosse um bebê. Caminharam lentamente e ouviram outro barulho, dessa vez um baque surdo e abafado. E depois outro som, mais agudo.
Para chegar até a porta, infelizmente, eles tinham que passar em frente à escada. E àquela altura o que quer estivesse no andar de cima já estava descendo. Ouviram o tunc, tunc, tunc dos passos ecoando na madeira e o coração de Lara deu um salto. Seu pai estava branco como papel, segurando Anna suavemente.
Lara virou-se e formou a palavra “polícia” com os lábios, sem fazer nenhum som. O pai balançou a cabeça e formou a palavra “esconder”. Os dois recuaram devagar. Tinham duas opções: a área de serviço e o porão. Ambos os cômodos tinham saídas para o quintal e talvez conseguissem chegar em segurança até a picape na garagem.
Um passo, depois outro, e mais outro... Lara apertou a alça da mochila. Os passos estavam muito mais próximos e o som estava mais alto. Tunc, tunc, tunc. Lara podia jurar que junto com o barulho dos passos havia também o som de sucção de algo úmido e pegajoso.
Deram a volta numa extensão da parede que separava a sala a da cozinha e se esgueiraram para o outro cômodo no instante quem que os passos cessaram. “Estão na sala, precisamos ser rápidos...” Então Lara teve um impulso quase incontrolável de virar a cabeça e ver quem invadira sua casa. Seria arriscado demais e a chance de alguém notá-la era enorme, mas a curiosidade fazia sua pele formigar. “Não, vamos embora logo.” Manteve o pescoço rígido e as pernas firmes, avançando logo atrás do pai e mantendo-se o mais perto da parede possível, fora do campo de visão dos invasores. Chegaram à porta de acesso da área de serviço. Fechada.
“Maldição.” Lara mudou o peso de um pé para o outro e podia sentir o nervosismo do pai, bem a sua frente. De repente a casa tinha mergulhado num silêncio tenso, e tanto os invasores quanto os fugitivos se moviam silenciosamente para não chamar atenção. “Como vamos abrir essa porta sem que nos ouçam?”
O som de sucção continuou, como se algo úmido estivesse se movendo pela sala...
“Que barulho é esse?” – Foram as palavras formadas pelos lábios silenciosos do pai. Lara deu de ombros e resistiu, mais uma vez, ao impulso de olhar.
Então um choque de realidade pareceu atingir John. Ele abriu e fechou a boca várias vezes e apertou o braço de Anna com força.
_ O- O que...? – A mãe de Lara começou a falar, mas não houve tempo para terminar a frase.
E todo o plano de fuga silenciosa foi por água a baixo.
John se atirou contra a porta de madeira e o baque ecoou pela cozinha. Ele correu para a área de serviço com Anna sacudindo em seus braços e Lara foi logo atrás. Para seu horror, ela ouviu grunhidos e sibilos parecidos com o das serpentes vindo em direção a eles. Quando Lara entrou no cômodo fracamente iluminado pela lua, arriscou uma rápida olhada para trás.
Fora um erro. O pânico cresceu dentro dela e Lara se esqueceu, por alguns segundos, de que deveria continuar correndo.
_Filha, vamos! – John tinha colocado Anna no chão, ao lado da janela, e trabalhava com uma ferramenta para quebrar o vidro e abrir passagem pela janela. – Vamos!
As criaturas que invadiram a casa não eram, de jeito nenhum, humanas. Tinham cerca de um metro e eram muito envergadas, de braços e pernas extremamente magros, compridos e cheios de saliências. A pele era preto-piche, cheia de caroços. Mas a cabeça era o que mais assustava: enormes, ovais e com uma ponta afiada no topo, algo que sugeria sua forma de defesa e ataque. Os olhos eram fundos e encovados e a boca se retorcia de um jeito medonho, cheia de dentes pontudos e sujos.
“Mas que diabos...” Lara sentiu a mão de seu pai apertando-lhe o pulso e imediatamente começou a se mover. Chegaram até Anna, que já conseguia ficar em pé, e ajudaram-na a passar pela janela, evitando os cacos de vidro soltos. Em seguida John abriu espaço para que Lara saltasse e empurrou a filha para fora. Um pedaço do caco de vidro roçou sua perna nua, fazendo sair um filete de sangue. Lara apertou a mochila contra o corpo e saltou para o chão, sentido o vento frio golpeando seu rosto com violência e fazendo as roupas esvoaçarem. Anna estava aflita, perto da janela, gritando para que John se apressasse. Nesse momento, as criaturas irromperam pela área de serviço, cambaleando de um jeito esquisito e desajeitado e esticando os braços na direção de John. As criaturas – Lara reparou que eram três, curiosamente uma para cada membro da família — já estavam dentro da área de serviço e esticaram as garras para John. O pai de Lara já estava passando a perna pela base da janela quando um dos bichos saltou e agarrou-lhe na canela com força. Ele soltou um guincho de dor e sacudiu a perna para tentar se libertar, mas a criatura só agarrou com mais força e não soltava de jeito nenhum. O sangue dele começou a escorrer e pingar no chão, fazendo um ploc, ploc, ploc medonho, o que só serviu para agitar ainda mais as coisas. Anna começou a puxá-lo pelo pulso como máximo de força que podia, desesperada, enquanto o corpo de John era arrastado de volta para dentro da casa. A perna dele roçou no vidro quebrado e um talho ficou preso em sua coxa. O grito foi agonizante.
Então Lara lembrou-se da faca. Puxou a bolsa dos ombros e vasculhou dentro dela freneticamente em busca da arma. Nesse momento, uma das outras duas criaturas que estavam dentro da casa se pôs a puxar John pela outra perna, e o terceiro bicho, o maior dos três, saltou pelo espaço livre entre o corpo de John e o batente superior da janela. Vidro estilhaçado voou junto com a coisa, e esta logo começou a cambalear na direção de Lara.
“Faca, faca, faca...” Sua mão se fechou em torno do cabo e Lara tirou o facão da bolsa no instante em que o bicho saltava sobre ela.
Segurou a faca em frente ao corpo para se proteger e antes de cair no chão teve um vislumbre da boca da criatura arreganhada em sua direção. Ela rolou no chão se debatendo e lutando contra as garras daquela criatura horrível, tentou golpeá-la, mas o bicho era rápido. E em algum momento a faca caíra de sua mão.
Não conseguiu mais ver o que estava a cotecendo com os pais; tudo em que podia se concentrar era na criatura se debatendo em cima dela. A pele era nojenta, pegajosa e o cheiro que exalava era horrível. O fedor da coisa, o pânico e esforço para se libertar faziam os pulmões de Lara arder.
Então ela sentiu as garras longas e afiadas cravando na pele de sua coxa, rasgando sua roupa e tentando atingir seu rosto. Lara virou a cabeça para o lado a fim de desviar de um golpe e viu a faca no chão, a alguns centímetros. Esticou a mão o máximo que pôde e, num segundo, estava armada de novo e fincava a lâmina na lateral do tronco do bicho.
A criatura soltou um lamento gutural e libertou-a por uns segundos. Lara rolou para o lado, se pôs de pé e, antes que pudesse ser atacada de novo, enfiou a faca no pescoço comprido da criatura. Esta ficou imóvel e tombou no chão como uma marionete cujas cordas acabaram de ser cortadas.
Ofegante e com o corpo pulsando de adrenalina, Lara precisou de um tempo para perceber o horror que estava acontecendo a seus pais: ambos tinham sido arrastados para dentro da casa e estavam sendo arranhados violentamente pelas criaturas. Seus rostos estavam cheios de arranhões fundos e marcados de sangue, e os braços e pernas não estavam muito diferentes. Seu pai lutava furiosamente contra um dos bichos enquanto Anna gritava por socorro e lutava como outro. Ficou imobilizada por um segundo e a criatura que estava sobre ela abriu a medonha boca e lançou-a em direção ao pescoço de sua vítima...
_Mãe! – Lara gritou a plenos pulmões e correu na direção dos pais. Nessa hora, houve um barulho de tiro – não, dois barulhos, um seguido do outro. As criaturas tombaram no chão, imóveis e inertes, esmagando os corpos de seus pais.
– Mãe! Pai! – Lara pulou a janela, se arranhado com os vidros e ignorando a dor latejante na coxa, e foi até eles.
– Mandei você sair rápido – Lara escutou a voz de Janna vinda da cozinha. A amiga segurava uma arma e usava uma roupa preta que protegia todo o seu corpo.
–Você está bem, Lara? – Lucas apareceu logo atrás e correu na direção dela. Parou, horrorizado, quando viu- a ajoelhada ao lado dos bichos e, sob estes, o corpo dos pais.
_Me ajudem a tirar essas coisas daqui – Lara começou a empurrar com toda força que ainda tinha e os amigos correram para ajudá-la. Tirou primeiro o bicho de cima do corpo da mãe e em seguida do corpo do pai. Ambos estavam imóveis e de olhos vidrados, mas ainda respiravam.
_Ai, Meu Deus – Lara segurou o rosto da mãe nas mãos. Os cabelos escuros dela caíam sobre seus braços e grudavam na testa, sujos de sangue. O rosto estava todo ferido, repleto de cortes, arranhões, sangue e suor. Ainda estava viva, mas muito ferida.
_Lara – Janna tocou seu ombro – vamos levá-la para o carro, depois cuidamos dela. Sua mãe vai ficar boa. – E deu um sorriso fraco e tímido à amiga.
– Isso, isso – concordou Lucas – mas vamos logo, mais daquelas coisas estão vindo.
– Mais? – a voz de Lara saiu aguda – Já não fizeram estrago suficiente não?
– Vamos, Lucas – disse Janna, ignorando-a – vamos levar dona Anna para o carro.
– Espere – Lara segurou o pulso da amiga – Como sabia que isso ia acontecer?
_ Depois conversamos, temos que ir. Agora.
Lara não discutiu mais. Ajudou-os a levar os pais para um carro que os amigos tinham estacionado em seu quintal e colocou — os nos bancos traseiros como máximo de cuidado que pôde. Doía muito vê-los tão machucados e Lara torceu para que pudessem cuidar dos ferimentos logo.
Pegou a mochila largada na grama do quintal, recuperou a faca e guardou-a na bolsa.
Quando se aproximou do carro, cambaleando devido às dores na coxa, Lara observou Lucas e Janna trocando um selinho rápido. Apesar de tudo, ela não pôde deixar de sorrir. Lucas era apaixonado por Janna há dois anos, dede que começaram a estudar na mesma escola, e sempre quisera ser mais que um amigo para ela. “E finalmente conseguiu.”
Lara chegou ao carro e dirigiu um olhar brincalhão aos dois.
– Então, pombinhos, vamos?
Janna riu alto e Lucas pareceu um tanto encabulado.
– Vamos logo – Ele apressou-as para entrarem logo no carro e se jogou no banco do motorista.
_ Ainda vamos para a praça? — Lara indagou quando começaram a se afastar da casa.
Nenhum dos dois respondeu à sua pergunta. Ao invés disso, Janna simplesmente suspirou e disse num tom triste:
– Eu sinto muito não ter contado antes Lara... Não ter explicado ou mencionado o perigo que estava correndo...
– Tudo bem, vamos conversar com ela depois – Lucas disse.
– Ok, mamãe e papai. – Lara retrucou um tanto mal humorada.
Ao seu lado, no banco de trás, a mãe de Lara soltou um lamento e esticou a mão para John. Ele gemeu e apertou os olhos.
– Logo vamos cuidar de vocês – Lara disse baixinho com um aperto na boca do estômago. – A perna dói muito, pai?
Ele assentiu e forçou um sorriso. Depois disse as primeiras palavras em minutos:
– Dá para aguentar. – e tossiu um pouco.
Anna virou-se para a filha, fazendo uma careta de dor ao mexer o pescoço, e sorriu.
_ Salvou nossas vidas – Ela disse baixinho.
_Não, mãe – Lara respondeu – Janna e Lucas salvaram suas vidas.
– Mas você nos preparou para sair... – ela tossiu e Lara levou uma mão à testa da mãe para afastar os cabelos colados no rosto.
_ Só porque Janna e Lucas me disseram que estávamos em perigo.
_ No fim, somos os heróis – Disse Lucas num tom descontraído e debochado.
Janna soltou um risinho e deu uma piscadela para Lara e Anna.
– Agradeçam a nós, então, por termos salvo suas vidas.
– Ok, obrigada. – Lara murmurou. Sentia-se muito grata, afinal se não fosse pelos dois seus pais provavelmente estariam mortos. E ela também.
– Obrigada – Sussurrou Anna.
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