The Blue Blood
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Clara começou a caminhar lentamente até Tia Penny, que estava ajoelhada no chão, de olhos arregalados e respirando com dificuldade.
_Você está bem? – Tremendo de frio, Clara ajoelhou-se ao lado da tia e segurou a mão dela levemente. – Acabou, não? – Olhou de relance para o monstro caído no chão com sua boca enorme aberta e os braços torcidos em ângulos esquisitos. Depois ousou olhar para o centauro. Viu que ele tinha um pelo escuro e lustroso que ficava lindo iluminado pela lua. Seu rosto era totalmente humano e normal, se não fosse pelo brilho feroz nos olhos. Apoiou o arco do ombro e caminhou letamente até as duas, seus cascos fazendo um barulho suave contra o chão e a grama. Depois de toda a agitação, o silêncio parecia sinistro e ameaçador. Os ouvidos de Clara zumbiam.
–Quem... quem é você? – levantou os olhos para o centauro – O que era- estremeceu e olhou para o bicho morto atirado no chão – aquilo?
–Sinto muito que sua Tia não tenha tido tempo de explicar a você. Eu sou um guardião. Estou aqui para proteger pessoas como você de coisas como ele – apontou para o monstro. –E aquilo é um alienígena. Veio de outro planeta.
–Alienígenas não existem. – Foi tudo o que Clara pôde dizer. Sua mente estava confusa, enevoada e a cabeça já latejava muito. Sentiu o estômago se contorcer enquanto olhava para o centauro à sua frente, depois para o alienígena caído no chão, depois para a nave e o estrago que ela havia feito no quintal da sua tia-avó. E depois olhou para Tia Penny. A mulher estava muito pálida e de olhos fechados, respirando rapidamente e com dificuldade.
–Tia Penny? – Clara chamou-a, hesitante. Nenhuma resposta. Virou-se para o centauro.
_Acha que ela está em choque?
–É possível. E provável também, eu diria.
–Será que podemos levá-la para dentro? Vão aparecer mais... – ela ia dizer alienígenas, mas a palavra pareceu travar na garganta.
–Não, creio que não. Acho que só uma nave veio para cá. Eles pensavam que vocês estariam sozinhas. — disse, mais para si do que para Clara.
_Eles planejaram cair aqui e nos atacar?
–É claro. –O centauro respondeu dando de ombros, como se aquilo fosse óbvio.
– Mas o que eles podem querem comigo e com a Tia Penny? – Ela se virou para a tia-avó, que caíra no chão e tremia incontrolavelmente. Ela começou a convulsionar e revirar os olhos.
Desesperada, Clara começou a chamá-la e a gritar com ela.
–Tia Penny! O que está acontecendo? Você está sentindo dor? – Segurou a cabeça da tia com uma das mãos e bateu no rosto dela de leve. – Por favor, responde. Está me ouvindo?
A única coisa que Tia Penny pôde responder antes de virar os olhos e parar de respirar foi: “Clara, corre.”
_Não! — A menina gritou, agitando o corpo inerte nos braços. O centauro observava tudo de olhos arregalados e com uma expressão carregada de curiosidade e incompreensão. Aproximou-se das duas e se ajoelhou no chão, dobrando as enormes e fortes pernas de cavalo. Deixou o arco ornamentado de lado e começou a mexer em tia Penny com cuidado, verificando a pulsação, abrindo as pálpebras dela, tocando o pescoço e verificando a respiração. Nada. Nenhum sinal de vida. Tia Penny estava morta. Apesar de não gostar muito dos finais de semana com a tia-avó, aquela era a única família que Clara tinha. Pensar nisso a deixou muito triste e enjoada. De repente, sentiu que ia vomitar.
A pele de Tia Penny já estava fria e acinzentada. Ela estava completamente imóvel.
–Está morta... – Clara sentiu um nó na garganta. — Ela lutou contra aquela coisa. Ah, céus, ela já devia saber... Estava esperando você. – Olhou para o centauro. — Desculpa, mas qual é o seu nome?
–Polimo, me chame de Polimo, para todos os efeitos. Tenho vários nomes, mas explicar isso a você ia levar muito tempo. E precisamos sair daqui.
–E o corpo dela? – Clara indagou horrorizada. – E essa coisa? – Como vamos nos livrar disso? E como vamos enterrar minha tia? Precisamos de um velório descente para ela...
Polimo, o centauro, arregalou os olhos. Parecia assustado. O centauro era um animal feroz, forte, selvagem e inteligente, qualquer coisa que o deixasse assustado era preocupante. Ele esticou o braço para tocar na barriga de Tia Penny. Sua mão subiu e desceu. Subiu e desceu. A mulher respirava.
–Céus! Ela está viva? – Clara coneve um grito de surpresa. Por algum motivo, Ela não achava aquilo tão bom. Achava estranho. Tia Penny estava morta há um segundo. Já estava até fria. E continuava fria. Mas respirava.
–Isso... Não é possível – Polimo estremeceu. – Ela estava morta.
_E aquilo também- Apontou Clara, contendo um grito. O alienígena que estivera morto no chão há segundos agora se mexia lentamente. O peito da criatura subia e descia e seus dedos tremiam.
_Polimo... — Clara sussurrou – Aquela coisa está viva!
_Não é possível. Eu o matei- Polimo estava branco como papel.
Então Clara viu um arranhão no braço de Tia Penny. Era só uma marca pequena e funda, com certeza não fora suficiente para matá-la. Mas, por algum motivo, o ferimento chamou a atenção de Clara. Parecia feito por uma garra afiada.
Foi aí que as coisas começaram a ficar muito, mas muito ruins.
Para começar, o alienígena morto se levantou. E, dessa vez, tirou uma maça de guerra do cinto.
Polimo partiu na direção dele, agarrando o arco e mirando na cabeça do animal. Por algum motivo, o alienígena parecia mais feroz. E mais pálido. E desajeitado. Tinha dificuldade em se mover e em manejar a arma. Estava estranhamente lento.
Depois foi a vez de Tia Penny se mexer e começar a grunhir. Em pânico, Clara empurrou o corpo para longe e começou a gritar. A mulher que antes fora sua Tia- avó andava toda corcunda, mancando e gemendo como um animal ferido. Os lábios estavam azuis, a pele cinza e os olhos leitosos. Ela cheirava a cadáver. “Céus, o que é isso?” Desesperada, Clara tentou se aproximar e falar com ela.
_Tia Penny, sou eu, Clara! Por favor... – Mas a mulher morta começou a andar na direção dela, estendendo os braços e contraindo os dedos de forma medonha. Ela franziu o cenho e mostrou os dentes. Farejou o ar por um milésimo de segundo e avançou para Clara, abrindo e fechando a boca e estalando os dentes.
_Corra menina, ela não vai te reconhecer! – Polimo gritou por cima do ombro enquanto lutava com o alienígena. Colocou uma flecha no arco e acertou a cabeça do monstro. Mas a criatura continuou andando.
“Maldição.” Clara virou-se e começou a correr.
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