The Blind Side Of Love

1 Some Things Never Change.


Notas iniciais
Olha quem está de volta com mais uma fanfic! Meu Deus, como senti falta de escrever sobre Emison! A sensação é de que postei TMBL há anos... Mas, enfim, espero que tenham sentido a minha falta também.
Agora chega de enrolação e vamos ao que interessa!

Faltando menos de uma semana para as aulas na Columbia começarem, Emily e eu estávamos de volta das nossas férias na Itália depois de finalmente concluirmos o Ensino Médio em Rosewood Day, que, diga-se de passagem, havia nos recebido com o grau de reverência ainda maior que antes de viajarmos para Paris, pouco mais de um ano e meio atrás.

Nosso plano de viver em Paris para sempre pareceu funcionar só por alguns meses, até percebermos que toda a nossa vida, por mais difícil que pudesse ser, estava aqui, perto de nossas melhores amigas. Claro que eu nunca admitiria isso em voz alta, mas, no fundo, Spencer, Aria e Hanna sabiam que elas foram os nossos únicos motivos para voltarmos para casa. Elas eram a nossa família.

Agora, com a nossa recente mudança para Nova Iorque, tentávamos nos adaptar às possíveis transformações que uma nova rotina no Upper West Side poderia nos causar. Era uma nova fase, afinal, e estávamos prontas para começar a construir o nosso futuro juntas, começando com a organização do nosso novo apartamento em Morningside Heights, presente de consolo dos meus pais por eu não ter conseguido entrar na Universidade de Yale, que era para onde Jason havia ido e, supostamente, onde eu também deveria ir.

Mal sabiam eles que recusei Yale quando Emily recebeu sua carta de admissão na Columbia. Ela havia se esforçado tanto para ser aceita, e eu sabia que ela iria, o que me deixava ainda mais receosa; ela iria para a Columbia e eu para Yale. Aquilo já estava certo. No entanto, sem sequer pensar duas vezes, enviei a minha carta para Columbia também, sem contar para ninguém — nem mesmo para Emily, pois somente quando a carta dela chegasse eu decidiria qual caminho tomar. E, quando chegou, eu realmente tomei a minha decisão: estávamos juntas em Nova Iorque, indo para a mesma universidade.

— Acho que esta é a última caixa. — Emily suspirou ao depositar mais uma caixa no chão, enquanto eu terminava de desempacotar as outras e colocar os nossos pertences em seus devidos lugares.

Já estava quase tudo pronto, visto que só estávamos tendo trabalho com as poucas coisas que trouxemos conosco. O apartamento estava perfeitamente mobiliado quando chegamos hoje pela manhã, pois Hanna e eu havíamos cuidado para que toda a decoração também tivesse um pouco de Emily em cada cômodo desse apartamento; afinal, aqui seria o nosso lar enquanto estivéssemos na faculdade.

Do outro lado da sala de visitas, Em se apoiava no corrimão da escada, olhando ao redor preguiçosamente enquanto tentava decidir se faltava mais alguma coisa para ser feita ou não. Seu cenho franzido me fez rir silenciosamente. Emily parecia exausta e eu realmente não poderia culpá-la; ela havia dirigido de Rosewood até aqui depois que retornamos de viagem.

— Em, venha aqui. — Chamei, estendendo minha mão em sua direção como forma de incentivo. — Diga-me, onde acha que devo colocá-los? — Apontei para os nossos porta-retratos dentro de uma das caixas abertas quando ela se aproximou, sentando-se ao meu lado no chão.

Ela pegou um em que estávamos na Toscana, num campo cheio de girassóis, sorrindo com o pôr do sol entre nós duas; naquele momento, estivemos a centímetros de distância para nos beijarmos quando Emily tirou esta foto e, de tão espontânea e natural, o resultado ficou perfeito.

— Esta aqui eu quero no nosso quarto. — Ela disse, curvando os lábios num meio sorriso, certamente se lembrando da mesma coisa que eu. — Esta também! — Emily ergueu a nossa foto com Eros.

Dentre as centenas de fotos que tiramos dele, tínhamos de concordar que aquela era de longe a nossa favorita. Aria havia tirado no dia em que levei Emily para conhecer a nossa casa em Paris, pegando-nos distraídas, já que a minha atenção estava em Eros e a de Emily em nós dois. Ela sorria, observando Eros ainda filhotinho no meu colo, tentando capturar meu dedo indicador com a patinha, enquanto me abraçava por trás com o rosto encostado ao meu. Estávamos genuinamente felizes naquele dia.

Algumas horas depois de terminarmos tudo, Emily e eu tomamos banho e nos embrenhamos sob as cobertas a fim de nos protegermos do tempo glacial que Nova Iorque possuía. Havia sido um dia cheio para nós duas, mas em especial para Emily; sua espontânea disposição para fazer tudo o que eu lhe pedia agraciava ainda mais a minha vaidade. Afinal, ela ainda permanecia a mesma de antes, o que não era muito o meu caso.

Com o passar do tempo, passei a ficar cada vez mais sensível quando o assunto era ela. Emily me desarmava de todas as formas e, às vezes, aquilo ativava algumas de minhas inseguranças. Não havia como negar que eu estava perdida numa paixão sem freios, onde o medo de colidir não me importava nem um pouco; ela era a minha calmaria, tudo o que me mantém nesse mundo caótico.

— Em que está pensando? — A voz suave e preguiçosa de Emily soou perto do meu ouvido, arrepiando-me rapidamente.

— Como sabe que estou pensando em alguma coisa? — Exigi, tentando virar a minha cabeça para poder olhá-la, mas seu rosto estava enterrado em meu pescoço. — Eu estou prestando atenção no filme. — Balancei a cabeça levemente em sinal de negação, reprimindo um sorriso a todo custo.

— Não, não está. — Emily disse, afastando-se para me fitar. — E sabe como eu sei disso? Você sempre torce os lábios para o lado, desse jeito adorável e irresistível, quando está pensando em alguma coisa séria. Eu fico com vontade de beijá-la toda vez! — Ela puxou meu corpo ainda mais contra si, espalhando beijos por todo o meu rosto, até chegar à minha boca, onde me beijou com calma e ternura.

— Tudo bem... — Desisti aos risos, com a mão em seu pescoço. — Eu estava pensando... Nós deveríamos ir ao supermercado amanhã cedo. Eu realmente quero fazer compras com você, acho que vai ser divertido. — Sugeri animadamente, arrancando-lhe um sorriso satisfeito em troca.

— Sim, parece perfeito. — Emily concordou, brincando com nossos dedos entrelaçados.

Com isso, voltei a minha atenção para o filme que estávamos assistindo, Casablanca, e me aconcheguei ainda mais no seu corpo quente e convidativo. Durante boa parte do filme, Emily tirava proveito de minha distração e plantava beijos molhados em locais estratégicos da minha pouca pele exposta, atiçando-me com tamanha lascívia misturada com ternura.

Notei, porém, que sua respiração havia ficado pesada e profunda em certo momento, e os seus braços se afrouxaram em volta da minha cintura. Olhei para ela, que estava dormindo tranquilamente com a ponta do nariz encostado em meu pescoço; não pude conter um riso baixo com as cócegas que o movimento precipitado provocou. Com cuidado, peguei o controle da televisão em cima do criado mudo e a desliguei. Em seguida, virei-me um pouco para beijá-la suavemente nos lábios antes de voltar meu corpo para o outro lado, ficando de costas para Em, e adormecer alguns minutos depois.

No outro dia pela manhã, fui despertada com os sons abafados dos miados agudos de Eros. Ele arranhava a porta do quarto com insistência, tentando empurrá-la para conseguir entrar. O problema era que Emily não havia deixado a porta encostada, como sempre fazíamos no caso de ele querer nos fazer companhia.

— Em, Eros está com fome. — Resmunguei com certa dificuldade por causa do sono, sem sequer mover um músculo para tentar acordá-la. — Vamos, é a sua vez de levantar para alimentá-lo! — Dessa vez, ela se mexeu na cama; murmurou alguma coisa entredentes que não mal consegui entender e se levantou.

Meus olhos continuavam fechados e não poderia afirmar com certeza se eu tinha dormido de novo... No entanto, quando eu os abri pela primeira vez, vi Eros com uma das patas repousada sobre o meu braço. Ele dormia numa posição engraçada em cima do travesseiro de Emily, quase como num semicírculo, ronronando suavemente enquanto um punhado de luz solar atravessava as janelas de vidro do quarto, iluminando seus bonitos pelos acinzentados. Ele conseguia ficar ainda mais adorável quando estava dormindo.

— Fique assim até nós voltarmos, está bem, meu pequeno?

Emily surgiu de repente, aproximando-se da cama com uma rapidez e agilidade impressionantes. Conforme ela se movia, uma inconfundível nuvem com o cheiro de lavanda com almíscar se formava por todo o quarto; foi preciso apenas uma fungada para que o seu delicioso aroma preenchesse meus pulmões e me embriagassem os sentidos.

— Ei, aonde pensa que vai? — Perguntei com as sobrancelhas franzidas, sentando-me na cama.

Emily acariciava o ventre de Eros, sorrindo amplamente da forma como ele se esticava cada vez mais com os carinhos dela. Por um instante, pensei que ela não houvesse me escutado, mas então ela se ergueu e me olhou com uma expressão curiosa, quase incrédula.

— Nós vamos ao supermercado, lembra-se? — Sorriu amorosamente, e eu pressionei um pouco a minha memória, recordando-me rapidamente da nossa conversa de ontem. — As meninas vão vir tomar café conosco às dez horas e já são quase nove, o que significa que precisamos nos apressar.

Emily estendeu suas duas mãos em minha direção, puxando-me da cama com cuidado e delicadeza quando eu as peguei. Ela me arrastou até a beirada da cama, onde eu fiquei de frente para ela, sentada sobre as pernas dobradas, enquanto ela envolvia minha cintura devagar. Seu abraço me confortou a ponto de eu querer descansar minha cabeça em seu ombro e voltar a dormir, mas, ao invés disso, segurei seu rosto entre minhas mãos e a beijei ternamente.

— Vinte minutos? — Emily arqueou uma das sobrancelhas ao nos separarmos depois de alguns segundos.

— Vinte e cinco! — Afastei-me dela rapidamente, pulando da cama e indo direto para o banheiro.

Pela primeira vez, eu consegui reparar com mais eficiência nos detalhes da suíte conforme tomava banho; era generosamente espaçoso, o piso revestido de mármore polido possuía tons de bege, fundindo-se também às paredes em tons perolados, que davam uma impressão de exuberância. O box era de vidro transparente, fechado até o teto para evitar passar vapor para o banheiro. A hidromassagem ficava afastada do box, quase do outro lado, e os revestimentos seguiam o mesmo padrão categórico do banheiro inteiro. Não podia negar que Hanna tinha bom gosto e que sua ajuda havia sido muito bem-vinda.

Assim que terminei meu banho, peguei a toalha no suporte específico para isso na porta do box e me enxuguei o mais depressa que pude. Voltei ao quarto e estava quase terminando de me trocar quando Emily surgiu na porta, com Eros no colo. Ela odiava ter que deixá-lo sozinho, mas nós sabíamos que ele se comportaria muito bem em nossa ausência, visto que seu passatempo favorito se resumia em dormir a maior parte do tempo.

— Olhe só, tia Aria já está a caminho. — Emily lhe mostrou alguma coisa em seu celular, como se ele realmente entendesse. — Faça companhia a ela até chegarmos. Não se esqueça de que você é o homem da casa. — Continuou com a voz mais baixa e sigilosa, o que me fez rir.

Eu já estava acostumada com seu lado maternal, mas era sempre uma deliciosa diversão vê-la interagir com Eros, ou até mesmo com a irmã mais nova de Aria. Emily tinha o dom da paciência e o usava com sabedoria quando tínhamos alguma criança por perto e isso aconteceu bastante nos últimos dois anos, quando ajudávamos Aria a cuidar de Lola na ausência de seu pai e madrasta.

— Ei, já está pronta? — Emily colocou Eros na cama impecavelmente arrumada, aproximando-se de mim logo em seguida.

— Quase. — Respondi, calçando meu par favorito de botas.

Em silêncio, ela pegou meu casaco e esperou que eu me erguesse da cama, ajudando-me a colocá-lo como sempre fazia quando saíamos juntas. Por fim, quando estávamos nos aproximando da sala, as portas do elevador se abriram e Aria saiu de dentro dele, vindo em nossa direção com o olhar em seu celular.

— Já estão de saída? — Ela parou assim que nos viu. — Pensei que fossem ao supermercado só à tarde. Hanna e Spencer estarão aqui daqui a pouco.

— Você falou com ela? — Perguntei a Emily, apertando sua mão com o intento de fazê-la olhar para mim.

— Enquanto você estava no banho. — Respondeu com sinceridade, fazendo-me relaxar. Ela se voltou para Aria num súbito, como se houvesse acabado de lhe ocorrer algo. — Ei, fique com Eros até voltarmos, está bem? Não vamos demorar.

Dito isso, Aria comprimiu seus lábios e franziu as sobrancelhas, logo dando de ombros. Ela ajeitou sua bolsa em seu ombro e seguiu em direção à sala, analisando os nossos porta-retratos, onde havia alguns com todas nós juntas e outros nem tanto, com um sorriso no rosto.

Emily me olhou por um instante, buscando por qualquer reação da minha parte, mas eu apenas a puxei para dentro do elevador quando as portas se abriram outra vez. Aquilo certamente era uma das minhas coisas favoritas em morar em Nova Iorque e ter um apartamento; não havia porta para se tocar uma campainha, apenas o elevador que apitava suavemente quando alguém estava para sair dele, dando passagem direta para o interior do apartamento.

— Eu acho que nunca fiz sexo num elevador. — Emily murmurou assim que eu apertei o botão que nos levaria ao térreo.

— Eu já. — Não ousei olhá-la, permaneci quieta e com os olhos num ponto fixo. Pela minha visão periférica pude vê-la me fitar com as sobrancelhas arqueadas e não demorou muito até que ela tentasse dizer algo, gaguejando a cada sílaba.

— Com quem? — Conseguiu finalmente proferir, soando profundamente consternada. Não resisti e olhei para ela, sorrindo diante de seu olhar incisivo sobre o meu.

— Eu estou brincando, Em! — Agarrei seu pescoço com meus braços e a encostei à parede de metal do elevador, beijando seus lábios enternecidamente.

Cada beijo que compartilhávamos parecia novidade para mim. Era como se meu coração nunca fosse se acostumar com a eletricidade que o seu mais simples toque enviava por todo meu corpo. Encontrava-me constantemente em completo êxtase quando nos amávamos como se nossas vidas dependessem somente disso — não apenas do contato físico, carnal, mas também emocional; aquela que surgia expressamente na necessidade pungente de nos termos de todas as maneiras possíveis.

— Você sabe, Ali, isso não teve graça. — Ela tentou resmungar enquanto ainda nos beijávamos. — Eu fiquei realmente assustada.

— Desculpe, eu não resisti. — Sussurrei contra seus lábios, sentindo-a me apertar contra o seu corpo. — Mas não se preocupe porque teremos a nossa chance. — Sorri contidamente com a ideia, afastando-me dela aos poucos; o calor do seu corpo estava constantemente me fazendo falta.

O elevador parou, apitou e então as portas se abriram, relevando o estacionamento do jeito que nos lembrávamos: cheio de motos e carros importados. Nossas vagas ficavam uma perto da outra, porém apenas o carro de Emily ocupava uma delas. Eu ainda estava criando caminhos e inventando diversas maneiras de chantagear meu pai para que ele me desse uma BMW. Não era nenhum segredo que eu sempre cortejei a de Jason, pegando emprestado sempre que era possível quando ainda morava em Rosewood.

Ao chegarmos ao supermercado, no entanto, estacionamos em qualquer vaga disponível e nos apressamos em comprar tudo o que precisávamos para algumas semanas. Emily andava com um carrinho e eu apenas jogava as coisas dentro dele, divertindo-me com as variadas expressões que ela fazia. Era incrivelmente deliciosa a sensação de que tudo se encaixava — e o mundo não era tão terrível como já cheguei a acreditar.

— Já temos tudo? — Emily perguntou enquanto andávamos pelos corredores do supermercado.

— Em, ainda não são dez horas. — Bufei quando a vi checar as horas pela terceira vez em menos de cinco minutos. Emily era ridiculamente pontual e detestava deixar as outras pessoas esperando, mesmo que fossem nossas melhores amigas desde sempre. — Olhe só! Quase estava me esquecendo do meu iogurte desnatado. — Peguei os iogurtes e coloquei com cuidado no quase amontoado de coisas no carrinho, recebendo o auxílio de Em instantaneamente.

— Bem, se você tivesse esquecido, eu certamente voltaria para comprar. — Ela disse, soando distraída e genuína.

Não há nada que eu não faria por você, Emily costumava dizer quando estávamos no sétimo ano e isso vinha se provando a cada dia; bem ou mal, ela estava sempre fazendo as minhas vontades, rendendo-se primeiro quando brigávamos por razões banais, às vezes até um pouco significantes. Não conseguíamos ficar muito tempo sem nos falarmos quando isso acontecia. Ela sempre vinha me procurar antes que eu pudesse ter a chance de ter meu orgulho esmagado para fazer o mesmo.

— Eu sei, meu amor. — Consegui dizer depois de alguns instantes, inclinando-me sobre o carrinho para poder lhe roubar um breve selinho. — Eu amo você. — Sussurrei ao abrir os olhos, erguendo o canto dos lábios num meio sorriso.

Depois que finalmente saímos do supermercado, Emily e eu havíamos passado numa cafeteria no caminho de volta para o nosso prédio. Compramos cafés para as meninas, que já nos esperavam no apartamento, junto de Donnuts e outras coisas que Emily insistiu em levar também. O café estava longe de esfriar quando chegamos e, com a ajuda do porteiro Andy, nós subimos com as compras e encontramos Spencer e Hanna ocupando o sofá enquanto assistiam a uma maratona de programa de talentos.

— Ei, intrusas, estão com fome? — Perguntei, mostrando os suportes de café que eu carregava enquanto rumava em direção à cozinha.

— Meu Deus, estávamos quase desistindo de esperar por vocês. — Spencer reclamou, sentando-se no banco de frente para o balcão de mármore. — Eu estou morrendo de fome. — Ela pegou um dos cafés do suporte, tirando a tampa com tanta precisão que quase me impressionou.

— Onde está Aria? — Perguntei quando vi que Hanna se juntou à Spencer no balcão.

— Saiu para fazer uma ligação. — Hanna respondeu sem dar muita importância ao fato. — Acho até que ela já está de namorado novo... — Comentou após bebericar seu café.

— Com quem? — Spencer franziu o cenho. — Não faz duas semanas que ela terminou com Noel.

— E daí? Ela seguiu em frente. — Hanna sibilou. — Aposto meu guarda-roupa inteiro que Noel fez a mesma coisa. — Ela disse, e antes que eu pudesse entrar na conversa, Emily surgiu com as caixas de Donnuts em suas mãos, depositando-as em cima do balcão para que as garotas se servissem.

Aria surgiu logo em seguida, ajudando-a com as compras e com a torta de maçã que Em também tinha comprado. Com isso, o término de seu namoro com Noel não havia mais sido mencionado durante toda a refeição, onde nosso principal foco era todas as mudanças que a faculdade nos traria. Estávamos tão animadas com a ideia, que mal tivemos tempo de lamentar o fato de Spencer ser a única a estudar em outro estado.

Ela estaria cursando direito em Princeton, a universidade dos seus sonhos — que ficava em Nova Jérsei —, desde que nos conhecíamos. Aria faria literatura inglesa na Universidade de Nova Iorque, em Greenwich Village, enquanto Hanna ingressava na Fashion Institute Of Technology, no bairro de Chelsea. Estaríamos bem próximas, apesar de termos que nos deslocar entre bairros para nos vermos, ou, no caso de Spencer, entre estados.

— Você tem uma colega de quarto? — Hanna perguntou a Aria, quando já estávamos sentadas na sala, ao redor da mesa de centro, depois de ela mencionar algo sobre o seu dormitório na universidade.

— Sim, eu tenho. — Ela respondeu, parecendo meio pensativa. — Ainda não tive a oportunidade de conhecê-la melhor, mas ela demonstra ser bem agradável. — Aria deu de ombros, equilibrando o peso do seu corpo sobre as duas mãos espalmadas no piso laminado de carvalho.

Analisando o chão com mais precisão, estava pensando seriamente em colocar um carpete de cor cinza no meio da sala, onde Eros pudesse correr sem escorregar no chão liso e frio sempre que estivesse mais agitado do que de costume, e a cada vez que eu pensava a respeito parecia uma ideia adequada. Isso certamente poderia me trazer boas lembranças de quando ainda estava no sétimo ano e Emily e eu costumávamos estudar com frequência na sala da casa dos meus pais, sentadas no carpete felpudo.

— Ali e eu ainda temos que pegar nossos horários na Columbia. — Emily disse, mostrando-se bem envolvida na conversa enquanto meus pensamentos vagavam entre coisas aleatórias.

— Nós precisamos comprar os livros que iremos usar nesse primeiro semestre. — Lembrei-a, tocando sua coxa suavemente.

— Anatomia? — Spencer sorriu contidamente para mim, e eu apenas assenti sem muito ânimo. — Isso é uma droga. Dizem que é a pior matéria em Medicina. — Concluiu rapidamente, quase como se houvesse lido meus pensamentos antes mesmo de eu poder pensá-los.

— Não se preocupe, eu vou ajudá-la a estudar se tiver dificuldades. — Emily sussurrou no meu ouvido, fazendo-me sorrir com tamanha amabilidade e prontidão.

— Vai mesmo? — Arqueei uma das sobrancelhas enquanto tentava reprimir um sorriso.

— Não tenha dúvidas quanto a isso! — Ela riu, inclinando-se em minha direção e beijando a ponta do meu nariz com delicadeza.

— Tudo bem, já deu. — Spencer irrompeu de repente. — É melhor eu ir embora antes que eu acabe colocando para fora meu café da manhã.

— Pare de ser implicante, Spence. — Aria a repreendeu.

— Você está morrendo de inveja, não é? — Assisti atentamente enquanto Spencer se levantava, encarando-me com o cenho franzido, como se eu não falasse sua língua. — Eu tenho alguém que me paparique o dia inteiro e você não. — Provoquei com o máximo de prepotência possível.

— Nem tudo é sobre você, Alison. — Ela deu de ombros, virando-se para se afastar com um ar imperturbável. — Guarde um pouco da sua arrogância para a faculdade, você vai precisar. — Elevou um pouco o tom de voz para que eu pudesse escutá-la do corredor, voltando logo em seguida enquanto colocava seu casaco.

Aproveitei, portanto, que Emily não estava dando a mínima para as provocações que Spencer e eu lançávamos uma para outra e me aconcheguei em seu corpo, sentindo-a me abraçar enquanto brincava com algumas mechas do meu cabelo. Ela prestava atenção na conversa paralela de Aria e Hanna, que também não se importavam mais quando Spencer e eu começávamos a nos alfinetarmos, afinal, havia se tornado uma rotina.

— Já vai tarde. — Resmunguei contra o peito de Em, fazendo-a soltar uma risadinha confortável, o que me fez rir também, porém baixinho. Spencer pegou sua bolsa no sofá e se despediu, levando Aria e Hanna junto com ela.

— Você é impossível. — Emily disse depois de alguns segundos, soando bastante pensativa e distante.

— Às vezes.

— Bem, eu gosto de você assim. — Exprimiu.

— Não, você me ama.

Emily virou o pescoço, abaixando um pouco os olhos para me fitar com atenção. O meio sorriso que parecia brincar em seus lábios era contagiante, fazendo-me suspirar com o jeito terno que ela me olhava... Aquelas íris negras e cintilantes falavam por si só!

— Sim, eu amo você. — Escapou-lhe num tom sério e revelador, porém cheio de ardor.

Notas finais
E aí, o que acharam desse primeiro capítulo? Espero que tenham gostado, porque eu realmente estava muito ansiosa para postar essa fanfic o mais rápido possível só pra que vocês lessem.
E, bem, como é o começo da história, não tenho muito o que dizer, por isso compartilhem suas opiniões e expectativas comigo aí nessa caixinha mágica aqui embaixo.
E para quem quiser colocar as fofocas em dia, tirar dúvidas e me cobrar os capítulos sempre que eu demorar a postar, estou sempre no twitter: https://twitter.com/whythaes
Não fiquem constrangidos em conversar comigo, eu sou um amor.
Enfim, é isso e até o próximo! :*