The Blind Side Of Love
6 Love Is The Sweetest Thing.
Notas iniciais
Os dois primeiros meses de aula se passaram tão depressa que mal me dei conta até perceber que já estávamos na segunda semana de Novembro. Para o meu azar, e o de Ali também, as aulas práticas que tínhamos em diferentes dias da semana preenchiam boa parte das nossas tardes, e as primeiras provas se aproximavam numa velocidade quase assustadora, assim como os feriados festivos.
Na quarta-feira, apesar da temperatura glacial, estávamos Ali e eu acomodadas numa toalha posta no gramado muito bem cuidado do Campus de Ciências Médicas — Ali sentada com as costas apoiadas no tronco da árvore, olhos fechados e músculos relaxados, e eu deitada com a cabeça repousada em seu colo, relendo o livro que Diana havia me emprestado —, enquanto esperávamos o quarto período começar.
— Ali, está dormindo? — Abaixei o livro devagar, apoiando-o sobre o abdômen enquanto a encarava por alguns instantes, até ter a minha resposta através de sua respiração tranquila e silêncio confortável.
Ergui meu tronco com cuidado, sentando-me numa posição quase ereta, até eu começar a me inclinar na direção dela e beijá-la suavemente nos lábios, movendo-os devagar ao percebê-la despertar aos poucos. Afastei-me brevemente, fitando-a naqueles olhos azuis e brilhantes, antes de me inclinar outra vez, com suas mãos agora em meu pescoço, para grudar minha boca na dela e começar um beijo calmo e ritmado.
Apoiei minha mão esquerda no tronco da árvore, enquanto a direita estava estacada na grama, garantindo meu equilíbrio conforme prosseguia trocando fluidos com Ali, sentindo-a acariciar meu pescoço e nuca com ternura. Deixei um gemido quase inaudível escapar quando ela puxou meu lábio inferior entre os dentes, soltando-o dois segundos depois com um sorriso preguiçoso e lascivo enfeitando seu rosto angelical.
— Eu deixei você falando sozinha? — Ali quis saber, passando os olhos por cada detalhe do meu rosto, recebendo, então, a minha resposta através de um aceno negativo com a cabeça.
— Alguém precisa de um descanso. — Sussurrei, plantando suaves beijos em seu queixo, boca e ponta do nariz.
De algumas semanas para cá, Ali vinha se esforçando bastante quanto às obrigações da universidade, passando boa parte das noites em claro para estudar. Seu humor, obviamente, nem sempre estava dos melhores, já que ela dependia de cafeína para conseguir ficar de pé até a hora de finalmente irmos para casa, onde descansava um pouco antes de ter que voltar a se concentrar nos livros grandes e pesados que ela precisava ler.
— Eu sei, eu sei. — Concordou com a voz chorosa, suspirando cansadamente conforme afastava algumas mechas do meu cabelo para trás como forma de distração. — Nós vamos dormir juntas hoje à noite. — Prometeu, puxando-me para outro beijo longo e de tirar o fôlego.
— Só dormir? — Arqueei as sobrancelhas ao me afastar, afastando alguns fios loiros de cabelo de seu olho. — Eu quero fazer amor com você... Daquele jeito íntimo e gostoso. — Sussurrei roucamente, sorrindo satisfeita ao assistir ao seus olhos escurecerem e dilatarem bem diante dos meus; ver o desejo estampado em seu rosto não tinha preço.
— Pode ser. — Ali deu de ombros, recuperando-se imediatamente de seu breve momento, enquanto eu não resisti e mordi seu queixo de levinho sem conseguir conter uma risada baixa após o gesto.
— Eu vou buscar um cappuccino para você. — Decidi, erguendo-me do gramado com agilidade.
— Não! — Ali segurou meu braço, impedindo-me de me afastar dela. — Não naquela Starbucks.
— Como se eu tivesse coragem de entrar lá depois daquele escândalo que você me aprontou. — Comentei superficialmente, reprimindo um riso em minha garganta para não tirá-la do sério. — Eu vou à cafeteria aqui perto, não quer vir também? — Perguntei, estendendo minha mão em sua direção para que eu pudesse ajudá-la a se levantar.
Ali revirou os olhos e desprezou minha ajuda, erguendo-se do gramado por conta própria. Ela recolheu nossos livros espalhados sobre a toalha azul e a dobrou, guardando-a em sua bolsa. Peguei o livro de Diana da mão dela e comecei a folheá-lo, notando que boa parte do conteúdo já estava começando a se fixar em minha mente.
— Emily, vamos logo! — Ali me chamou, soando visivelmente impaciente com a minha distração.
Olhei em sua direção e vi que ela já estava a alguns passos adiante, checando seu celular rapidamente enquanto me esperava. Andei devagar até ela, observando suas pernas torneadas em evidência sob a calça skinny branca que ela usava, baixei os olhos ligeiramente para esconder o meio sorriso impossível de disfarçar.
— Ei, eu acho que me esqueci de perguntar... — Comecei assim que a alcancei, passando a andar ao seu lado. — Você não quer ir à feira do meu curso amanhã? — Ela me olhou por um instante, pensando a respeito.
— Parece divertido. — Respondeu por fim, sorrindo conforme se inclinava em minha direção, repousando sua cabeça em meu braço por breves instantes, até deslizar sua mão pelo meu braço e entrelaçar nossos dedos cuidadosamente.
— Meu coração acelera a cada vez que entrelaçamos nossos dedos, sabia? — Respirei fundo, tentando acalmar os batimentos cardíacos e controlar o delicioso frio no estômago.
— Sério? — Ali arqueou as sobrancelhas, fitando-me com interesse e profundo contentamento. — O meu também, se você quer saber. — Ela sorriu, encostando seu rosto em meu ombro rapidamente antes erguê-lo novamente e plantar um beijo suave em meus lábios.
Entramos na cafeteria, onde diversos alunos da Columbia, inclusive Ali e eu, usavam o tempo livre entre as trocas de aula para se distrair enquanto comiam muffins acompanhados de algum tipo de café. Desta vez, Ali fez questão de me acompanhar até o balcão, onde fizemos nossos pedidos e esperamos alguns minutos. Distraí-me com algumas mechas soltas do cabelo de Ali, enrolando-as com os dedos devagar, enquanto ela mantinha a atenção no celular.
— O que Hanna está dizendo? — Perguntei ao notar sua risadinha baixa, seguido dos dedos ágeis digitando rapidamente.
— Nada relevante. — Respondeu simplesmente, erguendo os olhos para me fitar com um sorriso divertido. — Ela só quer saber se podemos trocar uma noite de sexo para jantarmos no apartamento dela.
— Difícil. — Murmurei, tentando controlar o forte rubor que subia pelo meu pescoço ao encostar minha testa contra sua têmpora. Aspirei o cheiro irresistível de seu cabelo, sussurrando sob o efeito do odor: — Quase impossível!
— Eu sei, foi o que eu disse a ela. — Ali riu, virando o rosto vagarosamente até conseguir me roubar um beijo rápido antes de finalmente pegarmos nossos pedidos e, então, ouvirmos o nome de Ali ser chamado.
Girei o pescoço em direção à origem do som, percebendo Ali suspirar profundamente ao fazer o mesmo e ver um grupo de quatro pessoas sentadas numa mesa razoavelmente distante de onde estávamos. Reconheci duas delas quase de imediato, mas não saberia afirmar com precisão seus respectivos nomes. Antes que eu pudesse abrir a boca para dizer qualquer coisa, Ali me arrastou até a mesa, com os dedos enlaçados aos meus e alta confiança na maneira de caminhar.
— O que estão fazendo escondidos aí? — Ali inquiriu ao se aproximar da mesa, passando os olhos por cada rosto ali presente, assim como eu.
— Não estamos nos escondendo, você que estava ocupada demais para nos notar. — Apontou um rapaz de cabelos negros e ondulados, fazendo Ali trincar a mandíbula por tal provocação. — Ei, como vai? Eu não acho que nos conhecemos. Sou Zach. — Ele se levantou depressa, estendendo sua mão em minha direção amistosamente.
Encarei sua mão por um breve instante, notando que minhas duas mãos estavam ocupadas e, entre soltar a mão de Ali e colocar o copo de cappuccino sobre a mesa, não hesitei em escolher a segunda opção.
— Emily. — Aceitei o cumprimento de bom grado, surpreendendo-me com o aperto suave, quase delicado, vindo de um rapaz de porte atlético e viril.
— Mas veja só, parece que alguém estava escondendo uma namorada de nós. — Comentou a garota de profundos olhos verdes logo que o garoto Zach libertou minha mão, exibindo um sorriso de pura diversão no rosto.
— Em, esta é Natasha. — Ali me apresentou, puxando-me para um dos bancos vazios na mesa de seis lugares.
Antes de me sentar, peguei o meu cappuccino em cima da mesa e cumprimentei as outras duas garotas, lembrando-me do nome de apenas uma delas. Bree era quem estava ajudando Ali a estudar Anatomia e, portanto, possuía a minha simpatia imediata, sem eu ao menos conhecê-la direito. E assim seria se ela continuasse a ser útil para Ali.
— Há quanto tempo você não dorme? — Perguntou a garota de cabelos loiros, tomando um gole de sua bebida brevemente enquanto encarava Ali com curiosidade.
— Parei de contar depois de quatro noites vendo o sol nascer. — Respondeu amargamente, roubando um muffin de chocolate no prato e mordendo sem vontade. — Aparentemente, todos que fazem Medicina passam por isso, não é? — Inquiriu, dirigindo-se especificamente à Bree, que parecia nos analisar com cuidado.
— Erin, você se lembra de como eu fiquei no meu primeiro semestre, não é? — Ela riu, brincando com algumas mechas de seu cabelo. — Confie em mim, você está bem. — Garantiu ao voltar seus olhos castanhos à Ali.
— Então, Emily... — Zach chamou a minha atenção, apoiando seus braços sobre a mesa com graciosidade enquanto tinha todos os rostos virados para ele. — Qual curso você faz? Ali nunca mencionou isso.
— Biomedicina. — Respondi, tomando um gole de meu cappuccino deliciosamente quente, sentindo meu rosto queimar com os olhos curiosos centrados em mim.
— Não pensa em ser modelo? — Agora foi a vez de Natasha perguntar, fazendo Ali ficar ereta. — Você se daria bem como modelo fotográfica.
— De onde veio isso? — Ali quis saber, cerrando os olhos ao fitá-la diretamente.
— Sim, Natasha tem razão. — Erin ignorou Ali completamente, checando-me sem se sentir envergonhada, ao contrário de mim, que me senti desconfortável com a atenção equivocada.
— Eu acho que não. — Balancei a cabeça levemente, encarando Ali por um momento com um meio sorriso. Era bem visível que ela não estava gostando daquilo.
— Vocês querem parar? — Exigiu para suas duas amigas, colocando sua mão sobre a minha em cima da mesa. — Não gosto e muito menos aprovo essa ideia.
— Não sabia que era ciumenta, Ali. — Zach comentou, com a cabeça baixa, enquanto analisava o muffin que ele segurava em sua mão.
Natasha desviou sua atenção de nós duas e sorriu para ele, como se soubesse exatamente o que ele quis dizer. Ali, no entanto, levou seu copo à boca e tomou um longo gole de sua bebida, encarando-o sem demonstrar simpatia ou algo parecido. Por um instante, perguntei-me o que estava acontecendo e por que o clima, de repente, ficou tão carregado entre os dois, enquanto as outras três garotas pareciam ocupadas demais em conversas aleatórias para perceber.
— Eu só cuido do que me pertence. — Ali olhou para mim, erguendo os cantos dos lábios num sorriso terno, que logo tratei de corresponder. — Não é, amor? — Ela escorregou seu dedo pela palma da minha mão, inclinando-se em minha direção e encostando seus lábios suavemente nos meus.
— Sempre. — Sussurrei, sentindo meu coração acelerar com o gesto de carinho tão genuíno.
***
No fim das contas, o dia na universidade passou dolorosamente devagar. Mal consegui prestar atenção nas aulas de Biofísica, tudo porque não conseguia parar de pensar nas mensagens obscenas que Ali me mandava, dizendo coisas como: “Hoje à noite, você nua, em cima de mim.”, que certamente me deixavam numa situação complicada. Eram tantas provocações num espaço tão curto de tempo que era quase impossível conter a pulsação sôfrega entre minhas pernas.
Alguns longos segundos antes do professor finalmente encerrar a aula, enxerguei a delicada e impecável silhueta de Ali do lado de fora da sala. Tratei de juntar as minhas coisas o mais rápido que pude e ir ao seu encontro, recebendo um sorriso caloroso assim que me aproximei dela. Era sempre uma festa quando conseguíamos sair da Columbia no mesmo horário.
— Como foi sua aula? — Ela perguntou no meio do caminho até o estacionamento, piscando sugestivamente para mim.
— Você sabe exatamente como foi. — Respondi, rindo baixinho ao notar seu sorriso preguiçoso e vitorioso.
Chegamos ao estacionamento e Ali destravou as portas do Porsche sem tirar os olhos de mim, como se dissesse que não via a hora de se embrenhar entre os lençóis comigo, e eu não podia deixar de me sentir ainda mais excitada ao desvendar a natureza daquele olhar faminto e, ao mesmo tempo, sensível.
Em dez minutos, estávamos nos agarrando dentro do elevador, incapazes de esperar até a cabine metálica alcançar o trigésimo terceiro andar. Impaciente, Ali logo tratou de tirar minha jaqueta conforme seguia me beijando vorazmente, sem se incomodar com as câmeras, e eu fiz o mesmo com seu blazer.
Pressionei a palma de minha mão contra suas costas, juntando nossos corpos o máximo possível. Seus lábios afoitos abandonaram os meus para deixar uma trilha de beijos e chupões pelo meu maxilar, pescoço e clavícula, ao tempo em que arranhava minha nuca com força a cada gemido rouco que eu deixava escapar.
Finalmente, as portas do elevador se abriram e Ali me puxou para dentro do apartamento quase imediatamente, arrancando minha blusa e me prensando contra a parede do corredor. Levei minha mão à sua nuca, agarrando seus cabelos na raiz e os puxando para trás. Ali suspirou quando passei a escorregar meus lábios pela sua garganta, descendo devagar conforme tentava desatar os botões de sua camisa.
— Qual a necessidade de tanta roupa? — Ali resmungou ao fazer seus dedos trêmulos e desesperados começarem a trabalhar em minha calça jeans, beijando-me intensamente conforme minhas mãos vagavam pela pele exposta de seu abdômen.
— Aqui, deixe-me ajudá-la. — Afastei-a levemente, com a respiração pesada e difícil soprando contra seu peito ao me inclinar em sua direção.
Rapidamente, tratei de tirar minhas botas e meias, enquanto Ali fazia o mesmo, livrando-se de sua calça e ficando apenas de roupas íntimas. Agarrei-a com vontade ao vê-la seminua, trocando nossas posições ao prendê-la contra a parede com as pernas ao redor da minha cintura. Ali arfava violentamente contra meu pescoço, aplicando dolorosos chupões, enquanto eu me empenhava em livrá-la de seu sutiã preto ao abaixar as alças sem cuidado.
Assim que meus olhos foram agraciados com a visão dos seios expostos, desatei o fecho e tirei a peça, jogando-a para longe ao tomar um dos mamilos túmidos na boca conforme massageava o outro seio com a mão, resultando em gemidos arrastados de nós duas. Aquilo era tão bom e eu quase conseguia sentir a umidade de seu centro crescendo contra a minha barriga nua, fazendo-me apertá-la ainda mais contra a parede.
Incapaz de esperar mais um segundo sequer, desci minha mão direita do seio de Ali com determinação até sua calcinha, sentindo-a tremer em antecipação. Puxei seu mamilo rosado entre os dentes e escorreguei meus dedos entre suas pernas, gemendo roucamente ao constatar a deliciosa inundação em sua intimidade, onde passei a pressionar seu ponto de prazer com firmeza.
— Você está tão molhada! — Sorri para mim mesma, conforme deixava meus dedos escorregarem livremente em sua entrada apertada e ensopada.
— Eu culpo você por isso... — Ali gemeu, apertando suas unhas em meu ombro enquanto sua outra mão prendia meu cabelo entre os dedos com firmeza, controlando os movimentos que minha cabeça fazia. — Dê um jeito nisso! — Ordenou, engolindo um longo e profundo suspiro quando passei a bombear meus dedos em sua cavidade, entrando e saindo num ritmo lento.
Tomei sua boca na minha e comecei um beijo possessivo, aumentando a intensidade das investidas com o auxílio do meu corpo, que, involuntariamente, mexia-se de acordo com os quadris de Ali, até atingir uma velocidade alucinante ao ponto de fazê-la se contorcer em meu braço conforme se aproximava do clímax. Suguei seu lábio inferior vigorosamente, abandonando sua boca para deixar uma trilha de marcas em seu pescoço, clavícula e seios.
Devagar, parei os movimentos da minha mão e a afastei da parede, passando meus braços pela cintura de Ali e a sentindo fazer o mesmo ao apertar seus pequenos e delicados braços ao redor do meu pescoço. Não pude deixar de sorrir ao ouvi-la choramingar com a falta daquele contato e, sem perder tempo, ajoelhei-me lentamente, curvando meu corpo com cuidado até as costas de Ali repousarem no chão e eu me deitar sobre ela, conforme mantínhamos nossos lábios colados.
Afastei-me dela apressadamente, ficando outra vez de joelhos enquanto começava a retirar meu sutiã violeta com o auxílio de Ali, que se juntou a mim na mesma posição. Ela parecia tão afoita e impaciente quanto eu ao começar a puxar minha calcinha para baixo, deslizando pelas minhas pernas e a jogando de lado.
— Eu gosto assim, Em. — Ela sussurrou, passando os olhos cobaltos por cada pedaço do meu corpo suado e, então, escorregando seus dedos gentis pelos meus ombros, braços e quadris.
Aqueles toques me levavam à loucura. Fechei os olhos e tentei controlar minha respiração, sentindo o corpo de Ali ficar ainda mais próximo do meu e dificultando todo o trabalho. Abri os olhos devagar quando seu nariz tocou o meu, roçando nossos lábios eroticamente conforme preenchia suas duas mãos com meus seios.
Ali começou a massageá-los, acompanhando-me nos gemidos baixos que me escaparam. Lentamente, ela deslizou seus lábios pelo meu maxilar, sugando-o antes de descer até o meu pescoço, clavícula e, finalmente, abocanhando meu seio direito. Enrolei meus dedos entre seus cabelos, suspirando profundamente ao senti-la acariciar meu mamilo enrijecido com a língua enquanto brincava com o outro.
— Ali, amor, eu não aguento mais isso. — Reclamei baixinho, incapaz de conter um gemido com a pulsação frenética em meu centro encharcado.
Empurrei seu tronco para trás, fazendo-a se deitar outra vez. Passei os olhos lentamente pelo corpo menor que se estendia bem diante do meu e que parecia me hipnotizar. Nunca me cansaria de apreciar a beleza da garota que eu podia chamar de minha.
Sem esperar nem mais um segundo, curvei-me em sua direção e arranquei sua última peça restante, afastando suas pernas até o limite e me colocando entre elas. Ali percorreu toda a extensão das minhas costas e dos meus braços, arranhando-me conforme minhas mãos deslizavam pelas suas coxas. Ajeitei-me mais uma vez quando nossas peles estavam devidamente coladas, sentindo uma carga pesada e deleitosa correr por todo meu corpo assim que minha intimidade, a essa altura ensopada, encontrou a de Ali.
O gemido que nos escapou em reação ao contato íntimo e urgente apenas serviu para aumentar ainda mais meu estado de excitação. De repente, percebi-me sem controle algum sobre meu corpo, que se movia para cima e para baixo, pressionando nossas intimidades o mais forte possível. Ali arranhava meu braço sem misericórdia, com os dedos enrolados entre meus cabelos, puxando-me para um beijo possessivo e dominador.
Aquilo era tão bom; nossos corpos suados trabalhando em conjunto na incansável busca pelo prazer. O som das nossas respirações pesadas e difíceis, junto dos nossos sexos rígidos e molhados, ecoando por todo o apartamento libertava ruídos de ambas as gargantas. Eu poderia me derramar sobre Ali apenas com aquilo e tinha certeza de que com ela era a mesma coisa.
— Alison... — Grunhi sonoramente, tirando suas mãos de mim e as erguendo até o limite de seus braços, entrelaçando nossos dedos enquanto sugava a pele de seu pescoço com voracidade. — Droga, amor, isso é tão gostoso!
Ali arfou contra o meu ouvido, apertando seus dedos nos meus conforme nossas intimidades entravam num constante e deleitoso atrito, instigando a umidade que escorria entre nossas pernas. Ela estava tão perto de atingir o ápice quanto eu, sussurrando palavras doces que, embaralhadas às ternas súplicas, faziam-me gemer arrastadamente.
Não tardou e a explosão de sensações causada pelo longo e violento orgasmo tomou conta de cada fibra do meu ser, e tão logo o de Ali, que começou a tremer sob meu corpo. Nossos gemidos foram tão altos que não duvidava de os vizinhos terem escutado. No entanto, a violência com que meu coração batia retardava ligeiramente minha capacidade de escutar qualquer coisa que não fosse a respiração entrecortada de Ali.
— Eu não acredito... — Irrompeu depois de um minuto, incapaz de prosseguir por alguns instantes.
Deixei meu corpo cair ao seu lado, esperando que meus batimentos cardíacos voltassem ao normal, assim como os dela. Ali deslizou a mão pelo seu pescoço, provavelmente impressionada com o suor, e puxou seus cabelos loiros e úmidos para longe de sua pele. Ela tentou fazer um coque, mas desistiu ao perceber que precisava de um pouco de esforço para isso.
— Nós acabamos de fazer sexo no meio do corredor. — Seu tom de voz parecia balançar num misto de alegria e divertimento, o que me fez fitá-la com um meio sorriso. — E foi incrível!
— Eu sei. — Acompanhei sua risada deliciosamente suave, sentindo-me tão leve que poderia começar a flutuar. Voltei a olhar para o teto, antes de acrescentar: — Nunca vou me cansar disso.
Ali ficou em silêncio por um minuto, apreciando o som das nossas respirações, e então rolou para cima de mim. Ela apoiou as mãos uma em cada lado da minha cabeça, encostando seus seios contra os meus e beijando minha boca sonoramente. Passei meus braços pelo corpo que, menor que o meu, aparentava uma fragilidade que provinha de sua delicadeza natural.
— Olhe só como nossos corpos se encaixam perfeitamente. — Consegui sussurrar entre seus lábios, arrastando meus dedos pelas suas costas vagarosamente.
— Nós nos encaixamos perfeitamente. — Ali corrigiu, sorrindo amplamente com o provável pensamento que lhe surgiu. — Porque nos pertencemos. — Ela moveu sua mão direita e pegou a minha, juntando-as de forma que nossas alianças ficassem em evidência.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Ali grudou seus lábios nos meus, beijando-me suavemente enquanto minha mão livre se embrenhava entre os fios loiros. Era impossível conter a agressividade com que meu coração batia, denunciando minha euforia interna em apenas tê-la desta forma. Devagar, escorreguei minha língua entre seus lábios, acariciando seus cabelos ao senti-la aprofundar o beijo.
— Ali... — Sussurrei assim que notei a gelidez do piso contra minha pele começar a me incomodar. — Vamos sair do chão, estou começando a ficar com frio. — Ela assentiu, plantando alguns beijos em meus lábios antes de se colocar de pé.
— Você arruma essa bagunça e eu vou preparar a banheira. — Piscou para mim, rumando até o quarto antes que eu pudesse ter a chance de resmungar o quão injusto aquilo parecia.
***
Depois de tomarmos banho — passando mais de quarenta minutos apreciando a companhia uma da outra na banheira —, Ali e eu nos trocamos, vestindo nossos pijamas de inverno antes de nos encaminharmos até a sala. E, enquanto Ali aproveitava a adorável sonolência de Eros para brincar com suas patas, recebendo algumas mordidas em troca, eu terminava de preparar nossos chocolates quentes.
— Ali, deixe o gato dormir em paz. — Repreendi ao entrar na sala e vê-la sendo malvada com o nosso filhote.
— Ele dorme o dia todo. — Retrucou, sorrindo vitoriosa por conseguir mantê-lo de olhos abertos por alguns instantes, até Eros se espreguiçar no colo dela e voltar a repousar sua cabeça no joelho de Ali. — Não é, meu bebê? — Ela sussurrou para ele, acariciando seu ventre antes de eu lhe entregar a xícara com o chocolate quente.
Balancei a cabeça levemente, comprimindo uma risada em minha garganta ao me inclinar em sua direção e erguer seu queixo com o dedo indicador para que eu pudesse beijá-la longamente, sussurrando algo como “Pare de ser malvada” antes de me afastar.
— Tudo bem, o que você quer ouvir? — Perguntei a ela, pegando alguns discos de vinil da estante e dando uma breve olhada neles. — Nós temos Chet Baker, Dinah Washington, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Edith Piaf e... — Pausei por um instante, fitando-a com um sorriso antes de concluir: — Diana Krall.
— Edith Piaf. — Ali respondeu prontamente, sem tirar os olhos de Eros por um instante. — Não estou com humor para Diana hoje.
— Por que não? — Quis saber, colocando o disco no tocador de vinil.
— Eu não sei... — Hesitou por um momento, erguendo o olhar quando fiz meu caminho até o sofá ao som de Ne Me Quitte Pas. — Acho que estou me sentindo nostálgica.
— Talvez nós devêssemos ter ido à Paris ao invés de Itália nas nossas férias. — Pensei alto, pegando meu chocolate quente da mesa de centro e me acomodando atrás de Ali, cobrindo-me logo em seguida.
— Não, eu queria ir à Itália. — Ela discordou, ajeitando-se em meu corpo de modo que ficássemos mais confortáveis. — Além disso, eu adorei cada segundo daquela viagem. Não me arrependo de nada. — Sorriu com sinceridade, tomando um longo gole de seu chocolate quente.
— Que tal Espanha da próxima vez? — Sugeri depois de alguns minutos em silêncio, contemplando a voz amargurada de Edith Piaf assim que a música trocou para Mon Dieu. — Mas não vou me importar se você quiser voltar à Paris, no entanto. — Acrescentei com suavidade, colocando a palma da minha mão sob a dela e entrelaçando nossos dedos cuidadosamente.
— Bem, as duas ideias parecem perfeitas. — Ali engrolou ao terminar seu chocolate e encostar sua cabeça sobre o meu peito, acariciando Eros enquanto ele dormia em seu colo. — Mas deixemos isso para depois, está bem?
Apenas pela voz rouca e arrastada eu podia dizer com certeza que ela estava extremamente cansada. Com isso, envolvi sua cintura com o braço livre, beijando sua têmpora carinhosamente ao notar os olhos fechados e a respiração calma a embalar num sono tranquilo. Enquanto isso, no entanto, contentei-me em observá-la dormir junto de Eros, conforme a deleitosa melodia de Non, Je Ne Regrette Rien preenchia todo o cômodo, fazendo-me experimentar uma paz incrível.
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