The Blind Side Of Love

10 I’ve Got My Love To Keep Me Warm.


Notas iniciais
Eu sei que tenho demorado pra postar os capítulos ultimamente, e sinto muito, mas dessa vez tenho que confessar que estive ocupada me atualizando nas séries que assisto. E são muitas, acreditem. Bem, mas cá estou, com um capítulo novíssimo pra vocês aproveitarem!

— Em, onde devo colocar isto aqui?

A voz de Spencer atravessou toda a sala de estar para chamar a minha atenção, que estava fixamente voltada para os ornamentos da árvore de Natal branca de quase dois metros e meio de altura, posicionada ao lado do sofá principal e próximo à lareira artificial.

Do outro lado da sala, quase debruçada sobre uma das caixas de enfeites, ela exibia um boneco de Papai Noel carregando um saco de presentes nas costas e uma lista de nomes na mão esquerda. Suspirando, olhei ao redor, procurando por um lugar perfeito para colocá-lo, uma vez que, geralmente, os bonecos estavam entre os meus adornos favoritos da decoração de Natal.

— Coloque-o encostado em algum lugar adequado. — Decidi por fim, vendo-a assentir e caminhar em direção à lareira, onde tomou certo cuidado ao ajeitá-lo perto da árvore. — Perfeito! — Sorri satisfeita com sua rápida e admirável engenhosidade, voltando a colocar o pisca-pisca ao redor da árvore.

Já que éramos as únicas em casa, Spencer se prontificou a me ajudar a decorar o apartamento, já que Ali tinha saído para fazer só Deus sabe o que junto de Aria e Hanna havia quase uma hora. E, como não podia ser diferente, estávamos as duas, Spencer e eu, vestidas em adoráveis trajes natalinos — depois de muita insistência de minha parte, é claro.

— Eu vou colocar esta guirlanda em uma das janelas, já que não temos porta. — Ela anunciou de repente, soando pensativa. — Vai ficar incrível!

Enquanto prosseguíamos com toda a decoração, Spencer me contava como estava sendo sua adaptação no Campus de Princeton e eu a atualizava sobre tudo o que vinha acontecendo na minha vida com Ali, a pesada rotina que tínhamos na Columbia e as nossas novas amizades.

Não deixei de relatar a implicância que Ali e Summer tinham uma com a outra, o que fez Spencer rir como se já previsse algo do gênero. Ela conhecia melhor do que ninguém, exceto por mim, as exageradas inseguranças de Ali e estava constantemente me alertando sobre o quão perigoso tal característica poderia ser em alguém como Alison. Era óbvio que eu tentava disfarçar o fato de que, talvez, ela estivesse certa.

— Você sabe, eu tenho que dizer, Alison me parece mais apaixonada do que nunca. — Admitiu, com a voz desprovida de qualquer deboche ou ironia, sentada no sofá, mantendo Eros o mais longe possível da árvore de Natal, enquanto eu colocava um laço dourado na ponta, seguido de uma estrela da mesma cor. — Do jeito mais irritante e enjoativo, devo acrescentar, e eu nunca pensei que veria isso acontecer com ela.

— Aonde quer chegar com isso? — Perguntei quando houve um momento de silêncio, descendo com cuidado os três degraus da escada. — Porque sinto que, a qualquer instante, pode vir um “mas”.

— Ora, você sabe. — Respondeu, com uma leve irritação começando a se destacar em seu cenho franzido. — Não deixe que ela extrapole os limites com aquele ciúme possessivo, Em. Eu já vi de perto o que Ali é capaz de fazer quando se sente ameaçada, e não vai demorar até que ela perca o controle... Já pensou no que pode acontecer?

— Você diz isso como se ela fosse me machucar. — Comentei com um riso fraco, engolindo o nó que se formou em minha garganta com a possibilidade assim que me sentei ao seu lado. — Ali é impulsiva e temperamental, sim, é verdade, mas ela não é agressiva. Não comigo.

— Eu só estou dizendo que esse tipo de conduta não é saudável, Emily. — Retorquiu, com uma ponta de desespero trincando em seu tom de voz. — Não quero ter que vir para Nova Iorque ensinar Alison a se comportar, porque, eu juro, se ela fizer alguma coisa...

— Spencer, isso não vai acontecer. — Discordei imediatamente, sentindo-me feroz e protetora. — Ali tem tantos defeitos, eu sei disso, mas, quando eu olho para ela, tudo o que consigo ver é a garota graciosa e inabalável por quem me apaixonei anos atrás. Aquela que só precisa erguer o canto dos lábios, num meio sorriso, para me deixar com as pernas bambas... Ela é possessiva, controladora e, às vezes, cruel com quem tem que ser, mas isso não me faz amá-la menos. Nunca fez. Ela tem tanto medo que eu a troque por outra pessoa, mas isso não vai acontecer. Como poderia? Aquela garota é o meu sonho desde que eu tinha treze anos. Não existe um dia que eu não me pergunte se o que vivo hoje é realidade, ou a mais pura ilusão. Conheço muito bem com o que estou lidando e as chances de tudo ruir drasticamente... Mas, entenda, não importa o quão estúpido isso pareça, Alison é o amor da minha vida.

Spencer empurrou seu corpo para trás, colando as costas no encosto do sofá, suspirando junto comigo quando eu terminei de falar, com o queixo levemente caído em deleitoso espanto com a enxurrada de palavras que escorregaram de minha boca com tanta naturalidade. Encolhi os ombros, mantendo então o olhar fixo em minha aliança, posta em meu dedo anelar com tanto amor, devoção e comprometimento pela razão da minha alegria de todos os dias.

— Em, isso é lindo. — Spencer disse finalmente, soando tão sincera que me fez sorrir por dentro. Houve um longo momento de silêncio, até que eu resolvi quebrá-lo com algo inesperado:

— Ali respeita você, sabe disso, não é? — Deixei escapar, influenciada pelo calor do momento.

Com isso, atrevi-me a erguer os olhos para poder ver seu cenho franzido em pura altivez e contentamento. Spencer rolou os olhos, pensativa e com um sorriso tolo, antes de abrir a boca para tentar dizer alguma coisa.

Bem... — Hesitou por um instante. — Nós temos as nossas diferenças, é verdade, mas o sentimento é mútuo... Só não conte isso a ela, está bem? Não quero que pense que não sou capaz de colocá-la no lugar dela, caso seja necessário.

Limitei-me a apenas balançar a cabeça devagar, sorrindo com sua irrefutável confiança. Spencer era tão preciosa e protetora, sabia que ela faria qualquer coisa para nos proteger. Ela tinha a mesma ferocidade de Ali quando se tratava de cuidar das pessoas que amava, o que a tornava secretamente admirável aos olhos de sua durona melhor amiga.

***

Era fim de tarde quando Hanna decidiu que gostaria de ir ao shopping fazer compras, pois estava se sentindo deprimida e “nada melhor do que estourar os limites dos cartões de crédito de seu pai ausente”, ela disse. Spencer concordou sem pensar duas vezes, enquanto Ali, animadíssima com a ideia, procurou em seu celular quais filmes estavam em cartaz, alegrando-se com as opções de clássicos franceses e nos convencendo com extrema facilidade a ir ao cinema.

Estávamos assistindo a algum filme de Jean-Luc Godard, que, mais tarde, fui descobrir se tratar de Viver a Vida, enquanto Hanna reclamava de modo incessante o quão entediante aquilo estava sendo, salientando seu lastimoso arrependimento de ter trocado o terceiro filme da saga Jogos Vorazes por algo “estupidamente chato e sem sentido”, como ela não cansava de repetir.

— Deus, isso é tão ridículo! — Choramingou pelo que parecia ser a centésima vez, fazendo Spencer e Alison rangerem os dentes, claramente irritadas com as reclamações sem fundamento. — Eu não consigo entender uma palavra do que eles estão dizendo, exceto pelo Merci. E agora Bonjour.

— Talvez você consiga entender se começar a ler a droga da legenda, ao invés de só reclamar! — Spencer exclamou, apontando em direção à tela, fazendo-a se calar por alguns minutos antes de abrir a boca outra vez.

— Mas por que precisa ser em preto e branco? Eu mal consigo enxergar...

— Hanna, eu juro por Deus que, se você não fechar essa maldita boca agora, eu vou arrancar a sua língua, mas não antes de rasgar a sua garganta. — Ali rosnou entredentes, sem tirar os olhos da tela, atraindo olhares assustados de Aria e Hanna, enquanto Spencer riu baixinho do meu lado esquerdo.

— Tanto faz. — Hanna se encolheu em seu lugar, cruzando os braços como uma criança mimada e rabugenta que havia acabado de ser repreendida pelos pais. — Jennifer Lawrence é tão melhor que isso. E ainda fala a minha língua. — Murmurou por fim, fazendo-me balançar a cabeça entre risos silenciosos e, então, repousá-la no ombro de Ali, onde aspirei profundamente seu delicioso cheiro de baunilha.

Ela virou o rosto para poder me ver, roçando com graciosidade a ponta de seu nariz contra o meu antes de se inclinar e colar nossos lábios longamente. O sorriso que logo tomou conta de sua expressão assim que ela se afastou não passou despercebido por mim, mesmo que estivéssemos numa sala escura e silenciosa — exceto pela claridade da tela e o som que os alto-falantes emitiam.

Usei a mão que não estava ocupada segurando a dela e a puxei pelo pescoço, enrolando meus dedos assim que nossos lábios se colidiram novamente, dessa vez, ferozes e ardentes. Depois da intensa e reveladora conversa que tive com Spencer mais cedo, sentia essa urgência quase devastadora de beijar Ali o tempo todo, incansavelmente, até que estivéssemos as duas sem fôlego.

— Em, meu amor, você está me distraindo... — Ali suspirou assim que nos afastamos o suficiente para respirarmos.

— Vai ameaçar arrancar a minha língua também? — Perguntei em tom de brincadeira, beijando-a mais uma vez.

— Não, isso seria um grande desperdício. — Respondeu ao iniciar uma trilha de beijos lentos e molhados pelo meu pescoço. — Eu aprecio as coisas que você pode fazer com ela... Embora eu não possa dizer o mesmo sobre suas roupas. — Pensou alto, sugando meu ponto de pulso vigorosamente; um dos motivos que me fez deixar um ruído baixo escapar de minha garganta.

— Será que eu vou precisar chamar algum funcionário para acalmar o ânimo de vocês? — Spencer rosnou atrás de mim, fazendo-me perceber que eu já estava praticamente com o corpo todo virado para Ali. — Jesus, vocês parecem coelhos no cio!

— Você não sabe de nada, Spencer. — Ali disse, inclinando o corpo para o lado só para enxergá-la. — Acredite, eu preciso de muito mais que cinco segundos para satisfazer a minha sereia. — Continuou, diminuindo o tom de voz para que as pessoas sentadas nas fileiras de baixo não escutassem, embora eu desconfiasse que a qualquer momento alguém fosse nos mandar calar a boca. — Apesar de que se eu tocá-la no lugar certo...

— Ali, já chega. — Impedi que ela prosseguisse com o excesso de detalhes ao colocar meu dedo indicador gentilmente em seus lábios rosados e delicados. — Não queremos traumatizá-la, não é?

— Ah, vocês já fizeram isso. — Spencer retrucou, fazendo-me virar o rosto para poder encará-la com ligeira confusão. — Digamos que vocês não são muito silenciosas quando estão... Vocês sabem.

— Peço desculpas por isso. — Ali começou, passando os braços ao meu redor e beijando o canto de minha boca amorosamente quando percebeu meu queixo cair em leve espanto. — Minha Em pode ser bem sonora, às vezes, e eu não fico atrás.

— Jura? Nem tínhamos percebido. — Hanna ironizou, intrometendo-se na conversa. — Eram mais de quatro horas da manhã e vocês gemiam tão alto que pensei estar fazendo parte de um sexo a três. — Ela resmungou, mas, diferente de Spencer, seu tom de voz se confundia entre irritação e certo tipo de entretenimento, o que fez Ali rir confortavelmente e eu enfiar meu rosto na curva de seu pescoço.

— Vai sonhando! — Ali exclamou quando seu peito parou de tremer, com possessividade se sobressaindo em seu suave e melódico tom de voz. — Eu sou muito egoísta e detesto compartilhar.

— Vocês querem ficar quieta? — Aria finalmente se juntou à conversa, inclinando-se para o lado na outra ponta da fileira para nos fitar com os olhos arregalados e incrédulos. — Antes que alguém chame um funcionário para nos expulsar.

Ouviu, Srta. Estraga Prazeres? — Ali provocou, direcionando-se à Spencer. — Eu toco a minha sereia a hora que eu quiser, então não ouse me interromper outra vez. — Exigiu baixinho, fazendo nossa melhor amiga revirar os olhos em desgosto.

Isso, porém, não impediu que um sorriso largo e deleitoso se espalhasse pelos seus lábios antes de puxar meu rosto para que pudéssemos nos beijar lenta e profundamente, enquanto as minhas mãos vagavam pelas suas pernas macias e desnudas. Era sempre adorável, sem mencionar conveniente, quando ela usava uma de suas saias plissadas, mesmo que com meia-calça por baixo.

O filme havia sido completamente esquecido por nós duas, enquanto nos beijávamos de forma incessante, parando somente para recuperarmos o ar que nos faltava e nos ajeitarmos no estofado confortável da cadeira. Mal percebi quando o filme finalmente terminou, escutando as pessoas começando a se levantar para ir embora, mas não podia dizer que havia sido um desperdício, uma vez que já tinha perdido as contas de quantas vezes tive de assisti-lo com Ali.

— Por favor, me lembrem de nunca mais concordar em vir ao cinema com essas duas aqui. — Spencer disse ao entrarmos no carro de Hanna, afivelando o cinto de segurança no banco do carona, enquanto Aria, Ali e eu nos acomodávamos no banco de trás.

— Não seja tão dramática, Spence. — Aria riu, balançando a cabeça devagar, antes de virar o rosto para janela. — Foi divertido.

Certamente. — Retorquiu com a voz cheia de sarcasmo, enfatizando-a com vontade. — É sempre adorável ter uma sessão erótica de amassos bem ao seu lado quando se está tentando assistir a uma porcaria de um filme.

— Concordo com o porcaria. — Hanna assentiu, dirigindo pelas ruas do agradável bairro de Chelsea, batucando ritmicamente ao som de uma música melancólica que tocava na rádio local de Indie Rock.

— Vocês duas estão começando a afetar os meus preciosos nervos. — Ali sibilou perigosamente, conforme uma pontada de raiva surgia em cada veia saltada de sua têmpora. — Então, sugiro que fechem a boca, caso não tenham outra coisa para falar, ou não queiram me irritar ainda mais.

— Ali, minha leoa, você está muito agitada. — Sussurrei perto do ouvido dela, fazendo-a me olhar quase de imediato, com um sorriso suave e curioso brincando em seus lábios deliciosos. — Talvez um banho de banheira com aqueles sais de lavanda que você adora ajude a relaxá-la?

Talvez... — Ela tentou soar casual, mas o brilho que surgiu em seus olhos diante da sugestão a entregou.

— Vocês vão mesmo continuar com esses apelidos? — Spencer enrugou o nariz, olhando para nós duas pelo retrovisor. — É meio... Patético.

— Você quer parar de prestar atenção na minha conversa? — Ali exigiu, encarando-a com uma sobrancelha arqueada e furiosa.

— Não é patético. — Discordei rapidamente. — É fofo.

Ali assentiu quase de imediato, sorrindo ternamente antes de se aconchegar em mim e repousar sua cabeça em meu peito. Ela pegou uma mecha de meu cabelo em sua mão direita, enquanto a esquerda era usada para entrelaçar nossos dedos sobre o meu colo. Ali brincava distraidamente com os fios, escutando as batidas aceleradas do meu coração contra o seu ouvido.

— Tudo bem, se Ali é uma leoa, o que você é? — Dessa vez, ela preferiu virar o tronco para nos olhar. — Uma ovelha? — Arqueou uma sobrancelha com um sorriso sugestivo, fazendo Hanna soltar uma risadinha.

— Que tipo de pergunta é essa? — Ali sibilou, trincando a mandíbula em ligeira irritação. — Em é a minha sereia, você e todo mundo sabe disso.

— Spence, pare de provocá-la. — Suspirei cansadamente, plantando um beijo casto no topo da cabeça de Ali.

— Por quê? — Ela fez beicinho. — Eu finalmente estou começando a me divertir.

— Encontre outro entretenimento. — Sugeri em tom de advertência, o que fez Ali erguer a cabeça e sorrir largamente, quase como se estivesse orgulhosa.

— Você ouviu a minha sereia, Spencer. — Ela reiterou, soando um pouco mais rígida, porém não menos calorosa.

— Tanto faz. — Spencer revirou os olhos, voltando então a fitar o que estava a sua frente. — Alison já não é mais tão interessante quanto antes e logo perderia a graça.

—Por quê? — Aria se remexeu ao meu lado, sorrindo com curiosidade para o que Spencer falou. — O que aconteceu?

— Ela se apaixonou.

***

Assim que chegamos ao apartamento, Spencer se enfiou na cozinha para nos preparar margaritas, com Aria indo atrás dela logo em seguida para impedi-la de causar algum dano, enquanto Hanna e eu desabamos no sofá próximo à lareira artificial. Ali, por outro lado, sentou-se na poltrona giratória, onde Eros dormia tranquilamente quando chegamos, e observou a árvore de Natal que eu havia enfeitado com admiração.

— Amanhã terminaremos de enfeitar o resto do apartamento. — Ela disse, inclinando a cabeça para me fitar, com um meio sorriso adorável brincando em seus lábios. — O que acha?

— Nós duas?

— Sim, nós duas. — Assentiu, virando o pescoço para trás quando as vozes de Aria e Spencer ecoaram da cozinha.

— Onde você estava hoje cedo, afinal? — Perguntei, lembrando-me de que não havia perguntado quando ela retornou. — Eu sei que Aria e Hanna foram buscar algumas coisas para passar o final de semana aqui. — Continuei, soando tão casual quando pude.

— Com Zach. — Ali respondeu. — Ele queria a minha ajuda com algo, mas, não se preocupe, não é nada demais. — Deu de ombros, apoiando sua têmpora na palma de sua mão, distraída.

— Quem é Zach? — Spencer surgiu no batente, carregando uma bandeja com as nossas margaritas, e Aria veio logo atrás, trazendo petiscos.

— Alguém que você não conhece. — Ali retrucou, descruzando as pernas para se inclinar sobre a mesa de centro para pegar a revista que Hanna lia mais cedo.

Ela começou a folheá-la, enquanto Spencer depositava a bandeja em cima da mesa, sentando-se então ao lado de Aria como se tivesse passado por um dia longo e cansativo. Hanna pegou um dos copos e deu um longo gole, fazendo careta ao forçar o líquido em sua garganta.

— Jesus, isso está horrível! — Resmungou, encarando o copo com repulsa. — Você está tentando me intoxicar com essa porcaria?

— Eu posso tentar da próxima vez. — Spencer ameaçou, com um olhar penetrante.

— Talvez você tenha exagerado no sal. — Aria sugeriu, mostrando-se prestativa e complacente.

— Sério, Spencer, o que diabos você colocou aqui? — Hanna insistiu, apontando para o seu copo de margarita.

Observei com atenção Spencer abrir a boca para respondê-la, um pouco hesitante, mas tudo o que ela disse foi um palavrão entredentes e, então, empurrou suas costas contra o encosto do sofá, claramente contrariada. Antes que uma pequena discussão de como se preparava margaritas começasse, Ali devolveu a revista para a mesa de centro e estendeu sua mão em minha direção para que eu a pegasse. Assim que se colocou de pé, puxou-me para que eu também me levantasse.

— Vamos sair de perto dessas duas antes que eu as mate por meio de asfixia. — Ela disse, fitando-me suavemente.

Ali me arrastou até a grande janela de vidro do outro lado da sala, pegando os meus braços para que eu os envolvesse ao redor de sua cintura assim que paramos para observar as luzes que coloriam a noite de Manhattan, enquanto os flocos de neve escorriam pelo vidro. Aquilo parecia tão deliciosamente perfeito; ver a neve caindo numa chuva silenciosa e agradável, com Alison nos meus braços e nossas melhores amigas discutindo no fundo daquele cenário. Parecia tudo tão... Certo.

— Amor, você não está com frio? — Perguntei, roçando meu nariz na parte de trás de sua orelha preguiçosamente.

Apesar da baixíssima temperatura em praticamente todo o país, Ali vestia apenas uma camisa de manga comprida — que, antes de virmos para o conforto do nosso apartamento, estava por baixo de um dos meus casacos de lã —, saia plissada com meia-calça e sapatilhas adoráveis.

— Não, eu tenho você para me manter quente e confortável.

Notas finais
E aí, gente, o que acharam? Espero que tenham gostado, porque, sinceramente, eu adoro escrever interações entre as garotas, principalmente entre Spencer e Alison. É sempre muito divertido! Acho que devo avisá-los para se preparar para o que está por vir nos próximos capítulos. Muita tensão... Mas, enfim, me digam o que acharam desse aqui. Até o próximo! :*