The Blade
3 Mutilation is a Remedy?!
Notas iniciais
A atmosfera úmida do banheiro fazia com que minha respiração ficasse mais forte, as lágrimas em meus olhos dessa vez não se pronunciaram, era sempre assim, quando queria que descessem para "limpar" tudo dentro de mim, elas não me respondiam, então tinha que fazer tudo a seco.
A lamina em minha mão direita tremia, olhei para o braço estendido até a altura da minha cintura, cheio de marcas, cicatrizes que me faziam lembrar a cada estante o porquê delas, relei a lamina com força em meu braço macio, conforme ia lhe mexendo o rastro de sangue se formava atrás, meu queixo tremia e minha barriga se embrulhava, com mais força e magoa que podia forcei ao máximo, então parei, jogando a lamina na pia, me curvei sobre meu corpo e ouvi um pequeno gotejar, o último corte havia sido fundo e agora o sangue pingava.
A pia antes branca, agora tinha pigmentos em vermelho por toda ela, respirei fundo e encostei-me à parede gélida, a dor inundou meu peito, mordi o lábio inferior com força e olhei para o braço mutilado, como sou fraca.
Abaixei-me abrindo uma das gavetas brancas, de lá peguei gaze – não estanco os cortes, mas dessa vez estava saindo muito sangue -, o coloquei sobre o corte que mais saia sangue e peguei um pano.
Minha mão ainda tremia e meu estomago rodou mais uma vez e eu liguei a torneira, molhei o pano limpando a pia e a lamina, não deixando rastro algum.
Guardei novamente o pano e sentei no mármore frio.
Abracei minhas pernas e deitei nelas minha cabeça, fechei os olhos com força, precisava me recuperar para sair de lá, ainda não estava pronta me recompor.
Ouvi o barulho de vidro sendo quebrado, parecia vir da sala.
– Me larga seu idiota. – Gritou, era Beth.
Beth, uma mulher de meia idade, tem os olhos verdes acinzentados, os cabelos castanhos escuro batem no ombro, é branca como leite, seu rosto oval já está tomado pelas rugas e ela sempre mantém um sorriso cínico no canto dos lábios rachados.
– É melhor calar a boca vadia. – Gritou irritado, Will.
Will tem dez anos a mais do que Beth, os cabelos grisalhos são pintados de um tom mel claro, deixando algumas falhas, o rosto quadrado tem um cavanhaque branco entre os lábios finos, é um pouco mais escuro que Beth, que eu saiba, não há ser tão repugnante quanto ele.
Peguei o moletom preto que estava pendurado no trinco e o vesti, prendi meus cabelos ruivos e me olhei no espelho, meus olhos azuis imersos em grandes olheiras não tem o menor brilho, abri a torneira e joguei a água gelada em meu rosto.
O sequei com a toalha de rosto roxa e sai do banheiro, a casa estava quieta novamente, Will devia ter batido em Beth e agora eles devem estar transando.
Não havia nenhuma luz no quarto, o meu celular com a tela acesa em cima da escrivaninha chamava a atenção.
O peguei já sabendo de quem era e o que era.
Vadia, por que não morre e despolui o mundo?
Me admirava saberem uma palavra "difícil" como "despoluir", 'eles' haviam descoberto meu número havia um mês, e desde então tenho recebido mensagens com ofensas todos os dias. Quem é? São os "populares", eles teimam em me humilhar, sem motivo pelo meu ver.
Não ligo, há mais com que me preocupar ultimamente.
O joguei na cama e abri a porta do quarto com cuidado, não queria fazer barulho e despertar a ira de Will.
Desci as escadas nas pontas dos pés, cheguei ao fim fitando a sala, deveria estar em um dos armários da cozinha, mas o isqueiro na sala, o vi brilhar em vermelho em cima do sofá preto.
Fui até lá e o peguei com receio, fui até a cozinha, abri o armário superior preto com branco e tirei de lá o maço de cigarros, peguei dois e o devolvi rapidamente.
Voltei para o meu quarto na ponta dos pés, fechei a porta, logo a trancando, suspirei aliviada e fui até a janela, a abri totalmente e já pude ver o telhado da entrada, dei impulso com as mãos e me sentei no parapeito com um pouco de dificuldade. Engatinhei pelo telhado tentando não fazer barulho — não tenho a chave da porta e sou proibida de sair depois das nove -, parei na frente da calha, olhei para baixo, era a segunda vez que fazia aquilo, não sabia exatamente como descer.
Coloquei os cigarros e o isqueiro no bolso de trás da minha calça jeans, virei de frente para a casa e em um impulso me pendurei com as duas mãos na calha, respirei fundo e pulei fazendo um estrondo abafado, flexionei os joelhos um pouco quando cai, mas logo me recuperei e sai correndo para a floresta que havia ao arredor da "minha" casa.
A medida que corria as árvores começavam a passar como borrões, eu não tinha muito tempo, parei quando avistei a clareira iluminada pela lua.
Respirei fundo, finalmente estava só, as lavandas tomavam todo o lugar, dando um cheiro doce, é primavera e tudo nunca esteve tão colorido, mas a noite lhes dava uma coloração mais escura e densa.
Me sentei no meio da clareira e tirei de meu bolso os cigarros e o isqueiro, sei que não é certo, mas pareço propicia a fazer coisas erradas a algum tempo.
Acendi um e o levei a boca, o gosto é ruim, mas me acalma, há dias que não durmo, sempre uma semana depois de tudo acontecer, a última coisa que faço é fechar os olhos, por que quando o faço, o medo me consome.
Me deitei olhando para a lua, ela brilhava intensamente, a brisa úmida de Port Angeles pairava sobre meu rosto e levava para longe a fumaça do cigarro.
Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas por um deslize cochilei, os passarinhos cantavam e eu podia ver os primeiros raios de sol iluminar a clareira.
Me levantei rapidamente, vendo os restos do cigarro apagado ao meu lado, de dentro de meu bolso tirei um HALLS preto, o coloquei na boca e me pus a correr.
A casa estava quietam quando entrei, não tinha ninguém, o estranho é que eu sabia que alguém me observava.
Subi as escadas de dois em dois, não queria questionar minha sensação, precisava tomar banho e me arrumar.
– Onde estava a noite toda? — Perguntou uma voz grossa, Will.
Parei no topo da escada, não sabia o que falar.
– Eu fui até a praia encontrar alguns amigos, acabei ficando na casa da Lua. — Menti.
Sempre inventei amigos, a Luana pra eles é como se fosse minha "melhor amiga", sabia que não iriam procurar quem era ela ou me questionar eles não se importam.
Sua expressão se suavizou, mas segundos depois se transformou em raiva.
– Não há areia em seus pés. — Falou apontando para os próprios.
– Eu os limpei. — Respondi dando de ombros.
– Está com cheiro de bebida. — Falou franzindo o lábio.
– O que? — Perguntei incrédula, eu não iria me submeter a mais um de seus joguinhos nojentos. — Preciso subir. — Falei por fim, ele franziu o cenho, mas eu não iria me intimidar, não agora.
Virei as costas para ele e entrei em meu quarto, tranquei a porta e como de costume coloquei a toalha no trinco, para tampar a fechadura.
Alguns fragmentos de luz tomavam meu quarto, por suas paredes roxas ficava uma mistura de cores, a janela totalmente aberta deixava o vento úmido entrar, mexendo as cortinas brancas que vão até praticamente o chão.
Tirei meu All Star com os pés e fui em passos longos para o minúsculo closet ao lado do banheiro, precisava me apressar se quisesse chegar na primeira aula sem tumulto.
Acendi a luz amarela e me deparei com a desorganização do próprio, franzi o cenho cansada, peguei um moletom cinza, uma calça jeans preta e um Vans velho.
Corri os dedos pela parede gélida atras do interruptor e apaguei a luz.
Com a mão vazia tirei minhas meias, as jogando pelo quarto, mais tarde eu o arrumaria.
Joguei a roupa na cama, caminhei até a porta enquanto tirava o moletom, em um movimento rápido tirei a toalha e em seu lugar coloquei o moletom.
Tomei um banho rápido, enquanto descia as escadas amarrei meu cabelo em um rabo, passei um batom incolor em meus lábios e parei na porta da cozinha.
– Bom dia. — Murmurei me aproximando.
Ela fitava a geladeira absorta em pensamentos, notei um novo hematoma em seu braço, o olho direito estava levemente roxo e inchado.
Sabendo que Beth estava de mau humor peguei apenas uma maçã e sai sem dizer "tchau".
Coloquei a bolsa de pano preta em meus ombros e mordi um pedaço da maçã. Minha bicicleta estava na garagem, o portão branco estava amarelo e sem tinta em algumas partes.
O ferro servia como "trinco" estava a cinco centímetros do chão.
Me abaixei o pegando e com força abri o portão para cima, assim que vi que não iria voltar entrei na garagem, já avistando minha bicicleta azul, sua cestinha branca tinha sido pintada havia uma semana.
A garagem estava toda bagunçada, havia caixas dos lados e um grande vazio no meio, logo na frente do vão minha bicicleta encostada na parede.
A peguei pelos guidões e a sustentei até o lado de fora, fechei a garagem e subi na bicicleta.
Cheguei na escola dez minutos depois, ainda faltava vinte minutos para o sinal. Prendi minha bicicleta no bicicletário e fui em direção a entrada o grande edifício amarelo, tinha um enorme estacionamento, todos carros luxuosos, eu estudo com bolsa, dada após implorar muito, por fim, tenho que competir em natação, se não a perco.
As portas de vidro, em suas bordas são de um grosso metal, as empurrei entrando no corredor principal.
Os armários cinzas cobriam todas as paredes, cores bege, amarelo e branco pintavam toda a estrutura, meus Vans faziam barulho enquanto andava pelo chão de mármore encardido.
Virei a esquerda no corredor e me deparei com Daniel e Britney aos beijos.
Eles estavam encostados em meu armário, suspirei irritada, as mãos dele estavam na cintura fina dela, os cabelos de Britney extremamente loiros iam até sua cintura, ela mantinha seus dedos enroscados nos cabelos de Daniel.
Olhei para o chão me sentindo instantaneamente incomodada.
– É... — Não consegui terminar envergonhada, mas foi o bastante para me notarem ali.
– O que quer? — Perguntou Britney irritada, sua voz fina machucou meus tímpanos.
– Esse é o meu armário!– Falei apontando para o mesmo.
– E? — Perguntou, ergueu a sobrancelha me fitando nervosa.
– É que... — Comecei a falar com raiva, mas Daniel me interrompeu.
– Vamos Brit, a estamos atrapalhando. — Falou gentilmente acariciando sua bochecha, ela sorriu falsamente e eles saíram.
Ela se agarrou nele como se fosse um bichinho de pelúcia.
Os ombros de Daniel são largos, ele tem um físico ótimo e tem no minimo 1,85, é branco com um leve bronzeado, o rosto quadrado e os lábios carnudos totalmente avermelhados. Tem os olhos azuis brilhantes e o cabelo dourado, é um dos mais ricos da cidade, é simpático e a maioria do tempo gentil.
Britney, a tipica "paty" de seriado americano, só usa rosa e roupas de marca, o rosto fino e o nariz arrebitado, os olhos verdes e boca rosada, não tem como corpo, exibe sua magreza quase anoréxica como troféu, fútil e esnobe tem mais dinheiro que a cidade inteira, seu pai é dono de uma grande fabrica de sorvete em pote.
Corri os dedos pelo armário quente, coloquei o código no cadeado e o abri sem muito esforço.
Peguei o que precisava e o fechei, a primeira aula seria Inglês.
Já na sala cheia, observei todos, eram sempre os mesmos, o garoto de cabelos tingidos de vermelho a minha frente, Britney e Daniel a minha esquerda, Luana sendo minha companheira de mesa.
O professor Ronan escrevia sem parar na lousa, estava frio e chovia torrencialmente, é sempre assim aqui em Port Angeles, não há hora para chover, ou muito menos época do ano.
Corri os dedos pela mesa fria, a madeira pintada de branco reluzia a luz fluorescente, senti duas bolinhas de papel atingirem minha nuca, não precisei olhar para saber que era o grupinho de Chaz.
– Ei cabelo de fogo. — Gritou Chaz me jogando mais uma bolinha. — Se molhou foi? — Perguntou rindo, o grupo riu junto com ele.
Não entendendo observei meu corpo todo, me assustei ao ver por minha manga toda marcas, que reconheci ser de sangue, meu corte deveria ter voltado a sangrar.
Rapidamente cruzei os braços fortemente contra o peito, temi eles terem visto mais do que o necessário.
– Quando for ao banheiro tome cuidado para não cair no vaso novamente. — Disse gargalhando.
Pela forma que falou, deixou transparecer que não tinha a minima ideia de onde vinha as marcas.
Revirei os olhos com suas provocações sem fundamento.
– Ridícula. — Ouvi Britney sussurrar, soltando um risinho maldoso.
Foi assim até a hora do almoço, as provocações cada vez mais frequentes, as vezes, fazia com que eu me perguntasse o por que de ainda estar ali, mas eu sabia responder a pergunta, precisava me formar e arrumar um trabalho, para finalmente sair daquela casa.
Estava em uma mesa afastada de todos, por algum motivo ninguém se sentava comigo, é um alivio, já que a maioria das vezes é só para fazer perguntas indecentes.
A salada em meu prato acabou rapidamente, como também o suco natural de morango, sou vegetariana, total horror em relação a carne.
Faltando 10 minutos para o sinal, abri o livro sobre a mesa e o folheei até a página que havia parado.
Era "A Cabana", havia o comprado havia dois anos, desde então o li mais de dez vezes, é impossível enjoar.
O último sinal soou, me levantei ao meio do caus que se formava a minha volta, guardei meu material e coloquei a bolsa no ombro direito.
Esperei todos saírem da sala, sai recebendo uma lufada de vento, que jogou alguns fios soltos de meu cabelo para trás.
Respirei fundo sentindo uma súbita vontade de chorar se instalar em minha garganta, parecia que algo ruim iria acontecer, engoli em seco e andei mais rápido, saindo então do bloco.
A maioria dos alunos já havia saído, o campus está quase vazio, fui até o bicicletário e a destranquei, o sol batia sobre mais da metade da rua, iluminando as flores.
Pedalei até a loja em frente da escola, ela é azul, vermelha e branca, em sua fachada em letras em negrito gritava um "Shop of wonders".
Havia duas semanas que me candidatara para o cargo de balconista, trabalhava até as 18:00 da tarde, ganho 400 dólares por mês, é bastante para alguém que quer "apenas" sair de casa por algumas horas.
Fui até a cozinha, Lorenzo estava ligando o liquidificador, seus cabelos loiros vão até o ombro, ele tem o rosto redondo e a barba feita em um bigode. Os olhos verdes se escondem embaixo de grossas sobrancelhas.
– Oi Vi. — Falou com o característico sotaque italiano.
– Olá Lorenzo. — Falei lhe dando um beijo estalado na bochecha.
Seus olhos se reviraram fingindo tontura, ri enquanto ele me dava um sorriso bobo, como se estivesse apaixonado.
A cozinha tem duas mesas de metal reluzentes, com duas fileiras de luzes fluorescentes em cima de cada, há armários brancos e algumas prateleiras de metal.
Lorenzo e mais três funcionários fazem os doces e alguns são encomendados da Itália.
– Vou me trocar. — Informei me dirigindo a sala dos funcionários.
Lorenzo assentiu e eu abri a porta que tinha uma placa em letras pretas se destacando, "Somente Funcionários".
Havia 10 armários de metal, cada um com um nome, um banco bege e as paredes verdes faziam com que eu tivesse vontade de sair logo de lá, abri o último armário da esquerda e peguei meu uniforme.
Ele é um vestido bege que vai até um pouco abaixo do joelho, bem no meio tem um grande bolso com detalhes em branco, azul e vermelho, no meio em azul meu nome ficava, "Violet".
Peguei meu celular e coloquei no bolso.
Sai da sala respirando aliviada.
– Vá rápido há clientes lhe esperando. — Falou Lorenzo apontando para o vidro transparente que mostrava toda a loja/restaurante, em uma mesa Daniel, Britney, Christian e Lucinda, mais conhecida como Luce.
Suspirei nervosa, não gostando da ideia de servir como empregada das patricinhas enjoadas, estava servindo como garçonete já que Willian havia faltado.
Abri a porta sem vontade e há ouvi voltar sozinha.
Parei em frente a mesa deles, era uma mesa branca com bancos de dois vermelhos, Daniel e Britney se engoliam novamente, bufei olhando para o chão.
Peguei o caderninho e a caneta preta.
– O que gostariam? — Perguntei olhando apenas para Luce e Christian.
Luce é branca de olhos azuis, seus cabelos pretos caem como cascata até a cintura, o rosto fino e um corpo perfeito.
Christian é o mais novo da turma, é irmão de Daniel e tem os cabelos loiro escuro estilo tigelinha, é musculoso e baixo, tem os olhos castanho esverdeado.
Britney virou irritada parando o beijo, Daniel me fitou envergonhado.
– Você de novo?! — Falou nervosa.
– Eu... hã... O que vão querer? — Gaguejei.
Britney revirou os olhos e quando ia me atacar com algum insulto Daniele a interrompeu.
– Eu vou querer uma Banana Pie. — Falou sorrindo de lado.
– Blondie. — Falou Luce.
–Brownie. — Pediu Chris sorridente.
Após anotar me virei para Britney esperando seu pedido.
– Algo sem carboidrato, sódio e gordura. — Falou piscando duas vezes, a encarei incrédula.
– Água?! — Perguntei, fazendo que todos rissem, não era minha intenção, mas não pude segurar.
– A sua língua talvez. — Disse se levantando raivosa, ela havia ficado vermelha e sua mão estava levantada, pronta para o ataque, recuei até o balcão.
– Brit se controle. — Pediu Daniel carinhoso.
Britney respirou fundo e voltou a se sentar em passos pesados.
Me virei sabendo que era melhor deixa-la se acalmar. Peguei os pedidos e logo os entreguei.
– Mais alguma coisa? — Perguntei.
– Um suco de morango natural e sem açúcar. — Pediu Daniel, era obvio que para Britney.
Assenti me virando para o balcão, fui até a janela e bati nela duas vezes, Lorenzo veio até mim ajeitando o bigode.
– Sim? — Perguntou.
– Morango sem açúcar. — Falei e me virei indo até o computador, precisava resolver os horários da loja.
Corri os dedos pelo teclado e depois de segundos me distrai completamente. Senti uma colher de plástico voar em meu rosto, olhei ao redor e me deparei com Daniel parado me fitando.
– Ai. — Reclamei levando a mão na bochecha atingida.
– Desculpa, é que parecia estar em transe. — Se desculpou envergonhado.
– Tudo bem, o que precisa? — Perguntei.
– Guardanapos, os nossos acabaram! — Falou sorrindo de lado.
A blusa polo azul descava seu bronzeado natural, a calça jeans e o Supra preto se intercalavam nas cores, juntamente com a jaqueta de couro.
Assenti desviando o olhar de seus lábios e me abaixando, peguei uma caixa preta com guardanapos de papel e lhe entreguei, temendo que nossos dedos se tocassem, — como naqueles filmes românticos clichês -, peguei bem na ponta.
– Obrigado. — Agradeceu e se dirigiu a sua mesa em passos leves.
– Vi, o suco. — Falou Lorenzo da cozinha.
Peguei o copo com líquido rosa e fui até a mesa, Britney mal me olhou, coloquei o suco em sua frente e me retirei.
A casa só transmitia o som da TV, o futebol — americano -, que Will via todas as sextas estava lá novamente, passei por ele e subi as escadas rapidamente, ainda precisava arrumar meu quarto e fazer o trabalho de filosofia.
Fechei a porta e coloquei minha bolsa ao lado da comoda, tirei o moletom e os tênis, logo a calça jeans.
Fui até o closet e peguei um pijama de frio. Tomei um banho rápido, pelas 2 horas seguintes limpei meu quarto e o resto da casa, fiz o trabalho e tomei outro banho, exausta 00:35 adormeci.
Havia uma audição no sábado de manhã, eles iriam escolher pessoas para o festival de música no final do mês, sempre fora meu sonho cantar e pelos dois meses anteriores cogitei participar, resolvi que era isso que iria fazer.
As 10:30 da manhã estava sentada no auditório da escola, na última fileira, minha barriga rodava de ansiedade e medo, todos já haviam se inscrito.
Me levantei tremendo e fui até a mesa de inscrição, o auditório é pequeno, bege com branco e tem cadeiras brancas, luzes fluorescentes e uma mesa na frente de madeira, a professora de teatro usava óculos preto nas bordas e roupas largas pelo peso em excesso.
Parei em sua frente, ela levantou os olhos pelo meu corpo, quando chegou ao meu rosto estava com a sobrancelha arqueada de descrença.
– Posso ajudar? — Perguntou fazendo careta no final.
– É... eu quero... — Respirei fundo tentando formular a frase.
– Se está passando mal só para se inscrever nem precisa tenta. — Falou rabugenta e apontou a saída.
– NÃO. – Falei um pouco alto, ela me encarou nervosa. — Eu gostaria de me inscrever. — Falei por fim.
Madeline — a professora -, apontou o papel e a caneta em cima da mesa.
Sussurrei um "há" e me abaixei escrevendo meu nome no número 18.
– Obrigado. — Falei sorridente.
Ela não falou nada, entortou os lábios e fez sinal com que eu fosse embora, me virei rapidamente, enquanto andava dei um pulinho de alegria, quando meus pés tocaram o chão senti um perfume amadeirado invadindo o local, Daniel.
Ele passara bem na hora que dei o pulo vergonhoso.
Olhei para o lado e enquanto caminhava para a mesa de inscrição ele olhou para trás rindo, só não entendi se estava rindo de mim como os outros ou apenas achou estranho.
Dei de ombros e sai do auditório, bati de frente com Britney.
– Ai. — Gritou com a voz aguda e extremamente alta.
Tapei meus ouvidos com a mão e esperei ela parar de surtar.
– Desculpa. — Falei assim que ela parou de gritar.
– Olha para onde anda cabelo de fogo. — Gritou Chaz que passava por lá.
– Já pedi desculpa. — Sussurrei.
– Então peça mais alto. — Disse agarrando meu braço. — Diga!– Gritou apertando meu braço.
Britney sorriu me encarando vitoriosa, só não sei qual a competição, muito menos que eu estava nela.
– Não. — Falei, estava cheia de todos eles.
Chaz apertou mais meu braço, mais um pouco e ficaria roxo.
Quando iria ceder, senti sua mão se soltar e seu corpo voou para longe, ele havia sido atingido por um soco, Daniel logo atrás de mim balançou a mão esquerda freneticamente.
Surpresa me afastei da briga que se formava.
– Dani amor, por que fez isso? — Perguntou Britney praticamente se jogando em cima dele.
– Sai Britney. — Falou nervosa a colocando ao seu lado.
Chaz havia caído um pouco a frente e estava se levantando enquanto limpava o sangue que escorria do lábio cortado.
– Mexeu com quem não deveria playboy. — Falou Chaz com os dentes cerrados.
To be continued...
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