The Black Swan
3 A Fada e o Dragão
Notas iniciais
Convencer Emma a sair daquela floresta fria e sombria foi como convencer um cachorro a largar um osso. Ou um cisne a sair de um lago.
Regina teve que usar de todos os argumentos possíveis para conseguir fazer com que a Salvadora fosse com ela até seu carro, e ainda foi intimada a prometer à ela que não iria contar à ninguém que conseguira encontrá-la.
— Eu sei quando você mente. — Emma ameaçou. Ela estava cansada. Era algo que qualquer um podia perceber. Sua voz era baixa e triste, seu andar era lento e sua expressão facial indicava que ela estava com sono.
“A magia está sugando toda a energia dela” Regina pensou, enquanto caminhava ao lado de Emma.
Era algo que poderia acontecer com qualquer um que, tão de repente, se tornasse hospedeiro de um ser tão poderoso ou forte. Toda energia seria sugada e isso faria com que Emma desmaiasse em pouco tempo. Se ela não tivesse mentido sobre há quanto tempo estava andando por aí, elas conseguiriam chegar à prefeitura sem qualquer incidente.
O carro de Regina estava parado não muito longe de onde elas estavam, então não demorou muito para que localizassem-no.
Assim que abriu a porta, Regina percebeu que Emma ofegava.
— Não caminhamos tanto assim. — comentou, observando enquanto a Salvadora encostava-se na porta do carro e tentava respirar. — Ou tão rápido.
Emma assentiu e respirou profundamente.
— Eu só estou cansada.
Regina suspirou e andou até o outro lado do carro.
— Isso vai continuar até você aprender a controlar seus poderes. — explicou calmamente, enquanto encostava-se no carro, ao lado de Emma. — Gold explicaria isso melhor, mas ele está meio impossibilitado de fazer isso no momento. — sorriu, tentando confortar a mãe de seu filho. — Eu entendo que você está cansada. Eu também ficava assim no começo, quando Gold decidiu me treinar. Até desisti uma vez. — Emma abriu a boca para comentar algo, mas Regina a impediu. — Não deboche de mim agora, Swan. Eu desisto às vezes. Sou tão humana quanto você, apesar de ter saído de um livro...
Emma riu. Uma risada fraca e curta, mas ainda assim uma risada parecida com a da Salvadora.
Não tinha mudado tanto assim então.
***
Pessoas surgidas de todos os lados cercavam ela e o irmão.
Ele, que havia sido arremessado no chão pelo portal, estava inconsciente. Sangue empapava seu cabelo loiro, deixando-o de uma cor escura. Seu nariz também sangrava. Ela sabia que isso era um mau sinal, e continuou ajoelhada ao seu lado, em silencio, segurando a mão dele.
Um homem se aproximou. Era alto e loiro, e andava calmamente, hesitante. Parecia não querer chegar perto.
— Quem é você? — ela ergueu os olhos e o encarou. Estava amedrontada e irritada. Para onde Mordred havia os enviado?
O homem se ajoelhou no outro lado do corpo do irmão.
— Ele está bem? — perguntou, observando-o.
— É óbvio que não. — aparentemente, o homem não era muito inteligente. —Quem é você? — perguntou novamente.
— David Nolan. — respondeu, voltando os olhos para o corpo no chão. — E quem é este?
— Você sabe quem ele é. — a garota respondeu, e voltou a acariciar a mão do irmão.
***
— Quando Emma não está aqui, sou eu que tenho que resolver os problemas?
Regina caminhava, apressadamente, ao lado de Mary Margareth, que encontrara esperando por ela na porta da prefeitura.
Emma ficara no carro, esperando. Havia ficado em silêncio durante o caminho todo, só falando com Regina para reclamar que estava com fome. Lembrava muito de Henry, e a prefeita fizera uma nota mental de limitar o tempo que o filho passava com Emma. Uma criança não podia cuidar de outra.
— Leroy estava passando por aqui e viu uma movimentação estranha. Então ele ligou para David, por que pensou que podia ser... — Mary Margareth não completou a frase. Regina sentiu remorso por não poder contar a ela que tinha encontrado Emma e que ela estava segura.
— E o que encontraram?
— Duas pessoas. O homem está ferido e a mulher não sai de perto dele.
— Perguntou a eles quem eram? — Regina subia as escadas, pulando os degraus. Mary Margareth lutava para acompanhá-la.
— David perguntou. Nenhuma resposta útil.
Regina assentiu e parou à porta de seu escritório.
— Como eles conseguiram entrar aqui...? — se perguntou, em voz baixa.
— Por que eles não conseguiriam? — Mary Margareth estava parada ao seu lado, observando a porta.
— Porque... — Regina começou a falar, mas decidiu não continuar. Tinha, novamente, protegido a sala com magia de sangue, e a única pessoa que poderia entrar lá era Zelena, que estava confortavelmente presa em sua cela subterrânea. Pelo jeito, outra pessoa havia descoberto como quebrar esta magia.
Abriu a porta e se deparou com seu escritório mais cheio que o comum.
David estava lá, ajoelhado ao lado do corpo. Ruby observava-os e Leroy andava de um lado para o outro, irritado. Archie também estava lá, conversando com Henry em um canto.
— O que Henry está fazendo aqui?! — virou-se para Mary Margareth, fuzilando-a com os olhos.
— Não tínhamos com quem deixá-lo...
— Claro! E trazem ele pra... — Regina revirou os olhos e voltou sua atenção para David.
Andou até onde ele estava e observou a cena.
O homem deitado no chão era belo. Devia ter uns vinte anos. Tinha cabelos compridos e de um tom de loiro semelhante ao de Emma, mas o sangue, agora seco, havia tingido-o de uma cor vermelha escura. Seus olhos estavam fechados, e ele parecia dormir tranquilamente. Vestia uma túnica açafrão, o que faria com que ele sentisse frio. Regina sabia que conhecia-o de algum lugar, mas não se lembrava de onde.
A mulher que segurava sua mão parecia irritada. E Regina sentiu que ela era muito poderosa. Tinha longos cabelos escuros e sua pele era branca como leite. Algo em seu rosto lembrava o homem que estava no chão. Eles eram semelhantes de alguma maneira. Ela usava um manto de veludo, vermelho como o sangue que saia do nariz do homem, e um vestido branco por baixo.
Vestes pouco suntuosas, se eles realmente eram quem Regina imaginava que eram.
— Chamem o Whale. — disse, para ninguém em especial. Depois, acenou com a mão. O sangue que escorria do nariz do homem foi estancado.
A mulher se impressionou com aquele gesto e, levantando os olhos para Regina, perguntou:
— Como você fez isso?
Regina, porém, não tinha prestado atenção à pergunta. Estava distraída demais com os olhos da mulher.
Um era de um castanho claro. E o outro era de um roxo escuro, em um tom que quase chegava a azul.
Regina soube que, se a mulher piscasse, seus olhos mudariam de cor. Existia um número infinito de possibilidades. Uma íris nunca seria da mesma cor que a outra. Era assim desde que haviam se conhecido.
— Eu sei quem você é. — a prefeita falou, impressionada.
— Eu também sei quem você é. E sei quem eu sou. Você pode, por favor, ajudar meu irmão? Minha magia não funciona aqui. — ela estava a ponto de chorar.
— Quem é essa, Regina? — Mary Margareth havia chegado mais perto e observava a cena com cautela.
Regina sorriu, aliviada. Não teriam que ir tão longe assim para salvar Emma. Não teriam que correr riscos muito grandes.
— Essa é Morgana Le Fay, mais conhecida como Morgana das Fadas, Rainha de Avalon e meia irmã e herdeira do Rei Arthur Pendragon.
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