The Black Snow Lótus
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Notas iniciais
Já fazia 1 dia completo que Yukino havia saído do Thousand Sunny e já era quase noite novamente quando finalmente encontrou o bendito barco, tinha conseguido informações de pescadores que viram o barco do Ruivo passar por aquelas áreas e foi seguindo de acordo com as informações que conseguia, quando finalmente achou o barco com a bandeira da caveira com uma cicatriz e vendo a calmaria no mesmo sorriu, devia ser por causa do horário ou porque estavam mesmo sem muita animação naquele dia, vá saber.
Desceu vendo Yasopp e Shanks conversando do outro lado da proa, desceu no hall vendo que ambos sentiram sua presença, sorriu assim que o pai a viu e também abriu um enorme sorriso ao ver a mais nova ali.
— Yukino-chan, que surpresa. – foi abraça-la com o único braço que tinha – O que faz aqui ? Shirohebi me mandou uma carta dizendo que Luffy e os demais os encontraram em uma ilha, achei que estivessem indo para a próxima.
— E estamos, mas descobri uma coisa e vim ver se era verdade. Ah e daqui a um tempinho pode ser que você veja minha recompensa....kishishihsi. – sorriu e olhou pra Yasopp que a cumprimentava – Ah o Usopp está bem, a mira dele melhorou muito esses dias, fiquei impressionada.
— Esse é meu menino. – sorriu – Bem vou dar uma privacidade a vocês e ver o que Lucky está fazendo. – e saiu deixando a morena e o ruivo a conversar.
— Agora diga o que veio tentar confirmar ?
— Te contei que tenho a Angel no Mi certo ? Bem, descobri uma coisa importante dela, acho que se lembra do que fiz a 2 anos com Shirohebi e Ace, a parte do Ace foi curar suas feridas e trazer sua alma de volta, naquela hora não achei que fosse funcionar, mas foi o que fiz. – falou, e Shanks já sabia daquilo, o menino realmente estava morto, mas o que ela queria exatamente lembrando desse ocorrido ? – Com isso fiz com que parte de mim ficasse nele e assim posso senti-lo, mas o importante é que o curei. – olhou nos olhos do maior que a encarava serio – Soube que um Rei dos Mares comeu seu braço. – sorriu espantando Shanks pelo pensamento que lhe passou, mas isso não podia... – Vim lhe trazer um braço de novo.
— I-Impossivel, não há como regenerar um braço inteiro, nenhum usuário conseguiu isso, pelo menos nenhum com outra pessoa a não ser si mesmo. – falava lembrando quando tentou curar seu braço, mas não conseguiu e já tinha-se dado por vencido em não mais ter um braço com o qual lutar e deixou como uma lembrança de que confiava na nova geração – V-Você poderia mesmo fazer isso ?
— Acho que agora que despertei todo o potencial da Angel no Mi posso tentar, não prometo nada, mas acho que vai dar tudo certo. Trouxe Ace de volta, porque não posso curar seu braço a tanto perdido ? – se aproximou mais do ruivo – Agora sente-se na beirada e tire o casaco, pode doer um pouco já que estarei regenerando suas células do nada, por isso aguenta.
Sem ainda acreditar no que ouvia seguiu no automático até a beirada do barco onde se sentou, tirou o casaco colocando-o do lado e deixou mostrar o ombro que terminava a poucos centímetros de onde deveria começar o braço, Yukino viu onde começava e olhou pro outro braço tentando ver até onde teria que se esforçar, assentindo para si mesma, colocou a mão a frente do corpo maior e fechou os olhos fazendo as asas voltarem a se abrir como sinal de relaxamento total para poder se concentrar.
— ‘Agora deve concentrar-se onde foi arrancado e fixar suas energias para essa área, vai ser cansativo, mas vale a pena’.— pensou respirando fundo consigo e fazendo sua mão brilhar em branco como quando curou Ace naquela guerra.
A dor veio como uma facada, Shanks sentiu como se tivessem sido lançadas milhares de agulhas pelo seu corpo, mordeu o lábio inferior sentindo-o sangrar, mas havia dito que aguentaria e se gritasse sua tripulação iria aparecer e atrapalhar a concentração da menor, não podia gritar, não podia reclamar, só sentir a dor que lhe consumia. Nunca havia sentido tanta dor na vida, nem mesmo quando o braço lhe fora arrancado a anos atrás quando salvou Luffy, então porque aquilo doía tanto ?
Abriu os olhos que nem havia percebido que os fechara e encarou o rosto menor de olhos fechados e os cabelos esvoaçando em volta do corpo, o branco em contraste com o preto brilhavam com a luz que saia de sua mão, sua expressão era neutra, mas a respiração parecia um pouco pesada, mas foi quando percebeu. A dor que sentia era a mesma que ela sentia naquele momento, o suor que saia de sua testa deixava claro que aquilo não só a cansava, como também a machucava assim como ao ruivo, por um momento Shanks esqueceu a dor e ficou a encarar Yukino pensando se ela já havia sentido aquela dor antes para estar mais calma que si ou se doía em menor intensidade nela.
A pontada se acentuou o que o fez dar um grito e arrepender-se logo em seguida, Ben, Lucky, Yasopp e Rockstar apareceram no hall com olhares preocupados e ficaram ainda mais quando viram Yukino tampando a frente do corpo de seu capitão e o mesmo com uma expressão de dor no rosto, sem muito pensar Ben iria atacar percebendo o perigo com seu capitão, mas antes que qualquer um pudesse fazer ou mesmo Shaks dizer algo para dete-los, Yukino tombou pro lado mas se equilibrou e caiu de joelhos ofegante, esgotada e tremendo como se seu corpo tivesse perdido todo o calor.
— T-Terminei.... – disse caindo de lado respirando fundo ate que sua respiração voltasse, tremeu ainda mais, mas mesmo assim olhou pra Shanks – Eu disse que seria doloroso, só não disse pra quem doeria mais.
— C-C-Capitão, i-isso é.... – os membros olhavam para o braço novo e regenerado de Shanks como se fosse um fantasma, não, algo pior que um fantasma, mas quando o mesmo parou para olhar o próprio braço o mexendo como se sempre estivesse estado lá, sorriu. Sorriu como se tivesse acabado de ganhar a coisa mais preciosa do mundo, como se tivesse acabado de ver o One Piece bem a sua frente, e depois encarou Yukino pronto para lhe abraçar e pedir-lhe mil vezes obrigado, que lhe devia mais que sua vida, mas ao ver a menor no chão mais pálida que o normal, travou.
— YUKINO. – gritou descendo do parapeito e sentando no chão para pegar a menor desacordada no colo, ao tocar a pele gelada da mesma se desesperou, Yukino estava pálida, seus lábios tomavam um tom meio azulado e bolsas se formaram em baixo dos olhos, ela respirava com certa dificuldade, mas abriu os olhos calma se sentando – Espera vou te trazer um cobertor.
— T-Tudo bem, não é como se fosse novo. – falou respirando fundo, mas tossiu – É como na vez que me cortaram o corpo, fiquei dessa mesma maneira por uns dois dia antes de ser obrigada a treinar novamente. – tremia menos agora, como se começasse a recuperar o calor, mas muito lentamente, mas espera....’primeira vez que a cortaram’ ?
— C-Como assim ? – perguntou no mesmo momento que Yasopp trazia um cobertor para a menina – Quem te cortou ? Espera, a dor que senti foram de lembranças suas ? – abriu os olhos, como aquela dor poderia ser aguentada por aquela menina sendo tão nova, ele mesmo sentiu vontade de chorar, imagine ela.
— Ah, você sentiu ? Desculpa, mas tive que pensar em momentos em que sabia sobre a regeneração das células e usei minha própria experiência do passado pra isso, achei que só eu fosse sentir, o que você sentiu foi o que eu senti quando tinha 2 anos e abriram meu corpo para inserir veneno para minha imunização, pelo menos nas primeiras vezes, só que eles não usavam anestésico pois podia inibir o efeito que queriam. – disse agora melhor fisicamente, mas as lembranças novamente lhe invadiam a mente, aquelas imagens.....
— QUEM FOI QUE.... – Shanks parou assim que viu que Yukino não estava mais ali, mas sim em um lugar muito distante de suas trágicas memorias de vida.
‘A menina de 2 anos estava olhando uma pequena borboleta que de alguma forma estrara ali, não havia janelas, então era um mistério em como aquele ser havia entrado, ficava voando de uma cela a outra fugindo por entre as grades, nessa época a única ali era Zero, não sabia falar ainda pela falta de pessoas as quais estivessem por perto para aprender, mas mesmo assim sabia bem o que lhe diziam, seus olhos ainda tinham certo brilho por ser jovem e inocente, não sabia quem era e nem de onde veio, só sabia que aqueles que lhe cuidavam não falavam com ela. A porta de dentro de sua cela abriu-se revelando uma sala branca com uma mesa de cirurgia e um homem a sua frente.
‘– Levante-se. – ordenou e sem poder contestar fez o que lhe havia sido ordenada, era a primeira vez que saia daquela cela desde que se lembrava, quando ainda engatinhava e se machucava chorando, ninguém ia lhe dar atenção, foi assim que aprendeu: com os homens de branco não havia como lhes chamar a atenção, eles não se importavam com ela, mas mesmo assim esperava poder um dia entender as coisas e sair como a borboleta em sua cela.
‘Assim que entrou na mesma havia 5 pessoas de branco, todos usavam jalecos, botas, mascaras e toucas brancas, a menor até achou bonito por um instante, mas logo foi elevada por mãos frias assim como aquela sala quando percebeu, colocaram-na na mesa e prenderam mãos e pés, queria perguntar o que lhe estavam fazendo, mas não sabia falar então apenas olhou-os curiosa com as ferramentas estranhas que estavam em mãos.
‘– Comecemos o primeiro experimento com crianças, motivo: maior possibilidade de sucesso, diferente dos 50 prisioneiros que tentamos na ultima vez. – ditou para os colegas e olhou pra a roupa que a menor usava – Tirem-lhe a roupa e não introduzam o anestésico, temos que aumentar a imunidade dela sem que os efeitos do anestésico barre a do veneno. – falou e duas mãos de outro homem tiraram o vestido branco que a 00 usava e assim começaram. Uma picada cruzou seu braço e não entendeu o que era aquilo.
‘– AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH !!!!!!! – gritou assim que a primeira lamina a cortou, mas o sangue não saiu totalmente, foi como se tivesse sido estocado, gritava sentindo seu corpo ser mutilado, mas não conseguia mover o corpo, devia ser por causa das amarras e do que lhe colocaram o braço – AHHHHHHHHH !!!
‘– Primeira fase completa. – falou um terceiro homem com as mãos com luvas agora escarlates ao mexer dentro do corpo da criança – Incrível como ela consegue se manter acordada. – falava a cima dos gritos agoniantes e os demais assentiam como se não se importassem com a dor estonteante e inacreditável que a pequena de 2 anos sentia.
‘– Concordo. – falou uma mulher agora com os olhos fixos para dentro do corpo aberto da menina – Agora irei inserir o veneno e depois iremos fechar para que assim vejamos quanto tempo ela sobrevive com esse primeiro experimento. – disse fria pegando uma outra seringa e injetando em algum órgão fazendo 00 gritar ainda mais, isso passou-se por horas e mais horas, eles mexendo em seus órgãos, vendo onde poderia ser a próxima incisão e se ela morresse....que fosse na próxima cobaia, os gritos jamais cessaram, até mesmo quando a voz lhe acabara e o sangue escorria por sua boca, ainda sim tentava pedir socorro, não sabia para o que nem quem, mas implorava para que aquilo acabasse.
‘Quando percebeu estava de volta a sua cela, não lembrava-se de ter desmaiado, só de uma vaga lembrança de um daqueles cientistas dizerem que havia aguentado mais que todas as cobaias anteriores e depois caiu na inconsciência. Estava no chão da cela, olhou sem forças para se sentar, para seu baixo ventre e encontrou uma faixa branca, sentia a dor pulsante, sentia-se mais fraca que se não tivesse comido por dias, o que já havia lhe acontecido, seu corpo queimava, era como se algo se espalhasse pelos membros os deixando paralisados e doloridos.
‘Passou-se 3 dias com a dor, em certos momentos sentia que iria explodi de dor e quentura, mas após isso um cientista entrou-lhe o quarto e quando viu a menina no chão e ainda viva gritou para os demais dizendo uma única frase ‘SUCESSO, ELA AGUENTOU, PODEMOS PREPARAR A PRÓXIMA E AS DEMAIS COBAIAS’, ao ouvir aquilo não pode acreditar....
‘Mais daquilo estava por vir, e para mais além de si mesma. Olhou pro chão sentindo a visão ainda turva e viu de realce a borboleta que lhe havia visitado a poucos dias antes do sofrimento, estava caída no chão empoeirado, morta, e sendo devorada por algumas formigas ali. Sim, foi então que entendeu, aquele seria seu destino e o de muitas pessoas a frente, não havia esperança, não havia futuro, não havia porque ter vida.’
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