The Big Stamp
1 Pilot
Notas iniciais
Meu nome é Brisa Malta tenho 16 anos. Eu sou mais uma adolescente inconformada com a situação do mundo, ou melhor dizendo, da minha casa. Meus pais vivem brigando, discutindo por coisas sem importância. Eles sempre arrumam um jeito de estragar meu dia. Tirando o fato do meu irmão mais novo não desgrudar do meu pé.
Bom, eu estava tendo um domingo normal, o que é anormal pra mim. Fui a escola mais cedo, tinha que fazer algumas pesquisas na biblioteca. Assunto da pesquisa? Fungos. Realmente desinteressante, pelo menos pra mim...
Com o término da pesquisa pude ir para casa. Eu so queria dormir, pois havia acordado cedo e estava cansada. Foi o que fiz.
Quando acordei percebi a ausência dos meus pais, o que fazia com que eu ficasse “sozinha”, com a pessoa mais insuportável do mundo. Meu irmão. Esse era o problema. Victor tinha 13 anos, e me infernizava desde seu nascimento. Ele adora me deixar com raiva, ou me deixar mal na frente de meus pais. Tentei passar correndo pela sala, para não ter que ouvir a voz irritante dele. Mas lá estava, sentado no sofá, jogando seus games bobos. Como sempre, ele resolveu me afrontar...
– Ei Brisa, onde você estava? – Ele perguntou.
– Eu estava num lugar chamado “não te interessa”,cê conhece? – Perguntei.
– Sim, deve ser bem pertinho do “mamãe vai saber que você chegou tarde” – Ele disse, me olhando com desprezo.
– Olha, eu to sem tempo pra brigar com você. – Falei com tom autoritário.
E saí andando em direção as escadas. Deixei ele falando sozinho, eu estava realmente cansada. Entrei no meu quarto, e pulei na cama, foi so isso que me lembro, até o dia seguinte...
Acordei disposta, o que é algo milagroso para uma pessoa normal. Não quero ter o mesmo dia todos os dias. Não quero ter a mesma vida, necessidade de mudança, sabe?
Comecei por mim mesma. Não iria usar o mesmo jeans, nem o mesmo sapato, tão pouco mesmo perfume. Eu queria mudar, então usei tudo que guardava para ocasiões especiais. Afinal, hoje sempre pode ser o último dia de nossas vidas...
Foi realmente uma transformação para mim. Usar roupas melhores, em dias comuns. Desci as escadas, esperando que tambem estivesse algo de novo para o café. Mas o que realmente aconteceu não era novo, era triste, meus pais haviam brigado. Minha mãe estava chorando escostada na pia. O nome dela é Rose. Ela era alta, morena, e tinha cabelos negros, como os meus, e toda vez que eu olhava nos olhos dela sentia paz.
Eu cheguei um pouco mais perto, e pude a ouvir soluçar. Virei seu rosto, olhei nos seus olhos, e simplesmente não sentia mais aquela paz. Sentia tristeza. Minha mãe estava sofrendo, e eu não podia ajuda-la. Porém, tentei...
– Mãe?! – Falei, baixinho e calmamente.
– Filha, você não deveria estar na escola? – Ela disse, enquanto secava suas lágrimas.
– Mãe, é sério? O que esta havendo? Vocês brigaram de novo?
– Filha, ouça. – Ela disse, enquanto tirava o avental.
– Seu pai vai embora.
Meu Deus. Depois daquilo não consegui pensar em mais nada. Como eles teriam chegado a esse ponto?
As brigas tinham ficado cada vez mais frequentes nas últimas semanas. Meu pai é um homem difícil, mas nem sempre foi... Ele tinha 40 anos, é dois anos mais velho que minha mãe. Ele é alto, forte, muito forte mesmo. Trabalha numa empresa de matérias de construção, o serviço exige de muita força. De dois anos pra cá, ele começou a ter sérios problemas com bebida, e daí as brigas começaram... Ah, o nome dele é Pedro.
– Como assim, embora? – Eu disse com um pequeno tom de revolta.
– Brisa, não é minha culpa, eu não queria, eu só... – Ela calou, rapidamente, como se estivesse escondendo algo.
– Mãe, vai ficar tudo bem. – Eu disse, colocando suas mãos sobre as minhas e apertando-as bem forte. — Agora eu tenho que ir, tenho um trabalho importante. – Falei enquanto levantava e saia pela porta.
Eu mal sabia que aquele era meu ultimo suspiro de um dia normal...
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