The Big Play
41 Capítulo 41 – I Don't Want To Miss A Thing
I could spend my life
In this sweet surrender
I could stay lost in this moment forever
Every moment spent with you
Is a moment I treasure
Aerosmith
Dimitri's POV
Eu mal podia conter minha ansiedade em chegar logo a Miami. Tanto que acabei nem perguntando como Rose conseguiu uma reserva de hotel tão em cima da hora para a véspera de Ano Novo. A morena parecia exausta e acabou dormindo depois de quase uma hora na estrada. Eu também não dormi muito, mas o pensamento de minha menininha doente tendo Tasha como enfermeira me manteve desperto o suficiente.
Primeiro ela diz que eu nunca mais veria minha filha novamente, mas ao primeiro sinal de problemas me liga para que eu resolva. Tasha trata Claire como se fosse um objeto quebrado. Ela é só uma criança, obviamente vai ficar doente às vezes. E aquela ideia ridícula de contratar uma enfermeira para um simples resfriado? Não fazia qualquer sentido.
Pelo menos acho que esse episódio vai fazer Tasha repensar sua decisão de ter a guarda de nossa filha.
— Ei, camarada – Rose disse se espreguiçando quando estávamos próximos do amanhecer. – Quer que eu dirija um pouco? Você deve estar cansado.
— Não precisa – respondi automaticamente sem tirar os olhos da estrada.
— Acho que eu você não me entendeu, deixe-me refazer isso – notei um pequeno sorriso em seu rosto. – Encoste o carro que eu vou dirigir o resto do caminho enquanto você descansa.
— Rose – suspirei. Eu não queria perder mais um segundo sequer. – Eu realmente...
— Dimitri, por favor, não discute comigo. Só encosta o carro – ela me interrompeu impaciente. – Nós vamos ter que ficar um tempo no hotel de um jeito ou de outro. Ou você planeja ir à casa dos pais da Tasha de madrugada.
Realmente ela tinha razão neste ponto e não adiantaria nada discutir com ela, então encostei o carro e nós trocamos de lugar rapidamente. A morena me deu um pequeno beijo antes de voltar a trafegar pela estrada.
— Por que não tenta dormir um pouco? – ela sugeriu.
— Não estou com sono – desviei os olhos para observar a paisagem.
— Olha, se a Liss falou que provavelmente é só a garganta não tem que se preocupar. Crianças ficam doentes – Rose tentou me acalmar. Só que eu não estava preocupado por Claire estar doente e sim por ela estar longe.
— Eu só queria estar lá pra cuidar dela – expliquei da melhor maneira que pude. – Ela deve estar sofrendo.
— Logo vamos estar com ela – Rose me deu um sorriso reconfortante e entrelaçou seus dedos nos meus. – Que horas você combinou com a Tasha?
— Às oito – informei observando o nascer do sol no horizonte.
Após algum tempo nós finalmente entramos na cidade de Miami e Rose dirigiu por algumas avenidas movimentadas até parar frente a um Resort luxuoso. Foi aqui que ela conseguiu reserva?
— Ainda teremos um tempo pra descansar. Você com certeza está precisando – ela sorriu enquanto saia do carro e um carregador se apressava até nós para auxiliar com as malas.
— Como você conseguiu um lugar assim? – perguntei entrelaçando minha mão à mão dela, esquecendo momentaneamente que nós não assumimos publicamente.
— Horace é amigo do meu pai – Rose deu de ombros.
— Quem? – perguntei confuso
— Horace Derwent, o dono do hotel – a morena explicou com um sorriso antes de se dirigir à atendente. – Olá, eu tenho uma reserva em nome de Rosemarie Mazur.
— Senhorita Mazur – a recepcionista abriu um sorriso. – É um prazer tê-la conosco.
— Obrigada – Rose deu um pequeno sorriso de volta enquanto a garota fazia nosso check in.
Eu observei a morena com cuidado conforme ela resolvia todo o trâmite, parecendo totalmente à vontade no lugar. Creio que é exatamente esse o mundo em qual Rose cresceu.
As palavras que ela usou com Tasha voltaram à minha mente nesse instante. Eu fui criada como uma rainha. Abe definitivamente deve ter lhe dado tudo de melhor que estava em seu alcance e a mimou de todas as maneiras possíveis. Eu me lembro do dia de Ação de Graças quando ele me contou que tentou arrumar um tapete voador para completar a fantasia de princesa Jasmine da garota.
Rose definitivamente é uma rainha. A minha rainha e eu devo tratá-la como tal.
— Rosemarie! – um homem exclamou entrando no saguão, atraindo a atenção das poucas pessoas que estavam ali. – Você cresceu tanto, é um prazer revê-la.
— Horace – Rose sorriu de forma educada e deu um beijo no rosto do homem que possivelmente tinha a mesma idade de Abe e era quase tão extravagante quanto. Talvez isso seja um pré requisito para hoteleiros. – Esse é Dimitri Belikov, meu namorado.
— Senhor Belikov – Horace sorriu amigavelmente enquanto apertava minha mão. – Dispensa apresentações. Espero que esteja se recuperando.
— É um prazer conhecê-lo, senhor Derwent – respondi devolvendo o cumprimento. – Em breve estarei de volta ao campo. Obrigada pela preocupação e por ter reservado um quarto para nós.
— Me agradeça cuidando bem desta garota. Ela é uma joia rara – ele piscou antes de começar a indicar para que o acompanhássemos. – Agora vamos. Eu vou levá-los às suas acomodações. É uma pena eu não ter conseguido uma suíte completa pra vocês, mas é um bom quarto, com vista para o mar.
— Está perfeito – Rose garantiu seguindo o homem.
Ele nos encaminhou ao oitavo andar do hotel até um quarto bastante espaçoso onde nossas malas já haviam sido postas. Rose e eu nos deitamos assim que o homem se foi, mas não consegui relaxar. Ela acabou adormecendo e decidi deixá-la descansar.
Após um banho, segui até a casa dos pais de Tasha e fui recebido por Steven. Se Abe era extravagante, o pai de Tasha conseguia ser completamente estranho. Ele usava calças que pareciam ser de pijamas listradas, uma camisa branca aberta até metade do peito, um paletó por cima, inúmeros colares no pescoço e um brinco de penas. Como ele conseguia já estar todo montado assim a essa hora da manhã?
— Dimitri – ele sorriu. – É bom vê-lo novamente.
— Olá Steven – cumprimentei-o. – Onde está Claire?
— Ela está dormindo – ele explicou indicando que eu entrasse. – Ela chorou grande parte da noite, mas pegou no sono próximo ao amanhecer. Eu sinto muito por Tasha ter te ligado, Dimitri. Realmente não tinha necessidade, é só uma garganta infeccionada. Nós já começamos a dar o remédio e Aimee está cuidando bem da menina. É que a Tasha não sabe lidar com essas coisas.
Aimee era a mais recente esposa de Steven que tinha uma diferença de idade de quase quarenta anos para ele. Ela era mais nova que Tasha.
— Claire vai ficar melhor comigo, Steven – eu disse decidido. – Sua filha pediu para que eu viesse buscá-la e é o que eu vou fazer.
Tasha nunca soube lidar com nada que diz respeito a uma criança. Quando Claire era bebê, ela estava totalmente absorta pela garotinha e por um tempo achei que seria uma ótima mãe, mas conforme a garota foi crescendo, parece que ela perdeu o interesse. Como se Claire fosse uma roupa que saiu de moda ou um brinquedo do qual enjoou. E ainda assim houve uma época há uns dois anos atrás que ela cismou que queria outro filho na tentativa de salvar nosso casamento.
— Claro – Steven suspirou. – Eu sinto muito por toda essa situação, acho que tudo é muito novo pra ela. Tasha ainda tinha esperança de conseguir consertar as coisas entre vocês... Mas você vai ver, logo ela vai estar com outra pessoa e te deixa em paz. Christian me disse que sua namorada é uma boa garota e eu sei que você não colocaria qualquer uma perto da minha neta.
— Obrigado – respondi sucintamente. Eu me sentia um pouco desconfortável por esse assunto, mas é bom saber que a família de Tasha não pensa mal de mim, apesar de tudo.
— Bom, eu não vou te atrasar mais – ele disse antes de ir rumo a um dos quartos. Eu o segui e Steven abriu a porta com cuidado. Claire ainda estava dormindo e pude ver que ela estava um pouco corada demais denotando que a febre voltou.
Eu a peguei com cuidado no colo e a encaixei ali, cuidando para que não acordasse. Steven envolveu a menina em uma manta. Pelo silêncio da casa, ele parecia ser o único acordado.
— Eu ligo pra Tasha mais tarde. Obrigado por ter cuidado de Claire – agradeci quando ele me entregou uma mala com os pertences de minha filha após eu acomodá-la com cuidado no banco traseiro do carro.
Ao voltar para o hotel, Rose ainda estava dormindo e acabei colocando Claire ao lado dela. minha filha realmente parecia estar quente e eu me perguntei se não deveria dar algum remédio.
— Como ela está? – Rose perguntou e notei que ela observava atentamente cada movimento meu.
— Eu acho que está febril – comentei.
— Ela tomou alguma medicação agora de manhã? – a morena se sentou em seguida na cama e tirou o cabelo da testa de Claire, avaliando-a.
Eu peguei a lista de medicamentos e horários que estavam num bolso lateral da mala que Steven me deu e entreguei a ela.
— Já esta na hora de tomar de novo – Rose disse após ler o papel atentamente. – Vamos ter que acordá-la.
— Mas ela está dormindo – observei com pena de despertá-la
— Se não fizermos, a febre vai subir – ela suspirou então tocou o rosto de Claire. – Ei, meu amor. Acorda.
Ela ainda precisou chamar a menina mais algumas vezes até que ela finalmente acordasse.
— Rose? – Claire perguntou confusa focalizando a morena. – Onde a gente tá?
— Em um hotel em Miami – respondi fazendo com que sua atenção se voltasse para mim e imediatamente minha filha pulou para agarrar meu pescoço.
— Pai! – sua voz estava um pouco embargada quando a abracei de volta. – Você veio me buscar? Eu não quero morar com a mamãe, por favor. Não deixa.
— Calma, meu amor – engoli em seco, buscando me manter calmo diante das lágrimas da minha menininha. – Você não vai morar com ela, não se preocupe. Isso não vai acontecer. Ninguém vai tirar você de mim.
— Promete? – ela me olhou e afaguei seu rosto para secá-lo.
— Eu prometo, meu amor – sorri de forma a tranquilizá-la.
— Agora você precisa tomar seus remédios pra ficar boa logo e podermos voltar pra casa – Rose disse se sentando ao lado de Claire que tomou o xarope sem protestar.
— Deita comigo, pai? – minha filha pediu e me acomodei sobre os travesseiros com ela em meus braços. A morena foi até a janela para fechar as cortinas antes de sair do quarto sob a desculpa de que iria buscar algo para comermos.
Eu acabei pegando no sono quase que imediatamente e quando acordei me senti um pouco desnorteado sem sentir Claire na cama.
— Ela está tomando banho – a voz de Rose veio da varanda e vi que a cortina estava um pouco aberta revelando ela ali sentada em uma das cadeiras. – Daqui a pouco já vou tirá-la da banheira.
— Que horas são? – perguntei ao meu sentar para me espreguiçar.
— Já passou da hora do almoço, mas eu pedi o serviço de quarto e já devem estar trazendo – ela informou e abri as cortinas para poder vê-la melhor. Apesar de ainda estar frio, o sol estava agradável. – Não achei uma roupa que Claire gostaria de usar naquela mala então comprei algumas coisas pra ela usar até amanhã.
— Obrigado por pensar em tudo.
— Nós somos um time, camarada – ela sorriu se erguendo para vir até mim.
— Não, nós somos mais do que isso. Nós somos uma família – falei e beijei sua testa justo quando bateram à porta.
A morena foi ao banheiro para cuidar de Claire e eu tratei de receber a comida. Nós almoçamos em um clima agradável e passamos o resto da tarde deitados na cama assistindo filmes na televisão. Rose administrou todos os remédios nos horários corretos e monitorou minha filha a todo instante, mas ela não teve mais nenhum sinal de febre, o que me fez desconfiar que seu estado emocional tenha contribuído para aquilo. Tanto que quando a noite caiu nós arriscamos descer para o jantar de Reveillon organizado pelo hotel. Por conta da correria não havíamos separado nenhuma roupa especial para a ocasião e estávamos bem mais simples que os demais hóspedes, mas nenhum de nós se incomodou. Tenho certeza que se fosse Tasha ali no lugar de Rose, ela se recusaria a colocar os pés no corredor.
Eu quase sugeri que ficássemos à beira da piscina para assistir à queima de fogos, mas a morena achou melhor não abusarmos muito então retornamos ao quarto onde eu pedi algumas sobremesas para agradar as garotas e depois fomos à varanda. Claire assistia a tudo extasiada de meu colo enquanto Rose estava aninhada em meu outro braço. Apesar de tudo, foi um momento perfeito. Eu nem me dei ao trabalho de fazer qualquer pedido de Ano Novo, já que eu tinha tudo o que queria ali em meus braços.
No dia seguinte Claire acordou tão disposta que até cogitamos ficar mais alguns dias em Miami, não fosse a nossa falta de roupas para estender a viagem. De qualquer forma, passeamos de carro pela cidade durante a manhã e almoçamos à beira mar antes de pegar a estrada.
Os demais dias do fim de semana se passaram em uma harmonia tão grande que nem parecia que havíamos passado por tantas emoções naquela última semana. E também não parecia que Rose e eu estávamos juntos há tão pouco tempo. Era como se eu a tivesse ao meu lado há uma vida inteira, como se ela sempre estivera ali naquele que era o seu lugar.
Tasha ligou algumas vezes para saber do estado de saúde de Claire, mas não tocou mais no assunto de levá-la para longe. Nem parecia aquela maluca de dias atrás.
No domingo almoçamos na casa de minha mãe e não me surpreendi em nada em ver que o namorado de Sonya não quis participar da reunião. Eu tinha certeza que esse não passaria das festas de fim de ano. Nós assistimos juntos ao jogo do Buccaneers que acabou perdendo uma vez que Stan poupou os principais jogadores. Isso não fez muita diferença na pontuação final graças a nossa boa campanha até ali.
Segunda de manhã Rose acordou cedo e levou Claire para a escola. A garota estava completamente recuperada apesar de tentar nos enganar para faltar a escola, mas eu a convenci rapidinho a ir dizendo que não a deixaria faltar na semana do Super Bowl caso faltasse agora.
Eu retornaria ao CT em algumas horas para o treino individual e uma última avaliação médica, então resolvi gastar o tempo fazendo alguns exercícios que Rose preparara para mim. Não era nada muito elaborado, consistia em manter uma bola presa na parede em determinada posição por alguns minutos e alguns alongamentos usando um elástico. Eu fiquei na academia esperando que ela voltasse para me auxiliar quando outra pessoa me surpreendeu.
Apesar de saber que teria de confrontar Ivan mais cedo ou mais tarde, ele me pegou um tanto desarmado naquele instante. E, por seu olhar, meu amigo não estava nem um pouco feliz. Ele com certeza viu alguma das nossas fotos. Nossa visita a Miami foi a cereja do bolo para os tablóides que não largam mais do nosso pé.
— Oi Ivan – cumprimentei parando os exercícios.
— Acho que você já sabe porque eu estou aqui – ele foi direto, me observando ainda parado na porta da academia. Aquela não seria uma conversa nada fácil.
— Sim, eu sei – suspirei.
— Você não vai nem tentar negar? – Ivan perguntou depois de um momento desconfortável.
— Não – disse com simplicidade. Não havia um modo de fazer aquilo de forma agradável, então o jeito é ir direto ao ponto.
— Como você pôde fazer isso, Dimitri? – ele passou a mão pelos cabelos, claramente exaltado. – Eu confiei em você.
— Ivan... – eu tentei falar, mas ele me impediu.
— Eu confiei em você, porra! – meu amigo parou à minha frente. – Você me traiu!
— Não foi assim – busquei me manter calmo.
— Você sabia exatamente o que eu sentia por ela. Eu te falei, você sabia e agiu pelas minhas costas.
— Eu não agi pelas suas costas! – exclamei. – Nós nos apaixonamos e...
— Vocês dois agiram, isso sim – Ivan acusou. – Vocês dois... Há quanto tempo isso vem acontecendo? Há quanto tempo vocês vêm rindo de mim?
— Ninguém estava rindo de você, Ivan... Só aconteceu... Não foi algo que nós planejamos.
— Você mentiu pra mim – ele começou a andar de um lado para o outro, totalmente transtornado. – Você disse que não havia nada entre vocês.
— E na época não havia – tentei novamente ser razoável.
— MENTIROSO – Ivan gritou em resposta. – É isso que você é, um filho da puta mentiroso. O que você pretende? Usar ela até cansar como fez com a Tasha? Aí você pega um modelo mais novo. É assim que funciona pra você, não é?
— Qual é o seu problema? – senti meu temperamento começar a sair do controle. – Você sabe muito bem que eu não sou assim. Eu nunca faria isso com Rose. Eu a amo.
— Você não a ama como eu amo, você não a conhece como eu conheço. Nem mesmo confiou nela quando Tasha falou aquele monte de merda sobre Rose, não deu uma mísera chance pra ela se explicar – ele acusou. – Você não a merece.
— Cala boca, Ivan – rosnei, me sentido ser afetado por suas palavras mais do que deveria. – Isso não lhe diz respeito.
— Claro que diz porque Rose é minha, Dimitri – ele se aproximou em uma postura ameaçadora. – Eu não vou deixar ela ficar aqui pra ser magoada novamente por você, está entendendo? Nós estamos nos resolvendo e você não vai ficar entre nós. Nem que pra isso eu tenha que tirar ela dessa droga de emprego e levar pra minha casa. Ela nunca precisou disso.
— Você não é o dono dela, Ivan – eu o encarei com raiva. – Rose não é um objeto, então não ouse tratá-la como um.
— Foda-se o que você pensa, Belikov. Você não a merece – Ivan repetiu e, pela primeira vez, eu realmente cogitei a hipótese de socar meu amigo.
— Está tudo bem aqui? – ouvi a voz de Rose que nos olhava com preocupação da porta. Droga! Eu não queria que ela presenciasse isso. Ela já se sentira culpada pela atitude de Tasha...
Ivan se virou totalmente para a morena e ela me avaliou por um momento com um olhar questionador antes de se dirigir a ele.
— Ivan – ela entrou no cômodo, se aproximando dele –, talvez nós devêssemos nos acalmar e conversar com calma...
— Você vai embora comigo agora – ele vociferou indo em direção a ela e me adiantei. Ele só pode estar de brincadeira comigo.
— Ela não vai a lugar algum com você – eu a interceptei primeiro, alcançando seu braço, e a puxei em minha direção.
— Fica fora disso, Belikov – Ivan sibilou.
— Eu não vou a embora, Ivan. Eu moro aqui, esqueceu? – a morena o olhou completamente confusa.
— Vem comigo, Rose, por favor. Você pode ficar na minha casa – ele pediu. – Nós realmente podemos fazer as coisas darem certo entre nós. Nós já estávamos fazendo e...
— Ivan, nunca existiu nada entre nós – Rose o interrompeu com calma. – Na verdade nunca existiu um "nós" nessa história. Eu já te disse isso.
— Eu posso te fazer feliz. Eu sou o único que pode cuidar de você como você merece – o loiro se aproximou mais do que deveria e aquilo me irritou profundamente.
— Afaste-se dela, Ivan.
— Cala a porra da boca, Belikov – Ivan berrou fazendo Rose recuar um pouco.
— Ou você se afasta ou eu vou obrigar você a se afastar – dei um passo a frente.
— Dimitri, por favor – Rose segurou meu braço parecendo um tanto assustada com a situação.
— Rose, é melhor você sair daqui – pedi ainda encarando Ivan.
— Eu não vou sair daqui. Vocês dois estão malucos? Ele é seu melhor amigo, camarada – ela apelou e logo em seguida se voltou para Ivan. – E você é padrinho da filha dele. Vocês são amigos desde crianças, esqueceram?
— Ele não é meu amigo – Ivan bradou. – Se fosse não teria agido pelas minhas costas e roubado o que é meu...
— Ninguém aqui agiu pelas suas costas – Rose soou irritada apesar da voz trêmula. – Nós dois somos só amigos, eu nunca fui nada sua além disso.
— Rose, vai pro seu quarto arrumar suas coisas – ele ignorou o que ela disse, dando um breve sorriso em minha direção. – Assim que eu acabar com esse idiota, você com certeza vai sair daqui comigo nem que seja arrastada.
— Eu não vou a lugar algum com você. Não tente me obrigar a isso – senti-a estremecer levemente e buscar minha mão, segurando-a com força como se procurasse proteção. Será que aquele imbecil não conseguia ver que seu comportamento estava fazendo-a lembrar daquele animal que a machucou? – Eu estou com Dimitri, nada que você faça vai mudar isso...
— Eu nunca te obrigaria a nada – o idiota soou extremamente magoado, não se tocando de que havia dito exatamente o contrário. – Mas você me disse que eu poderia tentar, você...
— Ivan, eu não disse nada disso – Rose suspirou. – Você quem decidiu que não desistiria, eu sempre deixei claro que não seríamos mais do que apenas amigos.
— Amigos não se beijam daquele jeito – ele vociferou fazendo a garota se encolher e eu senti uma névoa vermelha de ódio tomar conta de mim, mas respirei fundo e consegui manter um pouco de meu controle. Ainda. – Amigos não sentem o que eu sinto por você.
— Mas eu não me sinto assim, Ivan – ela tentou soar firme. – Você precisa aceitar isso.
— Eu não vou aceitar ficar assistindo você ser magoada por ele, Rose. Dimitri nunca vai te amar como eu te amo. Ele vai te magoar de novo na primeira oportunidade.
— Já chega! – eu disse entredentes, perdendo meu último resquício de calma. – Você não vai ficar falando esse monte de merda pra ela.
— Eu já mandei você ficar fora disso, porra.
— E eu já mandei vocês dois pararem com isso – Rose soou desesperada.
— Você sabe que eu posso quebrar você, Belikov – Ivan ameaçou dando um passo à frente.
— Você pode até tentar – dei um sorriso irônico. – Mas isso não muda o fato de que é comigo que Rose está e é ao meu lado que ela está dormindo toda noite.
— Dimitri! – Rose exclamou.
— Eu vou te matar! – o loiro avançou em minha direção me fazendo sorrir. Ótimo, era só isso que eu estava esperando.
— Ivan! – a morena pulou a frente, se colocando entre nós, tentando empurrar ele para trás.
— Sai da minha frente, Rose – ele a pegou pelo ombro e a empurrou para longe, sem medir a força ao fazê-lo e congelei no mesmo instante.
Eu tentei segurá-la quando ela tropeçou, mas não fui rápido o bastante. Senti meu sangue gelar ao vê-la caindo em direção ao expositor de halteres, espalhando-os com um barulho surdo pelo chão.
— Rose! – ambos gritamos indo em sua direção, mas fui mais rápido.
— Ai merda! – ela chiou baixo tentando se levantar.
— Não levante – impedi-a de se erguer. – Está sentindo dor em algum lugar, Roza?
— Meu tornozelo – ela gemeu.
— Rose – Ivan se ajoelhou ao lado dela apesar do meu olhar. – Me perdoa, eu não queria te machucar.
— Pode deixar que eu cuido disso, Ivan – grunhi, segurando meu ímpeto de esmagar a cabeça dele na parede. Eu tinha algo mais importante com que me preocupar naquele instante. – Você já fez o bastante.
— Tudo bem, Ivan – ela deu um sorriso fraco. Por que ela está sorrindo pra ele?— Acho melhor você ir embora, vocês... DIMITRI...
Eu me assustei ao ouvir o berro de dor dela, só então notando que acabei apertando o seu tornozelo ao ver a forma como estava tratando-o enquanto analisava se tinha alguma fratura.
— Isso foi culpa sua – o loiro praticamente cuspiu para cima de mim.
— Como é? – me endireitei para voltar a encará-lo. Ele a machuca e a culpa é minha?
— Vocês dois estão falando sério? – Rose nos olhou incrédula, se levantando com dificuldade. – Puta que pariu, vocês vão mesmo voltar a brigar?
— Rose... – Ivan e eu tentamos fazê-la se sentar, mas ela se desvencilhou de ambos e mancou em direção à porta irritada.
— Foda-se vocês dois. Vocês são malucos. Puta merda, depois de tudo isso ainda querem voltar a se socar? Se é assim façam do lado de fora, pelo menos. Mas que fique claro que eu não vou cuidar de nenhum olho roxo, está ouvindo senhor Belikov?
— Rose, você não deveria... – Ivan começou.
— Não vem me dizer o que eu devo ou não fazer, Ivan – Rose o cortou. – Se vocês dois não estivessem agindo feito dois trogloditas eu não estaria assim, então agora eu vou mancar até a porra da cozinha e ter que pedir ajuda pra Kirova.
— Rose, deixa eu te ajudar – eu avancei para ela quando quase caiu perto da porta.
— Vocês dois tem coisas mais importantes pra fazer – ela retrucou rispidamente me afastando. – Como quebrar o nariz um do outro. Eu não me importo, façam a porra que vocês quiserem, só me deixem fora disso.
Ótimo! Agora além de tudo ela ativou o lado teimoso. O que mais falta me acontecer hoje?
— E fique sabendo, senhor Belikov, que se você machucar a porra do ombro de novo, eu arranco o seu braço só pra ter algo com o que te bater – ela se voltou para mim e ouvi meu amigo engasgar uma risadinha. – E se você voltar a rir, Ivan, eu mesma providencio um olho roxo pra você.
— É melhor eu ir embora – Ivan murmurou, me olhando de forma enfezada. – Nós resolvemos isso depois.
Ele marchou em direção à porta, passando por Rose que também me deu as costas. Eu saí no corredor atrás dela a tempo de vê-la ser amparada por Kirova que surgiu ali Deus sabe como e a levou em direção à sala. Merda, ela está realmente tão irritada a ponto de preferir a ajuda da governanta à minha?
Eu decidi dar alguns minutos para que ela se acalmasse enquanto arrumava os halteres espalhados de volta no expositor, então respirei fundo e segui para a sala.
— Não, eu não sei pra onde ele foi – ouvi Rose falar ao celular com alguém. – Os dois estavam quase se matando quando eu cheguei... – ela ouviu por um instante. – Tá, só me avisa se ele está bem...
Ela desligou e me olhou com raiva. Ok, talvez ela esteja um pouco nervosa ainda.
— Você tem certeza que não é melhor ir para o hospital, senhorita Mazur? – Kirova parecia realmente preocupada enquanto apoiava uma bolsa de gelo no tornozelo da morena que já estava bem inchado.
— Eu estou bem, Kirova – Rose suspirou, desviando sua atenção para a mulher. – Não há necessidade.
— Eu vou levá-la ao hospital, Roza – eu disse me aproximando da governanta, planejando tomar o lugar dela na tarefa de cuidar da garota.
— Kirova – Rose deu um sorriso forçado para a mulher –, por favor, informe o senhor Belikov que eu não estou falando com ele.
A mulher nos olhou confusa e eu respirei fundo. O dia hoje vai ser longo...
— Pode falar – ela insistiu.
— Hmmm, senhor Belikov – Kirova começou sem graça. – A senhorita Mazur não está...
— Rose, isso é ridículo! – exclamei.
— Kirova, informe ao senhor Belikov que ridícula foi a atitude dele. Isso é apenas a consequência.
— Senhor Belikov...
— Eu tinha tudo sob controle – não deixei a outra continuar. – Você não deveria ter entrado na frente do Ivan. Onde você estava com a cabeça?
— Senhor Belikov – Kirova murmurou enquanto separava uma pomada e uma faixa para tentar imobilizar o tornozelo de Rose. – Essa não é a melhor maneira de...
— Kirova, diga para o senhor Belikov que já que ele quer agir como um idiota acerebrado que resolve tudo com os punhos, que não me use como desculpa...
— Pode deixar que eu faço isso – eu disse à governanta pegando os itens das mãos dela.
— Kirova, avise-o que se ele chegar perto do meu pé, só vai piorar a situação porque eu vou chutar a boca dele – Rose me lançou um olhar afiado e Kirova nos olhou assustada, tentando pegar as coisas novamente das minhas mãos.
— Está tudo bem, eu posso lidar com isso – eu declarei a ela.
— Kirova... – Rose começou fazendo a mulher levantar exasperada.
— Pelo amor de Deus! Vocês dois são malucos. Eu é que não vou ficar no meio disso – a velha saiu resmungando.
Eu me ajoelhei na frente de Rose e tive que segurar seu pé, porque a garota realmente tentou me chutar umas duas vezes.
— Você quer parar? – eu reclamei após a terceira tentativa de contê-la. – Ou eu vou ser obrigado a te levar pra um hospital a força.
Ela me olhou com raiva e desviou o olhar, mas pelo menos ficou quieta. Eu passei a pomada para aliviar o inchaço e terminei de enfaixar o tornozelo dela.
— Rose, eu realmente sinto muito... – peguei sua mão e ela a puxou para longe, cruzando os braços e olhando para o lado. Por que ela tem que ser tão difícil? — Vamos, fale comigo. Por favor, Roza... Pode me xingar à vontade, mas fala alguma coisa.
A morena continuou me ignorando, mantendo a expressão raivosa no rosto.
— Ótimo, não fala nada, então! – exclamei cansado. – Eu vou pedir pra Lissa vir examinar o seu pé.
Eu fui buscar meu celular e liguei para a loira para explicar o ocorrido. Não demorou muito para que ela e Christian aparecessem em minha casa. Lissa foi até a sala onde Rose ainda estava e Christian foi comigo para a sala da biblioteca. Eu já estava atrasado para ir ao CT, mas não queria sair sem ter certeza que Rose realmente não precisava ir a um hospital.
— Ok, o que você fez? – Christian perguntou sorrindo depois de um tempo.
— Por que você acha que eu fiz alguma coisa? – devolvi a pergunta. Eu sabia bem o que eu tinha feito, mas não queria dar o braço a torcer.
— Se você não tivesse feito, estaria lá com ela ao invés de escondido aqui – ele observou. – Olha, eu sei como Rose pode ser assustadora quando está irritada. A questão é: o que você fez pra deixá-la assim?
Eu contei para Christian sobre minha discussão com Ivan e como Rose se intrometeu entre nós, acabando sendo lançada contra os halteres. Uma nova onda de ódio se apossou de mim por relembrar as palavras de meu agora ex-amigo e o modo como ele machucou minha Roza.
— Uma coisa você tem que admitir. Ela tem coragem. Nem eu me arriscaria a entrar no meio de uma briga entre você e Ivan – Christian riu.
— Ela é maluca, isso sim – bufei cansado de toda aquela situação.
— Achei que você já soubesse disso – ele provocou.
— Rose aparentemente não quebrou nada – Lissa interrompeu a conversa, entrando na sala. – Eu tentei convencê-la a ir ao hospital para tirar um Raio-X, mas ela não quer. Se você perceber que ela continua com dor depois de alguns dias, é bom levá-la.
— Ela ainda está...
— Irritada? – Lissa sorriu condescendente. – Sim. Bastante. É bom você dar um tempo pra ela. Eu estou de folga hoje, então vou ficar por aqui um tempo.
— Eu achava que a gente ia aproveitar melhor essa folga – Christian revirou os olhos.
— Você não é obrigado a ficar – Lissa observou.
— E perder a chance de provocar o próprio demônio encarnado? – ele riu.
— Acho melhor você deixar ele em casa no caminho, Dimitri – a loira sugeriu.
— Também acho – suspirei. Já estava ruim o bastante sem o rapaz enraivecendo a morena ainda mais. – Você pode avisá-la que eu vou ao CT e de lá eu passo pra buscar a Claire?
— Claro – Lissa sorriu.
Eu deixei Christian próximo ao centro de Tampa e dirigi até o CT ainda pensativo. Dependendo da avaliação médica de hoje eu poderia voltar a treinar com o resto do time e estaria liberado para voltar no primeiro jogo dos playoffs dali a menos de duas semanas.
— Finalmente a princesa resolveu aparecer – Stan revirou os olhos quando eu cheguei.
— Sinto muito, Stan – suspirei. – Rose teve um pequeno acidente em casa e eu estava resolvendo isso. Aliás vou ter que sair mais cedo pra buscar a Claire.
Era uma versão super resumida, afinal não podia contar a ele que meu amigo de infância ficou louco por eu ter teoricamente roubado a garota que ele acha ser sua namorada e que ele acabou machucando-a.
— A garota está bem? – o treinador perguntou parecendo genuinamente preocupado. Estranho...
— Sim, ela caiu e teve uma luxação no tornozelo – contei. – Mas não foi nada mais grave, ela só não vai conseguir dirigir hoje.
— Tudo bem, então – Stan murmurou voltando a sua postura habitual. – Vai logo se trocar, temos um trabalho pela frente.
Eu passei o treino todo sem sentir dor e meu desempenho melhorou significativamente em relação a semana anterior, principalmente graças aos exercícios que Rose me passou. Quando passei na avaliação, o médico pareceu realmente surpreso com a minha recuperação e me liberou para retornar a campo.
Outra pessoa que também ficou surpresa foi Claire quando me viu na porta da escola. Eu percebi algumas pessoas tirando fotos nossas de longe, mas ignorei enquanto a colocava dentro do carro.
— Pai, o que tá acontecendo? – a garota me olhou desconfiada quando me acomodei no assento do motorista e pus o carro em movimento. – Cadê a Rose?
— Rose caiu depois de te deixar na escola, Claire – expliquei o básico. – Ela machucou o tornozelo.
— Mas ela vai ficar bem? – a garota me olhou preocupada.
— Vai sim – garanti. – Mas você vai deixá-la descansar por hoje, ok?
— Ok.
Lissa já tinha ido embora quando chegamos e Rose parecia ainda estar irritada, já que Kirova me informou que ela estava no quarto e pediu para não ser incomodada. Eu me ocupei em ajudar Claire com a lição de casa, depois fiz o jantar enquanto a menina tomava banho. Quando ela desceu disse que iria cuidar de Rose e resolveu levar ela mesma o jantar. A garota subiu com a bandeja com certa dificuldade, mas conseguiu.
Quando Claire retornou para jantar comigo começou a me sondar sobre o porquê de Rose estar tão triste. Eu disse que ela provavelmente estaria com dor e essa desculpa pareceu ser suficiente para a menina, mas não pude deixar de me preocupar. Ela estava triste? Eu esperava raiva, teimosia, xingamentos, mas não isso. Decidi que era melhor não adiar mais aquilo, mas Claire não me deixou subir, pois Rose teria dito que ia dormir depois de jantar e ela prometeu que nós íamos deixá-la descansar.
Tive que esperar até Claire ir dormir para finalmente seguir para o meu quarto e tentar resolver conversar com a morena. Qual foi minha surpresa ao não encontrá-la lá. Eu segui até o seu antigo quarto e abri a porta com cuidado, encontrando-a adormecida na cama. Ela deve ter tomado algum remédio para dor antes de dormir, pois nem se mexeu quando acendi a luz.
Eu me sentei na cama ao lado dela, observando-a dormir tranquilamente. Olhando assim, Rose nem parecia a garota teimosa e cheia de marra que enfrentei naquela manhã. Quando estávamos em Miami, ela e Claire dormiram juntas logo após a queima de fogos e acabei ficando acordado um bom tempo assistindo-as exatamente como eu fazia agora. Naquele momento eu tive uma grande sensação de completude ao ver minhas duas garotas ali comigo e agora cá estava eu diante da mulher que amo que está com tanta raiva de mim que preferiu dormir em outro quarto. Como as coisas desandaram assim em tão pouco tempo?
Suspirei derrotado e decidi ao menos levá-la para dormir em nossa cama. Eu tirei o edredom que cobria o seu corpo, notando que ela estava dormindo com o pijama preto que eu a vi usando no dia em que o gato me atacou, mas meus olhos acabaram presos em outra coisa que me fez perder momentaneamente o fôlego. Rose estava com uma porção de hematomas que começavam em seu ombro direito e desciam por suas costas, desaparecendo dentro da blusa do pijama e reaparecendo em suas perna até o tornozelo que ainda estava inchado. Na hora que ela caiu na academia eu estava com tanta vontade de matar Ivan que não me atentei no quanto ela havia se machucado.
Foi inevitável recordar de quando Ivan me contou o que o desgraçado do Nathan havia feito com ela. Na ocasião ele disse que o corpo de Rose ficara coberto de machucados por causa das pancada sofridas. É claro que os hematomas que ela tinha agora não deviam chegar nem perto do que ela havia sofrido naquela ocasião, mas não pude deixar de fazer aquela associação e temi que a morena também tivesse feito o mesmo.
Durante minha discussão com Ivan eu vi o quanto Rose ficara amedrontada com a atitude possessiva de meu amigo, porém, ao invés de encerrar aquilo para poupá-la dessa situação, eu acabei provocando-o até que o loiro avançasse sobre mim. Apesar de tudo, tive sorte dos machucados de Rose serem apenas aqueles. Não queria nem imaginar o quanto ela poderia ter se ferido por minha falta de senso.
Enquanto eu ainda estava mortificado, pensando no quanto eu fora imprudente, a morena se remexeu, procurando as cobertas e acabou acordando.
— O que você está fazendo aqui, senhor Belikov? – ela me fitou.
— Não me chame assim, por favor – pedi, sentindo um aperto no peito. – Eu vim te buscar pra dormir na nossa cama.
— Eu estou bem aqui – Rose tentou se virar para o outro lado, puxando o edredon sobre si, mas pude vislumbrar uma pequena careta de dor quando se apoiou sobre o lado machucado o que fez com que me sentisse ainda mais miserável.
— Eu sinto muito, Roza – falei ao vê-la desistir de se virar, se ajeitando de costas sobre o colchão. – Eu não queria que você tivesse se machucado assim. Droga, eu não queria nem ter brigado com Ivan.
— Então por que você o provocou? – a morena me olhou um tanto cansada. – Por que teve de esfregar na cara dele que estávamos juntos sem necessidade?
— Eu não aguentei ficar ouvindo ele falando o quanto era melhor do que eu pra ficar com você – respondi cabisbaixo.
— Isso não é uma competição, Dimitri – ela disse de forma triste. – Nunca foi, na verdade. Ivan nunca teve chances. Nada que ele dissesse iria mudar o fato de que eu te amo.
— Ivan tem razão – respirei fundo ao me lembrar das palavras de meu amigo. Ele disse que eu a magoaria na primeira oportunidade e, pelo jeito, era exatamente o que eu havia feito. – Eu não mereço você.
Não que fosse necessário ele fazer aquelas acusações, pois eu já sabia disso muito bem. A despeito de todos os meus erros, Rose nunca me abandonou e ainda concedeu incontáveis chances para que eu redimisse as minhas burradas. Ela esteve ao meu lado em todos os momentos, me ajudou a me recuperar após a minha lesão, cuidou de minha filha...
— Não são vocês quem decidem isso – Rose suspirou. – Sou eu.
— Eu sei disso. É só que eu sinto como se nunca fizesse a coisa certa. Eu prometi a mim mesmo que iria me esforçar pra te merecer, mas parece que eu faço justamente o oposto.
— Dimitri, eu não estaria com você se não achasse que você merecesse – ela se sentou e arrisquei levantar meus olhos em sua direção. – Você erra como qualquer outro ser humano, mas isso não significa que não seja merecedor de algo.
E novamente ali estava ela abrindo mais uma ínfima brecha para que eu pudesse me redimir, me dando mais uma chance.
— Você tem razão, Roza. Me desculpe. Eu só não soube lidar com a situação, foi mais forte que eu.
— Nós temos que começar a trabalhar esses seus ataques de ciúmes, camarada – a morena deu um pequeno sorriso e não resisti a fechar a pequena distância entre nós, tomando posse de sua boca. Como eu podia ter tanta sorte de tê-la em minha vida?
Seus lábios macios se separaram em boas-vindas enquanto a beijava e passei um braço em volta de sua cintura para puxá-la firmemente contra meu corpo. Ela suspirou contra minha língua, mas não protestou.
Eu me recusei a parar de beijá-la enquanto a pegava em meus braços e a erguia da cama para seguir para nosso quarto. Beijar Rose era incrível, mas eu precisava de mais...
— Você não deveria estar pegando peso – Rose alertou, enlaçando meu pescoço quando comecei a andar.
— Eu recebi alta hoje, graças aos seus cuidados – sorri. – Agora é a minha vez de cuidar de você.
— Você sabe que ainda não foi perdoado, não é? – ela me olhou de forma perspicaz.
— Mas eu vou te dar bons motivos para fazê-lo – pisquei ao fechar a porta do quarto e a pousei suavemente na cama.
Baixei os olhos para admirá-la apoiada em seus braços sobre o colchão, me olhando com certa expectativa, enquanto eu tirava as minhas roupas, ficando apenas de boxer. Eu a estudei com calma, vendo-a morder seu cheio lábio inferior, e odiei vislumbrar novamente aqueles hematomas maculando a pele que eu tanto amo. Teria que ser mais cuidadoso que o habitual.
Eu subi na cama lentamente, distribuindo beijos em seu corpo. Comecei com seu pé enfaixado e fui subindo por sua perna, sentindo sua respiração acelerar. Mordisquei ambas as coxas, afastando-as suavemente, então comecei a empurrar a regata para cima, desnudando sua barriga firme e a senti se contorcer quando a ponta de minha língua mergulhou na depressão de seu umbigo.
Queria ver cada centímetro de seu corpo o quanto antes, mas procurei manter meu toque suave para não lhe causar dor. Ela subiu seus braços para que eu pudesse tirar a parte de cima do pijama e joguei a peça de lado, deixando seus lindos seios à mostra.
— Eu ainda não tive a oportunidade de fazer com você o que prometi na casa do Christian – sussurrei ao seu ouvido, me inclinando sobre ela, mantendo meu peso em meus braços. – Acho que agora é uma ótima oportunidade.
— Meu perdão só depende de você, camarada – Rose riu e voltei a beijá-la profundamente.
Abaixei uma das mãos, curvando a palma em torno de seu seio, circulando o mamilo tenso com o polegar. Ela arqueou as costas para comprimir mais firmemente contra mim enquanto ajustava as pernas para que eu me acomodasse, mas não me demorei ali. Transferi meus lábios para seu rosto, suas maçãs, seu queixo e então desci pelo pescoço, passando minha língua por sua pele acetinada. Rose era macia, tão macia que eu quase perdi a noção do que estava fazendo quando ela soltou um suspiro profundo e trêmulo, movendo os seios em direção a minha mão, me fazendo lembrar do porque eu precisava descer ainda mais.
Ao chegar meu rosto a altura de seus peitos não pude me impedir de admirá-los mais uma vez. Eles eram perfeitos, redondos e cheios, lindamente naturais, e eram a minha perdição.
Eu me obriguei a sair do transe e logo meus lábios envolveram seu mamilo intumescido ao mesmo tempo que meus dentes arranhavam sua pele. Rose soltou um gemido mais profundo e libertei o bico, apenas para lamber a ponta, fazendo a estremecer levemente. Eu corri a língua pela curva do seio dela, depois pelo vale, voltando a atenção para o outro mamilo negligenciado até então.
Assim que minha boca se fechou sobre o pico tenso, meus dedos desceram para seu sexo, me fazendo lembrar que ela ainda estava com as peças inferiores. Mesmo assim, esfreguei a mão pelo fino tecido, sentindo a morena arfar e afastar as pernas ainda mais.
— Você é saborosa em todos os lugares – grunhi ao morder a curva de ambos os seios e enganchei meus dedos no cós do pequeno shorts, arrastando-o para fora de seu corpo junto a calcinha.
Abri suas pernas novamente, expondo seu sexo para mim antes de posicionar suas coxas em meus ombros e levar meu rosto para onde eu mais desejava. Lambi meus lábios enquanto abria suas suaves dobras para mim, localizando aquele pequeno broto e bati levemente minha língua nele. O pequeno arquejar de Rose e a forma como seus quadris empurraram me assegurou que tinha encontrado o ponto certo. Deslizei a língua onde ela necessitava, aplicando um pouco mais de pressão.
Gemidos suaves encheram meus ouvidos e seu gosto delicioso enfraqueceu minha determinação de fazer aquilo de forma lenta. Passei os dedos em torno de suas coxas, segurando-a no lugar para que Rose não pudesse se mexer e desfazer a ligação, mas tomei cuidado para não machucá-la. Selei os lábios ao redor da área minúscula, pressionando com força, e a suguei.
O som surpreso que ela fez deveria ter me feito abrandar, mas estava muito decidido pelo seu aroma. Ela era tudo de bom e eu chupei, lambi e rosnei de prazer quando as mãos dela se emaranharam em meus cabelos.
Eu puxei o broto carnudo com a boca e deslizei a língua em seu clitóris sem misericórdia em um movimento ascendente, deixando-a louca.
— Dimitri – ela arfou com os olhos fechados e rosto quase selvagem. – Oh, sim. Deus. Não pare.
Eu não ia. Nada poderia manter-me longe dela naquele preciso instante. Seu gosto me enlouquecia, meu membro estava duro como pedra e o desejo de tomá-la crescia mais forte a cada segundo que passava. Os dedos dela seguravam meus cabelos e ela respirou alto. Seu clitóris estava inchado e eu sabia que ela estava prestes a gozar. Eu apliquei mais pressão com a língua, esfregando furiosamente contra o local e tive de agarrar seus quadris em vez de suas coxas quando ela começou a resistir quase escapando de minhas carícias de forma inconsciente. Eu a pressionei para baixo, prendendo-a debaixo de mim e ataquei-a com a ponta da língua mais uma vez. Rose gozou contendo seu grito com uma mão e apreciei cada tremor de seu corpo enquanto desacelerava minhas lambidas, degustando a forma que o prazer a inundou.
— Você tem o sabor do paraíso – falei estudando suas feições coradas. Seus lábios estavam entreabertos, os olhos fechados e o suor brilhando sobre sua testa e pescoço. Rose estava tão atraente, a cena mais sensual eu já tinha contemplado.
Seus belos olhos se abriram e ela olhou para mim, o olhar de uma mulher ainda no auge da paixão. Eu me sentia ávido por me enterrar nela e tirei minha cueca prontamente, não lhe dando tempo suficiente para se recuperar. A necessidade de estar dentro dela era muito forte. Eu a espalhei aberta o suficiente para posicionar meus quadris. A ponta de meu membro roçou a pele lisa de sua entrada molhada e eu empurrei, abrindo-a. Como sempre ela estava apertada e deliciosamente quente, e precisei cerrar os dentes para conter um rugido quando adentrei em seu acolhedor interior. Eu a penetrei com cuidado, deslizando um centímetro de cada vez, até que a enchi completamente. Fiquei ali parado por um momento, sentindo os músculos dentro dela ainda trêmulos e ouvindo os ruídos suaves de satisfação que ela fazia. Rose envolveu meus quadris com as pernas e apreciei o ajuste apertado de nossos corpos. Era simplesmente celestial.
Retirei minha ereção até quase deixar completamente seu corpo, amando a forma como seu núcleo parecia agarrar-se a mim, resistindo em me libertar. Deixei apenas a cabeça dentro dela e num movimento rápido enterrei-me profundamente mais uma vez. Seus lábios se separaram e Rose gemeu um pouco mais alto, me fazendo abafar o som com minha boca. Voltei a me retirar lentamente, impulsionando para frente rapidamente, e mantive esse ritmo constante até que sua respiração ficou agitada.
Rose soltou suspiros pesados, suas unhas cravando na pele de minhas costas, e precisei silenciar meu próprio rugido em seus lábios quando a ligeira dor transformou-se em satisfação ao saber que ela me marcou. Conforme eu bombeava dentro e fora dela, minha respiração começou a aumentar e o suor cobriu minha pele. Eu lutava contra meu próprio prazer para me concentrar apenas no dela.
— Nada é tão bom como estar em você – confessei. – Você é tão macia, úmida e apertada.
Acelerei os movimentos de vai e vem de meus quadris, comprimindo-a contra o colchão enquanto segurava meu orgasmo. Rose era muito apertada e aquilo era poderoso demais.
— Você é meu Céu – rosnei entre meus dentes cerrados. Se o Céu fosse um lugar na Terra, Rose com certeza seria esse lugar para mim.
Os olhos dela se fecharam e sua cabeça inclinou para trás me permitindo lamber e beijar seu pescoço. Suas pernas se apertaram mais em torno de meus quadris e a sensação de seus calcanhares escavando minha bunda me estimulou a ir num ritmo mais rápido. O atrito entre o meu eixo rígido e os seus músculos internos me apertando quase dolorosamente estava me levando para perto da insanidade.
— Dimitri, por favor – ela implorou. – Oh merda. Puta que pariu...
Eu sabia exatamente o que ela sentia e o que queria dizer. Eu queria me perder nela, enchê-la com minha semente e possuí-la para sempre. Era uma necessidade quase animal.
Eu tomei sua boca em um beijo possessivo logo antes de seu canal tremer e se fechar em torno de seu membro. Ela parou de respirar por segundos, segurando o ar nos pulmões, os olhos fechados enquanto jogava a cabeça para trás. Eu a assisti morder fortemente seu lábio inferior para conter o grito provocado por seu orgasmo e isso era tudo o que faltava para quebrar meu controle. Eu me perdi totalmente nela quando meu próprio prazer me atingiu. Eu a penetrei até que esvaziei tudo o que tinha dentro dela. Êxtase quente queimava meu corpo indo direto para meu cérebro.
Levei algum tempo para me recuperar. Não tinha certeza se meros segundos se passaram ou se foram minutos conforme eu inalava o seu cheiro, sabendo que era o meu favorito. Eu puxei meu peso de cima dela, me apoiando nos braços e estudei seu rosto relaxado, esperando os olhos de Rose se abrirem. Não pude conter um sorriso pelo modo como ela me olhou. Ela parecia feliz e saciada.
— Então, eu fui perdoado? – perguntei de forma presunçosa.
— Quase...
— Quase? O que mais você precisa para se convencer? – ergui a sobrancelha de forma questionadora.
— Você pode fazer mais um pouco disso e quem sabe eu posso começar a considerar – ela sorriu maliciosamente e não pude deixar de rir antes de levar meus lábios aos dela.
Apesar de ter acabado de gozar e ainda estar entre suas pernas, o contato com sua boca me causou arrepios na espinha quando ela partiu os lábios, permitindo o toque suave de sua língua na minha. Se continuasse por aquele caminho eu acabaria tendo uma nova ereção sem sair dela e acabaria tomando-a novamente, mas o fato dela ter soltado um pequeno ganido quando toquei seu ombro direito com mais força me fez cair na realidade.
— Eu te machuquei? – fiquei consternado ao pensar que talvez não fora tão delicado quanto deveria.
— Não, camarada – ela me olhou de forma afetuosa. – Aliás, você foi um ótimo analgésico. Acho que até posso te perdoar um pouquinho por isso.
Eu sai dela com delicadeza e me pus ao seu lado esquerdo, puxando seu corpo sobre o meu de forma que seus hematomas não tocassem o colchão e a abracei com cuidado
— Tem certeza que não quer tomar nenhum remédio? – perguntei ainda preocupado.
— Sim, eu estou bem assim – Rose se aninhou em meu peito, fechando os olhos.
— Achei que você disse que estava bem no outro quarto – não resisti a provocar.
— E estava, apesar de lá ser um pouquinho frio – ela disse teimosamente entre um pequeno bocejo. – Eu só aceitei vir pra cá porque o cobertor daqui é melhor.
Comecei a rir de seu comentário, mas não respondi para deixá-la descansar. Não demorou muito para eu sentir o corpo da pequena relaxar e sua respiração ficar mais suave.
Apesar do dia cheio, eu não consegui me entregar ao sono também, dedicando um longo tempo para observar Rose banhada pela luz da lua que estava bem clara naquela noite. Eu havia esquecido de fechar as cortinas, mas nem ousei me mexer para não despertá-la novamente.
Eu poderia ficar acordado a noite toda velando seu sono só para ouvi-la respirar. Aquela mulher sem dúvida era meu pequeno paraíso e eu precisava realmente me esforçar para fazê-la feliz. Rose é minha. Ela escolheu ser minha e eu precisava mantê-la. Ela era meu céu na Terra contido dentro de um pequeno corpo feminino.
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