The Big Play

15 Capítulo 15 – Rock And Roll All Nite


Notas iniciais
Sem recadinhos por hoje. Vamos ao capítulo ;)

You keep on saying you'll be mine for a while

You're looking fancy and I like your styleand

You drive us wild, we'll drive you crazy

And you show us everything you've got

Uh baby, baby that's quite a lotand

You drive us wild, we'll drive you crazy

Kiss

Ficar presa com o russo na mansão por quase três dias foi algo muito esquisito. Tínhamos bons momentos juntos, nos quais conversávamos e até brincávamos um com o outro, mas toda vez que o assunto descambava para algo mais íntimo Dimitri literalmente fugia de mim e passava as horas seguintes isolado em algum canto.

Tudo bem que ele também tinha que trabalhar, mas o jeito abrupto com que interrompia todas as nossas conversas começou a me fazer acreditar que talvez meu patrão sofria de algum distúrbio de dupla personalidade. Eu, hein!

A verdade é que Dimitri era um total mistério em minha cabeça. Ele não deixa eu me aproximar, mas também não sabia ficar longe. Como eu posso lidar com algo assim? Eu poderia lidar com um patrão totalmente ausente e distante ou eu poderia lidar com um patrão que fosse mais amigável, mas o russo nem chegava a ser um meio termo entre as duas coisas. Em um momento estávamos rindo juntos e em outro ele parecia não suportar ficar no mesmo cômodo que eu.

Pelo menos o sábado chegou e com ele o fim daquele furacão. Um maravilho sol despontou no céu logo cedo demonstrando que a tempestade enfim se fora nos livrando daquela clausura.

Desde o anúncio do furacão, meu pai me fazia ligar todos os dias para lhe dizer que estava bem. Ele sempre ficava neurótico quando isso acontecia e ameaçava me colocar em um jatinho direto para a Pensilvânia.

Eu vinha fazendo minhas chamadas de vídeo trancada em meu quarto para que Abe não visse o lugar onde eu agora morava e isso acabasse despertando perguntas às quais eu não queria responder, porém resolvi aproveitar o fim de tarde lindo para fazer a chamada do lado de fora. Assim ele acreditaria que eu estava em um parque ou coisa do tipo e veria que o perigo enfim se fora.

Enquanto andava pelo jardim em busca de um lugar adequado, passei por uma porta de vidro que dava acesso a uma das infinitas salas daquela casa e fui imediatamente capturada por uma imagem divina. O russo estava totalmente a vontade deitado em um dos sofás lendo algum dos livros de velho oeste que ele tanto gostava.

Ele estava tão distraído que não me notou ali parada e, Deus... Ele estava lindo demais. Era raro encontrá-lo em um momento assim, totalmente com a guarda baixa, e sem dúvida era uma bela visão. Dimitri usava jeans escuros e um suéter azul marinho e seu foco estava no livro. Tive a vontade irracional de me esgueirar para cima dele e ficar deitada sobre seu peito aproveitando daquela paz que ele transmitia nesse momento.

Mas que droga, Rose! Qual é o seu problema?

Estava literalmente espionando o homem e fantasiando com ele. O que o russo pensaria se olhasse para o lado e visse a babá pervertida que colocou dentro da sua casa parada na porta quase babando por ele?

Esse pensamento me colocou em movimento e segui meu caminho me xingando mentalmente enquanto andava até um dos bancos.

Após conversar um tempo com meu pai e dar um "oi" para Janine, retornei para dentro da casa evitando deliberadamente o caminho que me colocaria frente à tentação.

Na verdade não vi mais nenhum sinal de Dimitri pelas horas seguintes e também não fiquei procurando. Ivan havia comentado que hoje ocorreria a despedida de solteiro do Adrian e presumi que o russo também iria, já que era primo do noivo, apesar de não ter me avisado nada. Não que ele me devesse qualquer satisfação da sua vida.

Resolvi assistir algum filme aleatório na sala após me empanturrar com o resto do macarrão ao pesto que Dimitri havia feito para o almoço. Eu gostaria de ter saído para encontrar Liss, mas ela estava realmente ocupada no hospital, o que me deixou bem chateada. A temporada de jogos enfim começaria no fim de semana seguinte e eu sabia que dificilmente teria mais noites de sábado livres.

Estar sozinha naquela casa enorme era algo realmente irritante. O silêncio sepulcral era quase ensurdecedor e, sem mais nada o que fazer, resolvi tomar um banho e me deitei um pouco mais cedo que de costume com Capitão Willy, o gato de Claire, enroscado nas minhas pernas. Fiquei por algum tempo conversando com o pessoal do grupo da faculdade pelo celular e mal notei que tinha adormecido até ser acordada com o som estridente do aparelho tocando em meio a escuridão. Eu tateei em busca dele enquanto o gato reclamava por ter sido acordado.

— Você não é o único que está puto por aqui, amiguinho – murmurei ao olhar para a tela do celular. Por que diabos Ivan está me ligando às três da madrugada?

— É bom você estar morto ou prestes a morrer, Ivan – rosnei ao atender.

— Rose – ouvi a voz alta e embriagada do loiro e revirei os olhos. Era só o que faltava. – Você não vai acreditar no que aconteceu.

— O apocalipse? – perguntei irritada me sentando na cama. O gato ainda me olhava mal humorado até que resolveu começar a se lamber.

— Eu e Dimitri – ele riu. – Nós acabamos bebendo demais.

— Sério? Nem deu pra notar... – murmurei. – E o que eu tenho a ver com isso, Ivan?

— O barman confiscou a chave do carro e não temos como ir embora – ele declarou ainda rindo e ouvi algumas vozes femininas ao fundo. Além de tudo estavam acompanhados? Eu vou matar esses dois.

— Simples, peçam carona a alguém.

— A festa acabou. São todos um bando de dominados que foram correndo pra casa quando as mulheres ligaram. Graças a Deus meu amigo está solteiro pra ficar aqui comigo.

— Então peguem um táxi – revirei os olhos.

— Dimitri não quer deixar o Mustang pra trás e disse que você pode dirigi-lo – o loiro riu. – É verdade que você roubou o carro dele?

— Aonde vocês estão? – ignorei o comentário e me levantei a procura de alguma roupa enquanto ele me falava o nome do bar no centro de Tampa.

Eu chamei um táxi assim que desligamos e quase uma hora mais tarde estava descendo na frente do bar. Segui para dentro, ignorando os olhares dos homens sobre mim, e vasculhei o lugar em busca dos dois babacas. O que Dimitri tem na cabeça para beber a esse ponto? Ele sabe que Claire vai estar em casa amanhã de manhã.

Quando finalmente os encontrei escorados no balcão do bar, meu sangue ferveu. Ivan estava abraçado com uma ruiva sem graça e Dimitri tinha uma morena pendurada em seu pescoço. Os quatro ainda estavam bebendo e rindo alto, totalmente alheios à minha presença.

As mãos de Dimitri estavam na garota em um lugar totalmente inapropriado e ela não parecia se importar nem um pouco. Vadia barata. Minha vontade era chegar ali e arrastar os dois bêbados idiotas pelas orelhas até o carro, e talvez eu realmente fizesse isso...

— Por que quando duas pessoas vão casar é sempre o homem que se ajoelha e pede? – ouvi a piranha grudada no russo questionar em uma voz totalmente embargada pela bebida. Ótimo, já estão no nível de conversar sobre casamento? Que horas eles decidem ir para Vegas trocar alianças? – Vocês tem algum tipo de orgulho masculino ou algo do tipo?

— Olha, eu não sei quanto ao Dimitri, mas se alguma mulher se ajoelhar na minha frente, eu não me emociono. Eu já abro o zíper – Ivan declarou rindo e Dimitri o acompanhou na risada. Ridículos...

— O que isso quer dizer? – a morena tapada perguntou.

— É melhor você não saber – declarei parando na frente dos dois, sendo avaliada pela garota com uma carranca.

— Rose – Ivan gritou animado. – O que você faz aqui?

— Você me chamou, Ivan – revirei os olhos, evitando deliberadamente olhar na direção do russo cuja acompanhante pareceu se esfregar mais nele com a minha chegada.

— Então foi por isso que encerramos a conta duas vezes?

— Provavelmente – soltei de forma exasperada. É sério que vou ter que aguentar isso até chegar em casa? – Cadê a chave do carro?

— Então você é definitivamente a minha salvadora – o loiro soltou a garota ao seu lado e me abraçou, quase caindo no processo.

— Cadê as chaves? – repeti a pergunta dessa vez para Dimitri. Ele me observava atentamente, piscando abobado algumas vezes, como se eu fosse uma miragem ou algo do tipo, e não me respondeu. Com certeza ele pensa que está alucinando.

— Dimitri – chamei sua atenção estalando os dedos na frente de seus olhos ainda com Ivan escorado em mim. – Cadê a porra das chaves?

— Quem é ela? – a morena perguntou baixo em seu ouvido. Talvez ele me respondesse mais rápido se eu pegasse aquela vadia pelos cabelos e esfregasse a cara dela no balcão.

— Você veio buscar eles? – um barman se aproximou e comecei a tentar me livrar do abraço de Ivan.

— Infelizmente – respondi ao empurrar o loiro para cima da ruiva. – Ivan, por que você não volta a abraçar sua amiga?

— Você sabe dirigir? – o rapaz perguntou procurando algo sob o balcão.

— Sim – suspirei ainda sentindo o olhar de Dimitri sobre mim. – Você está com as chaves do carro?

— Aqui estão – ele jogou-as para mim. – E fala pra esse porra do Ivan que da próxima vez ele deve vir de táxi.

— Obrigada – murmurei e me voltei a eles. – Ei, nós estamos saindo agora.

— Por quê? – Ivan questionou alegremente. – Temos que tomar a saidera.

— Nada de saidera. Agora levantem suas bundas daí.

— Pra onde vamos? – a ruiva perguntou animada.

— Vocês duas eu não faço a mínima ideia – revirei os olhos, já bastava ter de lidar com os dois panacas. – Eu vou levar apenas eles.

— Mas nós estamos com eles – a morena devolveu se enrolando ainda mais em Dimitri. Eu vou definitivamente matar essa mulher.

— Ei, dois idiotas – gritei para eles enquanto o barman me observava com diversão. Minha irritação devia estar bem óbvia. – Vocês me tiraram da cama às três da manhã, então ou vocês dois vem comigo agora ou eu vou pegar o maldito carro e vou pra casa e vocês que se danem pra voltar depois.

— Pedindo com tanto amor, eu vou pra qualquer lugar que você quiser me levar, Rose – Ivan declarou dando um rápido beijo no rosto da garota e passando o braço pelo meu ombro. – Não precisa pedir duas vezes.

— Ok – finalmente uma palavra saiu da boca do russo, me fazendo receber um olhar nada agradável da piranha que estava ao seu lado. – Vamos embora.

Eu marchei para fora do bar em direção ao estacionamento com os dois me seguindo, um apoiado no outro, e abri o carro.

— O que você pensa que está fazendo? – segurei Dimitri que se moveu em direção a porta do motorista. – Fique satisfeito por eu não te mandar para o banco de trás, camarada.

Não que ele realmente fosse caber ali. Mal deu para o Ivan que se deitou no banco de trás assim que entrou no carro. Acho que essa era a única forma dele se encaixar ali. Dimitri entrou no lado do passageiro e bateu a porta com força.

O caminho até a casa de Ivan foi uma tortura. Ele não parou de falar um minuto, contando detalhes da noite incrível que eles tiveram e o quanto ele ficou decepcionado por Adrian não ter deixado ele contratar umas strippers. Quando parei na porta do prédio, o loiro não conseguia se levantar do banco do carro para descer, precisando da ajuda do porteiro para isso. Eu estava prestes a jogar os dois para fora e voltar para Pensilvânia dirigindo aquele carro incrível.

Pelo menos o caminho até em casa foi um pouco mais silencioso. Assim que chegamos, Dimitri mal deu tempo para que eu estacionasse direito e saiu do carro em direção à entrada da casa, cambaleando pelo caminho.

Será que enfim iria me livrar dele e voltar para a minha cama? Já passava e muito das cinco da manhã e meu humor realmente estava péssimo. Pelo menos seria minha folga no dia seguinte e iria dormir até mais tarde.

Eu o segui para dentro da casa e o vi tomar o caminho da sala. O que esse russo bêbado pensa que está fazendo?

— Ei – eu disse indo atrás dele. – Esse não é o caminho para o seu quarto.

— E aí gatinho! – Dimitri falou de forma enrolada, se abaixando para pegar Capitão Willy que veio nos recepcionar e se levantou logo em seguida com o bicho no colo, o que foi um grande erro, já que ele caiu reto para trás. O infeliz só não teve nenhuma lesão porque eu estava no meio do caminho e impedi que caísse de costas no chão de uma vez. Só que com certeza eu iria ficar com algum roxo na perna pela forma como eu caí embaixo dele. Eu definitivamente vou matá-lo.

— Acho que eu vou ficar por aqui – o russo declarou, se aninhando no chão para dormir, usando minhas pernas de apoio para sua cabeça.

— Ah, mas não vai mesmo. Você vai para o seu quarto, dormir na sua cama.

— Eu não sabia que você era minha mãe. Que eu saiba eu te contratei para ser babá da Claire. Eu não preciso de uma babá. – Cravei as unhas em seu braço e comecei a puxá-lo para se levantar.

— Então pare de agir como uma criança birrenta. Você quer que a Claire te encontre amanhã nesse estado? – lentamente ele começou a colaborar e consegui colocá-lo em pé novamente.

— Eu só queria dormir na sala... – Dimitri pediu conforme o arrastava para a escada. Definitivamente eu não ganho o suficiente para isso.

— Você vai pra porra do seu quarto – falei subido os primeiros degraus da escada, de forma que acabei quase da altura dele.

— Você não deveria falar palavrões – ele riu se endireitando de repente e se aproximando de mim para se apoiar em meus ombros. O russo me puxou ainda mais para perto e eu congelei enquanto ele se inclinava, aproximando sua boca de meu ouvido. – É falta de educação.

Eu poderia ter perdido totalmente a minha sanidade apenas com essas palavras sussurradas com o sotaque acentuado pela embriaguês, se Dimitri não tivesse tropeçado no degrau em seguida e quase caído em cima de mim de novo, me lembrando do quanto estava bêbado.

— Eu não costumo ser tão educada quando me acordam de madrugada – devolvi apoiando-o para subir a escada. Por que tem que ser tão pesado?

— Talvez devêssemos trabalhar isso – ele declarou rindo.

— Ou talvez devesse me deixar dormir a noite toda – revirei os olhos. – Acho que essa seria a melhor solução.

— E qual é a graça disso? – o russo me deu um rápido olhar levantando uma sobrancelha enquanto eu o guiava até a porta de seu quarto.

— E o que você planeja? Vai passar a me acordar toda madrugada até que eu comece a levantar de bom humor? Te garanto que não vai funcionar.

O porquê de eu ainda estar tentando manter uma conversa com um bêbado era uma incógnita. Eu devia simplesmente mandá-lo calar a boca e jogar ele porta a dentro, mas não tive coragem e acabei entrando junto.

— Eu poderia te ajudar a melhorar seu humor de outra forma – Dimitri insinuou.

O que ele quis dizer com isso? Será que ele estava se propondo a fazer o que eu achava que estava?

Acorda, Rose! O cara tá mais louco que o Batman!

Deus, eu preciso impedir minha mente de começar a fantasiar. Provavelmente havia entendido errado.

Nós estávamos parados em meio ao quarto dele e era um cômodo extremamente amplo e sóbrio – ao contrário do dono –, totalmente decorado em tons pastéis. Eu nunca tinha estado ali antes e nunca esperara estar, principalmente nessas circunstâncias.

Eu o soltei para fazê-lo ir até a cama, mas tive de voltar a segurá-lo logo em seguida, pois o homem quase desabou no chão. Talvez ele precise de um banho gelado ou vai acabar fazendo um grande estrago naqueles lençóis branquíssimos.

Sim, definitivamente é a melhor forma de acabar com a bebedeira. Isso sempre funcionou comigo.

Guiei Dimitri para um pequeno corredor com duas portas abrindo a primeira apenas para dar de cara com um closet enorme. Eu poderia ficar impressionada com a quantidade de roupas que ele tinha, mas estava concentrada demais em manter aquele russo de quase dois metros em pé, então logo segui para a porta seguinte, entrando em um banheiro mais incrível que o quarto.

O cômodo seguia na mesma tonalidade do anterior, com uma bancada espaçosa com duas pias que pegava praticamente uma parede inteira, uma banheira maravilhosa ao fundo que ficava em um patamar elevado próximo as janelas e um box enorme com uma ducha bem parecida com a que estava presente no meu próprio quarto, com a diferença que havia também pequenas saídas de água na parede que provavelmente serviam para fazer uma bela massagem nas costas.

Deixei Dimitri apoiado a uma parede ao lado do box e abri a porta de vidro para acionar a ducha. Por algum milagre o russo resolveu finalmente ficar quieto enquanto eu ponderava se deveria ou não tirar a roupa dele. Cheguei a conclusão que não faria mal tirar pelo menos a camisa e os sapatos. Seria totalmente estranho jogar ele embaixo da ducha todo vestido.

Eu me aproximei e comecei a abrir seus botões e vi seu olhar passar de confuso a divertido.

— Você não deveria me levar pra jantar primeiro? – Dimitri perguntou rindo.

Eu poderia socar esse russo, eu com certeza o faria a qualquer instante. Eu deveria estar na minha cama sonhando com um ótimo dia na praia e não aqui passando raiva e tendo que aguentar essas piadas.

Se fosse em outra situação, eu adoraria abrir cada um daqueles botões talvez desferindo beijos em seu peitoral. Aliás eu tinha certeza que o que estava acontecendo agora iria me assombrar em outro momento, mas nesse preciso instante, isso só me deixava mais irritada.

Meu humor piorou ainda mais ao retirar totalmente a camisa dele e ver todos os arranhões e chupões que se espalhavam por aquele corpo perfeito, provavelmente obra da vadia do bar.

— É melhor você ficar de boca bem fechada – ameacei ao ajudá-lo a tirar os sapatos e as meias.

— Nós estamos tirando a roupa agora? – Dimitri comentou abrindo a calça e se livrando dela em um movimento desajeitado.

Por que esse homem está fazendo isso comigo? Que droga! Ele conseguia ser ainda mais gostoso do que eu imaginava dentro daquela cueca boxer preta. E, por Deus, o que era aquele volume todo ali? Não queria nem pensar a que tamanho aquilo chegava quando ele ficava realmente animado.

Antes que eu pudesse admirá-lo por mais tempo percebi que ele estava enganchando as mãos no elástico da cueca para tirá-la também.

— Não! – eu praticamente gritei segurando os punhos dele e o empurrando para baixo da ducha. — Esse é o limite, camarada.

— Mas... – Dimitri parecia realmente confuso enquanto a água escorria por aquele corpo delicioso. – É estranho tomar banho de cueca.

— Não me importo com o que você acha estranho. A cueca fica!

Tudo o que eu não precisava era dessa imagem estampada na minha mente quando eu o encontrasse amanhã. Já seria bem difícil lidar com a minha própria imaginação depois do que eu já tinha visto.

— Isso arde – ele reclamou quando a água gelada entrou em contato com os arranhões espalhados por seu peitoral. Ele tinha marcas de batom até aonde eu não achei ser possível.

— Eu espero que sim – falei irritada, pegando uma esponja e esfregando com raiva aquelas manchas e acabando por piorar alguns dos arranhões.

— Ela estava animada – o russo declarou rindo e tive de me segurar para não dar um soco no meio daquela boca linda.

— Eu não quero saber o que você fez com aquela garota – retruquei.

— E eu não planejo te contar o que eu fiz com ela na parede dos fundos da pista de dança – ele disse de forma sugestiva com a sobrancelha erguida. Espera, ele realmente fez isso?

— Você transou com a garota no meio do bar? – perguntei elevando a voz. Até ontem eu achava que ele era a própria imagem de um celibatário, mas com certeza errei feio. E por que eu tenho que saber disso?

— Nos fundos, na verdade – Dimitri me corrigiu como se fosse a coisa mais normal do mundo. – Eu estava lá, ela estava lá. O que mais eu poderia fazer?

— Não transar com ela! – exclamei. – É fácil. Está vendo? Nós estamos aqui e não estamos transando agora.

— Infelizmente – ele murmurou antes de começar a rir novamente. – Mas podemos mudar isso.

— Só em sonhos, camarada – acabei rindo também. – Nesse estado você nunca conseguiria fazer coisa alguma.

— Isso é um desafio? – seu olhar se tornou um pouco mais firme e o russo pegou meu braço, me trazendo para próximo de seu corpo, me molhando um pouco. – Eu acho que foi.

Senti meu corpo estremecer e minha respiração se acelerou um pouco. O que ele está pensando? É claro que ele não está pensando, Rose. Ele está completamente bêbado, sua trouxa!

— E eu acho que é hora de você dormir – me desprendi dele usando todo meu auto controle e saí daquele box após fechar a água sem demonstrar o quanto aquilo tinha me afetado.

Apenas ouvi sua risada atrás de mim, então peguei uma toalha que estava num suporte e taquei na cara dele. Esperava que estivesse sóbrio o suficiente para se secar sozinho, já que eu não podia confiar em mim o suficiente para isso.

— Eu não acho – Dimitri riu tirando a toalha do rosto e se esfregando com ela quando saí do banheiro, ficando de costas para ele. – A não ser que você queira me acompanhar.

— Eu vou acabar chutando a sua bunda russa até a cama, isso sim – ameacei.

Ele me seguiu instantes depois ainda um pouco cambaleante com a toalha presa na cintura e vislumbrei a cueca molhada largada no chão do banheiro. Ainda bem que saí dali a tempo.

— Isso tudo é culpa sua, sabe... – o russo murmurou seguindo em direção a cama.

— O quê? – perguntei surpresa, observando-o se sentar. Como diabos isso pode ser culpa minha?

— Sua culpa – ele continuou começando a descambar para um lado e ajudei-o a puxar as pernas para cima do colchão. – Você sabe disso.

— Eu sei? – Do que diabos esse doido está falando?

— Sim, você sabe – Dimitri se aninhou no travesseiro e fechou os olhos, entrando em um sono profundo instantaneamente. Eu o observei por algum tempo ainda confusa com tudo aquilo, então decidi deixá-lo dormir e voltar para meu quarto.

Caí na cama com a mesma roupa, mesmo que um pouco úmida, e adormeci imediatamente. Definitivamente eu não pretendia sair dali tão cedo. Ou pelo menos era o que eu pensava até sentir pequenas mãos me balançarem.

— Rose? – a voz de Claire me trouxe de volta a consciência.

— Qual é – resmunguei me virando na cama e colocando um travesseiro em cima da cabeça. – É meu dia de folga, me deixa dormir.

— Rose – a menina insistiu em me chamar. – Eu tô com fome.

Tateei minha calça em busca do celular que ficara em meu bolso e abri um olho para olhar a tela. Puta que pariu! Eu só dormi umas duas horas. Eu definitivamente vou matar alguém e com certeza essa pessoa tem um sotaque russo.

— Cadê o seu pai? – perguntei voltando a enfiar o travesseiro na cara, apesar de já imaginar a resposta.

— Ele está dormindo – Claire suspirou. – Eu já o chamei de todas as formas, mas ele não acorda.

— Você já tentou jogar um balde d'água nele? – sugeri cerrando mais os olhos. Quem sabe ela me esquece se eu continuar ali deitada...

— Eu posso? – a voz dela soou quase esperançosa.

— Não, não pode – joguei o travesseiro longe para poder olhá-la. Apesar de estar muito tentada a deixar, eu achei melhor não arriscar meu emprego tanto assim.

— Mas eu estou com muita fome. Minha mãe abriu a porta pra mim e disse que estava atrasada.

— Tá bom... Eu só vou me trocar – disse me sentando na cama completamente irritadiça. Não tem jeito. Eu não vou dormir mais hoje.

Após enfiar a primeira roupa que vi, peguei Claire e a arrastei para uma lanchonete próxima. Nem a pau eu ia preparar qualquer coisa naquele estado. A menina ia se entupir de ovos e bacon e qualquer gordice que quisesse e ai de algum russo que viesse reclamar.

Depois de alimentada, Claire estava com uma energia incrível, aumentando ainda mais meu mau humor. Nós seguimos diretamente para a casa e quando entramos, encontramos Dimitri na cozinha. Percebi que ele estava com uma ressaca daquelas pela careta de dor que fez assim que a menina entrou berrando e pulando para um abraço.

— Pai!

Ótimo. Espero que sofra.

— Bom dia, minha linda – ele deu um sorriso fraco antes de olhar em minha direção. – Aonde vocês foram?

— Atrás de comida – resmunguei, recebendo um olhar surpreso de Dimitri o que aumentou a minha irritação a um nível tal que eu me surpreendi por um aviso de alerta não ter começado a piscar. Ele realmente esqueceu de ontem?

— Você dormiu bem, Rose? – o russo teve a cara de pau de perguntar com uma expressão preocupada.

— Eu teria dormido melhor se dois idiotas não tivessem me ligado no meio da madrugada – respondi abrindo a geladeira a procura de qualquer coisa e bati a porta logo em seguida sem encontrar nada interessante. Minha vontade mesmo era bater na cabeça de Dimitri com uma panela.

— Quem te ligou de madrugada? – Claire questionou ainda no colo do pai.

— Dois babacas que beberam demais ontem a noite numa certa despedida de solteiro e não tinham condições de dirigir de volta pra casa – respondi à ela me aproximando, mas olhando diretamente para Dimitri. – Eles acharam que seria uma boa ideia ligar pra mim às três da madrugada para ir buscá-los.

O russo devolveu o olhar surpreso, praguejando na sua língua materna logo em seguida.

— Você tem amigos estranhos – Claire riu.

— Pois é – respondi cruzando os braços sem desviar os olhos dele. Hoje não estava a fim de fazer nenhuma piada, é?— Amigos estranhos que não conseguem nem tomar banho sozinhos depois.

O olhar do russo se tornou ainda mais espantado, enquanto ele parecia ter perdido a capacidade de falar em qualquer língua que fosse.

— Realmente isso é esquisito – a menina comentou. – Até eu consigo tomar banho sozinha.

— Ah sim... Mas pelo o que ele me contou – continuei encarando-o totalmente zangada – ele é ótimo na pista de dança. Mais especificamente na parede dos fundos.

A espanto de Dimitri foi substituído por mortificação total. Ele desviou o olhar do meu rapidamente e colocou a garota no chão.

— Claire – ele chamou a atenção da filha, deliberadamente me evitando. – Por que não fazemos algo só nós dois hoje? É a folga da Rose e ela claramente precisa descansar.

— Podemos assistir um filme? – a garota pediu animada.

Minha mente imediatamente começou a trabalhar em uma vingança. Como ele mesmo me falou uma vez, eu sempre encontro as maneiras mais criativas de puni-lo e é exatamente isso que farei hoje.

— Ótimo – dei meu melhor sorriso em direção a Claire. – Vamos todos assistir a um filme.

— Achei que você iria querer descansar – o russo declarou parecendo esperançoso.

Ah, camarada, você não vai se livrar de mim tão fácil. Eu tenho planos pra você e sua ressaca maldita.

— Que tal assistirmos "O estranho mundo de Jack"? – sugeri ainda sorrindo. – Sei que você adorou esse filme com todas aquelas músicas.

— Eba! – a garota gritou antes de correr para a sala, arrancando uma careta de dor do pai. Eu gostei de ver aquilo. Gostei muito.

— Rose – Dimitri segurou meu braço quando fiz menção de ir atrás de Claire. Eu estava repensando seriamente a possibilidade de acertá-lo com uma panela. – Acho que precisamos conversar.

— Ah, você quer conversar – soltei com um sorriso claramente falso. – Então vamos conversar. Vamos começar falando sobre como estou com um enorme hematoma na perna porque você caiu por cima de mim.

Ele arregalou os olhos.

— Rose, eu...

— Não, melhor ainda – ergui um dedo para indicar que ele parasse de falar. – Você vai começar me explicando como exatamente eu sou culpada pelo seu estado de ontem.

— Como? – ele perguntou com um olhar confuso.

— Você me disse que eu era culpada pelo seu estado – esclareci. – Aliás, você estava bem falante. Quer mesmo que eu repita tudo o que você me disse?

— Pai, Rose, vocês não vêm? – Claire gritou do outro cômodo.

— Acho melhor nós conversarmos depois – o russo balbuciou antes de sair o mais rapidamente possível da cozinha.

Respirei fundo e fui atrás dele rumo à sala. Dimitri se esticou no sofá, enquanto Claire estava sentada ao seu lado. Peguei o controle da mão da garota e me esparramei no tapete.

— Pode deixar que eu coloco, Claire. Eu sei o quanto você gosta desse filme – sorri ao selecionar o desenho e aumentei o volume o máximo que eu podia, dando uma rápida olhada para o russo que me encarava de forma incrédula e dei meu melhor sorriso. – Tudo fica mais interessante com o volume alto, não acha, camarada? Ainda mais um filme com tantas canções.

— Eu adoro as músicas – Claire bateu palmas animada.

— Então vamos cantar cada uma delas, não é, Claire? – sorri ao ver Dimitri fechar os olhos com força.

Sem dúvida a vingança é algo delicioso.

Notas finais
"A cueca fica!" kkkkkkkkkkkk Sinceramente esse é um dos nossos capítulos favoritos. Nós duas lemos e relemos muito antes de postar e estávamos ansiosas por isso. Um grande beijo! Luene e Nikka