The Big Play
10 Capítulo 10 – Livin' On The Edge
Something right with the world today
And everybody knows it's wrong
But we can tell them no or we can let it go
But I would rather be hanging on
We're livin on the edge (You can't help yourself from fallin')
Aerosmith
Dimitri's POV
Eu acordei no outro dia me sentindo um verdadeiro idiota. Não acredito que eu tinha agido como um adolescente cheio de hormônios e me masturbado pensando na babá da minha filha.
Onde você está com a cabeça, Dimitri?
Enrolei o máximo que pude em meu quarto, tentando me preparar para encontrá-la naquela manhã. Era domingo e estaríamos o dia todo sozinhos em casa até Tasha trazer Claire de volta. Eu precisava controlar meus anseios ou aquela história não acabaria bem. Mesmo se Rose quisesse o mesmo que eu, algo do qual ela não me deu a mínima indicação, eu com certeza arruinaria a melhor coisa que já havia acontecido na vida de Claire nos últimos tempos.
Rose era atenciosa e preocupada com minha filha e eu não podia estragar isso apenas por uma boa transa. Claire precisava ter uma constante. Ela precisava ter alguém ao seu lado que cuidasse dela direito como a morena estava fazendo e não seria eu que tiraria isso dela.
Então, após me xingar e condenar o suficiente e acreditando que meu auto controle havia sido reposto, desci para tomar café da manhã.
Ao passar pelo quarto de Rose vi que a porta estava aberta, mas ela não estava lá. Apenas o gato espalhado na cama dela. Qual é o problema desses bichos com o quarto dela? Será que eles se sentiam sempre tão tentados quanto eu a se enfiar ali? Não começa, Dimitri!
Logo que percebeu minha presença ali, o gato se levantou e correu em minha direção ronronando. Esse definitivamente é melhor que o outro, pelo menos. Eu o peguei no colo e segui meu caminho até a cozinha.
Pensei que encontraria Rose lá como ontem, mas a casa estava silenciosa. Será que ela saiu? Será que me preocupei à toa?
Coloquei o bichano no chão e este continuou a me encarar enquanto eu me servia de algumas torradas. Comi calmamente até sentir a bola de pelos se esfregar nas minhas pernas. Pensei que talvez estivesse pedindo algo e fui até a geladeira para pegar um pouco de leite, porém, ele saiu correndo em direção à sala antes que o servisse. Eu o segui com minha caneca de café em mãos, curioso para saber aonde iria.
Acabei na sala adjacente à do piano, na qual me deparei com Rose sentada no chão, de costas para mim. Ela tinha aberto a porta que dava para os fundos e estava em meio a várias peças de algum tipo de móvel estranho ao passo que lia alguma coisa. O gato imediatamente correu para o meio da bagunça.
— Ei, você acordou – Rose acariciou sua cabeça e voltou a se concentrar no papel.
Eu me apoiei na bancada que separava ambas as salas e continuei tomando meu café enquanto a observava. Ela usava um short jeans e uma regata branca e estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo. Estava simplesmente linda mesmo sem toda a produção da noite anterior. Não tinha como negar: Rose era naturalmente bela e a melhor visão para se ter pela manhã.
Ao menos de uma coisa meus atos da noite anterior serviram. Eu estava conseguindo observá-la sem me sentir completamente fora do controle. Acho que aquilo foi suficiente para trazer um pouco de juízo à minha mente e para aliviar meu corpo.
— Que droga – ela exclamou procurando uma das peças. – Isso aqui é o quê? Um manual de invocação ao demônio? Qual é o problema de se escrever em inglês?
— Rose, eu não tenho problema nenhum se você for uma adoradora de satã – comentei sobressaltando-a. Ela realmente não tinha me percebido ali. – Mas se você for invocar o demônio, eu prefiro que você não faça na minha casa.
— Bom dia – Rose murmurou ao se virar para me olhar, parecendo um pouco sem graça.
— O que você está fazendo? – perguntei deixando minha caneca em cima da bancada e seguindo até o lugar que ela estava.
— Eu estou tentando montar essa coisa do gato – a morena apontou para as peças espalhadas a sua volta. – Mas o manual está escrito em latim.
— Latim?
Sentei-me ao seu lado e peguei o manual de suas mãos para tentar entender por que alguém escreveria algo em latim.
Segurei o riso assim que coloquei os olhos sobre o papel, notando que estava escrito em russo. Ela realmente não sabe diferenciar latim de russo?
A morena começou a brincar com o gato enquanto eu continuava a ler o guia.
— Eu vou te ajudar com isso – falei pegando a primeira peça indicada.
— E você entende latim?
— Não – dessa vez não segurei a gargalhada. – Mas é uma boa coisa que o manual esteja em russo e não em latim.
— Isso é russo??? – Rose parecia chocada.
— Sim, isso é russo. Encaixe aquelas peças ali – indiquei um conjunto que estava ao lado dela enquanto terminava de montar outra parte. Eu realmente estava me divertindo com seu espanto. – Suponho que você não saiba falar nada além de inglês.
— Aí é que você se engana – ela me devolveu de forma desafiadora. – Eu sei falar turco.
— Turco? – perguntei curioso. Por que ela saberia falar turco? É uma língua bem incomum.
— O Mazur em meu nome não lhe diz nada? – Rose sorriu me passando as peças que havia juntado e terminei de montar a base da torre, de acordo com as instruções.
— Você por acaso é turca? Por que se for, não tem sotaque nenhum – comentei sem deixar de avaliá-la. Ela realmente tinha alguns traços, como a cor da pele, olhos e cabelos escuros. Ela parecia uma princesa do deserto.
— Mãe escocesa, pai turco, filha americana – ela explicou. – Mas meu pai fez questão de me ensinar turco. Dizia que era a nossa língua secreta já que a minha mãe nunca aprendeu.
Sorri diante dessa ideia. Eu deveria ter feito isso com Claire. Se bem que ela entenderia todos os palavrões que eu falo.
— E pelo jeito você é mais parecida com seu pai também – observei após passar algumas instruções para continuarmos montando o pequeno parque de diversões felino.
— Pois é. A única coisa que puxei de Janine foi a altura, mas não me importaria de ter herdado também os cabelos ruivos – a morena deu de ombros. – Fazer o quê, a gente trabalha com o que tem, não é mesmo, camarada?
Ergui minha sobrancelha diante do apelidinho que ela mais uma vez insistiu em usar, mas calei a resposta que me ocorreu. Para mim ela era perfeita do jeito que era. Não podia negar que aquela mistura exótica havia dado um ótimo resultado.
— Desculpe por isso – Rose tratou logo de se retratar, parecendo encabulada. Aparentemente havia soltado aquilo sem querer.
— Tudo bem. Mas saiba que os russos não gostam que os chamem assim – a repreendi com certo divertimento. Particularmente não me incomodava que usasse aquela alcunha, mas precisava manter certa compostura diante dela.
— Achei que todos vocês se tratassem dessa forma desde a época da RSSR – a morena devolveu em tom de provocação e não tive como não rir.
— Na verdade é URSS – corrigi. – Acho que alguém aqui andou faltando nas aulas de história.
— Não achei que elas eram importantes pra consertar ossos – ela deu de ombros.
— Consertar ossos? – questionei sem entender após montar o último patamar da torre e voltei a me sentar no chão ao seu lado.
— É nisso que meu pai diz que sou formada – Rose riu com a lembrança, mas senti seu olhar um pouco distante.
— Você deve sentir falta de sua família – comentei ao me lembrar que na noite anterior ela havia falado que morava na Pensilvânia antes de vir estudar aqui em Tampa. Provavelmente os pais dela ainda estavam por lá.
— Um pouco, mas com o tempo você vai se habituando.
— E por que você veio para tão longe? Pelo que disse ontem tinha a possibilidade de estudar em Lehigh, mas não quis.
A morena me olhou de forma espantada, talvez por eu realmente ter prestado atenção no que ela me disse. Posso não ter sido o interlocutor mais receptivo e educado nesse ponto de nossa conversa naquela noite, pois estava mais interessado em descobrir a respeito do sua ligação com Jill Dragomir, mas eu não deixava de estar ouvindo o que me dizia.
— Eu e Liss sempre tivemos vontade de morar perto da praia desde pequenas e a Flórida tinha se tornado uma obsessão para nós. Então, quando a oportunidade surgiu, não pensamos duas vezes – contou, por fim, justo quando tive a impressão de ter ouvido a porta principal se abrir. – Só que tive que...
— Pai! – Claire gritou da entrada da sala, interrompendo Rose, e pulou em cima de mim assim que me alcançou. Eu a abracei fortemente, estava morto de saudades da minha garotinha.
Mas, foi então que me ocorreu algo. Como ela entrou? Kirova está de folga hoje.
A resposta estava bem à porta da sala. Tasha estava ali parada observando tudo como se fosse dona do local. O que ela não era mais e parecia não querer entender.
— Como vocês entraram? – perguntei antes mesmo de cumprimentá-la, soltando Claire e me levantando do chão.
— Eu realmente preciso conversar com Olena sobre a sua educação, Dimka – ela sorriu como se não tivesse feito nada, então disparou seu olhar para a morena que também se ergueu ao meu lado. – Bom dia, Rose.
— Bom Dia, Tasha – Rose parecia sem graça enquanto abraçava Claire que correu até ela.
— Como vocês entraram, Tasha? – repeti a pergunta sentindo que poderia perder a paciência a qualquer minuto.
— Com a chave – ela deu de ombros. – Como mais eu entraria?
— Tocando a campainha, como qualquer outra pessoa – respondi tentando me segurar. – Você não mora mais aqui, portanto vai me devolver essa chave agora.
— Isso é ridículo, Dimka – ela riu de forma debochada e fechei os olhos por alguns segundos para conter a exasperação. – Minha filha mora aqui, eu tenho o direito de ter uma chave.
— Claire, talvez seja melhor a gente ir no seu quarto pra tomar um banho e trocar de roupa? O que me diz? – Rose disse se focando em minha filha que parecia assustada. Ela provavelmente queria tirar a menina do meio da discussão e a agradeci mentalmente por isso.
Só então notei que Claire usava um vestido rosa com flores e um laço combinando na cabeça. Ela deve estar odiando isso. Tasha tem essa mania de tentar vesti-la como uma boneca, não importa o quanto ela deteste.
— Não é necessário, Rose – Tasha interviu sem perceber que o único propósito da morena era preservar nossa filha. – Eu dei banho nela e a troquei antes de vir. Ela pode ficar assim.
Eu estava me controlando para não começar uma briga na frente da minha filha e da babá. Por que ela tem que ser tão difícil?
— Mas mãe... – Claire reclamou.
— Não discuta comigo, Claire – minha ex a interrompeu de forma autoritária. – E o que em nome de Deus é aquela coisa?
Ela apontou para o gato que acabara de entrar na sala e correra até Claire que o pegou no colo. Ótimo, mais essa agora.
— Rose, leve a Claire para o quarto e tira essa roupa dela – ordenei.
A morena apenas assentiu e saiu imediatamente com a menina e o bichano.
— Qual é o seu problema? – Tasha se alterou assim que as duas saíram da sala.
— Eu quero a chave, Tasha. Agora.
— Eu tenho o direito a ter uma chave.
— Não, você não tem direito a nada aqui, apenas a ver Claire. Você não é mais dona dessa casa.
— Eu não acredito que você trocou o presente que eu dei pra minha filha. Você não tinha esse direito, Dimitri – ela começou a gritar.
— Aquele presente que você deu pra nossa filha me atacou. E se ele resolvesse atacá-la também? – acabei elevando meu tom de voz igualmente.
— Aposto que isso foi ideia daquela babá – Tasha rosnou. – Ela deixou bem claro que não gostou do gato.
— O quê? Como Rose veio parar nessa história? – soltei confuso. Tudo bem que fora ela mesma quem deu um jeito no bicho, mas só porque eu pedi.
— Você agora fica aí de conversinha e risadinha com ela pelos cantos e a mulher já vai decidindo o bicho de estimação que a minha filha vai ter.
— Ela se livrou do gato por ordens minhas, Tasha – expliquei sem necessidade, então estendi a mão. – E não fuja do assunto. Pela última vez, eu quero as chaves da minha casa.
— Então uma empregada tem mais valor do que a mãe da sua filha? – Tasha soou magoada. De onde ela tirou isso? Ela não está fazendo sentido algum. – Ela pode ter uma chave e eu não?
— Tasha, Rose mora aqui, você não – tentei abaixar meu tom de voz, para que Rose e Claire não ouvissem o conteúdo dessa discussão. – Ou você me devolve as chaves agora, ou eu vou trocar todas as fechaduras da casa.
Ela me olhou de forma irada, mas não respondeu, limitando-se a apenas arrancar uma chave do chaveiro e jogar em mim, saindo em seguida.
Respirei fundo assim que ouvi a porta sendo batida, buscando me acalmar. Como o dia tinha começado tão bem e logo se transformou daquele jeito?
Quando senti que estava bem o suficiente, subi para o quarto de Claire e a vi deitada no chão de bruços ao lado de Rose brincando com o gato. Ela agora vestia suas roupas habituais e ambas estavam mergulhadas numa discussão sobre o nome que dariam ao bichinho. Fiquei profundamente grato à morena por ter distraído minha filha. Claire já havia sofrido o suficiente com minhas brigas com Tasha no passado por conta de seus ciúmes e não merecia continuar passando por isso.
— Ele precisa ter um nome de um pirata famoso – a menina disse quando Rose sugeriu chamá-lo simplesmente de "Gato". Segurei uma risada diante disso. – Para impor respeito.
— Que tal Barba Ruiva? – sugeri, me fazendo ser notado e me agachando perto delas. Por outro lado a morena se sentou, me privando de ver seu traseiro perfeito para o alto enquanto estava deitava no chão.
— Ele não tem barba, pai – Claire argumentou revirando os olhos.
— Você não sabe se ele não vai ter porque ainda é um filhote – brinquei.
— Mas ainda assim ele não é ruivo – minha filha observou me fazendo rir.
— É, nesse ponto você tem razão – comentei voltando a olhar para a mulher que nos observava com um pequeno sorriso. – Rose, é seu dia de folga. Pode deixar que eu assumo daqui.
Só então percebi que estávamos sobrecarregando a pobre coitada. Rose quase não teria fins de semanas livres à partir do próximo mês e precisava deixar que ela aproveitasse enquanto pudesse. Porém, ao invés de parecer agradecida, ela me lançou um olhar esquisito como se tivesse se magoado com algo que eu disse e balbuciou uma despedida antes de se levantar e sair do quarto.
Eu, hein, quem entende as mulheres?
Apenas vi Rose novamente próximo a hora do jantar. Eu estava sentado à bancada enfim lendo o livro que comprara enquanto aguardava a lasanha assar e ela entrou na cozinha, me lançando um rápido cumprimento.
Reparei que usava uma saída de praia estampada e tinha os cabelos um pouco desalinhados. Aparentemente ela passou o dia junto ao mar.
Evitando bravamente imaginar como ela ficaria em um biquíni e se ela havia soltado a parte de cima para bronzear as costas, ensaiei uma forma de convidá-la para jantar conosco, mas acabei me acovardando e perdi a chance de falar quando Rose saiu da cozinha após pegar uma garrafa de água na geladeira.
Eu realmente fiquei preocupado com o fato dela não estar comendo direito e com certeza não haveria nada de anormal em tê-la jantando comigo e Claire já que ela vivia conosco, mas, ao mesmo tempo, não sabia se minha sanidade se manteria intacta com aquele nível de intimidade. Levando-se em conta o quanto minha imaginação poderia ser fértil no que versava àquela mulher, eu provavelmente deveria manter o mínimo de distância.
— Pai – Claire veio até mim e me mostrou uma folha de papel. – Acho que vocês deviam tentar essa formação no próximo treino.
Minha filha, ao invés de fazer desenhos fofinhos como toda criança normal faria, costumava desenhar formações táticas de jogadas. Juro que teve uma vez que ela sugeriu uma que eu realmente acabei usando em um jogo, mas ainda assim não achava que era uma atitude normal para alguém dessa idade, então tentei sugerir alguma atividade que fosse condizente.
— Já cansou de brincar com o gatinho?
— Ele está dormindo dentro do piano – ela deu de ombros e olhou para o forno. – O que é isso?
— Lasanha de berinjela.
— Parece boa. Será que a Rose iria gostar? – Claire perguntou e isso me deu uma ideia.
— Não sei. Por que não pergunta pra ela?
— Eu posso chamá-la pra jantar com a gente? – o olhar de minha filha se iluminou.
— Se você quiser...
Claire saiu pulando da cozinha na mesma hora e me senti satisfeito por ela ter feito exatamente o que eu queria. Por mais que quisesse evitar Rose, não podia deixá-la se alimentando tão mal. E pelo menos assim não iria ficar tão estranho como seria se fosse eu fazendo o convite.
A morena apareceu sendo arrastada por minha filha minutos mais tarde e logo nos sentamos à bancada para comer. Eu achava a sala de jantar que Tasha decorara muito pomposa com aquela mesa com uma infinidade de lugares e preferia fazer as refeições por ali mesmo.
Depois de alguns minutos de constrangimento, Claire começou a puxar novamente o assunto do nome do gato e quando vimos estávamos mais uma vez absortos naquela discussão.
— Que tal Jack Sparrow? – Rose sugeriu e imediatamente olhei para Claire. Eu sabia de sua aversão ao personagem de Johnny Depp.
— Não gosto dele – a menina respondeu mal humorada.
— Mas por quê? – a morena questionou. – Ele é pirata e o mais famoso.
— Ele é um bobão – Claire devolveu e segurei uma risada. – Um pirata tem que ser mais respeitável.
— Lembro de um filme que tinha um pirata chamado Willy Caolho – comentei ao me recordar de quando eu e Ivan assistíamos "Os Goonies" sem parar em nossa infância. Sempre sonhávamos em viver uma aventura como a daqueles garotos.
— Willy Caolho é um bom nome de pirata – Rose sorriu. Ela finalmente parece ter se esquecido de seu estranho mau humor.
— O gatinho não é caolho – Claire revirou os olhos e dessa vez não tive como não rir.
— Mas o Willy Caolho era capitão de um navio cheio de tesouros o qual ele escondeu e depois plantou várias armadilhas em volta para que ninguém o roubasse – expliquei já pensando em sugerir a Rose que assistisse esse filme com Claire um dia desses. Certamente minha filha iria adorar.
— Hmmm, pelo menos ele parece ser esperto – a menina afastou o prato já vazio e apoiou o braço sobre a bancada, encostando a mão no queixo pensativa. – Que tal Capitão Willy?
— Acho que Capitão Willy é uma boa – ponderei.
— Esse gato não tem cara de capitão – Rose falou olhando para o bicho que estava largado no chão abaixo da banqueta de Claire se lambendo. – Eu ainda acho que Gato é o melhor nome.
— Não, será Capitão Willy – Claire decidiu e pulou para o chão, pegando o bichano no colo antes de sair correndo. – Vem Capitão Willy, vamos brincar no seu navio.
Rose e eu ficamos sozinhos na cozinha e comecei a recolher os pratos e talheres. A morena não ficou muito atrás e colocou o resto da lasanha em um pote, guardando-o na geladeira, então trouxe a assadeira suja para a pia.
— Deixa que eu faço isso – ela se ofereceu para lavar a louça.
— Não precisa, é sua folga.
— Mas você já cozinhou para nós e não me custa nada – Rose deu de ombros.
— Então eu lavo e você enxuga, ok? – acabei sugerindo e executamos a tarefa em um silêncio confortável até que me lembrei de como a morena havia dado um jeito de distrair Claire durante minha discussão com Tasha.
— Obrigado pelo que fez mais cedo – falei ao lhe entregar um prato.
— O quê? Por montar o brinquedo do gato? Eu não teria conseguido sem você, na verdade – ela deu um pequeno sorriso e voltei a sentir aquele formigamento conhecido na base de minha nuca, o que me obrigou a desviar o olhar.
— Na realidade eu me referia ao que fez depois. Por afastar Claire de Tasha e eu.
— Ah, isso... Bem, não foi nada – Rose parecia sem graça.
— Eu fico feliz de ver que vocês duas estão se dando bem. É bom saber que ela pode contar com alguém – acabei confessando com um excesso de sinceridade que eu não costumava ter com ninguém.
— Mas ela pode contar com você também – ela franziu a testa e tive a vontade irracional de passar os dedos para desfazer uma ruguinha que havia se formado ali.
— Isso não conta muito – respondi voltando a me concentrar em minha tarefa. – É só que às vezes eu a acho muito solitária. Mal a vejo interagindo com outras crianças
— Não acho que seja assim – a morena disse pegando alguns talheres de minhas mãos. – Claire sempre está conversando e brincando com as outras crianças quando a busco no colégio.
— Mas por que nunca vejo as amigas a chamarem para nada? Creio que seria normal nessa idade ela ir a festinhas e dormir na casa delas de vez em quando.
— Talvez isso aconteça porque os pais das crianças não tem contato com você ou por elas nunca terem vindo aqui – Rose sugeriu. Aquilo realmente fazia sentido e nunca havia me passado pela cabeça.
— Acho que você pode ter razão.
— Aprenda uma coisa, Dimitri. Eu sempre tenho razão – ela brincou ao pendurar o pano de prato no suporte e pegar os talheres secos para guardar na gaveta. – Eu poderia organizar uma reunião aqui para as crianças um dia desses. Quem sabe na próximo sábado?
— Você faria isso? – questionei, olhando-a com admiração, após colocar os pratos no armário.
— Sim. E, se você autorizar, posso pedir pra Karp vir nesse dia e preparar alguns lanches.
— Claro que sim! Tem o meu aval para fazer o que achar melhor – sorri para ela.
— Ok, então. Vou correr atrás disso durante semana – Rose sorriu de volta para mim antes de se dirigir para a porta da cozinha e parar ali. – Ah, obrigada pelo jantar.
— Não há de que – respondi de forma automática, mas a chamei antes que se afastasse. – Rose, se quiser venha jantar conosco mais vezes.
Dessa vez ela me lançou um sorriso completo e acenou antes de desaparecer no corredor, me deixando bastante afetado para trás. Imediatamente a imagem dela na noite anterior naquele vestido minúsculo me veio à mente e tive que lutar para afastar essa lembrança para ir atrás de Claire na sala.
O resto da semana se passou em uma relativa calma. Rose passou a jantar comigo e Claire e, apesar de sua presença ainda mexer um pouco comigo, começava a me habituar a tê-la tão próxima.
Ela realmente organizou tudo para uma festa na piscina no sábado e minha filha não parava de falar como estava feliz em receber seus amiguinhos. Eu não pude deixar de notar o "os" definindo o gênero naquela palavra, mas imagino que não tem problema haver um ou dois meninos no meio. De qualquer forma, queria ficar de olho naquilo e acabei totalmente impaciente quando vi o treino daquele dia durar mais do que devia.
— Está apressado, Belikov – Mikhail Tanner me chamou assim que bati meu armário e me dirigia para a saída do vestiário. – Ia te convidar para bebermos uma.
O jogador era meu Tight End¹ e um dos poucos veteranos ainda no time. O Bucs havia renovado quase todo seu quadro nos últimos cinco anos e eu não tinha do que reclamar já que havia formado uma equipe realmente forte.
— Sinto muito, minha filha está recebendo os amiguinhos em casa e quero estar lá pra ver isso. Por que você não vai comigo? Podemos beber algo enquanto ficamos de olho na molecada.
— Não é má ideia. A Sonya vai estar lá? – ele perguntou com um brilho de interesse nos olhos.
— Sim, mas você trate de ficar longe da minha cozinheira – ameacei e Mikhail riu antes de começar a me seguir para o estacionamento.
Ele havia almoçado algumas vezes em minha casa durante nossas férias e percebi que houve uma certa atração mútua entre os dois. Sinceramente eu acho que formariam um bom casal. Sonya Karp é uma pessoa muito boa e Mikhail é extremamente focado e leal. Não é à toa que confio totalmente minha proteção à ele em muitas de nossas jogadas.
— Mas então você conseguiu convencer Claire a interagir com crianças da idade dela ao invés de jogadores com mais de cento e vinte quilos? – ele questionou com divertimento.
— Na verdade foi obra da nova babá – expliquei.
— Pelo jeito ela anda operando milagres.
— Às vezes acho que sim – ri antes de entrar na Range Rover. Mikhail pegou o carro dele e me seguiu até em casa.
Logo que cheguei à garagem consegui ouvir o som de música e gritos de crianças ao longe.
— Pelo jeito a festinha está animada – meu amigo comentou ao sair de seu carro, o qual estacionou atrás do de Rose. Realmente a algazarra estava maior do que eu imaginava, então resolvi seguir para o quintal dos fundos antes mesmo de oferecer uma cerveja para ele.
Assim que a piscina entrou em meu ângulo de visão eu estaquei onde estava. O que por Deus estava acontecendo na minha casa?
Havia pelo menos umas dez crianças correndo e pulando ao redor e dentro da água, sendo que avistei apenas duas meninas além de Claire. Duas. Meninas. O resto eram garotos.
O que Rose tinha na cabeça em permitir algo assim? E por que ela estava sentada em uma espreguiçadeira com dois adolescentes à volta dela?
— Rose! – literalmente rosnei.
Ela pulou em pé ao me ouvir e veio em minha direção. Estava usando um biquíni marrom, sendo que a parte de baixo estava coberta por um minúsculo shorts branco e seus cabelos estavam levemente úmidos, deixando-a com uma aparência quase selvagem. Com certeza eu teria ficado excitado com essa visão no mesmo segundo se não estivesse tão irritado com tudo o mais que estava acontecendo ali.
— Hey! Você demorou – Rose disse sorrindo. – Daqui a pouco já é hora das crianças irem embora.
— O que significa isso? – perguntei no tom mais controlado que consegui.
— Ué, é a festa que nós estávamos planejando a semana inteira – ela respondeu me olhando de forma confusa.
— Não, definitivamente isso não era o que eu tinha em mente. O que esse monte de pirralhos estão fazendo aqui?
No mesmo instante avistei Claire à beira da piscina com um garoto segurando sua mão e depois ambos pularam juntos na água. Eu definitivamente ia matar aquele menino.
— São os amigos da Claire – Rose devolveu como se fosse a coisa mais óbvia.
— São meninos, Rose.
— Isso mesmo. Claire tem amigos meninos também.
Qual o problema dela? Por que ela agia como se fosse algo natural?
— Quando eu disse que ela precisava interagir mais com crianças eu quis dizer meninas, Rose. Meninas! – acabei soltando um pouco mais alto o que chamou a atenção de alguns dos garotos que estavam mais próximos e eles se afastaram de fininho. É bom que tenham medo mesmo.
— Dimitri, sua filha adora futebol americano, detesta princesas e abomina qualquer tipo de boneca – Rose enumerou. – É meio óbvio que ela teria amizade mais com meninos do que com meninas. E isso é completamente normal. Eu mesma sempre tive mais amigos homens do que mulheres.
Ah, mas disso eu não tinha a menor dúvida.
— E o que são aqueles dois moleques que estavam conversando com você? – respirei fundo para não gritar.
— São os irmãos da Kate e do Dave – ela apontou para as crianças sobre quem estava falando. –Eles foram super gentis em se oferecer pra me ajudar a ficar de olho na pivetada quando vieram trazer os caçulas.
Pela forma como eles estavam secando a bunda de Rose enquanto ela falava comigo, eu duvidava muito que sua oferta havia sido apenas bondade.
— Eu quero que você ponha um fim nisso imediatamente – ordenei começando a sentir um leve latejar em minhas têmporas.
— Mas...
— Rose – Sonya Karp chamou a atenção da morena, interrompendo-a. – Os primeiros pais já vieram buscar as crianças.
— Com licença – a morena se apressou em se afastar.
— E aí, Sonya. Precisa de alguma ajuda lá dentro? – Mikhail falou atrás de mim. Eu havia me esquecido completamente de sua presença ali.
— Está tudo sob controle , mas se você quiser sobraram alguns lanches – a cozinheira ofereceu e logo os dois seguiram em direção à cozinha me deixando em meio àquele caos.
Aproximei-me da piscina para procurar Claire e a vi brincando de jogar água em dois outros garotos. Antes que eu pudesse mover um músculo para chegar mais próximo a ela, o menino que havia segurado a sua mão se aproximou de mim.
— Senhor Belikov, você poderia autografar o meu boné? – o rapazinho me estendeu o objeto com o símbolo do Buccaneers e uma caneta com os olhos esperançosos.
Respirei fundo para não começar a soltar alguma ameaça sobre ele. É só uma criança, Dimitri. Só uma criança.
Peguei o boné para assinar meu nome, entregando-o de volta ao garoto na sequência que saiu saltitando. Decidi que era melhor entrar em casa e aguardar que Rose terminasse de resolver a desordem. Pelo jeito ela já havia despachado três das crianças.
Quando passei pelos dois adolescentes que agora estavam parados à beira da piscina não pude me impedir de ouvir sua conversa.
— ... gostosa demais, cara – um deles falou. – Eu juro que se eu tivesse no lugar do Belikov não deixava ela sair da minha cama.
— Nem me fala, você viu aqueles peitos? Com certeza eu me perderia no meio deles – o outro devolveu e senti meu sangue ferver instantaneamente. Com que direito eles falavam assim de Rose?
— E aquela boquinha? Puta pariu, o que eu não daria pra sentir ela no meu...
Não deixei ele concluir aquela maldita frase. Empurrei ambos os moleques atrevidos de roupa e tudo na piscina para ver se conseguiam controlar seus hormônios super estimulados. Eles se levantaram após algumas braçadas e olharam em minha direção de forma irada, mas congelaram assim que me viram.
— Peguem os seus irmãos e deem o fora daqui. Agora mesmo – exigi antes de virar as costas e marchar para dentro de casa e me trancar no escritório.
Onde eu estava com a cabeça de deixar Rose organizar aquilo da forma como bem entendesse? Aquela mulher é completamente maluca!
Só que esta era a primeira e a última vez que isso acontecia. Assim que a morena terminasse do organizar aquela balbúrdia que causou em minha casa eu iria demiti-la. Não podia deixar que ela ficasse ao lado de Claire, está na cara que ela é uma péssima influência. Não tem um pingo de responsabilidade. Onde já se viu ficar de conversinha com dois adolescentes com a sexualidade à flor da pele e ainda por cima deixar minha filha interagindo com moleques?
Eu sei que eu não poderia evitar que ela tivesse contato com garotos pelo resto da vida, mas Deus sabe que eu ia tentar. Pelo menos até ela completar trinta anos. Claire era a minha garotinha, o único homem que devia existir na sua vida era eu.
Após quase meia hora percebi que enfim a música foi desligada do lado de fora e o som das crianças não era mais audível. Dei uma olhada pela janela e vi apenas Sonya e Mikhail recolhendo alguns pratos e copos das mesas próximas à piscina.
Merda! Novamente tinha me esquecido do meu amigo. Apesar de aparentemente ele não parecer estar ligando muito, já que conversava animadamente com minha cozinheira, fui até ele levando duas garrafas de cerveja a fim de me redimir.
Sonya informou que Rose havia levado Claire para um banho e comentou que iria embora após dar um jeito na bagunça da cozinha. Obviamente Mikhail se ofereceu para levá-la quando terminasse e ficamos bebendo ali fora enquanto aguardávamos Karp. Assim que os dois se fossem eu também ia dar um jeito em outra bagunça que estava tomando conta da minha vida. Eu não era obrigado a aturar isso. Já era hora de dar um jeito nessa situação.
— Você não devia ficar tão nervoso assim – meu Tight End comentou após vários minutos em que estive em silêncio, ponderando sobre o que faria a seguir. – Sabe, não tem nada de mais a Claire ter amigos meninos. Nessa idade eles não têm a mesma maldade que nós.
Olhei-o enviesado e me limitei a tomar um gole de cerveja.
— E Rose tem razão. É meio que óbvio ela ter mais amizade com os garotos do que com meninas pelos gostos dela.
— O dia que você for pai de uma menina você repensa esses conselhos – falei de má vontade.
— Pode até ser, mas você realmente viu a cara de felicidade dela? – Mikhail perguntou. – Enquanto você estava sabe-se lá onde, Claire veio correndo me contar sobre tudo o que eles fizeram hoje. E ela não me perguntou nem uma vez sobre o novo esquema tático do Stan.
Pensando bem, ele até que tinha razão nesse ponto. Ao me recordar da imagem de Claire brincando na piscina com as outras crianças o seu semblante era de total alegria. Será que eu estava exagerando?
— Talvez você esteja um pouco certo – acabei admitindo a contra gosto voltando a beber de minha garrafa.
Algum tempo depois vi Sonya saindo da cozinha e vindo em nossa direção. Mikhail estendeu a mão para me cumprimentar e me levantei para poder me despedir.
— Não tome nenhuma decisão de cabeça quente, meu amigo – ele disse como se estivesse lendo minhas intenções. – E acho que você precisa refletir sobre algo. Você realmente teve essa reação apenas por causa da Claire, ou talvez o fato de Rose estar rodeada por aqueles adolescentes tenha te descompensado um pouco?
O quê?
— Estou pronta – Sonya anunciou ao parar ao nosso lado e Mikhail tratou de passar um braço por seus ombros e a arrastar para longe de mim antes que eu recuperasse a minha capacidade de falar.
Ele estava completamente maluco ou o quê? É claro que meu incomodo era apenas por causa de Claire. Rose só é a babá infernalmente tentadora e encrenqueira que eu botei dentro do minha casa apenas para me atormentar. O que ela faz ou deixa de fazer sobre si mesma não é problema meu. Eu só empurrei aqueles dois moleques na água porque eles estavam sendo totalmente desrespeitosos, só isso.
Entrei na casa determinado a ter uma séria conversa com a morena. Começava a repensar a ideia de demiti-la, mas com certeza não podia deixar o que aconteceu aqui hoje passar em branco.
Só que, mal entrei na sala do piano, Claire apareceu correndo e agarrou minha cintura. Ela estava de banho tomado e parecia reluzir felicidade.
— Obrigada por ter deixado meus amigos virem aqui, pai! – disse de forma totalmente animada. – Foi o melhor dia de todos.
Por um instante me senti desarmado e não soube o que responder, mas minha filha não parecia precisar que eu lhe dissesse qualquer coisa, pois me puxou para que eu me sentasse no sofá, pulando em meu colo para contar todas as brincadeiras que Rose havia preparado para eles na piscina.
Ao final do relato de Claire eu já estava me sentindo um verdadeiro imbecil por minha irritação de mais cedo. É claro que minha filha ainda não tinha maturidade para ver os meninos de sua idade como algo mais do que apenas amigos. Além disso, todas as atividades que a morena preparara eram totalmente inocentes e minha filha estava simplesmente em êxtase. Sua felicidade era quase contagiante.
Eu acabei pedindo pizza para o jantar, mas estranhamente Rose não apareceu, mesmo após Claire ir chamá-la duas vezes. Para não tentar alarmar minha filha de que algo poderia estar errado, falei que ela provavelmente estaria cansada.
Logo depois de comermos, pus a menina na cama, pois estava caindo de sono, e imediatamente me dirigi à porta da morena. Ela abriu após minha segunda batida e ficamos numa situação um pouco esquisita em meio ao corredor, já que ela não me convidou para entrar em seu quarto e eu mesmo não tive coragem de pedir isso.
— Eu só queria saber por que você não quis jantar conosco – acabei soltando, uma vez que havia sido eu que batera à sua porta.
— Não achei que seria adequado – Rose devolveu sem graça e olhou para o chão, aparentemente buscando palavras. – Olha, Dimitri, me desculpa se eu entendi errado. Eu realmente não achei que haveria problemas em chamar os meninos, não sabia que você iria ficar tão nervoso com isso.
— Rose, eu... – tentei interrompê-la, mas ela continuou falando.
— Enfim, eu sinto muito mesmo e entendo se você achar melhor que eu vá embora...
— O quê? Não! – cortei-a. – Rose, na verdade sou eu que te devo desculpas pela minha atitude. Eu estava irritado com algumas coisas que aconteceram no treino e acabei descontando em você.
Foi a melhor desculpa que eu consegui inventar na hora para não confessar que eu realmente estava sendo infantil o suficiente para sentir ciúmes de minha filha de sete anos. E talvez de alguém mais...
— Sério? – ela devolveu meio incrédula, franzindo o cenho. Provavelmente não havia se convencido de minha justificativa. Nem eu mesmo acreditaria. – Eu pensei que...Bom... Deixa pra lá.
— Eu deixei alguns pedaços de pizza pra você – comentei antes que ela conseguisse pensar em algo para falar a respeito. – Por que não desce para comer?
— Ah... – Rose ainda estava um pouco perdida. A pobre estava preparada para ser demitida e, de repente, recebe um pedido de desculpas tão esfarrapado. Com certeza eu não fazia o menor sentido para ela naquele instante. – Então vou lá. Obrigada.
Ela deu um pequeno sorriso apesar de parecer completamente desconfortável e rumou em direção à escada. Fui para meu quarto logo após e fechei a porta, me escorando com as costas nela. Bati a nuca algumas vezes na madeira.
Idiota! Você quase afugentou uma das melhores coisas que havia acontecido naquela casa nos últimos tempos. Você nunca mais vai achar outra babá igual a ela.
Pelo menos eu conseguira contornar a situação antes que o estrago realmente fosse feito.
Buscando me acalmar, troquei de roupa e caí na cama a fim de ler as últimas páginas do romance de Patrick DeWitt. Porém, a imagem inoportuna de Rose naquele biquíni marrom não parava de retornar à minha mente e mais uma vez voltei a sentir aquela maldita ereção voltar a se manifestar. Iria ser uma longa noite.
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¹O Tight End (TE) é uma posição ofensiva do Futebol americano e às vezes é o último homem na linha ofensiva, mas seu biotipo e sua função em campo é bem diferente de um jogador dessa linha. A atuação dos Tight Ends pode mudar dependendo da técnica e da tática de cada treinador, mas seu papel principal é: bloquear para o Quarterback e para o Running Back que esteja carregando a bola ou se preparando para passá-la, fazer recepções de passes do Quarterback e ajudar a manter a proteção desse, assistindo os homens da linha ofensiva no bloqueio durante as jogadas de passe.
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