The Better For You
46 Epílogo.
Notas iniciais
Bufei olhando pelo retrovisor, Phoebe e Paris estavam divididos por uma cadeira de uma criança de cinco anos entre eles e revirando os olhos constantemente.
Talvez eu estivesse um pouco – não, muito – bravo por estar em um carro, em uma viagem de duas horas e em uma hora os gêmeos terem brigado umas trocentas vezes por motivos desconhecidos por mim.
- Thalia está vindo atrás de nós? – minha querida, bela e perfeita esposa perguntou colocando uma mecha do cabelo dourado atrás da orelha
- Bem, não sei. – respondi, vendo Joe me olhar com os olhos suplicantes
Paris tinha fones de ouvido enormes ao redor do pescoço e encostava a testa na janela do carro enquanto Phoebe teclava furiosamente no telefone. Eu tinha vontade de jogá-lo pela janela muitas vezes.
Phoebe realmente nasceu com os cabelos negros, iguais aos meus, porém aos quinze pintou os cabelos de castanho, ela tinha contornos firmes e o queixo era um pouco pontudo igual ao de sua mãe, os olhos, pelo menos, era a única coisa que ela não podia mexer, pelo menos... Tão cinzas quanto os de Annabeth, nenhum borrão, nenhuma gota a mais, nenhum um trovão dançando entres as nuvens. Apenas um céu nublado sem esperanças. Desde criança, a minha pequena vem sendo problemática, tinha que ir para psicólogos, seus amigos não eram os melhores do mundo, e já chegou em casa umas três vezes bêbada. Para uma garota de dezesseis anos aquilo era muito problemático. Mas não importava o que ela fizesse, no outro dia, ela estaria no estúdio que eu e Annabeth construímos para ela. Um estúdio para Phoebe dançar ballet, a única coisa que a fazia relaxar. E eu fico feliz em dizer que ela puxou isso da mãe.
Talvez se fosse Paris, eu não me preocuparia tanto. Quero dizer, isso aconteceu comigo, mas eu sentia medo por ela. Phoebe era apenas... Apenas uma garota, ela não merecia aquilo.
- Você está bem, querida? – perguntei quando ela tossiu algumas vezes e se encolheu no cardigã bege – Está muito frio, quer que eu diminua o ar condicionado?
Annabeth me olhou com os olhos irritados. Ela odiava quando eu protegia demais a Phoebe e fazia parecer que os meninos não eram tão importantes para mim. E minha filha costumava perceber isso.
- Não, pai.
- Certeza? – perguntei de novo
- Sim, papai.
Annabeth bateu na minha coxa e me encolhi. Ela era minha filha. E era problemática. Suspirei. Comecei a pensar se minha mãe costumava me chamar de “problemático” quando falava com os outros.
Paris estava me encarando. Ou encarando a mãe dele, tanto faz. Eles tinham uma conexão mais forte que eu e Annabeth, às vezes, eu sentia ciúmes do meu próprio filho, até eu achar que estava realmente enlouquecendo.
Meu filho não poderia ser mais... Meu lado bom, o que significa Annabeth. Seus cabelos loiros e os olhos verdes pareciam parecer um verdadeiro surfista, o bronze e o sorriso de galã – que me lembrava em todos os aspectos – atraiam qualquer uma. E todos sabem que ele tem tudo meu. O corpo, o jeito de falar, de se vestir, até mesmo de se meter em encrenca e se sair ileso. No entanto, tinha o mesmo temperamento da mãe, tão indeciso e conflitante quanto a mesma. E isso costumava me irritar, muitas vezes, assim como Phoebe. Devia ser por isso que eles não se batiam.
Paris sempre foi o mais passivo. Sempre quieto. Sem arranjar problemas. Ajudando a irmã e encobrindo seus erros quando ela ia às festas. Aos treze anos, Paris se tornou um verdadeiro homem quando bateu no garoto que deu o primeiro beijo em Phoebe.
Eu tenho muito orgulho do meu filho.
Voltando, desde pequeno Paris era o orgulho da família. Notas boas, protetor, corajoso e essas outras qualidades que todo mundo diz.
Joseph, o caçula, que todos chamávamos de Joe, tinha cinco anos. Ele era uma mescla entre eu e minha esposa. Seus cabelos eram invejados por Phoebe, castanhos claros naturais, ele tinha sardas claras no nariz e os olhos eram azuis grandes. Annabeth supõe que os olhos sejam herdados da mãe dela, Atena. Ele tinha um boneco que nunca largava, se chama Steve Park e ele tinha pés de pato, o que era engraçado. Paris e Phoebe deram a Joe em seu aniversário de três anos e desde então, Joe era o elo entre eles. Entre todos nós, na verdade.
- O que está fazendo no celular, Phoe?
- Percy, você não consegue ficar calado? – Annabeth reclamou revirando os olhos
- Não, ela é minha filha, eu tenho todo o direito de saber o que ela está fazendo.
Paris riu junto com Joe.
- Nada. Qual é, pai, não posso nem mais mandar mensagens pro seus amigos?
- Amigos, Phoe? – Paris implicou
- Paris, você prometeu!
- O que você prometeu, Paris? – perguntei, inclinando minha cabeça
- Eu sabia que essa hora ia chegar, mas não pode ser agora... Porque, droga, você está dirigindo, Perseu!
- Estou tendo uma discussão, Annie, e não estou bêbado. Então, qual de vocês vai me dizer o que Paris prometeu?
- É melhor você esquecer isso, Perseu. – Annabeth encostou-se ao banco me olhando mortiferamente
- Ok, Annabeth, você não vai dizer. Vamos começar pelo ponto mais difícil, Phoebe? – chamei e ela negou com a cabeça – Paris, você não vai abrir a boca, vai?
- Desculpa, pai, mas não dá. Sabe como é. Essa coisa de honra, dignidade, etc.
- Ok, então. Joe? – virei a cabeça rapidamente – Vamos lá, papai, conte para mim o que sua irmã ingrata anda escondendo.
- Hm, papai, eu não se posso contar. – ele abraçou seu boneco com força
- Phoebe não vai brigar com você.
- Vou sim, Joseph! – ela tinha o mesmo tom autoritário que Annabeth, também.
- Eu vou te dar um soverte bem grande se você dizer, Joe.
- Percy, isso é chantagem. – Annabeth brigou
- Eu tenho que saber disso de algum jeito, não é? – revidei
- Bem, papai, a Phoebe tá namorando. – ele deu um sorriso travesso
- O quê? – gritei
- Cuidado!
Foi um misto de gritos, confusões, até eu conseguir levar o carro em frente a uma casa. Minha casa. Minha velha casa.
- Você precisa quase matar a gente porque sua filha está namorando? – Annabeth gritou em plenos pulmões
Olhei em frente, respirei fundo. Ok, ninguém ferido. Nenhum carro atingido. Consigo sentir minhas pernas e todo mundo só está querendo me matar. Nada muito ameaçador.
- Quem é o canalha? Paris, por que você não bateu nele? Seu dever não era proteger sua irmã?
- Pai...
- Estou muito desapontado com você, garoto.
- Não fale assim dele, Perseu. – Annabeth segurou meu braço
- Como assim? Minha filha, sua filha está namorando!
- Eu tenho dezessete anos.
- Dezesseis! Ainda não são quatro horas, garota.
- Não precisa mais me proteger, pai!
- Ela tem idade suficiente para se defender, Percy, você nem ao menos sabe quem é o garoto.
- E aposto que ele não presta.
- Papai, você está me assustando. – Joe disse encolhido em sua cadeira.
Olhei para todos ao meu redor. Phoebe parecia estar raivosa, mas medrosa, Paris estava indeciso, percebi e Annabeth poderia cortar meu pescoço naquele momento. Respirei fundo e sentei no banco novamente tentando controlar minha respiração.
- Tudo bem.
- Papai, Paris também está namorando.
- Mentira. Ela é só minha amiga, Joe.
- Calma. Muitas informações. Vamos lá, Phoe, quem é o garoto? – ela me olhou amedrontada e em seguida, olhou para Annie, ela assentiu levemente sorrindo
- Bem... É o Matt.
Continuei parando olhando para ela.
- Oi?
- É, pai, Matt. Satisfeito?
Matt. Matt Grace Di Ângelo. Matt, meu sobrinho. Matt quase meu filho. Matt primo de Phoebe. Virou modinha o povo de a nossa família ficar se relacionando agora. Qual é?
- Ok. Phoebe, você ainda tem muito a me contar. Como isso aconteceu?
- Percy, estamos em um carro. Temos um encontro com a família.
- Tudo bem. E você, Paris, quem é a garota?
- Não tem nenhuma garota, pai.
- Não?
- Ah, qual é, Paris, também não quer contar, hm?
- Você sabe que ela não é minha namorada, Phoe.
- Paris. – Annabeth reclamou – Vem, Joe, vem com a mamãe. Vamos tomar um banho e eu vou fazer um milkshake pra você, que tal? – ela disse, Joe tirou o cinto da cadeira e passou por cima do banco enquanto Annie o pegava no colo e saia do carro
- Podemos sair?
- Não até Paris me dizer.
- É a Kath.
Kath. Kath. Meu Deus, o que está acontecendo com meus filhos? Katherine Beauregard Beckendorf. Minha afilhada.
- O que deu na cabeça de vocês de ficarem com seus primos?
- Ah, não. Não começa. Desde pequenos fomos criados assim, pai. – Paris disse
- Aham, e você sempre deu o maior apoio para o tio Nico e a tia Thalia.
- Claro porque eles são adultos e são mega ricos e são donos da empresa que eu faço parte, se eu não apoiar eu não ganho meu dinheiro.
- Não é isso, pai. É só que... Rolou, entende? – Paris piscou – Agora, nos deixe ir, temos que nos arrumar ainda para tudo isso.
- Não, garoto.
- Percy! – Annabeth gritou da porta – Deixe eles virem, agora.
Ambos sorriram com a ordem e pularam do carro, rapidamente.
Todos eles já tinham ido para a casa de Thalia. Deixando-me sozinho. Era como se ninguém me quisesse, mas tudo bem, quando querem viagens, dinheiro, eu sou o melhor pai do mundo. Caminhei pela praia, então subi a calçada e atravessei a rua para a casa de minha prima.
Annabeth abriu a porta, sorrindo. Os cabelos dourados estavam presos em um rabo de cavalo, e nem mesmo o tempo conseguiu tirar sua beleza, os lábios rosados e macios, a pele brilhante e os olhos encantadores sempre continuaram o mesmo. Ela encostou-se ao batente da porta e diminuiu o sorriso.
- Então, galã, você vem sempre aqui?
Cocei minha nuca, tentando abafar o riso.
- Bem, — olhei ao redor – aqui parece ser um oásis no meio do Saara. Então, acho que não, não venho sempre aqui.
- Hm, aposto que costuma freqüentar haréns.
- Só se for harém de uma mulher só. – sorri – Sabe, você é bonita, garota, mas eu nunca te trocaria pela minha esposa. Ela tem o sorriso mais lindo do mundo. – Annabeth sorriu e revirou os olhos
- Bom, garoto, acho que você vai ser o homem mais piegas e clichê que eu já conheci em minha vida.
- Talvez eu seja.
A mulher dos meus sonhos abaixou a cabeça com as bochechas coradas, como se tivéssemos voltado no tempo e então, estávamos em frente a sua casa quando eu me declarei pela primeira vez. Os cabelos presos, o suéter e a calça de moletom velha era como se todos esses anos não estivessem passado. Trocando o pijama pelo short jeans e a blusa coberta por uma bem maior – que eu sugeri que fosse minha – quadriculada. Ela estava absolutamente linda.
- Ok, bobão, não quero que pare todo da rua apenas para dizer que me ama.
- Ah, você quer que eu faça isso? Ei, vocês... – gritei para algumas pessoas que passavam na calçada da outra rua
- Percy. – ela riu da minha atitude – Vamos, entre, eu fiz panquecas com chocolate e limonada, qual dos dois você vai querer?
- Você só sabe fazer isso? Cadê as receitas dos muffins que minha mãe te deu?
- Ou você entra, ou caia fora.
Ri. Passei meu braço sobre seus ombros e beijei sua bochecha, fechando a porta atrás de nós. Joe veio correndo em nossa direção e agarrou minha perna, contando como Phoebe estava falando que ia matá-lo aos poucos. Annabeth o acalmou e o pegou no colo, continuei abraçando sua cintura, vi Paris sentado na escada conversando com a minha afilhada, em seguida, atravessamos a metade da sala e eu já conseguia ver Matt embaixo da escada com um braço ao lado da cabeça de Phoebe e seu sorriso tímido. Eu quero esmurrá-lo, claro. No entanto, Matt era como se fosse um filho para mim.
Nico e Thalia brigavam em bom som dizendo que o suflê não ia prestar enquanto Joe jogava seu boneco entre eles dizendo que ele apenas queria voar. Silena e Beckendorf tentavam preparar uma salada e uma macarronada.
Sorri ao ver que todos vinham sentindo o cheiro dos muffins que minha mãe trazia ao lado de Oliver. Eu também tinha superado que eles estavam tendo algum rolo e me dava nojo só de pensar.
Todos começaram a se aglomerar em meio a mesa, todos jogando suas mãos em cima dos muffins de groselha, morango e sabores variados.
- Percy, pega um de groselha pra mim, por favor. – Annabeth pediu, ajeitando Joe em seus braços
Assenti, dando uma mordida antes de lhe entregar. Joe deu outra antes de colocar perto da boca de sua mãe em um gesto carinhoso.
Chelsea e Kate entraram pela porta dos fundos, elas eram casadas com Travis e o Connor o que era estranho, mas tudo bem. Tecnicamente, eles estavam fazendo parte dessa bagunça que chamávamos de família.
Nós éramos uma família. Uma família estranha e cheia de problemas. Uma família que nunca poderia se separar. Uma família que nem todo mundo era primo ou irmão ou alguma coisa do tipo. Éramos uma família pelo o que nos ligava, pela nossa amizade, pelos nossos momentos, pelas coisas difíceis que passamos juntos e principalmente, pelo amor que pairava sobre todos nós. Como se fossemos um castelo de cartas. Se um de nós cair, todos caem.
Olhei novamente todos rindo, comentando sobre coisas que vinham acontecendo e abracei Phoebe que estava ao meu lado junto com Paris do lado esquerdo. Eles me olharam confusos. Mas ignorei.
- Feliz aniversário, garotos.
- Pensei que não iria se lembrar. – Phoebe abraçou minha cintura e Paris sorriu segurando em meu ombro
Todo mundo percebeu o sinal e gritaram um feliz aniversário com alegria.
Annabeth empurrou a porta dos fundos com o quadril, e nesse momento os gêmeos perceberam que a mãe deles tinha saído do local. Ela trazia um bolo relativamente grande nas mãos e colocando sobre a mesa enquanto Chelsea a ajudava.
Quando todos esqueceram que eles estavam emocionados o suficiente para abaixar a cabeça e fungarem, foram aproveitar de todas as comidas que tinham ali.
Joe pulou em Paris que o pegou no colo e Annabeth veio a nossa frente, primeiro abraçou Phoebe, em seguida Paris.
Dei um beijo na cabeça de Phoebe ainda com o braço em seu ombro.
- Eu confio em você, pequena. Seja corajosa. – bati no ombro de Paris – Você vai ser um bom surfista. – sorri, tentando não chorar com as minhas próprias palavras
- E eu papai?
Ri de Joe.
- Você vai ganhar muito dinheiro, garoto.
Franzi os lábios enquanto Phoebe apertava minha cintura em seus braços finos.
- Amo vocês, garotos. Amo muito vocês.
Os olhos de Annabeth estavam lacrimejando e ela fungou, apoiando as mãos no meu peito e me dando um selinho.
- Eu tenho muito orgulho de você, Percy.
- Eu também te amo, garota do brigadeiro.
Ela riu.
- Ok, ok. Vamos parar com esse clima clichê? Eu odeio isso. Vai lá, Joe, vai irritar o Matt com a Phoe, vai procurar a Kath, Paris.
Eles riram e saíram.
- Eu te amo, bobo.
Ela teve que tirar todos para dizer isso. Mesmo assim, eu sorri com a alegria explodindo dentro de mim.
Certas coisas nunca mudam. Então, as cortinas se fecham para o fim de um espetáculo e abrem para a nova peça que está em cartaz.
Notas finais
Amei muito estar aqui e escrevendo isso para vcs e dando meu máximo para vocês! Não esqueçam que são os melhores.
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