The Better For You

14 Capítulo Treze.


Notas iniciais
heeeeeeeeeeeeeeey, guys
E ai, como vocês estão? Então, esse capitulo passou tão rápido, mas ele é enorme. Então, se você está com pressa, não comece a ler agora, tá? Bom, espero que vocês gostem porque eu simplesmente amei.

Vi a fumaça subir fazendo umas ondinhas diferentes e embaçando minha visão, fechei os olhos com força e tateei a meu criado mudo procurando meu chocolate quente.

Era uma chuva de verão e caia tão forte que parecia que o mundo poderia desabar a qualquer momento, ou meu quarto. Levantei-me e dei minha última tragada jogando o cigarro, abri a porta que dava para a varanda e encostei-me ao batente bebendo em goles leves o chocolate quente.

Bianca estava no cômodo ao lado e eu poderia pedir para conversar com ela ou dormir com ela enquanto eu estava confuso, mas... Thalia me disse que amanhã à tarde Annabeth voltaria para Nova York no máximo depois de amanhã.

Eu estava confuso. Quer dizer, eu queria correr para a casa dela e depois ficar tomando chocolate quente com ela, ou até mesmo tomar limonada gelada nessa chuva. A brisa fria passou por mim e cruzei os braços, poderia ser burrice ficar sem camisa nessa chuva, mas eu gostava, usava apenas um moletom cinza, os cabelos bagunçados e a corrente.

Meu subconsciente já havia admitido que eu estava apaixonado. O único problema seria eu conseguir falar isso para ela, cara a cara. Olhando para os olhos azuis com pingos cinza.

Dei mais um gole sentindo o gosto incessante do cigarro se misturando com o chocolate quente descendo rapidamente pela minha garganta. Eu deveria ir?

Estava chovendo, não adiantaria eu ir. A mãe dela estaria lá, nunca deixaria Annabeth sozinha, do jeito que ela era auto-protetora.

Duas batidas. Mais três.

– Percy? – era a voz de Bianca

– Hm? – virei o rosto o suficiente para que ela pudesse me escutar

A porta se abriu, ela vestia um vestido longo e trazia uma caneca escrita: “sou a melhor irmã do mundo, foda-se”, sorri fraco e voltei a olhar a chuva caindo, o cheiro de camomila encheu meu quarto, curvei o nariz e dei mais um gole no meu chocolate quente, eu deveria colocar mais. Já iria acabar.

– Pensou sobre tudo aquilo?

– Se eu devo correr atrás de Annabeth? – perguntei sem me virar para ela – Sim.

– E qual a sua conclusão?

Suspirei, e mesmo que depois fosse me arrepender depois, eu queria fazer aquilo e deveria ser a coisa certa já que... Já que... Já que eu deveria sentir alguma coisa por Annabeth, e mesmo que a mãe dela estivesse lá, eu deveria correr atrás dela.

A imagem de Will Solace a abraçando, só fez aumentar mais ainda a minha decisão, deixei a minha caneca na mesa molhada e me espreguicei.

– Pode arranjar um guarda chuva? – perguntei

Bianca sorriu e fez uma pequena reverência saindo do meu quarto, puxei minha blusa branca de gola V e minha jaqueta preta, coloquei um chinelo qualquer e pensei pela milésima vez se estaria tomando a decisão certa e se não estivesse, já não me importava mais.

Eu já estava correndo pelas ruas de Los Angeles querendo chegar o mais enxuto possível, mas não pareceu acontecer. As gotas pareciam arranhar minha pele e eu senti a sandália escorregar umas trezentas vezes, espirrei quatro vezes e tossi cinco vezes, os meus cabelos estavam grudados na minha testa e o guarda chuva já não servia de nada, eu só o carregava como uma bagagem, sentia a minha corrente arranhando e a blusa colada em meu corpo. Desabei ao chegar à casa de Annabeth.

Ficava em uma rua estreita com casas de aparências rústicas e arquitetura velha, a dela era a mesma coisa, tinha uma varanda com três degraus na lateral, tudo parecia ser feito de madeira e mesmo que ela não morasse lá, o jardim estava bem cuidado com a grama molhada e escorregadia e as flores pareciam estar-me mandando entrar para a varanda. Sentei nos degraus e respirei pesadamente.

Seria agora ou nunca.

Subi os degraus e a madeira fazia o mesmo barulho do píer, mas em melhores condições, tinha duas janelas grandes na frente e a porta cercada por dois vasos de flores, pela janela poderia ver a televisão ligada e eu conseguia escutar uma música baixa.

Respirei fundo e toquei a campainha.

Foram dois minutos até ela abrir um pouquinho da porta.

O cabelo louro pálido estava caindo sobre os ombros cobertos por um suéter rosa claro, os olhos azuis assustados e usava uma calça de moletom cinza apertada, ela olhou para os dois lados e saiu fechando a porta.

Deu um passo para trás, e cruzou os braços mexendo as mãos nervosamente.

– O que está fazendo aqui? – ela perguntou quase querendo correr

Coloquei minhas mãos nos joelhos sentindo minha calça pesar, respirei com dificuldade e abaixei a cabeça vendo os pingos dos meus cabelos caírem no chão limpo, brilhante e bem varrido.

– Eu... – me levantei e me aproximei a ela.

Abaixei a cabeça. Trinta centímetros faziam diferença demais nessas horas. Fechei os olhos e abaixei mais a cabeça fazendo a minha testa se encostar com a dela, ela não pareceu se importar e colocou as mãozinhas pequenas nos meus ombros.

Eu poderia dizer trezentas coisas de como isso era clichê, e de como eu não sabia se deveria falar isso, ou que eu estava muito nervoso. Mas, conhecia Annabeth o suficiente para que soubesse que ela me colocaria para fora em questão de segundos. Então, o jeito foi respirar fundo e tentar falar tudo que eu sentia, calmo e tranqüilo. O que não funcionou muito porque eu não aparentava estar calmo e meu coração batia de forma descoordenada, o que confirmava que eu não estava tranqüilo.

– Seus olhos pela manhã ficam cinza com pontinhos azuis e pela noite ficam azuis com pontinhos cinza. – minhas mãos estavam em sua cintura e não abri os olhos para saber se ela estaria surpresa ou não – Você tem um corpo lindo e a melhor voz que eu já ouvi na minha vida. Quando você cantou e eu fiquei colocando defeito, só estava com inveja, mas depois passou e eu percebi o quanto a inveja é diferente de ciúmes quando eu a vi com Will... – murmurei e respirei fundo – Eu só achei que eu deveria fazer a coisa certa e te falar o que eu sinto.

– Percy... – ela quase ia se afastando, porém eu a trouxe de volta

– É meio estranho falar isso, sabe... Nunca falei isso para uma garota. Uma garota mesmo, sem ser da minha família. E acho que você vai achar ridículo, mas eu tento te entender. – dei um sorriso pequeno, me sentindo quase realizado – Sua risada é tão gostosa de ouvir, amo o jeito que fica corada, ou como fica concentrada ao ver uma coisa... Até mesmo quando briga comigo, ou quando me chama de idiota. Acho que aprendi a gostar, na verdade.

– Por favor...

– Não me importa se você não disser o mesmo. – interrompi mais uma vez — Eu te amo, Annabeth Chase.

Ela se afastou tão rápido de mim que pensei que ela poderia cair.

Os olhos azuis grandes assustados com a minha confissão, eu só conseguia sorrir e sorrir. Deveria ser a coisa mais... Romântica que eu havia dito para alguém.

Afastei-me pronto para ir embora.

– E-eu fiz panquecas e chocolate quente, você quer? – ela perguntou

Eu havia dito que a amava e a primeira coisa que ela diz é que havia feito panquecas, legal. Era um progresso.

– Sua mãe não está ai?

– Ela está no hotel, disse que ainda precisa ficar lá por ter pagado a estadia, então... – ela deu de ombros – Eu posso ver se aqui tem alguma roupa de Luke.

– Eu agradeceria. – disse sorridente

– Ótimo. E... – ela se aproximou e encostou a mão na minha corrente – Onde você conseguiu isso?

– Não vai ficar brava?

Os cantos dos seus lábios tremeram.

– Depende.

– No seu quarto.

– Como?

– Certeza que não tem limonada? – perguntei

Ela revirou os olhos, abri a porta para que ela entrasse e tentei me enxugar ainda na porta com a toalha que ela havia me trazido, ela me trouxe um moletom com dois bolsos na frente e dois cordões pretos, e uma bermuda. Sentamo-nos no colchão que ela havia colocado em frente à tevê. Ajudei-a trazer as panquecas quentinhas para o sofá e começamos a beber nossas canecas enormes cheias de chocolate quente.

Começamos assistir American Idol, um cara cantava algo parecido com jazz e uma garotinha de olhos grandes fazendo sapateado.

– Hey, isso é legal.

Annabeth bocejou.

– Jazz? – ela perguntou

– Não, o sapateado da garotinha.

– Hm... Eu sei dançar ballet, é bem mais difícil do que sapateado.

Sorri.

– Não estou dizendo que é mais fácil, só estou falando que é legal.

– Eu sei.

Continuamos assistindo. Mil pensamentos passavam na minha cabeça. Tratávamo-nos como um casal, sei lá, era tão legal. Mesmo que ela estivesse disfarçando, ou querendo me deixar feliz para não ter que dizer “eu te amo” ou me fazer recordar do motivo de estar ali.

– Quer marshmallows? – ela perguntou

– Que tal um daqueles doces em que coloca o biscoito, o marshmallows e chocolate? – perguntei

Ela sorriu.

– Heys, boa idéia, Cabeça de Algas. – sorri ao ouvi-la falar aquilo

– Não é só você que é a sabidinha, okay? – sussurrei

Levantamo-nos e fomos para a cozinha encontrar os ingredientes, encontramos biscoito crem crack e um pouco de chocolate em barra, ela colocou em uma panela com manteiga e esperou derreter. Fizemos as pequenas “formas” com biscoito e chocolate, ela conseguiu alguns palitos onde enfiamos os marshmallows, ligamos o forno e puxamos as cadeiras.

– Parecemos que estamos em um acampamento. – comentei

Ela riu.

– Aham, é tão engraçado e divertido.

– Nunca foi para um acampamento? – perguntei surpreso

– Não, por que? Deveria ser obrigatório? – ela argumentou

– Claro que sim. – rolei os olhos vendo meu marshmallows pronto, procurei minha forma e a coloquei no prato.

Lambi os lábios e esperei esfriar.

– Já fui várias vezes, é muito divertido, deveria experimentar isso. Nós ficamos lá, e tem a fogueira, conversamos sobre tudo, cantamos e nós dormimos com meia, moletom, casaco e com um edredom por cima, ficamos acordados até tarde e às vezes fugimos para o bosque. – expliquei

– Isso não parece tão divertido. – sussurrou colocando concentradamente seu marshmallows na forma

Dei uma mordida sentindo o biscoito crocante e o chocolate dar um toque doce, gemi com o sabor sempre conhecível e murmurei um “perfeito”, pude a ver sorrir e repetimos isso três vezes. Depois, ela me arranjou uma limonada e voltamos para o colchão.

Mais um candidato, ele desafinou três vezes e J-Lo disse que ele poderia voltar a ser garçom, ri. A única coisa ruim de tentar a sorte é que você pode levar um fora, não que eu estivesse com medo, fui rejeitado inúmeras vezes por Annabeth, ser rejeitado por J-Lo deveria ser um pouco pior, só.

– O que você vê no seu futuro? – me encostei contra o sofá e a olhei

Ela tinha os olhos azuis tão ingênuos e ao mesmo tempo espertos me analisando, ela abriu um sorriso grande.

– Eu me imagino fora do país, trabalhando com minha própria empresa de arquitetura. – ela deu um sorriso grande

– Aonde? – continuei com um único objetivo

– Londres. – confirmou com os olhos piscando enquanto olhava para o nada – Deve ser perfeito, quer dizer, eu já fui para lá, há uns dois anos atrás com a minha mãe, foi uma maravilha! Parecia que estávamos em outro mundo, eles falam tudo diferente. – ela riu um pouco

– Isso é bom? – perguntei, confuso

Ela riu e deu de ombros.

– Não sei, é engraçado e ao mesmo tempo me deixa maravilhada.

– E onde você me vê em seu futuro? – perguntei ainda sorrindo

Mas, foi diminuindo aos poucos. Ela se encostou ao meu lado com as pernas cruzadas e as mãos em concha, ela começou a prestar atenção nas imagens na televisão. J-Lo falava algo sorrindo e disse que ele tinha um grande futuro, Randy Jackson demorou um pouco com um sorriso no rosto antes de começar a falar, não prestei atenção. Olhei para Beth e ela estava com uma expressão pensativa.

– O que você quer ser no futuro?

– Se lembra... Que eu recebi uma proposta daquela cara sobre ser surfista? – perguntei, ela assentiu – Bem, eu estou pensando nisso e estou tentado. É uma boa coisa.

– Somos diferentes.

Ignorei.

– Sempre quis velejar pelo mundo também... – dei de ombros – Posso começar surfando, depois velejando pelo mundo, não sei ao certo, terei que parar de fumar e me drogar se quiser virar surfista. – pensei um pouco — Sendo que eu esteja perto do mar, está tudo bem.

– Londres é fria. Os mares são gelados e lá, provavelmente, eles não devem surfar. Nem mesmo no verão.

Olhei-a novamente. Ela estava com as bochechas coradas, havia subido as mangas do suéter e acariciava o pulso, levei minha mão a sua e as entrelacei.

Era a primeira vez, e eu tinha uma leve impressão que poderia ser a última, acariciei sua palma com o polegar e ela não recuou como esperei que fizesse.

– Mas, você não me vê?

– Como um amigo, talvez.

– É um bom começo. – sorri de volta

– Quem sabe. – ela murmurou

– Queria que você fosse menos indecifrável, queria que você fosse... Mais aberta.

Ela se aproximou de mim e sussurrou contra meu rosto.

– Senti sua falta. – foi a única coisa tocante que ela disse naquela noite

Escorregou pelo o colchão e se aninhou em meu peito, fiz o mesmo que ela e massageei as almofadas, tombei minha cabeça pela sua enquanto ela se deitava em meu peito e fechava os olhos tentando voar pela inconsciência.

– Eu te amo, Annabeth. – murmurei antes de dormir

Deve ter sido a última coisa que disse antes de dormir.


N/A: Ok, Percabeth é vida. Quem deixar um review ganha beijo do Percy sexy, okay? haha.