The Better For You

23 Capítulo Vinte e Dois.


Notas iniciais
vcs me amam tanto q esquecem de mandar reviews né que love e.e na1 saçlks

Respirei o ar gelado de Londres. Tive uma vontade estranha de tossir. Tudo parecia tão estranho e curiosamente organizado, enfiei as mãos nos jeans velhos para não puxar o gorro vermelho para baixo. O sol saía tímido pelas nuvens cinza e eu já poderia ter uma visão de seus olhos.

Everybody is laughing in my mind
Rumors spreading
About this other guy

Fechei os meus e forcei-me a lembrar de sua foto que Silena me mandara quando eu ainda estava na minha cidade natal, pensei novamente se não deveria ter ficado por lá. Um sorriso tímido, uma boina vermelha, uma blusa branca e um cardigã preto acompanhado por uma daquelas botas que tem o forro interior xadrez. Eu poderia ver com tanta clareza e até poderia imaginar o vento açoitando os cachos louros pálidos.

Respirei fundo mais uma vez e afundei mais minhas mãos no bolso. Eu estava nervoso e com medo. Ok, muito medo.

Dei uma olhada em volta. As pessoas andavam rápido demais, outros com gravatas e adolescentes bem vestidos, prédios cercavam a avenida. Comecei a andar pelo o meio fio... Era uma cidade movimentada, mas ligeiramente calma.

Silena havia me dito que morava em um lugar ao sul da capital e Annabeth era sua vizinha, duas casas depois.

Eu não deveria conhecê-la agora. Ou vê-la.

Somente deveria ir para o meu hotel e esperar o momento certo. Pelo menos, eu acho que deveria ser o certo.

Mas, não. Um táxi estava parado no meio fio conversando com outros, olhei para os dois lados antes de atravessar e apontei para o carro, ele negou e entrei no banco do carona colocando o cinto de segurança.

Do you do what you did
When you did with me?
Does he true love you the way I can?

Did you forget all the plans
That you made with me?
Cause baby, I didn't

- Hm, boa tarde. – cumprimentei

- Boa tarde, jovem. – ele disse sorrindo

- Você sabe onde fica a casa de Silena Beauregard? – perguntei, um tanto confuso

- Da modelo que decora casas? – ele argumentou, assenti – Sim, sim, fica mais ao sul. Você é novo por aqui?

- Sim, sou Percy, primo dela, sou de Los Angeles.

- Ah, bom saber, as pessoas adoram a dona Silena. – ele começou a me dizer – Se você perceber, deve ter alguns banners com ela, ou algumas revistas espalhadas.

- Isso é bom, ela deve estar feliz. – comentei

- Quanto tempo o senhor pretende ficar?

- Um mês, no máximo. Tenho alguns compromissos, e acho que não devo faltar.

Continuamos a conversar sobre o clima e coisas típicas da Inglaterra, como o melhor restaurante que tinha por ali, a melhor feira livre, o melhor local de compras.

Mas, isso não era algo que eu queria saber mesmo.

Finalmente, ele perguntou qual era o endereço dela, o taxista disse que apenas sabia o bairro, mas não sabia a rua exatamente. Resmunguei e liguei perguntando. Ela me passou todos os dados e fiquei em frente a sua casa.

- Hey, senhor, não avisa para todo mundo onde a família Beckendorf mora. – brinquei

Ele sorriu e acenou abaixando o vidro.

- Claro que não, Percy. Espero que fique mais tempo em Londres. – sacudiu a mão e deu a volta

Suspirei.

Duas casas, a frase continuou a martelar em minha cabeça. E se eu passasse lá e conversasse com ela? Quero dizer, dar um “oi” e dizer que estou por aqui, que poderíamos nos encontrar, mas... O objetivo da vinda foi ela. Eu vim para vê-la, então não fazia sentido adiar esse encontro.

Olhei ao redor.

That should be me, feeling your kiss
That should be me, buying you gifts
This is so wrong, I can’t go on
‘Till you believe, that should be me
That should be me

As casas tinham uma elegância diferente do que estava costumado a ver pelo mundo. Mostrava uma personalidade decisiva, elegante e fria. Calculista e bem feita. Pensando bem, somente as casas passavam isso, uma garota com um estilo punk bem parecido com minha prima antigamente, saiu de uma das casas, era branca, e grande com um jardim mal cuidado, a pintura era desgastada assim como as escadas que davam em direção a porta, ela estava chorando, enxugou as lágrimas e respirou fundo, olhando para os dois lados antes de atravessar para o meu lado.

Ela me encarou, um pouco surpresa e veio andando calmamente até mim.

- Percy Jackson? – a garota perguntou

Dei um sorriso.

- Olá. – cumprimentei

- Sério? – ela deu um sorriso grande – Posso te abraçar?

Dei de ombros.

- Bom, não sou muito bom com abraços, mas posso tentar. – disse brincalhão

Ela estendeu os braços e passei os meus pelos seus ombros.

Ela tinha um cheiro de flores, como rosas misturadas com margaridas, embora o cheiro não definisse a ausência de cores. Podia sentir um pouco das lágrimas molharem minha camisa, mas não liguei quando ela demorou uns cinco minutos para se afastar de mim.

- Está bem? – perguntei tentando ver seus olhos

Um misto de azuis claros e escuros.

- Sim, bem, não... Mas, não precisa se preocupar. Sou Jazz. – ela deu um grande sorriso – Desculpa chegar aqui e perguntar se pode me abraçar...

- Não, sem problemas, Jazz, meus braços são de todos.

- Espero que sejam meus um dia. – brincou

- Claro. – embarquei em sua brincadeira

- Sério? – falou boquiaberta

- Quando você ficar maior de idade, quem sabe.

Jazz riu.

- Bom, Jazz, acho que eu vou ter que sair agora e te deixar sozinha.

- Hey, o que você faz aqui em Londres? Nunca pensei que iria te encontrar aqui.

- Hm... Bem, a negócios. – decretei na minha cabeça, só na minha cabeça, na verdade

- Então, tudo bem, obrigada novamente. – ela acenou e deu dois passos, depois virou-se novamente, sorri acolhedor – Muito obrigado mesmo, mesmo. – sorriu

- Sem problemas, Jazz. – fiz uma pequena reverência enquanto ela ria e sumia de minha visão

You said you needed
A little time for my mistakes
It's funny how you used that time
To have me replaced

Agora, eu podia analisar mais uma vez o bairro. Eu até poderia apostar que ela tinha decorado ou feito a maioria das casas grandes. Elas possuíam um jardim elegante, alguns mal cuidados, outros perfeitos e coloridos demais, certos jardins eram fechados com cachorros descansando sobre a varanda.

A casa que eu achei que fosse dela, tinha a cara dela.

Cinza com detalhes azuis, o jardim era perfeito, algumas rosas brancas, vermelhas pendiam sobre os caules, nenhuma erva daninha estava à vista, na varanda, podia-se ver uma mesa com alguns papeis presos por um livro. Tinha um estilo rústico e velho, com detalhes pequenos e graciosos, a escada era no canto esquerdo e era feita de madeira, se eu forçasse um pouquinho mais, poderia ver mais um jardim no quintal da casa.

A janela estava aberta, mas a cortina branca balançando de um lado para o outro atrapalhava minha visão de ver algo mais. Eu poderia bater chamando alguém, mas não sabia qual nome deveria chamar, ou poderia abrir a pequena porta que dividia o gramado da primavera fria de Londres e tocar a campainha como qualquer adulto faria.

Respirei fundo e quando estava pronto para abrir, um cara abriu a porta com um sorriso satisfeito no rosto. Cabelos castanhos bagunçados, olhos claros e expressão suave.

Eu conhecia este sorriso mais do que ninguém. Porque eu sempre dava esse sorriso.

- Boa tarde. – o cara hesitou antes de falar e desceu as escadas ficando no jardim

- Oi. – disse

Saia daí, seu idiota, você está na casa errada.

- Aí é a casa da Srta. Chase? – perguntei erguendo a cabeça, curioso

- Bom, sim. Quem é você?

- Sou Percy Jackson. – me apresentei erguendo a mão sobre a pequena porta branca, ele apertou firme

- Sou Mike Jones. – falou – Ela está dormindo agora, não sei se ela irá voltar para trabalhar. É alguma reforma ou ajuste na sua casa?

Sorri.

- Ah, não, não. Sou um amigo, só vim visitá-la e você é... – deixei a frase no ar, desafiador

- Sou o namorado dela.

Namorado? Hm... Namorado? Sério mesmo? Agora, eu o batia até deixá-lo roxo ou tinha algum paparazzi por perto ou, eu poderia entrar ali e xingá-la até a morte?

Ou eu simplesmente deveria voltar para o hotel e chorar como um bebê pedindo colo? Ou deveria me lamentar ouvindo música deprimente e cantando?

Eu tinha muitas opções. E pouco tempo de escolha.

- Por que algum problema? Ficou pálido de repente. – deu um sorriso de desdém

- Não. Surpresa. – dei de ombros – Vou encontrá-la outro momento. Foi um prazer... – te matar por pensamento – te conhecer, Mike.

- O prazer foi todo meu, — me afastei, mas o suficiente para ouvir — imbecil.

Did you think that
I wouldn’t see you out at the movies?
What you doing to me
You taking him where we use to go

Now if you're trying to break my heart
It's working, cause you know

Imbecil? IMBECIL? Ok, né, vai chamar seu pinto pequeno de imbecil, filho da puta. Aposto toda minha carreira que Annabeth nunca me trocaria por “Mike-pinto-pequeno”, eu era Percy Jackson. Era o melhor surfista da última década, era o cara que mais ganhara prêmios em dez anos de carreira oficial, o cara sarado e gostoso que tinha milhares de fãs, o cara que todos lutavam e brigavam por uma foto, o cara que viajou todos os continentes procurando pelas maiores e melhores ondas, o cara que sabia tudo sobre sexo e mulheres.

O cara certo para qualquer mulher. Mas, infelizmente, só existe uma mulher certa para mim. Mike... O que tinha de legal no nome dele? Eu deveria estar ali na casa dela, segurando sua mão, dando um beijo em sua testa, lhe dando presentes fofos e fazendo sua comida assim que acordasse.

Não era nenhum Mike que tomaria meu lugar.

Aliás, a mãe dela, por acaso, sabia que ela estava namorando? Quem a mãe dela preferiria? Tudo bem que tinha uma grande – ou enorme – chance de Atena preferir Mike, mas quem precisava de mais aconchego? Não que eu quisesse a compaixão dela, na verdade... Eu aceitaria qualquer coisa que viesse dela. Só queria estar perto dela mais uma vez.

Na real, quando ela se daria conta que eu era o cara certo para ela? Não importava se eu estava sendo hipócrita ou egocêntrico demais para pensar só em mim, mas... Os sentimentos delas me importavam também, caramba.

Se ela estava em um teste de deixar minha auto-estima baixa e machucar o homem que era apaixonado por ela, parabéns, ela deveria levar a pontuação máxima.

E, no final, eu acabava me perguntando se ali teria um píer e eles já nadaram lá apostando corrida até o horizonte, se tinham comido no Mcdonalds até enjoar, e se ele andava de skate ou teria ensinado algum esporte que ela não sabia. Se eles cantaram alguma música de Demi Lovato juntos enquanto a fogueira crepitava em sua frente. Uma sensação estranha perseguiu na boca do meu estômago e fez com que as pontas dos meus dedos começassem a ficar dormentes, os esfreguei no casaco, fixando em minha mente, que era o frio. Não meus pensamentos idiotas sobre ela. A garota, o motivo da minha maldita e idiota vinda a Londres. Que não havia começado nenhum um pouco bem.

E mais uma opção se passava pela minha cabeça... Eu deveria desistir ou ainda lutar? Para quê lutar? Para me cansar? E quando tudo acabasse teria o mesmo final, eu, indefeso, e ela saindo pela porta sem se importar quem estava atrás dela? Seria assim?

Continuei a me perguntar.

Chutei uma pedra imaginária e me pus novamente em frente à casa de Silena. Não me apeguei a detalhes, pude perceber que era grande, com um estilo inovado e tecnológico, trazendo uma grande variedade em apenas uma rua, com diferentes estilos, tinha um jardim pequeno e alegre, o que me fez passar direto, e ir logo tocar a campainha.

That should be me, holding your hand
That should be me, making you laugh
That should be me, this is so sad
That should be me, that should be me

That should be me, feeling your kiss
That should be me, buying you gifts
This is so wrong, I can?t go on
Till you believe, that should be me

Não demorou três minutos para Silena aparecer.

Ela tinha mudado nesse tempo. Os cabelos estavam abaixo do ombro, em um corte original com uma franja de lado, o rosto continuava belo e feminino ao extremo, como sempre, usava um jeans, blusa rosa e luvas de cozinha.

- Hey, Percyzinho. – ela se jogou em meus ombros – Quanto tempo!

- Oi, Silena, é muito bom te rever. – enfiei minhas mãos no bolso quando ela me empurrou para a sala

Era feito com piso de madeira de uma cor clara, uma tevê enorme na parede, e um sofá azul claro com forro de couro, um laptop em cima do centro, ela me guiou até a cozinha onde me empurrou nuggets de frango enquanto começava a conversar sobre as coisas.

- ... vai tudo muito movimentado, não sei quando Charles irá chegar. – ela deu mais uma olhada para o relógio – Hey, Percy, coma, você está muito magro.

Sorri.

- Eu ando malhando demais. Tenho que manter a forma.

- Você sempre irá continuar lindo, Percy. – ela deu aquele seu sorriso meigo e fraterno, suspirei e enfiei um nugget bem frito na minha boca – E como vão as coisas por lá? Nico e Thalia vão bem? Eu recebi o convite de casamento, obvio que eu estarei lá.

- As coisas vão bem, e espero que você não falte mesmo.

- Mais alguma coisa? – ela perguntou encostando-se à pia

- Não. – dei de ombros

- Não me lembro de você ser tão quieto e vago. Aconteceu algo? – ela puxou a jarra de suco e encheu meu copo se sentando a minha frente

- Por que não me disse que Annabeth estava namorando?

- Ahn? – Silena resmungou confusa

- Aham, eu fui à casa dela..

- Na verdade... O quê?

- E o cara tirou com a minha cara, eu poderia ter quebrado seu pescoço ali mesmo. – reclamei enquanto bebia um pouco do suco de laranja – E, aliás, isso não é coisa que uma amiga faça.

- Você foi à casa dela?

- Sim.

- Sério?

- Lógico. – disse de uma vez

- Você veio aqui por causa dela? – perguntou ainda séria

- Que nada, vim para cá ver você e Beckendorf fazendo sexo selvagem no sofá, Silena. – revirei os olhos, irônico

Mesmo sabendo que Silena queria me matar por dentro, ela deu um grande sorriso e deu pulinhos até mim.

- Oh, que lindo, Percy. – apertou minhas bochechas – Pensei que nunca fosse tomar uma atitude.

Empurrei suas mãos para longe de mim, e fiz beicinho.

I need to know should
I fight for true love or disarm
It's getting harder to shield
This pain in my heart, oh

- Porque você já encontrou o “amor de sua vida”. – disse

- Bom, sim. Mas, mesmo não sabendo dessa sua viagem maluca de última hora para ver Annabeth, que por acaso, é extremamente fofo e ligeiramente romântico, desde que você tome uma atitude drástica, — ela fez movimentos indiferentes com a mão – eu terei um jantar de... Ouça bem, negócios. – ela soletrou – E, como, eu mesma irei decorar sua nova casa...

- É uma boa idéia... Nova casa? – perguntei assustado

- Será uma boa você perguntar alguns detalhes para a sua nova arquiteta.

- Peraí, darling, nova casa? – ri, ainda assustado – Eu não tenho casa, Silena, nunca tive. Não vou ter agora.

- Casa ou sem Annabeth? – ela cantarolou enquanto dava as costas e abria o forno colocando a luva e retirando um bolo de chocolate com um cheiro saboroso

- Onde será o restaurante? – suspirei

Ela deu um sorriso grande e começou a citar.

N/A: Oh, eu também tenho lados Afroditianos... Só não posso afirmar que isso irá deixar vocês melhores, ou que será sempre... Ou, oh, sim, irá *-*

Aposto que vocês, simplesmente, irão morrer, espero que não se decepcionem com os próximos capítulos, e o que acharam da Jazz? Ela é uma meiga, não é? Simplesmente, me lembra Thalia, mas não posso afirmar, nem negar, que ela voltará a aparecer na história, embora eu espero que ela volte, eu a adorei.

Enfim, tudo isso se resume a eu idolatrar Afrodite, ou seja... Se virem um drama básico, não foi minha culpa.